No Pain, no Gain

8 O Japonês Compassivo e o Timoneiro Sonolento


Notas iniciais
Esse capitulo foi um sufoco. Digo, eu comecei a ler Code Geass então PRECISEI escrever uma one-shot SuzaLelou... E quando eu fui ver, já era sexta feira e eu só tinha escrito uma página deste capítulo aqui, então me senti um mangaká com os prazos de entrega estourando. Esse capitulo também me fez descobrir duas coisas interessantes sobre mim: Eu não sei o femino de turco - é turca? Turquesa? Os dois soam estranho - e adoro cross dressers.

A pergunta, na verdade,era por que diabos alguém se daria ao trabalho de pegar Heracles. Ele não era do tipo que conquistava inimigos por sua personalidade difícil. Heracles apenas cuidava de gatos, dormia, movia o leme do navio e passava algum tempo dormindo perto de Kiku. Por fim alguém conseguiu acalmar Lovino o suficiente para que ele contasse o que havia acontecido: Turcos invadindo. Antonio desmaiando. Lovino entrando em desespero e se escondendo com o chefe atrás das caixas. Turcos demais cercando um Heracles só. Sequestro. Uma ordem de retirada de um homem de barbicha.

- E você viu isso tudo de onde estava? — perguntou Francis ao fim da narrativa.

- Bom... Uma parte... O resto, eu só ouvi.

- Espere... Você fala turco?

- Meu pai me ensinou. — Lovino fungou, na defensiva. — Ele disse que eu precisava ter cultura se quisesse conquistar as garotas, então ensinou a mim e ao meu irmão a desenhar, escrever poemas de amor, história da arte e também inglês e turco. Ele ia começar a ensinar latim, mas eu fugi de casa antes disso.

- Inglês eu entendo, mas por que turco?

- Por que a namorada dele na época era da Turquia e ele queria que meu irmão e eu a deixássemos impressionada.

E então eles se viram perguntando-se em que diabos de ambiente bizarro Lovino havia crescido até que Kiku retomou o foco.

- Não importa que línguas o Lovino-kun fala... E quanto ao Heracles-san? Ouviu mais alguma coisa, Lovino-kun?

- Ah... — Lovino pensou um pouco — Eu os ouvi falando algo como "conseguimos o que ele queria", se referindo à... Como era mesmo? Capitão... Capitão... Capitão Sadik, é isso.

- Você está brincando, certo? — Arthur manifestou-se. — Sadik? Diga que não estamos falando de Sadik Adnan.

- Foi exatamente essa palavra que usaram

Arthur soltou um palavrão e em seguida olhou feio para Kiku como se esperasse que ele tivesse uma explicação para aquilo. A julgar pela expressão culpada que mesclava preocupação e arrependimento no rosto geralmente vazio do japonês, ele tinha.

- T-talvez... Heracles-san tenha tido alguns desintendimentos com Adnan-san.

Arthur soltou uma risada frustrada e Francis começou a resmungar palavras pouco gentis em sua língua natal. Mesmo Gilbert pareceu preocupado e foi isso que fez com que Lovino e Alfred ficassem alarmados: Que tipo de força terrivelmente monstruosa era capaz de preocupar Gilbert!? A resposta era Sadik Adnan, um turco que havia construido uma reputação extremamente firme na pirataria. Havia afundado uma quantidade absurda de navios reais, não importa de que país, e mesmo a poderosa marinha inglesa — ou seus eventuais piratas — jamais haviam conseguido pegá-lo. Se Sadik havia decidido sequestrar Heracles... Bom, não seria exagero dizer que ele estava completamente perdido.

- É isso, o Heracles já era. — declarou Francis cruzando os braços. — Ele foi um bom timoneiro, mas arrumar confusão com os turcos quando mais da metade da nossa tripulação está incapacitada? Má ideia.

Kiku ofegou. O japonês encarava os companheiros parecendo em choque com o que via e foi como Arthur percebeu que ele iria atrás de Heracles, com ou sem ajuda. Bufou. As coisas haviam estado muito irritantes nos ultimos tempos. Primeiro a fuga de Sesel, a chegada de Alfred, os abusos de poder de Napoleão e então velhos inimigos de membros da sua tripulação vinham sequestrar seus subordinados. Era como se o mundo inteiro tivesse virado uma enorme dor de cabeça que nem todo o alcool do mundo fosse fazê-lo esquecer. Arthur sabia que havia apenas uma maneira de aliviar a raiva que sentia.

- Não brinque comigo. — rosnou para Francis — Se aquele pedaço inútil de bosta acha que pode levar os meus subordinados e ficar assim mesmo, ele está enganado. Eu vou arrancar o couro daquele turco e deixar de exemplo para que ninguém nunca mais mexa com a minha tripulação. Gilbert, pro leme. Eu vou pessoalmente atrás daquele bastardo e trazer a droga do Heracles de volta.

- Pessoalmente? Agora? — Alfred manifestou-se — Mas você se machucou lá atrás umas três vezes e parou de sangrar agora há pouco. Está tudo bem... ?

- Do que você está falando, moleque? — Arthur respondeu, surpreso — Aquele corte não foi nada.

- Tem certeza? Parece bem grave. — Alfred abaixou-se e cutucou com a ponta do dedo o corte no flanco do capitão.

- KYA!

Arthur soltou um grito estranhamente agudo. Francis cobriu a boca com as mãos para esconder a vontade absurdamente forte que tinha de rir. Uma aura negra pareceu começar a crescer ao redor de Arthur. Com uma expressão assassina, virou-se para o americano.

- Waa me desculpe, você disse que não estava doendo! — Alfred reclamou.

- PIRRALHO! — Arthur mirou um chute no traseiro do garoto. — Não... Mexa na.. Ferida... Alheia... Seu monte... De bosta... DE MOSQUITO!

- Ai! Ai! Já entendi, desculpe, desculpe!

Deus ajude Heracles Karpusi.

- Já chega. — Arthur cruzou os braços — Nós vamos trazer o Heracles de volta. Gilbert, para o timão. Francis, Kiku, Lovino, se estiverem feridos de alguma forma se tratem e descansem rápido, por que vamos pessoalmente buscar o meu timoneiro. E... — Aqui, o inglês fez uma pausa e falou como se as palavras lhe causassem uma dor física: — Pirralho. Você também.

Levou mais ou menos um dia de viagem. Mesmo sendo ele a ordenar, Arthur tinha que concordar que aquilo era a coisa mais estúpida que tinha lembrança de ter feito, afinal era um completo tiro no escuro. Sabiam que Heracles fora sequestrado por um inimigo de infância. Sabiam que o inimigo de infância era um pirata extremamente temido. E sabiam também que o dito cujo tinha um tipo de negócio numa cidade portuária na Turquia, um armazem que servia para os mais diversos serviços ilegais, mas funcionava de uma maneira tão perfeita que as autoridades nunca tinham conseguido fechá-lo. Não que alguém estivesse realmente tentando. Ninguém gostaria de aborrecer Sadik Adnan.

Resgatar Heracles requeria alguns cuidados, também. Boa parte da tripulação inglesa estava exaurida e machucada, fora de condições de entrar num confronto direto. Restava apenas ser sorrateiro, pegar Heracles escondido e torcer para que só descobrissem a operação de resgate depois que estavam de volta ao navio.

Alfred estava abobalhado — ainda mais do que de costume — com o mercado turco. Haviam desembarcado algumas horas antes e americano ainda estava sem saber o que fazer por estar em terra firme. Era a primeira que saía do navio desde que havia feito prisioneiro e não parava de perguntar-se o que aquilo devia significar. Ele era então um membro da tripulação? Um membro de verdade, não do tipo escravizado? Não havia tempo para responder tais perguntas, contudo. Estavam executando o plano que Alfred carinhosamente apelidara de "Peguem o Heracles de volta e fujam antes que alguém note".

Assim, Francis, Arthur, Kiku e o próprio Alfred estavam esperando a uma certa distancia enquanto Lovino conversava com uma mulher do mercado. Eles estavam conversando há alguns minutos, o italiano já estava corado e ela não parava de dar risadinhas, igualmente vermelha. Francis não parava de resmungar "Se o Antonio souber disso, vai nos matar", o que deixava Arthur cada vez mais mau humorado. Kiku por sua vez, parecia muito com uma estátua, o rosto inexpressivo olhando diretamente para o horizonte sem dizer nada. Ele devia estar extremamente nervoso para não pedir calma ao capitão.

Lovino voltou para perto deles com o rosto extremamente vermelho, mas parecendo muito satisfeito consigo mesmo.

- Bom, já sei onde fica o armazem do dito cujo. — informou. — Foi difícil, ela não queria nem falar sobre o cara... Mas ela disse que ouviu boatos de que há uma grande agitação por lá, parece que trouxeram um refém misterioso.

- Parece que acertamos o nosso tiro no escuro. — Francis sorriu. — Mas como você conseguiu fazê-la falar, Lovi?

- É Lovino para você. E... — ele corou. — não é da sua conta.

- Sabe o viciado em tomate? Ele vaaaaaai nos matar. Nós basicamente prostituimos o Lovino por informações.

Sendo guiados por Lovino, os piratas atravessaram o mercado. Sentiam-se absurdamente expostos andando pelo território inimigo em um número tão pequeno. Eram claramente estrangeiros e parecia que a qualquer momento alguém da tripulação de Sadik ia aparecer e atacá-los. Não era como se pudesse levar um exército, mas isso não tornava menos desesperador ir direto para o inimigo relativamente desprotegidos.

O tal armarzem ficava numa área menos populosa da cidade, perto apenas de algumas lojas mais suspeitas, entre elas um tipo de cabaré. Do lado de fora dava para ouvir gritaria e música vinda de lá, como se os turcos estivessem tendo uma festa. Arthur não lembrava de ter ficado tão irritado antes. Na lateral do prédio, num beco escuro, estavam dois membros da tripulação de Sadik, ambos parecendo extremamente mal humorados por estarem fora da festa. Eles estavam montando guarda numa porta.

- Aposto que o Heracles está lá. — Francis sorriu.

- Temos que entrar lá sem que percebam. — Arthur cruzou os braços — Se eles chamarem a atenção dos outros, estamos perdidos.

- Precisamos de uma distração, então. — o francês opinou. — Enquanto chama a atenção deles, nós entramos, pegamos aquele come-e-dorme e fugimos.

- Eu tenho uma ideia. — Alfred manifestou-se.

Longo silêncio.

- Você sabe pensar?

- Eu só preciso do Lovino e alguns minutos e terei uma distração. — Alfred sorriu — Vamos, Lovino!

O americano pegou a mão de Lovino e o arrastou para longe dos outros, tomando o cuidado de não chamar a atenção dos guardas. Para desespero de Arthur e Francis, eles entraram no cabaré.

- Ei... Está tudo bem mesmo? — Francis riu nervosamente.

- Claro que não está tudo bem. — Arthur bufou. — Mas não é como se tivéssemos outras ideias, não? Vamos apenas esperar.

Eles esperaram. Esperaram por vários minutos, tensos. Estavam semi ocultos junto a um prédio temendo serem vistos e reconhecidos. Quando finalmente Alfred saiu do cabaré, ele o fez acenando alegremente para dentro como se estivesse se despedindo de amigos recém feitos. Algumas mulheres com decotes exagerados e maquiagens berrantes o haviam acompanhado até a porta e sorriram e acenaram em despedida. Lovino não estava a vista em lugar nenhum, mas uma garota bem mais baixa que Alfred usando um chapeu estranho combinando com o vestido cor-de-rosa o acompanhou. Os cabelos da garota ocultavam parte do seu rosto, mas ela não parecia muito satisfeita.

- Ah, mon Dieu! — Francis exclamou — O Alfred trocou o Lovino no mercado negro. Trocou por uma meretriz.

- Aqui está a distração. — sorrindo muito alegremente, Alfred gesticulou na direção da garota de vestido rosa.

A garota ergueu o rosto, deixando visível seu rosto extremamente corado e sua expressão muito mal humorada. Então ela falou com uma voz muito grave:

- Alguém vai pagar por isso.. Maldição... Esses bastardos...

- Lovino!?

Lovino encarou os companheiros com a expressão mais ameaçadora que conseguiu. Normalmente, ele não parecia muito perigoso, mas havia algo a ser dito sobre um italiano de vestido rosa e expressão assassina.

- Alfred... Que diab... ?

- Aah, não foi difícil — Alfred sorriu, muito orgulhoso de si mesmo — Eu conversei com as garotas dizendo que o Lovino estava apaixonado por um espanhol e precisava conquistá-lo com sedução, então elas emprestaram esse vestido. Ainda bem que uma falava inglês, porque o Lovino não queria traduzir isso de jeito nenhum. Elas acharam realmente bonitinho a ideia de dois caras ficarem juntos... Por que será?

Crianças, não vistam roupas do sexo oposto para distrair as pessoas. Causará boatos denecessários sobre a sua pessoa e ainda assim não fará com que você fique tão fofinho quanto Lovino Vargas de vestido cor de rosa.

- Agora você vai lá e conversa com eles como fez com aquela moça do mercado. — Alfred continuou — Não há falhas no meu plano, por que eu sou um herói.

Lovino olhou para Kiku, Francis e Arthur esperando que algum, deles se manifestasse contra aquele plano absurdo, mas nenhum tinha ideia melhor. O italino então montou a expressão mais irritada que conseguiu e deu as costas para os companheiros. Como se dissesse "Não tenho medo de nada", Lovino caminhou firmemente na direção dos turcos. De costas e sem que o chapéu deixasse ver o cabelo curto, o vestido longo de saia bufante o fazia parecer mais ainda com uma mulher.

- Se algo acontecer ao Lovino... — Francis começou.

- Eu sei. — Arthur suspirou — Qualquer problema, matamos o Alfred e dizemos ao Antonio que eles dois fugiram para casar. Mas então... O que devemos fazer agora, pirralho?

- Huh? Como eu vou saber?

- Você não tinha um plano!?

- Vocês disseram que precisavam de uma distração e eu arranjei uma. O resto é com vocês.

Mais um longo silêncio que foi interrompido por um grito agudo que soou como "Chigiiiii!" Um dos turcos estava tentando agarrar Lovino, bêbado o suficiente para não notar que era um homem.

- Bom... Não é como se estivéssemos esperando um plano justo do Alfred dar certo. — Arthur fez uma careta de desgosto — Kiku, salve o Lovino por favor.

O japonês moveu-se tão rápido que Alfred perdeu-o de vista. Aconteceu absurdamente de repente: Num instante Kiku estava ao lado dos companheiros com uma expressão vazia e no outro estava ao lado de Lovino. Kiku não chegou a desembainhar a katana, mas três golpes de mãos nuas depois os guardas estavam caídos no chão, inconscientes.

- Se iam fazer isso, por que não fizeram desde o começo ao invés de me por nessa roupa estranha, maldição!? — Lovino berrou, com os olhos cheios de lágrimas.

Ninguém deu atenção ao italiano, exceto Francis que fez um sinal para que ele ficasse em silencio enquanto Arthur arrombava a porta. Ela dava acesso a um quarto escuro e úmido que poderia ser um depósito — a julgar pela quantidade de caixas — ou um mini-porão. No fundo do quarto havia uma figura caida de lado. Um homem alto com os braços amarrados às costas, aparentemente incosnciente.

- Heracles-san! — Kiku exclamou correndo na direção do amigo. — Ah... Olhe o que fizeram com você...

- K... Kiku? — a voz vinda do grego foi ainda mais sonolenta do que de costume.

- Taichou, acho que a perna dele está quebrada. — Kiku informou, preocupado.

O japonês ocupou-se de cortar as cordas que prendiam Heracles, que parecia estar tendo alguma dificuldade em discernir a cena ao seu redor. Os outros ficaram paralisados. Heracles sempre parecera tão forte... Tão invulnerável... E no entanto ele estava ali, parecendo prestes a desfalecer no colo de Kiku enquanto o japonês tentava ajudá-lo. Então...

- Não... — fez Kiku, aparentando desespero. — Heracles-san, não..

- Não o que, Kiku? — Lovino perguntou assustado.

- Não durma, Heracles-san! Viemos resgatar você, ao menos fique acordado.

Heracles não tinha mesmo jeito. Kiku estava ajudando-o a levantar e os outros estavam batendo nas próprias testas quando um som fez com que todos ficassem paralisados: Uma voz grave falando calmamente em turco.

- O que temos aqui? Então você é o tal Kirkland? — perguntou a mesma voz, desta vez em inglês. Era o capitão Sadik.

- Então você é o sujeito estúpido que invadiu o meu navio? — Arthur devolveu.

Um sorriso deliciado espalhou-se pelo rosto do turco. Era um homem alto com roupas bizarras e pomposas combinadas com uma máscara branca e uma barbicha mal feita.

- Acho que não posso deixar que levem meu refém. Eu tenho assuntos inacabados com esse sujeito.

Arthur levou a mão à espada, pronto para puxá-la, mas Kiku entrou em sua frente. Heracles fora posto ao lado de Alfred, em quem se apoiava para poder ficar de pé enquanto o japonês sacava a katana.

- Taichou. — Kiku falou, sério. — Eu devo ter esta luta, por favor. Eu levei Heracles-san para a tripulação e ele é o meu melhor amigo, portanto é minha responsabilidade. Por favor... Permita-me.

- O que? Esse japonês baixinho quer lutar comigo pelo Heracles? — o turco riu.

Arthur manteve-se em silêncio olhando diretamente para Kiku, como se estivesse avaliando-o. Olhou uma vez para Heracles, outra para o turco e de volta a Kiku. Por fim, bufou e cruzou os braços como uma criança cujos pais proibiram de comer doces.

- Vá em frente.

- Sadik-san. — Kiku pôs-se em guarda. — Eu o desafio. Se eu vencer, você terá que libertar Heracles-san.

- Você vencer? — Sadik sacou a própria arma que era uma espada curva de fio único — Não existe esta possibilidade.

Kiku atacou diretamente e foi prontamente bloqueado. O som das lâminas da katana e da espada se chocando ecoou nas paredes úmidas do depósito. Kiku tentou, sem sucesso, desarmar o oponente que saltou para trás para evitar ser golpeado. Sadik investiu com uma estocada na direção do estômago do japonês ao que Kiku desviou saltando de lado e golpeando diretamente a espada do turco. Sadik tornou a investir e mais uma vez Kiku desviou fazendo com que a espada do turco terminasse enterrada num grande barril de vinho. Era uma luta equilibrada demais: Sadik tinha uma forta bruta monstruosa, Kiku era leve é ágil demais para ser atingido.

Kiku saiu da defensiva para o ataque, tentando tirar vantagem dos reflexos perfeitos que tinha. Pressionou Sadik, forçando-o a recuar mais e mais para não ser atingido. Sadik estava em apuros: Se atacasse com a espada, Kiku lhe atingiria e se continuasse a apenas defender logo seria encurralado e tornaria muito mais fácil encontrar um buraco em sua guarda. Então decidiu misturar os dois: Defendeu o golpe de Kiku e no mesmo movimento empurrou a katana do japonês. Deu um impulso para frente para acertar o rosto de Kiku com o punho fechado.

- Kiku! — gritou Heracles, pela primeira vez parecendo completamente desperto.

O japonês curvou a cabeça ligeiramente para esquerda fazendo com que o punho de Sadik acertasse apenas o ar onde a segundos estivera o nariz de Kiku. Então aconteceu: Segurando a katana com as duas mãos, Kiku apoiou-a na base da espada de Sadik e fez um movimento giratório com os pulsos. A espada de Sadik caiu retinindo no chão.

Por um longo instante Sadik olhou diretamente para as mãos vazias, como se estivesse se perguntando o que acontecera com a sua arma. O momento de choque foi um grande erro. Kiku agachou-se e chutou os tornozelos do inimigo para levantar-se um segundo depois. A rasteira derrubou o turco sentado, o que o fez bater as costas na parede. Antes que ele pudesse recuperar-se, Kiku já estava na sua frente com a ponta da katana a centímetros da sua jugular. Os olhos de Sadik por trás da máscara se arregalaram.

- Acabou. — anunciou Kiku. — Você perdeu, Sadik-san.

- Acabe logo com isso. — o turco respondeu, os dentes trincados com uma mescla de fúria, humilhação e medo.

- Não lhe tomarei a vida — respondeu Kiku — porque Heracles-san está vivo. Mas que fique bem claro que não perdoamos aqueles que machucam nossos companheiros, por isso... Não torne a tocar no meu Heracles-san!

Kiku tornou a embainhar a espada.

- Sinto muito por isso, mas não posso permitir que nos siga.

O japonês ergueu uma perna e a ultima coisa de que Sadik teve consciencia foi do pé de Kiku acertando a lateral de sua cabeça antes de perder a consciência. Horas mais tarde, o turco acordaria sozinho sem ter a menor pista de para onde Heracles e os outros tinham ido.O

Notas finais
Eu me pergunto como deve ser divertido saber escrever uma luta... Por favor, não me matem por que esse capitulo foi basicamente feito de diálogos. Foi divertido demais escrevê-lo, então... eu não me arrependo de nada >w