Notas iniciais
Alguém aqui escreveu o capítulo voando lálálá Alguém aqui devia estar estudando lelelê Alguém aqui está se esforçando para escrever um fim decente pra fic lilili e mais alguém prevê que o tão esperado Matthew fará sua super primeira aparição logo lololo Alguém aqui deseja boa leitura e pede às leitoras que não me odeiem por não conseguir escrever melhor lululuuuu~(8)

Alfred gostava demais quando Arthur o beijava. De alguma forma, sentia-se bem como se desde o princípio seu lugar fosse bem ali onde estava. Não chegara sequer uma vez a questionar qualquer coisa entre eles, afinal não era do tipo que pensava muito para resolver as coisas. Então, Arthur era um inglês — do sexo masculino — que descendia de nobres — Alfred ainda não havia se atrevido a perguntar em que nível de nobreza exatamente ele se encontrava — e estava fazendo alguns serviços ilegais para pagar uma dívida que tinha com o governo. Não era como se isso tivesse real importancia. Se Arthur gostava dele e não se importava de ficar com ele, porque se preocupar com os detalhes? Enquanto estava com seu inglês, ele não se preocupava normalmente.

Aquela noite, contudo, era uma exceção. Era madrugada e quase todos estavam dormindo ou passando a noite farreando por Sardenha. O convés estava completamente vazio, exceto pelo americano que observava as ondas quebrando na praia ao longe. A cena acontecida nas ruas de Sardenha repetia na mente de Alfred. Ele gostaria que as pessoas não fizessem coisas tão complicadas.

- Deixe-me ver se entendi... — Começara Alfred — Você sabia onde a Sesel estava? E não disse nada para o Arthur, mesmo que ele esteja há quase um ano atrás dela?

- Sim. — Francis admitira, sério. — Eu a estava ajudando, mas perdi o contato com ela quando chegamos aos Estados Unidos. Arthur estava desconfiando de mim, então eu não pude ajudá-la... E então ela pediu ajuda ao primeiro estranho que encontrou.

- É. Eu. — Alfred resmungara.

- Eu fiquei com medo quando Gilbert encontrou você e insistiu que devíamos levá-lo para o capitão. — Francis suspirara — Você podia ser mais discreto, sabia?

- Eu sinto muito por ter causado problemas, sr. Alfred. — pedira Sesel, com lágrimas nos olhos — Mas nada me magoaria mais que ser levada de volta para a Inglaterra pelo irmão Arthur. Ele tem um senso de dever muito forte, teria de obedecer às ordens que recebeu.

- Irmão... ?

- Arthur, Sesel e eu nos conhecemos desde crianças. — Francis contara. — A verdade é que ela estava prometida a um homem desde criança, e estava conformada com isso, afinal apaixonou-se por este homem. Mas a família dele foi a falência, então resolveram casá-la com um velho rico. Eu não podia deixar minha garotinha passar por isso, e a ajudei.

- Um homem cuja família foi à falência? — repetira, desconfiado.

- Pois é... — Francis sorrira torto — Você está olhando para a moça que teria se casado com seu querido Arthur, se ele não tivesse... huh... Arrumado um emprego novo.

- Porque o sr. Alfred está com vocês, Francis?

- Ele é agora é o brinque... Assistente pessoal do Arthur.

- Ah. Ah! — Os olhos de Sesel encheram-se novamente de lágrimas — Sr. Alfred, você não vai contar nada ao irmão Arthur, vai? Eu não... Não posso ver o irmão Arthur ou voltar para casar com o conde. Por favor?

- N-não me subestime! Eu sou um herói, afinal de contas. Ainda não estou entregando garotinhas inocentes a ingleses sádicos.

E então, horas mais tarde, Alfred resistia ao impulso de bater com a cabeça na parede. O que era aquele sentimento de culpa? Para começar, desde o começo estivera se negando a dar informações sobre Sesel a Arthur. A única diferença era que, antes, ele não sabia nada, então não era mentira quando dizia que não tinha nada a falar. Por outro lado, não devia se ater muito a isso... Não havia motivos para que Arthur tornasse a perguntar qualquer coisa sobre Sesel, então Alfred não precisaria mentir. Arthur não tinha motivos...

Motivos...

Uma vozinha maldosa surgiu na cabeça de Alfred. Arthur fazia um monte de coisas sem motivos, afinal. Outro capitão teria se livrado de Alfred assim que ele tivesse se mostrado inútil. Era verdade que o americano se parecia com Peter, mas o próprio Arthur havia dito que pensara nisso apenas no início, pois psicologicamente Alfred era extremamente diferente de seu irmão mais novo. E se Arthur ainda quisesse cumprir sua missão? Não seria um bom motivo para manter Alfred por perto? Homens como Alfred, que gostavam de ser heróis, não entregariam uma donzela à um bandido torturador. Mas Alfred estava ali, ansioso por esconder algo de Arthur, porque ele não era um torturador, mas alguém por quem nutria uma afeição maior do que o saudável. Parecia algum digno de alguém extremamente frio e calculista, algum mestre de estratégias.

E não era assim que Francis vivia chamando Arthur?

- Alfred?

Levou um susto tão grande que quase caiu no mar. Alfred ofegou a virou-se em tempo de ver Arthur aproximando-se.

- Que está fazendo acordado a essa hora? — perguntou com a mão no peito.

- Eu faço a mesma pergunta a você. — respondeu o inglês.

- Estava sem sono. — respondeu Alfred com sinceridade.

Tornou a virar-se para o mar tentando não parecer alguém que estava guardando um segredo. Alfred era extremamente contra segredos, mentiras, surpresas e coisas do gênero. Acreditava que havia sido feito com o dom da fala para poder falar tudo o que queria sem muitos rodeios — daí sua impaciencia frente a personalidade de Arthur — e odiava ter que esconder alguma coisa. Concentrou-se em olhar as ondas quebrando na praia distante esperando que ele fosse embora. Ao invés disso, Arthur foi para o lado do americano, também olhar o mar.
Alfred observou-o pelo canto do olho. Ele não tinha aparência de um nobre... Quando se falava em nobres, Alfred imaginava um velho gordo com uma daquelas perucas bizarras que o líder da sua cidade usava ou um homem como Francis, que parecia ter saído de um conto de fadas. Arthur podia ser atraente e impressionante, mas não como um nobre. O charme de Arthur residia naqueles cabelos louros rebeldes que nunca assentavam, nos olhos tão tempestuosos sempre com uma expressão rebelde e principalmente na atitude fria e nada cortês. Não importava que ele falasse inglês como um lorde, ele ainda era perfeito para o papel de um pirata frio.

No entanto, ele era mesmo um nobre inglês. Havia nascido num berço de ouro, estava acostumado ser servido e provavelmente tinha mais cultura que Alfred, um rapaz simples do interior dos Estados Unidos, podia imaginar. Alfred lembrou vagamente de Arthur ter contado que conhecera Francis quando os dois faziam aulas de violino. Violino. Durante a infância. Parecia algo cruel, mas Arthur provavelmente estava acostumado a aquillo, afinal era como nascera... Ele devia ter sofrido um baque cultural gigante ao perder tudo e se tornar capitão de um navio. Alfred não tinha parado para pensar nisso, mas conhecer uma garota que devia ter sido esposa de Arthur — e que por acaso era apaixonada por ele — o fez parar para pensar em como teria sido a vida de Arthur se o pai dele não fosse um irresponsável: Ele provavelmente viveria feliz na Inglaterra, com seu precioso irmãozinho... Ele teria arrumado um trabalho digno, afinal era muito inteligente. Teria se casado com Sesel... Arthur não parecia amá-la, mas, uma vez casado com uma moça tão bonita e gentil, quanto tempo levaria até que caísse de amores por ela?

E, já que estava pensando nisso, Alfred por acaso não tinha ajudado a sua rival no amor a fugir?

- Alfred?

- Huh?

- Você está bem? Está esquisito. De novo.

- Ah... Deve ser a falta de sono. Sabe como é.

- Sei... Sobre ontem a tarde...

- O que tem ontem a tarde? — mais uma vez, quase caiu no mar.

- Você entregou aquilo ao Francis?

Não fique vermelho, Alfred. Não fique.

- En-Entreguei. — mentiu. Na confusão, havia esquecido. — Sem problemas. Ahahaha. Ha ha. Ha.

- Você está vermelho e esquisito. E não consegue dormir. — Arthur franziu a testa. — Está com febre?

Ele pôs a mão na testa de Alfred. O americano encostou-se à amurada do navio, desistindo de tentar parecer natural. Não importava que Arthur desconfiasse, afinal ele não contaria nada. Nem sob tortura. Nem se fosse ameaçado de morte. Não havia maneira nenhuma de Alfred abrir a boca e contar algo. Não devia haver nenhum motivo para Arthur pensar em Sesel .

Mas e se Arthur por acaso descobrisse, ele continuaria mantendo Alfred por perto?

- Arthur?

O inglês ainda estava medindo a temperatura da testa de Alfred quando ele o chamou. Ao invês de responder, ergueu as sobrancelhas. Alfred sentiu que corava ainda mais com isso, mas agiu antes que se arrependesse: Colou os lábios nos de Arthur e iniciou um beijo lento. Arthur pareceu surpreso, mas não rejeitou-o. Alfred sentiu-se feliz quando o inglês envolveu sua cintura e correspondeu ao beijo. Não era prudente ficar fazendo aquele tipo de coisa na parte pública do barco, mas era madrugada, então as chances de serem pegos eram mínimas. Alfred deliciou-se com a sensação do beijo do inglês. Como Arthur devia sentir-se a respeito daquilo? Ele gostava tanto quanto Alfred? Ele era indiferente? Aquilo tudo era apenas uma mentira?

Alfred interrompeu o beijo.

- Qual é o problema? — Arthur afastou a franja do americano da testa — Você não está dizendo nada idiota e nem rindo como um retardado. E então me beija e depois fica fazendo essa cara de choro.

- Não estou fazendo cara de choro, droga. Você está imaginando coisas. E qual é o problema? Não posso beijar você então?

- Não é isso... — Parecia que Arthur era quem estava corando então. — Ah, droga, vá dormir, você precisa descansar.Daqui a pouco vou dair, depois vejo o que há de errado com você.

- Sair... ? A que horas? Aaah, deixe-me ir com você.

Alfred começou a entrar em pânico. Quais eram as chances de Arthur encontrar com Sesel? Não muitas, ele admitia, mas não podia deixar de ficar um pouco assustado com a ideia. Como herói, seu dever era proteger a noiva do seu namorado. Não que isso faça algum sentido.

- Eu apenas esperarei que o Kiku acorde, tem algo que eu preciso perguntar a ele antes de ir verificar uma coisa... Porque isso de repente?

- Porque eu quero. — ficou nervoso. — Eu não vi nada de interessante ontem quando fui ver o Francis, então... Er... Droga. Se não quiser que eu vá, é só dizer.

- Não.. Não tem problema você ir.

A expressão de Arthur mudou de preocupada para desconfiada. Ele parecia ter chegado a alguma conclusão de repente. Alfred fingiu não ficar preocupado com isso e tornou a observar os movimentos do mar. Não permitiria que Arthur encontrasse com Sesel, não importa o que houvesse. E ignorou com vigor a vozinha no fundo da sua mente que lhe pedia para pensar em qual seria a atitude de Arthur caso finalmente pudesse cumprir sua missão.

Kiku confirmou as suspeitas de Arthur. O inglês suspirou. Ele tinha imaginado isso ao ver o comportamento estranho de Francis ao saber que estavam indo para a Sardenha e, depois de conversar com Alfred, suas suspeitas tinham apenas aumentado. A princípio, preocupara-se, mas depois ficara muito claro que Alfred estava escondendo alguma coisa. O pirralho era um mentiroso tão ruim que provavelmente nunca mentira antes na vida. Arthur podia apenas perguntar-se como alguém podia ficar tão nervoso por causa de um simples segredo. Não sabia se deviar rir ou ter desgosto, pois Alfred estava escondido atrás de algumas caixas do outro lado do convés principal, achando que estava espiando furtivamente a conversa que o capitão estava tendo com Kiku.

- Hmmm... O que o Alfred-san está fazendo? — perguntou Kiku preocupado.

- Por favor, ignore-o. — Arthur suspirou. — Ele não tem juízo... Acho que bateu a cabeça algumas vezes quando era criança. Tem certeza das informações que me deu.

- Sim, senhor, Capitão.

- Neste caso, bom trabalho. Obrigado.

- Com sua licença.

Kiku curvou-se e lançou outro olhar preocupado a Alfred antes de afastar-se e ir falar com Gupta. Arthur foi até as caixas onde Alfred estava escondido:

- Você ainda quer ir comigo ou não?

O americando saltou de pé, parecendo extremamente disposto. Arthur fez força para não suspirar de desgosto e tomou a dianteira para os botes.

- O Kiku passou a noite em Sardenha? — perguntou Alfred — Eu o vi embarcando agora.

- Sim. Ele estava confirmando algo para mim.

- Confirmando o que?

- Informações.

- Ah. Você podia ser um pouco mais vago?

- Sarcasmo não combina com você, pirralho. Apenas ande logo.

Alfred obedeceu com relutância. Tinha um pressentimento ruim sobre estas informações e estava chateado com Arthur. Não que o inglês tenha feito alguma coisa fora do normal. Na verdade, Alfred era o que estava escondendo coisas e era Arthur quem deveria ficar irritado se soubesse, no entanto era o americano que estava se sentindo saído e inseguro, mesmo sem ter um motivo sólido para isso.

Continuou seus devaneios da madrugada enquanto seguia Arthur para a terra firme. Se Arthur nunca tivesse perdido sua herança, não apenas ele estaria na Inglaterra casado com Sesel, mas também Francis continuaria vivendo na França, Antonio provavelmente teria morrido à deriva no mar, Gilbert ainda seria um desordeiro comum, Lovino estaria na Itália com seu irmão. E Alfred? Alfred estaria nos Estados Unidos vivendo pacifica e tediosamente ao lado de Matthew. Por algum motivo, ele achou a ideia ruim. Ele sentia falta de Matthew, mas definitivamente não queria voltar para casa.

O navio era sua casa, então.

Alfred abriu a boca para falar algo realmente idiota de que se arrependeria pelo resto da vida, mas fechou-a novamente ao notar que o lugar do mercado em que estavam era ligeiramente familiar. Era um beco que levava à uma praça movimentada. Alfred estava se perguntando de onde conhecia aquele lugar até avistar um par de costas conhecidas alguns metros adiante.
Francis e Sesel.

Alfred quase teve uma síncope. Resistiu ao impulso de correr em círculos para dizer a Arthur:

- Eeeei, vamos comprar alguma coisa pra comer antes! Eu não tomei café da manhã.

- Vá sozinho. — respondeu Arthur friamente. — Eu vou cumprimentar meus velhos amigos.

Alfred gemeu de desgosto. A única coisa que pode fazer foi pendurar-se no braço de Arthur e choramingar consigo mesmo que falhara como herói.Francis e Sesel viraram-se ao ouvir a agitação e ambos empalideceram ao avistar Arthur. Teria sido cômico o pânico dos três face ao inglês, que parecia extremamente calmo com a situação.

- Vocês não tinham um lugar mais discreto pra conversar? — choramingou Alfred.

- Idiota. — ralhou Arthur com o americano.

- Arhur... — começou Francis.

- Então... A moça misteriosa com quem você tem se encontrado é a lady Sesel.

Todos ficaram tensos. Sesel manteve-se atrás de Francis, mas agarrou o braço dele como se sua vida dependesse disso. Alfred ignorou franziu o cenho. Se ao menos Francis tivesse avisado que ia encontrar com ela ali... Ele poderia ter impedido Arthur de ir por aquele caminho. Podia impedir que Arthur soubesse o paradeiro dela. Começou a entrar em pânico.

- Ah, você é complicado. — Arthur suspirou. — Você tem que parar de causar problemas, doido do vinho. E você sabia, não sabia? — acrescentou para Alfred.

- Bem... Sim. — Alfred bufou. — Certo, no começo eu fiquei meio chocado. Eu achava que o Francis era uma mulher com problemas de pelos na cara, então... Mas parece que ele gosta de mulheres, não é, Francis?

- Ah meu Deus, Alfred. — Arthur ralhou — Você não pode simplesmente chegar e perguntar às pessoas se elas gostam de homens ou mulheres. Francis é uma garota livre e se ela quiser gostar de outras garotas, não é problema nosso.

- Ei... Vocês dois... — Francis trincou os dentes.

- Bom. Se preparem. — Arthur ordenou. — Estamos indo para a Itália dentro de algumas horas, então...

- Huh? — Sesel se manifestou pela primeira vez. — Não vai querer me levar de volta para a Inglaterra?

- Por que eu levaria você para a Inglaterra? — o inglês ergueu cinicamete as sobrancelhas grossas. — No que me diz respeito, você é uma garota que Francis encontrou na Sardenha.

- Ir... Irmão Arthur... — Sesel gaguejou... E então caiu no choro de verdade, enterrando o rosto no ombro de Francis.

- Arthur... — Francis falou, admirado.

- Ah... Sabe... Ouvi falar de um país chamado Seychelles que pe realmente encantador... Devia visitá-lo algum dia. — Arthur falou cordialmente à Sesel — Talvez considere morar lá. Os ingleses raramente vão até lá, mesmo que mantenham relação com o governo da Grã-Bretanha.

E com um aceno cortês, deu às costas à chorosa garota. Alfred continuou parado trocando um olhar perplexo com Francis e então correu atrás do inglês.

- Você... Você sabia! — exclamou ao alcançá-lo. — Sabia que o Francis estava acobertando a Sesel.

- Não sabia. Não até o Kiku me contar. Eu havia pedido a ele que ficasse de olho no Francis — Arthur respondeu sem olhá-lo — Mas eu suspeitava. E admito que não me esforcei muito nesse caso.

- Por que?

Arthur suspirou.

- Eu cresci com aquela garota, Alfred. — bufou — Acha que eu gostaria de vê-la sendo forçada a casar-se com um velho rico babão? E depois que você virou meu subordinado, eu...- Você... ?

Ambos pararam de andar. Arthur definitivamente desviou o olhar enquanto um curioso americano observava as suas orelhas ficarem vermelhas.

- Se... Se encontrássemos Sesel, eu teria que libertar você.

Arthur acelerou o passo até quase correr de volta em direção à praia, enquanto Alfred ficava paralisado bem onde estava com um sorriso bobo brotando no rosto.

Notas finais
Então... Esta foi a explicação para toda a confusão! Eu prometo caprichar no próximo capitulo e deixá-lo bonito e melhor que esse. PROMETO. Esperem ansiosas pelo Matt ♥