Notas iniciais
Alguém por aqui estava sem ânimo para escrever cenas de ação no penultimo capítulo da fic. Finalmente está acabando, eu não sei se acredito. Vai acabar, vai acabar! Certo, Midori-chin... Agora pare de enrolar na nota de autora e vá responder os reviews. Hai, hai. Espero que o Franada seja suficiente para compensar a falta de ação. Obrigada LucyCanon por me dar a ideia da dança. E este capítulo é para a Sutta.

O convés estava um pandemônio. Havia um navio parado ao lado bem ao lado deles, que devia ser o culpado pelo ataque. Várias lutas se desenvolviam pelo navio. Francis murmurou uma imprecação em francês. Matthew achou que ele fosse começar a lutar, mas antes o francês agarrou o braço do garoto e arrastou-o para um amontoado de caixas no canto. Atrás das caixas, muito bem escondido, Lovino estava observando o navio inimigo, o qual também estava sendo invadido pelos ingleses. O italiano ofegou quando Francis e Matthew se aproximaram, mas soltou um suspiro aliviado ao reconhecê-los.

- A situação? — perguntou Francis.

- O capitão, Gilbert e Kiku estão atacando o inimigo. Alfred está com o capitão. Sadiq e Antonio estão liderando a defesa. — respondeu Lovino imediatamente.

- Defesa, então. Matthew, desta vez você realmente terá que ficar aqui com o Lovino.

Antes que o canadense pudesse protestar, Francis largou a sua mão e correu para a a confusão de espadas se cruzando. Matthew quis dizer algo, mas Lovino agarrou sem braço e puxou-o para trás das caixas, como se não quisesse ter seu precioso esconderijo revelado.

- Maldição... — resmungou Lovino sem tirar os olhos do navio inimigo.

- O que está havendo? — perguntou Matthew, nervoso.

- É um ataque surpresa. — Lovino respondeu, franzindo o cenho — O grupo de traficantes contra quem viemos lutar descobriram e acharam uma boa ideia atacar antes de serem atacados.

- Ah... — Pequena pausa — O que foi aquilo que você disse para o sr. Francis?

- Informar a posição dos melhores lutadores. O capitão é capaz de lutar até contra dois espadachins experientes ao mesmo tempo... O Alfred é muito bom em dar cobertura ao capitão. Gilbert poderia derrotar um exército se estivesse num bom dia. Kiku também é muito bom. Como eles quatro estão liderando o ataque, é bom que Francis vá ajudar Sadiq e Antonio.

Lovino olhou por um segundo para a luta no convés e tornou a desviar o olhar para o inimigo. Matthew estava olhando abobalhado para a confusão. A cena mais violenta que já havia presenciado — um cavalo selvagem sendo domado — não se comparava àquela batalha. Não era possível distinguir a tripulação inglesa da tripulação inimiga, de modo que não podia saber quem estava ganhando, apenas uma confusão de gritos e o barulho de espadas se chocando violentamente. O canadense estava abobado com o quanto aquilo parecia... Impressionante.

Continuaria assistindo à batalha de boca aberta até que ela terminasse se Lovino não o tivesse puxado para baixo, soltando um palavrão. Pelo visto, Matthew os estava expondo.

- Ah! O Alfred...

- Está tudo bem. — Lovino fez um gesto de pouco caso com a mão. — Alfred está com o capitão.

Qual é o problema com esse capitão? Ele solta feromônios de personagem principal? Primeiro Alfred, o sr. Francis... Por que todos confiam tanto nele?

- E em que a presença do capitão de vocês garante a segurança do meu irmão?

- O time do capitão nunca se fere. — Lovino olhou por um breve segundo para a batalha no convés e tornou a resolutamente olhar para o inimigo. — E o Alfred sabe se cuidar muito melhor que muitos dos veteranos. Você está me deixando nervoso, maldição.

Matthew franziu a testa, tentando entender porque Lovino recusava-se a olhar para o ataque no próprio navio. Seria muito mais lógico manter a vigilância focada de onde poderia vir algum ataque, mas parecia haver algo que proibia o italiano de continuar olhando naquela direção. Então Matthew lembrou de algo.

- Ah... Aquele espanhol de mais cedo... É seu parente? — Isso explicaria o abraço mais cedo.

Lovino pulou de susto ao ouvir "Aquele espanhol" e varreu todo o convés com o olhar antes de ouvir o resto da pergunta de Matthew. Corou violentamente.

- N-não. — fez uma careta — Ele é meu tutor.

- Entendo... Então você está preocupado com ele?

- Como se eu fosse! Aquele... Velho pervertido. Eu não estou preocupado, nem um pouco. Ele pode se virar sozinho. Ele vai ficar bem, entendeu? Ele vai ficar bem.

Lovino parecia estar tentando convencer a si mesmo daquilo. ele definitivamente estava preocupado. Não que alguém que fica escondido apenas informando quem está no grupo de defesa e quem está no ataque possa reclamar de alguma coisa, mas Matthew tinha certeza de que Lovino estava odiando de verdade ficar ali escondido. O italiano não parecia, contudo, ter coragem o suficiente para entrar em batalha. Lovino estava preocupado, tão preocupado que não era capaz de olhar para o campo de batalha por ter medo do que veria.

Quando Matthew já estava quase quicando de ansiedade, um grito ecoou do navio italiano. Lovino imediatamente ofegou com o que ouviu, de olhos arregalados.

- Eles se re... ! Não... Não pode ser...

Os dois ergueram-se ao mesmo tempo. Com o grito vindo do outro navio, toda a luta havia sido paralisada. Um por um, os italianos lentamente puseram as armas no chão, todos tremendo — alguns pareciam à beira das lágrimas.

- Como esperado dos italianos... — Lovino murmurou — Eles... Renderam-se! Eles... Ah, droga, Antonio!

Sem dar tempo a Matthew para perguntar porque Lovino estava falando mal dos próprios compatriotas, o garoto correu na direção dos lutadores direto para um homem que tinha um corte feio no braço, mas mantinha a espada apontada para o inimigo rendido. A Luta estava acabada.

Rendições não eram comuns e, quando aconteciam, normalmente não restavam muitos membros da tripulação de pé. Ao que parecia, os traficantes italianos haviam se rendido assim que viram seu capitão lutando contra Gilbert e ficara claro que não eram páreo para a tripulação do capitão Kirkland. O maior problema no momento era o que fazer com um bando de italianos chorosos e rendidos. Provisoriamente, todos foram trancacados no porão, enquanto os ingleses tratavam dos ferimentos sofridos e pensavam num destino para os inimigos.

Embora fosse claro que nenhum daqueles italianos nunca mais gostaria de meter-se com qualquer inglês que fosse, não podiam simplesmente ignorar o fato de que tanto Gilbert quando Arthur voltaram respectivamente mancando e com um pulso distendido. Muitos tripulantes estavam feridos, também. Nada comparado aos ferimentos dos italianos — estavam todos choramingando como se estivessem prestes a morrer e era possível ouvir seus lamentos do timão, embora estivessem todos trancados no porão — mas ainda assim ferir um membro da tripulação, por mais insignificante que fosse, não era um crime perdoável.

Matthew estava mais que abobalhado com o que aconteceu após a luta: Agindo como se fossem um só e sem que nada lhes fosse ordenado, os que não estavam machucados amarraram as mãos dos italianos, levaram-nos todos para o porão e voltaram para tratar dos feridos. O convés transformou-se numa enfermaria coletiva numa velocidade impressionante e logo todos estavam recebendo cuidados. A pequena parcela que ficou desocupada estava tranquilamente pegando toda a carga do navio dos italianos. Eles eram todos próximos e eficientes juntos, mais parecidos com uma família do que qualquer outra que o canadense já havia visto.

E então... Alfred. O americano havia aparecido com Gilbert apoiado em seus ombros e Arthur ao seu lado. Nenhum dos três havia sofrido qualquer corte. De fato, estava incólumes não fossem o pulso direito de Arthur e a perna esquerda de Gilbert. Embora estivessem em lados opostos do navio, Francis e Matthew chegaram aos três ao mesmo tempo. Antonio parecia ansioso para ver como Gilbert estava, também, mas estava muito ocupado levando uma bronca — e recebendo tratamento médico — de Lovino, que estava furioso por ele ter sido descuidado a ponto de levar um corte tão feio.

- Sendo carregado pelo Alfred. Francamente, Gilbert, você decaiu. — Francis comentou assim que alcançou o campo de audição do amigo.

- Cale a boca, moça de barba. — replicou Gilbert, muito mal humorado.

Gilbird voava em torno da cabeça do dono como se tentasse consolá-lo. Ninguém fora o pequeno pássaro sabia que a perna machucada de Gilbert tinha sido resultado, não da luta, mas de uma corda que enroscara-se no pé do rapaz germânico, fazendo-o cair de mau jeito. O único italiano que havia visto a cena ficou tão traumatizado com o que Gilbert era capaz de fazer apoiado num pé só que era capaz de não tornar a pronunciar uma palavra sequer pro resto da vida — E era uma surpresa realmente grande que tivesse sobrevivido à experiência.

- E você, mon petit? — Francis ergueu as sobrancelhas para Arthur. — Machucar o pulso? Acho que lhe ensinei melhor que isso.

- Não fale como se fosse o responsável pelo meu talento em esgrima. — respondeu Arthur, largando-se em um dos caixotes por ali para examinar o próprio pulso.

- Alfred, você não se machucou, não é? — perguntou Matthew, baixinho.

O americano ignorou o irmão. Estava tão mortalmente sério que mal era reconhecível enquanto ajudava Gilbert a sentar-se em outro caixote. Antonio e Lovino finalmente pareceram resolver-se e estavam aproximando-se do capitão, querendo saber do estado do capitão.

- Arthur... Aquilo foi a coisa mais irresponsável que eu já vi na minha vida. — Alfred sussurrou.

- Huh? — fez Arthur.

- Você... O que diabos estava pensando?

O silêncio no pequeno grupo chegou a ecoar. Ao redor deles, os outros continuavam a conversar, sem dar-se conta da tensão logo ao lado. Nenhum dos que ouviu o que Alfred disse mexeu-se ou emitiu ruído. De fato, todos menos Francis e Arthur estavam de respiração presa.

- Alfred...

- Não, eu ainda não acredito que você fez uma coisa tão idiota. — o americano elevou a voz de um sussurro para um tom levemente exaltado, mas ainda sem gritar. — Eu espero uma coisa dessas do Gilbert ou qualquer outro imbecil violento, mas não de você.

- Alfred, por que você está falando desse jeito? Ficou maluco? — exclamou Lovino, que estava semi-escondido atrás de Antonio, como se estivesse esperando Arthur explodir a qualquer momento.

- Arthur estava lutando praticamente contra todos os italianos ao mesmo tempo! — Exaltou-se Alfred. — Ele se esforçou tanto que torceu o pulso e teve que lutar com a mão esquerda. Eu realmente achei que ele fosse morrer.

Arthur, que até então ouvira o discurso inflamado do americano com os lábios entreabertos, finalmente recuperou-se do choque e imediatamente pôs-se de pé para poder falar olhando nos olhos do americano. Inconscientemente, cada um ali, exceto Alfred, deu um passo para trás.

- Do que você está falando, seu pirralho estúpido? Eu estava liderando um ataque, não podia simplesmente fazer corpo mole. Eu sou o capitão deste navio.

- E nós somos sua tripulação! — exclamou Alfred, primeiro furioso, mas então sua expressão abrandou-se de brava para magoada. — Tenha um pouco mais de confiança em nós, droga. Não vamos poder fazer nada se você morrer, então não faça coisas irresponsáveis assim. Nós também podemos lutar para proteger nossos companheiros, então não carregue todo o peso só porque você é nosso líder.

Ninguém mais soube o que dizer. Francis tinha um sorriso quase imperceptível nos lábios, mas Antonio, Gilbert, Lovino e Matthew continuaram tensos aguardando uma reação do capitão. Arthur, entretanto, estava estático. Não pode fazer nada senão encarar o mais novo com os olhos verdes redondos de surpresa, esquecendo até de exalar a aura negra habitual. Alfred, por sua vez, foi ficando consciente dos olhares perplexos sobre si, uma vez que sua fúria havia abrandado. O exuberante americano sentiu o rosto corar.

- E-eu... Vou ajudar com a carga dos italianos. — anunciou.

Alfred tinha dado exatamente sete passos nervosos quando Matthew despertou do choque e correu atrás do irmão. Francis e Lovino também destacaram-se do pequeno grupo e seguiram o americano.

- Alfred, você é doido? — exclamou Lovino assim que alcançou-o. — Cazzo, estou surpreso que o capitão não tenha te matado por insubordinação.

- Huh? — fez Alfred, parando de andar.

- Ele tem razão, Alfred, eu fiquei tremendo! — Matthew comentou, com um arrepio. — Eu achei que ele ia puxar a espada com a mão boa e cortar sua garganta a qualquer momento.

- Ele não ia me machucar. — respondeu Alfred imediatamente, mas, ao ver as sobrancelhas erguidas de Francis, percebeu como tinha soado e recomeçou: — Quero dizer... o Arthur não é um animal, vocês sabem... Ele não ia simplesmente cortar fora a minha cabeça por algo assim.

- Você foi longe demais. — Lovino sacudiu a cabeça. — Eu achei que ia ter sangue.

- Ah, vamos lá! — protestou Alfred — Quantas vezes vocês viram o Arthur matar alguém da tripulação?

- Nenhuma. Porque nenhum foi estúpido o suficiente para falar com ele desse jeito. Espere só ele sair do choque, ele vai te dar uma surra e eu não quero estrar por perto para ver.

- Aquele inglês me dá arrepios. — Matthew comentou, muito sério. — Ele parece que está sempre pronto para cortar a garganta de alguém, com aquela expressão assustadora. Não é alguém com quem eu mexeria.

- Eu achei que fosse o único a se sentir assim. — exclamou Lovino, arregalando os olhos — Mas é, eu não consigo olhar nos olhos do capitão sem ter vontade de sair correndo. Especialmente quando ele está sério.

Alfred então estava boquiaberto, como se nada no mundo pudesse ser mais absurdo que achar o capitão Kirkland assustador.

- Qual é o problema com a expressão séria? Ele é até fofinho.

Alfred atirou os braços para cima e gesticulou freneticamente como se quisesse acordar Matthew e Lovino da hipnose na qual estavam presos. Os dois, por sua vez, recuaram um passo, como se achassem que Alfred tinha problemas mentais. Pela primeira vez, Francis manifestou-se, rindo.

- Eu acho que ele merecia ouvir o que você disse, Alfred. — o francês abriu um sorriso misterioso. — Ele é muito burro para esse tipo de coisa, provavelmente não notou que nós o respeitamos.

- O que? — Alfred ficou na defensiva.

- Você sabe... Ele entrou nessa vida com dezessete anos. Ele precisou aprender a ser assustador. — Francis explicou, tranquilamente. — Ele está acostumado a ser apenas temido, provavelmente nunca notou quando passaram a respeitá-lo e não apenas temê-lo. Digamos que mon Arthur não está acostumado a ter pessoas que gostem dele.

Alfred abriu a boca e tornou a fechá-la sem dizer nada. Ele parecia estar lutando contra conceitos demasiado complicados para sua mente cansada de batalha. Matthew, por outro lado, viu algo claro e simples, tão evidente que era uma surpresa que não tivesse visto antes. Talvez porque não quisesse ver? O fato era: Alfred estava feliz. Era uma vida perigosa, mas Alfred estava bem com ela. Amava estar ali. Amava viver em eterna aventura. E amava cada um naquele navio, onde claramente era amado de volta. Pela primeira vez, Matthew deu-se conta do próprio egoísmo.

Como fora tolo.

Os dois irmãos trocaram um olhar de comunicação silenciosa. Olhos azuis contra os violetas. Matthew sentiu que seus olhos estavam ardendo quando entendia o que o seu precioso irmão mais novo queria dizer. Alfred não era mais uma criança. Algum dia ele fora uma? Parecia que ele sempre tinha sido mais maduro que Matthew. Ou.. Não... Maduro não era a palavra. Sábio? Qualquer um diria que sábio era a ultima qualidade do bobo alegre Alfred Jones, mas nenhum deles conheciam-no como Matthew conhecia.

- Mattie... — murmurou Alfred.

- Entendi. — respondeu Matthew, simplesmente. — Vai lá. Eu não vou a lugar nenhum, por hoje.

Alfred sorriu e então correu na direção das cabines particulares. Francis tornou a rir baixinho. Lovino olhou de um para o outro, sem entender. E quanto a Matthew? Ele suspirou e afastou-se sem dizer nenhuma palavra. Era bom em ficar invisível e ficar longe de tudo e todos era o que precisava naquele instante. Caminhou sozinho — claro que passou despercepido por todos os outros, que estavam tão ocupados. Duvidava que fosse notado mesmo que estivessem todos os tripulantes deitados de barriga para cima esperando o tempo passar — sem saber para onde ia até encontrar o que procurava. Logo ao lado do timão havia um minúsculo vão que poderia ter sido um armário de vassouras se tivesse alguma porta, com pouco menos de quatro metros quadrados. O sol quase não entrava no pequeno lugar. Matthew imediatamente entrou ali, sentou-se no chão, encostou a cabeça na parede e fechou os olhos.

Revisou a própria vida sob nova luz, percebendo que o tempo todo fora o contrário do que imaginara. Não importava que fosse ele sempre o cuidadoso, o inteligente e esforçado. Alfred era o que estava vivo, Alfred era o que era sempre animado. Alfred era aquele que era visto e adorado por todos. Matthew de repente sentiu-se algum tipo de parasita e percebeu que dali em diante teria que virar-se por si só. A perspectiva assustou-o. Era diferente de viver esperando pelo retorno do irmão. Alfred não ia retornar e Matthew estava sozinho. Em todos os sentidos.

Várias horas se passaram em que o canadense continuou sentado sozinho ouvindo os movimentos lá fora, a agitação no convés. Mesmo depois de uma batalha, lá parecia um lugar mais feliz do que a casa de Matthew jamais fora. Seu traseiro estava dolorido e suas pernas dormentes de ficar sentado na mesma posição quando uma voz que só poderia ser chamada de chocolate para os ouvidos murmurou:

- Matthew?

Foi apenas um chamado suave, mas Matthew pulou. Talvez estivesse quase caindo no sono?

- Sr. Francis. — ele levantou, envergonhado por ter sido encontrado.

- Estava me perguntando aonde você tinha ido.

Francis entrou no lugar, que estava quase completamente mergulhado na escuridão. Ao fundo, o sol estava se pondo no oceano, brindando-os com um céu mesclado de dourado, laranja, roxo e vários tons de azul.

- Está tudo bem? — perguntou Francis.

- Era sempre eu, Sr. Francis. — Matthew respondeu, encabulado. — Eu dependia do Alfred e não o contrário. Por isso vim atrás dele.

- É mesmo? — o tom de Francis era cordial. — E o que você ai fazer a respeito?

- Eu? O certo, é claro. É meu dever como irmão mais velho cuidar dele, mas como não posso fazer isso, não vou impedir sua felicidade.

- Matthew... Você sabe dançar?

- Eh?

- Perguntei se você sabe dançar.

- Er... Não.

- Entendi. Vou te ensinar.

Matthew arregalou os olhos quando Francis de fato aproximou-se dele e segurou sua mão. Com a mão livre, o francês segurou a cintura do rapaz e puxou-o para mais perto. Os dois eram quase da mesma altura, de modo seu seus narizes quase se tocaram. Matthew corou, mas Francis não pareceu abalado. No lugar disso, começou a valsar com elegancia no minúsculo espaço, guiando Matthew com firmeza. O canadense atrapalhou-se, pois ainda sentia as pernas formigarem.

- Existem duas maneiras de dançar. — Explicou Francis — Você pode dançar... Ou ser guiado. Quando você é guiado, dependendo do seu parceiro, as chances de errar são mínimas, mas você difícilmente será notado e seu parceiro terá que se esforçar muito mais.

Francis afrouxou ligeiramente o aperto na cintura de Matthew, mas sem interromper o movimento elegante. Matthew pisou no pé do francês. Francis fez uma pequena careta, mas não interrompeu a dança ao continuar a falar:

- Agora... Se os dois dançam, você vai cometer erros. Contudo, vai aprender mais que simplesmente sendo guiado.

Os dois pararam de dançar, mas Francis continuou com as mãos firmemente postas na cintura do rapaz.

- Ah... Esqueci do terceiro modo. É possível dançar, mas é um jeito triste e deselegante de dançar. O que quero dizer é que é bom lembrar que você também é capaz de dançar sozinho ou em dupla, como quiser... Mas está tudo bem ser guiado de vez em quando.

- Sr. Francis, eu... — Matthew interrompeu-se e então sorriu. — Entendi. Obrigado.

- Eu não esperava menos de um rapaz admirável como você. — Francis sorriu, como se sentisse orgulhoso. A respiração de Matthew prendeu na garganta. Quando na vida alguém o tinha chamado de admirável? — Matthew... Tem algo que eu gostaria. Você se importa?

- De jeito nenhum. — respondeu, sem fôlego.

Francis aproximou o rosto lentamente até que as respirações quentes de ambos se misturassem e os lábios se tocassem num movimento suave e macio, porém firme. Matthew sentiu que algo dentro dele estava derretendo. Seu esqueleto? Ele não podia mais sentir os próprios ossos e sabia que, não fosse a mão de Francis em sua cintura, teria caído no chão, sem forças.

- Sr. Francis?

- Pode me chamar apenas de Francis, Matthew.

- Eu acho que não me importo de dançar em dupla. Mas não vou apenas ser guiado daqui para a frente.

- Esse é o meu garoto. — Francis riu.

Notas finais
Digam o que quiserem, eu amei esse final. Acho que estou meio romântica demais hoje. Vocês gostaram do penúltimo capítulo? Na verdade, ultimo, pois o próximo é apenas o epílogo. Espero que tenham se divertido.