Notas iniciais
Eu não sei escrever finais. O QUE ACONTECE NOS FINAIS? Nas novelas, as pessoas ficam grávidas. O que você acha de ter um bebê, Alfred? Vocês não podem se casar, porque isso é contra o código pirata... Oh Deus... A propósito, eu tenho que dar um prêmio ao Gilbert, o único que se manteve hetero até o fim. Gilbert, você quer ganhar a autora de natal? Pode levar. Ah, a propósito, eu gostaria de agradecer a todas vocês que acompanharam até o fim. Seriously, guys... Essa fic não teria passado do segundo capítulo sem os reviews de vocês. Espero que gostem do final. Obrigada por tudo!

Até o mais confiante dos homens já experimentou de insegurança, ao menos uma vez na vida. Os motivos podem ser vários: uma falha, algo que foi dito com maldade... No caso de Alfred, era incerteza. Ele não estava acostumado a sentir-se tão diminuido, então não sabia como lidar com tais sensações. Primeiro, Arthur levava Matthew até Alfred, sabendo que o canadense queria levá-lo embora. Em seguida aquela atitude fria. Qual era o problema afinal? Arthur se cansara de Alfred? Depois de um ano, decidira que o americano não era tão interessante quanto julgara a princípio e na verdade não se importava mais com a presença ou não dele? Ou pior... Estava ansioso para que Alfred fosse embora, então estava dando o seu melhor para que ele fosse de uma vez por todas?

E ainda havia Matthew a ser considerado. Alfred tinha que admitir que sentira falta do irmão nos ultimos meses, mas ao mesmo tempo não queria deixar o navio. A menos que...

Não gostaria nada de ficar ali se Arthur não queria.Alfred odiava sentir-se tão dependente e estúpido, mas sabia que a decisão não era sua. Não mais

Alfred não pode fazer nada a não ser olhar de boca aberta enquanto Matthew e Lovino falavam de um completo estranho. Eles se referiam a Arthur como se ele fosse algum tipo de monstro sádico ansioso por cortar gargantas... Mas Arthur não era assim — não em 100% do tempo. Alfred quis dizer que Arthur na verdade era muito sentimental, especialmente quando se tratava de família. Que ele tinha um fraco por gatos, pois estava sempre olhando de canto de olho para os muitos que Heracles mantinha a bordo. Ele gostava de tocar músicas suaves no violino. Quando estava irritado, saía de foco por alguns segundos, tentando acalmar a mente o suficiente para encontrar uma solução racional. E não havia no mundo nada mais belo que as chamas em seus olhos verdes quando ele ficava furioso de verdade.

Então o americano notou que era o único que sabia desses pequenos detalhes. Ele era o único que estava sempre observando Arthur. O único capaz de achar atraente cada expressão no rosto do inglês era Alfred. Pois estava estúpida e irremediavelmente apaixonado. Ao mesmo tempo em que chegava a essa aterradora conclusão, Arthur passou pelo grupo indo na direção da própria cabine — sem dar sinais de querer cortar a garganta de Alfred ou lhe dar uma surra épica, como Lovino havia sugerido. De fato, passou tão rápidamente que Matthew e Lovino não o notaram.

– Eu acho que ele merecia ouvir o que você disse, Alfred. — Francis falou de repente. — Ele é muito burro para esse tipo de coisa, provavelmente não notou que nós o respeitamos.

– O que? — Alfred perguntou, entrando na defensiva.

– Você sabe... Ele entrou nessa vida com dezessete anos. Ele precisou aprender a ser assustador. — Francis explicou, tranquilamente. — Ele está acostumado a ser apenas temido, provavelmente nunca notou quando passaram a respeitá-lo e não apenas temê-lo. Digamos que mon Arthur não está acostumado a ter pessoas que gostem dele.

O americano não acreditava no que estava ouvindo. Arthur? Inseguro? O capitão inglês temido e admirado, até invejado... Ele não podia ter dúvidas, podia? Alfred achava que era o único assustado ali, nunca havia considerado que Arthur podia ter pensamentos semelhantes. Só porque ele parecia tão invulnerável e sempre certo do que deveria fazer. Parecia tão impossível que ele não soubesse o que Alfred queria — o americano achava que estava escrito em sua testa.

Alfred voltou-se para Matthew. Quis desculpar-se, quis dizer a verdade, mas Matthew entendia sem precisar ouvir uma palavra, afinal sempre fora o mais inteligente dos dois irmãos.

– Mattie...

– Entendi. — o canadense respondeu, simplesmente. — Vai lá. Eu não vou a lugar nenhum por hoje.

Alfred sorriu antes de sair correndo. Pelas palavras de Matthew, ficou claro que ele entendia que o irmão mais novo ainda tinha assuntos a resolver. Na empolgação, Alfred correu diretamente para a cabine do capitão e escancarou a porta sem sequer pensar em bater antes. Alfred estava abusando da sorte, definitivamente.

Arthur estava sentado na cama desajeitadamente enrolando algo no pulso direito, usando a mão esquerda. Alfred pensou em oferecer ajuda, mas, com o olhar que recebeu do inglês ao entrar no quarto, achou que era melhor não irritá-lo ainda mais. De fato, Alfred pegou-se agradecendo em pensamento pelo fato do pulso direito de Arthur estar machucado o suficiente para que ele não fosse capaz de dar em Alfred a surra que Lovino mencionara.

– Ah... — de repente, foi tomado por uma absurda timidez e não soube de imediato o que dizer — Arthur. Eu... Ahn... Queria falar com você.

– Estou ouvindo. — respondeu Arthur em tom indiferente.

– Ahn... — Alfred pediu parte da confiança que adquirira falando com Francis. — É sobre o Matthew. Por favor, permita que ele fique no navio. Ele não sabe lutar e nem nada, mas ele pode ser útil e...

– Ele pediu a você pra fazer isso?

– Não... — Alfred encarou os sapatos e começou a chutar a poeira. — Eu quero pedir a ele para ficar depois que já tiver a permissão do capitão do navio.

– Alfred, você não pode agradar a todos. — Arthur parou de tentar enfaixar o pulso e suspirou — Eu sei que, com seu estúpido complexo de herói, você não fica satisfeito até que todos ao seu redor estejam felizes, mas eu não acho que o seu irmão vá gostar da vida que estamos levando aqui. O que você fará se ele não quiser ficar?

– Eu já escolhi. — Alfred murmurou — Eu amo... Estar no navio e gosto do Kiku, do Antonio, do Lovino, do Gilbert, do Sadiq... Caramba, a essa altura, acho que gosto até do Francis. Mas o Matthew é meu irmão. Eu tenho que colocá-lo em primeiro lugar.

– Claro. — Arthur levantou e aproximou-se da janela. — A família é importante.

Ele estava fazendo de novo. Alfred tomou folego e falou antes que se arrependesse:

– É, mas eu queria saber o que você pensa sobre isso.

– Já deixei claro. — Arthur respondeu mecanicamente, como se tivesse ensaiado aquele discurso várias vezes em sua cabeça. — Você não tem mais dívida nenhuma conosco, depois que mandamos Sesel para Seychelles. É uma decisão sua ficar no navio ou voltar para os Estados Unidos.

– Certo, já sei. Como capitão, eu não podia esperar uma decisão mais justa. Mas eu já sei o que o capitão Kirkland pensa. Quero saber o que você, o Arthur, quer. Eu... — Alfred hesitou e então: — Quero que você diga exatamente o que quer, que seja totalmente egoísta e que não pense do que eu quero nenhuma vez. Uma palavra... Uma palavra sua, Arthur, e eu não vou pensar duas vezes antes de ficar.

Alfred engoliu em seco. Tinha dito. Podia sentir o rosto pegando fogo e imaginar-se exatamente igual a um dos tomates de Antonio, mas tinha dito. Estava com tanta vergonha que sequer conseguia erguer o rosto para saber a reação de Arthur, mas ninguém podia dizer que ele não tinha tido coragem de exigir uma resposta direta. Ouviu um suspiro profundo que o fez erguer os olhos e dar com Arthur encarando-o com uma expressão aborrecida.

– Você é o pirralho mais irritante que eu já vi a vida inteira.

Arthur aproximou-se fazendo com que Alfred recuasse até estar encostado na parede. O inglês encarou-o e Alfred sustentou o olhar, notando que os olhos dele brilhavam da forma costumeira, como se uma tempestate ocorresse por trás do verde. Alfred registrou vagamente que devia ser aquela a expressão que Lovino e Matthew haviam classificado como assustadora. Ainda assim, não conseguiu identificar nada naquela expressão intensa que não fosse perfeito. Era aquilo que chamavam de primavera da juventude? Era normal estar assim tão apaixonado?

– Você já disse isso algumas vezes. — Alfred conseguiu sussurrar de volta.

Arthur bufou de pura frustração e então tombou o rosto para frente, apoiando a testa no ombro de Alfred. Quando falou, sua voz saiu ligeiramente abafada, mas o sotaque inglês era tão claro que foi impossível não entender.

– Garoto idiota, é claro que eu quero que você fique. O que aconteceu com aquela merda de "você é meu, Arthur"? Não vá embora depois de dizer uma coisa irresponsável assim, moleque estúpido.

Traduzindo da língua do capitão Kirkland para a das pessoas normais: "Amo você, fique comigo".

Alfred abriu um sorriso tão largo que parecia que ia machucar as bochechas. Ele não esperava nada menos do seu Arthur. Atirou os braços para a frente num abraço de urso que derrubou os dois.

– Argh! Droga, Alfred!

– Eu quero ficar. — exclamou Alfred, abraçando Arthur com força. — Eu vou ficar aqui!

– Tsc. — fez Arthur, sentando-se. Alfred continuou sentado sobre as pernas do inglês com aquele sorriso cintilante. — O que foi essa decisão repentina?

– É o que eu quero. O Mattie vai querer ficar aqui, por algum motivo ele parece ter virado amigo do Francis e do Lovino. E eu quero continuar...

Alfred foi interrompido pelos lábios do inglês contra os seus, tão macios e urgentes que o fizeram notar que toda a insegurança das ultimas horas foram nada mais que uma grande bobagem.

– Tsc... Eu não imaginava que fazer um prisioneiro ia trazer tantos problemas.

– Ficou arrependido?

– Sabe o que é o maior problema nessa história? Não. Eu não me arrependo de nada. Sem dor, não há ganho, certo?

E Arthur sorriu suavemente para o rapaz. Mesmo que seus lábios não se separasse, era o sorriso mais verdadeiro que dava em muito tempo, pois estava genuinamente feliz. Aquele garoto americano bobo o fez notar o quanto era bom estar com a sua tripulação. Ou melhor, sua família. Depois de tantos anos perdido, ele finalmente encontrara um lugar onde estava satisfeito. Enquanto pudesse estar junto de sua nova família, tudo estava bem. E por muitos anos a frente estaria.

Notas finais
Eu nem acredito que acabou... Acabou de verdade! HORA DE COMEÇAR OUTRA LONGFIC E POSTAR TODO SÁBADO! Ou melhor ir trabalhar na minha oneshot de natal pra amanhã TwT Feliz natal para todos vocês e mais uma vez obrigada por ler até aqui.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!