No Pain, no Gain

18 Bolo de Chocolate


Notas iniciais
Midori-chin, por que personagens secundários continuam ganhando destaque? Porque a Midori-chin ama todos eles. Mas porque essa fic não acaba nunca? Por que a Midori-chin não para de enrolar. Todas as lambidas nesse capítulo são dedicadas à LucyCanon-sama. E cadê o Franadá que as fangirls do Matthew estavam querendo? Só no próximo capitulo. HAHAHA quantos capítulos mais essa bagaça terá? Sinto que a Midori-chin está querendo estender para sempre. Por que você não tem tempo de responder os reviews, Midori-chin? Cumpra suas responsabilidades!

No navio do capitão Kirkland, as coisas funcionavam como se tivessem sido combinadas, embora a maioria delas não fosse. Era como se os membros da tripulação se entendessem sem ter que dizer qualquer coisa que fosse em voz alta. Era de se esperar que um sistema tão forçado ruísse a qualquer momento — afinal, todos eles, exceto um pequeno grupo seleto pelo próprio capitão, tinha alguma dívida com o governo inglês e estava trabalhando como pirata como forma de pagamento — mas todos pareciam muito satisfeitos com as vidas que levavam. Poucas regras existiam no navio: O código pirata comum — leis básicas, como não casar, não criar motins e coisas básicas de conhecimento geral de qualquer pirata que se preze -, a lei de nunca entrar na cabine do capitão, a lei de não começar brigas entre si e nada mais.

Haviam coisas aprendidas com o convívio, também. Sabia-se que, se fizessem Lovino chorar, Antonio entrava no modo negro. Sabia-se que não era seguro deixar Sadiq e Heracles sozinhos num cômodo. Que Gilbert era uma pessoa extremamente assustadora depois de puxar uma espada. Que o capitão só tolerava intimidades com Francis ou Alfred. Pequenos detalhes assim, como se fossem uma grande família.

Os amigos mais próximos eram, é claro, os que estavam ali sem nenhum motivo específico, apenas por terem sido convidados pelo capitão. Uma coisa a ser dita sobre pessoas que moram numa casa flutuante é que elas acabam criando laços fortes, mais fortes que famílias comuns que vem e vão, pois uma vez que você entra para a pirataria, não sai mais. Não que algum deles tivesse realmente vontade de sair. Alfred não era a exceção. Também não agradava aos outros ter um membro da sua família arrancado daquele modo, então era mais que natural que protestassem e esperneassem contra Matthew, aquele que surgira do nada para acabar com a harmonia do navio. Não é certo condená-los por não pensar em Matthew, afinal é comum dos humanos pensar em si mesmo e, no máximo, naqueles de quem se gosta. De que importava a eles o que acontecesse com um rapaz que acabaram de conhecer? A única coisa a ser considerada era que estavam preocupados com a possibilidade de perder um amigo.

Queriam continuar a discutir — Lovino, Antonio e Gilbert especialmente -, mas não se atreveram a contrariar uma ordem quase direta de Kiku. Pouco a pouco deixaram o refeitório resmungando e arrastando os pés até que o recinto estivesse vazio exceto por Alfred e Matthew. Da cozinha, Gupta observava os irmãos trocarem algumas palavras antes de deixarem o cômodo. Com um suspiro, o egípcio andou até a despensa para pegar os ingredientes necessários para o que tinha em mente para o jantar. Ao fundo, Sadiq estava recostado na porta do quarto de ambos — que ficava ao lado da despensa — observando com olhos atentos cada movimento do cozinheiro.

Gupta continuou movendo-se livremente pela cozinha sem dar atenção ao turco. Estava acostumado por demais com a presença de Sadiq em quase tempo integral no fundo da cozinha. O ex-capitão turco não se dava bem com a maioria dos tripulantes, exceto Kiku e Gupta, então costumava evitar as áreas comuns do navio, passando a maior parte do seu tempo livre na cozinha, já que Kiku e Heracles andavam inseparáveis demais para ficar algum tempo a sós com o japonês. Sadiq não fazia questão nenhuma de passar tempo algum com o primo grego.
Qualquer um teria se sentido sozinho depois de tanto tempo tendo apenas um amigo próximo — embora eventualmente não tivesse problemas com Alfred, Antonio e Gilbert, os três mais fáceis de lidar -, mas Sadiq percebeu por si próprio que, mesmo que tivesse opção, gostava de passar o tempo com Gupta. Por ser tão vibrante e expansivo, Sadiq sempre se dera melhor com pessoas calmas e pacientes. Pessoas exatamente como Gupta. O egípcio tinha, talvez, apenas um defeito, que era compartilhado por quase toda a tripulação: Veneravam Arthur.

- Qual é o problema, Sadiq? — perguntou Gupta sem desviar os olhos das verduras que estava fatiando — Está muito quieto.

- Estava apenas pensando no quanto vocês colocam aquele seu capitão num pedestal. Admito que, depois de hoje, ele ganhou o meu respeito, mas... Ainda assim não compreendo.

- Bom, nós confiamos no capitão Kirkland. — admitiu Gupta — Até então, sempre nos demos bem por obedecê-lo. Admito ao chegar aqui, eu não gostei, mas com o tempo aprendi que não era ruim. Muito pelo contrário. O capitão pode ser assustador às vezes, mas ele protege a todos nós. Somos todos companheiros aqui.

Sadiq ficou em silêncio observando Gupta despejar as verduras numa panela de água que começava a ferver. O egípcio hesitou olhando para a despensa.

- Eu gostaria de fazer algo doce, talvez para acalmar os ânimos. — comentou para si mesmo — Não temos tantos doces, afinal é um luxo... Mas apenas uma vez, não tem problema, não é?

Como estava falando consigo mesmo, não esperava resposta e Sadiq realmente nada comentou a respeito. Continuou encostado na porta com os olhos pregados no cozinheiro. O silêncio perdurou enquanto Gupta apanhava mais ingredientes e bacias limpas. A sopa começava a cheirar.

O egípcio franziu o cenho. Por muito tempo, estivera sozinho na cozinha e achava que estava acostumado a trabalhar em silêncio, mas depois que Sadiq se tornara seu companheiro de quarto, aprendera a cozinhar somente ouvindo os quase monólogos do turco. Sabia que qualquer um em seu lugar estaria incomodado, mas não Gupta. Era famoso por seu jeito quieto, mas a verdade era que ficava incomodado com silêncios longos demais, pois sentia-se desconfortável. Não era sua culpa o fato de nunca ter nada interessante para dizer, então ficava feliz por ter Sadiq sempre falando. Naquele dia, quando Sadiq estava especialmente calado, Gupta sentia-se mal.

- Está arrependido de vir para cá? — forçou-se a perguntar.

- Se eu estivesse, já teria dado o fora. — Sadiq riu com escárnio.

- Por que veio, afinal?

Gupta arrependeu-se de ter feito a pergunta assim que ela deixou seus lábios. Ele nunca fazia muitas perguntas. Apenas dava a Sadiq respostas monossilábicas e continuava a ouvir. Sentiu-se ligeiramente invasivo por fazer perguntas diretas, mas era comum saber ao menos uma coisa básica como essa sobre seu companheiro de quarto. Gupta podia jurar que, sob a pele morena, havia algum rubor no rosto de Sadiq.

- Qual é o problema com essas perguntas? — Sadiq esquvou-se — Quer que eu vá embora?

- Não é isso. Apenas tive a impressão de que você estava aqui por causa do Sr. Kiku. — Gupta soltou.

Só por que nunca falava, não queria dizer que Gupta não se interessava. Ele realmente prestava atenção a tudo que Sadiq dizia, e algumas coisas se tornaram óbvias.

- A-admito que ele me impressionou... Daquela vez. — Sadiq coçou a barbicha e desviou o olhar para a janela.

Aquela resposta incomodou Gupta. Não gostava de Sadiq muito perto de Kiku, embora não encontrasse motivo para antipatia. Mesmo de costas para o turco, Gupta podia ver em sua mente a expressão que Sadiq estava fazendo. Era estranho como haviam se conhecido bem naquelas poucas semanas. Ouviu Sadiq desencostar-se da porta e andar para mais perto de Gupta sobre o pretexto de examinar o que ele estava fazendo.

- Não que você possa falar alguma coisa... Você está sempre falando daquele capitão. — comentou Sadiq em tom de crítica.

Gupta, que estivera tentando focar-se em misturar a massa de um bolo, parou o que estava fazendo para virar-se para Sadiq, de boca aberta. Desta vez, definitivamente havia um tom rosado nas bochechas do turco. Gupta tentou lembrar das conversas que tivera com Sadiq até então. Sabia que a maioria das perguntas de Sadiq eram sobre como as coisas funcionavam no navio e lembrava de estar sempre mencionando as leis do capitão. Ele parecera impressionado com o capitão tanto quanto Sadiq era impressionado com Kiku? Estava abrindo a boca para responder quando alguém adentrou na cozinha.

- Gupta. — Era Alfred. — Posso falar com você por um instante?

- Claro. — Gupta olhou para a bacia em seus braços, cheia de massa de bolo, e entregou-a para Sadiq — Por favor, mexa isso até que assuma uma boa consistência. A seguir, coloque a massa naquela forma de metal e ponha para assar.

Dizendo isso, Gupta deixou Sadiq sozinho na cozinha e seguiu Alfred para o refeitório.

- Bom... Você poderia separar meu jantar e do Matt? — pediu Alfred — Eu queria conversar a sós com ele e pensei que, se jantássemos no meu quarto, seria mais fácil.

- Creio que o capitão não tenha problemas quanto a isso. — Gupta deu de ombros. — Eu também não, acho. Prepararei uma bandeja para você.

- Obrigado, cara. — Alfred sorriu, grato.

- Alfred. Sabe o que vai fazer? Não vamos passar muito mais que alguns dias na Itália, você sabe. — Gupta comentou.

- Eu sei. Gostaria de saber o que Arthur pensa a respeito. — Alfred baixou os olhos.

- Acredito que o capitão gostaria que você ficasse.

- Eu não tenho tanta certeza. — Alfred abriu um sorriso triste. — Eu tenho que pensar no meu irmão... Mas eu gosto daqui.

- Pense bem antes de tomar uma decisão e... — Gupta parou um pouco antes de falar. Não era bom com esse tipo de coisa. — Pessoalmente, eu preferia que ficasse, Alfred.

- Obrigado, cara. — Alfred abriu um sorriso mais largo. — De verdade.

Gupta meneou a cabeça em resposta enquanto Alfred deixava o lugar. Distraiu-se por alguns segundos até perceber que devia estar na cozinha preparando o jantar. Tornou a entrar, esperando encontrar ao menos uma parte do trabalho feita, mas...

- Sadiq... Que diabos... ?

Sadiq olhou para o egípcio parecendo aborrecido. De algum modo, o rosto, cabelo e peito do turco estavam completamente sujos de chocolate.

- Como funciona essa coisa? — Sadiq sacudiu o batedor, frustrado, fazendo com que o chocolate respingasse no rosto e pescoço de Gupta.

- Você tem que mexer! — exclamou Gupta, perdendo a paciência pela primeira vez desde que conhecera Sadiq — Sabe, mover os braços assim.

Segurou o pulso do turco e ensinou-lhe como mexer a massa. Sadiq ficou ainda mais aborrecido.

- Isto é complicado demais. Você tem um trabalho estranho.

- E você tem a mão pesada demais. — Gupta suspirou — O capitão vai ficar bravo se nos pegar desperdiçando comida assim.

- Outra vez o capitão. — Sadiq pousou a bacia de massa sobre o balcão — Você é apaixonado por ele, ou coisa assim?

- Qual é o problema com admirar meu capitão? — Gupta ergueu as sobrancelhas — Você é que parece ter algum problema com o capitão.

- Não tenho. — Sadiq cruzou os braços, parecendo mais que nunca com uma criança birrenta no corpo de um homenzarrão musculoso — Mas eu não gosto que você fique o tempo todo falando nele. É irritante, sabe?

- Não faço ideia. — mentiu Gupta, sacudindo a cabeça. — Não existem motivos para que você ficar bravo. Mas olhe só para você, está todo sujo.

Ah. Então Sadiq sentia-se irritado? Era como Gupta sentia-se ao vê-lo com Kiku?

- Seu rosto também está sujo. — Sadiq lambeu os dedos distraidamente.

- Porque você sujou — reclamou Gupta limpando a bochecha com os dedos.

Percebeu que não tinha nenhum pano limpo por perto, então imitou Sadiq, passando a língua nos dedos. Sadiq parou o que estava fazendo e encarou o egípcio, como se estivesse avaliando-o.

- Qual é o problema? — perguntou Gupta, inclinando a cabeça para o lado.

- Ainda está sujo.

- Onde? — Gupta tocou o próprio rosto. — Limpe para mim.

Sadiq estava tão sério que não parecia com ele mesmo, mas não de um jeito ruim. A expressão séria assentava tão bem quanto o sorriso extravagante no rosto esculpido do turco. Em contraste com o rosto másculo, ele tinha olhos castanhos que quase sempre brilhavam de um jeito completamente alegre, destoante da primeira impressão que sua aparência causava. Gupta pegou-se pensando que possivelmente ninguém teria notado a verdadeira personalidade de Sadiq. Ele podia ser muito infantil, às vezes. Contudo, naquele momento, os olhos de Sadiq brilhavam de um jeito totalmente não infantil. Por que?

- Bom, você pediu. — Sadiq suspirou, então curvou-se.

Gupta sentiu um arrepio quando o turco passou lentamente a língua pela lateral de seu pescoço. O cozinheiro sentiu o rosto esquentar.

- Ainda não está limpo. — Sadiq sorriu, passando a língua nos lábios.

Gupta arregalou os olhos, mas antes que pudesse reagir, Sadiq tornou a curvar-se, desta vez para o rosto do egípcio e passou os lábios perigosamente perto da boca de Gupta. O cozinheiro soltou um suspiro involuntário. Aquilo não era ruim... Mas Sadiq precisava limpá-lo daquele jeito?

- Pronto, agora sim. — o turco sussurrou, causando outro arrepio. — Gupta... Eu ainda estou sujo?

Gupta não tinha como responder — Não com o rosto de Sadiq tão próximo que ele poderia ter contato os cílios negros — e certamente não iria responder quando os lábios dos dois se tocaram. Foi como um choque elétrico. Num ímpeto inesperado, Gupta deslizou os braços pelos ombros do turco e abraçou-o pela nuca, os dedos afagando com alguma força os cabelos curtos e ásperos. Sadiq respondeu nada menos que à altura puxando o egípcio para mais perto, grudando o corpo de ambos enquanto pedia passagem com a língua. Ambos suspiraram quando o beijo aprofundou-se, transformando-se numa carícia lenta e intensa.

Gupta nunca soube exatamente como, mas no instante seguinte estava sentado sobre o balcão de frente para Sadiq, ainda preso num abraço muito apertado. Sadiq deslizou a mão direita para o quadril do egípcio, tomando o cuidado de manter a esquerda na cintura do mesmo. Começou a erguer a camisa de Gupta quando algo sobressaltou os dois: Um barulho de explosão. Afastaram-se quando o navio inteiro estremeceu.

- Que d...

Outra explosão. As panelas fizeram barulho com o novo tremor.

- Estamos sendo atacados. — constatou Gupta, sentindo o rosto empalidecer.

Sadiq soltou um palavrão quando egípcio saltou do balcão para a porta. Sacou a espada com uma expressão muito assassina que não usava há um certo tempo. De fato, fazia um certo tempo que não sentia um mau humor tão grande.

- Vamos ver o que é isso. — resmungou andando ao lado de Gupta para o lado de fora. — Mas não ouse se machucar, pois temos coisas inacabadas para terminar ainda hoje!

E com essas palavras que resumiam a sua fúria, Sadiq encaminhou-se para a batalha.

Notas finais
E o que aprendemos hoje, crianças? Que ataques são empata-foda, que TurquiaxEgito é um casal lindo e que se você colocar muitos homens bonitos num navio longe das mulheres, todos eles viram gays.