Dipper sentiu um alívio imediato assim que encostou a coluna na poltrona do porão. Ele observou ao seu redor. O bom e velho laboratório de Ford.
Continuava preenchido com gaiolas e tubos de ensaio, só que dessa vez, vazios.
Ford permanecia sentado em sua velha escrivaninha, escrevendo o de sempre, "nenhuma anomalia encontrada".
Dipper suspirou. Ele não conseguia tirar os olhos dele. "Eu não devia ter feito contato naquela hora. Droga." Ele se culpava enquanto admirava o tio avô, o velho homem com espírito de juventude, o destemido nerd aventureiro, no qual o sobrinho tanto se identificava e admirava.

Dipper o amava.

Ele não podia negar aquilo. Era um fato que demorou a ser notado. E que ainda tinha dificuldade em ser aceito. Dipper havia largado tudo na cidade da Califórnia. Largado a escola. Largado seus amigos. Família.

Mabel.
"Mabel..." ele refletiu . Sentia a falta dela. Quando eram crianças haviam prometido um ao outro que ficariam juntos para sempre. Acabou que não foi aquilo que aconteceu, para o desgosto de Mabel. E eles raramente se falavam desde então. O Dipper de treze anos ligava todos os dias para ela, mas ela não atendia. Então, com o passar do tempo, as ligações diárias se tornaram semanais, e em seguida mensais e semestrais. O verão chegava e Dipper, sempre ansioso por vê-la novamente, acabava se decepcionando pela notícia de que ela não voltaria. De novo. Por fim, as únicas ligações que Dipper fazia era com o sentimento vasto no peito. Culpa. Indiferença. E ódio. Sim, ódio. Mabel havia agido com tamanha infantilidade e egoísmo diante da decisão do irmão de ficar em Gravity Falls. Dipper durante toda a sua vida, nunca havia sido levado a sério em sua família. Sempre foi motivo de descrença e as pessoas não acreditavam na sua inteligência nem no seu potencial prodígio. Ele se sentia sozinho. Incompreendido.

Tudo aquilo mudou quando Stanford apareceu pela primeira vez. O desconhecido irmão gêmeo de Stanley. Dipper se viu espelhado. Os dois eram absurdamente parecidos. Ford permaneceu preso em outra dimensão por trinta anos. Trinta anos sozinho. Enquanto se lamentava pela outra parte da sua vida que fora arruinada pelo seu irmão que não aceitava as suas decisões e não acreditava no potencial dele. A partir do momento em que Stanford voltou para o mundo real, Dipper sentiu esperança. Ele não se sentia mais sozinho. Os dois se entendiam perfeitamente. Ford lhe mostrou uma afeição especial, que ele nunca havia recebido de nenhum outro membro da família. Os dois, juntos, se tornaram um só.

No início, para Dipper, não parecia nada além de um sentimento fraterno. Mas, ele ainda era muito jovem para perceber o que realmente estava acontecendo ali.

O garoto Pine engoliu as lágrimas a seco. A sua mente já voltava no disparate acontecimento ocorrido nos primeiros anos em que esteve a sós com Ford. O segredo começa a vir à tona em sua memória...

Notas finais
Mesmo eu sabendo que ninguém vai ler isso. O segredo será revelado no próximo capítulo. Ansiosos? *sem resposta* Enfim, me avisem qualquer erro.