No Amor E No Crime
4 Capítulo Três: Dupla de Choque
Notas iniciais
Capítulo Três: Dupla de Choque
POV Edward
Naquela manhã, Bella e eu vimos na TV a notícia sobre a prisão de Charlie. Ele esperava o julgamento na cadeia, mas não se esperava que ele pegasse muito tempo. O caso só estava sendo tão público por que a tentativa de roubo havia sido na casa de um político muito importante.
– E corrupto. – Bella resmungou enquanto via a notícia.
Charlie poderia pegar de dois a cinco anos pela tentativa.
Ao ouvir isso, Bella saiu da sala batendo os pés. Ela então passou a tarde inteira na cozinha e eu não tive coragem de me intrometer em seus experimentos culinários. Pelo menos não até ouvir a explosão no forno.
Corri até ela, preocupado.
– O que aconteceu? – Eu perguntei nervosamente, abanando a fumaça que enchia a cozinha. Fui até a janela, abrindo-a para arejar o ambiente.
– Não sei. – Ela falou assustada.
Abri o forno e ele estava todo melecado com uma gosma laranja.
– O que diabos é isso? – Eu quis saber, confuso.
– É que você disse ontem que queria um bolo de cenoura. Eu peguei uma receita na internet e tentei fazer. Mas eu não sei o que deu errado. – Ela explicou nervosa.
Eu não sabia explicar como aquilo acontecera, por isso me conformei em apenas limpar a sujeira.
– Deixa ai, eu limpo. – Bella falou cabisbaixa. Empertiguei-me e olhei para a sua carinha triste.
– Você não precisa fazer essas coisas por mim, sabe. – Eu disse.
– Eu sei. – Ela falou, pegando um pano para limpar.
– Eu não entendo. – Resmunguei.
E realmente não entendia a garota. Por que ela fazia tudo isso?
– Acho que não. Se você já tivesse amado alguém do mesmo jeito que eu te amo, talvez entendesse. – Ela disse, começando a limpar o forno.
Eu não soube o que responder àquilo, por isso então resolvi ajudar na limpeza.
~~
Naquela noite, Bella e eu fomos ao cinema, para ver a última sessão.
– Minha melhor roupa de bandida. – Ela disse antes de sairmos, me mostrando a sua roupa. Eu me limitei a rir e empurrá-la para fora.
Compramos os ingressos às onze horas e entramos para ver o filme às onze e meia. Algum tempo depois que o filme começou, saímos de fininho pela porta de trás do cinema.
A galeria do Tardin ficava no terreno atrás do cinema, mais para a esquerda. Bella retirou seus aparelhos da bolsa grande que carregava. Nós dois vestimos as nossas luvas de couro e começamos o nosso trabalho.
Ela ligou o laptop, apoiando-o sobre a lixeira e começou a digitar. Fiquei olhando para o relógio.
– Meia noite. – Falei.
– Eu vou acessar as câmeras em alguns segundos. – Ela disse, os dedos voando sobre as teclas. Nem meio segundo se passou até que as imagens apareceram na tela. – Agora eu só preciso gravar as imagens e colocar pra tocar repetidamente.
Não havia movimento algum na rua da galeria, o que era uma boa coisa. Ela gravou todas as imagens, tanto de fora quanto de dentro.
– Pronto, tudo certo. – Ela disse, cinco minutos depois. – As imagens já estão sendo repetidas.
Ela fechou o laptop e enfiou-o na bolsa.
– Vamos nessa. – Falei. Fomos até o muro de trás e eu cruzei as mãos. Bella colocou o pé no apoio que eu ofereci e subiu o muro. Ela sentou-se com uma perna de cada lado e, segurando na mão dela, tomei impulso e também subi. Pulamos para o outro lado, dando em um beco vazio. Andamos em direção à escada de incêndio da galeria.
A parte de baixo da escada era do tipo que subia e descia, mas apenas poderia ser abaixada por alguém que estivesse em cima e fosse descer, justamente para evitar que gente como nós subisse por ela.
Preparado, puxei uma corda com um gancho da minha mochila e lancei em direção à escada. O impacto fez algum barulho, mas nada muito chamativo.
Olhei para Bella e esperamos, nos olhando em silêncio, mas nada aconteceu. Suspirando, puxei a escada para baixo e incentivei Bella a subir primeiro, em parte por que era um cavalheiro, mas a maior parte era que a sua bunda ficava ótima naqueles jeans.
Quando chegamos à janela do terceiro andar, que era o último e o menos vigiado, pois apenas acomodava o sótão da galeria, paramos. A janela era do tipo com caixilhos, fácil de abrir, mas protegida por uma grade reforçada, fechada com um cadeado enorme.
– Pelo menos não vamos ter que arrancá-la da parede. – Bella falou divertida. Apenas ignorei-a, me concentrando no que precisava fazer.
Puxei o meu canivete e um pedaço pequeno de arame, e comecei a cutucar o cadeado. Aquele era bastante difícil, grande e antigo. Mas eu tinha aprendido com o melhor. Poucos minutos depois o cadeado se abria.
– Bom trabalho caubói. – Bella falou me dando tapinhas nas costas. Ignorei-a novamente, mas sem evitar um sorrisinho.
Abrimos a grade, que estava meio emperrada por falta de uso, mas que cedeu com facilidade.
– Agora é sua vez, garota. – Incitei. Ela pegou em sua bolsa um pequeno dispositivo que se parecia com um minicomputador. O tipo de dispositivo que não é vendido em lojas de eletrônicos “de respeito”, se é que dá pra entender.
Ela grudou o objeto no canto da janela, perto de onde se localizava o painel do alarme, puxando uma pequena antena ao lado dele e começou mais uma vez a digitar. O dispositivo soltava pequenos bips e logo a luzinha, que piscava em vermelho, se tornou verde.
– Bom trabalho. – Elogiei.
– Essa foi a parte fácil. – Ela resmungou. E era verdade. O sistema de segurança do prédio era diferente do sistema que protegia os quadros individualmente e era bem mais fácil de acessar.
Abrimos a janela e finalmente entramos. Estava escuro, mas a luz que entrava pela janela era suficiente para nos orientar. Bella segurou a minha mão, me seguindo até a porta.
A sensação que tive com ela ao meu lado foi estranha. Era como se estivéssemos juntos há muito tempo, como se fôssemos parceiros desde sempre. Mas não havia tempo para ficar pensando aquelas coisas, tive que deixar isso de lado e me concentrar no que estava fazendo.
A porta do sótão estava trancada, obviamente.
– Segure isso. – Pedi. Entreguei uma pequena lanterna a Bella e usei mais uma vez as minhas ferramentas para destrancar a porta. Dessa vez foi bem mais fácil.
Abri levemente a porta e vi a câmera logo à frente, com a luz piscando vermelha.
– Você tem certeza de que fez tudo certo, não é? – Perguntei desconfiado.
– Claro. Mesmo assim uma garantia a mais não vai mal. – Ela disse, puxando dois capuzes de sua bolsa.
– Você sabe que isso apenas me deixa mais inseguro? – Eu falei olhando para ela, desconfiado. Bella apenas sorriu.
– Você não sabe mesmo se divertir! – Ela exclamou, colocando o capuz na cabeça e desligando a lanterna. Revirei os olhos, mas imitei-a.
Então saímos do sótão. Como não ouvimos nenhuma correria nem gritos, imaginei que o seu truque com as câmeras havia funcionado. Descemos pelas escadas silenciosamente.
Eram agora meia-noite e vinte. Tínhamos exatamente quarenta minutos antes que o segurança viesse fazer sua ronda, mas não precisaríamos de tudo isso.
No segundo andar ficavam os quadros mais preciosos da coleção de Tardin. E os nossos Modiglianis estavam lá. O salão estava vazio e silencioso. Procurei pelos quadros acendendo novamente a lanterna, mas tomando cuidado para não deixar que a luz passasse penas janelas ou poderia chamar a atenção de algum passante.
Os dois quadros estavam localizados em opostos do salão. Bella e eu fomos até a caixa do alarme.
– Eu vou atrasar o alarme. Depois disso teremos exatamente sete minutos para pegar os quadros e voltar por onde entramos. Ele é silencioso, não vai chamar atenção da vizinhança, mas vai atrair o segurança e os policiais. – Bella explicou.
– Eu sei. – Repliquei.
– Ótimo. Vou começar. – Ela avisou e voltou a puxar o seu minicomputador da bolsa. Ela o encaixou ao lado da caixinha do alarme e começou a digitar, concentrada.
Enquanto Bella se encarregava dessa tarefa, puxei da mochila dois tubos grandes de plástico onde colocaríamos os quadros depois de pegá-los.
Fui até os dois quadros e deixei um tubo ao lado de cada um. Então voltei para perto de Bella. Ela estava com os lábios e as sobrancelhas apertados, digitando freneticamente enquanto o aparelho soltava vários bips.
A luzinha que piscava rapidamente em vermelho começou a piscar mais lentamente.
– Consegui. – Bella falou. – Assim que tocarmos nos quadros, o alarme vai ativar, mas só vai tocar em sete minutos.
– Certo. Ao mesmo tempo, então. – Eu disse.
Andamos cada um até um quadro, puxando os estiletes do bolso. Parei diante do quadro e olhei para Bella.
– Três... Dois... Um. – Falei.
Ao mesmo tempo, puxamos os quadros da parede, cortamos ao redor das molduras e enrolamos os desenhos, colocando ambos nos tubos de plástico.
Seis minutos.
Corremos ao mesmo tempo em direção à escada, cada um com seu quadro. Segurei a mão de Bella e disparamos escadas acima. Chegamos ao sótão e saltamos pela janela aberta, começando a descer pela escada de incêndio.
Cinco minutos.
Bella pulou na parte móvel da escada, seu peso fazendo com que descesse rapidamente. Eu a segui. Corremos em disparada pelo beco, parando diante do muro.
Quatro minutos.
Dei uma ajuda a Bella para que escalasse, da mesma forma de antes. Ela ficou dependurada no muro, me dando apoio para subir. Pulamos no beco atrás do cinema.
Três minutos.
Jogamos os tubos com os quadros dentro de uma lata de lixo marcada com um “X” grafitado de vermelho, jogando também ali as luvas, os capuzes e os equipamentos utilizados no roubo.
Dois minutos.
Apertei o botão de discagem rápida do meu celular, mandando o sinal esperado. Entramos pelas portas dos fundos do cinema, aproveitando a escuridão para nos esgueirar de volta aos nossos lugares. Sentamos e ambos suspiramos ao mesmo tempo.
Um minuto.
Fingimos assistir ao filme, enquanto na verdade apenas esperávamos. Quando a hora chegou, não ouvimos o alarme tocar. Cinco minutos depois, no entanto, sirenes de polícia fizeram todos na sessão – que eram poucos – se perguntarem o que havia acontecido.
– Você acha que o intermediário já pegou os quadros? – Bella perguntou.
– Tenho certeza. Ele nunca falhou comigo. Quando eu dei o toque para ele, tenho certeza de que em menos de dois minutos ele chegou. – Eu disse.
A lata de lixo era o “local de entrega”. O intermediário entre mim e o meu comprador pegaria os quadros e os entregaria nas mãos certas. Ele também estava instruído a destruir todos os materiais usados no roubo. Apesar de não nos conhecermos pessoalmente, Eric nunca falhara.
Com isso Bella se recostou na sua cadeira, mais relaxada. Também relaxei, impressionado que tudo havia dado tão certo. Coloquei meu braço sobre os ombros de Bella, que imediatamente descansou sua cabeça em meu ombro.
Não pude deixar de pensar que formávamos uma ótima dupla, mas guardei aquilo para mim.
Quando o filme acabou, saímos da sala normalmente, como se nada tivesse acontecido. Do lado de fora, carros de polícia estava por toda parte, procurando por suspeitos, mas eles não olharam muito para os casais apaixonados que deixavam a última sessão do cinema.
Bella e eu entramos em meu carro tranquilamente e voltamos para casa. Logo que parei na garagem meu comprador me ligou.
– Recebi a encomenda. O depósito já foi feito em sua conta. – Ele disse apenas.
– Foi um prazer fazer negócios com você. – Eu respondi.
– O prazer foi meu. – Ele então desligou.
Bella e eu entramos no elevador e, então, ela gritou. Olhei para ela, espantado, mas ela apenas pulou no meu pescoço, gritando ainda mais. Não pude deixar de rir com a animação dela.
– Nós formamos a melhor dupla de todos os tempos. – Ela disse afastando-se o suficiente para olhar para mim.
– Bom, eu admito que você foi muito bem. – Eu falei divertido.
– Nós fomos perfeitos. – Ela riu, olhando direto nos meus olhos.
Então Bella me beijou.
Eu gostaria de dizer que a afastei imediatamente, mas aquilo não aconteceu. Eu, na verdade, beijei-a de volta. E ao fazer isso percebi que há algum tempo já eu tinha vontade de fazê-lo.
POV Bella
Os lábios de Edward se encaixavam perfeitamente nos meus.
Deus! Há tanto tempo que eu sonhava com isso, mas nem no meu sonho mais vívido o beijo de Edward era tão perfeito assim.
Suas mãos grades seguraram a minha cintura com força, prendendo meu corpo contra o seu. Enlacei meus dedos em seus cabelos macios, perdida nas sensações que ele me causava.
Edward me empurrou contra a parede do elevador, descendo sua mão até minha bunda, apertando meu quadril contra o seu. Cravei minhas unhas em suas costas fortes, mesmo por cima da camisa e do casaco.
Quando o ar faltou, os lábios de Edward vieram parar no meu pescoço, deixando a minha pele tão quente que eu fiquei imaginando se não estava com febre. O calor subia em ondas pelo meu colo e eu não sabia se vinha do meu corpo ou do dele.
A mão de Edward então veio subindo, passando pela minha barriga até o meu seio, que ele apertou com gosto. Gemi alto, meu corpo inteiro amolecendo ao seu toque.
O elevador então parou em nosso andar. Com o click da porta, Edward pareceu acordar.
Ele olhou para trás, para a porta aberta e então de volta para mim. Olhou para os meus lábios provavelmente vermelhos, as minhas roupas desarrumadas e sua mão em meu seio. Então se afastou rapidamente, dando dois passos para trás.
– Isso não podia ter acontecido. – Ele disse.
– Claro que podia. Eu gostei e você também. – Eu falei dando um passo na sua direção, mas Edward se afastou dois.
– Não pirralha, não podia. – Ele disse apenas, virando-se e abrindo a porta do apartamento, que ocupava o andar inteiro.
POV Edward
– Por que você sempre faz isso? – Bella perguntou quando entramos em casa.
– Isso o quê? – Repliquei.
– Fica fugindo de mim. Eu te amo, Edward. E sei que você, pelo menos, se sente atraído por mim. Isso não é suficiente? – Ela quis saber.
– Não, não é, garota. – Eu disse. Se fôssemos os dois adultos, podia até ser que sim, mas ela era uma garota. Gostosa, mas uma garota.
Apesar de aquele beijo ter sido o mais excitante de toda a minha vida, eu não podia deixar aquilo ir muito mais longe.
– Você é um covarde! – Ela gritou, subindo as escadas correndo, seus olhos marejados.
Apertei os lábios.
Não sabia o que fazer com aquela garota.
Eu a queria tanto que chegava a doer – entre as pernas, se é que dá para entender. Mas se ela realmente me amava, ainda assim não seria justo que eu ficasse com ela.
O fato é que apesar de desejá-la, eu não a amava. Eu nunca me apaixonava, pelo menos não há muito tempo. E isso não seria justo com a pirralha.
Notas finais
Como eu to feliz hoje e de tanta felicidade consegui terminar o cap a jato, resolvi postar hoje mesmo. huahuahuahua
Hoje eu passei no mestrado!!! Brigadinha a todas que torceram por mim. Saibam que agora eu vou ter menos tempo ainda. huahuahuahua
Esses dois são A DUPLA né? Espero que tenham gostado do cap.
E eu queria agradecer a VEROKA pela recomendação. Brigadinha flor.
Qualquer errinho de digitação podem me avisar viu gente.
Bjus a todas.
Fale com o autor