Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
10 Perfume cítrico
Chegando ao apartamento, colocamos Theo deitado na cama.
– Vou pegar algumas coisas para limpar os cortes do rosto dele. Bella vá até o banheiro, pegue uma vasilha prateada que está dentro do armário e encha de água. Pegue também alguns algodoes.
Fui até o banheiro e peguei as coisas; olhei para o espelho e um lado do meu rosto estava cheio de sangue que não era meu. Voltei para o quarto.
Phillip estava com um estetoscópio – para você que não sabe, estetoscópio é o aparelho usado para escutar as batidas do coração do paciente. – e com um olhar preocupado no rosto.
– Ele está bem? – Perguntei com medo de ouvir a resposta.
– Não, nada bem. Mas se depender de mim irá ficar, mas já aviso: vai demorar. Alguma coisa Amarílis fez com ele. De acordo com uns breves exames que eu fiz nele, tem vários cortes pela parte interna do corpo dele, e que na parte externa não tem nenhum arranhão. Esses cortes internos provocaram hemorragia interna, ou um trauma contuso.
– Ele corre risco de morrer?
– Sim, mas não vai. Agora pegue o algodão molhe um pouco na água e limpe o rosto dele enquanto eu vejo se não tem alguma coisa quebrada.
No fim, a água da vasilha ficou praticamente vermelha de sangue.
E eu já estava ficando enjoada.
– Bella você está bem?
– Acho que sim.
– Você está quase mais pálida que Theo.
– Eu só preciso tomar um ar. Depois eu volto.
Sai do quarto e fui para a sala, peguei meu casaco e sai.
Me vi parada na praia olhando para as ondas.
Me sentei na areia perto da água e fiquei olhando as ondas irem e voltarem como eu fazia antes.
Só percebi que estava chorando quando uma mulher que passava perguntou se eu estava bem. Respondi que não sabia.
Resolvi me levantar e voltar para casa, afinal, ficar chorando na praia não vai adiantar nada.
Chegando lá, Phillip dormia sentado na cadeira e Theo já havia voltado a sua cor normal.
Fui até a beira da cama, m ajoelhei perto da cama e olhei para o rosto adormecido de Theo.
– Ah Theo... Porque você faz isso comigo? – Minha voz era um sussurro. – Porque você faz de tudo para se machucar? Tudo para me proteger? Eu te amo tanto... – Lágrimas iam escorrendo pelo meu rosto. Eu passava a mão pelos seus cabelos negros sedosos.
– Eu te amo muito mais do que você possa imaginar. – Ele abriu os olhos e um longo sorriso se formou em seu rosto.
– Theo, você está bem?
– Melhor agora.
– Theo, para. – Soltei uma risada baixinha para não acordar Phillip.
– A... Amarílis está morta?
– Infelizmente, não.
– Como vocês me tiraram daquela masmorra então?
– Com a ajuda da irmã dela.
– Irmã de Amarílis?
– Sim, Eleanor é o nome dela.
– Eleanor... Nunca ouvi Amarílis falar dela.
– O que ela fez com você?
– Eu... Não lembro.
– Como assim não lembra?
– Não lembro o que aconteceu, não lembro nem como eu vim parar aqui. Só lembro-me de você ter nos levado para um casarão e ter acontecido uma briga, e a partir daí não me lembro de mais nada.
– Amarílis é uma bruxa, ou algum ser com poderes fora do comum.
– Você também faz isso.
– Sim, mas Amarílis tem poderes inacreditáveis. Eleanor também tem.
– Muito estranho essa irmã de Amarílis querer nos ajudar. Você não acha?
– No começo eu achei, mas não sei se ela usou o poder comigo, mas eu acreditei nela. – Theo olhou para Phillip que ainda dormia na cadeira.
– Ele está ai há muito tempo?
– Mais ou menos uma hora.
– Pode pegar alguma coisa para eu tomar, por favor?
– Posso, fique quieto e não faça movimentos bruscos. Recomendações do seu médico particular.
– Pode deixar enfermeira.
– Ah cale a boca. – Theo sorriu.
Fui na cozinha, peguei um copo d’água e bem na hora – e por um milagre – o interfone tocou e eu atendi.
– Sim?
– Sou eu. – Era a voz de Eleanor. – Posso subir?
– Como você... Pode. – E desligou.
Voltei para o quarto com o copo d’água.
– Vamos ter visita.
– Quem? – Theo perguntou.
– Eleanor. Comporte-se.
– Eu sou comportado, querida. – Me lançou um olhar malicioso.
– Acorde Phillip; vou ir lá para a sala. – Ele acenou com a cabeça que sim e eu fui esperar Eleanor na sala.
Mal cheguei à sala e a campainha tocou.
Abri a porta e Eleanor me esperava vestida no estilo ‘pinup’. Calça jeans dobrado na altura do joelho, camisa xadrez vermelho, azul marinho e branco, salto alto vermelho vivo, coque alto com um lacinho vermelho, e de maquiagem: batom vermelho, delineado estilo ‘gatinho’ e rímel.
– Olá.
– Oi Eleanor.
– Como está o paciente? Phill conseguiu curá-lo?
– ‘Phill’?
– Phillip conseguiu curá-lo?
– Sim, eu acho. Theo já acordou. E você, está bem?
– Um pouco. Recuperei-me bem do tiro, mas ainda dói um pouco.
– Que bom. Mas a sua visita nunca é somente uma visita. Fale logo.
– Posso entrar?
– Claro.
Nos sentamos na sala e ela começou a falar.
– Amarílis está furiosa com você.
– Novidade.
– Porque você matou Ethan.
– Mas eu não o matei. Foi você!
– Não adianta falar.
– Ta ok, mais um motivo para Amarílis me odiar. Mas, o que é que tem?
– O que tem é que ela vai vir para esse apartamento hoje à noite e matar você e seus queridos amiguinhos.
– Porque está me avisando?
– Não posso explicar agora.
– Você nunca pode explicar nada! – Ela se levantou e foi até a porta.
– Meu recado foi dado. Boa sorte. – Ela saiu e fechou a porta atrás de si, deixando um rastro de perfume cítrico pelo caminho.
Phillip apareceu no vão da porta.
– Era a Eleanor?
– Era sim Phill. – Phillip ficou vermelho.
– Ahn, o que ela queria?
– Dar um recado.
– Que era...?
– Amarílis irá dar o primeiro passo. Hoje à noite.
– Para onde vamos?
– Por enquanto, lugar nenhum. Veremos.
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