Chegando ao apartamento, colocamos Theo deitado na cama.

– Vou pegar algumas coisas para limpar os cortes do rosto dele. Bella vá até o banheiro, pegue uma vasilha prateada que está dentro do armário e encha de água. Pegue também alguns algodoes.

Fui até o banheiro e peguei as coisas; olhei para o espelho e um lado do meu rosto estava cheio de sangue que não era meu. Voltei para o quarto.

Phillip estava com um estetoscópio – para você que não sabe, estetoscópio é o aparelho usado para escutar as batidas do coração do paciente. – e com um olhar preocupado no rosto.

– Ele está bem? – Perguntei com medo de ouvir a resposta.

– Não, nada bem. Mas se depender de mim irá ficar, mas já aviso: vai demorar. Alguma coisa Amarílis fez com ele. De acordo com uns breves exames que eu fiz nele, tem vários cortes pela parte interna do corpo dele, e que na parte externa não tem nenhum arranhão. Esses cortes internos provocaram hemorragia interna, ou um trauma contuso.

– Ele corre risco de morrer?

– Sim, mas não vai. Agora pegue o algodão molhe um pouco na água e limpe o rosto dele enquanto eu vejo se não tem alguma coisa quebrada.

No fim, a água da vasilha ficou praticamente vermelha de sangue.

E eu já estava ficando enjoada.

– Bella você está bem?

– Acho que sim.

– Você está quase mais pálida que Theo.

– Eu só preciso tomar um ar. Depois eu volto.

Sai do quarto e fui para a sala, peguei meu casaco e sai.

Me vi parada na praia olhando para as ondas.

Me sentei na areia perto da água e fiquei olhando as ondas irem e voltarem como eu fazia antes.

Só percebi que estava chorando quando uma mulher que passava perguntou se eu estava bem. Respondi que não sabia.

Resolvi me levantar e voltar para casa, afinal, ficar chorando na praia não vai adiantar nada.

Chegando lá, Phillip dormia sentado na cadeira e Theo já havia voltado a sua cor normal.

Fui até a beira da cama, m ajoelhei perto da cama e olhei para o rosto adormecido de Theo.

– Ah Theo... Porque você faz isso comigo? – Minha voz era um sussurro. – Porque você faz de tudo para se machucar? Tudo para me proteger? Eu te amo tanto... – Lágrimas iam escorrendo pelo meu rosto. Eu passava a mão pelos seus cabelos negros sedosos.

– Eu te amo muito mais do que você possa imaginar. – Ele abriu os olhos e um longo sorriso se formou em seu rosto.

– Theo, você está bem?

– Melhor agora.

– Theo, para. – Soltei uma risada baixinha para não acordar Phillip.

– A... Amarílis está morta?

– Infelizmente, não.

– Como vocês me tiraram daquela masmorra então?

– Com a ajuda da irmã dela.

– Irmã de Amarílis?

– Sim, Eleanor é o nome dela.

– Eleanor... Nunca ouvi Amarílis falar dela.

– O que ela fez com você?

– Eu... Não lembro.

– Como assim não lembra?

– Não lembro o que aconteceu, não lembro nem como eu vim parar aqui. Só lembro-me de você ter nos levado para um casarão e ter acontecido uma briga, e a partir daí não me lembro de mais nada.

– Amarílis é uma bruxa, ou algum ser com poderes fora do comum.

– Você também faz isso.

– Sim, mas Amarílis tem poderes inacreditáveis. Eleanor também tem.

– Muito estranho essa irmã de Amarílis querer nos ajudar. Você não acha?

– No começo eu achei, mas não sei se ela usou o poder comigo, mas eu acreditei nela. – Theo olhou para Phillip que ainda dormia na cadeira.

– Ele está ai há muito tempo?

– Mais ou menos uma hora.

– Pode pegar alguma coisa para eu tomar, por favor?

– Posso, fique quieto e não faça movimentos bruscos. Recomendações do seu médico particular.

– Pode deixar enfermeira.

– Ah cale a boca. – Theo sorriu.

Fui na cozinha, peguei um copo d’água e bem na hora – e por um milagre – o interfone tocou e eu atendi.

– Sim?

– Sou eu. – Era a voz de Eleanor. – Posso subir?

– Como você... Pode. – E desligou.

Voltei para o quarto com o copo d’água.

– Vamos ter visita.

– Quem? – Theo perguntou.

– Eleanor. Comporte-se.

– Eu sou comportado, querida. – Me lançou um olhar malicioso.

– Acorde Phillip; vou ir lá para a sala. – Ele acenou com a cabeça que sim e eu fui esperar Eleanor na sala.

Mal cheguei à sala e a campainha tocou.

Abri a porta e Eleanor me esperava vestida no estilo ‘pinup’. Calça jeans dobrado na altura do joelho, camisa xadrez vermelho, azul marinho e branco, salto alto vermelho vivo, coque alto com um lacinho vermelho, e de maquiagem: batom vermelho, delineado estilo ‘gatinho’ e rímel.

– Olá.

– Oi Eleanor.

– Como está o paciente? Phill conseguiu curá-lo?

– ‘Phill’?

– Phillip conseguiu curá-lo?

– Sim, eu acho. Theo já acordou. E você, está bem?

– Um pouco. Recuperei-me bem do tiro, mas ainda dói um pouco.

– Que bom. Mas a sua visita nunca é somente uma visita. Fale logo.

– Posso entrar?

– Claro.

Nos sentamos na sala e ela começou a falar.

– Amarílis está furiosa com você.

– Novidade.

– Porque você matou Ethan.

– Mas eu não o matei. Foi você!

– Não adianta falar.

– Ta ok, mais um motivo para Amarílis me odiar. Mas, o que é que tem?

– O que tem é que ela vai vir para esse apartamento hoje à noite e matar você e seus queridos amiguinhos.

– Porque está me avisando?

– Não posso explicar agora.

– Você nunca pode explicar nada! – Ela se levantou e foi até a porta.

– Meu recado foi dado. Boa sorte. – Ela saiu e fechou a porta atrás de si, deixando um rastro de perfume cítrico pelo caminho.

Phillip apareceu no vão da porta.

– Era a Eleanor?

– Era sim Phill. – Phillip ficou vermelho.

– Ahn, o que ela queria?

– Dar um recado.

– Que era...?

– Amarílis irá dar o primeiro passo. Hoje à noite.

– Para onde vamos?

– Por enquanto, lugar nenhum. Veremos.