Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
11 Amarílis
Voltamos para o quarto onde Theo, impacientemente, esperava.
– O que ela queria? – Theo perguntou.
– Temos que sair. – Falei.
– Por quê?
– Amarílis iria fazer uma visita sem avisar hoje à noite. – Respondi. – Phillip, ele já pode caminhar?
– Não deveria, mas não temos outra escolha. Já sabe para onde vamos?
– Tenho uma idéia. Arrumem-se, eu já volto.
Fui até a minha mala e a levei para a sala.
Sentei-me na sala com a mala do meu lado no sofá e a abri.
Lá dentro vi o meu paraíso. Facas, armas, estiletes e outros objetos perigosos que eu amo.
Botei um estilete na manga da camisa, uma faca no cano da bota e uma RUGER LCP – Se você não sabe o que é procure em uma ferramenta de pesquisa de internet mais conhecida como Google. – na cintura da minha calça.
– To saindo! – Gritei para que eles me escutassem lá do quarto e sai.
Adivinhem para onde eu fui? Isso mesmo; fui para o casarão. Para o covil. Para o ninho da cobra. Para o meio da matilha vestida de ovelha. Para... Enfim, acho que vocês entenderam.
Chegando lá, abri a porta silenciosamente e entrei com o estilete na mão.
Subi as escadas e fui direto ao quarto de Amarílis, estava escuro como sempre, mesmo assim entrei e fechei a porta.
Eu não enxergava nada.
Foi ai que as luzes se acenderam. E Amarílis sorria maleficamente.
– Isso é invasão de privacidade Bella. – Amarílis estava com uma camisola branca, igual a do meu pesadelo, que ia até o chão. Os cabelos ruivos soltos e emaranhados. Ela por um milagre estava sem maquiagem. A cama desarrumada; ela acabara de acordar.
– Não ligo.
– Como está Theo? Ele está sentindo falta das uvas? Por isso que você veio até aqui? Poderia ter pedido querida.
– Sim, vou querer as uvas. – Falei em um tom angelical, totalmente falso e fui me aproximando dela; ela nem se mexeu. – Vou querer elas para enfeitar o seu caixão querida. – Com essa deixa, voei em cima dela com o estile em punho e deixei um grande corte no lado da bochecha dela; caímos no chão.
Amarílis reagiu rapidamente me rasgando o braço com suas unhas – ou garras – e eu deixando ela toda cheia de cortes com o estilete. Acontece que o estilete não era uma boa arma. Foi ai que eu me lembrei da faca que eu tinha guardado na minha bota. Nem percebi que estava me cortando. Empurrei com toda a minha força Amarílis para longe e tirei a faca da minha bota, me machucando mais ainda. Amarílis estava vindo novamente para cima de mim. Rolei para o lado.Amarílis estava ensangüentada, furiosa e muito estranha. Seus olhos pareciam ter sidos substituídos por duas esferas pretas. Em seus dedos não havia mais unhas, e sim garras. Braços finos e brancos. Um sorriso incrustado em sua face.
– Está cansada? – Não respondi e fui para cima dela novamente com a faca em punho.
Consegui imobilizá-la contra o chão com a faca no seu pescoço.
– Suas... Ultimas... Palavras? – Perguntei, exaurida.
– Até logo, amiguinha. – As suas garras estavam começando a furar meus braços. Cortei sua garganta.
Não foi o suficiente, ela ainda sorria. Afundei a faca um pouco mais. Amarílis ainda sorria.
Que ser era aquele?
Separei a cabeça de Amarílis do corpo. E por mais incrível e inacreditável que isso que vocês iram ler: ela ainda sorria.
Afastei-me daquele corpo deixando um leve rastro de sangue da faca que eu arrastava junto comigo.
Encostei-me na parede e me levantei.
Fui devagar até a cabeça e uma lágrima de sangue escorria pelo rosto paralisado de Amarílis. Aquele sorriso petrificado me machucava.
Não chorei.
Fui até a cama desarrumada e peguei um dos lençóis amarrotados para embrulhar a cabeça dela. Quando voltei, seus olhos já haviam voltado ao normal; já haviam voltado ao tom azul. A boca estava fechada em uma linha rija.
Quando parei de observar aquilo, me virei para trás para pegar o lençol, que já tinha se manchado com o sangue que havia no chão. Virei-me novamente para Amarílis, e seus olhos haviam se fechado e agora havia duas lagrimas de sangue, uma de cada lado do rosto.
Embrulhei de uma vez a cabeça dela e coloquei em cima da cama. O corpo, nem mexi e lá ficou ele no chão.
Sai me achando vitoriosa pela porta do quarto, deixando a mesma escancarada.
Quando estava descendo as escadas, sou atingida por um tiro e cai rolando degraus abaixo.
O tiro havia me acertado na perna direita.
Fui me arrastando até a parede e vi que quem havia atirado em mim, havia sido Ethan. O desgraçado ainda estava vivo.
– Pensou que iria sair daqui assim?
– Assim como?
– Toda suja de sangue.
– Queria que eu saísse como? – Porque ele estava me perguntando aquilo depois de me dar um tiro?
– Morta. – Ele abriu um sorriso. – Mas não vou te matar agora. Vou te levar para uma pessoa.
– Amarílis está morta.
– Eu sei, e obrigada. Eu estava assistindo tudo. Eu estava lá.
– O que? Porque não a ajudou?
– Serio isso que você está perguntando?
– Sim.
– Não irei responder. – Ele desceu as escadas. – Vamos logo, a pessoa está esperando. – Ethan me pegou no colo; e eu fiquei me debatendo, mas os braços dele pareciam ferro.
– Para onde você esta me levando? Cadê Eleanor?
– Chega de perguntas! Meu deus como você é chata. Não sei como Amarílis agüentou manter você viva todo esse tempo.
– Também não sei.
– O que?
– Nada. – Desisti de me debater, era inútil. E eu ainda tinha a arma.
Ethan me levou até uma porta dos fundos – que eu nem sabia que existia – que levava até o beco do lado do casarão. Minha perna latejava.
– Vai demorar muito até chegarmos ao meio de transporte? Minha perna está latejando por sua culpa.
– Nossa me desculpe se tive que dar um tiro em você para que você não fugisse. – Falou ele com o maior sarcasmo. Achei incrível ele estar tão bem humorado; imagine só: uma pessoa te da um tiro de propósito, diz que vai te seqüestrar, mas te ajuda a ir até o carro porque te deu um tiro e você não pode andar. E ainda por cima, fala normalmente com você.
Incrível não?
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