Night Secrets

2 Capítulo 2: Lobisomem


Notas iniciais
Segundo capítulo da história! Espero que gostem. Provavelmente o próximo capítulo sai daqui a uma semana, na segunda-feira. Boa leitura!

Jack corria sem rumo pela floresta, era de noite e estava escuro. Ele estava indo mais rápido do que o normal, não era como um humano. O vento que vinha de encontro a seus olhos não o incomodava, ele se sentia como se pudesse voar, ou algo parecido.

Ele para perto de um lago, a lua estava refletida nele e o iluminava. Ele caminha para mais perto, a água começa refletir sua face. Não era ele, não era Jackson, era uma criatura desconhecida. Orelhas pontudas, olhos vermelhos, pelos por toda a parte.

Jackson tinha uma ideia do que era aquilo, e temia estar certo. Era um lobisomem, ele sabia que era. Seu corpo estremece, ele vê aquele rosto se deformando com as águas se agitando por causa de uma flecha que atingiu o Lago.

Ele nota que ela veio do outro lado do lago, fora atirada por uma mulher. Loira, alta, seu olhar fixo em Jack demonstrava repugnância e uma enorme vontade de matar. Ela atira outra flecha com sua besta e ela vem de encontro ao rosto do garoto.

Jack abre os olhos, estava em sua cama, em casa, seguro. Era um sonho, ou melhor, um pesadelo. Ele se levanta da sua cama, estava todo soado. Faltava pouco mais de meia hora para ir para o colégio, ele decide já tomar banho para se adiantar. Ou talvez quisesse só evitar outro pesadelo.

Ele coloca uma música não tão alta para tocar enquanto toma banho, o que era quase um ritual. No chuveiro ele toca no local onde deveria haver uma cicatriz, lembranças do dia em que foi arranhado vem em sua mente. Ele se sentia diferente desde aquele dia.

Por mais louco que parecesse, ele podia escutar até mesmo os batimentos cardíacos das pessoas. Sua visão alcançava lugares impossíveis para um olho humano, e não era só isso. Ele havia ficado mais forte, ágil e rápido.

Todas essas coisas já estavam fazendo o jovem rapaz ficar louco, ele queria respostas, entender o que estava acontecendo com ele e o porque de ele estar sonhando com coisas estranhas. Ele precisava falar com alguém.

Ele termina o banho, se apronta e espera a hora de ir para a escola.

XXX

Alunos iam para um lado e para o outro, as mesas do refeitório se enchiam aos poucos. O som dos passos estavam mais altos do que o normal para Jacks, estavam o incomodando, machucando seus tímpanos.

O clima não era agradável, estava calor, muito calor. As várias lâmpadas acesas espalhadas pelo teto do local não ajudavam nesta situação, pelo contrário, pioravam. Jacks nunca se sentira tão incomodado naquele lugar.

—Anda logo!

Algum dos meninos que estavam atrás de Jackson na fila para pegar o lanche avisa ele. Jackson estava com a mente cheia e perturbada, ele se controla para não sair correndo dali enquanto segue adiante na fila.

Após pegar o lanche, ele procura pela mesa onde Beth estaria. Sem muito esforço ele a avista e sai caminhando para chegar até ela, com vários alunos de obstáculos e seu cabelo caindo nos seus olhos o incomodando.

—Olha por onde anda! – Diz uma aluna que Jackson acabara de esbarrar.

—Desculpa. – Ele diz sem nem mesmo olhar para a menina.

Depois de driblar mais alguns alunos ele finalmente chega à mesa, Beth estava conversando com Liv e quando percebe Jacks, o nota com estranheza. Ela estava com seu cabelo longo solto, uma blusa branca não muito justa que havia ganhado do namorado, e seus olhos acinzentados encaravam Jackson.

Jack beija a garota no rosto e se senta rapidamente em uma cadeira de aço, ele se perguntava porque as amigas quase nunca saem de perto uma da outra. Beth deixa passar alguns minutos de silêncio até começar a questiona-lo.

—Você tá bem? – Ela pergunta aparentando estar preocupada.

Jack não queria contar sobre o que estava acontecendo, não para Beth. Ela era muito importante para ele e o rapaz não a queria pensando que ele está ficando louco.

—Sim, só estou com uma gripe horrível, acho que por causa daquele dia. – O garoto responde.

Os amigos evitavam falar naquela noite, a notícia de que eles estiveram em um local em que uma menina fora possivelmente sequestrada ou assassinada não seria boa se chegasse aos ouvidos da polícia.

Mas não falar sobre o que aconteceu estava deixando Jackson louco, ele precisava confessar a alguém sobre o que estava passando, mas alguém em que ele podia realmente confiar.

A presença de James era cada vez mais perceptível por causa do tom da sua voz aumentado gradativamente a cada passo que dava até a mesa onde Jack estava. O garoto estava conversando com uma menina que seguiu por um caminho diferente.

Ele estava com seu visual geek de sempre, óculos, camisa xadrez por cima de uma camiseta com um símbolo do Batman e calças pretas. Sacudiu os ombros de Jack, cumprimentou as meninas e se sentou ao lado do amigo, e percebeu que ele estava estranho.

—É impressão minha ou o clima aqui tá meio tenso? – James pergunta.

—Jack tá gripado. – Liv diz.

James olha com uma expressão confusa para o amigo.

—Gripado? Cara, parece que você foi atropelado por uma manada de elefantes. – Diz James.

Jack apenas dá uma olhada estranha para o amigo.

—Eu estou bem, só não consegui dormir muito bem essas noites. – Jack diz

—Que papo mais entediante... – Liv que não estava nada interessada na saúde de Jack diz.

Ela começa a conversar somente com Beth sobre outros alunos, adorava fofocar, as vezes era irritante e desagradável por causa disso. Também tinha o hábito de ficar enrolando mechas de seu cabelo ruivo no dedo indicador enquanto fofocava.

Jack não se preocupava com a conversa das duas, ele se concentrava em um som que já estava o incomodando faz tempo e não era os passos dos alunos. Ele olha para cima, uma das lâmpadas que estava um pouco distante estava com um brilho mais alto do que deveria.

Ele também nota que ela estava fazendo um som estranho, o som que o incomodava. A menina com quem James estava conversando estava perto de passar por baixo da lâmpada. Jack sente seu corpo ficar automaticamente em estado de alerta.

Ele se levanta rapidamente da cadeira, tudo acontece muito rápido. Beth e seus amigos o olham confusos enquanto ele corre na direção da menina que já estava em baixo da lâmpada.

Jack não sabia bem porque estava fazendo isso mas agarra a menina e a arrasta para frente junto de si, os dois caem no chão. A lâmpada explode, e pedaços de vidro voam pelo ar, principalmente onde a menina estaria se Jack não a salvasse.

Faces assustadas encaravam o garoto, ele não sabia o que fazer. Ele olha para a menina que acabara de salvar e o olhar de pavor e agradecimento ao mesmo tempo o deixava mais confuso. O jovem sai correndo em direção ao banheiro masculino que ficava um pouco distante dali, James vai atrás.

XXX

O suor que escorria em seu rosto pingava na pia, Jack estava de pé com o corpo inclinado na pia, encarando seu reflexo. Estava assustado e confuso, não sabia o que fazer. Escuta alguns passos, James abre a porta.

—Cara, o que foi aquilo? – Ele pergunta agitado.

Jack resolve contar o que estava acontecendo com ele, era seu melhor amigo, ele podia confiar nele.

—Eu não sei... – Jack fala gaguejando.

—Tem alguma coisa acontecendo comigo. – Ele continua.

James fica confuso, não estava entendendo o amigo.

—Como assim? – Ele pergunta.

Jack dá um longo suspiro e conta tudo, desde o arranhão que desapareceu até as coisas que agora podia fazer. James fica sem fala, em silêncio ele tenta lembrar das coisas que aconteceram naquela noite.

—Não me ache louco, por favor. – Jack pede.

James suspira.

—Uivos. – Ele diz.

—O que? – Jack pergunta.

—Ouvimos uivos aquele dia, você sabe o que quer dizer. – O amigo responde.

Jack sabia mesmo o que queria dizer, ele só estava com medo. James caminha para mais perto do amigo, coloca a mão em seu ombro e mesmo não estando acreditando completamente no que vai dizer ele fala:

—Jack você é um lobisomem.

O corpo de Jackson estremece.

XXX

Beth seguia para a saída da escola juntamente de Liv, o som irritante do sinal tinha soado a alguns minutos. Jack já tinha ido embora, conseguiu sair mais cedo dizendo que estava doente. O que podia ser verdade.

O sol não estava perdoando as duas jovens que seguiam para o carro de Beth, elas já estavam no estacionamento. Uma figura musculosa se aproximara das duas, causando um certo susto em Beth que só viu a pessoa quando se virou.

Ele era alto, musculoso, tinha olhos azuis e Beth jurou que ele trabalhava como modelo. Não era muitos anos mais velho que a menina, mas aparentava ser bem mais maduro que elas, e mais sério.

A menina já estava ficando sem graça perto dele, ele estava a encarando, como se estivesse a analisando antes de a perguntar alguma coisa. Beth não fazia ideia do que era, mas já estava ficando com um certo medo.

—Vocês são amigas de Jackson Hayes? – Ele pergunta com uma voz rouca e sedutora, talvez um pouco mais sedutora para Liv.

Beth nunca havia o visto na região, não imaginava que relação Jack poderia ter com esse homem. Seria uma boa ideia dizer que sim? Que elas eram amigas dele? Os pensamentos de Beth foram interrompidos.

—Sim, eu sou Liv. Essa é Beth, a namorada dele. – Liv diz sem nenhuma preocupação.

Beth olha a amiga com um olhar que as duas já conheciam, era uma espécie de aviso que significava “eu vou te matar”.

—Prazer, eu me chamo Alex. Vocês sabem se o Jackson está aqui? – Ele diz.

Beth ficou mais confusa com a pergunta, ela certamente tiraria uma satisfação com o namorado depois sobre quem é esse Alex. Mas agora ela só queria dizer que não sabia onde seu namorado estava e terminar aquela estranha conversa.

—Ele deve estar na casa dele. – Liv diz.

Mais uma vez, Beth lança o mesmo olhar para Liv. As vezes ela se esquecia que tinha escolhido a pessoa mais impulsiva do mundo para ser sua melhor amiga.

—Ah sim, obrigado. – Diz Alex, parecendo satisfeito, mas não com a resposta de Liv.

Ele deixa as duas meninas a sós.

—Eu que agradeço. – Liv diz para si mesma olhando enquanto Alex se distancia delas.

—Você é maluca. – Beth afirma.

Liv balança o cabelo.

—Sou mesmo. – Ela diz.

—Fica tranquila, eu só disse que Jack estava na casa dele, não quer dizer que esse Alex saiba onde é. – Ela continua.

Beth solta um “uhum” e Liv dá a partida no carro assim que as duas entram.

XXX

O som da bicicleta sendo jogada no chão alerta a Sra. Hayes da chegada do filho, que entra discretamente na casa. Se ele tentava fingir que estava tudo bem, falhava miseravelmente.

A mãe de Jack, Elizabeth, examina-o por alguns segundos. Pele suada, cabelo bagunçado, olheiras, ele não costumava ser vaidoso mas nunca tinha ficado tão desleixado a esse ponto.

—Você saiu mais cedo, onde ficou esse tempo todo? – Sua mãe o questiona com ar de superioridade.

Jakc havia andando por um bom tempo de bicicleta ao redor de toda a vizinhança, queria acalmar a mente, esquecer de tudo. Depois parou em um parque, onde conversou consigo mesmo e após isso foi para casa.

—Estava dando uma volta, espairecendo a cabeça. – Ele diz.

Elizabeth balança a cabeça como se não acreditasse no que o filho a respondeu.

—Espairecendo sobre o que? – Ela pergunta.

O rapaz hesita antes de responder.

—Eu acho... Eu não sei. Acho que estou passando por mudanças... – Ele diz se enrolando todo.

—Achei que você já tinha passado pela puberdade. – Elizabeth diz em um tom irônico.

—O que? Não, não é isso. Eu só preciso ficar um tempo no meu quarto, sozinho. – Jack diz.

—Tá bom então...

Elizabeth sabia que uma hora ou outra ele a contaria sobre o que estava acontecendo, era só uma questão de tempo. O garoto não era bom em esconder as coisas, principalmente de seu mãe.

Jack entra em seu quarto e atira sua mochila em uma cômoda que ficava perto de sua cama. Acende as luzes, o que revela a bagunça que o local estava. Roupas espalhadas pela cama, pelo chão etc.

Ele caminha até o banheiro para enxaguar o rosto, uma tentativa de despertar do cansaço que sentia. Seu bolso começa a vibrar, a mente de Jack demora raciocinar que era seu celular. Ele atende.

—Você já está em casa? – Era Beth.

Jack passa sua mão que não estava ocupada por sua cabeça, pousando na nuca.

—Sim. – Ele responde.

—Hoje um cara veio conversar comigo e com a Liv sobre você. – Beth diz.

A mão de Jack cai.

—Que cara? – Ele pergunta confuso.

—Não conheço, ele queria saber onde você estava. – Beth responde.

Jack não fazia ideia sobre quem Beth estava falando, sentiu até um pouco de medo.

—Como ele era? – Pergunta Jack.

—Musculoso, alto, olhos azuis e um pouco assustador. – Beth diz.

—Você não sabe quem é? – Ela continua.

A descrição não havia ajudado Jackson em nada.

—Não faço ideia. – Ele responde.

—Estranho. – Beth fala.

—Se precisar de alguma coisa me ligue. – Ela diz.

—Tá bom. – Jack diz e desliga o celular.

Ele se olha no espelho analisando sua aparência e pensando se conhecia alguém que batia com a descrição que Beth havia feito. Não vinha imagem alguma em sua mente, que já estava ocupada com coisas demais.

Ele se vira abre a porta do banheiro, seu corpo estremece. Em frente a ele estava a pessoa exatamente como Beth descrevera, principalmente na parte em que ela disse “assustador”.

Jack fica sem reação, não sabia o que fazer. Quem poderia ser essa pessoa?

—Jackson? – Diz ele.

Jack hesita um pouco antes de responder.

-Sim, quem é você? – Ele pergunta totalmente sem jeito.

Alex dá alguns passos para frente.

—Me chamo Alex, precisamos conversar.

Jack se assusto tanto com as palavras de Alex, tanto com sua aproximação. Ele queria sair correndo, mas tinha uma certa curiosidade sobre o que Alex tinha a dizer.

—Conversar sobre o que? – Ele pergunta.

—Nó poderíamos ir para outro lugar? – Alex pergunta.

—Que lugar? – Jack pergunta assustado.

—A floresta, ficaremos mais sozinhos lá. – Alex responde.

Jack fica com mais medo do que já estava. Ele não queria voltar de jeito nenhum para aquele lugar.

—Eu posso te ajudar, eu sei o que você está passando. – Alex diz firmemente.

O jovem se espanta, como ele poderia saber do que se passava com Jack?

—Só venha comigo, vai ter as respostas para o que quer. – Continua.

Jack pensa bastante antes de decidir concordar. Alex sai pela janela do quarto de Jack e caminha em direção a floresta com uma agilidade e rapidez incríveis. Jack o segue.

XXX

O clima pela primeira vez não estava frio naquele lugar, mas havia um leve vento. A floresta aparentava estar deserta, ninguém por perto. O sol ainda conseguia iluminar um pouco do lugar.

Alex parou de correr, Jack fez o mesmo. Ele estava ansioso sobre as respostas que Alex prometera.

—Então, o que você queria falar? – Jack pergunta nada sutilmente.

Alex passa a mão pelos cabelos dourados e dá um suspiro.

—Você esteve aqui, há alguns dias. – Alex diz.

Jack mais uma vez se assusta com Alex, como ele sabia disso?

—E você foi ferido não foi? – Ele pergunta.

—Sim, como você sabe disso?

Alex caminha para mais perto de Jack e diz em um tom assustador:

—Eu também estava aqui aquele dia.

Jackson sente um calafrio percorrer seu corpo.

—Eu arranhei você. – Ele diz.

O corpo de Jack estremece.

—Vo.. você é u... um lobisomem? – Ele pergunta gaguejando.

-Licantropo é um termo mais correto. – Alex diz.

—Eu estava fugindo de pessoas que estavam me caçando, eles são caçadores, nos perseguem a anos. – Ele continua.

—Nos? Existem mais lobisomens? – Jack pergunta surpreso.

—Claro que existem, assim como existem vampiros, bruxos e até mesmo mortos-vivos. – Alex diz como se não fosse nada demais para ele.

—O que? Essas coisas todas aí existem? Não. Isso é impossível.

—Não, não é impossível, e agora você também é um de nós e precisa ficar comigo se não vai correr perigo. – Alex responde.

—Perigo? A única pessoa que fez algo comigo foi você! Porque me arranhou?! – Jack pergunta gritando.

—Não foi intencional, você apareceu de repente no meu caminho. – Ele responde.

Jack não sabia se acreditava em tudo que estava ouvindo, era informação demais, ele não estava entendendo nada. Se ele é um lobisomem, o que será de sua vida agora?

—Eu sei que isso é muita coisa, volte para casa e descanse um pouco, você ainda tem que saber de mais coisas. Quando precisar de mim, eu irei até você. – Alex diz.

Jack sai correndo sem direção alguma, como nunca havia feito em toda sua vida. Ele corria com uma rapidez incrível, com a sensação de que podia até mesmo voar. O garoto não queria escutar mais nada que Alex tinha para o dizer, já tinha ouvido demais.

Jack só queria ir para casa e dormir, dormir muito e talvez depois tentar processar tudo o que havia escutado. Mas por correr tão rápido, acaba escorregando na grama e rolando por alguns metros, ganhou vários arranhões.

Ele se levanta com uma terrível dor de cabeça e avista um jovem olhando fixamente para ele, atrás dele uma menina. Havia uma barraca atrás dos dois, pareciam estar acampando.

Jack não sabe o que dizer, ele fica intacto até sentir uma pancada em sua nuca e cair desmaiado no chão.

Notas finais
Não se esqueçam de comentar, quero saber das suas opiniões!