Nicest Thing
6 Feels Like Letting Go
Notas iniciais
Para sua sorte, as apresentações transcorreram sem infortúnios: Santana cantara If You Can Afford Me (Katy Perry) sugestivamente para Brittany – o que causou um certo desconforto na sala -, Tina cantara Pretty Baby (Vanessa Carlton) para Mike – seguindo, talvez, os moldes de Brittany – e, por fim, Mike apresentara Move you Feet (Junior Senior)para Mercedes – os dois gostavam da música, pelo que se pôde observar – sem deixar de lado, obviamente, seus incríveis passos de dança.
Agora, precisava decidir o que fazer: se confessasse que havia mentido para Sam, este com certeza saberia o porquê. Ao mesmo tempo, não queria abrir mão de Quinn – não outra vez... Justo agora que encontrara a música perfeita!
- Ei cara, você tá bem?
Artie se aproximou, ao ver o novo amigo com uma aparência tão abatida. “Putz, tá dando pra ver? Droga, olha só o que ela faz comigo...”, resmungou para si mesmo.
- Tranquilo, bro – respondeu ele, tentando mascarar o desânimo. – Boas notícias! Encontrei quem tirou a Tina pra você.
- Sério mesmo? Valeu, parcero! – exclamou Artie, animado. – Você viu a cara da Tina enquanto a Brittany cantava pra mim? Pff, ela devia se conformar que nós somos oficialmente um casal agora! E aquela música que ela cantou, super sem graça!
Puck não se importava com nada que Artie dissera, mas fingiu estar interessado. “Por que eu resolvi bancar o bom moço mesmo?” se perguntava, distraído, quando outra pessoa se juntou à conversa.
- “Hey, hey!” – exclamou Sam, animado. Diante dos olhares de interrogação dos outros dois, se justificou – Minha imitação Mathew McConaughey! Caramba, ninguém vai no cinema por aqui?!
- Parecia o Krusty dos Simpsons bêbado... – comentou Artie, baixinho.
- Err, então, Puck – recomeçou o loiro, envergonhado. – Conseguiu descobrir quem tirou a Quinn pra mim?
- Consegui, sim – disse Puck, de maneira um tanto robótica – Foi o Artie aqui. Ele tava querendo escolher a Tina mesmo, então...
Artie fitou os dois, confuso. Puck evitava encará-lo.
- Nossa, que sorte! – disse Sam, animado. – Que coincidência, né, Artie?
- Até demais! – sorriu Artie, disfarçando. Mas foi aí que entendeu o que havia acontecido.
- Bom, eu vou indo – disse Puck, pendurando a mochila em um dos ombros. – Tenho que mudar algumas coisas...
- Suave! – despediu-se Sam. – Ah, cá entre nós, Puckerman: quem você tirou?
Artie olhava para Puck, estupefato. Este, sem se virar, respondeu:
- A Rachel.
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Quando as apresentações chegaram ao fim, Quinn e Rachel permaneceram sentadas. A loira olhava-a de cima, mas não podia ver seu rosto. Sentiu pena dela.
Finn havia se afetado tanto com a música que sequer olhou a pequena nos olhos, e muito menos reclamado ou se exaltado. Parecia envergonhado. Foi o primeiro a sair da sala quando o sinal tocou.
Ao ver que estavam a sós, Quinn desceu até o lugar de Rachel e sentou-se ao seu lado. Antes que pudesse encontrar algo apropriado para dizer, ouviu a garota lamentar:
- Eu achei que ia me sentir melhor... – disse baixinho, apertando com as mãos a barra da saia.
- Talvez... – Quinn estava pisando em ovos, desviando de qualquer palavra mais forte. – Talvez outra música...
- Hm – Rachel sorriu, triste. – Acho que nenhuma música me salvaria nesse caso, não é?
- Mas você parecia bem! – disse Quinn, inconformada. – Parecia estar extravasando toda a dor dentro de você!
- Isso porque quando eu canto, — começou Rachel, — as palavras não são minhas. É fácil. Achei que cantando uma música mais sincera, me sentiria melhor. Mas não adiantou... – lágrimas começavam a brotar em seus olhos.
- Ah, chega disso, vai! – exclamou Quinn, para a surpresa de Rachel. –Você vai esquecê-lo com o tempo! Eu sei que você gosta dele agora e tudo mais, mas eu também gostava do Puck quando-
- Você gostava do Puck? – perguntou Rachel, um tanto surpresa. “Por que eu falei isso, afinal?”, pensou Quinn, irritada consigo mesma.
- Eu... Via ele de um jeito diferente. – disse Quinn, cuidadosa. – Mas quando descobri que ele ia continuar de sacanagem com a Santana e outras garotas, desisti dele. E agora, eu tenho o Sam! Por isso, é importante você ter confiança!
- Eu não entendo... – começou Rachel, confusa. – Por que é tão importante pra você que eu me sinta confiante agora?
- ... Porque eu... – “vou fazer o mesmo que você”, completou em pensamento. – Eu já estive no seu lugar, sabe? Ano passado.
- Durante a...
- Isso. – interrompeu Quinn. – Quando me tiraram das Cheerios, eu fiquei sem chão. Se eu não tivesse confiança em mim mesma, poderia ter feito alguma estupidez...Mas não, eu tive o bebê, voltei à forma e recuperei meu posto de direito. Entendeu?
- Hm... – Rachel parecia intrigada com o que Quinn dizia. – Obrigada, Quinn. Suas palavras foram bem inspiradoras. – disse, levantando-se confiante e saindo da sala.
- Sou obrigada a dizer o mesmo... – disse Quinn, baixinho.
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“Ok... Considerando quem já se apresentou, as únicas pessoas que podem ter tirado a Santana são o Artie, o Puck, a Quinn, a Mercedes e o Sam – se for ele, vou me ferrar, já que ele é meu amigo secreto... Vou ter que falar com todos. Que sorte, o Puck chegou agorinha!”
Puck estava cansado e desanimado, nem parecia o Puck de sempre. Passava pelos novatos e nerds sem encostar-lhes um dedo, para a surpresa destes.Finn hesitou em chamar sua atenção, mas o fez:
- Puck!
O rapaz virou lentamente e se aproximou. Parecia um zumbi.
- E aí, Finn. – cumprimentou ele.
- Beleza? Haha, então... – começou Finn, nervoso. – Escuta... Tá afim de trocar de amigo secreto? Eu meio que precisava-
- Ah, vou te parar aí mesmo, cara – interrompeu Puck. – Você não vai querer trocar COMIGO, acredite. Especialmente você... Foi mal.
- Hm, tudo bem... – disse Finn, sacando a indireta. – Viu o Artie por aí?
- Há, ele não vai querer trocar meeesmo – disse Puck, rindo. – Nem perca seu tempo. Ah, o Sam também não.
- Velho, você sabe o amigo secreto de todo mundo?! – exclamou Finn, meio irritado. Mas após pensar no que disse, teve uma idéia. – Espera aí... Você sabe quem tirou a Santana???
- Não. – respondeu, entediado.
- Pô ,meu! Ah, tanto faz... – desistiu Finn, cansado. — Pelo menos agora, só pode ser a Quinn ou a Mercedes...
- E por que você quer tanto tirar a Santana? – perguntou Puck, desconfiado.
- Eu não quero. Eu PRECISO! – disse Finn num tom desesperado,se despedindo e sumindo na multidão em seguida.
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- Você não achou Avatar em Blu-ray muito melhor que o normal?! – perguntou Sam, empolgado.
- Ah, aham! – respondeu Quinn, com um falso ânimo. “Como se não bastasse já ter visto esse filme umas 15 vezes, ainda tenho que conversar sobre ele?!”, pensou, indignada.
- É bom você se preparar: na próxima semana, começamos Star Wars! – exclamou o garoto, com os olhos brilhando.
- Vou precisar me preparar mesmo... – disse Quinn, deixando transparecer seu desinteresse.
- Ah, qual é! – disse o loiro, abraçando a namorada. – Concessões são a base de um namoro saudável! Eu vou à igreja contigo toda semana!
- É verdade, desculpa! – disse Quinn, beijando-lhe o rosto. – Eu estou meio distraída hoje, é isso...
- Seu dia vai melhorar, eu prometo! – disse Sam, com aquela carinha fofa que sempre fazia quando dizia coisas desse tipo, que sempre arrancava um lindo sorriso da boca da garota.
Nesse momento, Puck passou pelos dois. Sam acenou-lhe, sem resposta. Quinn e ele se olhavam fixamente, até ele se afastar. O loiro disse alguma coisa que Quinn não conseguiu ouvir – aquele olhar intenso havia lhe deixado atordoada. Suspirou, e manteve as aparências com o namorado.
- Quinn!
A garota levou um susto. Olhou para o outro lado, e viu que era Finn quem lhe chamava. O casal fitou o garoto com uma expressão de interrogação.
- Posso falar com você? É rapidinho, Sam! – disse, virando-se para o outro.
- Por mim, sem problemas! – disse, simpático. – Vai lá amor, a gente se vê depois!
- Ok! – disse Quinn, ainda meio confusa. Ele tinha acabado de lhe chamar de “amor”?
- Então... – disse Finn, meio sem jeito. Desde toda a história da gravidez, nunca havia parado para conversar direito. Mas achou melhor deixar tudo isso de lado. – Eu tirei o Sam no amigo secreto, você quer trocar comigo?
Os olhos da garota se arregalaram. Ela poderia se livrar de Puck, e de todo o constrangimento! Seria tão simples... Aí, bastaria cantar uma balada qualquer para Sam.
De repente, sentiu-se dividida. Ainda que fosse apenas um amigo secreto, é uma bela de uma metáfora! Será que ela realmente queria Puck fora de sua vida? Era por Sam que seu coração batia mais rápido? E se fizesse a escolha errada?
Quinn não sabia quanto tempoessa reflexão havia durado, mas foi tempo suficiente para que Finn a fitasse com um semblante confuso.
- Quinn, tá tudo bem?
- Não é nada, só estou um pouco tonta... – admitiu.– Mas eu não sei se quero trocar...
- Ah! Desculpa, esqueci de perguntar! – exclamou Finn, ignorando o que ela dissera. – Você tirou a Santana?
- Não! – respondeu Quinn, como se fosse óbvio. – O que isso tem a ver?
- Foi mal! – disse ele. – Eu preciso tirar a Santana! PRECISO! Esquece o que eu disse, você viu a Mercedes?
Quinn sentiu a raiva borbulhando dentro de si. Ele tinha criado todo esse caso, embaralhado todos os seus pensamentos e colocado-os de cabeça pra baixo por causa da SANTANA? Sério???
Diante do silêncio e do olhar maligno de Quinn, Finn assustou-se e saiu de perto, despedindo-se de qualquer jeito. A garota, irritada, foi ensaiar sua apresentação – pelo menos o sentimento combinaria com a música!
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