Next to Me
80 Next to me - 80
Notas iniciais
Às três da manhã, quando o show acabou, fomos para uma boate e ficamos por lá até as cinco da manhã, quando fecharam o lugar e fomos obrigados a sair.
Killian estava sendo carregado por Tinker. Ele estava muito bêbado, como sempre fica. Não era nenhuma novidade. Ruby estava como ele. Ariel estava-a amparando para não cair no chão. Parecia que os dois estavam fazendo uma competição de quem falava mais besteiras e sorria. Minha cunhada estava bastante louca, mas conseguia andar tranquilamente com as próprias pernas. Graham e Regina eram os mais sóbrios do grupo, eles tinham bebido pouco, e eu não estava nem para lá e nem para cá. Estava uma mistura de Killian e Ruby com Graham e Regina.
Às nove horas da manhã nós batemos na porta de vovó. Quando entramos, corremos logo para as camas que já estavam prontas, apenas esperando por nós e as únicas que tomaram um banho antes, foram Regina e Zelena.
Quando minha morena deitou ao meu lado, toda cheirosa, agarrei-me ao seu corpo, enchi seu pescoço de beijos e desliguei minha mente bêbada para pegar no sono.
•§•
Quando eu acordei, já à noite, estava abraçada a Ava. Não sei em que momento a troca de Regina pela minha pequena aconteceu, só sei que acordei bem agarradinha com ela e minha morena já nem estava mais no quarto. Na verdade, apenas eu, Ruby e Killian ainda estávamos no quarto. Todos já tinham acordado.
Após me espreguiçar um pouco, acordo os outros dois, arrumamos todas as camas e colchões e saímos do quarto. Ao chegarmos na sala, vovó aparece avisando que o jantar já estava pronto.
Depois da janta, ajudamos dona Eva a arrumar a bagunça e saímos para o Garden.
― Rê, se por um acaso... Assim... Só para saber mesmo... — Ela arqueia a sobrancelha. — Você já fez algo além do sexo tradicional?
― Não. — Responde simplesmente e sem demonstrar qualquer reação a pergunta.
― E você não sente vontade? — Ela balança a cabeça negativamente. — Então, se por um acaso nós quiséssemos fazer o que a Ruby propôs, você não aceitaria?
― Só gosto do sexo tradicional, a dois, entre quatro paredes e apenas com a pessoa que eu estou mantendo um relacionamento sério. ― Responde em um tom extremamente sério e eu assinto. ― Mais alguma pergunta sobre isso? — Balanço a cabeça negativamente. ― Você gostaria de participar de algo assim?
― Eu realmente só perguntei por curiosidade. ― Minha morena assente.
O assunto é encerrado e nós ficamos em silêncio, apenas escutando as conversas ao nosso redor, até chegarmos no Garden. Após passarmos pela ponte e tirarmos fotos com as estátuas de patos, sentamos em uma rodinha próximos a maior árvore do lugar.
― Rê... ― Meu amor interrompe a conversa com a irmã e direciona toda a sua atenção para mim. ― Onde você vai passar o natal e ano novo?
― Bem, eu sempre passei com a minha família ou a do Robin. Mas como esse ano a minha mãe não quer nada porque está muito triste com a doença, provavelmente seria com a família dele se ainda estivéssemos juntos. ― Faz uma pausa. ― Eu gosto muito da minha ex sogra e tenho a Tinker como uma irmã, mas não faria sentido algum eu passar as festas com eles. — Balanço a cabeça afirmativamente, concordando. ― Então, eu não tenho lugar para ir.
Ótimo!
― Bem, eu vou passar com os meus pais. — Digo com tranquilidade e finjo não perceber sua expressão triste. ― Assim que chegamos do hospital na terça-feira, eu liguei para eles avisando que iria passar as festas lá. Eu pretendia fazer uma surpresa igual iria fazer se tivesse ido naquela segunda, mas pensei melhor e decidi avisar.
― Hum... — Meu amor resmunga e eu me seguro para não lhe abraçar e beijar.
― E eu quero que você vá comigo. — Revelo, sentindo o meu coração se acelerar. Sua expressão nitidamente triste logo dá lugar a um lindo sorriso. — Você achou mesmo que eu iria querer passar longe de você, ainda mais sabendo que você poderia passar sozinha? — Indaguei, fingindo decepção.
― Confesso que sim. — Fala baixinho, parecendo envergonhada e eu levo a mão até o peito e abro a boca, fingindo estar ofendida. — Você tem certeza disso? — Seu tom sério e preocupado não me deixa dúvidas para entender sobre o que ela está perguntando.
― Uma hora eles terão que saber e eu não quero mais esperar. — Digo com firmeza. Se passamos por Cora Mills, com certeza passaríamos pelos meus pais que eram quase duas cópias do Sr. Henry. ― Desde que voltamos a namorar que eu estava planejando te levar comigo para você conhecer eles dois.
― Tudo bem, então! — Minha morena sorri. — Eu estarei lá com você. ― Acaricia meu queixo e beija meus lábios suavemente.
Encerramos o assunto e meu amor volta a participar da conversa com Zelena, dona Eva e Graham, que tinha um olho nas duas mulheres e o outro no pequeno Josh e na Ava, que brincavam bem no meio da nossa roda de conversa. Alguns minutos depois a minha morena sai de perto de mim, senta-se ao lado de vovó e inicia uma conversa só com ela. Eu logo me jogo ao lado de Killian, Ruby e Ariel e entro na conversa deles.
Em certo momento, tocamos no assunto de eu e Killian estarmos namorando duas professoras e eu pergunto se eles em algum momento chegaram a desconfiar de mim e Regina, assim como em algum momento desconfiaram de Killian e Tinker. Comigo e Rê eles disseram que não desconfiaram porque nós éramos muito amigas e não viam nada de anormal no jeito que nos tratávamos e para Killian, nós também dissemos que não porque nunca vimos nada entre ele e Tinker, exceto eu, quando vi os dois na festa da escola, mas isso já foi bem depois, e porque ele estava sempre dando em cima das professoras, exceto MM, além dela.
Tarde da noite, após darmos uma pequena volta pelo Garden e tirarmos mais algumas fotos, voltamos para a casa de vovó
•§•
Uma semana depois
― Rê, nós vamos nos atrasar se você demorar mais. — Gritei do lado de fora. Fazia mais de quinze minutos que ela tinha dito que já estava saindo e até agora nada. — Ruby, cuide bem da minha pequena, viu? — Peguei Ava nos braços e a apertei bastante. Já estava triste por ter que deixar meu amorzinho.
― Pode deixar, loira! A Ava estará em boas mãos. — Lucas garante, juntando-se ao nosso abraço.
― Cuidem bem da minha casa, também! ― Acrescento seriamente e Ruby ri. Mais cedo ela e Killian tinham soltado que fariam várias festinhas enquanto eu estivesse fora.
Regina finalmente sai de casa e Killian logo corre ao seu encontro para ajudá-la com as malas. Colocamos tudo no porta-malas, despedimo-nos dos quatro, Killian, Ruby, Ariel e Ava e entramos no carro de Rê. Graham, Zelena e Tinker nos levariam para o aeroporto.
•§•
― Façam uma boa viagem, meninas. — Minha cunhada nos deseja com a voz embargada e nos puxa para um abraço apertado. Tinker e Graham acabam se juntando ao abraço. — Cuidado lá e que tudo dê certo. ― Beija as nossas bochechas e se afasta.
― Obrigada, Ze! ― Rê agradece com a voz embargada. Seus castanhos estavam marejados. Nós só iriamos passar alguns dias, mas quem olhasse de longe entenderia que passaríamos anos fora ou nunca mais voltaríamos.
― Mandem notícias e fotos todos os dias até a volta. — Tinker diz em um tom sério, mas acabamos rindo.
― Pode deixar! Vamos deixar vocês por dentro de tudo. — Minha morena garante e eu balanço a cabeça afirmativamente, concordando. ― Cuide bem da minha irmã. — Ela pede, direcionando-se à Graham, que prontamente assente, une as mãos na altura do peito e sussurra que promete.
― Tchau, Graham... — Abraço-o com força. — Cuide bem do nosso filho. Assim que voltarmos nós o inauguraremos.
― Vai com Deus, Emma. — Deseja assim que nos afastamos. — E você também, Regina. ― Olha para a minha morena e ela sorri em resposta.
Abraçamo-nos mais uma vez e quando nos afastamos, seguimos lentamente e olhando para trás, em direção a porta de embarque até não poder vê-los mais.
•§•
Depois de um voo que durou quase 16hrs por causa de duas paradas, uma em Filadélfia e outra em Dallas, finalmente chegamos ao aeroporto de Vancouver. Eu estava somente o caco. Minhas costas e pescoço estavam bem doloridos e com Regina não era diferente. Meu amor veio o voo quase inteiro dormindo e metade de sua bunda estava dormente e o pescoço dolorido.
Assim que pegamos nossa mala e chegamos ao saguão, minha mãe e meu pai estavam à minha espera. Eles não sabiam que eu estava acompanhada. Pouco antes do avião aterrissar, assim que entramos em ares Canadenses, eu mandei uma mensagem para o meu pai, avisando que chegaria ao aeroporto em breve.
Ao ver, mesmo que de longe, o grande sorriso do meu pai e seus braços abertos, soltei minhas malas sem me preocupar com nada e com os olhos cheios de lágrimas e já embaçados, eu corri em sua direção. Joguei-me em seus braços abertos e fui acolhida em um abraço gostoso não só dele, mas da minha mãe também, que logo me juntou a nós. Eu os apertei com tanta força que seria capaz de esmaga-los.
― Mãe! Pai! — Murmurei com a voz embargada, apertando eles. — Eu amo vocês... — Beijei várias vezes as bochechas dos dois e os abracei novamente. — Mãe, seu cabelo está lindo! Nunca mais deixe-o crescer. — Comentei sorridente, passando as mãos por ele. Estava curtinho e bem mais loiro do que eu me lembro. — Pai, você está tão charmoso com essa barba. — Ele sorri e faz uma expressão de sedução, causando-me sorriso. — Eu amo vocês... ― Abraço eles novamente.
― Nós também te amamos, minha pequena e estávamos morrendo de saudade de você. — Meu pai diz e beija minha cabeça. — Meu Deus, como você cresceu. — Faz-me dar uma girada no lugar. — Está tão linda!
― Emma... — Minha mãe murmura e eu direciono minha atenção para ela. — Meu Deus, eu nem acredito que finalmente estou te vendo e te abraçando. — Beija minha cabeça e me aperta em seus braços. — Você está tão crescida... ― Sorri docemente.
― Em, quem é aquela moça que veio com você e está sofrendo para chegar até aqui com as malas? — Meu pai pergunta, apontando para trás de mim. Quando eu me viro, vejo meu amor com as nossas malas, andando lentamente para não derrubar nada.
Vou rapidamente com papai até Regina e socorremos ela, tirando todas as malas de suas mãos e deixando-a apenas com a bolsa que estava nas costas. Em seguida, voltamos para perto de mamãe.
― Mãe, pai, essa é Regina. — Minha morena sorri gentilmente para os dois e eles retribuem. — Regina, esses dois aqui são James e Ingrid Swan... — Meu pai estende a mão e logo Rê a aperta. Em seguida, minha mãe faz o mesmo. — Revelo sem rodeios, abraçando meu amor de lado.
•§•
― Vocês não vão dizer nada? — Perguntei ansiosa assim que nos sentamos no sofá da casa deles e eu contei toda a nossa história, mas sem todos os detalhes. Ainda no aeroporto, eles disseram que quando chegássemos em casa, nós conversaríamos melhor.
Embora estivem em silêncio, eu não estava preocupada com uma negativa, e mesmo que a resposta deles fosse uma, não seria nada comparada a negativa de Cora Mills. Meu amor, sentada ao meu lado e olhando para os dois com expectativa era a única que estava tensa.
― Eu não sei o que falar, minha filha, perdão. — Meu pai finalmente se pronuncia.
― Eu só preciso saber se vocês têm algum preconceito, se aceitam ou serão contra e se nos tratarão bem ou mal.
― Eu nunca tive preconceito e sempre tive raiva de quem tem. — Minha mãe diz e eu abro um pequeno sorriso. Pela minha visão periférica, vejo Regina relaxar um pouco. — Mas eu nunca imaginei que você fosse namorar uma mulher. Isso me surpreendeu muito. — Acrescenta e eu assinto. Eu também fiquei surpresa quando me vi apaixonada por uma mulher, ainda mais minha professora. Jamais passou pela minha cabeça que um dia eu iria namorar uma mulher.
― Eu aceito e apoio. — Meu pai fala e o meu sorriso aumenta. — Não tenho preconceitos... ― Balança a cabeça negativamente e franze o cenho. ― Eu amo muito você, Em e só quero a sua felicidade. Eu só preciso saber se a pessoa é do bem... ― Ele olha para Regina. ― Se a Regina for, então eu permito, eu aceito, eu apoio e trato bem. — Levanta-se e vem até mim. — Eu te amo, minha pequena. Se você está feliz, então estarei também... ― Segura meu rosto e olha fundo em meus olhos. ― Isso não te tornará diferente, você continuará sendo minha filha e me amando e eu continuarei sendo seu pai e te amando... — Abraça-me com força e beija minha cabeça. — Seja feliz... — Sorri. Em seguida, olha para Regina e sorri também. — Seja bem-vinda a família Swan e faça minha pequena feliz. — Regina assente e abre um grande sorriso. Seus olhos estavam marejados assim como os meus. Pego sua mão e aperto.
― Eu concordo com tudo que o James disse. — Minha mãe diz em um tom doce. — Seja bem-vinda a família, Regina. — Sorri. — Trate bem a minha filha e será bem tratada. — Também se levanta e vai até Regina, pega em sua mão, pede silenciosamente que levante e a abraça. — Que vocês sejam felizes. ― Deseja e eu sinto a sinceridade em sua voz. Meu pai se junta ao abraço e me puxa também.
•§•
Quando amanheceu, não tive coragem para levantar, mesmo com minha mãe me chamando. Inclusive, eu quase chorei pela nostalgia que senti quando ela chegou no quarto para tentar me tirar da cama. Passei a manhã toda girando de um lado para o outro na cama e dando cochilos e só levantei na hora de almoçar, porque minha barriga estava reclamando muito.
Depois do almoço que mamãe e Regina fizeram, as duas se deram muito bem de acordo com o meu pai, que ainda me disse que passaram a manhã toda juntas, conversando e se conhecendo, papai nos levou para a empresa, localizada no centro de Vancouver. Passamos a tarde toda conhecendo cada cantinho, cada funcionário e aprendendo sobre todos os processos de como fazer peças de vidros e colocar no mercado.
À noite, eles nos levaram para o Stanley Park. O lugar contorna o centro de Vancouver e era lindo e natural. Tinha bastante gente. Passamos pela ponte que liga o centro de Vancouver aos distritos e depois voltamos para a reserva natural que era o Park.
Na manhã seguinte, assim que me acordei, Regina já tomava café com os meus pais. Quando cheguei na sala de jantar tive tempo de ouvir o final da conversa. Regina contava sobre sua mãe estar doente e mamãe a dava esperança e conforto com suas palavras doces. Quando me sentei ao seu lado, vi seu sorriso lindo e olhos cheios de lágrimas e a abracei. Após o nosso momento, o assunto não continuou e meu pai logo passou um papel para Regina. Era uma lista de lugares para irmos. Ela quem tinha pedido na noite anterior.
Assim que terminamos o café-da-manhã, não perdemos tempo e fomos nos arrumar. Tinha muito lugar para ir, muita coisa para conhecer.
O nosso primeiro destino foi o Arco da Paz, um monumento situado no Parque Provincial do Arco da Paz, perto do ponto mais ocidental da fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos, entre Blaine, Washington e Surrey, na Colúmbia Britânica. O Arco mede 20,5 metros de altura e fica exatamente na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá. O monumento tem as bandeiras dos Estados Unidos e do Canadá montadas em sua coroa e duas inscrições em ambos os lados. A inscrição no lado norte-americano diz “Filhos de uma mãe comum” e as palavras no lado canadense dizem “Irmãos que moram juntos em unidade”.
Ao saímos do parque, após inúmeras fotos que tirei do lugar, de mim e de Regina, procuramos um lugar para almoçar e logo que terminamos a refeição, nem esperamos a comida descer direito e já seguimos para o próximo destino. A ponte suspensa de Capilano.
A ponte fica suspensa a 70 metros acima do rio Capilano e possui mais de 140 metros de comprimento. O lugar é de tirar o fôlego de tão lindo e estamos em contato com a natureza o tempo todo. Encontramos com diversos animais pelo caminho, visitamos o museu que conta a história do lugar, tiramos diversas fotos com uns totens que tem espalhados entre as árvores e passamos pelas tantas pontes que ligam uma árvore a outra. Algumas com até 30 metros de altura.
Para finalizar o primeiro dia de turistas por Vancouver, nós seguimos para Chinatown, o bairro mais colorido da cidade e também um dos mais animados. Quando chegamos no nosso destino, seguimos direto para o parque no centro do bairro e, mais uma vez, enchi minha câmera com fotos nossas, principalmente perto das famosas cerejeiras. O parque era cheio de típicas características chinesas. Uma coisa linda.
― Ai, eu nem acredito que estamos aqui. — Murmurei, abraçando meu amor de lado. — Finalmente podemos namorar livremente, sem medos, sem se esconder, sem preocupações, sem nada.
― Parece até um sonho. — Meu amor comenta e eu dou um beijo demorado em sua bochecha. Ela sorri.
― Estou tão feliz por ver meus pais depois de tanto tempo e por eles terem nos aceitado. É tanta alegria que não está cabendo dentro de mim.
― Eu estou do mesmo jeito. — Rê rebate e nós sorrimos. — Meu amor! — Nós paramos de andar e nos beijamos em meio a sorrisos. Regina me abraça apertado e eu deito a cabeça em seu ombro.
De repente, ouvimos uma barulheira de pessoas gritando e nos separamos rapidamente. Assustadas, olhamos para trás e vemos pessoas correndo desesperadas em nossa direção. Por trás da multidão, vejo dois homens apontando suas armas para dois policiais e cercados por outros.
― Vamos sair daqui! ― Empurro minha morena na frente e começamos a correr também. Sabendo que não conseguiremos sair daquela rua a tempo de ficarmos seguras, puxo Regina para uma loja que ainda está baixando as portas. Tiros são ouvidos e o desespero só aumenta. De repente, sinto um impacto forte, minhas pernas ficam fracas e minha cabeça pesa. Não consigo alcançar minha morena que consegue entrar na loja e caio no chão sem cuidado algum. Meu corpo dói ao entrar em contato com a superfície.
Sinto algo queimando em minhas costas e entendo perfeitamente bem que fui atingida. Regina sai da loja e vem para perto de mim. Desespero-me. Ela está correndo perigo se ficar aqui comigo.
― Rê, volta lá para dentro, por favor. — Suplico, segurando sua mão. — Você pode acabar sendo acertada também.
― Emma Swan, eu não vou sair daqui sem você. — Fala desesperada. Seus olhos marejam e as lágrimas logo caem pelo seu rosto. Vejo uma agonia bem ao meu lado e me esforço para virar e ver o que é. Um policial está caído no chão, aparentemente morto. Não há mais correria, apenas os curiosos olhando para mim e para o policial. — Já acabou! — Minha morena diz, levantando-se. — Eu vou ligar para o socorro.
Minha cabeça começa a pesar mais, sinto uma fraqueza tomar conta do meu corpo, minhas pálpebras pesam e minha visão começa a ficar turva. Será que foi assim que Regina se sentiu quando levou um tiro no começo do ano? De repente, o pesadelo no qual Neal matava Regina em minha frente, que eu tive certa noite quando ainda estava com Graham, vem à mente. Talvez ele tenha sido alguma espécie de aviso de que algo ruim iria acontecer, porém não com minha Regina, mas sim comigo. Eu deveria ter procurado alguém para interpretar esse sonho para mim.
― Rê... — Chamei sua atenção e ela voltou para perto de mim, sentou-se no chão e apoiou a minha cabeça em seu colo. Vi suas mãos ficarem sujas de sangue. Do meu sangue. Seu rosto estava coberto de lágrimas, extremamente vermelho e sua veia na testa parecia que iria explodir. Eu estava sentindo o meu corpo mais leve, como se flutuasse. Minhas costas estavam ardendo, as coisas estavam cada vez menos nítidas para mim e minhas pálpebras estavam cada vez mais pesadas. Eu precisava me despedir da minha morena. — Eu quero um beijo. — Mesmo com dor, abri um sorriso e ela me retribuiu. Regina toca seus lábios delicadamente nos meus e eu tento deixá-los unidos ao máximo, mas minha respiração fica pesada e eu sou obrigada a deixa-la se afastar. — Eu amo você. — Abro mais um sorriso e fecho os olhos.
― Emma! — Ouço-a gritar, mas não tenho mais forças para abrir os olhos e lhe responder.
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