Next to Me

81 Next to me - 81


Notas iniciais
Cheguei com o último e maior capítulo de Next to me, narrado inteiramente por Regina. Pela última vez, desejo uma boa leitura!

[Regina]

Eram sete horas da noite. Fazia duas horas que eu estava sentada em uma poltrona totalmente desconfortável na sala de espera do Hospital Geral de Vancouver, esperando qualquer notícia da minha Emma. Eu só sabia que ela ainda estava na cirurgia que deu início desde que chegamos aqui.

Sr. Swan não parava de andar de um lado para o outro, estava muito nervoso. A Sra. Swan estava como eu, sentada em uma poltrona, contudo, sua cabeça estava baixa e seu rosto estava coberto pelas mãos. Ela estava rezando desde que chegamos aqui.

Eu já não tinha mais lágrimas para serem derramadas e já não aguentava mais sentir o aperto em meu peito. Minha mente não parava de me lembrar do momento exato em que vi o meu amor cair no chão e depois fechar os olhos e não abrir mais. Foi desesperador chamar o seu nome e não obter uma resposta. Quando eu conseguia distrair um pouco e esquecer a cena horrível que presenciei mais cedo, minha mente me fazia lembrar de tudo que já passei com Emma, desde o primeiro dia de aula.

Quando eu a conheci, nunca imaginei que seriamos amigas e nem ao menos pensei que teríamos alguma interação além da comum entre um aluno e um professor. Para um professor ser amigo dos alunos ele tem que ser muito legal e muitas vezes fingir demência para certas coisas. Eu não me considerava chata, embora a Emma tenha me dito o contrário diversas vezes, mas era muito exigente. Professor exigente não costuma ser bem visto por aluno. Todavia, fui muito bem surpreendida por ter sido bem aceita pelas turmas e por terem gostado de mim desde o primeiro dia, mesmo sendo exigente, não dando liberdade para brincadeiras, pegando muito no pé de cada um, passando muitas atividades, fazendo provas difíceis e sempre chamando a atenção por conversas intermináveis. Eu só me tornei menos rígida, me abri mais com os alunos, relaxei mais, permiti algumas brincadeiras, ri de piadas e comecei a fazer também, na semana seguinte ao meu desentendimento com Emma. Após essa mudança, minha relação com os alunos melhorou ainda mais e eu logo fiz amizade com os outros professores.

Ao botar Emma para fora da sala de aula no terceiro dia, eu pensei que teria muitos problemas com ela. Swan demonstrou muito, em poucos minutos, que era o tipo de aluna que um professor odeia e costuma ter dor de cabeça. Quando eu a deixei na sala da coordenação e voltei para sala, já foi me preparando mentalmente para atura-la no restante da aula, sem perder a paciência. Depois de receber alguma advertência de Charlotte, a Emma voltou completamente diferente para sala. Não sei o que foi dito e o que aconteceu, mas ela nem parecia a mesma Emma que eu botei para fora de sala. Contudo, em seu olhar estava claro o quanto estava com raiva de mim. Mais tarde eu fiquei sabendo que tinha sido a primeira professora a fazer isso com ela e que todos os outros professores gostavam bastante dela e vise versa.

Anos mais tarde, Emma me confessou que quando retornou a sala, Charlotte lhe pediu que me pedisse desculpas pelo estresse e que deveria ter me perguntado se poderia entrar novamente, contudo, ela simplesmente não quis obedecer e apenas pediu licença e entrou. Após sua confissão, ela finalmente me pediu as desculpas que deveria ter pedido no dia e eu obviamente a perdoei, mas não deixei de relembrar o que fez naquele dia.

Depois desse nosso pequeno desentendimento, nada do que eu pensei que aconteceria, aconteceu e foi uma grande surpresa que aos poucos nós fomos nos aproximando.

Emma não era de prestar atenção nas aulas, mas depois que fomos nos aproximando, ela passou a parar de conversar e olhar para mim ou para o quadro, durante toda a aula. Estava sempre interagindo e respondendo as atividades. Aos poucos eu fui vendo o motivo pelo qual os outros professores também gostavam dela.

O tempo foi passando e nossa interação foi crescendo até que nos tornamos amigas e essa amizade foi para além dos portões da escola. Eu conheci a sua avó, conheci a sua casa, conheci a sua vida particular e ela conheceu a minha, nós passamos a nos ver fora da escola com frequência e passamos a sair juntas. Muitas vezes os seus amigos inseparáveis acompanhavam a gente.

Eu só vim tomar consciência de que meus sentimentos por ela mudaram de direção quando ela me apresentou August, um namoradinho. Após a apresentação, ela até brincou dizendo que queria minha permissão para o namoro. Logo no começo eu pensei que o que eu estava sentindo era apenas ciúme de amizade, como muitas pessoas sentem. Só entendi que estava apaixonada pela minha aluna quando me vi querendo vê-los longes um do outro, com vontade de pedir para Emma terminar o romance e com vontade de querer beijá-la sempre que estávamos muito perto ou abraçadas. Fora a tristeza que sempre me tomava toda vez que eu via os dois juntos, principalmente aos beijos. Aceitar que eu estava apaixonada por uma pessoa muito mais nova do que eu e que além disso era uma mulher e era a minha aluna, não foi nada fácil, ainda mais porque era casada.

Quando eles terminaram o namoro, alguns meses depois, sem remorso algum eu agradeci a Deus.

Ter coragem para tentar alguma coisa com Emma não foi fácil. Tinha muito em jogo e eu não poderia ser tão direta. Eu não podia chegar e me declarar ou chegar e tentar beijá-la. Se algo desse errado só quem sairia perdendo seria eu, que não teria nem mais sua amizade. Por isso, meu primeiro passo foi tentar um beijo no canto dos seus lábios, mas fingir que tinha sido acidental. Logo no começo, eu fiquei louca para saber se ela iria se ligar que não tinha sido acidente, mas depois, o medo de perdê-la caso ela tivesse entendido a minha indireta foi tão grande que decidi evitá-la. Eu senti que tinha sido radical demais e agi na emoção, em vez da razão. Por isso, o afastamento para esperar a poeira baixar foi a minha decisão. Eu pretendia ficar evitando-a até que desse tempo suficiente para o acontecido ser esquecido, mas quando chegou o dia que completava três anos que os seus pais tinham viajado, eu joguei todo o meu medo para o ar e fui procura-la. Eu sabia bem como ela ficava nesses dias e sabia o quanto precisava da minha presença.

Quando eu a encontrei na laje, em uma posição retraída, com o olhar perdido em sua frente, eu só quis confortá-la e ajudá-la a sentir menos tristeza, como eu sempre fiz desde que nos tornamos amigas. Quando fui questionada sobre o beijo, eu gelei por alguns segundos e todo o medo que eu tinha me forçado a deixar de lado, voltou com tudo. O medo da sua reação e do fim da nossa amizade. Mas a sua tranquilidade ao falar do assunto me trouxe uma calmaria tão grande que eu não pensei duas vezes em tentar mais uma vez. Não pensei duas vezes em aproveitar aquela chance que estava sendo me dada tão facilmente. Eu estava tão perto. Nossas bocas estavam tão perto. Eu tentei novamente e consegui. Consegui ser correspondida e tive a certeza de que se eu não tivesse tentado, provavelmente até hoje não teríamos nada, apenas eu amando-a em silêncio. Mas como tudo que é bom dura pouco, o nosso momento acabou. Alguém que só vim descobrir mais tarde que era um ex da Emma, por ciúmes, tentou contra minha vida.

Quando eu acordei do coma, que para mim pareceu apenas horas dormindo, a primeira pessoa que eu queria ver era Emma, mas quem apareceu, foi o meu marido acompanhado de Tinker. Na época eu não me lembrava que tinha sentimentos por ela e que tínhamos nos beijado, então não entendia o motivo pelo qual fiquei tão decepcionada por ver Robin passando pela porta em vez dela e o motivo pelo qual eu queria tanto que ela tivesse sido a primeira a vir falar comigo. Quando ela apareceu, tempos depois, meu coração bateu tão acelerado que até me deu vontade de chorar de tanta emoção. Eu não entendia o motivo de tanta alegria, eu só a sentia correr por todo o meu corpo. Saber que ela não permitiu que desligassem os aparelhos que me mantinham ali e até fez plantão no hospital por minha causa, só fez essa alegria aumentar ainda mais. Mais tarde, quando eu soube que ela cuidaria de mim enquanto Tinker e Robin estivessem fora durante o final de semana, eu fiquei tão eufórica, que eu nem entendia direito. Só sabia que gostava do que estava sentindo.

Os dias foram se passando e eu fui percebendo que já não fazia mais tanta questão de ter o Robin ao meu lado. Eu só pensava em Emma e só queria Emma comigo. Sua presença me completava e me bastava e eu me sentia realizada ao seu lado. E foi assim que eu percebi que estava começando a ter sentimentos maiores por ela. Como eu não me lembrava de nada do que sentia fiquei novamente com bastante medo dela saber e se afastar de mim, então apenas passei a querer mais sua presença ao meu lado para suprimir a minha vontade dela. Para piorar, eu era casada e isso só aumentava o meu medo.

Os momentos que Emma me fazia companhia na cama, ficava comigo no quintal e os banhos eram os melhores do dia. Eu passava o dia esperando por essas horas.

Certo dia, algo de estranho aconteceu. O ex da Emma, que na época eu não sabia, veio atrás de nós duas para terminar o que começou. Foram momentos horríveis que passamos até conseguir fugir e ele morrer. Sem entender nada, perguntei o motivo daquilo e quando ela me contou, o meu coração quase parou. Ela não demonstrou achar um absurdo, porém, não demonstrou que seria legal acontecer. Fiquei abalada sem conseguir entender o que acha, mas, o pior momento foi quando vi minha Emma sangrando e em seguida desmaiando. Eu entrei em desespero. Pensei que a perderia ali, naquele momento.

Após o ocorrido com o ex de Emma, as coisas voltaram ao normal, mas só até ela parar de ir me ver. Minha loira não foi me visitar e nem me respondeu as mensagens durante uma semana. Eu fiquei desolada, sem entender o motivo. Não conseguia dormir direito, não sentia muito sono, não comia direito porque não sentia muita fome, estava sempre com o celular na mão esperando por uma resposta que nunca chegava, todos os dias eu pedia para Tinker perguntar o que estava acontecendo, mas ela sempre chegava com a mesma resposta. Cheguei a pensar que demonstrei algo ou que fiz algo de errado e por isso a afastei de mim, então ficava sempre repassando todos momentos que tive ao seu lado para saber se tinha feito algo de errado ou se tinha deixado transparecer o que estava sentindo. Até que certa noite, quando estava ela, Tinker e Robin conversando na sala de casa, eu descubro, de forma fria, que estava sendo traída. Esse tinha sido o motivo pelo qual meu amor tinha ficado tão longe de mim por alguns dias. Apesar de ter ficado tão mal, eu entendi o seu lado e até fiquei aliviada por saber que não tinha feito nada de errado.

Após minha conversa com Robin, eu chorei de soluçar e fiquei triste, mas não porque o amava, meu coração já estava sobre o domínio de Emma, era completamente dela, eu era toda dela, mesmo que ela não soubesse, mas sim, porque é horrível ser traído e ele era legal comigo, eu o achava uma boa pessoa, uma boa companhia, não imaginei que me enganaria daquele jeito. Perdoei pelo que me fez, mas disse para mim mesma que jamais o queria em minha vida novamente. A única coisa boa daquela noite foi que Emma voltou a minha vida e além de me consolar, eu criei coragem e a beijei, mesmo sabendo que estava colocando tudo em risco e que poderia sair muito machucada e perder a sua amizade, eu arrisquei. Arrisquei e para minha sorte, alívio, surpresa e felicidade, eu fui correspondida com vontade.

Quando começamos a namorar foi lindo e surreal. Eu mal podia acreditar que estávamos mesmo namorando e eu não estava sonhando. Mais lindo ainda foi quando fizemos amor pela primeira vez. Algo que jamais esquecerei. A noite que tivemos naquele quarto foi mágica. Foi a primeira noite mais linda que tivemos. Emma me fez ter sensações que eu nunca tinha sentido antes, além de me fazer se sentir muito amada e desejada. Duas coisas que eu já não sentia a bastante tempo.

Outro momento bom de nosso relacionamento e que merece sempre ser lembrado com muita alegria, foi quando conhecemos a Ava. Aquela pequena roubou nosso coração por completo. Ela fazia a nossa alegria. Tratávamos como se ela fosse realmente um ser humano e agíamos como se fossemos as mamães dela. Cada vez que eu chegava em casa e encontrava minha família dormindo, assistindo ou brincando, meu coração se aquecia e depois explodia de amor.

Tudo entre nós estava uma maravilhosa, cheio de paz, muito amor e carinho, correndo tudo muito bem, até que eu voltei a trabalhar e aconteceu a primeira briga, a segunda, a terceira, o distanciamento e por fim, a separação. Não é algo que eu gosto de lembrar, mas desde que voltamos e estamos em bons momentos, eu me pego lembrando da dor que eu senti quando ela foi embora da minha casa. Era uma dor que eu não queria sentir nunca mais. Às vezes ainda sinto o medo de tudo acontecer de novo, mas depois da nossa última conversa no hospital, após a minha irresponsabilidade, esse medo tem diminuído bastante.

No começo, o meu incômodo era por ouvir as conversas tão pornográficas entre minha namorada e seus amigos, principalmente quando falavam de suas preferências sexuais ou pediam sua ajuda para se saírem bem no sexo, como se ela fosse algum tipo de guru do sexo, e por vê-la tão íntima com Killian. O incômodo piorou quando eu fiquei sabendo que eles já tinham tido algo e Jones nem ao menos sabia que ela estava em um relacionamento. Às vezes acontecia algumas brincadeiras entre eles que não era muito legal de se ver. Eles sempre foram muito íntimos, sempre foram cheios de carinhos e agarrados, eu sabia bem disso, mas passei tanto tempo em casa que esqueci como eles eram. Para completar, depois que começamos a namorar, eu não sei se era impressão minha, parece que essa intimidade tinha se intensificado três vezes mais. Além de sentir incômodo, eu senti ciúme e foi horrível. Era vergonhoso para mim, uma mulher tão velha como eu, sentir isso, ficar insegura desse jeito.

Nós conversamos várias vezes sobre o assunto, nos desentendemos em diversas delas, mas sempre terminávamos resolvidas no fim do dia, até que, eu comecei a observar como a Emma se comportava estando ao meu lado, estando em minha frente, e como ela se comportava estando ao lado dos seus amigos, pessoas da mesma idade, mesma mentalidade e sem a minha presença. Minha namorada mudava completamente quando estava comigo. Principalmente depois de tantos desentendimentos sobre o tipo de conversa que ela tinha com os amigos e sobre como ela ficava com eles. Ela não era ela mesma quando estava ao meu lado e isso não estava me agradando. Meu amor estava perdendo a sua essência, quem ela realmente era por minha causa. Não era isso que eu queria. Eu não queria que minha Emma deixasse de ser quem ela era por minha causa. Eu não queria que ela fosse alguém que não é por minha causa, não queria força-la a amadurecer e nem acelerar esse processo. Não queria que mudasse seu jeito de ser por causa de meu ciúme bobo. Eu estava fazendo mal para Emma Swan e tive certeza disso quando ela me disse que se sentia pisando em ovos com a nossa relação. Eu me senti muito mal quando a ouvir falar assim. Foi como uma facada em meu peito.

Quando eu aceitei o seu pedido de namoro, eu pensei muito no que estava fazendo. Emma é muito mais nova do que eu, está vivendo em uma época diferente da minha. Uma época de aproveitar a vida sem tantas preocupações e responsabilidades, estava começando ser adulta. Enquanto eu já tinha a minha vida feita, ela estava começando a formar a sua. Eu não me encaixava em seu mundo. Eu sabia de tudo isso, mas eu a amava tanto que quis insistir no relacionamento e por isso aceitei seu pedido. Cada vez que eu lhe beijava, eu esquecia tudo e só queria lhe amar. Mas quando eu vi o tanto de mal que eu estava causando, eu não aguentei mais. Eu precisava deixa-la ir, para o seu próprio bem. Eu não queria priva-la de nada, não queria afastá-la de seus amigos, não queria que ela deixasse em algum momento de sair com os amigos apenas para ficar comigo, não queria impedi-la de se divertir, de viver a sua vida, não queria que ela deixasse de ser quem era com os amigos por causa de ciúme meu. Cada vez que eu sentava em sua roda de amigos para conversar, eu me sentia deslocada, percebia que ali não era o meu lugar. Quando ela estava com eles, era tão natural, tão ela mesma, sem medo do que vai dizer e como vai agir, sem precisar se mostrar tão adulta e séria. Eu precisava deixa-la ir, para o seu próprio bem. Eu não queria prende-la a alguém com pensamentos tão diferentes do seu, com 14 anos de diferença. Eu não queria prende-la a alguém que a qualquer momento poderia pensar em casar e ter filhos enquanto ela só pensava em se formar na escola, ainda. Eu me senti a pior pessoa do mundo quando percebi o tanto de mal que eu estava lhe causando. Eu precisava deixa-la ir. Eu estava decidida a fazer isso.

Além de tudo isso, tinha o fator emprego. Emma era minha aluna. Minha relação com ela era terminantemente proibida. Eu corria um grande risco de perder meu emprego se alguém descobrisse, corria um grande risco de nem mesmo conseguir outro, além de que, os pais da Emma poderiam me processar se quisessem.

Eu estava decidida deixa-la ir, mas a verdade é que eu não queria isso. No fundo eu só queria que o ano letivo terminasse para eu ir atrás dela e pedir para voltar.

Nas férias, eu tentei arduamente esquece-la, mas a cada dia que passava, mais eu sentia sua falta, mais eu a queria, mais eu pensava nela, mais eu a amava, mais eu sabia que não conseguiria esquece-la.

Então as aulas voltaram e Emma apareceu com um namorado. Meu coração ficou em pedaços. Pedaços pequenos que não davam nem para ser catados e colados. Eu acreditei que a tinha perdido para sempre. Eu acreditei que o que eu tanto queria para ela, tinha acontecido. O rapaz, Graham, era muito bonito, inteligente, amigável demais e tinha um filho. Foi dolorido demais, vê-la ao seu lado. Sei que não foi sua intenção, namorar com alguém que tem um filho, mas foi bem dolorido eu ter aberto a mão do nosso relacionamento, do nosso amor, por não querer força-la a amadurecer e por não querer prende-la a alguém de mais idade e que a qualquer momento poderia querer uma formar uma família e vê-la com alguém exatamente assim. Todos os dias, antes de sair de casa, eu tinha que engolir as lágrimas e respirar fundo para encarar mais um dia sem a minha loira ao meu lado e vê-la com outro alguém.

Quando voltamos a nos falar, alguns dias depois, eu fiquei extremamente mal em saber que sua mãe esteve doente e eu não pude fazer nada, não estive ao seu lado para lhe ajudar. Eu desejei voltar no tempo para poder lhe consolar.

Então minha mãe também ficou doente e a pessoa que eu mais queria ao meu lado naquele momento, estava muito longe e estava com outra pessoa. Contudo, eu não deixei me intimidar, eu precisava dela, eu precisava muito dela ao meu lado. Eu não me importei se nossa amizade ainda estava abalada e nossa interação era quase inexistente, eu não me importei se ela estava com outra pessoa, eu só queria o seu abraço, eu só queria a sua companhia, eu só queria ouvi-la dizer que tudo ficaria bem. Eu fui atrás dela. Eu fui atrás do seu consolo. Eu fui atrás e consegui. Suas poucas palavras me acalmaram. Graças a Deus, hoje a minha mãe está muito melhor, o tratamento está fazendo efeito e em breve ela fará uma cirurgia conservadora.

Quando minha loira terminou com Graham, mesmo o maior problema ainda existindo entre nós, eu ser sua professora e estar correndo um grande risco, eu não podia perde-la. Então, eu não perdi tempo para ir atrás dela. Não perdi tempo para tentar consertar o meu erro de deixa-la ir. Não perdi tempo em lutar para tê-la de volta. Durante as férias eu tinha revisto os meus erros que estavam lhe causando mal e estava pronta para tê-la de volta. Eu não os cometeria novamente. Eu não a faria mal novamente.

Ao me afastar e me dizer todas aquelas coisas quando estávamos no passeio, foi como ter me dado uma tapa no rosto, sua reação e suas palavras me machucaram, contudo eu sabia que ela tinha razão. Eu não podia fazer o que fiz. Eu não podia terminar com ela e querer voltar quando bem entender como se ela não tivesse poder algum sobre nossa relação, como se só eu quem decidisse tudo. Apesar de ter ficado mal com seu afastamento e suas palavras, eu não desisti de nós, porém decidi dar um tempo. Não queria força-la a nada. Porém, quando a vi na festa da escola com o rapaz que mais tarde eu descobri que se chama Jack, eu desisti completamente da ideia de lhe dar um espaço e assim que a vi sair sozinha, eu fui atrás. Quando a encontrei em nosso cantinho, deitada e com os olhos marejados, eu tive a certeza de que conversaríamos, acertaríamos e eu a teria de volta.

Nossa noite de amor em seu estúdio é outra memória que não pode ser esquecida. Foi outra noite mágica que tivemos, outra noite que Emma me fez ter sensações incríveis e demonstrou em cada beijo e olhar que me dava, o quanto me amava, o quanto me desejava.

O episódio com a minha mãe é algo que merece definitivamente ser esquecido e eu não gosto de lembrar, principalmente dos momentos em que ela disse palavras tão duras para a minha namorada, além de tê-la machucado fisicamente. Naquele dia a minha mãe não machucou somente a Emma, mas a mim também. Embora tenhamos nos acertado posteriormente, eu ainda guardo uma mágoa pelo que aconteceu. Felizmente, apenas ela não se deu bem com a minha namorada, diferente do meu pai, minha irmã e o Dawson que gostaram bastante dela.

O que aconteceu posteriormente a aparição de Robin na balada, é outro momento que deve ser esquecido. A nossa noite estava muito maravilhosa e eu tinha certeza que para mim e para Emma, ela só terminaria na manhã seguinte, da melhor forma possível e em minha cama, mas a aparição repentina de Robin estragou tudo e só trouxe mais problemas para o nosso relacionamento que tinha acabado de ser retomado.

Quando nós conversamos sobre o assunto, eu senti como se um peso tivesse saído das minhas costas. Eu não estava mais aguentando segurar aquilo. Eu precisava contar para ela. Mas dizer para Emma que meu ex marido tinha aparecido e queria reatar nosso casamento e ainda me beijou, não era como dizer para ela que a ração da Ava acabou e ela precisava comprar. Não era um assunto banal que dava para ser tratado por uma ligação ou mensagem. Precisava ser pessoalmente. Não foi com má intenção que eu escolhi não lhe contar nada ainda no dia que aconteceu, eu não queria estragar a nossa noite. Também não foi com má intenção que eu não lhe contei nada durante toda a semana, nós quase não nos vimos por causa da correria na escola.

Emma ficou magoada comigo e eu a entendi. Acho que eu também ficaria se fosse o contrário. Mas não foi só ela quem ficou magoada ao fim da nossa conversa. Emma queria ir embora. Em vez de ficar e tentar resolver a nossa situação, ela preferiu ir embora, ir para longe, desistiu de uma reconciliação. Eu fiquei magoada com a sua decisão. Eu entendi que tinha errado e entendi que ela tinha todo o direito de ficar chateada por eu não ter lhe contado sobre Robin, mas ela não podia fazer isso. Ela não podia simplesmente terminar comigo e ir embora. Eu fiquei muito chateada com sua decisão. Fiquei muito decepcionada também, e por um momento, com raiva. Mas apesar de tudo, eu fui atrás. Eu não podia deixa-la ir embora. Eu não me importei com orgulho. Eu não me importei que tinha sido ela a ir embora e por isso deveria vir atrás. Eu queria a minha Emma de volta e precisava ir atrás, mesmo que o erro tenha sido dela, de querer ir embora. Ao vê-la ao lado daquele garoto, minha mente não demorou em trabalhar com hipóteses. Naquele momento, estava claro como a água o que o tal do Jack estava fazendo ali. Mais uma vez, Emma me decepcionou.

Quando eu cheguei em casa, eu me tranquei no quarto e chorei por horas, até me levantar e decidir sair um pouco. Eu precisava de um tempo, precisava respirar, esvaziar a mente. Minha mente estava muita cheia e faltava pouco para explodir. Nas horas seguintes eu fui irresponsável e entupi-me de álcool e nicotina. Mas no momento, eu não estava me importando em como eu estava sendo imprudente, eu só queria extravasar. Depois de tanto que eu passei, eu só queria um momento para colocar tudo para fora, tudo o que eu não tinha colocado ainda. Só queria esquecer por um momento a dor que eu estava sentindo no peito. Queria esquecer que Emma estava fugindo. Queria esquecer que a vi com outra pessoa. Queria esquecer a decepção que ela me deu com suas decisões.

Enquanto eu ingeria o Whisky e dava uma tragada no cigarro, eu pensava no quanto nós tínhamos nos perdidos. Em algum momento da nossa relação, nós tínhamos nos perdidos. Nós tínhamos nos perdidos e a culpa era das duas. Nós duas erramos, nós duas tomamos decisões erradas durante o nosso relacionamento e nós duas somos culpadas pelo caminho que ele tomou.

Eu estava quebrada. Mais uma vez eu estava quebrada e os pedaços do meu coração não podiam ser colados com facilidade. Eu tinha perdido a minha garota, tinha perdido o meu amor, tinha perdido a mulher que me amou com todo o seu ser, que em cada beijo deixou claro tudo o que sentia por mim, que me fez se sentir verdadeiramente amada e desejada como há muito eu não sentia.

Quando Emma me encontrou em nosso cantinho, eu não tinha forças nem para chorar. Eu só queria abraça-la e senti-la perto de mim outra vez.

Nossa conversa, horas mais tarde, foi tudo o que precisávamos para que nosso relacionamento voltasse a funcionar. Era de um diálogo como aquele que estávamos precisando para nos achar outra vez. Tudo o que dissemos uma para a outra foi o marco para um recomeço. E esse recomeço começou da melhor forma possível, com a gente se assumindo para os amigos em um momento incrível e sendo muito bem aceitas e comigo conhecendo os meus sogros, que para a minha alegria e alívio, são gentis, amáveis, adoráveis, humildes, carinhosos e compreensíveis. Eles nos aceitaram de uma forma tão linda que eu acho que fiquei mais feliz que a Emma.

O nosso primeiro dia no Canadá, eu nunca tinha vindo aqui, então era alegria tripla, tinha sido incrível, embora não tenhamos conhecido muita coisa, e o segundo dia tinha começado maravilhosamente bem e estava terminando da pior forma possível.

O nosso recomeço tinha começado bem e agora está ameaçado após a tragédia que aconteceu e que não sai da minha mente.

Sr. Swan continua andando de um lado para o outro, ele não tinha parado desde que chegamos aqui e a Sra. Swan continuava com a cabeça baixa, conversando com Deus. Meus olhos já estavam marejados novamente e o nervosismo me consumia por dentro. Eu precisava de alguma notícia. Eu já tinha perdido as contas de quantas vezes Tinker e minha irmã ligaram em nome de todos para ter notícia. Mas eu não tinha o que dizer. Todas as vezes em que atendi, foi para repetir a resposta anterior.

Encosto a cabeça na parede e fecho os olhos, mas logo volto a abri-los. As imagens da minha loira caindo no chão, com os batimentos cardíacos ficando quase nulos, ao seu redor ficando cheio do seu sangue, seu pedido para que eu a beijasse e depois ficando inconsciente não saiam da minha mente. Eu não conseguia fechar os olhos, pois tudo isso começava a passar como um filme. Era aterrorizador.

Um enfermeiro entra no corredor com os braços cheios de travesseiros e me chama a atenção, vou seguindo-o com o olhar até que ele tropeça em algo que eu não consegui ver o que era e cai no chão. Por três segundos eu paro de chorar e sorrio. Por três segundos. Se Emma estivesse ao meu lado, provavelmente eu estaria passando vergonha com sua gargalhada pela queda do homem.

O corredor fica brevemente coberto por penas, os travesseiros eram velhos e estavam furados, e uma pequena pena cai em minha perna. Agarro-a antes que caia no chão e a observo atentamente. A pena é um símbolo claro de esperança. Talvez o universo esteja querendo me dá algum recado. Talvez esteja me pedindo para ter esperança de que Emma ficará bem. Agarro-me a ideia e fecho os olhos por alguns segundos, quando volto a abri-los, vejo um médico vindo ao nosso encontro. Meu coração bate acelerado no peito.

Que seja uma notícia boa! Que seja uma notícia boa!

― Boa noite! ― Diz com educação. ― Eu vim para informar que a cirurgia foi um sucesso e que a paciente passa bem e estará sendo encaminhada para a UTI.

― E quando nós poderemos vê-la? ― Sr. Swan pergunta, demonstrando toda a sua ansiedade.

― A paciente ainda está sedada e será monitorada pelas próximas horas, mas assim que acordar e puder conversar, eu peço para que avisem.

― Obrigada! ― Sra. Swan agradece, abrindo um sorriso gentil e o homem vai embora.

Agarro-me a minha sogra e as lágrimas que descem por nossos rostos é de alívio. Nossa Emma estava bem. Sr. Swan logo se une a nós em um grande abraço.

•§•

Uma hora depois, assim que minha loira acorda, ao lado de seu pai ela é levada para um quarto. Com a permissão de um enfermeiro e várias recomendações, eu e Ingrid Swan finalmente entramos no quarto. Assim que meus olhos batem em Emma, que sorria para o pai, enquanto ele falava algo, não aguento a emoção e desabo no choro. Ingrid corre em sua direção e se ajoelha ao lado de sua cama, abraça-a como pode e beija sua cabeça. Sr. Swan logo se junta ao momento.

Quando meus sogros se afastam, Emma me chama com a mão, para que eu se aproxime deles, mas prefiro me manter afastada e esperar que seus pais falem com ela primeiro. Eles eram a prioridade.

Após alguns minutos de conversa e muita choradeira, eles saem do quarto e me deixam a sós com o meu amor. Silenciosamente, ando a passos rápidos até a sua cama e a primeira coisa que eu faço é tocar seus lábios com os meus.

— Eu tive tanto medo de te perder. — Murmuro com dificuldade por causa da emoção. ― Eu amo você! ­― Beijo seus lábios mais uma vez. ― Nunca mais me dê um susto desses, por favor. — Peço com desespero, com o coração acelerado. Embora eu estivesse vendo Emma em minha frente e tivesse a certeza de que ela está bem, eu ainda sentia o medo de perde-la em meu peito.

― Perdão pelo susto, minha morena.

— Eu não quero viver sem você, não quero te perder. — Acaricio o seu rosto e olho fundo em seus olhos. — Na verdade, eu nem consigo mais me imaginar sem você comigo. — Seguro sua mão e a levo aos lábios.

― Nem eu, meu amor. — Sussurra, abrindo um lindo sorriso. — E isso não vai acontecer enquanto eu estiver viva. — Segura meu rosto e olha fundo em meus olhos. — Eu estarei sempre com você. — Enxuga minhas lágrimas com os polegares, abre um sorriso e me beija mais uma vez. ― Eu te amo!

•§•

Dez dias depois a Emma finalmente teve alta e nós voltamos para casa. Os primeiros dias de recuperação em casa, foram bem agoniantes para a minha loira que não podia nem sair da cama. Além de eu não deixar, Ingrid Swan ficava no seu pé o tempo inteiro, reclamando até da forma como ela ficava deitada e do tanto que ela se mexia. Era cômico de se ver. Foi um pouco complicado cuidar de alguém tão inquieta quanto ela, mas com paciência nós conseguimos.

Todos os dias Emma fazia vídeo chamada com sua avó e com seus amigos e passava horas conversando com eles. Eu fazia o mesmo com Tinker e minha família. Muitas vezes, minha namorada só encerrava a chamada porque um dos celulares estava prestes a descarregar. Era o momento mais agitado do seu dia que consistia basicamente em ficar deitada na cama, apenas assistindo séries e filmes ou mexendo no celular. Em todas as suas conversas diárias com Ruby Lucas, Killian Jones e Ariel Fisher, não podia faltar seus minutinhos de conversa com Ava. Algumas vezes a minha loira até chorava e eu acabava chorando também. Assim como Emma, eu estava com muita saudade dela. Em suas conversas com Graham Humbert, seu momento com o pequeno Joshua também não podia faltar. Meu coração ficava quente a cada conversa que eles tinham.

Duas semanas depois, Emma foi liberada para descer da cama, contudo foi proibida de sair de casa. Porém essa proibição só durou até o Natal. Era a sua época preferida do ano e ela não aceitaria ficar em casa. Se a gente forçasse a ficar em casa era capaz dela fugir.

No dia 24 de dezembro nós fomos ao Festival de Luz do Jardim Botânico VanDusen e no dia 25 nós fomos para o Stanley Park, admirar a sua linda iluminação. Na véspera de Ano Novo, faltava pouco para todos estarmos prontos para irmos até o centro de Vancouver quando dona Eva apareceu de surpresa e fez a alegria da neta. Após conversarmos um pouco com Eva enquanto terminávamos de nos arrumar, nós saímos de casa.

A virada do ano na Concord’s New Year’s Eve Vancouver, a festa mais conhecida da cidade que acontece no Canada Place, um edifício no centro de Vancouver, foi um dos melhores que eu já passei. À meia-noite, após vários abraços e felicitações entre nós quatro e até com algumas pessoas ao nosso redor, eu e Emma nos declaramos, fizemos planos para o nosso futuro e nos beijamos como se não houvesse mais nada ao nosso redor. Ao nosso fundo, como um papel de parede, os fogos de artifícios pipocavam no céu. Foi uma cena digna de filmes. Eu corei de vergonha e interrompi o beijo quando meus sogros e dona Eva aplaudiram a cena. Entre risos, Emma me abraçou apertado e logo os outros se juntaram ao ato. Quando chegamos em casa, Emma logo tratou de ligar para os amigos para desejar Feliz Ano Novo e eu fiz o mesmo com a minha família, Tinker, David, Mary Margareth, Gold e Charlotte.

No dia 3 de janeiro, na companhia de dona Eva, Ingrid e James Swan, nós voltamos para os Estados Unidos da América. Os pais de Emma vieram conosco a convite da própria para conhecer o estúdio e fazer parte da inauguração. Chegamos em Portland por volta das 9 horas da manhã e não tivemos tempo para descansar. Logo à noite seria a inauguração do H&S Fotografia e precisávamos ajudar os outros com a decoração.

A festa seria fechada, um evento apenas para pessoas convidadas. Teria um buffet servindo a noite toda que foi contratado por Graham e uma banda cover de época que foi encontrada pela minha irmã. Eu passei o dia inteiro acreditando que apenas nós iriamos para a inauguração e que seria um evento só nosso até chegar no H&S e ser surpreendida por muita gente que eu nunca tinha visto na vida. Eram pessoas influentes da área da fotografia que Graham conhecia e tinha chamado.

Após todos os convidados chegarem, Graham pediu que parasse a música por alguns minutos, pediu que a sua vizinha, Sra. Lewis ficasse com o pequeno Josh por alguns minutos e chamou Emma na frente. Seria o momento de discursos de agradecimento e de cortar a famosa fita vermelha.

― Boa noite! ― Emma desejou gaguejando. Estava nervosa. Também pudera, estava cheio de pessoas importantes além de amigos e familiares. Não tinha espaço para brincadeiras e fazer feio. ― Eu gostaria de agradecer a presença de todos nessa noite tão importante para mim e o meu sócio, Graham Humbert. ― Ela olha para ele e toca em seu ombro. Em resposta, ele abre um sorriso gentil. ― Abrir um estúdio de fotografia era um sonho antigo, mas que nunca cheguei a tirar do papel. Era um sonho que estava adormecido pelo tempo. Meus pais têm uma empresa há alguns anos e eu acreditava que era por esse caminho que eu iria seguir quando terminasse o ensino médio. ― Minha loira dá um sorriso nervoso e bebe um grande gole de água. Estava muito nervosa. Se eu pudesse estaria ao seu lado para lhe ajudar a ficar calma. ― Mas um dia, ao ganhar a minha primeira câmera profissional da minha querida avó e ir ao Central Park para inaugurá-la, eu achei um bebê que parecia estar perdido. O pai apareceu desesperado alguns segundos depois e após entrega-lo a criança nós acabamos por conversar um pouco. ― Ela olha para Graham novamente e ele sorri. Era a primeira vez que eu ouvia a história de como os dois se conheceram. ― Esse pai era o Graham, o meu querido sócio. ― Ela estende a mão para ele Humbert logo a pega. ― A primeira pergunta que Graham me fez após dizer o seu nome, foi se eu sou profissional. Quando eu disse que não, ele quis saber o que faltava para eu ser uma e eu disse o óbvio, eu ainda estava estudando e tinha apenas um sonho de abrir um estúdio para mim. ― Minha loira dá de ombros. ― Foi então que, após perguntar se eu tinha algum parceiro em minha ideia, que ele disse que acreditava em mim e queria ser meu parceiro. Foi a partir desse dia que a nossa parceria nasceu e hoje nós estamos aqui, abrindo o nosso estúdio e realizando um sonho meu. ― Emma cai no choro e Graham a abraça. Meus olhos marejam e segundos depois molham o meu rosto. Eu estava tão orgulhosa da minha loira. Estava tão feliz por vê-la realizar um sonho. Olho para os meus sogros e vejo o enorme sorriso que estampava o rosto de cada um. Estava nítido o quanto eles também estavam orgulhosos da filha. ― Obrigada, Graham! Obrigada por me ajudar a realizar o meu sonho. ― Os amigos da minha namorada se aproximam, assim como Tinker, Zelena e até o Dawson e o meu pai e eu não perco a oportunidade de fazer o mesmo. Unimo-nos todos em um grande abraço e os convidados nos aplaudem. Mamãe era a única que não estava presente, mas não era surpresa. Ninguém esperava a sua presença em algo de Emma.

Quando nos afastamos, Graham faz o seu discurso e no fim, Emma lhe surpreende com um papel. Era um contrato. Emma estava tornando-o oficialmente o seu sócio de novo. Após ler palavra por palavra e preencher todas as linhas vazias com os seus dados, emocionado, Humbert lhe abraça e todos batem palmas. Até mesmo o pequeno Josh, que com certeza não estava entendendo nada, bate muitas palminhas, todo animado. Em seguida, dona Eva entrega uma grande tesoura para a neta e ela, junto com Graham, cortam uma fita vermelha que Zelena e eu seguramos em suas frentes e um rapaz tira uma foto de nós quatro, os convidados batem palmas mais uma vez e a música volta a tocar.

O estúdio H&S Fotografia estava oficialmente inaugurado.

•§•

No fim da festa, após todos os convidados irem embora e apenas a bagunça ficar, Emma me chama para fugir.

― Meu amor, tem muita bagunça para arrumar. ― Aponto para dentro. ― Não vai ser justo irmos embora em vez de ajudarmos. ― Argumento, tentando convencê-la a ficar para ajudar na bagunça.

― Ninguém nem vai notar a nossa ausência. ― Ela dá uma piscadela e eu semicerro os olhos. ― OK! ― Ela suspira pesadamente. ― Eu vou pedir para todos irem para casa e mais tarde nós voltamos para ajudar, está bom?

― Está ótimo! ― Beijo seus lábios rapidamente e ela logo volta para dentro.

Quando volta, alguns minutos depois, nós atravessamos a rua e entramos no meu carro. Emma não tinha bebido nada alcoólico na festa por ainda estar tomando remédio, por isso estava liberada para ir dirigindo. Ao saímos da rua do estúdio, atravessamos o centro de Portland, mas pegamos uma direção diferente da que nos leva para casa.

― Nós vamos para outro lugar antes de irmos para casa. ― É o que me diz antes mesmo que eu questione o motivo pelo qual tinha pego outro caminho.

Minutos depois, entramos na rua da escola.

― O que estamos fazendo aqui, Em? ― Ela apenas dá uma piscadela e sorri.

Minha loira estaciona em frente a Deering e nós descemos do carro. Quero questionar para onde vamos e por que estamos aqui, mas seu dedo indicador posto sobre os lábios me faz desistir. Quando trancamos o carro, minha namorada estende a mão para mim e quando eu a agarro, ela me puxa em direção ao beco do lado do muro da escola. Ao chegarmos na parte de atrás, Swan solta minha mão, aproxima-se do muro e puxa um portão de ferro para o lado, logo revelando um buraco no muro.

― Algum aluno já fugiu por aqui? ― Questiono, chocada com a descoberta. Quem deve ter sido o responsável por essa passagem entre a rua e a escola?

― Só os que sabem da existência dessa passagem. ― Diz com tranquilidade. Sua resposta deixa claro que também já usou aquela passagem para fugir. Semicerro os olhos e ela sorri com fingida inocência.

Emma passa pelo buraco e estende a mão novamente. Hesitante, agarro-a e passo também. Ela esconde o buraco com o portão de novo e pede minha mão mais uma vez. À essa altura eu já entendi que devemos estar indo para a laje, o nosso cantinho, só não entendo o motivo de estarmos fazendo isso agora. Contudo, minha dúvida logo é respondia quando, ao subir as escadas, meus olhos encontram um pano estendido no chão e um balde com água e uma garrafa de vinho.

― Emma? ― Ela olha para mim e sorri. Em que momento ela trouxe essas coisas para cá?

― Eu queria finalizar essa noite incrível em um lugar que é especial para nós duas antes de irmos para casa. ― Minha loira se senta no pano e bate no meio de suas pernas, pedindo que eu me sente. Eu vou sem pensar duas vezes. Estar nos braços de Emma e em meio as suas pernas eram os meus lugares preferidos. ― A água é para mim e o vinho é para você. ― Pega as duas taças ao lado do balde e me entrega uma. Em seguida, preenche a sua com a água e a minha com vinho que já estava aberto. ― Hoje é um dia especial para mim, Rê.

― Para nós duas. ― Corrijo, para deixar claro que compartilho da sua felicidade. ― Eu estou muito orgulhosa de você, meu amor. ― Beijo sua bochecha carinhosamente e ela me aperta em seus braços.

― Nós já passamos por tanta coisa em apenas um ano de namoro que parece até mentira. ― Ela sorri e eu a acompanho. ― Eu quero fazer um brinde. Um grande brinde. ― Levanta a sua taça em minha frente. ― Eu quero fazer um brinde pelo estúdio, pelos nossos amigos, pelas nossas mães estarem bem, por a maioria da nossa família ter nos aceitado, por termos passado por tanta coisa que abalou nossa relação, mas nosso amor permaneceu intacto, sobreviveu a tudo e estamos aqui hoje e um brinde por ter concluído o ensino médio e finalmente podermos namorar livremente, sem amarras, sem medos, sem se esconder das pessoas. ― Meu amor sorri e eu a acompanho. ― Quero fazer um brinde a nós!

― Um brinde ao nosso recomeço, Em! ― Digo, emocionada com suas palavras e levanto a minha taça também.

― Ao nosso recomeço! ― Encostamos delicadamente as nossas taças e bebemos do conteúdo. Em seguida, Emma deixa sua taça no chão, faz o mesmo com a minha e segura meu queixo delicadamente. Nossos olhos marejados se encontram e nossos lábios também, dando início a um beijo apaixonado, repleto de amor e carinho.

― Eu te amo, Em! ― Sussurro entre o beijo e meu amor sorri. Nossas lágrimas descem pelo rosto e se misturam ao ato, misturando o doce com o salgado.

― Eu te amo mais! ― Sussurra de volta e ataca meus lábios novamente, dessa vez com mais afinco e eu sinto a paz e a alegria reinarem em meu ser.

Se eu tivesse deixado o medo tomar conta de mim e não tivesse tido iniciativa, eu jamais saberia qual o gosto dos lábios da mulher que amo, jamais saberia como é ser amada por Emma Swan e como é ama-la, eu jamais estaria aqui, brindando pelo que passamos e pelo nosso futuro. Eu jamais saberia se teria conseguido conquista-la. É como dizem, a gente só sabe se vai dar certo se tentarmos. O não nós já temos. Eu escolhi tentar e foi a melhor escolha que eu já fiz.

FIM

Notas finais
É com imensa alegria e satisfação que termino a fanfic Next to me. Foi quase um ano de estória e ao começá-la, nunca imaginei que chegaria a tanto. Nunca imaginei que detalharia tanto as coisas, a ponto de deixar a fic tão grande. Quero agardecer as 19 recomendações maravilhosas que recebi, aos 133 favoritos, aos 1330 comentários, aos 427 acompanhantes e aos 144.919 acessos que tive. Quero agradecer também, as DMs e ask que me mandaram sobre a fic, os elogios lindos que fizeram e o insentivo no começo. Exatamente tudo! Sou muito grata por vocês terem me dado crédito. Vejo vocês em fanfics futuras! Infos* Playlist: https://open.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/6mIcDffvYXVbJTn6tm4Kf2?si=B-2GFXTgQbmIUOc17bNbPA Natal em Vancouver: https://dicasdocanada.com.br/2017/03/natal-em-vancouver.html#Festival_of_Lights_no_VanDusen_Garden
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!