Next to Me

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Notas iniciais
Cheguei com mais um capítulo, mores! Boa leitura ;)

No domingo à noite, chamei minha morena para sairmos. Queria dançar um pouco e, se ela implicasse por causa da minha idade e do meu machucado no braço, beber também. Quando ela aceitou o convite, eu chamei o Graham e a Zelena para nos acompanhar. Eles prontamente aceitaram. Informei que o local aonde nós iríamos só tocava músicas antigas e para a minha surpresa, os dois curtiam esse tipo de música. Ainda acrescentaram que eram as melhores. Eu claramente concordei. Na hora de irmos, passamos na casa de Tinker e deixamos o Josh com ela. Às oito horas, estávamos os quatros já sentados em uma mesa afastada da pista de dança, com Graham e Zelena tomando cerveja e eu e minha morena, por enquanto, água.

Ao fundo tocava ‘’Sweet dreams’’ e era possível ver algumas pessoas fazerem seus parceiros de pole dance. Deveria ser algo sensual, mas estava bem engraçado.

Zelena e Graham estavam conversando. Pelo pouco que eu conseguia ouvir, eles estavam se conhecendo melhor. Eu e Regina resolvemos deixá-los a sós para poder ficarem mais à vontade e fomos para a pista de dança. Eu estava feliz por Graham ter realmente aceitado a mim e a Regina e estava se interessando por outra pessoa. Uma pessoa muito inteligente, com uma boa conversa, alegre demais e legal. Eu estava torcendo para que eles dessem certo.

Quando ‘’Down under’’ começou a tocar, puxei Regina e logo já estávamos dançando animadamente junto com pessoas que nem conhecíamos. Quando a música acabou, Regina quis parar, mas começou a tocar “I wanna dance with somebody’’ e eu não a deixei ir. Na sequência veio Madonna com ‘’Like a Prayer’’ e eu nem precisei segura-la e pedir para ficar, porque meu amor se animou demais para querer ir embora e além de dançar, começou a cantar também. Em sequência veio ‘’Take on me’’ e não só nós duas acompanhamos a banda, mas metade dos dançantes na pista cantaram também. Quando a música acabou, estávamos acabadas, suadas demais e com a garganta seca de tanto que cantamos e gritamos.

A contragosto, porque a música seguinte era maravilhosa demais e precisava ser dançada e cantada também, nós voltamos para a mesa e passamos por Graham e Zelena que curtiam Bom Jovi com “Livin’ on a Prayer’’

― O que você tem a dizer desses dois? — Perguntei à minha morena assim que nos sentamos.

― Logo teremos mais um casal na família. — Meu amor olha para os dois que não estavam muito longe da gente e sorri.

― Eles formam um casal muito bonito, além de serem bonitos, gostarem de crianças, serem muito alegres e brincalhões e muito legais. ― Rê assente. ― Eles têm tudo para dar certo. — Olhei para trás e vi os dois dançando e sussurrando algo um no ouvido do outro. ― Já pensou na criança que vai sair desses dois? ― Regina arregala os olhos e abre a boca e eu começo a rir. ― Com certeza vão ser obras de arte do Louvre. ― Volto a olhar para eles.

― Eu vou logo avisar a minha irmã que quero ser a madrinha do casamento. ― Rê diz e eu volto minha atenção ela. ― Trate de fazer o mesmo com o Graham. — Fala séria, apontando um dedo para mim.

― Sim senhora! ― Fico completamente ereta e toco minha testa como em uma continência. Regina sorri e balança a cabeça negativamente. ― Estou morrendo de cedo. ― Falo com extremo exagero, balançando a garrafinha de água vazia. ― Você quer alguma coisa para beber? — Meu amor assente. — Posso trazer uma cerveja para nós duas?

― Você não pode beber, Emma... O seu braço... ― Toca delicadamente bem perto do machucado.

― Rê, se der qualquer problema eu vou correndo para o hospital, tomo remédio, faço qualquer coisa... — Falo em tom de promessa, juntando minhas mãos na mesa e fazendo a minha melhor cara triste. Meu amor fecha os olhos, levanta a cabeça, fica alguns segundos assim, provavelmente pensando a respeito, e quando volta a abaixá-la, balança-a negativamente. Ela iria ceder.

― OK! ― Faço uma dancinha e bato palminhas. ― Mas, por favor, não exagere. ― Avisa em um tom extremamente sério.

— Obrigada, meu amor. ― Beijo sua boca e me levanto.

― E me traga um refrigerante. Irei dirigir na volta.

— Sim senhora! ― Brinco novamente, prestando continência e ela sorri. ― Volto já.

Antes de chegar ao bar, não perco a oportunidade de zoar com Graham e Zelena, que dançavam muito perto um do outro. Quando passo perto dos dois, solto um sonoro e longo ‘’hm’” e ‘’estou de olho’’ e me afasto antes deles falarem alguma coisa. Sigo para o banheiro em seguida, lavo meu rosto que estava bastante suado, arrumo meu cabelo que estava um pouco bagunçado e finalmente sigo para o bar. Após quinze minutos esperando, eu consegui a minha cerveja e o refrigerante de Regina. Não aguentando de sede, não esperei chegar até a mesa para abrir e começar a tomar.

Ao chegar perto da mesa, vejo que Regina ainda está sozinha, mexendo no celular e procuro por meu mais novo futuro casal favorito, mas eles já não estavam mais no mesmo lugar. Então, rodo um pouco pela pista de dança e logo os encontro se remexendo ao som de “’You can call me AI“ Eu apresso meus passos e chego perto deles.

― Quero ver línguas ainda hoje... ― Aviso, interrompendo a conversa. ― Muitas línguas... Várias línguas... Muitas vezes. — E então saio rapidamente de perto antes que eles falem algo.

Sigo para a nossa mesa e ao avistá-la, vejo algo que faz o meu coração bater acelerado, meu sangue gelar, minhas mãos suarem e a garrafa de cerveja quase cair e meu estômago começar a revirar violentamente, pronto para botar tudo para fora.

Ao sem de “Don’t stop believing” as pessoas ao meu redor pulavam, gritavam e esbarravam em mim, mas eu não conseguia ter forças para sair do lugar.

Meu antigo professor de matemática estava sentado no lugar que eu estava, com a mão na nuca da minha morena, a outra segurando sua mão e, aparentemente, tentando e quase conseguindo beija-la. Faltava poucos centímetros para o inevitável acontecer.

Meu coração batia freneticamente, minha cabeça já começava a latejar de dor, meu estômago continuava revirando de nervosismo, louco para botar para fora tudo que comi nas últimas.

Lembrando-me que eu não poderia ser vista por ele, não no lugar em que estamos e agora, sem o ano letivo ainda ter acabado, minhas pernas finalmente me obedecem e começam a se mover, levando-me para longe deles dois. Finalmente minhas pernas me obedeceram e se moveram na direção contraria ao que eu via. Consegui chegar no banheiro e me tranquei em uma cabine. Tomei a cerveja de vez, fechei a tampa no vaso sanitária e comecei a processar o que eu vi. Cada vez que a cena de Robin quase beijando-a passava em minha mente, eu sentia uma pontada em meu peito.

Estava claro como água que ele quem tentou algo, até porque, sabendo que eu chegaria na mesa a qualquer momento, Regina jamais beijaria o ex, nem mesmo se estivesse me traindo, contudo, por que aquilo estava acontecendo? O que ele estava fazendo ali? Como ele soube que ela estava ali? Por que ela deixou ele chegar tão perto a ponto de tentar beijá-la? Provavelmente ele estava tentando fazer o que Tinker me avisou, então será que por alguns segundos Regina cogitou a possibilidade de aceitar suas possíveis desculpas e o seu pedido para reatarem o casamento e cancelar o pedido de divórcio e por isso acabou permitindo que ele chegasse tão perto? Eu só não quero pensar na pior possibilidade possível. Confio demais na minha morena para saber que ela jamais seria capaz de qualquer coisa desse tipo.

Com tantas dúvidas sobre o acontecido, chego à conclusão de que só há uma forma de saber a resposta para todas essas perguntas. Se ela me contar sobre. Porém, a iniciativa precisa partir dela. Se Regina me contar assim que eu chegar lá, sem que eu toque no assunto, mostrará o quanto ela é honesta e aberta comigo.

Resolvo sair da cabine e voltar para a mesa. Acredito que depois de tanto tempo ele já deve ter ido embora. Quando saio do banheiro, suspiro profundamente, torço para que Regina seja honesta comigo e conte que se encontrou com seu ex e ele o beijou, e começo a andar em direção a multidão dançante. Passo ao lado de Graham e Zelena que dançam ao som de ‘’Forever Young’’ remixada, mas não tenho ânimo para soltar alguma gracinha. Para piorar, embora esteja em outro ritmo, a música que está tocando não me ajuda a ficar melhor.

Ao chegar na mesa em que estamos, ela está vazia. Para onde será que Regina foi?

Sinto uma mão tocando meu ombro e quando viro assustada, dou de cara com ela com uma expressão preocupada.

― Onde você esteve Emma? — Questiona preocupada. Seria por eu ter demorado ou pelo ocorrido? — Você demorou a voltar... Fiquei preocupada... Tive que ir te procurar.

― Eu... — Calo-me e meu coração bate acelerado ao lembrar do que vi. — Eu... Estava no banheiro.

― E onde está a sua cerveja? — Franze o cenho e aponta para a minha, que só tinha o seu refrigerante.

― Eu bebi tudo de uma vez assim que saí do bar, estava com muita cede.... — Explico-lhe, entregando a latinha.

― Tudo bem! — Abre sua latinha, dá um grande gole e olha ao redor. Torço para que a próxima vez que abrir a boca seja para me falar sobre Robin. — Vamos dançar essa música? — Pergunta com animação, decepcionando-me. Forço um sorriso e assinto, ela me abraça e coloca minhas mãos em seu pescoço. — Suas mãos estão frias... Está com frio? ― Sorri. ― Vem que eu vou te esquentar. — Beija delicadamente o meu pescoço e deita a cabeça. Sinto vontade de chorar, mas me seguro. Agora não era o momento.

― É que eu tenho um pouco de distonia. — Respondo, forçando a voz para que não falhe e entregue como estou por dentro no momento.

Por que ela tinha que agir como se nada tivesse acontecido? Por que preferiu não me contar que Robin esteve aqui e ainda a beijou? Por que não me contar isso?

Regina me aperta mais em seus braços e no ritmo da música e em silêncio, mexemo-nos até que chegasse ao fim.

Voltamos para a mesa e logo Graham e Zelena chagaram também. Estavam tão sorridentes e felizes. Até posso imaginar qual o motivo dessa felicidade toda. Gostaria muito de poder compartilhar da alegria deles. Alegria que era compartilhada com Rê também, que provavelmente sabia o motivo e estava contente por eles. Mas infelizmente eu não conseguia. Estava desanimada e sentindo-me mal, com mil pensamentos para tentar entender por que Regina não me contou até o momento, o que aconteceu e as imagens do que aconteceu, não saiam da minha mente.

O trio comprou umas coisas gostosas para comermos, mas infelizmente eu estava sem vontade alguma, o que fez Regina e Graham que já me conhecem por mais tempo e melhor, estranharem imediatamente, pois sabem que não recuso comida, ainda mais se for besteira. Eu até que queria, mas se eu colocasse algo na boca, poderia botar tudo para fora, então dei uma desculpa de que a bebida me deixou de barriga cheia e por isso não aceitei.

Por volta das duas da manhã, resolvemos ir embora. Todos estavam cansados. A noite tinha sido muito boa. Para mim só tinha sido até o momento em que vi Robin beijando Regina e ela não me contou nada, mas para eles, tinha sido por completo.

Deixamos Graham e Zelena primeiro e quando estávamos no caminho de sua casa, eu pedi para que me levasse para minha, pois precisava dormir em casa por causa de Ava e porque eu precisava acordar cedo para estudar para a prova. A contragosto, ela aceitou e desviou o caminho. Quando parou em frente de casa, minutos depois, trocamos um longo e carinhoso beijo e eu desci rapidamente do carro, alegando estar apertada para ir ao banheiro, mas na verdade, eu estava com vontade de chorar. Eu corri para a porta, acenei para ela e logo entrei. Ao fechar a porta Ava me recebeu com alegria e por segundos eu esqueci o que se passava dentro de mim e me contagiei com usa festa.

Quando a alegria da minha pequena diminuiu um pouco eu fui para o banheiro, tomei um rápido banho e joguei-me com tudo na cama. Com a cabeça enfiada no travesseiro, chorei tudo que segurei até não ter mais lágrimas e minha cabeça latejar de dor.

•§•

Durante a semana, devido as provas e toda a correria que essa época traz, eu e Regina nos vimos e nos falamos pouco, apenas em encontros rápidos no corredor ou banheiro e por mensagens rápidas no fim do dia. Eu dei graças a Deus por isso. Não iria aguentar passar muito tempo em sua presença e fingir que nada tinha acontecido. Eu até tentei deixar tudo isso para lá, mas toda noite, quando eu ia dormir, minha consciência me lembrava de tudo e eu não conseguia.

Na sexta-feira, após chegar em casa do último dia na escola para quem passou direto, sonho de todos os alunos e professores, e tomar um banho, eu resolvi acabar com toda essa minha agonia. Então, sem esperar que entrasse em contato comigo primeiro, eu peguei o celular para mandar uma mensagem.

“Quero conversar com você. Posso ir até a sua casa?’’

Sua resposta veio tão rápida que eu quase não acreditei.

Calcei minhas botas rapidamente, deixei a ração de Ava e sem comer nada eu saí de casa. Quando cheguei lá, Regina me esperava em sua varanda, andando de um lado para o outro. Provavelmente estava nervosa por causa do começo da mensagem.

― Aconteceu alguma coisa? ― Pergunta preocupada, vindo em minha direção.

― Podemos entrar? ― Ela assente rapidamente e abre a porta.

Entramos em silêncio e seguimos para a sala. Ao me sentar no sofá, lembro-me do que aconteceu entre mim e Cora. Provavelmente se essa senhora soubesse o que está acontecendo, estaria torcendo para que tudo desse errado entre nós e fosse embora da vida de sua filha.

A mesinha de centro estava repleta de provas, canetas azuis e vermelhas e um notebook. Era um claro aviso, não proposital dela, tenho certeza, de que eu deveria ser rápida e não tomar muito do seu tempo.

― Então...? ― Ela chama a minha atenção, sentando no sofá em minha frente, bem onde minha cunhada e minha sogra estavam.

Eu respirei fundo, abri a boca para falar, mas as palavras não saíram, mas sim, lágrimas. Cobri meu rosto e comecei a chorar.

― Emma... O que aconteceu? ― Senta-se ao meu lado e me abraça apertado. ― Você está me deixando nervosa.

― Por que você não me contou nada? ― Minha voz sai entrecortada por causa do choro. ― Por que não me contou que Robin esteve no Bubba’s e te beijou? ― Levanto a cabeça para lhe encarar e vejo sua expressão surpresa. Solto-me do seu abraço e me afasto um pouco.

― Emma, eu não te traí com o Robin...

― Eu sei que não. ― Rebato, interrompendo-a. É preciso deixar claro que nunca desconfiei de sua fidelidade. ― Eu estou decepcionada porque você não me contou nada do que aconteceu naquela noite e agiu naturalmente depois. — Murmuro, deixando claro o quanto estou desapontada com sua atitude. ― E se eu não tivesse visto nada, eu jamais iria saber...

― Sim, você iria! ― Ela rebate desesperada. ― Eu não iria te esconder isso, Emma. ― Estica o braço para limpar minhas lágrimas, mas eu seguro sua mão. ― Nossa noite estava tão boa que eu não quis estraga-la, por isso, eu tinha intenção de te contar apenas quando toda essa agonia na escola acabasse e nós voltássemos a ter um tempo só para nós. Eu não iria te dizer nada disso por mensagem ou nos corredores da escola.

― O que ele queria com você?

― Ele chegou logo que você saiu, mas acredito que não tenha te visto... ― Diz em um tom de alívio. Espero que não tenha mesmo. Não precisamos de mais problemas. ― Primeiro perguntou se eu estava bem, questionei como ele me encontrou, mas ele não contou. Em seguida, tocou em minha mão e começou com uma história de arrependimento, forçou umas lágrimas e ficou pedindo para eu cancelar o pedido de divórcio. Até que me pegou de surpresa e me beijou, mas eu me afastei logo e dei uma tapa em sua cara. ― Conta e eu sinto a raiva ferver dentro de mim. Foi bem como imaginei. ― Pedi para não me procurar mais ou tentar qualquer coisa comigo e fui embora da mesa. Quando eu voltei, ele já não estava mais por lá. ― Sinto um pouco de tranquilidade invadir o meu corpo ao saber que o que passou pela minha mente assim que vi os dois, dela ter cogitado a possibilidade de aceitar as desculpas, o pedido para reatarem o casamento e cancelar o pedido de divórcio e por isso acabou permitindo que ele chegasse tão perto, não aconteceu.

Nós ficamos em silêncio e eu desvio o olhar do seu, fecho-os por alguns segundos e respiro fundo. Eu tinha algo para contar e estava buscando coragem e força para dizer sem cair no choro.

― Eu falei com meus pais essa semana... ― Digo baixinho, ainda sem lhe olhar. ― Tenho uma passagem para o Canadá na segunda-feira. ― Levanto-me do sofá.

― O que? ― Ela se levanta também. ― Emma!

― Sinto muito, Regina! ― Caminho até a porta e a abro. ― Eu ainda estou magoada e preciso de um tempo. ― Digo baixinho, com a voz entrecortada.

― Por favor, Emma! Não faz isso com nós. ― Ela me puxa e me abraça por trás. Viro-me para ela e lhe abraço de volta.

― Eu só preciso respirar. ― Beijo sua cabeça carinhosamente e me afasto. Ela segura meu braço, mas não me impede de passar pela porta e ir para longe.

Com o coração dolorido, eu vou embora.

Notas finais
E o Robin deu as caras pela última vez. Playlist: https://open.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/6mIcDffvYXVbJTn6tm4Kf2?si=jB_9fbovQY-6fnRi28SulA Até o próximo!