Next to Me
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Notas iniciais
Que forma maravilhosa de conhecer a sogra. Só podia ser eu.
A senhora continuava me encarando com um semblante fechado e eu não sabia o que fazer ou falar. Meu coração estava a mil e eu só queria poder correr para fora da casa e só voltar quando Regina estivesse sozinha novamente.
A sala estava silenciosa e todos me encaravam. Eu estava me sentindo como um ser estranho e não um humano. Olhei para Zelena e a mulher sorriu, talvez ela tenha gostado de mim. Em seguida, olhei para Rê em busca de ajuda, mas ela parecia tão perdida quanto eu.
― Je ne peux faire semblant de comprendre le français? (Eu não posso fingir que entendo francês?) ― Perguntei para as duas irmãs. Seria uma boa forma de fugir dessa situação, fingindo que não entendo inglês, embora eu tenho certeza de que não tenho cara de francesa.
― Ce serait une bonne idée... (Seria uma boa ideia...) — A irmã ruiva me responde, abrindo um sorriso e eu tenho esperança de que minha ideia pode dar certo. — Cependant... (Porém...) ― Acrescenta, fazendo uma expressão de que sente muito e balançando a cabeça negativamente e a minha esperança morre.
― Vous avez parlé en anglais quand il est venu mon amour. (Você falou em Inglês quando chegou, meu amor.) ― Minha morena completa. — Vem... — Pega em minha mão, que ousadia fazer isso na frente da mãe dela, e me puxa em direção ao sofá. — Mantenha a calma. — Sussurra em meu ouvido, sob o olhar atento da senhora sentada no estofado.
Passo por Tinker, que estava encostada a parede, e me sento no sofá, bem ao lado do senhor, com certeza o seu pai, que só agora eu percebi que estava chupando uma laranja. Não me contendo, acabo sorrindo por me lembrar do comentário de Regina quando estávamos no Estúdio e a morena me repreende com o olhar. Engulo a risada e rapidamente volto a ficar séria. De frente para mim, estava a mãe dela, que só agora percebi que estava com um lenço na cabeça. Um lenço muito bonito, por sinal.
― Então, Emma... — Zelena puxa assunto, sentando-se ao lado de sua mãe. — Como você conheceu a minha irmã? — Pergunta sorridente. Acho que ela realmente gostou de mim. Que bom! Ao menos alguém gostou.
― Ela... — Interrompo-me e engulo em seco. Eu estava nervosa com o olhar fulminante da minha sogra sobre mim. Sinto que ela poderia me matar a qualquer momento. — É minha professora e...
― O que? — A senhora me interrompe e com o susto eu vou para trás. Meu coração se acelera. — Além de minha filha está se envolvendo com uma garota... — Sua voz soa bastante decepcionada. — Ou melhor, criança... — Corrige-se e me atinge profundamente. — É sua aluna? — Questiona incrédula e balança a cabeça negativamente. — Que vergonhoso! — Olha para Regina que estava em pé ao lado do seu amigo. Nossos olhares se encontram e eu vejo em seus castanhos um pedido silencioso de desculpa. — Eu não acredito que você se separou do seu marido e foi viver um romancezinho lésbico com uma aluna... — Suspira pesadamente. — Uma aluna, Regina... O que você tem? Merda na cabeça? — Meus olhos ardem devido as lágrimas que estavam lutando para sair, mas eu não cederia. Não choraria na frente de nenhum deles, principalmente dela.
― Mamãe! — Regina repreende em um tom irritado, mas a mulher nem lhe dá atenção.
Zelena, Tinker e o tal Dawson olham abismados para a senhora, mas não parecem estar dispostos a abrir a boca e dizer alguma coisa.
— Você sabe que pode ser presa por isso, não sabe? — Questiona à filha. Minha respiração já estava irregular devido à agitação e raiva dentro de mim. — Que eu saiba você não é lésbica... Que eu saiba você gosta de algo maior e mais grosso também. — Sorri, mas ninguém lhe acompanha. Ninguém presente no cômodo está achando graça. — Isso é passageiro... ― Volta-se para mim. ― Minha filha só está provando e se divertindo com você enquanto não aparece um homem em sua vida. — Abre um sorriso e o meu sangue ferve completamente. Eu queria cometer uma loucura.
― Não é passageiro! — Rebato entredentes, com a voz embargada. — Você está errada. — O que aconteceu em seguida foi tão rápido que nem parecia que tinha acontecido. Num segundo ela estava sentada em minha frente e no outro estava em cima de mim, dando uma tapa bastante forte em meu rosto. No terceiro segundo o senhor estava em minha frente e ela estava sendo contida por Zelena e sendo forçada a se sentar novamente.
― Não diga que estou errada, garota! — Grita, querendo vir para cima de mim novamente, mas sendo segurada pela filha. — Sua idiota! Você é uma criança e minha filha é uma mulher. ― Cubro meu rosto com as duas mãos e respiro fundo várias vezes para não fazer uma besteira.
― Chega, mamãe! ― Escuto Regina gritar, muito irritada.
― Nada entre vocês duas dará certo. ― A senhora continua, não se importando com o pedido da filha. ― Isso não irá para frente. Você é só uma estudante e minha filha já tem a vida feita. O que você poderia oferecer para ela? Amor? — Sorri sem humor. Um sorriso que me faz me arrepiar dos pés à cabeça. — Uma relação não vive só de amor. Uma pessoa não vive só de amor. — Meu estômago estava revirando com tanto nervosismo e eu estava prestes a vomitar. — Minha filha tem que ter uma pessoa ao seu lado que não a deixe cair e nem desabar com os problemas, que queria e possa formar uma família com ela, que entenda seus problemas... ― Decido voltar a lhe encarar e descubro o meu rosto. ― E você, garota, não pode fazer nada disso. Ela precisa de alguém forte ao seu lado e não alguém fraco. Não de alguém que corra chorando feito uma criancinha de colo quando a mamãe não deixar sair para algum lugar ou não der dinheiro para ir ao cinema com os amiguinhos... ― Fala com a voz afetada. ― Você é imatura, inconsequente e irresponsável. ― Cospe as palavras e eu aperto as bordas do sofá para não apertar outra coisa. ― Nem sabe o que é um relacionamento sério... — Balança a cabeça negativamente. — Aposto que só deve estar com Regina por alguma aposta idiota com algum amigo. Só deve estar brincado de casinha...
― Não se atreva a falar o que não sabe. ― Minha morena se pronuncia mais uma vez, saindo em minha defesa. Eu podia ver Regina bufar de raiva. A senhora se levanta no segundo seguinte e para em sua frente.
― Não diga o que eu sei e não sei. ― Aponta o dedo em seu rosto. ― Não me desrespeite. — Grita e acerta sua mão no rosto dela, fazendo um barulho que ecoa pela sala. ― Eu não quero minha filha namorando uma mulher. Ou melhor, uma criança. — Volta a se sentar. — Essa pirralha não tem nada a oferecer para você. — Apesar de olhar para mim, seu que continuava falando para Rê. — Você nem deve saber o que é amar. Nem deve ter tirado a catinga de urina ainda... — Balança a cabeça negativamente. ― Não vê? Isso não dará certo. É coisa de momento. Minha menina gosta de homem. De macho. Que tem um pênis entre as pernas e não uma vagina. Ela não é lésbica. Eu não a criei assim. — Não aguentando mais a humilhação, levanto-me e sem dizer uma palavra, saio da sala e vou para a cozinha. Eu precisava me acalmar ou iria querer fazê-la engolir as palavras.
Ao entrar no cômodo, pego um copo no armário e encho de água. Quando começo a tomar, ouço as vozes alteradas de Regina e a mãe dela.
― Isso é ridículo! Essa situação é suja, é nojenta. Eu estou com nojo disso. ― A voz da senhora é de decepção. ― Minha filha com uma mulher... — Faz uma pausa — Regina, você sabe que isso é errado. Sabe bem que homem tem que ser para mulher e mulher para homem. Assim foi que aprendemos na igreja. Eu não te criei lésbica. Você não é assim. — Cada palavra dita o seu tom de voz aumentava. — Não criei uma filha para me fazer passar vergonha e ser uma aberração. — Nojo é o que eu estava sentindo em ouvir tudo que saia da boca dessa mulher tão preconceituosa e de mente fechada. — Essa garota só está te usando, ela não é responsável. Ela não te ama. Isso não dará certo. — Cada vez que ela dizia que nós não daríamos certo, que eu não sabia amar e que eu só estava usando Regina, era como um soco em meu estômago. Eu só torcia para que Regina não a ouvisse e acreditasse nessas coisas. ― Ela é só uma criança, uma aluna, uma irresponsável se achando o máximo por estar pegando a professorinha gostosa dela. ― Seu tom é irônico. ― Aposto que deve ser uma aposta de quem pega mais professores e você caiu como um patinho achando que é amor. Você já viveu essa época e sabe como funciona a mente de um adolescente. Eles só querem saber de sexo e essa garota... Essa garota só quer sexo. — De repente, um estalo forte é ouvido. O que aconteceu? — Você me bateu? — Questiona incrédula e eu arregalo os olhos, chocada. Regina bateu na mãe? Por minha culpa? Deus! Não era para isso ter acontecido. As coisas não deveriam ter chegado a esse ponto. A última coisa que eu queria era causar problemas entre mãe e filha. Eu deveria ter ido embora assim que notei a sua presença.
― Não fale assim da minha namorada. — Regina gritou. Seu tom estava tão elevado que eu me assustei, mesmo estando longe. Nunca vi Regina tão transtornada assim. — Nós nos amamos verdadeiramente e o nosso relacionamento dará certo sim! Pare de jogar praga. Não fale o que não sabe. Respeite a minha namorada e me respeite também. — Ouvi gargalhadas irônicas e com certeza não era de Regina.
― Você pensa em ir adiante com essa nojeira? — Seu tom é incrédulo. — Você pensa em se casar algum dia com ela? ― Indaga irônica.
― Cala a boca! — Regina retruca. Eu estava bastante nervosa por tudo que tive que ouvir enquanto estive na sala e ver Regina enfrentando a mãe e me defendendo, estava me fazendo ficar ainda mais nervosa e me sentir culpada. Se eu soubesse que ela era assim, eu jamais iria querer lhe conhecer. Ainda mais sabendo que eu poderia causar discórdia e afetar a relação. — Nojeira é esse seu preconceito, essa sua mente pequena e fechada...
― Se você continuar com essa merda eu não irei considerá-la mais como filha.
Não! Puta que pariu, não!
― Cora Mills, você passou dos limites. — Uma voz masculina grita com ela. Será que foi o pai ou o tal do Dawson? — Deixe de ser intolerante e rabugenta. Você não era assim... Não vê que está destruindo a sua relação com sua filha? Não vê que o que importa é a felicidade dela? Que ela está bem assim? E o mais importante... Está feliz? — A pessoa que está falando merece muitas palmas pela sensatez. — Você não precisa aceitar, mas deve respeitar e acima de tudo ficar ao lado da sua filha que te ama e quer o teu bem... — Faz uma pausa. — Mas ela é sua filha, é sangue do seu sangue, saiu de dentro de você, então com ela, você não tem só o dever de respeitar, mesmo não aceitando... Você tem o dever de aceitar também, além de respeitar, porque ela, Cora, ela é sua filha. Sua menina... ― Outra pausa. ― Então pare com essa idiotice, reconcilie-se com sua filha, aceite-a como ela e a apoie acima de tudo... Acabe com esse preconceito e aceite a situação. Não só respeite, mas, aceite por que ela é sua filha. — Seu tom não parece em nada com um pedido, mas sim uma ordem. — E chega de humilhar a garota que você nem conhece.
De repente, Tinker aparece na cozinha. Eu já nem lembrava mais que ela estava aqui.
― Ei, está tudo bem com você? — Pergunta baixinho, aproximando-se de mim. Impossibilitada de responder algo, porque se eu fosse abrir a boca eu iria acabar chorando, apenas balanço a cabeça negativamente. — Ei, não fica assim. — Abre os braços e prontamente a abraço apertadamente. Logo as lágrimas não aguentam e começam a descer pelo meu rosto. — Emma, eu sei que é difícil a situação e não dá para ignorar o que foi dito, mas você tem que ser forte. A Regina vai precisar muito de você nesse momento. Mostre para a sua sogra que você não é fraca, não é uma criança e todas as outras coisas que ela falou. — Cada palavra dita, fazia uma lágrima cair de meus olhos. Eu já estava começando a soluçar.
― Por minha causa elas estão brigando. Por minha causa a Regina enfrentou e bateu na mãe. Por minha causa, Tinker. — Digo entre soluços e ela começa a afagar as minhas costas. — Eu não quero isso. Não quero que as duas cortem relações por minha causa. Não quero ser a causa de alguma separação familiar. Não quero destruir a relação delas. — Meu coração batia a mil, minhas mãos suavam frio e minha cabeça doía.
― Emma, mantenha a calma. — Fala com uma voz suave. — Nada disso que você falou vai acontecer e nada do que está acontecendo é sua culpa. É culpa somente da Cora. Ela que criou toda a confusão. Zelena e o Sr. Henry, mesmo sem te conhecer, gostaram de você. Isso já é uma vitória, são dois contra um. Eles estão agora, nesse momento, a favor de vocês duas contra Cora.
― Sr. Henry era o que estava falando para a mãe dela nos aceitar?
― Sim! Ele é o pai da Regina e padrasto de Zelena.
Então ficamos em silêncio, ainda abraçadas e Tinker fazendo carinho em minhas costas. De repente, a bile que estava subindo o tempo todo enquanto eu estava na sala, volta com tudo.
― Eu estou com vontade de vomitar. — Aviso, afastando-me bruscamente.
― Na geladeira tem suco de limão. — Pega o copo que minutos antes estava em minhas mãos e vai até a geladeira, enche-o com o suco e me entrega. — Bebe tudo.
Bebi o suco todo de uma vez e fiquei respirando fundo até que finalmente a sensação passou. Então percebo que a gritaria na sala tinha acabado e era possível ouvir as vozes da minha sogra, que agora eu sei que se chama Cora, e Regina Elas estavam conversando.
― Acho melhor eu ir para casa. Quando a situação se acalmar eu falo com a Regina para saber como a gente fica. — Minha voz sai baixa e desanimada. Eu estava tão arrasada por dentro como por fora.
― Nada disso! — Tinker me segura pelos ombros. — Primeiro que vocês estão bem e continuam do mesmo jeito que estão. O problema além de já está sendo resolvido, é entre Regina e Cora. ― Solta um dos meus braços e toca em meu queixo, fazendo-me olhar para ela. ― Segundo, você não vai fugir, não vai abaixar a cabeça para o que essa mulher disse e pensa de você. Você vai ficar. Se veio para dormir, dormir é o que vai fazer. — Diz decidida.
― Tudo bem. Mas eu não vou voltar para a sala agora. — Aviso e ela assente.
Tinker fica mais um pouco comigo, mas logo volta para a sala para saber como estava a situação. Não querendo ficar sozinha na cozinha, aproveitei e saí pela porta dos fundos para ir respirar ar puro. Eu estava precisando.
•§•
― Ei menina! — Escuto a voz do pai de Regina atrás de mim e me viro rapidamente, vendo-o vir ao meu encontro ao lado de Zelena. — Não precisa ficar nervosa, eu estou do seu lado. — Já vai logo dizendo, abrindo um sorriso e se sentando ao meu lado. Zelena fica de frente para mim. Eu estava encostada no tronco da macieira. — Você está bem? ― Seu tom é preocupado.
― Claro que ela não está bem, papai. Depois de tudo que a mamãe falou... — Zelena responde, balançando a cabeça negativamente. — Olha, desculpa pela nossa mãe, eu sei que foi horrível tudo que ela fez e falou, mas já conversamos com ela e agora as duas estão conversando para se resolverem. — Fala gentilmente, pegando em minha mão e apertando-a. — Eu gostei de você mesmo sem te conhecer e o papai também gostou. Nós gostaríamos de te conhecer melhor. ― Meu coração se aquece com o que diz e eu abro um sorriso. O primeiro desde que cheguei na casa da minha morena.
― Sou Henry Mills. — Estende a mão para mim. — Aceita sair conosco para nos conhecermos melhor?
― Aceito! — Respondo sem pensar duas vezes, apertando sua mão. — E, sou Emma Swan. — Apresento-me também e sem que eu esperasse, o senhor me puxa para um abraço que eu logo retribuo. Segundos depois, sinto os braços de Zelena nos rodeando também.
Após nos afastarmos do abraço triplo, levantamo-nos e seguimos para a casa. Apenas Zelena e o Sr. Henry entram e eu fico os esperando na porta. As coisas estavam bem mais calmas na sala. Tinker estava sentada em um sofá e Regina e Cora estavam sentadas no outro, uma de frente para a outra. Zelena pega a chave do carro da irmã e o Sr. Henry avisa a Tinker que sairíamos. O tal do Dawson chega perto de mim e se apresenta também e eu o chamo para se juntar a nós para o passeio.
§•
Minha cunhada e meu sogro não me levaram para muito longe. Paramos em uma lanchonete que tinha por perto e enquanto comíamos deliciosos hambúrgueres com batatas fritas, íamos conversando e nos conhecendo melhor. Zelena era a que mais perguntava do grupo, mas eu não me importava de responder nenhuma pergunta. Na verdade, eu estava adorando vê-la realmente com interesse em saber mais sobre mim. Eles também falavam sobre suas vidas e curiosidades sobre a minha morena. Eu estava adorando tudo que ouvia. Dawson se mostrou um cara bastante legal e inofensivo. Falou da relação dele com Regina, do irmão falecido e de sua relação com minha morena e de como Regina o ajudou quando ele perdeu os pais. Quando terminamos de comer, continuamos a conversa que estava bastante boa e interessante demais para ser interrompida. Eu estava tão feliz por ver que eles gostaram de mim de verdade e me aceitaram. Estava me sentindo tão leve que era como se nada tivesse acontecido mais cedo.
Após um bom tempo, Tinker ligou para mim avisando que tudo entre mãe e filha estava resolvido e a paz entre as duas estava reinando novamente. Dei um suspiro aliviado assim que ouvi a notícia, mas logo voltei a ficar tensa quando ela disse que Cora queria falar comigo.
Quando encerrei a ligação, avisei com pesar para todos que teríamos que ir embora, pagamos a conta bastante gorda na lanchonete e voltamos para casa.
Assim que cheguei e passei pela porta, avistei apenas Cora na sala. Eu não fazia ideia de onde Tinker e Regina estavam. Zelena e Henry logo seguiram para a cozinha para me deixar a sós com a minha sogra e Dawson foi o único que ficou por perto. Agradeci-o com o olhar.
― Dawson, meu querido, pode ir, não farei nada demais. — A senhora fala em um tom doce. Tão doce que eu desconfiei se era a mesma mulher de antes. O homem assente, pisca para mim e um pouco hesitante segue para a cozinha.
A sala fica em silêncio e eu me sinto desconfortável em ficar lhe encarando, então, corto o contato e foco nos desenhos do tapete.
― Qual o seu nome e sua idade? — Pergunta autoritária, quebrando o silêncio e eu direciono a atenção para ela.
― Emma Swan. — Ela assente. — E tenho 18 anos. — Meu coração estava quase saindo pela boca, mas eu estava me esforçando para não demonstrar nada. Não queria lhe dar mais motivos para me humilhar.
― Até que não é tão nova quanto pensei que fosse... — Murmura pensativa. Eu deveria ficar feliz? — Você realmente ama a minha filha e quer algo sério com ela, mesmo sendo tão nova?
― Com toda a certeza que sim... — Respondo firmemente, sem pensar duas vezes. — Eu a amo de verdade e quero realmente algo sério com ela, mesmo sendo tão nova. — Ela assente e começa a me analisar dos pés à cabeça.
― Quanto tempo vocês se conhecem e quando isso entre vocês começou? ― Cruza as pernas e os braços.
― Três anos que nos conhecemos e um ano que tudo entre nós começou.
― Então quer dizer que foi por sua causa que minha filha tomou um tiro nas costas, perdeu a memória e ficou de cama por mais de um mês? — Meu sangue gela no mesmo instante com a sua pergunta. Eu não sabia que ela sabia disso. Quando estava conversando com Zelena e o Sr. Henry na lanchonete, eles não disseram nada sobre saber do acontecido ou ter estado por aqui. Será que sabiam de toda a parte do hospital também?
― Infelizmente sim. — Respondo sem graça. — Mas ela não corre mais perigo de vida. ― Deixo claro.
― Eu sei... O rapaz já está morto. — Responde estranhamente calma. — Emma, eu só vou falar uma vez, então preste bastante atenção. — Fala em um tom extremamente sério e eu me arrepio. — Eu darei a minha benção... Aceitarei essa relação de vocês, mas se falhar, eu serei contra. Ouviu bem?
― Sim! — Respondo sem pestanejar.
― Ótimo! Está avisada. ― Assinto. ― E desculpe-me pela tapa no rosto e pelas palavras ditas. — Fala, surpreendendo-me completamente. Então, ela se levanta do sofá e sai da sala, deixando-me com o coração a mil de nervosismo e um sorriso largo no rosto.
•§•
Depois da minha conversa civilizada com Cora, peguei minha bolsa que estava no chão, perto da porta, desde que eu cheguei e fui atrás de Regina. Ela estava tomando um banho e Tinker já estava dormindo em um quarto de hóspedes.
Enquanto minha morena tomava o seu banho, eu fui tomar o meu em outro banheiro. Quando acabei, vesti uma roupa leve, a blusa do meu amor, que eu tinha ficado no dia que voltei de viagem e fiz sua mala, e uma calça de pijama e fui para o seu quarto. Ao abrir a porta, dei de cara com Regina, sentada em sua cama, esperando-me. Ela veio correndo até mim e me abraçou forte.
― Calma, meu amor, já está tudo bem, tudo resolvido entre mim e sua mãe. — Sussurrei, apertando-lhe mais em meus braços. — Tudo vai ficar bem.
― Eu tive tanto medo de te perder... — Sua voz sai embargada. — Desculpe-me por ela, por tudo que ela fez e disse e por eu não ter defendido mais você.
― E eu peço desculpas por ter causado essa confusão entre você e sua mãe. Não era a minha intenção.
― Eu sei, eu sei... ― Ela se afasta um pouco de mim, mas não tira seus braços do meu pescoço ― Você não tem culpa pela nossa briga, Em. ― Acaricia o meu rosto e eu fecho os olhos para aproveitar mais. ― Ninguém tem culpa, a não ser a minha mãe, por ela ter sido tão preconceituosa, tão cruel com você, conosco e ter causado a nossa briga. ― Beija meus lábios suavemente. ― Perdão por ela, pelas atitudes e palavras dela que eu sei que te magoaram tanto e por não ter saído mais em defesa de você. ― Sussurra, encostando as nossas testas.
― Você também não tem culpa por tudo que ela me fez e me disse e ter me defendido é o que importa. ― Sussurro de volta. ― Mas não vamos mais falar sobre isso. Já acabou e está tudo bem. É o que importa. — Beijo sua testa e ela me abraça mais uma vez.
― Agora eu quero que me conte como foi o seu passeio com o papai, a Zel e o Dawson. — Pede com animação, puxando-me para a cama. ― Eu quero todos os detalhes. ― Exige, puxando-me para deitar ao seu lado na cama.
― Antes, eu preciso perguntar algo. ― Regina me olha atenta. ― Sua mãe sabe sobre o que Neal fez a você na escola, certo? ― Minha morena assente. ― Ela sabe de todos os detalhes?
― Ela não sabe como aconteceu, só sabe que estávamos juntas quando ele me acertou.
― E tudo que aconteceu no hospital?
― Tinker e Robin não contaram nada do que aconteceu enquanto eu estive no hospital. Eles só avisaram do acontecido comigo, quando eu já estava em casa e nós entramos num consenso para não falar nada sobre o hospital. ― Explica e eu assinto.
― E eles não vieram te ver? ― Pergunto confusa. Eu não me lembro de saber que sua família esteve por aqui naquela época.
― Assim que souberam. ― Franzo o cenho. Em que momento foi que eu não vi? ― Assim que eu cheguei do hospital, lembra que você ficou comigo porque Robin e Tinker tiveram que viajar? ― Assinto. ― Assim que eles voltaram, avisaram e os três vieram dois dias depois, no dia que você saiu do hospital e ficou sem poder sair de casa por causa do que aconteceu com Neal, lembra? ― Balanço a cabeça afirmativamente e sinto um arrepio percorrer meu corpo. ― Depois, lembra que você ficou sem vir me ver um tempo? ― Assinto novamente. ― Eles vieram nessa semana também.
― Ah, sim! ― Murmuro, entendendo tudo e percebendo o quanto eu tive sorte de não conhece-los já naquela época. No caso, só a Cora, porque eu adoraria ter conhecido os outros três.
― Mais alguma dúvida, querida? ― Balanço a cabeça negativamente. ― Será que pode me contar em detalhes como foi seu momento com meu pai, minha irmã e o Dawson?
― Claro, querida!
Empolgada, sento-me na cama e começo a contar tudo detalhadamente, começando desde o momento em que eles foram atrás de mim no quintal logo após a briga.
E ficamos entre conversas, risadas e carinhos, até o sono finalmente chegar e nos derrubar.
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