Next to Me

73 Next to me - 73


Notas iniciais
Cheguei para matar quem estava matando vocês, a curiosidade! Boa leitura ;)

Que forma maravilhosa de conhecer a sogra. Só podia ser eu.

A senhora continuava me encarando com um semblante fechado e eu não sabia o que fazer ou falar. Meu coração estava a mil e eu só queria poder correr para fora da casa e só voltar quando Regina estivesse sozinha novamente.

A sala estava silenciosa e todos me encaravam. Eu estava me sentindo como um ser estranho e não um humano. Olhei para Zelena e a mulher sorriu, talvez ela tenha gostado de mim. Em seguida, olhei para Rê em busca de ajuda, mas ela parecia tão perdida quanto eu.

― Je ne peux faire semblant de comprendre le français? (Eu não posso fingir que entendo francês?) ― Perguntei para as duas irmãs. Seria uma boa forma de fugir dessa situação, fingindo que não entendo inglês, embora eu tenho certeza de que não tenho cara de francesa.

― Ce serait une bonne idée... (Seria uma boa ideia...) — A irmã ruiva me responde, abrindo um sorriso e eu tenho esperança de que minha ideia pode dar certo. — Cependant... (Porém...) ― Acrescenta, fazendo uma expressão de que sente muito e balançando a cabeça negativamente e a minha esperança morre.

― Vous avez parlé en anglais quand il est venu mon amour. (Você falou em Inglês quando chegou, meu amor.) ― Minha morena completa. — Vem... — Pega em minha mão, que ousadia fazer isso na frente da mãe dela, e me puxa em direção ao sofá. — Mantenha a calma. — Sussurra em meu ouvido, sob o olhar atento da senhora sentada no estofado.

Passo por Tinker, que estava encostada a parede, e me sento no sofá, bem ao lado do senhor, com certeza o seu pai, que só agora eu percebi que estava chupando uma laranja. Não me contendo, acabo sorrindo por me lembrar do comentário de Regina quando estávamos no Estúdio e a morena me repreende com o olhar. Engulo a risada e rapidamente volto a ficar séria. De frente para mim, estava a mãe dela, que só agora percebi que estava com um lenço na cabeça. Um lenço muito bonito, por sinal.

― Então, Emma... — Zelena puxa assunto, sentando-se ao lado de sua mãe. — Como você conheceu a minha irmã? — Pergunta sorridente. Acho que ela realmente gostou de mim. Que bom! Ao menos alguém gostou.

― Ela... — Interrompo-me e engulo em seco. Eu estava nervosa com o olhar fulminante da minha sogra sobre mim. Sinto que ela poderia me matar a qualquer momento. — É minha professora e...

― O que? — A senhora me interrompe e com o susto eu vou para trás. Meu coração se acelera. — Além de minha filha está se envolvendo com uma garota... — Sua voz soa bastante decepcionada. — Ou melhor, criança... — Corrige-se e me atinge profundamente. — É sua aluna? — Questiona incrédula e balança a cabeça negativamente. — Que vergonhoso! — Olha para Regina que estava em pé ao lado do seu amigo. Nossos olhares se encontram e eu vejo em seus castanhos um pedido silencioso de desculpa. — Eu não acredito que você se separou do seu marido e foi viver um romancezinho lésbico com uma aluna... — Suspira pesadamente. — Uma aluna, Regina... O que você tem? Merda na cabeça? — Meus olhos ardem devido as lágrimas que estavam lutando para sair, mas eu não cederia. Não choraria na frente de nenhum deles, principalmente dela.

― Mamãe! — Regina repreende em um tom irritado, mas a mulher nem lhe dá atenção.

Zelena, Tinker e o tal Dawson olham abismados para a senhora, mas não parecem estar dispostos a abrir a boca e dizer alguma coisa.

— Você sabe que pode ser presa por isso, não sabe? — Questiona à filha. Minha respiração já estava irregular devido à agitação e raiva dentro de mim. — Que eu saiba você não é lésbica... Que eu saiba você gosta de algo maior e mais grosso também. — Sorri, mas ninguém lhe acompanha. Ninguém presente no cômodo está achando graça. — Isso é passageiro... ― Volta-se para mim. ― Minha filha só está provando e se divertindo com você enquanto não aparece um homem em sua vida. — Abre um sorriso e o meu sangue ferve completamente. Eu queria cometer uma loucura.

― Não é passageiro! — Rebato entredentes, com a voz embargada. — Você está errada. — O que aconteceu em seguida foi tão rápido que nem parecia que tinha acontecido. Num segundo ela estava sentada em minha frente e no outro estava em cima de mim, dando uma tapa bastante forte em meu rosto. No terceiro segundo o senhor estava em minha frente e ela estava sendo contida por Zelena e sendo forçada a se sentar novamente.

― Não diga que estou errada, garota! — Grita, querendo vir para cima de mim novamente, mas sendo segurada pela filha. — Sua idiota! Você é uma criança e minha filha é uma mulher. ― Cubro meu rosto com as duas mãos e respiro fundo várias vezes para não fazer uma besteira.

― Chega, mamãe! ― Escuto Regina gritar, muito irritada.

― Nada entre vocês duas dará certo. ― A senhora continua, não se importando com o pedido da filha. ― Isso não irá para frente. Você é só uma estudante e minha filha já tem a vida feita. O que você poderia oferecer para ela? Amor? — Sorri sem humor. Um sorriso que me faz me arrepiar dos pés à cabeça. — Uma relação não vive só de amor. Uma pessoa não vive só de amor. — Meu estômago estava revirando com tanto nervosismo e eu estava prestes a vomitar. — Minha filha tem que ter uma pessoa ao seu lado que não a deixe cair e nem desabar com os problemas, que queria e possa formar uma família com ela, que entenda seus problemas... ― Decido voltar a lhe encarar e descubro o meu rosto. ― E você, garota, não pode fazer nada disso. Ela precisa de alguém forte ao seu lado e não alguém fraco. Não de alguém que corra chorando feito uma criancinha de colo quando a mamãe não deixar sair para algum lugar ou não der dinheiro para ir ao cinema com os amiguinhos... ― Fala com a voz afetada. ― Você é imatura, inconsequente e irresponsável. ― Cospe as palavras e eu aperto as bordas do sofá para não apertar outra coisa. ― Nem sabe o que é um relacionamento sério... — Balança a cabeça negativamente. — Aposto que só deve estar com Regina por alguma aposta idiota com algum amigo. Só deve estar brincado de casinha...

― Não se atreva a falar o que não sabe. ― Minha morena se pronuncia mais uma vez, saindo em minha defesa. Eu podia ver Regina bufar de raiva. A senhora se levanta no segundo seguinte e para em sua frente.

― Não diga o que eu sei e não sei. ― Aponta o dedo em seu rosto. ― Não me desrespeite. — Grita e acerta sua mão no rosto dela, fazendo um barulho que ecoa pela sala. ― Eu não quero minha filha namorando uma mulher. Ou melhor, uma criança. — Volta a se sentar. — Essa pirralha não tem nada a oferecer para você. — Apesar de olhar para mim, seu que continuava falando para Rê. — Você nem deve saber o que é amar. Nem deve ter tirado a catinga de urina ainda... — Balança a cabeça negativamente. ― Não vê? Isso não dará certo. É coisa de momento. Minha menina gosta de homem. De macho. Que tem um pênis entre as pernas e não uma vagina. Ela não é lésbica. Eu não a criei assim. — Não aguentando mais a humilhação, levanto-me e sem dizer uma palavra, saio da sala e vou para a cozinha. Eu precisava me acalmar ou iria querer fazê-la engolir as palavras.

Ao entrar no cômodo, pego um copo no armário e encho de água. Quando começo a tomar, ouço as vozes alteradas de Regina e a mãe dela.

Isso é ridículo! Essa situação é suja, é nojenta. Eu estou com nojo disso. ― A voz da senhora é de decepção. ― Minha filha com uma mulher... — Faz uma pausa — Regina, você sabe que isso é errado. Sabe bem que homem tem que ser para mulher e mulher para homem. Assim foi que aprendemos na igreja. Eu não te criei lésbica. Você não é assim. — Cada palavra dita o seu tom de voz aumentava. — Não criei uma filha para me fazer passar vergonha e ser uma aberração. — Nojo é o que eu estava sentindo em ouvir tudo que saia da boca dessa mulher tão preconceituosa e de mente fechada. — Essa garota só está te usando, ela não é responsável. Ela não te ama. Isso não dará certo. — Cada vez que ela dizia que nós não daríamos certo, que eu não sabia amar e que eu só estava usando Regina, era como um soco em meu estômago. Eu só torcia para que Regina não a ouvisse e acreditasse nessas coisas. ― Ela é só uma criança, uma aluna, uma irresponsável se achando o máximo por estar pegando a professorinha gostosa dela. ― Seu tom é irônico. ― Aposto que deve ser uma aposta de quem pega mais professores e você caiu como um patinho achando que é amor. Você já viveu essa época e sabe como funciona a mente de um adolescente. Eles só querem saber de sexo e essa garota... Essa garota só quer sexo. — De repente, um estalo forte é ouvido. O que aconteceu? — Você me bateu? — Questiona incrédula e eu arregalo os olhos, chocada. Regina bateu na mãe? Por minha culpa? Deus! Não era para isso ter acontecido. As coisas não deveriam ter chegado a esse ponto. A última coisa que eu queria era causar problemas entre mãe e filha. Eu deveria ter ido embora assim que notei a sua presença.

― Não fale assim da minha namorada. — Regina gritou. Seu tom estava tão elevado que eu me assustei, mesmo estando longe. Nunca vi Regina tão transtornada assim. — Nós nos amamos verdadeiramente e o nosso relacionamento dará certo sim! Pare de jogar praga. Não fale o que não sabe. Respeite a minha namorada e me respeite também. — Ouvi gargalhadas irônicas e com certeza não era de Regina.

Você pensa em ir adiante com essa nojeira? — Seu tom é incrédulo. — Você pensa em se casar algum dia com ela? ― Indaga irônica.

Cala a boca! — Regina retruca. Eu estava bastante nervosa por tudo que tive que ouvir enquanto estive na sala e ver Regina enfrentando a mãe e me defendendo, estava me fazendo ficar ainda mais nervosa e me sentir culpada. Se eu soubesse que ela era assim, eu jamais iria querer lhe conhecer. Ainda mais sabendo que eu poderia causar discórdia e afetar a relação. — Nojeira é esse seu preconceito, essa sua mente pequena e fechada...

Se você continuar com essa merda eu não irei considerá-la mais como filha.

Não! Puta que pariu, não!

Cora Mills, você passou dos limites. — Uma voz masculina grita com ela. Será que foi o pai ou o tal do Dawson? — Deixe de ser intolerante e rabugenta. Você não era assim... Não vê que está destruindo a sua relação com sua filha? Não vê que o que importa é a felicidade dela? Que ela está bem assim? E o mais importante... Está feliz? — A pessoa que está falando merece muitas palmas pela sensatez. — Você não precisa aceitar, mas deve respeitar e acima de tudo ficar ao lado da sua filha que te ama e quer o teu bem... — Faz uma pausa. — Mas ela é sua filha, é sangue do seu sangue, saiu de dentro de você, então com ela, você não tem só o dever de respeitar, mesmo não aceitando... Você tem o dever de aceitar também, além de respeitar, porque ela, Cora, ela é sua filha. Sua menina... ― Outra pausa. ― Então pare com essa idiotice, reconcilie-se com sua filha, aceite-a como ela e a apoie acima de tudo... Acabe com esse preconceito e aceite a situação. Não só respeite, mas, aceite por que ela é sua filha. — Seu tom não parece em nada com um pedido, mas sim uma ordem.E chega de humilhar a garota que você nem conhece.

De repente, Tinker aparece na cozinha. Eu já nem lembrava mais que ela estava aqui.

― Ei, está tudo bem com você? — Pergunta baixinho, aproximando-se de mim. Impossibilitada de responder algo, porque se eu fosse abrir a boca eu iria acabar chorando, apenas balanço a cabeça negativamente. — Ei, não fica assim. — Abre os braços e prontamente a abraço apertadamente. Logo as lágrimas não aguentam e começam a descer pelo meu rosto. — Emma, eu sei que é difícil a situação e não dá para ignorar o que foi dito, mas você tem que ser forte. A Regina vai precisar muito de você nesse momento. Mostre para a sua sogra que você não é fraca, não é uma criança e todas as outras coisas que ela falou. — Cada palavra dita, fazia uma lágrima cair de meus olhos. Eu já estava começando a soluçar.

― Por minha causa elas estão brigando. Por minha causa a Regina enfrentou e bateu na mãe. Por minha causa, Tinker. — Digo entre soluços e ela começa a afagar as minhas costas. — Eu não quero isso. Não quero que as duas cortem relações por minha causa. Não quero ser a causa de alguma separação familiar. Não quero destruir a relação delas. — Meu coração batia a mil, minhas mãos suavam frio e minha cabeça doía.

― Emma, mantenha a calma. — Fala com uma voz suave. — Nada disso que você falou vai acontecer e nada do que está acontecendo é sua culpa. É culpa somente da Cora. Ela que criou toda a confusão. Zelena e o Sr. Henry, mesmo sem te conhecer, gostaram de você. Isso já é uma vitória, são dois contra um. Eles estão agora, nesse momento, a favor de vocês duas contra Cora.

― Sr. Henry era o que estava falando para a mãe dela nos aceitar?

― Sim! Ele é o pai da Regina e padrasto de Zelena.

Então ficamos em silêncio, ainda abraçadas e Tinker fazendo carinho em minhas costas. De repente, a bile que estava subindo o tempo todo enquanto eu estava na sala, volta com tudo.

― Eu estou com vontade de vomitar. — Aviso, afastando-me bruscamente.

― Na geladeira tem suco de limão. — Pega o copo que minutos antes estava em minhas mãos e vai até a geladeira, enche-o com o suco e me entrega. — Bebe tudo.

Bebi o suco todo de uma vez e fiquei respirando fundo até que finalmente a sensação passou. Então percebo que a gritaria na sala tinha acabado e era possível ouvir as vozes da minha sogra, que agora eu sei que se chama Cora, e Regina Elas estavam conversando.

― Acho melhor eu ir para casa. Quando a situação se acalmar eu falo com a Regina para saber como a gente fica. — Minha voz sai baixa e desanimada. Eu estava tão arrasada por dentro como por fora.

― Nada disso! — Tinker me segura pelos ombros. — Primeiro que vocês estão bem e continuam do mesmo jeito que estão. O problema além de já está sendo resolvido, é entre Regina e Cora. ― Solta um dos meus braços e toca em meu queixo, fazendo-me olhar para ela. ― Segundo, você não vai fugir, não vai abaixar a cabeça para o que essa mulher disse e pensa de você. Você vai ficar. Se veio para dormir, dormir é o que vai fazer. — Diz decidida.

― Tudo bem. Mas eu não vou voltar para a sala agora. — Aviso e ela assente.

Tinker fica mais um pouco comigo, mas logo volta para a sala para saber como estava a situação. Não querendo ficar sozinha na cozinha, aproveitei e saí pela porta dos fundos para ir respirar ar puro. Eu estava precisando.

•§•

― Ei menina! — Escuto a voz do pai de Regina atrás de mim e me viro rapidamente, vendo-o vir ao meu encontro ao lado de Zelena. — Não precisa ficar nervosa, eu estou do seu lado. — Já vai logo dizendo, abrindo um sorriso e se sentando ao meu lado. Zelena fica de frente para mim. Eu estava encostada no tronco da macieira. — Você está bem? ― Seu tom é preocupado.

― Claro que ela não está bem, papai. Depois de tudo que a mamãe falou... — Zelena responde, balançando a cabeça negativamente. — Olha, desculpa pela nossa mãe, eu sei que foi horrível tudo que ela fez e falou, mas já conversamos com ela e agora as duas estão conversando para se resolverem. — Fala gentilmente, pegando em minha mão e apertando-a. — Eu gostei de você mesmo sem te conhecer e o papai também gostou. Nós gostaríamos de te conhecer melhor. ― Meu coração se aquece com o que diz e eu abro um sorriso. O primeiro desde que cheguei na casa da minha morena.

― Sou Henry Mills. — Estende a mão para mim. — Aceita sair conosco para nos conhecermos melhor?

― Aceito! — Respondo sem pensar duas vezes, apertando sua mão. — E, sou Emma Swan. — Apresento-me também e sem que eu esperasse, o senhor me puxa para um abraço que eu logo retribuo. Segundos depois, sinto os braços de Zelena nos rodeando também.

Após nos afastarmos do abraço triplo, levantamo-nos e seguimos para a casa. Apenas Zelena e o Sr. Henry entram e eu fico os esperando na porta. As coisas estavam bem mais calmas na sala. Tinker estava sentada em um sofá e Regina e Cora estavam sentadas no outro, uma de frente para a outra. Zelena pega a chave do carro da irmã e o Sr. Henry avisa a Tinker que sairíamos. O tal do Dawson chega perto de mim e se apresenta também e eu o chamo para se juntar a nós para o passeio.

§•

Minha cunhada e meu sogro não me levaram para muito longe. Paramos em uma lanchonete que tinha por perto e enquanto comíamos deliciosos hambúrgueres com batatas fritas, íamos conversando e nos conhecendo melhor. Zelena era a que mais perguntava do grupo, mas eu não me importava de responder nenhuma pergunta. Na verdade, eu estava adorando vê-la realmente com interesse em saber mais sobre mim. Eles também falavam sobre suas vidas e curiosidades sobre a minha morena. Eu estava adorando tudo que ouvia. Dawson se mostrou um cara bastante legal e inofensivo. Falou da relação dele com Regina, do irmão falecido e de sua relação com minha morena e de como Regina o ajudou quando ele perdeu os pais. Quando terminamos de comer, continuamos a conversa que estava bastante boa e interessante demais para ser interrompida. Eu estava tão feliz por ver que eles gostaram de mim de verdade e me aceitaram. Estava me sentindo tão leve que era como se nada tivesse acontecido mais cedo.

Após um bom tempo, Tinker ligou para mim avisando que tudo entre mãe e filha estava resolvido e a paz entre as duas estava reinando novamente. Dei um suspiro aliviado assim que ouvi a notícia, mas logo voltei a ficar tensa quando ela disse que Cora queria falar comigo.

Quando encerrei a ligação, avisei com pesar para todos que teríamos que ir embora, pagamos a conta bastante gorda na lanchonete e voltamos para casa.

Assim que cheguei e passei pela porta, avistei apenas Cora na sala. Eu não fazia ideia de onde Tinker e Regina estavam. Zelena e Henry logo seguiram para a cozinha para me deixar a sós com a minha sogra e Dawson foi o único que ficou por perto. Agradeci-o com o olhar.

― Dawson, meu querido, pode ir, não farei nada demais. — A senhora fala em um tom doce. Tão doce que eu desconfiei se era a mesma mulher de antes. O homem assente, pisca para mim e um pouco hesitante segue para a cozinha.

A sala fica em silêncio e eu me sinto desconfortável em ficar lhe encarando, então, corto o contato e foco nos desenhos do tapete.

― Qual o seu nome e sua idade? — Pergunta autoritária, quebrando o silêncio e eu direciono a atenção para ela.

― Emma Swan. — Ela assente. — E tenho 18 anos. — Meu coração estava quase saindo pela boca, mas eu estava me esforçando para não demonstrar nada. Não queria lhe dar mais motivos para me humilhar.

― Até que não é tão nova quanto pensei que fosse... — Murmura pensativa. Eu deveria ficar feliz? — Você realmente ama a minha filha e quer algo sério com ela, mesmo sendo tão nova?

― Com toda a certeza que sim... — Respondo firmemente, sem pensar duas vezes. — Eu a amo de verdade e quero realmente algo sério com ela, mesmo sendo tão nova. — Ela assente e começa a me analisar dos pés à cabeça.

― Quanto tempo vocês se conhecem e quando isso entre vocês começou? ― Cruza as pernas e os braços.

― Três anos que nos conhecemos e um ano que tudo entre nós começou.

― Então quer dizer que foi por sua causa que minha filha tomou um tiro nas costas, perdeu a memória e ficou de cama por mais de um mês? — Meu sangue gela no mesmo instante com a sua pergunta. Eu não sabia que ela sabia disso. Quando estava conversando com Zelena e o Sr. Henry na lanchonete, eles não disseram nada sobre saber do acontecido ou ter estado por aqui. Será que sabiam de toda a parte do hospital também?

― Infelizmente sim. — Respondo sem graça. — Mas ela não corre mais perigo de vida. ― Deixo claro.

― Eu sei... O rapaz já está morto. — Responde estranhamente calma. — Emma, eu só vou falar uma vez, então preste bastante atenção. — Fala em um tom extremamente sério e eu me arrepio. — Eu darei a minha benção... Aceitarei essa relação de vocês, mas se falhar, eu serei contra. Ouviu bem?

― Sim! — Respondo sem pestanejar.

― Ótimo! Está avisada. ― Assinto. ― E desculpe-me pela tapa no rosto e pelas palavras ditas. — Fala, surpreendendo-me completamente. Então, ela se levanta do sofá e sai da sala, deixando-me com o coração a mil de nervosismo e um sorriso largo no rosto.

•§•

Depois da minha conversa civilizada com Cora, peguei minha bolsa que estava no chão, perto da porta, desde que eu cheguei e fui atrás de Regina. Ela estava tomando um banho e Tinker já estava dormindo em um quarto de hóspedes.

Enquanto minha morena tomava o seu banho, eu fui tomar o meu em outro banheiro. Quando acabei, vesti uma roupa leve, a blusa do meu amor, que eu tinha ficado no dia que voltei de viagem e fiz sua mala, e uma calça de pijama e fui para o seu quarto. Ao abrir a porta, dei de cara com Regina, sentada em sua cama, esperando-me. Ela veio correndo até mim e me abraçou forte.

― Calma, meu amor, já está tudo bem, tudo resolvido entre mim e sua mãe. — Sussurrei, apertando-lhe mais em meus braços. — Tudo vai ficar bem.

― Eu tive tanto medo de te perder... — Sua voz sai embargada. — Desculpe-me por ela, por tudo que ela fez e disse e por eu não ter defendido mais você.

― E eu peço desculpas por ter causado essa confusão entre você e sua mãe. Não era a minha intenção.

― Eu sei, eu sei... ― Ela se afasta um pouco de mim, mas não tira seus braços do meu pescoço ― Você não tem culpa pela nossa briga, Em. ― Acaricia o meu rosto e eu fecho os olhos para aproveitar mais. ― Ninguém tem culpa, a não ser a minha mãe, por ela ter sido tão preconceituosa, tão cruel com você, conosco e ter causado a nossa briga. ― Beija meus lábios suavemente. ― Perdão por ela, pelas atitudes e palavras dela que eu sei que te magoaram tanto e por não ter saído mais em defesa de você. ― Sussurra, encostando as nossas testas.

― Você também não tem culpa por tudo que ela me fez e me disse e ter me defendido é o que importa. ― Sussurro de volta. ― Mas não vamos mais falar sobre isso. Já acabou e está tudo bem. É o que importa. — Beijo sua testa e ela me abraça mais uma vez.

― Agora eu quero que me conte como foi o seu passeio com o papai, a Zel e o Dawson. — Pede com animação, puxando-me para a cama. ― Eu quero todos os detalhes. ― Exige, puxando-me para deitar ao seu lado na cama.

― Antes, eu preciso perguntar algo. ― Regina me olha atenta. ― Sua mãe sabe sobre o que Neal fez a você na escola, certo? ― Minha morena assente. ― Ela sabe de todos os detalhes?

― Ela não sabe como aconteceu, só sabe que estávamos juntas quando ele me acertou.

― E tudo que aconteceu no hospital?

― Tinker e Robin não contaram nada do que aconteceu enquanto eu estive no hospital. Eles só avisaram do acontecido comigo, quando eu já estava em casa e nós entramos num consenso para não falar nada sobre o hospital. ― Explica e eu assinto.

― E eles não vieram te ver? ― Pergunto confusa. Eu não me lembro de saber que sua família esteve por aqui naquela época.

― Assim que souberam. ― Franzo o cenho. Em que momento foi que eu não vi? ― Assim que eu cheguei do hospital, lembra que você ficou comigo porque Robin e Tinker tiveram que viajar? ― Assinto. ― Assim que eles voltaram, avisaram e os três vieram dois dias depois, no dia que você saiu do hospital e ficou sem poder sair de casa por causa do que aconteceu com Neal, lembra? ― Balanço a cabeça afirmativamente e sinto um arrepio percorrer meu corpo. ― Depois, lembra que você ficou sem vir me ver um tempo? ― Assinto novamente. ― Eles vieram nessa semana também.

― Ah, sim! ― Murmuro, entendendo tudo e percebendo o quanto eu tive sorte de não conhece-los já naquela época. No caso, só a Cora, porque eu adoraria ter conhecido os outros três.

― Mais alguma dúvida, querida? ― Balanço a cabeça negativamente. ― Será que pode me contar em detalhes como foi seu momento com meu pai, minha irmã e o Dawson?

― Claro, querida!

Empolgada, sento-me na cama e começo a contar tudo detalhadamente, começando desde o momento em que eles foram atrás de mim no quintal logo após a briga.

E ficamos entre conversas, risadas e carinhos, até o sono finalmente chegar e nos derrubar.

Notas finais
Agora eu quero saber se vocês continuam com a mesma animação para ver Cora na fanfic, rs. Enfim, foi pesado, não foi nada bom, mas no fim, até que deu tudo certo, né? Porém Emma está na mira de Cora e qualquer deslize, ela se ferra! Alguém esperava por essa Cora? Espero que tenham curtido mais um capítulo e até o próximo! :)