Next to Me

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Notas iniciais
Voltei, mores :)

Após a nossa conversa, ainda ficamos deitadas por ali, contemplando a linda noite que Deus fez para nós, trocando carinhos e aproveitando a companhia uma da outra. Um tempo depois, resolvemos ir embora. Já passava das onze da noite.

Quando voltamos para a quadra para avisar aos nossos amigos que estávamos indo embora, a coordenadora, vários professores e alunos já tinham indo embora e os alunos que ficaram, tinham transformado a festa em uma balada cheia de bebidas e drogas. Regina quase teve um infarto quando viu tudo. Eu tive que implorar para ela não se meter e fingir que não viu, assim como os outros professores que ainda estavam no local.

Procurei por Killian, mas não o encontrei, então segui atrás de Ruby e Ariel e encontrei as duas aos beijos em um canto mais afastado da aglomeração. Meti-me no meio delas, avisei que estava indo embora e pedi para avisarem ao Killian. Protestaram um pouco, mas me deixaram ir. Segui atrás de Nellie e Jack para dar o aviso e eles também estavam no maior amasso. Assim como fiz com Ariel e Ruby, meti-me no meio dos dois, avisei que estava indo embora e pedi para avisarem ao Killian, caso o encontrassem. Em seguida, fui atrás de Regina, que conversava animadamente com Mary e o homem misterioso para mim, que depois eu daria um jeito de saber quem é, e chamei-a para ir embora.

Por já estar tarde e sabermos que um táxi demoraria em aparecer e nem eu e nem ela poderíamos dirigir por ter ingerido bebida alcoólica, resolvemos voltar para casa andando. Seria uma boa caminhada, mas eu não estava me importando de fazer. Afinal, eu estava na melhor companhia que eu poderia querer e passaria mais tempo ao seu lado.

Assim que saímos da rua da escola, puxei-a para mais perto, abracei sua cintura de forma protetora e em silêncio começamos a andar pela rua deserta e molhada devido à chuva fina que caiu há pouco.

O barulho dos nossos passos e das árvores que eram sacudidas por causa da ventania deveriam ser os únicos barulhos que deveríamos ouvir, se não fosse por duas pessoas no maior amasso, fazendo alguns sonos, em um beco escuro, ali, bem próximo à escola, onde qualquer ser que estivesse em bom estado e tivesse boa visão veria se passasse por aquele local.

Pedi a Regina que fizesse silêncio, soltei-me dela e me aproximei vagarosamente até ficar a centímetros dos dois.

― Imaginem se não fosse eu e a Regina passando por aqui agora. — Sussurrei no ouvido de Killian e assustei os dois, que pararam no mesmo momento que ouviram minha voz. — Agora está bem explicado como Killian sabia que Regina ficaria conosco na excursão. — Ele vira-se para mim e sorri sem graça. — E eu achando que você ficaria com Ruby ou Ariel. — Balancei a cabeça negativamente. — Eu estava muito enganada.

― As duas foram mais rápidas do que eu e pegaram um a outra. ― Retruca todo zombeteiro e eu semicerro os olhos e cruzo os braços, mas no fundo, eu queria rir do que ele disse.

― Ei, loira de farmácia... — Tinker me cumprimenta toda sem graça. — O que vocês estão fazendo aqui? — Olha-me com malícia, mas ao olhar para Killian, lembra-se que ele não sabe de nada e desfez o olhar.

― A pergunta certa é: O que vocês dois estão fazendo aqui? ― Reformulo, enfatizando o sujeito. ― Já pensou se fosse a coordenadora ou a diretora em vez de mim e Regina? — Os dois arregalam os olhos. — Pelo jeito não pensaram nas consequências. — Balanço a cabeça negativamente. — Não entendo o porquê de escolherem esse local... ― Aponto para o nosso ao redor. Um beco completamente escuro, sujo, cheio de animais que trazem doenças, sem movimento algum por perto e muito perto da escola. Um perigo. ― Killian, seu irmão nem está em casa pelo que eu sei, mas mesmo se estivesse, ele nem ligaria. — Meu amigo, com certeza envergonhado, abaixa a cabeça e foca o olhar no chão. — Rose... — Digo seu nome para que fique ciente do quanto estou falando sério e logo ela também abaixa a cabeça. — Você, pelo que sei, mora sozinha. Não vejo problema em ir para lá. Ou seja, não há a necessidade de vocês estarem fazendo isso aqui e correndo riscos.

Ao fim do meu puxão de orelha, eles ficam calados. Mas eu não espero que falem alguma coisa. Afinal, não tem o que argumentar. Eles sabem muito bem que eu estou certa. Sabem muito bem que estão errados em fazer o que estavam fazendo no lugar em que estavam fazendo. Não tem defesa.

― Se vocês quiserem, podem ir para a minha casa. Tem dois quartos livres por lá. ― Ofereço, apesar de que, depois dessa, acho que eu devo ter quebrado totalmente o clima. Mas o que seria melhor? Quebrar o clima e evitar problemas para os dois ou deixar que acontecesse e alguém que não deveria, acabasse vendo os dois?

― E tem a minha casa também... — Regina também oferece, aproximando-se de nós três.

― Não! — Os dois respondem juntos, levantando a cabeça e olhando para nós duas.

— Não precisa... — Killian continua. — Nós vamos para a minha casa. — Olha para Tinker e ela concorda, balançando a cabeça afirmativamente e sorrindo.

― Acho bom mesmo. — Rebato em um tom sério, arqueando a sobrancelha e ele sorri sem graça. — E, use camisinha. — Advirto e vejo minha professora de redação corar. Tive vontade de gargalhar, mas mais uma vez, me segurei para manter a pose de séria. — Até amanhã.

Os dois assentem e saem do beco. Killian dá uma piscadinha para mim e passa o braço pelo pescoço de Tinker e ela passa seu braço pela cintura dele. Eu volto para o lado de Regina e nós seguimos caminhos opostos.

― Surpresa pelo que acabou de ver?

― Muito! Tinker não me disse nada. — Balança a cabeça negativamente.

― Killian também não me contou nada. Eles esconderam muito bem. ― Regina concorda, balançando a cabeça afirmativamente. ― Mas eu não estou totalmente surpresa. Assim que chegamos na festa eu vi quando ele foi dançar com Tinker. Encontra-los aqui só serviu para confirmar a minha suspeita.

― Depois Rose terá que me contar essa história direitinho. ― Regina murmura e eu assinto, pensando o mesmo de Killian.

Ficamos em silêncio e eu repasso na mente o momento em que dei um susto nos dois. Se o momento não tivesse sido tão sério, dava para ter gravado e jogado na internet depois.

― Então, quer dizer que não é só eu que pego professor. — Comento e acabado ganhando um beliscão de Regina. — Ai... — Reclamo, passando a mão no local. ― Qual o motivo dessa agressão?

― Pega? — Questiona irritada.

― Ah! ― Ela semicerra os olhos. ― Perdão pela forma como eu disse, deixe-me reformular minha frase... — Minha morena arqueia a sobrancelha. — Pelo jeito, não é só eu que tenho um relacionamento com professor... Melhorou? — Rê assente e eu solto um beijinho no ar. De repente, a imagem do homem que estava com Regina na festa e tem estado com ela por esses dias vem à mente. — Agora vamos mudar de assunto... Quem é aquele homem que estava com você?

― O nome dele é Dawson. Ele é... — Faz uma pausa e desvia brevemente o olhar. — Um amigo da família.

― Um amigo da família... — Murmuro. — Então, fale-me mais sobre este amigo da família. — Peço em um tom claramente irônico.

― Ele é irmão do meu primeiro namorado. Daniel.

― Só isso? Não era o que parecia. — Meu tom continua irônico. Não sei como ela ainda não tinha se irritado.

― Bem... Nós já tivemos alguma coisa no passado, mas eu conheci o irmão dele e me apaixonei. — Olha para frente e seu olhar se torna perdido. — Chegamos a noivar e tudo, mas o Daniel morreu antes do casamento acontecer. Depois da morte de Daniel, os pais deles sofreram um acidente de carro. O pai morreu na hora, a mãe depois de dois meses. — Faz uma pausa. — Mamãe sempre gostou muito dos dois e por isso o chamou para morar conosco. Dawson tentou algo novamente, mas eu não quis. Ele respeitou minha vontade e ficamos apenas amigos, até finalmente eu conhecer o Robin. ― Volta a olhar para mim.

― E o que ele está fazendo aqui?

― Mamãe está na cidade e ele veio junto. — O que? Meu coração foi no pé, na cabeça, em todas as partes do corpo e voltou. A mãe de Regina está na cidade? Como assim?

― Sua mãe está aqui? Aqui aonde? — Meu coração já estava para sair pela boca. Eu não estou nem um pouco preparada para conhecer a mãe de Regina. Nós acabamos de nos acertar e eu já terei que conhecê-la?

― Ei, calma... — Coloca a mão em meu peito e arregala os olhos, claramente sentindo o meu coração acelerado. — Realmente, calma. Você não vai conhecê-la. ― Sorri. ― Não agora. — Acrescenta. Não vou conhecer agora, mas depois sim. — Ela está em um hotel no centro, junto com minha irmã Zelena, o Dawson e o meu pai. — Respiro mais aliviada ao saber que pelo menos por aqui ela não está e eu não correrei o risco de vê-la ainda hoje. Mesmo que ela não saiba de nada sobre mim e Regina, eu não quero conhecê-la. Não agora.

Voltamos a nos abraçar igual quando saímos da escola e demos continuidade a caminhada em silêncio. A rua em que estávamos agora, já não estava completamente vazia como antes. Havia alguns garotos que nos acompanhavam mais na frente e uma mulher sozinha, mais atrás dos garotos.

A mulher, uma senhora de idade, não parava de nos encarar e aquilo já estava me irritando. Vi que Regina percebeu as olhadas nada discretas da mulher e estava se incomodando também e resolvi intervir e acabar com isso. Soltei-me de Rê e caminhei até ela, que assim que me viu ir em sua direção, virou a cabeça para o outro lado. Sorri. Até parece que eu não tinha visto que ela estava nos olhando o tempo todo.

― Senhora? — Chamei sua atenção. — Tem algum problema comigo? — Apontei para o meu corpo e ela negou sem nem mesmo olha-lo por completo. — E com ela? — Apontei para Regina e a senhora negou também. — Então, por que você não para de nos encarar com uma expressão distorcida? Está sentindo alguma dor? — Ela franze o cenho como se eu tivesse acabado de perguntar algo absurdo e balança a cabeça negativamente. — Gostaria de pedir que parasse de ficar nos encarando, pois está incomodando a mim e a ela. — Pedi gentilmente. — Se a senhora não aceita nossa orientação sexual, tudo bem, mas, por favor, respeite a gente.

― Eu não vou respeitar nada! Vocês todos são os errados. ― Rebate toda grosseira e meu sangue ferve. Que vontade de cometer um crime.

― Errado é esse seu preconceito nojento. ― Retruco sem paciência alguma. Os garotos que iam mais na frente até pararam para observar. ― Errado é você nos julgar e dizer que estamos errados. Quem é você para fazer isso? Qual o direito que você tem de fazer tal ação? Tenho certeza que Deus não deve gostar nada de ver vocês tratando mal, julgando, causando guerras e matando as pessoas por causa de sua orientação sexual. — Regina se aproxima de mim e me puxa pelo braço para longe dela. — Procure o seu lugar e cuide da sua vida. Você deveria ter vergonha.

― Vamos embora, Emma. — Regina pede baixinho.

― O amor não tem sexo e o mundo seria bem melhor se entendesse isso e respeitasse. — Digo por fim, abraçando Regina novamente e dando continuidade à nossa caminhada, indo para bem longe dela, que ficou resmungando algo.

― O que deu em você, Emma? — Pergunta assim que ficamos mais longe da senhora.

― Alguém precisava dizer umas verdades para ela e eu estava incomodada, assim como você. — Abracei-a mais forte. — Eu vou te levar em casa. — Aviso, querendo mudar o assunto.

― Não precisa. — Balanço a cabeça negativamente, deixando claro que não aceitarei sua recusa. — É sério. — Insiste e eu continuo balançando a cabeça negativamente. — Emma!

― Regina, as ruas estão desertas. É perigoso você andando por aí, sozinha. Sei que se um ladrão vier com uma arma eu não poderei fazer nada, porém, ao menos estarei com você nesse momento. — Argumento, torcendo para que seja o suficiente e ela aceite.

Ela me encara por alguns segundos.

― Ok! Você venceu.

Continuamos nossa caminhada em silêncio até finalmente, sem interrupções e trinta minutos caminhando direto, chegarmos a casa dela.

― Pronto! Está entregue, sã e salva. ― Digo bem-humorada, assim que paramos em frente à sua porta.

― Obrigada por me acompanhar até aqui. — Sorri. Aquele sorriso tímido que eu amo. Como senti falta de vê-lo. — Você vai de táxi, certo? — Pergunta preocupada e eu assinto. — Ficarei mais aliviada... Por favor, me avise quando chegar.

Então ficamos em silêncio. O que fazer agora? Eu não queria ir e tenho certeza que ela não queria entrar.

― É... — Murmurei nervosa. — Bem, então eu já vou... — E agora, o que fazer? Um abraço, um beijo? Se for beijo, em que parte? Na bochecha? Na boca?

Com o tempo para pensar encerrado, aproximo-me decidida a dar apenas um beijo na bochecha, mas Regina vira, propositalmente ou não, o rosto e nossas bocas se unem num selinho que, eu não me aguento e aprofundo para um beijo.

O beijo começa calmo, com apenas um roçar de lábios, bastante excitante e sensual, porém nossas respirações já estavam bem irregulares. Talvez tenha sido por causa da caminhada que fizemos até aqui. Coloco as duas mãos em sua cintura, apertando-a e empurrando-a até a parede ao lado da porta e torno o beijo mais intenso. Nossas línguas finalmente se encontram dentro das bocas e as mãos de Regina seguem ao encontro dos meus cabelos no pescoço. Porém, precisávamos parar. Ou então acabaríamos nuas em algum canto da casa. Não que eu não quisesse. É claro que eu, com toda certeza, queria fazer amor com Regina, mas não dessa forma. Não agora. Eu queria fazer direito, como se fosse nossa primeira vez, depois de alguma noite maravilhosa que teríamos.

― Acho melhor pararmos por aqui. — Digo com dificuldade, com a respiração descompassada, afastando-me a contragosto.

― Você tem razão. — Diz, passando a língua pelos lábios e me deixando, propositalmente ou não, atiçada.

― Bem, agora eu vou mesmo. ― Aproximo-me novamente, beijo sua testa para não correr o risco de acertar em sua boca novamente e recomeçarmos e me viro para ir embora.

― Até segunda! — Ouço-a gritar e olho para trás, dando tchau.

•§•

Quando cheguei em casa, tratei logo de mandar uma mensagem para Rê avisando que tinha chegado inteira e bem. Enquanto eu tirava minha roupa para ir tomar um banho, ela me respondeu, desejando-me no fim da mensagem uma ótima noite e bons sonhos. Fiquei com vontade de dizer que iria sonhar com ela, mas preferi apenas desejar boa noite também.

Depois de tomar um bom banho quente e preparar uma xícara de leite para mim, liguei para vovó. Estava muito tarde, mas eu precisava contar a ela o que aconteceu comigo e Regina esta noite.

Vovó ficou tão animada que parecia que tinha recebido a notícia de que ganhou na loteria. Durante a conversa, dona Eva me deu uma ideia para um bom recomeço entre nós. O primeiro passo eu faria segunda-feira quando a visse nos corredores da escola.

Passei horas no telefone com dona Eva e só encerramos a conversa porque o sono chegou para mim e para ela. Como eu já estava na cama, apenas coloquei o celular na mesa de cabeceira e chamei Ava para vir dormir comigo.

Antes de tentar pegar no sono, repassei tudo que aconteceu na noite. Desde os momentos ruins, assim que eu cheguei e vi Regina com o tal Dawson, até os bons, quando ela chegou na laje e nós conversamos. Animada, até dividi algumas partes com Ava. Em resposta, ela latia, como se pudesse entender o que estava ouvindo. Mas vai que estava entendo mesmo?

Naquela noite eu fui dormir completamente realizada e feliz. Como há muito não acontecia.

Notas finais
Surpresos com Tinker e Killian? Aos poucos nosso casal vai voltando. Em breve dona Cora aparece junto com Henry e Zelena. Espero que tenham curtido mais um capítulo e até o próximo! :)