Next to Me
69 Next to me - 69
Notas iniciais
Quando cheguei em casa, Ava dormia tranquilamente, de perna para cima e tudo, em cima do sofá. Folgada!
Andei pelos cômodos para ver o que minha pequena tinha aprontado e para minha surpresa, o único lugar que ela sujou foi o meu quarto. Todas as suas necessidades tinham sido por lá. Todas as bacias de ração que deixei estavam vazias e as de água, apenas uma ainda tinha conteúdo.
Depois de tomar um bom banho relaxante e arrumar a bagunça que Ava fez em meu quarto, sai para ir ao hospital para que dessem uma analisada em meu pé. Talvez o corte tenha sido profundo e precise de ponto. Em vinte minutos cheguei ao prédio da emergência, preenchi meus dados e esperei dez minutos até ser chamada. Encontrei o senhor que me atendeu no dia da queimadura e torci para que fosse ele o médico a me atender, porém estava com outro paciente e tive que ir para outro.
Como imaginei, o corto foi profundo e estava muito inchado. Eu ganhei seis maravilhosos pontos, sem anestesia, e chorei sem vergonha com a dor. Não precisava ser assim. O médico disse alguns cuidados que eu teria que ter, deu várias broncas por eu não ter ido logo e ter corrido o risco de deixar piorar, tipo infeccionar, até soltou que meu pé poderia ter caído, passou um remédio anti-inflamatório e me liberou para ir para casa.
Na segunda-feira, nós teríamos o dia livre para descanso e não teríamos aula, depois de dar um bom banho em Ava, passei a manhã toda caminhando com ela. Não consegui seguir seu ritmo por causa do machucado, mas consegui fazer o passeio tranquilamente. Ava além de esperta era bastante obediente.
À tarde, recebi vovó em casa. Contudo, dona Eva não demorou muito. Veio apenas para saber como eu estava e ver o estúdio, porém quando viu meu pé machucado, depois de me encher de bronca por ter chegado tarde demais e por não ter ido logo no hospital, não me deixou leva-la até lá, preferindo ir outro dia. Também conversamos um pouco sobre mim e Regina, eu lhe contei tudo que aconteceu no passeio da escola, e depois ela foi embora.
À noite, depois de muita insistência, fui para o shopping com Ruby, porém não passamos muito tempo. Eu não deveria nem estar andando para não quebrar os pontos, muito menos batendo perna com ela. Quando voltei, maratonei CSI agarrada com Ava até que minhas pálpebras pesaram demais, eu ainda estava cansada da viagem, e nós fomos dormir.
Na manhã seguinte, terça-feira, fui ao estúdio para ver como tudo estava e levei Killian, Ruby e Ariel comigo para que finalmente conhecesse o lugar. Na volta, paramos para almoçar no shopping e depois voltamos para casa para nos trocar e ir para mais um dia para a pequena prisão, mais conhecida como escola, assim domo Davi nos dizia antes de ter abandonado os estudos no ano passado.
•§•
— Vocês fizeram o relatório de Gold sobre a excursão? — Ariel pergunta preocupada. Tínhamos acabado de terminar as atividades de gramática que Regina tinha passado e estávamos aproveitando o momento para conversar um pouco, enquanto ela esperava os outros alunos terminarem.
— Não. — Respondemos juntos olhando um para o outro.
— Gold nem estava lá. — Killian pontua, dando de ombros.
— Deixa de ser burro. Só porque um professor não estava lá, não quer dizer que não servia para a matéria dele. — Replicou Ariel e nós sorriamos da cara de ofendido que ele fez ao ser chamado de burro.
— Com essa eu vou ao banheiro. — Anuncia em um tom baixo, claramente fingindo estar ofendido. Quando se levanta, Ariel pega em sua mão e o puxa para si, querendo impedi-lo de sair.
― Desculpa, Killian, você não é burro... Desculpa, vai... ― Praticamente implora enquanto eu e Ruby rimos dos dois. Nosso amigo murmura um “tudo bem” ainda fingindo estar emburrado porém aberto a perdoar, solta-se dela, vai até Regina e depois sai da sala.
Sem a presença de Killian, nós demos continuidade no assunto dos relatórios da excursão que todos os professores pediram. Até mesmo matérias que não apareceram nas atividades que fizemos, foi pedido relatório. O bom é que estávamos ganhando ponto extra.
Regina, provavelmente não aguentando mais esperar alguns alunos terminarem as atividades que foram passadas, levantou-se da cadeira e começou a escrever no quadro um novo assunto. Logo um silêncio maravilhoso se formou enquanto ela fazia seu trabalho.
Desde o nosso último momento no ônibus, quando ela se sentou ao meu lado e me fez carinho, não trocamos mais palavras ou nos vimos. O nosso primeiro contato estava sendo agora, em sua aula. E assim como na última vez em que estivemos em uma sala de aula, ela não parava de me encarar sempre que podia.
De repente, um estrondo forte no fim da sala chama a nossa atenção e nós viramos assustados para ver o que é.
— Puta que pariu! — Jensen grita, caído no chão. Ao seu lado tinha uma cadeira completamente detonada. Do lado oposto a Jensen e a cadeira, Greg, um aluno tímido e de poucos amigos na escola, esmurrava o chão enquanto gritava. Esse garoto só podia estar louco.
— Sai dele! — Alguém grita em tom zombeteiro e num piscar de olhos todos começam a correr para fora da sala.
Quando me levanto da cadeira para correr também, mesmo sem poder por causa do pé, o garoto sai correndo feito louco, derruba uma menina no processo e ataca Regina, empurrando-a na parede. Realmente, ele estava fora de si. Sem pensar duas vezes, corro em direção aos dois, agarro-me em suas costas e o puxo para trás. Em seguida, ele se joga para trás e me prensa entre ele e o chão. Porém, não o deixo livre e aplico um mata-leão ensinado por meu pai.
— Corre, Regina. — Consigo gritar, mesmo com dificuldade por ele estar me prensando, querendo se soltar do meu agarre. Ela não me obedece e vem para cima de nós dois. — NÃO. Chama o David ou o Gold para ajudar. — Ela assente e sai correndo da sala.
— Qual o seu problema, cara? — Indago já sem fôlego, devido ao esforço que estou fazendo.
De repente, ele se acalma e eu afrouxo o apertão.
Por que raios eu fui fazer isso?
Como se alguém, capaz de ter sido o demônio, tivesse ligado um botão nele, o garoto se vira para mim e começa a apertar o meu pescoço.
— Eles só precisavam me respeitar. — Ele grita, cuspindo em minha cara. — Todos eles. Meus pais e meus amigos. Não precisava aceitar. Só respeitar.
— Que merda você está falando? — Sussurrei com dificuldade, tentando me soltar do seu aperto.
— Eu sou gay! — Ele grita em um tom cansado.
— E o que eu e toda a turma temos a ver com isso? — Por algum motivo ele afrouxa um pouco o apertão e eu não penso duas vezes em chutar com toda força do momento, suas partes íntimas. Até eu senti a dor, principalmente porque chutei com o meu pé machucado. Acho que eu terei problemas com os pontos. Ele cai ao meu lado e eu aproveito para voltar a dominá-lo.
— Agora, fica quietinho até alguém chegar. — Mandei entredentes, apertando o seu pescoço e prensando suas partes íntimas com o joelho para que ele não pudesse tentar nada. — Cara, primeiro de tudo, ninguém aqui tem culpa se seus pais te aceitaram ou não, e segundo, não é fazendo o que você fez... — Apontei para o seu braço que estava inchado, entregando o que ele fazia. — Que vai fazer os seus pais te aceitarem como você é. — Balanço a cabeça negativamente. — Existem outras maneiras de fazer os seus pais te aceitarem. Uma delas é conversar, talvez seja a melhor opção...
Meu pequeno discurso é interrompido por sua mão livre que me dá um soco e eu não me faço de rogada, logo dando outro também. Ele revida em seguida e eu faço o mesmo, mas nossa troca de carinhos não dura muito, porque Killian entra na sala, tira-me de cima dele, dá um soco muito forte em seu rosto e o levanta puxando pela camisa.
— Que história é essa de bater em mulher? Hein? ― Jones grita em sua cara. Seus olhos e rosto estavam vermelhos. ― Desgraçado! — Killian estava bastante irritado e eu devo admitir que fiquei assustada. Não me lembro de já ter o visto assim. Greg começa a se debater em seus braços, tentando se soltar, mas Jones o segura com ainda mais força. ― Por que você não procura um homem para fazer isso?
Soltando sua camisa e segurando seu braço com força, Killian faz sinal para que eu o pegue do outro lado e nós o levamos para fora da sala. Ao sairmos no corredor, que estava cheio de alunos e professores de outras salas, curiosos querendo saber o que estava acontecendo, encontramos David e Gold correndo em nossa direção.
— Estão atrasados. — Killian solta, extremamente irritado.
— Estávamos do lado de fora da escola. — Gold diz em defesa dos dois. — Agora, deixem-no conosco. — Meu amigo literalmente joga Greg para cima dos dois e se afasta. Quando eu vejo que David o segura no braço livre, também solto-o e me afasto. Em seguida, Gold e David levam ele para longe de nós.
— Ei... ― Aproximo-me de Killian, que encostado na parede, parecia tentar se acalmar. ― Obrigada, meu amor. Não sei onde pararíamos se você não tivesse entrado.
— Enquanto eu puder, não deixarei que nada aconteça com as mulheres da minha vida. — Diz, referindo-se a mim, Ruby e Ariel. A sinceridade em sua voz me tocou tão fundo que senti vontade de chorar. Acho que eu estava perto do meu período... Ou não.
— Eu amo tanto você. — Abracei-o o mais forte que pude.
— Desculpe-me não ter chegado a tempo. Eu não sabia o que estava acontecendo.
— O importante é que você chegou.
Ruby e Ariel veem ao nosso encontro.
— Vocês estão bem? — Ruby pergunta preocupada. Seus olhos estavam vermelhos. — Ele te machucou, Emma. — Diz horrorizada, passando a mão em meu pescoço.
— Não se preocupe. Ele vai passar alguns dias com um saco de gelo em suas partes. — Ruby coloca a mão na boca e sorri e Killian faz uma careta de dor.
― E o seu pé? ― Ariel pergunta e automaticamente eu sinto dor. ― Deve ter quebrado todos os pontos...
― Acho que eu vou ouvir um pouco do médico quando for ao hospital. ― Faço uma careta. Com certeza irei ouvir um sermão.
Vejo a coordenadora conversando com Regina e me afasto dos meus amigos para ir falar com ela.
— Você está bem? Ele te machucou muito? — Perguntei afobada, analisando-a por completo.
— Ei, calma, eu estou bem. Ele não chegou a me machucar. — Fala tranquilamente, sorrindo e tocando em meu braço e eu fico um pouco nervosa com o toque. Ok, fico um bocado nervosa. — Só está um pouco dolorido, mas tudo bem. — Dá de ombros. — Você precisa ir para a enfermaria. — Toca em minha testa. Provavelmente deve estar machucada. ― Está machucada. — Confirma minha suspeita. ― Vamos! ― Segura em minha mão e me puxa pelo corredor em direção a enfermaria.
•§•
Fazia alguns minutos que eu estava sentada em cima da única maca que tem na enfermaria e Regina estava no meio das minhas pernas, cuidando delicadamente de meu corte na sobrancelha.
Desde que chegamos estamos caladas, porém eu sei que assim como eu quero falar, ela também quer. Então respiro fundo e resolvo quebrar o silêncio.
— Rê, eu queria que você me perdoasse... — Começo em um tom baixo. ― Por ter correspondido o beijo e depois ter parado e falado aquelas coisas que provavelmente devem ter te machucado. — Eu não me sentia errada por ter agido como agi, mas eu sabia que a tinha magoado e precisava pedir perdão por isso.
— Não precisa pedir perdão... — Interrompe os seus cuidados e me encara. — Além de você estar certa no que me disse naquele momento, não se arrependa de ter dito o que achava e que era o certo, só porque me magoou. ― Assinto, abrindo um pequeno sorriso.
Ficamos nos encarando em silêncio até que Regina começa a se aproximar. Ela encara meus lábios, sobe para os olhos, mas logo volta para os lábios. Era como se estivesse pedindo permissão. Porém, antes que ela concluísse a ação, a porta é aberta e a coordenadora entra. Meu coração só faltou sair pela boca, com o susto. Regina foi tão habilidosa em se afastar e levar sua mão com algodão e remédio para o meu lábio que estava machucado, que eu nem acreditei direito que aconteceu.
― Emma, minha querida. — Ela parecia estar nervosa. — Como é que você está? Soube que ele te machucou. — Chega perto de mim e arregala os olhos. ― Meu Deus! — Leva as mãos à boca. Seu olhar estava direcionado para o meu pescoço.
― Apesar de estar doendo, eu estou bem. — Sorri para passar tranquilidade.
― Graças a Deus! — Exclama aliviada e eu sorrio, achando graça do seu jeito. — E você, Regina... Está bem? — Aproxima-se de Rê e a analisa. — Fiquei sabendo que ele te jogou na parede. — Faz uma careta.
― Só estou sentindo uma dor de cabeça. — Com a mão livre, toca na têmpora.
― Vá tomar algum remédio. ― Oferece gentilmente. ― Se quiser pode passar a próxima aula descansando na sala dos professores. — Tira o algodão da mão dela e a leva em direção a porta.
― Não precisa. Eu vou tomar um remédio e volto para a sala de aula. — A mulher assente. — Melhoras, Emma! — Olha-me intensamente e vai embora.
Assim que Regina fecha a porta, a coordenadora toma o seu lugar e passa a cuidar dos meus machucados, avisando que só me liberaria para ir para casa quando a enfermeira voltasse e me examinasse.
•§•
Após ser liberada eu segui direto para o hospital e bem como eu pensei, ouvi uns 10 minutos de sermão porque os pontos tinham quebrado. Até tentei me justificar, mas não teve jeito.
Com o pé inchado e cheio de novos pontos, passei o resto do dia em casa, na companhia de Ava, comendo e dormindo. À noite, Ruby e Killian vieram ficar comigo e acabaram ficando para dormir também.
O resto da semana passou tranquilamente, sem maiores acontecimentos.
O garoto, Greg, foi levado para uma reabilitação. Ficaria por lá, no mínimo um ano. Disseram que ele estava envolvido com algumas drogas pesadas. Até onde é verdade eu não sei.
Os preparativos para a festa de fim de ano que já se aproximava, estavam a todo vapor. Ruby, que estava ajudando na decoração, não parava de falar dessa festa. Era o assunto do momento para ela.
Regina, depois do acontecido na enfermaria da escola, não tentou mais nenhum tipo de aproximação, o que foi bastante estranho. Então, eu resolvi ficar na minha também. Eu pensei que depois de todos esses acontecimentos, nós iriamos ter alguma conversa sobre o assunto, bem como eu queria. Mas parece que essa conversa não estava nos planos de Regina como estava nos meus.
Todos os dias, durante as suas aulas, ela passou a receber uma ligação e sempre que voltava era toda sorridente. Eu estava começando a desconfiar que o que minha avó me perguntou em sua última visita quando começamos a falar de mim e dela e do que aconteceu no passeio, estava acontecendo.
Só de imaginar Regina com outra pessoa, eu já sentia o desespero tomar conta.
Será que ela desistiu de mim? Será que eu a perdi?
‘’Será que você já me esqueceu? Será que o culpado fui eu? Será que não tem mais jeito? Que eu vou ter que te arrancar do meu peito?’’ — Por amor, Calcinha Preta.
O pior é que eu não sabia nem o que fazer. Não estávamos nos vendo com tanta frequência como antes. Eu não tinha coragem de ligar para ela, e mesmo se tivesse, não saberia o que dizer.
Com quem você anda falando ao telefone?
Por que se afastou de mim?
Desistiu de mim? De nós?
Eu não podia ligar para ela e perguntar essas coisas. Com qual direito eu tinha de fazer isso?
Enquanto Regina se afastava cada vez mais de mim, Jack, me procurava com mais frequência. Contudo, eu logo cortei suas asas e esperanças e pedi que fossemos apenas amigos. Eu não queria namorar outra pessoa sem sentir o mesmo que ela sente por mim, sem ter paixão, sem ter amor, amando outra pessoa. Nenhum de nós merecíamos isso.
Certo dia, quando eu estava chegando na escola, nesse dia eu cheguei bastante cedo porque faltava uma semana para a festa e queriam minha ajuda, vi Regina conversando com um homem, bastante alto e muito bonito, por sinal. Quando a vi conversando animadamente com aquele rapaz, a minha ficha realmente caiu. Eu a tinha perdido para outra pessoa.
Ao olhá-la toda feliz com ele, senti uma pontada de dor em meu peito. Ela estava tão feliz, como há muito não via.
Por que ela teve que fazer o que fez? Por que teve que ir embora? Por que teve que me deixar? Por que teve que abrir mão de mim por ser mais nova? Nosso amor, o meu amor, não era o suficiente?
Mas será que tanto amor, não pode evitar que você fosse embora deixando a solidão entrar por essa porta pra me fazer chorar... — Por amor, Calcinha Preta.
E eu, por que eu não fui atrás dela depois do acontecido na enfermaria? Se precisávamos de uma conversa séria sobre nós, para nos acertarmos e quem sabe voltarmos a ter um relacionamento mais íntimo, por que eu fiquei esperando ela vir? Por que eu não tomei a iniciativa e fui atrás?
Desde o dia em que você se foi eu não consigo mais dormir, eu não consigo te esquecer. Está faltando alguma coisa em mim, porque uma parte está aqui, a outra ficou com você.
Um pedaço do meu coração, na estrada ficou e o vento levou. Não me deixe nessa solidão... você não sabe o que você, é para mim. — E o vento levou, Calcinha Preta.
•§•
Duas semanas depois.
Assim que saímos do hospital, Ruby me acompanhou para tirar os pontos, nós seguimos para o shopping. À noite teríamos a festa de fim de ano e precisávamos comprar uma roupa nova.
Passamos quase duas horas de loja em loja para no fim eu escolher um vestido que me fez trouxe o sentimento do arrependimento trinta minutos depois que eu saí da loja.
Quando eu cheguei em casa e vi que ainda tinha uma hora de folga até começar a me arrumar, aproveitei para deitar e descansar. Acabei acordando tarde e tive que me aprontar nas pressas.
Na saída, depois de me despedir de Ava, passei uma mensagem para Lucas avisando que já estava saindo de casa e graças a Deus consegui pegar um táxi rápido.
Quando cheguei na festa, fui logo cumprimentar os professores que já estavam se despedindo antes mesmo de fazermos as provas finais, era claramente um aviso de que não deveríamos ficar em recuperação e atrapalhar as férias deles, e voltei para o portão para esperar Ruby, Killian, Nellie, Ariel e Jack.
Tão logo cheguei, eles também chegaram, porém, não só eles, mas também Regina e o homem. Meu coração acelerou ao ver os dois juntos. Ainda bem que eu nunca tive o desprazer de vê-la agarrada com ele ou aos beijos. O colar que não saia de seu colo desde a volta as aulas estava de folga hoje, dando lugar para outro.
Ela passou por nós me encarando discretamente e seguiu para o pátio.
― Gostosa Mills, está mais gostosa que o normal, hoje. — Killian comenta em tom malicioso.
― E o cara que ela está é uma delícia de gostoso. — Ruby acrescenta e ganha um beliscão de Ariel. Acho que as coisas estavam ficando sérias entre elas. As bonitas, principalmente Ariel, não queriam abrir o jogo para mim e Killian quando questionávamos sobre.
― Emma? — Nellie chama minha atenção. Parecia preocupada. — Tudo bem? — Abri um pequeno sorriso, daqueles que não mostramos os dentes e assentei com um maneio de cabeça.
Entramos na escola e assim que chegamos ao pátio, ‘’All out of love – Air Supply’’ tocada por uma banda local contratada pela direção, preenchia o local com sua melodia melancólica.
De longe vi Regina e seu acompanhante dançando agarrados. Ruby e Ariel logo se juntaram também e começaram a dançar. Killian saiu pelo meio da multidão e quando eu vim achá-lo, estava completamente agarrado a Tinker. O que estava acontecendo?
Acreditando que ficaria sozinha porque Jack chamaria Nellie para dançar também, segui para uma mesa, mas Jack me parou e me puxou para dançar. Nellie tinha ido com outra pessoa.
Ao começar a dançar, acabei ficando de costas para Regina e me senti aliviada por não poder vê-los. Porém a curiosidade foi mais forte e eu não resisti em girar com o embalo da dança para poder vê-la. Arrependi-me no segundo seguinte quando vi os dois de testas coladas.
‘’Se quiser partir eu não vou deixar, eu não vou me acostumar, com um novo amor pensando em ti. E se me disser que não me quer mais, que está amando outro rapaz, pelo amor de Deus não quero ouvir. Eu vou me matar, me jogar ao mar,
preciso saber o que foi que eu fiz amor. ’’ — Um novo amor, Calcinha Preta.
Quando a música acabou, soltei-me de Jack e voltei para a mesa. Não estava me sentindo bem.
A banda dá início a mais uma de Air Supply, Goodbye e eu, forçadamente, desvio o olhar para os alunos dançando, para evitar ficar ainda mais triste vendo Regina e seu acompanhante.
•§•
Sentada na mesa desde que dancei com Jack quando cheguei, eu observava discretamente Regina dançar, conversar, gargalhar e brincar com o homem e alguns professores.
Killian há muito tinha sumido com Tinker. Pelo jeito não é só eu que escondo um segredo e me envolvo com professor. Ruby e Ariel apareciam algumas vezes para me trazer bebida, mas logo sumiam por entre os alunos, e Jack e Nellie não se desgrudaram desde que dançaram uma música quando o par de Nellie parou para comer.
O momento de músicas agitadas acabou e a banda cover começou a tocar ‘’I’ll stand by you – The Pretenders’’ Mais uma vez Regina se agarrou ao homem e começaram a dançar.
Oh, Why you look so sad? ― Oh, porque você parece tão triste?
Tears are in your eyes ― Há lágrimas nos seus olhos
Come on and come to me now ― Venha aqui e venha comigo agora
Don't be ashamed to cry ― Não tenha vergonha de chorar
Let me see you through ― Deixe-me ver você por inteiro
Cause I've seen the dark side too. ― Porque eu já vi o lado escuro também
Inevitavelmente, lembranças de época que namorávamos, o dia do “eu te amo”, o dia do “você é minha e somente minha” e o dia do “não te deixarei” vieram à mente e as lágrimas começaram a rolar por meu rosto. Graças a Deus tudo estava escuro e ninguém podia ver.
When the night falls on you — Quando a noite cair sobre você, baby
You don't know what to do — Você não sabe o que fazer
Nothing you confess — Nada do que você confesse
could make me love you less — Pode me fazer te amar menos
Não aguentando mais ouvir a música que só estava piorando o meu estado e ver o que via entre Regina e o rapaz, saí a francesa e fui para o lugar que há muito não ia. O meu cantinho. A laje que tinha por detrás da escola, aonde ninguém ia. O lugar onde tudo aconteceu entre mim e Regina.
Ao chegar perto da ponta, deito-me no chão e fecho os olhos. Escuto o barulho de passos se aproximando e eu não preciso abrir os olhos para saber quem é.
― Eu poderia te beijar agora. — Regina sussurra em meu ouvido. Ao abrir os olhos, tomo um breve susto por vê-la curvada em cima de mim, olhando-me intensamente.
― Aquele homem que está com você, com certeza não irá gostar quando souber. — Virei-me de lado para não encará-la. Não queria que me visse chorando.
― Ele não precisa saber. — Chocada com sua resposta, viro-me de volta para encará-la. Eu ouvi direito? — Emma, ele não é nada meu, se é isso que está pensando e quer saber. — Fala em um tom suave. — Eu não quero outra pessoa. — Começa a acariciar o meu rosto e eu fechos os olhos, querendo aproveitar melhor o carinho. — É só você. — Sussurra e eu abro os olhos novamente.
― Como sabia que eu estava aqui? Estava tão empolgada dançando.
― Eu te vi saindo. — Sorri. ― Apesar de não parecer, eu estava te olhando sempre que podia.
Ficamos em silêncio. Agora era o momento para finalmente conversarmos. Eu não poderia perder essa oportunidade.
― Você ainda me ama? — Pergunto com dificuldade. Estava me segurando para não chorar.
― Eu nunca deixei de amar você. — Responde com firmeza, passando o polegar por meus lábios.
― Então por que me deixou? Meu amor não era o suficiente para você? — Desde o primeiro dia em que a vi com o homem, não conseguia deixar de pensar nisso.
― Por favor, não vamos ter essa conversa de novo. ― Pede em um tom cansado. Sim, vamos ter essa conversa de novo. Precisávamos ter essa conversa de novo.
― Eu não quero voltar para você e depois termos que terminar novamente porque eu sou nova demais para os seus planos, porque você é minha professora e todos os outros motivos que você disse naquele dia. ― Repito com dificuldade o que disse quando interrompi nosso beijo. ― Eu não quero sofrer tudo outra vez. ― Acrescento num sussurro. Minha garganta já estava queimando de tanto segurar o choro. Eu não iria suportar por muito tempo.
― Eu não vou mais fazer isso, Emma. ― Seus olhos marejam. ― Eu só queria o melhor para você, sabe disso. Não queria te prender a alguém tão mais velho, não queria acabar com tua juventude, te forçar a amadurecer, a ser alguém que você não é, te impedir em algum momento de se divertir com os amigos, de ser quem você é com eles por causa de ciúme meu, te forçar a viver em um estágio da vida que ainda não tinha chegado... ― Sua primeira lágrima cai bem em minha bochecha e ela a enxuga, porém, em vão, pois logo as minhas começam a sair também. ― Mas parece que a minha preocupação foi em vão já que depois você apareceu com um rapaz que tem um filho. — Sua voz não tinha um tom acusatório, apenas triste.
― Eu não escolhi namorar o Graham por ter um filho, muito menos com intenção de te afrontar ou coisa do tipo... — Deixo claro. Eu jamais faria algo desse tipo. ― Nós nos conhecemos por acaso, ficamos muito amigos e só depois aconteceu. Mas eu não queria. Não estava em meus planos namorar alguém.
― Não foi o que pareceu. ― Ela desvia o olhar do meu e olha para o céu.
― Eu só tentei ouvir o seu pedido de seguir em frente e encontrar alguém mais jovem, que me acompanhe na minha etapa da vida...
― E você realmente fez. ― Volta a me olhar e abre um sorriso triste. ― Se o Graham não tivesse ido embora, você estaria com ele até hoje, não é?
― Não. — Respondi sem pensar duas vezes. Era uma pergunta simples de resposta fácil. ― Eu não parava de pensar em você. Por mais que eu gostasse dele, Graham não era o dono do meu coração. Ele não merecia isso. Não merecia amar alguém que ama outra pessoa. Uma pessoa que dedica todos os seus sonhos à outra pessoa. Se eu insistisse só machucaria a mim e a ele. Eu aprendi que não se cura um amor com outro. Entendi que se eu quisesse realmente ouvir o seu pedido, eu teria que primeiro te esquecer. — Regina assente. ― E quanto a você? Estava toda decidida quando terminou o relacionamento comigo... O que te fez querer voltar?
― Eu... — Ela respira fundo. — Quando você foi embora da minha casa, eu estava decidida a te deixar ir, viver sua juventude como tem que ser e encontrar alguém da sua idade, que estaria no mesmo estágio da vida, alguém que você pudesse namorar livremente, alguém que não te forçaria a amadurecer, mas sim, fariam isso juntos, mas no fundo, não era isso o que eu queria. ― Faz uma pausa. ― E quando os dias foram se passando eu só tive mais certeza disso. No fundo eu só queria que o ano letivo terminasse para eu ir atrás de você e te pedir para voltar. — Fala com dificuldade por causa do choro. — Mas eu só tive a certeza de que realmente eu não queria te deixar ir, não queria que você encontrasse outro, não queria te esquecer e muito menos esperar o ano acabar, quando eu vi que poderia te perder para sempre... Quando te vi com aquele rapaz... — Toca meu rosto suavemente eu não penso duas vezes em agarrar sua mão e beijá-la delicadamente. — Eu decidi que lutaria por você para te ter de volta. Tentaria consertar o erro que cometi ao te deixar ir.
― Quando eu viajei nas férias, ainda antes de conhecer Graham, minha avó me fez ver o quanto eu estava errada em relação ao que vínhamos brigando quando estávamos juntas. ― Faço uma pausa e respiro fundo, tentando me acalmar. ― Sobre eu permitir qualquer coisa dos meus amigos comigo por ninguém saber do nosso relacionamento e achar que estava certa, sobre nossas conversas que você acabava ouvindo... Ela me fez entender melhor o seu lado. — Regina se deita ao meu lado e eu me viro para ficar de frente para ela. — Perdão por ter feito você se sentir envergonhada e desconfortável... ― Peço sinceramente, olhando fundo em seus castanhos. ― Quando ela veio me visitar a última vez, eu contei o que aconteceu no passeio e ela me fez imaginar a possibilidade de aparecer outra pessoa em sua vida. Então quando eu te vi com aquele homem... Quando eu vi você de um lado para o outro com ele... Eu pensei: agora eu a perdi... — Levo meus dedos a sua face e ela faz o mesmo. ― Desculpe-me não ter lutado por nós...
― Eu não quero mais te deixar ir, Emma. Eu não quero mais correr o risco de te perder. Eu não quero outra pessoa em minha vida. Eu não quero mais esperar o ano acabar para poder te ter ao meu lado. Eu não quero que a nossa posição nos impeça de viver o nosso amor. Eu quero você de volta, Emma. ― Regina segura em meu rosto com as duas mãos. ― Volta para mim?
‘’Essa paixão é meu mundo. Um sentimento profundo... ’’ — Volta pra mim, Roupa nova.
Olhei-a no fundo de seus olhos e, assim como aconteceu no passado, naquele mesmo local, uni nossos lábios e nos beijamos apaixonadamente, com todo o amor que sentíamos uma pela outra, como se fosse a primeira vez.
I'll stand by you ― Eu estarei com você
I'll stand by you ― Eu estarei com você
Won't let nobody hurt you ― Não deixarei ninguém te machucar
I'll stand by you ― Eu estarei com você
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