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Notas iniciais
Cheguei, mores :)

Duas semanas depois.

Era noite de quinta-feira, na manhã seguinte iríamos a uma excursão da escola para Augusta. Em vez de eu estar em casa, preparando minha bolsa e depois descansando para me acordar disposta e o principal, não perder a hora, eu estava no shopping com Ruby, Nellie, Killian e Ariel, em uma mesa de uma lanchonete da praça de alimentação, tomando champanhe e comendo pizza. Não era uma muito boa, vinho seria muito melhor, mas inventamos de provar algo novo e deu nisso. O champanhe não era do mesmo lugar de onde veio a pizza. Era de um estabelecimento que ficava do lado de fora do shopping, onde só se vendia bebidas, principalmente alcoólicas. O atendente só vendeu a bebida porque Killian mostrou sua identidade falsa para ele, mostrando sua idade. 22. Killian ainda tinha 19. Depois tivemos que comprar diversas latas de refrigerante para trocar as bebidas e poder ficar livre dentro do shopping.

― As coisas de vocês já estão prontas? — Ariel pergunta e eu percebo sua voz estranha, um pouco embolada. Estaria Ariel bêbada? Como isso foi possível, apenas com champanhe? Estávamos na segunda garrafa ainda, e Ariel incrivelmente é bastante forte para álcool.

― Você já está bêbada, Ariel? — Ruby indaga em tom zombeteiro. Se Lucas também tinha percebido é porque provavelmente ela está realmente.

― Claro que não. — Responde irritada e nós rimos. Sim, ela estava.

― Ei! — Nellie chama a nossa atenção. — O shopping já vai fechar. — Aponta para algumas lojas que já estavam fechando as portas e o pessoal que já seguiam para a saída. — É hora de irmos.

― Não para casa, é claro. — Killian completa. — Antes, vamos aproveitar um pouco mais essa noite. — Dá uma piscadela para Ruby e Ariel e a ruiva fica sem graça. Suas bochechas ficam da cor de seu cabelo.

Terminamos nossas bebidas, pedimos a conta das pizzas e logo fomos embora. Quando passamos pelas portas, elas já estavam baixadas até a metade.

•§•

Cheguei em casa completamente zonza. Dessa vez, ninguém veio me acompanhado como de costume, ou eu fui levar alguém em casa. Exceto Ariel que estava extremamente virada, todos nós estávamos na mesma situação e só dependíamos de nós mesmo para chegar em casa em segurança. Bem, eu cheguei e espero que todos os outros tenham chegado também.

Passava dá uma da madrugada. Eu deveria estar dormindo. No dia seguinte eu teria que estar bem cedo na escola. Às seis e meia da manhã. Os ônibus iriam sair às sete em ponto e a coordenadora era bastante pontual e não tolerava atrasados, principalmente vindos de mim.

Fechei a porta e atravessei a sala com um pouco de dificuldade. Minha cabeça estava rodando ainda mais, agora que estou em casa. No caminho todo, a tontura estava fraca e não estava me fazendo cambalear e tombar pelos cantos, como agora. É como se ela soubesse que aqui eu poderia cair, ficar e até dormir, porque eu já estava em casa e não teria problema.

Consegui chegar ao banheiro pronta para tomar um banho, pois vim tirando a roupa pelo caminho, mas meus olhos pesaram e eu não resisti em me sentar no chão e descansar só um pouco as pálpebras antes de tomar banho e poder ir dormir de vez.

Quando abri os olhos, minha bunda queimava e meu pescoço estava dolorido. Quanto tempo eu tinha passado dormindo no chão?

Bem devagar e já me sentindo um pouco melhor da tontura, levanto-me e sigo para debaixo do chuveiro, quando a água encosta em minha pele eu solto um grito. Estava muito fria. Ava aparece na porta do banheiro, mas eu a tranquilizo, dizendo que não foi nada. Ao terminar, nem me dou o trabalho de me enxugar, apenas enxugo meus pés no tapete e cubro-me com o roupão.

Com a boca seca e sentindo um gosto desagradável, sigo para a cozinha em busca de água. Misturo água gelada e natural, bem do jeito que eu gosto e viro o copo de uma vez. Encho novamente, mas antes que eu pudesse beber, o copo escorrega da minha mão e se espatifa lindamente no chão. Ótimo! Eu deveria era ter ido direto para a cama mesmo.

― Que merda! — Esbravejo, completamente irritada, vendo os cacos espalhados pelo chão. De repente, Ava aparece na cozinha. — Fica aí, meu amor. — Peço rapidamente, com medo que ela se machuque e graças a Deus ela é muito obediente e permanece no lugar.

Dando um grande salto por cima da bagunça, vou até a varanda e pego uma pá e uma vassoura para poder limpar minha sujeira. Ao voltar para a cozinha e começar a limpar, acabo pisando em um caco gigantesco e caio no chão, sentindo a dor subir por meu corpo. Ava vem logo para cima de mim e começa a me lamber enquanto eu gemo de dor.

― É sério isso? — Questiono-me ao olhar para o corte em meu pé ensanguentado. A essa altura minha tontura tinha passado completamente e eu podia jurar até que não tinha mais álcool em meu sangue, pois não me sentia mais bêbada. É como se o corte tivesse tirado o efeito nada sóbrio que eu estava quando cheguei em casa.

Sentindo a dor aliviar um pouco, eu me levanto e, pisando em um pé só, termino de limpar a cozinha. Ao terminar, volto para o banheiro, lavo o pé no chuveiro e volto para a cozinha. Quando eu era pequena, cortei-me com uns óculos de plástico e após chamar o meu pai para me ajudar, ele pegou vinagre e colocou no ferimento. Não lembro me bem, mas acho que era para estancar. Então, lembrando-me disso, sigo até a geladeira e jogo vinagre no corte. Esperei o ardor começar, mas para minha surpresa e sorte, só parecia água gelada sendo jogada.

Para finalizar o cuidado com o corte, sigo até o meu quarto, pego uma maletinha com remédios, faço um curativo rápido e me jogo na cama do jeito que eu estou. Ava logo me acompanha. Após me agarrar com minha pequena, fecho os olhos e tento pegar no sono.

•§•

Fazia dez minutos que eu estava atrasada. Já havia recebido diversas ligações de Killian e Ruby querendo saber o que eu tanto fazia que não tinha saído de casa ainda e dizendo que a coordenadora já estava desesperada porque eu ainda não tinha aparecido. Pergunto-me como eles conseguiram acordar na hora certa, já que aparentemente estavam piores do que eu, quando os vi pela última vez.

Eu deveria ter me levantado de cinco e meia da manhã, contudo só vim despertar exatamente as seis, por causa de um sonho ruim que tive, em que o ônibus do passeio sofria um acidente. Quando abri meus olhos e vi o horário, levantei num pulo e comecei a fazer tudo na correria. Tomar banho, separar roupa de ir e roupa de usar lá, roupa de banho, separar dinheiro, lanches, acessórios necessários para usar lá, tomar um café-da-manhã bem reforçado, panquecas cheias de mel com um copo gigante de leite, separar a comida de Ava pela casa para os três dias, infelizmente eu não tinha com quem deixa-la, e remédios para imprevistos. O pior de tudo, foi ter feito tudo nas pressas usando apenas um pé, já que o outro estava ‘’mutilado’’ com um corte um tanto quanto profundo e grande. Várias vezes tive que parar para dá atenção ao coitado que latejava de dor e às vezes eu acabava magoando, e por isso, ele ‘’chorava’’ sangue.

Com vinte minutos de atraso, finalmente fiquei pronta, com aquela sensação de que eu estava esquecendo algo, e parei na porta da sala para me despedir de Ava, que esperta como é, já sabia que eu iria sair desde que eu me acordei e estava bem tristinha.

― Comporte-se, minha pequena. — Abaixei-me até sua altura e a abracei o mais forte que pude. — Nada de bagunças e nada de comer a comida toda de uma vez, ou então vai ficar com fome até eu chegar. — Ela dá uma lambida em meu rosto como se fosse sua garantia de que estava entendo o que eu digo e dá um latido. — Até domingo. — Beijei sua cabeça várias vezes e então me levantei, fechei a porta, joguei a chave dentro da bolsa e caminhei o mais rápido que pude até o ponto de táxi.

Deus, que tenha algum táxi vazio. Amém!

Consegui demorar sete minutos para chegar no ponto, eu costumo demorar quatro, por causa do meu abençoado pé, e já estava pronta para xingar tudo por não ter nenhum veículo, quando um chegou.

Obrigada, Deus.

Cumprimentei o motorista e pedia para que ele fosse voando para até Deering High School.

•§•

Assim que desci do táxi, vi que todos já estavam acomodados em seus lugares nos ônibus, eram três, um para cada turma, apenas me esperando. Senti a vergonha me consumir.

Vejo de longe a coordenadora nas escadas do primeiro veículo e caminho até ele. Quando chego na porta, vejo que está com uma expressão irritada, talvez por causa do meu atraso, porém assim que ela me viu, sua expressão se suavizou e abriu um largo sorriso.

― Graças a Deus você chegou, Emma. — Fala em um tom aliviado, abraçando-me. Aparentemente não estava irritada comigo. Um milagre. — Já estava preocupada. — Acrescenta, soltando-me de seus braços. ― Eu vou só fechar a escola e já partimos. — Avisa e sai correndo em direção ao prédio.

Dando alguns passos para trás, olho para as janelas dos ônibus para saber em qual a minha turma está, e ao ver que era exatamente no que eu estou perto, eu entro.

Ao abrir a porta que divide o espaço do motorista e os passageiros e o dá privacidade, a primeira coisa que meus olhos veem, são os castanhos de Regina, que estava em pé, no meio do ônibus, conversando com alguns alunos e MM. Automaticamente minha atenção desce para o seu pescoço e mais uma vez vejo o colar. Senti uma leve pontada no coração. Regina só podia estar brincando comigo. Dou um longo suspiro com o sorriso que dá, retribuo e me sento no primeiro banco, aproveitando que estava vazio. Com o pé machucado, seria melhor se eu ficasse longe do pessoal para evitar desastres.

Após me acomodar em meu assento, a coordenadora entrou no ônibus, deu bom dia a todos, fez uma oração, repassou os lugares que iríamos, Augusta, Lewiston e Sanford, fez a chamada para ter certeza de que todo mundo estava presente e pediu ao motorista para dá partida.

Não demorou dez minutos e Killian, Ruby, Ariel e Nellie chegaram perto de mim.

― Achei que não chegaria mais... — Ruby solta, jogando-se ao meu lado no assento. Ariel sentou-se ao seu lado e Killian e Nellie ficaram de joelhos no banco de trás.

― Eu perdi a hora. Para piorar, quando eu cheguei de madrugada, quebrei um copo e machuquei o pé. Ficou difícil me arrumar, usando apenas um pé e mancado por toda casa. — Aponto para ele. — Aliás, tomem cuidados, por favor. — Pedi, já fazendo careta só de imaginar alguém magoando tudo, a dor que seria.

― Pode deixar. — Responderam em uníssono.

― Então, vocês chegaram em casa bem? — Perguntei, querendo saber se tinha sido a única dormir nua no banheiro e me machucar.

― Eu errei um pouco a fechadura da porta e a entrada do meu quarto, mas tudo certo. — Killian respondeu com tranquilidade, sorrindo.

― Eu também cheguei bem em casa, apesar das inúmeras tonturas que tive durante o caminho. — Nellie responde, fazendo uma careta de nojo. — Eu vomitei muito quando cheguei em casa. — Fecha os olhos e balança a cabeça negativamente.

― Eu, com certeza, cheguei bem em casa. — Ruby diz em um tom malicioso e deu uma piscada para Ariel, que ficou vermelha e sorriu sem graça.

O que estava acontecendo?

― Vocês têm algo para nos contar? — Indago curiosa e Ruby balança a cabeça afirmativamente.

― Você sabe que... — Ariel começa, toda sem jeito. — Quando bebemos, achamos as pessoas mais atraentes, e... — Interrompe-se e suspira pesadamente. — Eu e a Ruby...

― Vocês se pegaram ontem e nem me chamaram? Que sacanagem é essa? — Killian a interrompe, embora eu ache que ela não iria falar mais.

― Não sabia que você curtia mulheres. — Nellie comenta.

― Eu também não sabia até hoje de madrugada, depois de umas e outras. — A ruiva rebate, sorrindo.

― Ariel, meu amor, sinto informar, mas não foi a bebida que te fez achar a Ruby atraente... ― Comento e ela me lança um olhar assustado. ― No máximo ela só te ajudou a ver algo que você não percebia...

― Ou talvez já percebesse, mas não queria aceitar... ― Nellie acrescenta e eu e Killian balançamos a cabeça concordando.

Envergonhada, Ariel se vira para a janela e nós resolvemos mudar de assunto.

•§•

Durante a viagem até o nosso primeiro ponto de parada, Augusta, retirei minha bota apertada para deixar o meu respirar e resolvi ficar de joelhos no banco para facilitar a conversa e principalmente evitar que magoassem meu amado pé, e Killian, Ruby, Ariel e Nellie ficaram em pé ao meu redor, ora conversando comigo, ora com Regina, que estava sentada no banco onde Jones e Nellie estava antes, e MM, que estava em pé, bem próximas a nós.

Em várias vezes eu flagrava Regina me encarando, mas quando ela percebia que eu estava ciente, ou fingia que estava olhando para um lugar além de mim ou voltava sua atenção para os outros.

Vez ou outra, MM fazia uma visita ao pessoal do fundo, mas logo voltava para perto de nós novamente.

Após uma hora, finalmente chegamos à Augusta. Nossa primeira parada foi na ‘’The Blaine House’’ que fica na rua principal. É a casa do governador do Maine e sua família.

Depois de contar toda a história, detalhe por detalhe, da casa e conhecer o local por dentro até onde se podia ir, fomos à ‘’Fort Western’’, um antigo posto colonial, construído em 54 durante uma Guerra: Franco-Indígena. O posto fica na nas margens do rio Kennebec.

Quando saímos de Fort Western, já passando de uma hora, fizemos uma parada no ‘’Red Barn Drive-In’’ para finalmente almoçarmos. Eu estava passada de fome.

E após uma manhã bastante cansativa, seguimos para um hotel da região para passarmos o resto do dia nos divertindo e descansando. O hotel mais parecia uma chácara. Era lindo, grande e aconchegante. Os quartos não eram iguais aos de hotéis de cinco estrelas, mas era bem confortável. Isso era o suficiente.

Assim que chegamos, todos correram, eu fui andando e mancando, para os quartos trocar de roupa. Não queríamos perder nenhum segundo mais. Alguns garotos só não pularam na piscina assim que chegaram porque não podia entrar de roupa, não a que eles estavam, e porque estavam com seus celulares e dinheiro no bolso.

Quatro quartos foram usados por nossa turma do terceiro. Dois para as meninas e dois para os meninos. Ruby, Ariel e Nellie, ficaram comigo é claro. Mesmo que Nellie seja de outro terceiro ano.

Assim que entramos no quarto que foi escolhido para ficarmos, Regina entrou com suas bolsas e as soltou no chão. Lembrei-me do que Killian disse sobre ficar com a gente. Eu pensei que seria apenas no ônibus e durante a excursão, não no quarto também.

― Garotas, eu ficarei com vocês. — Anuncia, dando-me a certeza de que seria mais uma integrante. Seu olhar procurou pelo meu, mas não durou muito tempo, pois logo se abaixou e começou a mexer em uma de suas bolsas.

Escolhi uma cama para ficar, joguei minha bolsa em cima, peguei meu biquíni e um short curto e de tecido fino e segui para o banheiro. Tomei um banho rápido por causa do suor, eu havia esquecido de pegar uma toalha, contudo tinha no banheiro, e saí do banheiro, encontrando apenas Regina no quarto, ainda com a mesma roupa, uns óculos no rosto e mexendo no notebook.

Ver Regina ali, sentada numa cama, com uns óculos no rosto, fazendo-a ficar irresistivelmente sexy, e sozinha comigo, me fez ter uma grande vontade de agarrá-la e matar a saudade que eu sei que nós duas estávamos sentindo. Porém eu não podia fazer isso, e não era apenas pela possibilidade de alguém nos ver. Tinha mais motivos.

― Você vai ficar aqui no quarto? — Perguntei, chamando a sua atenção. Quando Rê levantou sua cabeça, seus olhos percorreram todo o meu corpo, pararam em meus seios e só depois encontraram os meus olhos. Arrepiei-me dos pés à cabeça com aquela análise.

― Estava esperando você sair para me trocar. — É o que responde, deixando-me confusa. Então olhei interrogativamente para o aparelho em seu colo. — Enquanto você não saía, resolvi terminar algumas coisas da escola para a semana que vem. — Explica e eu assinto, sentando-me na cama para trocar o curativo do meu pé.

― O que aconteceu com o seu pé? — Fez uma carata de dor ao perguntar.

― Um copo de vidro. — Respondi também fazendo careta, porém eu realmente estava sentindo a dor. E cada vez que eu me lembrava do momento, eu sentia ainda mais.

― Você vai entrar na piscina assim mesmo? — Assinto. — Vai arder por causa do cloro. — Avisa e paro para analisar a informação. O que eu menos queria era sentir mais dor do que já estou sentindo, porém não queria perderia aquela piscina de forma alguma. Ela chamava por mim desde que eu passei para entrar.

― Tudo bem, eu aguento. — Dou de ombros.

Alguns minutos depois eu terminei o meu trabalho, guardei as coisas na bolsa e andei, mancando, até a porta.

― Até daqui a pouco. — Despeço-me e saio do quarto.

•§•

Passamos toda a tarde nos divertindo na piscina e no campo de gramado sintético que tinha ao lado. Numa das vezes em que fui chutar a bola, acabei chutando o vento e caindo de cabeça no chão. Foi uma queda feia e eu bati com a cabeça com muita força no chão.

Killian tentou me levantar, mas eu não deixei, meu corpo e minha cabeça estavam doendo muito. Minha vontade era de permanecer deitada o restante do dia. Regina logo apareceu para saber se eu estava bem. Após alguns minutos ela e MM me levantaram com cuidado e me ajudaram a chegar no quarto, pediram para eu descansar um pouco e me distrair com algo, para eu não dormir, mas só foi elas saírem por alguns minutos que eu não aguentei o sono que desceu sobre meu corpo desde o momento da queda, e fechei os olhos para dormir.

Quando acordei, não sei se alguns minutos ou horas depois, não consegui identificar onde eu estava. Minha cabeça e meu pé doíam, mas eu não sabia o motivo. Eu tinha lembranças de que eu estava em um passeio, que caí jogando bola, mas não tinha certeza se era verdade, porque parecia que tinha sido apenas um sonho.

Saí do quarto atrás de alguém conhecido e encontrei Regina sentada, lendo um livro.

― Rê, onde é que a gente está? — Perguntei assim que cheguei perto dela.

― Emma! — Exclama em tom de alívio, deixando o livro de lado. — Você está melhor? Está sentindo alguma coisa? — Quantas perguntas!

― O que aconteceu? Eu estou sentindo uma dor na cabeça e no pé... — Fiz uma careta, passando a mão na testa para tentar aliviar a dor.

― Você não lembra? — Questiona em um tom confuso e eu nego rapidamente. — Você caiu lá no campo enquanto brincava com os seus amigos. — Conta e eu fecho os olhos, esforçando-me para me lembrar, mas a sensação de que tinha sido apenas um sonho e não realidade continuava presente. — Estamos numa excursão com a escola, em Augusta. O que mais você não está lembrando?

― A gente está namorando? — Pergunto mais baixo para que ninguém escute. Eu não faço ideia do motivo, mas desde que a encontrei, assim como as outras informações estavam em minha mente como uma lembrança ou sonho e não realidade, eu tinha lembranças de que tínhamos terminado o relacionado, porém tínhamos voltado. Mas assim como as outras coisas, eu não tinha certeza se era real.

― Não. — Responde no mesmo tom que eu e sinto decepção uma pontinha decepção.

― Desculpe-me, minha mente está uma bagunça. — Digo sem graça. Meu Deus, que vergonha! — Estou um pouco confusa sobre algumas coisas... É que eu estou com alguns pensamentos e não sei se foram sonhos, lembranças ou realidade. — Tento explicar e ela assente, não sei se realmente entendendo.

― Você não deveria ter dormido. Isso poderia ter causado grandes problemas. — Estremeci. Imagina se eu não tivesse mais acordado? Ai que nervoso!

― Eu acho que estava com sono. — Tento me defender. — Não me lembro disso também. — Faço uma careta. Olho ao redor de nós e vejo ao longe, Killian, Ruby, Ariel e outros meninos e meninas da nossa sala, jogando vôlei. — Eu vou me juntar ao pessoal. — Aviso, apontando para eles e saio correndo em direção ao campo.

•§•

Depois de contar ao pessoal o que aconteceu e ouvir deles como tudo aconteceu, voltamos para dentro do hotel, pois já estava escurecendo e marcamos de sair à noite para ir a cidade, com a supervisão de um professor, é claro.

Enquanto o pessoal se arrumava no quarto, eu já estava devidamente pronta, em uma varanda bem afastada, só esperando para sairmos. Não avisei onde estava indo, até porque nem eu sabia, e pedi para alguém me enviar uma mensagem me avisando quando fossem sair.

Durante o banho, enquanto repassava tudo que tinha acontecido no dia e forçava minha mente, eu acabei lembrando que tudo realmente foi real e não um sonho, como eu achava que tinha sido. Avisei ao pessoal que já tinha lembrado e ficamos um tempão sorrindo da minha desgraça. Agora que já tinha passado estava liberado sorrir.

Apesar do escuro e de ter medo dele, na verdade é que minha mente sempre imagina milhões de coisas no escuro, uma delas é ver pessoas ensanguentadas e aparentemente mortas, andando, resolvi andar pelos arredores do hotel para relaxar um pouco e passar o tempo. Coloquei uma de minhas músicas favoritas para tocar ‘’My Kind of love’’ e fui caminhando pelos lugares possíveis de se ver até parar em uma tenda distante, cercada de madeira, onde uma parte pareci ser um banco embutido. Sentei-me ali e com muita coragem, mas com o coração palpitando, fechei os olhos enquanto a música ecoava em meus ouvidos.

Alguns minutos de olhos fechados, apenas ouvindo a música, várias coisas começaram a passar pela minha cabeça, coisas que poderiam acontecer enquanto eu estava de olhos fechados, então decidi abri-los.

Ao longe, enxergo como posso, uma pessoa se aproximando, e se eu não conhecesse tão bem a forma como ela andava, sairia correndo sem pensar duas vezes.

Regina vinha em minha direção em passos lentos. Não podia ver seu rosto devido a escuridão, mas acho que ela estava sorrindo, porém não tenho certeza.

― Ei. — Cumprimenta-me baixinho, apoiando-se no cercado ao meu lado.

― Ei. — Respondi, tirando um lado do fone de ouvido para poder ouvi-la melhor. — Como você me achou? — Pergunto curiosa. Não tinha dito para ninguém aonde iria.

― Eu te vi saindo e vindo nessa direção. Não foi difícil te encontrar aqui, sentada, com fones de ouvido e olhos fechados.

― Você estava por aqui desde quando eu cheguei? — Ela assente, sorrindo. — Nossa!

Ficamos em silêncio e eu resolvo colocar o fone de ouvido para continuar a música.

― E aí, já se lembrou de tudo? — Puxa assunto, quebrando o silêncio e eu retiro o fone novamente.

― Sim, enquanto eu tomava banho.

— Hum... — Murmura, desencostando-se do cercado. — E lembra também que... — Faz uma pausa e meu coração gela com a pergunta que eu sei que ela fará. — Não namoramos também? — Completou, aproximando-se de mim, colocando-se entre minhas pernas abertas e apoiando as mãos em minhas pernas.

— Sim, lembrei também. ― Sussurrei com a respiração bastante alterada. Além dela estar entre minhas pernas, tinha se inclinado o suficiente para eu ouvir e sentir sua respiração, que também estava pesada.

— Por enquanto. — Sussurra de volta. Antes que eu pudesse questionar sobre seu comentário, ela elimina a distância existente entre nossas bocas e sela nossos lábios com carinho.

Primeiro foi apenas um roçar de lábios, depois ela se aconchegou mais em minhas pernas e colocou as mãos em minha cintura. Em seguida, começou a movimentar lentamente seus lábios sobre os meus, ora pegando o superior com os dentes, ora o inferior. Meu coração estava a mil.

Quanta saudade eu senti de tocar aqueles lábios. Quanta saudade eu senti de sentir aquela cicatriz acariciando meus lábios. Quanta saudade eu senti do calor daquela boca, do gosto, da maciez, daqueles lábios deliciosamente carnudos na medida certa.

Aos poucos ela foi aumentando a velocidade do roçar de lábios até finalmente aprofundar o contato e pedir passagem com sua língua.

Subi minhas mãos para o seu rosto e o puxei ainda mais de encontro a mim e minha boca. Cada vez que nossas línguas se encontravam, era um arrepio que subia por minha coluna. Regina estava completamente encostada em mim e me empurrava ainda mais de encontro a madeira que nos cercava atrás.

De repente, lembro-me do dia que terminamos o namoro. Ou melhor dizendo, o dia em que ela terminou comigo, porque eu não queria, eu não estava de acordo com sua decisão. Lembrei das palavras ditas como motivo, da noite ruim que passei após o término, e dos dias seguintes, e lembrei que isso não deveria estar acontecendo. Não assim, sem uma conversa antes. Eu não iria deixar me levar pelo momento. Não iria permitir que Regina terminasse o relacionamento comigo, como fez, e depois viesse, me beijasse e tudo ficaria bem entre nós e então voltaríamos como se nada tivesse acontecido, como se eu não tivesse me machucado com o término. Eu queria voltar. Deus sabe o quanto eu desejei isso desde o momento em que terminamos, mas não queria assim, simplesmente quando ela quisesse, quando ela achasse que fosse certo voltar como se só ela tivesse o poder de decisão. As coisas não dependem só dela, mas sim, de mim também. Ela não é dona do relacionamento para decidir quando ele inicia novamente. Ela pode até decidir, infelizmente, sozinha, terminar o relacionamento, pois mesmo eu não aceitando o fim, nada a impede de ter tal decisão e nada poderia ser feito, já que ninguém namora sozinho e de nada adiantaria querer continuar um namoro em que a outra pessoa não quer mais de forma alguma, e sendo assim só você estaria na relação, mas ela não pode decidir sozinha quando ele voltar. Ela não tem esse poder de terminar comigo a hora que quer e voltar a hora que quer também, quando sentir saudade de mim, ainda mais sem nem ao menos uma conversa antes. Esse poder ela não tem. Sei que sofreu também, tanto ou mais que eu, mas isso não lhe dá esse direito de tomar a decisão sozinha.

Então, munida de coragem, eu me afastei. Delicadamente, é claro.

— Não. ― Sussurrei. Nossas testas estavam coladas e nossas respirações pesadas. ― Não. ― Repeti, agora me afastando. ― Você não pode fazer isso comigo, Regina. ― Ela toca em meu rosto, mas eu seguro sua mão. ― Não quero sofrer novamente quando você decidir terminar o namoro porque eu sou uma aluna e você uma professora. Ou porque sou muito nova e você não quer me privar de viver a vida. ― Meu tom deixa claro o quanto ainda estou magoada com o nosso término, mesmo que eu tenha entendido os seus motivos. ― Não podemos simplesmente voltar como se nada tivesse acontecido. ― E então, pulo para o chão e sai corro para longe, não me importando com o meu pé machucado. Meus olhos já estavam marejados, mas eu não queria chorar. Só pioraria a situação.

Notas finais
Primeira coisa: vocês devem estar achando estranho esse pequeno acidente com a Emma, mas eu tenho que dizer que aconteceu algo muito parecido comigo. Na verdade, só muda os personagens, porque foi igual e eu me inspirei kkkkkkk. Bem, eu estava em um clube, brincando de bola com uns amigos quando cai igual a Emma. Quando levantei depois, pedi um remédio de dor de cabeça e me deitei em um banco, acabei dormindo não sei por quanto tempo e quando acordei não lembrava o que tinha acontecido. Sentia minha cabeça doer e o pé arder ~~ tava arranhado ~~ mas na minha mente era como se eu tivesse só sonhado, fosse só uma lembrança e não tivesse acontecido. Me levantei e perguntei a minha avó se eu tinha pedido rémedio, daí ela me confirmou que sim, daí fui até meus amigos e perguntei se eu tinha caido, eles riram de mim, tiraram onda, mas disseram que sim, e por último, eu não sei o motivo, procurei meu ex que estava por lá e perguntei se a gente tinha voltado a namorar porque eu tinha a lembrança que sim. O filho da puta me respondeu "ainda não" e quando foi depois, quando eu consegui me lmebrar, já na hora de ir embora, ele veio me pergunatr se eu tinha me lembrado que a gente "não namorada ainda" ridículo! Enfim... é isso. Segundo: lembram do desabafo que eu fiz? então, eu me referia a essa cena final. Como eu já falei tudo que tinha pra falar lá no desabafo e a própria Emma pensou e também falou um monte de coisa que eu possívelmente diria, eu não vou repetir o discurso porque não tem mais o que falar. Música: https://open.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/6mIcDffvYXVbJTn6tm4Kf2?si=xo4xHvW6RpipglI6EFtX0g Até o próximo, mores! Tudo que elas precisam agora, como a Emma disse, é de uma conversa, pra poder se resolverem.