Next to Me
65 Next to me - 65
Notas iniciais
Ao abrir os olhos e me ver sozinha na cama, lembro-me da última vez que isso aconteceu e corro para procurar Graham pela casa. Fico aliviada ao encontrar na cozinha, tranquilamente, fazendo o café-da-manhã e já até devidamente vestido, pronto para sair.
Ou ele estava apressado ou eu tinha acordado muito tarde. Busquei o relógio na parede da cozinha e constatei que era a segunda opção.
Segui direto para o banheiro, tomei um rápido banho, escovei os dentes, arrumei os cabelos revoltados e segui direto para o quarto em que Regina estava. Minha professora ainda dormia, aparentemente tranquila, agarrada com Ava. Desejei estar com o celular no momento para poder fotografar o momento.
Silenciosamente, sentei-me na ponta da cama e fiquei observando-a. Fazia tanto tempo que eu não fazia isso. Era tão linda dormindo como era acordada.
Graham aparece na porta do quarto com um semblante que me preocupa, e faz um sinal com a mão, chamando-me.
Em silêncio, seguimos até a sala.
― Algum problema? — Questionei preocupada, já pensando em sua mãe. Graham dificilmente ficava triste, então quando acontecia era sempre por algo grave.
― Mamãe novamente... — Diz em um tom cansado, jogando-se no sofá. — Tinha voltado para casa há dois dias, como você sabe, mas já voltou para o hospital porque passou mal. Ao fazer uns exames, descobriram que ela está com hipertensão.
― Mas isso não impedirá que continue com a fisioterapia para recuperar os movimentos, não é? — Devido a tantos derrames que a mãe do Graham teve, uma parte do seu corpo está completamente parada, contudo é reversível se tiver fisioterapia.
― Não impede de continua a fazer, mas preferiram parar por um tempo e deixá-la internada. Depois chamarão a fisioterapeuta para continuar com as seções no hospital mesmo, sobre supervisão dos enfermeiros. — Sento-me ao seu lado e o abraço de lado, apoiando sua cabeça em meu ombro.
― Vai ficar tudo bem. — Sussurro em tom positivo para passar segurança e esperança para ele. — Vamos torcer para que ela não tenha mais nada. — Beijo sua bochecha e o abraço por completo.
De repente, um pouco zonza, Regina aparece na sala acompanhada de Ava, mas ao nos perceber ali e nos ver abraçados, ela interrompe seus passos e volta por onde veio, sumindo de minhas vistas, diferente de Ava que vem correndo para cima de nós dois, dá o seu famoso bom dia.
Separamo-nos entre sorrisos por causa da minha pequena, beijo sua cabeça cheirosa e a deixo brincando com Graham para ir falar com Regina.
― Rê, posso entrar? — Pergunto antes de entrar no quarto. Ouvi um ‘’pode’’ e empurrei a porta. — Você está melhor? — Minha professora dá um meio sorriso e faz um sinal de mais ou menos com a mão. Entro completamente no cômodo e me sento ao seu lado na cama. — Por que você voltou quando nos viu na sala? ― Pergunto realmente curiosa. Não estávamos fazendo nada demais, não havia motivos para ela ficar, talvez envergonhada, não sei, e voltar.
― Porque eu não queria atrapalhar nada. — Responde envergonhada e eu franzo o cenho.
― Era apenas um abraço. — Arqueei a sobrancelha e ela sorriu sem graça. — A mãe dele está indo de mal a pior. ― Conto com pesar.
― Mais um para o time das mães com sérios problemas de saúde que estão a mais de KM dos filhos. — Diz em um tom triste eu a puxo para um abraço apertado.
Afastamo-nos e eu vejo seu rosto molhado de lágrimas. Sem pensar duas vezes, enxugo cada uma até que não tem mais.
― Vamos tomar café? — Levanto-me rapidamente e estendo a mão, que rapidamente é aceita.
Ao chegarmos na cozinha, Graham e Ava já desfrutavam de seus desjejuns.
•§•
Mais uma semana se passou e com ela os problemas só aumentaram. Minha mãe passou mal, mas graças a Deus foi só a pressão que baixou por conta do nervosismo, de acordo com papai, com algo em casa mesmo, a mãe de Graham continuava mal no hospital e o irmão dele estava pressionando-o para que voltasse para Nova Iorque para cuidar da mãe, e a mãe de Regina estava recusando-se a fazer o tratamento da sua doença. Regina estava quase arrancando os cabelos de tanta preocupação e raiva.
Certa noite, quando Graham ligou para saber como o pai estava, teve uma briga com Quinn, o seu irmão.
― Você não pode falar assim de mim. — Gritava com muita raiva para o irmão do outro lado da linha. — Seu irresponsável. — Seus olhos estavam vermelhos de raiva e por ter chorado. Ele andava de um lado para o outro. — Claro que você tem que me respeitar, eu sou o mais velho dos irmãos e longe de mamãe e papai, eu é quem mando. — Eu já estava com medo da forma como ele falava com o irmão. Era certo que se estivessem um de frente para outro, já teriam se agarrado. — Se você quiser apanhar de novo, como fiz da última vez que só parei por causa de Lua e mamãe e você foi para o hospital, é só me avisar. — Arregalei os olhos. Graham fez o irmão ir para o hospital? Parece até o Robin quando disse que fez a mesma coisa com o irmão, porque desrespeitou a mãe deles. Inclusive, no dia que ele contou essa história eu fiquei bastante surpresa, porque ele, assim como Graham, é muito calmo, não parece ser esquentado desse jeito.
Quando dei por mim, Graham já tinha encerrado a ligação e estava sentado no sofá, olhando para o nada. Aproximei-me hesitante e me sentei ao seu lado.
― O que aconteceu? — Para tentar acalmá-lo, comecei a acariciar seus cabelos.
― Quinn, aquele idiota! — Esbravejou, levantando de supetão e me assustando. — Desculpe-me. — Pediu rapidamente ao ver que me assustei. — Eu estou nervoso. Às vezes ele me tira do sério.
― O que ele fez?
― Além de estar fazendo a minha caveira para a mamãe, está sendo irresponsável e deixando-a sozinha o tempo quase todo. — A raiva que Graham estava sentindo era tão grande que eu estava vendo a hora das veias de seu pescoço explodirem. — E para completar, o chefe dele não quer mais permitir que falte ao trabalho para ficar no hospital e ainda inventou uma viagem para ele fazer. — Sentou-se ao meu lado novamente.
― Não tem mais ninguém que possa cuidar de sua mãe até ela sair dessa situação?
― Não creio que ela sairá. — Murmurou, abaixando a cabeça e tapando o rosto com as mãos.
― É claro que ela sairá, mas se você ficar com pensamentos pessimistas, será difícil acreditar na melhora. — Aproximei-me mais dele e voltei a fazer carinho em seus pequenos cachos.
― Você tem razão. — Ele levantou a cabeça e sorriu brevemente. Parecia estar mais calmo. — Bem, eu vou embora, preciso resolver essa situação. — Avisou, já levantando-se. — Amanhã nós vamos no Estúdio para saber como está o andamento das reformas.
― Ok! — Também me levantei e o segui até a porta. ― Por favor, tome cuidado. Qualquer coisa você me liga. ― Pedi, puxando-o para um abraço. — Até amanhã. — Beijei-lhe os lábios e ele foi embora.
•§•
Os dias foram se passando e os problemas com a mãe e o irmão de Graham só aumentaram. Por conta disso, todos os finais de semana ele viajava para Nova Iorque, para não só cuidar da mãe, mas também, tentar resolver os problemas. Para piorar, a ex-esposa dele tinha voltado da Itália completamente sem dinheiro e, a fim de continuar com a vida boa que tinha antes e não precisar trabalhar, resolveu entrar na justiça pela guarda do pequeno Joshua. A intenção era apenas arrancar dinheiro de Graham. Meu namorado estava uma pilha. O estresse estava sendo tão grande que ele não conseguia dormir direito e, além de perder peso, estava perdendo cabelo.
Minha amizade com Regina continuava a mesma. Apesar de naquela noite ela ter ido pedir minha ajuda, nós ainda não estávamos tão próximas como antes. Tinha dias que nem nos víamos e outros em que só trocávamos sorrisos e olhares ou acenos rápidos. Sempre que eu queria saber algo sobre ela, corria para perguntar a Tinker.
O Estúdio ficaria pronto em três semanas, mas junto com Graham, decidi que só abriríamos quando os seus problemas se resolvessem e quando o ano letivo terminasse para não ficar muito cansativo para mim. Além disso, daria tempo para contratarmos pessoas competentes, responsáveis, habilidosas e de confiança para nos ajudar.
Minha mãe finalmente estava completamente recuperada e já até estava pensando em vir me visitar no fim do ano. Eu até queria que ela viesse, mas preferia muito mais ir ao seu encontro. Então, depois de muito insistir, acabei conseguindo fazer com que ela desistisse da ideia de vir, para que eu e dona Eva pudéssemos ir ao seu encontro e do papai, lá no Canadá.
Na escola, as provas tinham começado mais uma vez. Graças a Deus, isso significava que estávamos nos aproximando do fim de ano e que logo teríamos a última vez de provas e depois estaríamos livres para sempre. Depois de muito atormentar a diretora, conseguimos fazer a cabeça dela para que nos deixasse largar cedo, alegando que queríamos mais tempo para estudar. Mas é claro que só os estudiosos realmente fariam isso. Enquanto eles iriam para casa estudar para a prova do dia seguinte, os não estudiosos, incluindo eu e meus amigos, saíamos para aproveitar o resto do dia.
•§•
Assim que terminamos a prova de matemática, como de costume, fomos direto para o centro.
― Vocês acham que se saíram bem na prova de hoje? — Ariel pergunta, mudando completamente o assunto maravilhoso que estávamos tendo, que era comidas. Entreolhamo-nos e praticamente matamos Ariel com o olhar. — O que foi, gente?
― Sério? — Ruby pergunta com pouca paciência, mas a ruiva parecia realmente não ter entendido. Balancei a cabeça negativamente.
― Olha, se for para falar de prova, volte para a escola e vá conversar com os grupinhos estudiosos. — Se tem uma coisa que eu não gosto, não só eu, para falar a verdade, é de acabar a prova e ficar comentando sobre o que acertou e errou e quanto acha que tirou. Eu sempre acabo sabendo antes do tempo que me dei mal nessas merdas. — A última coisa que nós queremos falar é sobre prova, Ariel.
― Não está mais aqui quem falou. — Levanta as mãos em sinal de rendição.
― Vamos mudar de assunto que é melhor. — Ruby pede e nós todos assentimos rapidamente. — Swan, o Jack está louco para te ver. — Fala com a voz carregada de malícia.
― Pode tirar esses pensamentos da cabeça. Eu tenho um namorado.
― Ele sabe disso e disse que não é ciumento. — Dá uma piscadinha e eu dou uma gargalhada. — Mentira, ele não falou isso. — Dou-lhe um empurrão, ainda rindo. — Mas que ele quer te ver é verdade. Inclusive, eu gostaria que você dissesse a ele que eu estou livre já que quem ele quer está comprometida. — Acrescenta, dando uma piscadinha acompanhada de um sorrisinho.
― Ei meninas. — Killian, que estava mais atrás, chama a nossa atenção. Assim que olhamos para ele, o mesmo vem para mais perto. — Estão vendo aquela garota ali? — Aponta para uma menina que atravessava a rua e nós assentimos. — Ela dá tanto que vocês nem imaginam. — Eu e Ruby nos entreolhamos sem entender. Por que ele estava dizendo aquilo para nós e tão de repente? — Ok, é que fiquei sabendo essa semana que quando as garotas têm aquela abertura no meio da perna que dá para passar um caminhão é porque abre muito as pernas. — Explica e nós gargalhamos. Que merda era aquela que Killian estava falando? — É sério.
― Você a conhece? — Ruby pergunta e ele nega. ― De onde você tirou isso? ― Faz a pergunta que estava na ponta da minha língua.
― Olha, eu não sei se é verdade o que Killian falou, mas que aquela garota fica muito com garotos, é verdade. — Ariel entra na conversa. — Eu a conheço.
― Viu só? — Ele sorri, se achando todo.
― Isso é só coincidência, besta. ― Ele semicerra os olhos e eu lhe mostro a língua.
— Fiquei sabendo também que quando o mamilo da garota está coçando...
― Ah, essa já é velha, Killian. ― Ruby o interrompe. — Quando o peito da gente está coçando é porque alguém está se masturbando para nós — Completa o que Jones iria dizer.
― Ou é só o sutiã sujo mesmo. ― Comento fingindo seriedade, mas acabo sorrindo junto com eles. ― Mas, falando sério, que merda é essa que vocês estão falando? De onde tiram essas coisas? A única coisa que eu sei é que quando uma menina tem aquela marquinha de cada lado da cintura é porque fica muito de quatro e mesmo ainda acho um grande nada a ver.
― Olha... Essa eu não sabia. — Killian diz. — Ruby, me deixa ver se você tem. — Antes que Lucas pudesse responder, ele levanta a sua blusa para fazer a verificação. — Você não tem. — Seu tom é decepcionado. — Não gosta muito dessa posição? — Antes que eu ouvisse a resposta de minha amiga, meu celular começa a tocar, era Graham. Afastei-me um pouco deles e atendi a ligação.
― Ei.
― Eu preciso falar com você, com urgência. — Seu tom sério me preocupa. — Você pode vir para casa agora?
― Claro, tentarei chegar o mais rápido possível aí. Aconteceu alguma coisa de grave com sua mãe ou com Joshua? — Perguntei preocupada, querendo me antecipar do que tinha acontecido.
― O Josh está bem, mas minha mãe está precisando de mim, mas não é só isso. — Ele suspira pesadamente. — Estou te esperando.
― Tudo bem, já chego aí. — Despedimo-nos e encerramos a ligação. Enfio o celular no bolso e volto para junto do meu pessoal. ― Eu vou ter que ir embora. — Aviso aos três, que estavam sentados na calçada, esperando-me.
― Por quê? — Ruby pergunta desanimada, levantando-se. — Aconteceu alguma coisa?
― Parece que sim. Graham quer falar comigo e ele não me adiantou muito pelo celular.
― Tudo bem, então até amanhã.
Despeço-me dos três e saio desesperadamente atrás de um táxi.
•§•
Assim que cheguei em casa, encontrei Graham me esperando do lado de fora, aparentemente nervoso. Estava encostado na parede, olhando vagamente para o céu.
― Graham! — Chamei sua atenção ao me aproximar mais. — Por que não entrou? — Assim que cheguei perto o bastante, abracei-o apertado. Ele me apertou ainda mais forte e enfiou sua cabeça em meu pescoço. — O que aconteceu, Graham? Estou ficando preocupada.
Meu namorado não me respondeu, continuou apenas me abraçando e a cada minuto que passávamos assim, ele me apertava mais em seus braços.
― Vamos entrar. — Peço baixinho e ele se solta de mim. Pego a chave na bolsa e abro a porta para finalmente podermos entrar.
― Você quer tomar alguma coisa para se acalmar? — Ele nega com a cabeça. Coloco a minha bolsa em cima do sofá e sigo até a cozinha tomar água. Quando voltei para a sala, ele estava sentado no sofá com a cabeça entre as mãos.
― Eu vou ter que ir embora. — Sussurra, finalmente falando algo e eu sinto um aperto no peito com o que acabei de ouvir.
― Por quê? — Inevitavelmente meus olhos marejam.
― Minha mãe precisa de mim, meu pai e meus irmãos precisam de mim também. — Faz uma pausa e respira fundo. — E tem também o meu novo problema com a minha ex. — Sento-me ao seu lado no sofá. — Apesar de que eu sei que ela perderá, eu terei que comparecer as audiências frequentes que terão. — Assento, compreendendo. As lágrimas começam a rolar pelo meu rosto. Meu coração estava pequeno no peito. — Por que você está chorando? — Passa o polegar nas minhas bochechas para enxuga-las, mas eu seguro sua mão.
― Porque... — Emocionada demais, não consigo terminar a frase, então apenas o abraço.
― Shhh. Não chora, por favor. Já está sendo difícil ter que partir e deixar você. Ter que te ver assim, chorando, só piora a situação. ― Sinto-o beijar minha cabeça.
Desvencilho-me do abraço e deito a minha cabeça em seu ombro. — Você vai voltar?
― Algum dia quando tudo estiver resolvido eu volto. ― Beija minha testa e enfia seus dedos em meu cabelo.
― E o Estúdio, como fica? ― Questiono confusa, afastando a cabeça de seu ombro para poder lhe olhar.
― Ele será todo seu. — Fala com tranquilidade.
― O que? — Pergunto, completamente incrédula.
― Passarei hoje mesmo tudo para o seu nome. — Segura minhas mãos e beija delicadamente cada uma. — Você merece. ― Ele sorri.
Eu não sei se deveria aceitar. Não era o certo a se fazer. Apesar da ideia ter sido minha, ela só foi para frente por sua causa. Ele quem andou para todos os lugares para resolver tudo que era necessário enquanto eu estava na escola ou em casa e recebia a notícia depois. Quem mais merecia ter esse lugar era ele, não eu.
― Por favor, Emma. ― Pede, como se tivesse lido os meus pensamentos. ― Não me negue essa vontade. — Tenta me convencer. Olho fundo em seus olhos e tomo uma decisão.
― Tudo bem! — Ele abre um grande sorriso, realmente feliz com a minha resposta. ― Mas se um dia você quiser voltar a ser meu sócio... ― Ele me interrompe com um beijo.
― Eu sei, eu sei... — Sussurra, acariciando meu rosto.
— Eu vou sentir sua falta. — Graham abre um sorriso triste. — E a do Josh também. — E as lágrimas voltam a cair pelo meu rosto. ― Eu me apeguei tanto a ele.
― Nós também sentiremos muito a sua falta. — Não aguentando, eu desabo no choro novamente.
Eu não amava Graham, muito menos era apaixonada, não sentia por ele, tudo que eu sei que ele sentia por mim, mas adorava a sua presença, amava nossas conversas, gostava de tê-lo ao meu lado. Sua presença me fazia muito bem.
Saber que ele estava indo embora, partiu-me o coração. Saber que não o veria mais, que eu não ouviria mais as risadas gostosas do Josh, que eu não ouviria mais as piadas dele, que não o veria mais tentar me agradar e algumas das vezes seus planos darem errado, estava me deixando triste. Eu vivi muitos momentos bons com os dois e jamais esqueceria.
― Eu quero te dizer que amei cada segundo que passei com você. — Ele fala, após alguns minutos de quase silêncio entre nós. — Quero te dizer que sou muito grato por tudo que você fez por mim e pelo meu filho. — Seu tom emocionado me faz sentir uma pontada no peito. — Quero agradecer por todas as noites que você acordou para cuidar do meu pequeno, agradecer por se preocupar comigo e me confortar em todos os momentos que precisei. — Faz uma pausa. — Quero agradecer por todas as noites que saímos juntos como uma família e nos divertimos. — Sorri e eu o acompanho. — Quero agradecer por ter me dado a chance de te conhecer melhor, por ter me mostrado o amor novamente... — Não deixei que terminasse de falar e o calei com um beijo. Cada palavra estava acabando comigo.
― Não torna esse momento mais difícil ainda. — Praticamente imploro. — Vamos aproveitar o nosso último momento. Traga o Josh essa noite e vamos sair uma última vez.
•§•
Naquela noite, nós aproveitamos até o último momento. Junto com o pequeno, fomos para um restaurante, para um parque que tinha no centro, e por último, ficamos até a madrugada conversando numa praça que tinha perto de casa.
Em nenhum momento falamos de problemas ou sobre sua ida, não queríamos tornar aquele momento tão bom e feliz em um momento ruim e triste. Queríamos fazer mais uma lembrança boa e feliz antes que ele partisse.
Na manhã seguinte, de coração partido e triste, às dez da manhã, eu me despedi de Graham, que partia por tempo indeterminado junto com Joshua, para Nova Iorque.
Desejei-lhe toda sorte com a ex-esposa, dei-lhe esperança e força para acreditar na recuperação de sua mãe, pedi para que sempre me mandasse notícias deles, pedi que quando tudo estivesse resolvido ele viesse fazer uma visita com o pequeno e desejei-lhe alguém que merecesse o bom homem que ele é.
Abraçamo-nos por mais alguns minutos e ficamos em silêncio, apenas ouvindo a respiração um do outro e sentindo as lágrimas molharem as nossas roupas.
Com um último beijo nele e em Josh, desejei-lhe uma boa viagem e nos despedimos. Minutos depois, Graham e o pequeno Joshua Humbert sumiram no portão de embarque.
Fale com o autor