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Notas iniciais
Olá mores, voltei! Vamos ver no que vai dar esse encontro entre Emma e Regina?

Assim que o táxi me deixou em frente da minha casa, corri o mais rápido que pude para dentro. Além de não querer perder um segundo sequer, já estava ficando tarde.

É engraçado como eu passei o dia não querendo ir e implorei para Tinker levar as roupas em meu lugar, mas agora, tudo o que eu mais quero, é ir até lá.

Entrei rapidamente em casa, dei um singelo beijo na cabeça cheirosa de Ava, que mesmo com aparente sono, veio me acompanhando pela casa, e segui até o meu quarto. Peguei a mochila com as roupas dela, fui à cozinha e peguei uma banana para ir comendo no caminho e saí novamente. Talvez não tenha demorado nem dez minutos. Ótimo!

Quarenta minutos depois e estou no jardim da casa de Regina. Dos quarenta minutos, dez foram perdidos apenas esperando um abençoado veículo de cor amarela que não estivesse com passageiro algum.

É engraçado o fato de que, quando você não quer um táxi, passa uns vinte por você, mas quando você quer apenas um...

Andei a passos lentos até a entrada da casa, parando antes na lixeira que tinha perto do portão de ferro, para poder jogar a casa de banana lá.

Eu estava tão nervosa. Não sabia como olhá-la, não sabia o que falar, não sabia o que fazer. Não sabia nada. Exatamente nada e um pouco mais de nada.

Talvez fosse melhor se Tinker tivesse vindo mesmo.

Droga, Tinker! Você poderia ter feito isso por mim.

Ou não, talvez...

Ao mesmo tempo em que eu brigava internamente com Tinker por não ter feito isso por mim, eu agradecia por ela não ter aceitado. Bem contraditório, eu sei. Às vezes eu sou assim mesmo.

Antes mesmo que eu tocasse a campanha ou só batesse na madeira mesmo, minha professora abriu a porta. Parecia até que estava me esperando. Na verdade, ela estava. Mas parecia mesmo, é que olhava por algum canto para saber quando eu chegaria.

E lá estava o abençoado colar pendurado em seu pescoço. Mas dessa vez eu não iria me importar com ele. Eu não iria dar atenção. Desviei o olhar e olhei para o seu rosto novamente.

― Oi. — Murmura sem jeito e eu dou um sorriso tão sem jeito quanto. — Entra. — Afasta-se da porta para me dá passagem. Pensei em recusar, mas por que recusar se eu quero?

― Ei. — Respondi, passando por ela e entrando na casa, logo dando de cara com Tinker sentada no sofá com um sorrisinho no rosto. Arqueei a sobrancelha e semicerrei os olhos e me encaminhei para o sofá. Entendia bem o motivo daquele sorriso.

― Olá, loira de farmácia. — Cumprimenta-me, levantando-se. — Bem, eu já vou, está ficando tarde. — Anuncia, caminhando para a porta que Regina havia acabado de fechar.

― Claro que está. — Sussurro baixinho, com ironia, mas sei que ela ouviu. — Vai na sombra, toco de amarrar jegue. — Soltei um beijinho no ar, toda debochada.

― Até amanhã, Gina. — Abraça minha morena, que não é mais minha, e logo vai embora, deixando-nos sozinha.

Regina tranca a porta após alguns segundos, provavelmente estava esperando Tinker sumir de suas vistas, e anda até o sofá em que eu estou, porém, antes de sentar, opta por sentar no outro, de frente para mim.

― Então... — Decido começar. — Como eu te disse pelo telefone, eu estava arrumando o meu guarda-roupa e... — Faço uma breve pausa. — Você sabe como ele é bagunçado mesmo que eu arrume e tente deixar organizado... — Ela sorri e eu a acompanho. — E bem, eu encontrei algumas roupas suas e imaginei que em algum momento você iria precisar de alguma, então eu juntei tudo para trazer para você. — Alcanço a bolsa que estava ao meu lado no sofá e me levanto um pouco para lhe entregar.

― Obrigada. — Pega a bolsa da minha mão e a coloca no chão ao seu lado.

Nós ficamos caladas, olhando uma para a outra. Exatamente como eu temia que acontecesse.

― Então, é isso. — Quebro o silêncio, já me levantando. — Acho melhor eu ir. Eu não quero te atrapalhar e também já está ficando tarde. — Quando fiz menção de andar, ela me segurou pelo braço.

― Você não está atrapalhando e para mim o horário não importa. — Fala apressada e parecia até nervosa. Sua mão estava só um pouquinho fria.

― Tudo bem, então. — Cedo fácil. Eu realmente não queria ir embora agora. Ela solta o meu braço e eu volto a me sentar no sofá.

― Você quer alguma coisa? — Oferece gentilmente. — Eu posso fazer aquele café que eu sei que você gosta.

― Não precisa. — Respondo rapidamente, sorrindo sem mostrar os dentes e ela volta a se sentar. — Então... — Coço a cabeça em um sinal claro de nervosismo. O que nós conversaríamos agora? Por que foi que eu aceitei ficar, mesmo? — Como é que você está? ― Faço a pergunta mais comum de todas para iniciar uma conversa. É a única coisa que vem à mente.

― Estou bem. — Sorri de canto. — E você? Como estão suas costas? ― Sua pergunta me faz lembrar de quando estávamos no hospital, tão próximas. Meu coração dá uma acelerada. Acho que se o Dr. Jason não tivesse chegado eu teria conseguido ao menos um encostar de lábios.

― Estão melhores, graças a Deus. — É.. Até que não estava sendo tão tenso, o momento.

― Que bom!

E então ficamos caladas novamente. Só porque eu tinha ‘’dito’’ que não estava sendo tenso, ficamos sem assunto. Acho que falei cedo demais.

— Então, passou suas férias por aqui mesmo? ― Pergunta, quebrando o silêncio e eu agradeço por isso.

― Não. Fui para Boston passar uns dias com a vovó. ― Ela assente, abrindo um pequeno sorriso.

― E como ela está? — Pergunta em seguida, sem perda de tempo. Ótimo! Se continuar assim não ficaremos em um silêncio constrangedor novamente.

― Está bem e perguntou por você. — Seu rosto fica vermelho, com certeza envergonhada, mas por um motivo que eu não sei. — Eu disse que... Você sabe. — Ela assente rapidamente, entendendo-me. — E disse que você está bem também. Ao menos de saúde. — Falo sem graça.

Mais uma vez o assunto acaba e nós nos calamos. Era a deixa para eu ir embora, mas eu não queria ir, assim como sei que ela também não queria que eu fosse.

A verdade é que assunto não estava em falta, eu tinha muitas coisas para falar, comentar e perguntar, mas não sabia como fazer e nem se podia fazer, já que nossa amizade mudou depois que rompemos.

Para acabar com o momento constrangedor, decido falar sobre Ava, um assunto neutro e que pode ser conversado tranquilamente.

― A sua filha sente sua falta. — Ela me encara de cenho franzido. Tive vontade sorrir. — A Ava sente sua falta. ― Explico para clarear sua mente sobre o que eu estava falando.

― Sei que era dela que estava falando. É só que... — Hesita. — Eu pensei que, bem, depois que terminamos... ― Interrompe-se, porém eu entendo o que queria dizer.

― Bem, um casal quando se separa não deixa de ser pai ou mãe da criança não é? — Pergunto brincalhona e ela assente, sorrindo. — O mesmo vale para você e a Ava.

― Eu também sinto muita falta da minha pequena. — Dá um sorrisinho triste e meu coração se aperta. — Mas, então... Aquele rapaz é seu namorado? — Muda completamente o assunto e meu coração dispara no mesmo segundo. Eu não estava preparada para essa mudança repentina e justo para esse tema.

― Sim, ele é... — Desviei o olhar e o foquei nos porta-retratos mais atrás. — Conheci em Nova Iorque, quando estava de férias.

― Aquele bebê é... — Não conclui a pergunta porque logo balanço a cabeça afirmativamente. — Ele é lindo.

― E uma graça também. — Acrescento e ela balança a cabeça em concordância.

Ficamos em silêncio mais uma vez e minha língua coça para mudar de assunto e falar sobre algo que eu estava bastante curiosa. Se Regina me perguntou do Graham, eu perguntarei do Robin também. Por que não?

― E o Robin, tem aparecido? — Vi sua expressão mudar drasticamente. O que aquilo significava?

― Está em viagem há um bom tempo. — Sinto alívio por saber que ele não estava por aqui e concluo que sua expressão deve ter sido apenas por ter tocado em seu nome.

― E você tem... — Antes que eu possa concluir a pergunta, ela a entende e logo nega. Mais uma vez fico aliviada. Embora eu não tivesse direito algum de ficar aliviada por saber que ela não tem entrado em contato com ele, eu ficava. Não era apenas pelo ciúme, no qual eu estou completamente errada, mas também, por saber que ela não tinha voltado para alguém que não a valoriza.

De repente, Regina se levanta e se senta ao meu lado e o nervosismo que tinha ido embora há algum tempo, logo retorna.

— Emma, eu quero ser sua amiga novamente. — Murmura em um tom triste, aproximando-se mais de mim e colocando uma mão em cima da minha perna. Por um instante eu pensei que ela fosse me beijar e eu quase tive um ataque cardíaco.

― Eu também quero... ― Confesso. ― Mas acho que não podemos. — O motivo tinha acabado de acontecer.

― Por quê? — Sua voz sai embargada. — Eu sinto sua falta. — Aperta minha mão. Eu estava me segurando para não começar a chorar. — Seu namorado sabe sobre nós? — Neguei. Mas ainda que ele soubesse, o Graham não é desse tipo. — Então por que não querer ser minha amiga?

― Porque... — Encarei seus olhos marejados e os meus também ficaram.

― Você o ama? — Indaga em um tom sofrido, desistindo de obter uma resposta para o questionamento anterior e eu desvio o olhar. Como a conversa tinha tomado aquele rumo? Como uma coisa pulou para a outra? Eu sabia que ela queria fazer essa pergunta, dava para perceber desde o momento que falou sobre Graham, mas não imaginei que fosse ser tão direta.

― Regina... Eu... ― Suspiro pesadamente. Eu não queria responder. Não queria mentir e nem falar a verdade.

― Responda-me, Emma. ― Pede, puxando meu queixo em sua direção. O colar chama a minha atenção, mas eu me forço a olhar para ela e esquece-lo. ― Você já me esqueceu? — Faz mais uma pergunta difícil. Argh! Que droga, Regina! Não. Eu não te esqueci. Minha língua coça para dizer. — Você não pensa mais em mim? — O tempo todo, todo o tempo. — Enquanto estava em Boston, não se lembrou de mim? Não sentiu a minha falta? — Não só senti, como ainda sinto. Olho-a intensamente e sei que entende a minha resposta. — Você o ama? — Volta a perguntar e eu fecho os olhos. Não, eu não o amo. É você que eu amo. Somente você.

― Eu vou embora, já está ficando tarde. — Anuncio, abrindo os olhos, soltando-me de seu agarre e me levantando bruscamente. Minhas lágrimas saírem sem minha permissão e eu precisava sair dali com urgência.

Eu já estava perto de alcançar a porta, quando Regina passa muito rápido ao meu lado e fica em minha frente, impedindo minha passagem.

― Por favor, não vai. — Suplica e meu coração se aperta. — Não faz isso. — Pede baixinho e eu respiro fundo, segurando-me para não desabar no choro.

Encaro-a por alguns segundos, mas não decido ouvir seu pedido, então, delicadamente tiro-a de frente da porta e a abro para sair.

Meu coração dói. Insuportavelmente dói. Todavia, continuo meus passos para longe.

― Emma! — Escuto seu grito e paro meus passos, virando-me para trás para olhá-la.

― Eu não quero mentir para você, Regina. — Digo sinceramente e ela abaixa a cabeça e eu questiono-me o que será que deve ter entendido com a minha resposta, já que a frase tem um duplo sentido. Um bom e um ruim.

Minha professora não fala mais nada e eu resolvo ir embora.

Com passos lentos e desanimados, vou andando pela rua. Pensei em pegar um táxi quando vi um passando, mas logo desisti, preferindo ir andando. Eu não estava me importando se era longe da minha casa. Eu só queria um tempo para pensar.

Eu queria muito ser amiga dela novamente. Deus sabe o quanto eu queria. Mas não sei se conseguiria ser apenas uma amiga. Eu a amo. Amo muito. Passamos pouco tempo juntas, mas foi o suficiente para me fazer amá-la nessa intensidade, e eu me vi apaixonada tão rápido, que provavelmente eu já estava antes e só não percebia.

Eu queria tentar o que Tinker me pediu. Eu realmente queria. Ela estava certa quando disse que nossa amizade não merecia terminar do jeito que terminou e que deveríamos tentar reatar isso, mas é como eu disse: não é simples, não é fácil você ser amigo de alguém que já namorou e continua amando, sem falar que eu estou Graham, estou em um relacionamento sério, não posso correr o risco de cometer uma loucura e fazer algo que eu não gosto e vá me arrepender depois. Eu não podia trai-lo. Além dele gostar muito de mim e eu dele, Graham não merecia. Nenhum de nós merecíamos.

― Ei. — Escutei a voz de Tinker me chamar de repente e uma mão tocar meu ombro. De onde ela veio? — Emma? ― Olhei para ela sem animação alguma. — Para onde vai uma hora dessas?

― Eu estava indo para casa — Dei uma fungada forte e enxuguei meu rosto com a blusa. — E você?

― Eu estava ali na lanchonete. — Apontou para um lugar mais à frente de nós. — Por que está chorando?

― Porque eu não fiz o que você pediu e isso está me machucando. — Sussurro, segurando-me para não desabar no choro. Eu estava na rua e isso estava fora de cogitação.

― E por que não fez? — Segurou meu queixo e o levantou em sua direção. — O que te impede de tentar uma amizade com Regina? Eu quero a verdade.

― Eu ainda a amo, ok? ― Confesso em um tom cansado. ― Não é isso que queria ouvir? — Questiono em um tom alterado e ela arqueia a sobrancelha. — Eu estou namorando, gosto muito do meu namorado, mas ainda a amo e muito. É por isso que é difícil ser amiga dela e eu não quero. — Delicadamente, retiro sua mão do meu queixo e volto a olhar para baixo. — Não quero correr o risco de magoar alguém que não merece e fazer algo que eu não gosto. ― Acrescento em um tom mais baixo.

— Olha, eu só vou falar uma vez. ― Diz firmemente e eu balanço a cabeça afirmativamente, mas ainda sem lhe encarar. — Eu entendo que deve ser ruim ser amigo de quem queremos conosco além da amizade. Entendo que você está namorando e tem medo de não se segurar e acabar traindo o seu namorado. — Segura em meu ombro e o aperta. — Eu entendo o seu lado, o seu medo, mas não precisa ser assim. — Fala em um tom mais ameno. — Não precisa voltar a amizade como antes logo de cara, mas sim, ir aos poucos com isso. — Levanto a cabeça para lhe encarar e vejo um pequeno sorriso em seus lábios. ― Você precisa dela, ela precisa de você. Não é justo uma amizade tão linda acabar porque vocês ainda se amam e se querem. — Seu tom é triste. — E sobre ser infiel ou não, isso só depende de você, Emma. Você conhece a Regina, ela não é mulher de se envolver com alguém comprometido, é? — Neguei. Regina não tinha esse mal caráter. — Ela não é atirada, não é irresponsável e sabemos o quanto é respeitadora. — Balanço a cabeça afirmativamente, concordando com tudo. — Ela sabe que você namora e apesar disso machucá-la, Regina não vai querer interferir no relacionamento, não fará você trair o garoto. Então, se vier a vontade de ficar com a Regina, só vai depender de você, seu caráter, sua consciência, sua sinceridade, sua fidelidade e lealdade para permitir ou não que isso aconteça. Sem falar que você pode muito bem conversar sobre isso com ela para que ela te ajude. Então não venha colocar obstáculos quando os obstáculos, na verdade, são inventados por você mesma. Acredite em si. Se quer ser amiga da Regina, vai lá e seja. Não perca a oportunidade por algo inventado por você mesma.

E mais uma vez, Tinker tinha razão. Alguma vez ela já não teve?

Não precisamos já voltar a ser amigas como antes. Poderíamos ir aos poucos, com calma, respeitando o tempo. Ela também tinha razão quando disse que só dependia de mim, permitir que o desejo me faça cometer uma besteira. Regina não iria tentar algo e eu poderia muito bem me afastar quando essas vontades vierem. Tinker realmente tinha razão quando disse que os meus motivos eram impostos por mim e não de verdade.

― Você tem razão. — Assumo, fazendo-a abrir um grande sorriso. ― Amanhã irei procurá-la para conversarmos.

― Não, Emma. Você tem que ir agora.

― Mas já está tarde e...

― Agora, Emma... ― Ela me interrompe, toda cheia de autoridade. ― Não se pode deixar para depois o que se pode fazer agora.

― Você tem razão, anão de jardim. — Ela mostra a língua. — Se não engolir essa língua, eu corto fora. — Brinco, sentindo-me mais leve após toda essa conversa, e ela me dá um murro bem pesado no braço. — Ei, eu sou mais nova, mas mereço respeito também, ok?

― Para de enrolar e vai logo, garota. — Aponta na direção da casa de Regina.

― Já estou indo. ― E então saio correndo, voltando o caminho que tinha feito para longe de Regina.

Assim que cheguei em frente à sua casa, respirei fundo para recuperar o fôlego e andei até a porta. Bati consideravelmente forte duas vezes e esperei um pouco. Regina não deu sinal de que atenderia. Levantei a mão para bater novamente, mas fui surpreendida por ela aparecendo.

Seus olhos e nariz estavam vermelhos e eu sinto o peso da culpa por ela estar desse jeito. Sem falar nada, dou um passo para dentro e a abraço o mais forte que posso. Minha professora me recebe de braços abertos e me aperta também, encostando sua cabeça na curva do meu pescoço e chorando baixinho.

― Por favor, eu não aguento te ver chorar. — Afago seus cabelos negros, macios e cheirosos. — Por favor, Rê... — Suplico baixinho, puxando sua cabeça para poder olhá-la. — Desculpe-me por sair daquele jeito, desculpe-me por te fazer chorar, desculpe-me por te fazer sofrer. — Enxuguei suas lágrimas, mas em vão, logo novas desciam. — Não chora mais. Não gosto de te ver assim. — Abraço-a novamente. — Eu também quero voltar a ser sua amiga. ― Revelo e seus braços se apertam mais ao meu redor.

•§•

― Então eu já vou, agora está realmente tarde. — Estávamos no sofá, uma do lado da outra botando a conversa em dia e matando a saudade, com abraços é claro. Após termos nos acalmado, eu havia contado tudo sobre os meus pais e minha mãe, como foram as minhas férias com minha avó e a minha parceria com Graham no estúdio, e ela me contou tudo sobre Robin e suas monótonas férias com Tinker e a escola.

― Tudo bem. Amanhã cedo você tem seu curso de língua estrangeira e é melhor que vá dormir cedo, mesmo. — Eu assinto, fazendo uma careta pela parte de ter que acordar cedo e ela sorri. — Aliás, parabéns pelo estúdio que você está montando com o Graham. Quando tudo estiver pronto eu quero que me leve lá.

― Você será a primeira a ir. — Garanto e ela sorri com aqueles sorrisos que ilumina uma noite escura e triste. — Bem, agora eu vou mesmo. — Digo bem-humorada e nós sorrimos. — Qualquer dia você vai lá em casa para ver a Ava. ― Peço, levantando-me e já seguindo para a porta. Regina me segue.

― Tudo bem. — Minha professora abre a porta. — Então, até amanhã... — Sem pensar duas vezes, puxo-a para um abraço forte e beijo sua testa.

― Até! ― Retruco, afastando-me. ― Ah, por favor, trate de tirar essa tristeza daqui. — Coloco a mão na região do meu coração para representar o seu. — Eu não pretendo ir mais a lugar algum e nem deixar você.

― Estou torcendo que não... Tenho medo de que na verdade eu esteja dormindo e isso tudo é, na verdade, um sonho muito bom. — Confessa em um tom triste, abaixando a cabeça. — Eu nem acredito que estamos sendo amigas novamente.

― Ei. — Toco em seu queixo e o levanto. — Não é um sonho. É real. Eu estou aqui com você. — Sorrio e ela me acompanha. — Como eu disse antes, não pretendo te deixar mais e estar sempre com você, sempre que precisar.

― E eu também, se você permitir.

― Claro que permitirei. — Retruco rapidamente, sem pensar duas vezes. ― E trate de acreditar que estamos sendo amigas novamente porque é real. — Meu tom deixa claro que não é um pedido, mas uma ordem. ― Tchau! — Beijo novamente sua testa e me viro para ir embora, agora, com o coração e a alma mais leve.

•§•

Um mês depois.

Depois que eu e Regina voltamos a ser amigas, as coisas mudaram. Eu já não mais fugia dela quando a via pelos corredores, não ficávamos mais constrangidas uma na presença da outra, o ambiente não ficava mais tenso quando estávamos por perto. Sem falar que desde a noite da nossa reconciliação, eu estava me sentindo mais leve, mais solta, mais em paz e mais feliz.

Como tudo ainda era recente, nossa amizade ainda não estava no estágio de antes. Mas sempre que nos víamos pelos corredores da escola, no banheiro, na sala dos professores, na sala de aula, nas quadras, na piscina e na cantina, nos cumprimentávamos e em algumas vezes até parávamos para conversar um pouco, quando não tínhamos nada para fazer depois, e colocávamos a conversa em dia. Porém, ainda não estávamos saindo juntas, indo para a casa uma da outra, mas acredito que se continuássemos como estamos e tudo continuar indo bem, chegaremos em breve ao mesmo nível.

Meu curso de fotografia e de francês, estavam me consumindo lentamente, mas com força de vontade, incentivo de Graham e da própria Regina, eu consegui segurar a barra e concluir os dois.

As obras do estúdio estavam indo de vento em poupa. De acordo com Graham, não sei como, eu já tinha até clientes só esperando tudo ficar pronto para que eu pudesse fazer o meu trabalho. Eu estava bem animada para colocar em prática tudo que eu aprendi.

Quanto a mãe de Graham, ela continuava internada. Depois que fizemos a visita a ela, as coisas só pioraram. Graham ficava desesperado quando alguém ligava para dar notícias. Era de partir o coração vê-lo sofrendo pelos cantos da casa.

Minha mãe, graças a Deus estava cada dia melhor. Após contar tudo que aconteceu para Graham, todos os dias fazíamos uma ligação via Skype para conversamos com ela e meu pai.

Quando vovó voltou de viagem e veio me visitar, me mostrou diversas fotos de Ingrid e de todos eles em alguns lugares turísticos, e me contou todos os detalhes do dia-a-dia dos meus pais e principalmente de mamãe até vir embora. Todos os dias eu agradecia a Deus por minha mãe estar bem e pedia pela mãe de Graham ficar também. Ele merecia sentir a mesma felicidade que eu estava sentindo.

Joshua estava cada vez mais esperto. Na semana passada aprendeu a falar ‘’aaba’’ = água e ‘’aao’’ = cachorro e toda vez que eu o ouvia falar assim, só faltava explodir de amor. Ele tinha demorado um pouco mais para começar a falar e até andar, porque era muito preguiçoso. Graham estava frustrado por ele não ter aprendido falar papai ainda. Era hilário vê-lo a cada hora, tentando ensinar o pequeno a falar a palavra.

Na escola, as coisas até que estavam tranquilas. O passeio que a diretora falou antes das férias estava se aproximando e todos nós estávamos em expectativa, apenas contando os dias. Iríamos fazer uma excursão de dois dias para Augusta, Lewiston e Sanford e as vagas eram limitadas. O que não fazia sentindo, já que o mesmo era para nota. Mas, embora não fizesse sentindo algum, a não ser o de forçar a gente a ir, tratei logo de garantir a minha vaga e fiz Ruby, Ariel, Killian e Nellie garantirem também. Esse passeio além de ser um descanso dos estudos, iria valer como nota. Seria bastante ruim se perdêssemos essa nota praticamente de graça.

•§•

Depois de um dia bastante cansativo, resolvendo alguns detalhes do estúdio, saí com Graham à noite para comemorarmos que tudo estava indo muito bem. A contragosto, ele deixou Josh com uma vizinha dele que, de acordo com o próprio, era de confiança.

Fomos para um restaurante de comida brasileira, eu nem sabia de sua existência, e de acordo com Graham, a culinária era deliciosa e tinha muita variedade. Após estarmos extremamente satisfeitos, fomos dançar. Enquanto decidíamos para onde ir, descobri que, assim como eu, Graham ama as músicas mais antigas, e por isso, escolhemos um lugar onde tocava esse tipo de música. Mas não, não foi o mesmo que fui com Regina.

Já passava da meia noite quando chegamos em casa, e sem perda de tempo, decidimos terminar aquela noite da melhor forma possível. Em menos de dez minutos, dentro de casa, já estávamos sem roupa, em cima da cama, beijando-nos calorosamente. Mas apesar do fogo que sentíamos, não costumávamos fazer nada na selvageria e na pressa.

Quando Graham desce lentamente para o meu pescoço, fazendo-me arrepiar dos pés à cabeça, procuro as camisinhas em cima da mesa de cabeceira, mas minha atenção é tomada pelo meu celular vibrando.

Sem interromper o que Graham fazia, alcancei-o e fiquei surpresa quando vi o nome de Regina piscar na tela. Não pensei tuas vezes em atender a ligação. Pelo horário em que me ligava, alguma coisa de errada estava acontecendo.

― Regina? — Tentei disfarçar minha voz ofegante para não entregar o que fazia no momento.

Emma! — Sua voz estava chorosa. Na hora meu fogo abaixa e o nervosismo toma o seu lugar. — Graças a Deus você está acordada. — Diz aliviada.

― O que aconteceu? — Ao escutar a minha pergunta, Graham interrompe o que fazia, ele já estava beijando minha barriga, e me lança um olhar preocupado.

Eu sei que é tarde e eu não deveria estar aqui. — Sua voz estava baixa e embargada. ― Mas será que você poderia me receber agora? ― Questiona hesitante.

― Claro que sim! — Respondo rapidamente, sem pensar duas vezes. — Só um minuto. — Peço e encerro a ligação, logo colocando o aparelho onde estava antes. Graham me lança um olhar interrogativo, claramente querendo saber o que está acontecendo. — A Regina está aqui.

― A professora? — Assento. — Por que ela está aqui? ― Pergunta confuso.

― Eu não sei. — Ele sai de cima de mim e eu me levanto da cama. — Você não vai ficar irritado pela interrupção, vai? ― Questiono preocupada e olhar que me lança me faz se sentir uma idiota por ter perguntado.

― É claro que não, Emma. ― Retruca em tom de obviedade. — Com certeza deve ter acontecido algo e por isso ela está aqui. Tenho certeza que não viria por um motivo banal.

― Fico feliz que você entende. — Digo sinceramente e olho para o chão em busca da minha calcinha e da cueca dele.

― Não há motivo para não entender. — Ele se levanta, vem até mim e me dá um selinho. — Se eu fosse você, apressaria os passos porque a noite está bem fria.

― Você tem razão. — Desisto de procurar minha calcinha, provavelmente está em alguma parte do chão da casa e corro até o meu guarda-roupa para pegar uma nova. Enrolo-me em um robe e saio do quarto rapidamente para ir atender Regina.

Assim que eu abro a porta, Regina se joga em meus braços.

― O que aconteceu, Rê? — Pergunto preocupada, ainda abraçada a ela, porém minha professora nem se mexe para responder. — Rê, o que aconteceu? — Torno a perguntar, dessa vez, afastando-me dela para olhar em seu rosto.

― Minha mãe. — É tudo o que diz, finalmente e me deixa ainda mais preocupada. Percebendo que ainda estávamos na entrada, puxo-a para dentro, fecho a porta e a levo para sentar no sofá.

Devidamente vestido, Graham aparece na sala chamando a nossa atenção. Sua expressão não escondia o quanto ele estava curioso para saber o que estava acontecendo, principalmente por Regina estar chorando.

― Querem que eu faça um chá ou um café? — Graham oferece gentilmente.

Percebo algo estranho em seu calção, bem no meio de suas pernas, algo não muito chamativo, e me apresso em me levantar e ficar em sua frente para esconder.

― Por favor! — Digo quase que desesperada para ele sair logo. Graham assente e vai para a cozinha, e eu me volto para Regina, aliviada por ele ter ido embora e por perceber que Regina não viu nada.

― Então, pode me contar o que aconteceu? — Ajoelho-me em sua frente e seguro em suas mãos.

― Minha irmã me ligou agora há pouco. — Fala baixinho. ― Ela... ― Interrompe-se e começa a chorar igual quando eu abri a porta. — Mamãe está com câncer. ― Revela, pegando-me de surpresa.

O que?

O baque da notícia foi tão grande que não me aguentei ajoelhada e acabei me sentando. Minhas pernas ficaram fracas e eu senti todo o meu sangue gelar.

― Onde? ― Regina não me responde, apenas toca em seu seio. Puta que pariu! Um dos piores.

Levanto-me do chão, ajoelho-me novamente e a abraço apertado. O que Regina mais precisava no momento, era de conforto, de ajuda e de um abraço, um ombro amigo.

― Eu estou com medo, Emma. — Fala com dificuldade por causa do choro.

― Eu te entendo, mas vamos ter fé, ter esperança de que ela vai ficar bem e vai dar tudo certo. — Cada palavra que eu dizia, eu a apertava mais e sentia suas lágrimas caindo pelo meu pescoço.

― Eu não sei o que fazer. Eu não quero perder minha mãe... ― Afasto-me um pouco para conseguir olha-la nos olhos.

― Você não vai perdê-la. ― Digo com firmeza, olhando fundo em seus castanhos cheios de lágrimas. ― Ela ficará bem e logo, você vai ver. Vai ficar tudo bem, vai dar tudo certo.

Voltamos a nos abraçar e ficamos assim por longos minutos, até que Graham volta com os chás e nós nos afastamos para beber. Em seguida, ele avisa que estará no quarto.

Ava, que até então estava quieta, desde que Regina chegou, aproxima-se de nós e se enfia em nosso meio, como se quisesse fazer parte do abraço. Nós acabamos nos afastando e ela começa a lamber Regina, fazendo-a sorrir um pouco.

― Eu estarei aqui para te ajudar no que for preciso. — Limpo suas lágrimas. — Sua mãe vai ficar bem assim como a minha ficou. — Digo cheia de esperança e ela abre um pequeno sorriso.

― Perdão por vir a essa hora te atormentar com os meus problemas quando você já tem os seus. — Diz, referindo-se a mãe de Graham.

― Ei, seus problemas são meus problemas também. Certo? — Rê não me responde nada e eu arqueio a sobrancelha. ― Certo? ― Repito e dessa vez ela assente. — Pode vir a hora que quiser me procurar. Agora toma esse chá aqui que vai te fazer bem. ― Pego uma xícara e lhe entrego.

Começamos a conversar enquanto tomamos o chá e sempre que ela começava a chorar eu a abraçava e falava palavras de conforto para acalmar o seu coração.

Por fim, fiz com que ela tomasse um calmante e a levei para o quarto de hóspedes para que dormisse. Ava rapidamente a segue até a cama e a sua festa de lambeijos arranca vários sorrisos de Regina, o que me deixa bastante feliz.

Como uma mãe bota uma criança para dormir, eu fiz com Regina. Sentei-me na beirada do colchão, cobri seu corpo com um lençol grosso por conta do frio que estava fazendo e fiquei fazendo carinho em seus cabelos até ela pegar no sono. Ava foi a primeira a ir para o mundo dos sonhos.

Com as minhas duas morenas dormindo, saí de fininho do quarto e voltei para o meu. Obviamente, Graham ainda estava acordado.

― Está mais calmo? — Pergunto entre risos, deitando-me ao seu lado.

― Calmo? — Questiona sem entender. — Por que eu estaria nervoso?

― Você sabe por que eu me pus em sua frente quando ofereceu chá? ― Ele nega. ― Bem, você poderia até estar calmo, mas seu amigo não. Ele estava um pouco acordado ainda. — Explodo em uma gargalhada enquanto Graham só faltava explodir de tão vermelho que estava.

― Não acredito que passei essa vergonha. — Esconde o rosto entre as mãos.

― Não passou por completo porque ela não viu. Graças a Deus! ― Se Regina tivesse visto não teria sido só ele a passar vergonha.

— Que merda! Eu escolhi esse calção justamente para esconder tudo.

― Parece que não adiantou. Mas bem, vamos deixar isso para lá e voltar a dormir?

― Onde ela está? Está mais calma? — Pergunta preocupado.

― Eu dei um calmante para ela e só saí de lá do quarto quando pegou no sono.

― Espero que fique tudo bem. — Murmura. — Agora vamos dormir que eu estou cansado e com sono.

Deitamos por completo na cama e nos cobrimos com o lençol. Fecho os olhos e tento descansar a mente por mais algumas horas.

Notas finais
* Gostaria que vocês me respondessem: - Como vêem a Emma? A) Jennifer Morrison novinha? B) A Emma adolescente que colocaram em OUAT [aquela do episódio que mostra Lily] C) A Emma de 18 anos do episódio ''Tallahassee'' da season 2? [Quando ela conhece Neal] Espero que tenham curtido o capítulo e até o próximo :D