Next to Me

63 Next to me - 63


Notas iniciais
Voltei mores, o capítulo está bem grandinho e no quase fim/fim terá algo do agrado de vocês :) Boa leitura!

Acordei sobressaltada, com algumas imagens dos meus sonhos ruins da noite passada, em minha cabeça. Ao girar para o lado vi que estava sozinha na cama. Quer dizer, a Ava estava bem acomodada no lugar onde Graham dormiu. Sorri vendo a minha pequena tão à vontade no lugar onde tem dormido desde que Regina foi embora, mas que tem perdido em algumas noites com a chegada de Graham.

Criando coragem para mais um dia, levantei-me num pulo, o que acarretou em uma leve tontura, e deitei novamente. Ava, que agora já estava acordada, vem pra cima de mim e me lambe toda, como sempre faz. Essa era a sua forma de me desejar bom dia.

Fico alguns minutos recebendo e retribuindo seus carinhos, até que me sinto recuperada da tontura e finalmente me levanto, dessa vez mais devagar, e saio do quarto. Desci as escadas brincando com Ava e quando levantei a cabeça para seguir para a cozinha, vi Graham sentado no sofá, com os braços apoiados nos joelhos e de cabeça baixa, apoiada nas mãos. Alguma coisa não estava certa.

― Graham? — Chamo sua atenção, ainda de longe, mas ele nem se mexe. Sentindo que tinha alguma coisa errada, meu coração se acelera e eu corro até ele. — Ei, o que aconteceu? — Sentei-me ao seu lado no sofá e comecei a acariciar seus cabelos. Percebi que ele estava chorando e senti um aperto no coração. Agora eu tinha ainda mais certeza de que algo estava errado e tinha quase certeza do motivo do choro. Poucas foram as vezes que o vi assim, desde que começamos um relacionamento.

― Aconteceu novamente. — Ele responde baixinho, com a voz embargada. — Essa madrugada. — Soluçou. — É a terceira vez só enquanto estou aqui. — Acrescenta, finalmente levantando a cabeça e eu o acolho em meus braços, em um abraço apertado.

― Como ela está agora? — Minha voz sai embargada e meus olhos marejam.

― Está internada novamente. Meu pai não tem condições de ficar com ela no hospital, então o Quinn está lá enquanto Lua fica em casa com ele. — Solto-me do abraço, levanto-me do sofá e começo a andar de um lado para o outro, nervosa.

Exceto as vezes que isso aconteceu enquanto Graham ainda estava em Nova Iorque com a mãe, essa está sendo a terceira vez. Uma vez já é horrível, imagina seis? Seis derrames do tipo hemorrágico! Sei exatamente o que Graham está sentindo. Há alguns meses eu estava exatamente como ele quando descobri sobre minha mãe estar com um tumor que Graças a Deus deu tudo certo e ela passa bem, por enquanto, e isso é horrível. Saber que a mulher mais importante da sua vida está com problemas de saúde e com altas chances de nos deixar e você está do outro lado do mundo sem poder fazer algo, é de matar. É uma dor terrível que eu não desejaria para ninguém.

― Nós podemos ir até lá nesse final de semana, o que acha? — Volto a sentar do seu lado e o abraço de lado, e Graham deita a cabeça em meu ombro.

― Você não precisa ir, Emma. — Fala baixinho. — Não quero atrapalhar sua vida.

― Isso não vai me atrapalhar, Graham. — Afasto sua cabeça do meu ombro e puxo seu queixo delicadamente para que ele me olhasse. — E se você quiser, eu quero te acompanhar nessa viagem, quero saber como sua mãe está. Estou preocupada com ela. Não quero ficar tendo notícias a distância. Quero está lá com você. — Digo firme, olhando fundo em seus olhos e ele assente. Beijo carinhosamente a sua testa e o abraço apertado. — Então, além dela está internada, tem mais alguma notícia? — Ele balança a cabeça negativamente e algumas lágrimas começaram a descer novamente por seu rosto. — Ei, vai ficar tudo bem, tá? — Tentei soar esperançosa, mas não estava sendo nada fácil. — Vamos ter esperanças que ela sairá bem dessa. Sua mãe é forte e você sabe muito bem disso. ― Ele abre um pequeno sorriso. ― Se ela já passou por isso cinco vezes e ficou bem, passará por essa também. — Acariciei o seu rosto e enxuguei algumas lágrimas. — Ela ficará bem como ficou das outras vezes. — Mesmo com vontade de chorar, eu abri um sorriso. Graham precisava de apoio nesse momento, não de mais alguém chorando e deixando-o ainda mais triste. — Vamos tomar café e depois ligamos para o seu irmão para saber como ela está. — Levanto-me e estendo a mão. Ele me analisa por uns segundos, parecia pensar se aceitava ou não o convite, e então segura minha mão e se levanta também.

― Obrigado por estar aqui comigo. — Abre um sorriso fraco e encosta nossos lábios demoradamente. — Obrigado. — Sussurra, abraçando-me e encostando a testa na minha. Ficamos alguns segundos em silêncio, abraçados e de testas coladas, até que minha barriga faz um barulho, quebrando a tensão do momento. Graham gargalha. ― Parece que alguém está com fome. ― Comenta entre risos. Se ele não estivesse triste há poucos segundos, eu estaria morrendo de vergonha pela graça que minha barriga fez, mas como o fez sorrir um pouco, eu estava agradecendo por isso. ― Vamos comer que eu também estou com fome. — Puxa-me em direção cozinha.

Enquanto Graham preparava o nosso desjejum, eu preparava a não-tão-saborosa ração com molho de Ava, que estava deitada em meus pés, esperando pacientemente, como sempre fazia quando estava com fome.

•§•

― Ei Emma, vamos em um sex shop essa noite e queremos que você vá conosco. — Ruby me informa assim que me sento ao seu lado e de Killian. Ariel ainda não tinha chegado.

― Posso ao menos respirar? — Pergunto em um falso tom sério. Eu havia acabado de chegar e não tinha nem tirado a bolsa das costas ainda. Ruby abre um sorriso amarelo e eu acabo sorrindo também. — Quem é o ‘’conosco’’?

― Ariel, Nellie e Killian. — O último nome me faz sorrir maliciosamente. O que Killian queria num sex shop?

― O Killian também vai? — Arqueio uma sobrancelha e olho sugestivamente para ele, que fica corado.

― O que? — Pergunta com um falso ar de inocência que todos sabemos que ele não tem e eu semicerro os olhos. Ele sorri. — Bem, eu não entrarei naquele lugar. As meninas que irão comprar o que eu quero.

― E o que você quer? — Ruby pergunta com malícia e eu tenho certeza que ela já sabe o que ele quer e só quer que ele diga em voz alta.

― Você sabe muito bem o que quero. — Responde com a voz mais baixa, parecia até envergonhado.

― Vergonha, meu amigo? — Ruby zomba e ele mostra-lhe o dedo do meio. Sim, ele estava envergonhado e essa era nova para mim.

Antes que Jones pudesse se defender, Tinker entra na sala para dar início a sua aula. Lembro-me de Regina e consequentemente de suas roupas e rapidamente tenho uma ideia de como farei para devolve-las. Então me levanto e vou até sua mesa. Eu iria pedir que ela entregasse para mim.

― Ei Tinker, quando você acabar aqui, não vai embora, por favor, eu quero falar com você. — Aviso-a e ela assente, lançando-me um olhar curioso. Mostro o dedo positivo acompanhando de um sorriso e volto para o meu lugar.

― Essa professora é uma delícia também. — Killian comenta, olhando atentamente para nossa professora de Redação e passando a língua por seu lábio superior.

― Killian! — Ariel o repreende, surpreendendo-me. Ela nunca tinha se incomodado com essas coisas. Ou ela estava de olho em Tinker ou estava de olho Killian. Pelo olhar que Ruby me lançou, eu aposto na segunda opção.

― Você também é, ruiva. — Ele diz em um tom sedutor, piscando para ela, que está com o semblante fechado, parecendo realmente chateada. Eu e Ruby nos olhamos novamente e rimos da situação.

•§•

Assim que as aulas de Tinker acabaram, saí em disparada atrás dela.

― Eu quero que você faça um favor para mim.

Espero que ela responda algo, diga se vai ou não poder fazer, mas se mantém calada, provavelmente esperando que eu diga o que é.

— Eu estava fazendo uma arrumação no meu guarda-roupa e vi que tem algumas roupas da Rê. Você poderia levar para ela?

― Não. — Responde rapidamente, não deve nem ter pensado a respeito, provavelmente, e eu franzo o cenho, sem entender o motivo da negativa. Por que ela não poderia fazer isso? Qual o problema? Elas são amigas. Ela vive na casa dela.

― Por que não? — Externo minha confusão. Não conseguia encontrar um motivo plausível para ela me negar esse simples favor.

― Porque quem vai fazer isso é você. — Responde em um tom de obviedade e a minha ficha cai. É claro que ela iria fazer eu ir entregar as roupas. É claro que ela não iria perder essa oportunidade de fazer a gente se vê e se falar.

— Eu não posso. ― Respondo tão rápido quanto ela e sem pensar duas vezes. Nós não estávamos nos falando. Com que cara eu chegaria na porta dela para lhe entregar suas roupas? ― Você sabe disso.

― É? ― Questiona com ironia e eu assinto. ― Por que você não pode, hum? — Arqueia a sobrancelha e semicerra os olhos.

― Porque... Você sabe... Depois do nosso rompimento não estamos nos falando. Iria ficar um clima estranho entre nós.

― Não estão porque não querem. São duas idiotas. — Rebate irritada e eu arqueei a sobrancelha. — É isso mesmo que você está ouvindo.

― Ela sabe que você a chama assim? — Cruzei os braços, irritada, mas sei que ela estava certa.

― Todos os dias. — Ela sorri e eu acabo desfazendo a expressão de raiva e lhe acompanhando.

― Como ela está? — Pergunto ansiosa, voltando a ficar séria. Meu coração bate mais rápido e fica apertado e eu fico apreensiva, com medo da resposta ser negativa.

― Eu não vou dizer porque você vai perguntar isso a ela quando for fazer o que está me pedindo. ― Seu tom decidido deixa claro que não vai voltar atrás com a decisão.

― Tinker, por favor... ― Suplico, juntando as mãos na altura do peito. Eu não iria desistir tão fácil.

― Ou você vai fazer o que está me pedindo ou as roupas dela ficarão por lá até mofar... ― Condiciona, claramente tentando me convencer através do sentimento de culpa.

― Como você é má! ― Ela ri. Filha da mãe! ― Regina não teve aquelas roupas de graça.

― Então vá leva-las, ora! ― Diz simplesmente, como se fosse fácil chegar na porta de Regina, ignorar todo o clima tenso e desconfortável que provavelmente ficará e lhe entregar a bolsa com as roupas. ― Pare de tornar uma coisa fácil em difícil, Emma! ― Revira os olhos e balança a cabeça negativamente.

É, pelo jeito eu terei que ir mesmo.

― Argh! Certo, eu vou! ― Digo vencida, desistindo de tentar convencê-la a fazer por mim, e Tinker abre um grande sorriso e bate palminhas.

― Vocês tinham uma amizade tão bonita. Eu até tinha inveja. ― Comenta, pensativa. ― E de repente essa linda amizade evoluiu para um lindo namoro...

― Que infelizmente não deu certo. — Completei a interrompendo, suspirando pesadamente.

― Mas nem por isso quer dizer que vocês devem parar de se falar. Isso é coisa de adolescente imaturo. — Arqueei a sobrancelha e semicerrei os olhos. Hoje essa mulher estava demais. — É isso mesmo. É assim que vocês estão agindo. — Reforça com tranquilidade e começa a andar pelo corredor, fazendo-me acompanha-la. — Se vocês tivessem terminado em briga, confusão ou algo do tipo, eu até entenderia não se falarem mais, porém não foi assim que tudo terminou entre vocês. ― Eu tinha plena consciência de que Tinker estava certa, mas é que é tão difícil, você amar alguém, namorar esse alguém, terminar o relacionamento e ainda ser amigo desse alguém. ― Sem falar que além de vocês terem terminado de forma pacífica, vocês eram melhores amigas uma da outra antes mesmo do namoro, e isso é mais um motivo para não fazer sentindo vocês não se falarem mais.

― É que é tão difícil. — Comento baixinho.

― Eu sei que é, mas não custa tentar. Se não der de jeito algum, pelo menos vocês tentaram. — Tinker entra na sala dos professores, que estava vazia por não estar na hora do intervalo, coloca suas coisas em cima da sua mesa e voltamos para o corredor. — Quem sabe as coisas não melhorem. — Dá uma piscadinha acompanhada de um sorrisinho. — Você sabe... Tudo começa de uma amizade.

― Eu tenho um namorado agora. ― Relembro-a.

― Ah! — Sua expressão surpresa me faz crer que Regina não deve ter lhe dito a nova informação e que não deve ter me visto com Graham ontem. — Mas isso não impede que vocês sejam amigas. Não custa tentar. — Entra na sala novamente e dessa vez eu fico na porta. ― Bem, agora eu acho melhor você ir. Ela, ou melhor, a aula de gramática está a sua espera. — Sorriu sem mostrar os dentes.

― Obrigada por me expulsar, tia Rose. ― Falo com um falso tom de desânimo e ela mostra a língua para mim. ― Estamos na escola e você é minha professora. ― Relembro e ela mostra o dedo do meio dessa vez. ― Ok! Eu vou embora. ― Aponto para trás e dou as costas logo em seguida, então escuto sua gargalhada. ― É, pelo jeito eu terei que ir mesmo. Só preciso criar coragem. ― Murmuro.

― Falando sozinha, querida? — Escuto a voz da coordenadora se aproximando de mim e me viro em sua direção, vendo-a vindo ao meu encontro com um enorme sorriso, como sempre. Não lhe respondi, apenas sorri. — Como estão suas costas? — Chegou mais perto de mim e passou a mão nas mesmas.

― Estão ótimas! — Abracei-a de lado. Ela passou o braço pela minha cintura e fomos assim até a sala de aula.

•§•

Emma, cadê você? — Era a terceira vez que Ruby me ligava naquela noite. Não era nem oito horas da noite ainda, que foi o horário marcado, e ela estava desesperada, ligando-me para que eu me apressasse.

― Relaxa, Ruby, estou me despedindo da Ava e já saio de casa. — Eu realmente estava sentada no chão, fazendo carinho em Ava. Antes de sair de casa, eu sempre tinha que dedicar uns minutos de carinho à minha pequena.

Emma Swan! — Resmunga irritada e eu contenho a vontade de rir.

― Ok, eu já estou saindo. — Beijo a minha morena, que se abre toda e balança o rabinho, pedindo por mais carinho, levanto-me num pulo e finalmente saio de casa, tranco a porta e escondo a chave, e sigo para o ponto de táxi.

E agora, o que está fazendo? — Pergunta impaciente e eu sorrio.

― Já estou esperando o táxi.

Você tem que comprar um carro. ― Resmunga e eu balanço a cabeça negativamente, porém sorrindo. Não era a primeira vez que Lucas falava isso. Toda vez que marcamos para sair e ela me liga para me apressar, não perde a oportunidade de tocar nessa tecla. ― Pode muito bem fazer isso.

― Eu sei que posso, mas não quero. Não agora. Se eu comprar um carro agora, como poderei sair por aí e beber até cair? ― Argumento, tendo certeza que dessa vez, por causa da bebida, conseguirei convencê-la.

Isso é pecado, irmã. Não pode beber para se embebedar. — Retruca em um tom sério, fazendo-me gargalhar. Ela logo me acompanha. — Você tem razão, conseguiu me convencer. Eu não quero perder minha parceira de bebedeira. — Bingo! Avisto um taxi se aproximando e faço sinal para ele parar.

― Acabei de pegar um táxi. Dependendo do trânsito, chegarei em trinta minutos. — Aviso e enfim encerramos a ligação.

Dei boa noite ao rapaz e lhe informei o endereço. Quando saímos do lugar, ele aumenta o volume do rádio e o carro é preenchido por uma música bastante familiar para mim. Sinto a nostalgia me preencher. Além da música me lembrar do meu pai, ela também me lembrava de Regina.

Estávamos na sala da casa de Rê, tomando vinho, eu tive que insistir muito para poder acompanha-la e tive que prometer tomar apenas duas taças, vendo Ava brincar com uma bolinha nova que minha morena tinha comprado e escutando músicas antigas. Eram as nossas preferidas.

Quando a primeira garrafa acabou, enquanto Regina buscava outra, eu fiquei passando as músicas no notebook para encontrar uma mais conhecida, embora todas fossem. Ao passar cinco músicas e parar em Forever Young – Alphaville, eu resolvo deixar. Ela me fazia lembrar o meu pai, que sempre que colocava sua seleção de músicas antigas para tocar, ela era sempre a primeira da lista, além de ser a única que repetia mais de duas vezes.

Logo que a música começou a tocar, Regina voltou com uma nova garrafa de vinho.

Let's dance in style, lets dance for a while (Vamos dançar com elegância, vamos dançar por um instante)
Heaven can wait we're only watching the skies (O paraíso pode esperar, estamos apenas observando os céus)
Hoping for the best but expecting the worst (Desejando o melhor, mas esperando o pior)
Are you gonna drop the bomb or not? (Você vai deixar cair a bomba ou não?)

― Wow! — Exclamou animada, sentando-se ao meu lado novamente. — Eu amo essa música. Lembra-me dos meus tempos de escola. — Meu amor abriu um sorriso tão iluminado que me perdi por alguns segundos.

― Essa música sempre me lembrar o meu pai. — Dei um sorriso triste. A junção da lembrança, da saudade e da falta de notícia fazem os meus olhos marejarem e rapidamente transbordarem.

― Ei, não chora. — Passa o polegar suavemente por minhas lágrimas e me beija suavemente. — Que tal dançarmos? — Sugere, levantando-se e estendendo a mão. — Eu sei que não é uma música romântica, mas eu quero criar novas lembranças em mim e em você sempre que ouvirmos essa música. — Sorri docemente e sem pensar duas vezes, agarro sua mão, levanto-me rapidamente e me agarro em seu corpo.

Forever young, I want to be forever Young (Eternamente jovem, eu quero ser eternamente jovem)
Do you really want to live forever? (Você realmente quer viver eternamente?)
Forever or never (Para sempre ou nunca)
Forever young, I want to be forever Young (Eternamente jovem, eu quero ser eternamente jovem)
Do you really want to live forever? (Você realmente quer viver eternamente?)
Forever young (Eternamente jovem)

― Moça? — Escuto a voz do motorista me chamar. ― Chegamos. — Aponta para o lado de fora. Vejo no taxímetro quanto ficou a corrida, entrego o dinheiro e desço do carro.

Quando fecho a porta, Ruby e Ariel vem em minha direção. Do outro lado da rua, Killian e Nellie conversavam tranquilamente, sentados na calçada.

― Finalmente você chegou. — Ruby exclama, toda afobada, puxando-me pelo braço.

― Que pressa é essa, Lucas? — Questiono confusa. Não estava entendo aquela agonia toda. — O estabelecimento já está perto de fechar, é isso?

― Não. ― Ela interrompe seus passos e olhe para mim. ― É que, diferente de você que agora é comprometida, pelo menos eu e Killian pretendemos usar alguns produtos ainda hoje.

― Juntos ou separados? — Pergunto com malícia e Ariel, que estava calada desde que eu cheguei, deu-me um empurrão. Olhei para ela sem entender o motivo da pequena agressão. — O que foi?

― O que foi o que? — Devolve, demonstrando confusão. Como assim, o que foi o que? Ela me empurrou e não sabe do que eu estou falando?

― Por que você me empurrou? O que eu fiz de errado?

― Ah! — Ela sorri sem graça. O que estava acontecendo? — Eu tropecei no chão. O empurrão foi um acidente. — Explica toda sem jeito. Olho para Ruby e ela dá de ombros. Volto a atenção para Ariel com um olhar desconfiado, mas decido aceitar a sua desculpa esfarrapada. Se Ariel pensa que me engana, enganada está ela. Sei que me empurrou porque se incomodou com a pergunta que eu fiz. Só não esperei que ela fosse inventar uma desculpa.

Ruby acena para os outros dois do lado da rua e logo eles se aproximam de nós.

― Não liga para Ariel. — Ruby cochicha, chegando mais perto de mim e me segurando um pouco para ficarmos mais atrás. — Ela e Killian tiveram umas coisinhas durante as férias e eu acho que ela está gamada. — Conta entre risadas.

― Coitada! Não acredito que ela se apaixonou, mesmo sabendo como ele é. — Olhei para os três conversando tranquilamente na frente. Ariel parecia tranquila enquanto via Killian conversar algo com Nellie. Talvez fosse apenas atração física, coisa de momento, e não paixão.

― É, loira... Nós fomos as únicas que não caímos nessa furada. — Minha amiga murmura e nós rimos.

Andamos por alguns minutos, entramos em uma rua pouco movimentada e finalmente chegamos ao sex shop.

Killian avisa que ficará nos esperando do lado de fora e atravessa a rua. Eu, Ariel e Nellie nos entreolhamos para saber quem entraria primeiro, mas Ruby se auto indica e entra.

Assim que passo pela porta, fico um pouco chocada ao ver duas mulheres ‘’brincando’’ com um pênis que deveria ter uns 25cm ou mais.

Assim que as mulheres nos viram entrar, pararam o que faziam e vieram ao nosso encontro.

― Boa noite. — Cumprimentou-nos educadamente. ― Fiquem à vontade. Qualquer dúvida é só nos chamar. — Assentimos e elas voltam para trás do balcão, porém não voltam com a brincadeira.

Ruby, Ariel e Nellie se afastam de mim para irem atrás do que querem, e eu, não tendo o que comprar, resolvo explorar e conhecer melhor o lugar. Nunca estive num sex shop antes, nunca tive curiosidade de estar em um e nunca fui de querer usar esses tipos de brinquedos. Também nunca estive com alguém que quisesse.

Ao passar pela entrada principal onde ficava o balcão com as duas atendentes, cheguei em uma parte onde ficava os diversos tipos de pênis. Era o mundo dos pintos. Fiquei boquiaberta com a variedade. Tinha de todas as cores, tamanhos e grossuras.

― Minha nossa! — Sussurrei chocada quando vi um pênis de cor preta e tamanho 30cm, de acordo com a descrição logo abaixo.

Mais embaixo dos vários tipos de pênis, tinha chicotes, anéis, dois pênis juntos que tinha por descrição ‘’anel companheiro’’ e a cor do produto em seguida, e vibradores de várias formas e tamanhos. Havia um que dizia que era recarregável com a luz solar. Imagina colocar aquilo no sol para carregar e chegar alguém em casa? Nossa...

Mudando de lado, pude ver algumas bonecas que parecia bastante reais e alguns objetos que simulavam uma vagina. Mais para frente, na próxima prateleira, tinha umas coisas chamadas de traseiros consoladores. Inevitavelmente soltei uma gargalhada com o nome do negócio. Mais ao lado havia umas embalagens com a descrição ‘’imobilizadores’’ e uma foto de como se usar. Parecia aquelas camisas de força. Mais para o lado, em uma nova prateleira, tinha uns saquinhos com algo vermelho e meio nojento dentro. Na descrição dizia ‘’virgindade’’

― Não! Sério? ― Explodi-me em gargalhadas. Ainda bem que a loja era grande e provavelmente ninguém me escutaria rindo.

Seguindo na mesma prateleira, tinha uns anéis que logo li que era para o pênis, umas capas que serviam para cobrir o membro, entre outras coisas.

Cansada de olhar aquelas coisas, muitas estranhas, mudei minha direção e fui para o outro lado, onde ficava as tais calcinhas comestíveis, os preservativos de sabor, alguns óleos lubrificantes, umas lingeries e perfumes provavelmente afrodisíacos, e a parte de sadomasoquismo e jogos eróticos. Tirando a parte de sadomasoquismo, esse lado foi bem mais tranquilo que o outro.

Terminada a minha exploração, voltei para perto de Ruby, Ariel e Nellie.

Quando as encontrei, na parte do mundo dos pênis, encontrei minha amiga Lucas com um enorme pênis acoplado em uma cinta. Ela estava escolhendo qual o melhor.

Olhando o objeto nas mãos de Ruby, tentei me imaginar usando aquele brinquedo. Com certeza não seria com Graham, e por isso, minha mente me mostrou logo a imagem de Regina.

Será que ela gostaria de me ver usando um daqueles? Será que ela gostaria de usar comigo?

Imagens inapropriadas se formam em minha mente e eu sou obrigada a interromper os pensamentos. Eu já estava ficando excitada.

― Então, o que vão levar? — Perguntei para Nellie, que além de estar mais próxima de mim, era a única que não estava mexendo nos pênis.

― Ainda estamos escolhendo os produtos.

― Ok, eu vou lá fora fazer uma ligação. — Nellie assente e eu dou a volta, seguindo para a saída.

Ao sair do estabelecimento, procuro o número de Regina na lista telefônica, embora eu já saiba decorado, e dou início a chamada. Queria avisa-la sobre as roupas e perguntar quando eu poderia leva-las. Na terceira chamada ela atende e o meu coração se acelera.

Oi, Emma. ― Fala com a voz doce.

Começo a andar de um lado para o outro na calçada, pouco me importando que Killian me observava com uma expressão confusa do outro lado da rua, respirando fundo várias vezes, buscando coragem para lhe responder. Minhas mãos já começavam a suar frio.

Alô? — Torna a falar por causa da minha ausência de respostas.

De repente, Ruby grita meu nome bem atrás de mim.

― Loira, tu não vai querer algum pênis? Tem de várias cores e tamanho.

― Ruby! — Repreendo-a por estar gritando aquilo na rua e bem quando eu estava com Regina ao telefone. Mesmo eu tendo tapado o microfone assim que ela me chamou, é possível que Regina tenha escutado a pergunta.

― Nem um oleosinho? — Faz um biquinho. Com uma expressão extremamente irritada, eu aponto para o celular e ela dá um sorrisinho sem graça. — Foi mal, eu não tinha visto. ― Solta um beijinho e volta para dentro do estabelecimento.

― Regina? — Chamo-a, querendo saber se ainda está na linha.

Estou aqui.

— Desculpe-me a demora em responder. — Peço sem graça.

Sem problemas. ― Retruca com tranquilidade. — Onde você está? — Pergunta, dando-me a certeza de que ouviu o meu diálogo com Lucas. — Desculpe-me, não é da minha conta. — Fala logo em seguida, em um tom constrangido. — Então...

― Ah, então... É que eu estava fazendo uma arrumação em meu guarda-roupa e encontrei umas roupas suas, então queria saber se poderia levar para você. ― Consigo falar de uma vez e fico feliz por meu nervosismo não ter me atrapalhado.

A linha fica um completo silêncio e eu afasto o celular da orelha para verificar se ainda estamos em uma ligação. Talvez a ligação tenha ficado mudo e ela esteja falando e eu não estou ouvindo.

― Regina? ― Chamo-a para ter certeza e escuto sua respiração pesada do outro lado.

É claro que pode, Emma. — Finalmente responde. — Quando você pode trazer aqui?

― Posso levar amanhã de manhã?

Na parte da manhã eu irei sair. — Lamenta, deixando-me extremamente curiosa para saber mais detalhes. — Vou ao centro comprar alguns materiais de escola para mim. — Acrescenta como se tivesse lido os meus pensamentos. — Você poderia trazer agora? — Pergunta em um tom hesitante, surpreendendo-me. — Se não estiver muito tarde e não estiver ocupada.

― Sim, eu posso. — Respondo sem pensar duas vezes. Caminho até a entrada do sex shop e vejo Ruby no caixa. Provavelmente já devia estar pagando pelas compras e nós já iriamos embora. — Eu estou aqui no centro com o pessoal, comprando umas coisas, mas parece que já estamos indo, então o tempo que eu chego aí é só o de eu ir em casa pegar suas roupas.

Certo! Ficarei esperando você. — E meu coração bate mais rápido novamente e as mãos suam frio. Em poucos minutos eu iria estar cara a cara com ela, depois de tanto tempo.

― Ok... Então, até mais. ― E então encerramos a ligação.

Enfio o celular na bolsa e corro para dentro da loja. Eu queria apressar Ruby e as meninas para irmos embora. De repente, eu estava ansiosa para rever Regina.

― Vamos? — Minha amiga faz um sinal com a mão pedindo que eu esperasse e some pela loja, voltando uns segundos depois com um dildo e uma cinta em mãos. ― Outro? ― Pergunto confusa, vendo que já havia um no balcão.

― Para você, loira. ― Empurra em minha mão.

— Para que isso? — Questiono, olhando com curiosidade para o negócio. Eu nunca tinha visto um tão de perto assim e muito menos pegado.

― Para você usar, ué. — Responde em tom de obviedade, retirando-o de minhas mãos e entregando a atendente. — Moça, por favor, coloca dentro de uma sacola separada. ― A moça assente e faz o que ela pede. ― Ah, coloca camisinhas também.

― Eu não preciso disso. — Apontei para o objeto dentro da sacola que a mulher já me estendia. — E para que tanta camisinha?

― Não quero ser tia agora. — Dá uma piscadela acompanhada de um sorriso sacana.

― Jovens, a camisinha não serve apenas para evitar gravidez. O uso é muito importante para evitar doenças também. ― A mulher fala gentilmente e nós assentimos.

Ruby pede para ela colocar mais camisinhas e até umas calcinhas comestíveis que ficava pendurada no caixa, mas essas eu não permito que ela acrescente na sacola.

Enquanto Ariel e Nellie fazia o pagamento de suas compras, observo os produtos que já pelo balcão e vejo umas caixinhas com algo redondo dentro. Tinha na cor preta, vermelha e rosa.

― Para que isso serve? — Apontei para uma caixinha e a moça já foi logo pegando uma de cada cor e enfiando em minha bolsa.

― Serve para lubrificar, esquentar, excitar esfriar. O preto é para o sexo anal, entre outras coisas. — Dá uma piscadinha e Lucas dá uma risadinha. Em seguida, ela pega um frasco branco e também enfia em minha bolsa. Ok, se ela não parasse com isso, eu iria acabar levando a loja toda. — E é para estimular você e seu parceiro ou parceira. É afrodisíaco. — Explica. — Quer mais alguma coisa? — Neguei rapidamente. Já tinha coisa de mais na bolsa de alguém que nem tinha intenção de levar algo. — Tudo custou 35 dólares. — O que? Puta que pariu! Se foi esse valor sem eu querer levar algo, imagina se eu quisesse?

Após pagarmos tudo, nós finalmente saímos. Killian logo atravessa a rua e vem ao nosso encontro.

― Comprou o que eu queria? — Questiona a Lucas, que assente rapidamente e lhe passa uma sacola. Olhei para Ariel e ela assistia a interação atentamente, mas não parecia estar incomodada por saber que Killian iria usar aquilo com alguém por aí. — Muito obrigado, meu amor. ― Dá um sorrisinho sacana que é devidamente retribuído. ― Agora que já tenho tudo o que quero, preciso ir meninas. ― Avisa. Então despede-se de nós e vai embora.

― Bem, eu também já vou. — Lucas também anuncia. — Obrigada pela companhia, meninas. Precisamos vir mais vezes aqui, tem cada coisa ótima. — Nellie e Ariel assentem, concordando em voltarem, mas eu me mantenho quieta. Não sei se quero voltar por aqui. — E você, Emma, o que vai fazer? Ligar para o Graham? — Indaga com ar malicioso.

― Hoje não. Ele está com uns problemas e não nos veremos hoje.

— Está tudo bem com ele e com o Josh? ― Pergunta preocupada.

― Sim, eles estão bem. Depois eu conto tudo para você. ― Ela assente. — Bem, eu também vou embora. — Aviso. Vejo um táxi se aproximando e aceno para que ele pare. ― Tchau, meninas!

Ao entrar no veículo e informar o endereço de casa, a ansiedade de ver Regina volta com tudo, deixando-me nervosa e suando frio, e tudo que eu desejo é que o caminho esteja livre para que eu possa chegar logo.

Notas finais
Curtiram a aventura de Emma no sex shop? KKKKKKKKKKK Vocês acham que ela vai usar essas coisas? Música citada: https://open.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/6mIcDffvYXVbJTn6tm4Kf2?si=HlZfaJ5VTu6I9RZ20JwFtg Espero que tenham curtido mais um capítulo e até o próximo! :D