Next to Me

62 Next to me - 62


Notas iniciais
Se eu desse nome aos capítulos, o título deesse com certeza seria "lembranças" porque é o que mais tem asjkfndmwejfdnmejw Boa leitura! :D

Ao me deixar em casa, Graham avisa que virá à noite e vai embora. Aproveitando que fiquei sozinha, resolvi fazer uma faxina em meu quarto. A última vez que ele tinha visto produtos de limpeza foi quando Ruby esteve aqui, cuidando de mim e de Ava. Depois, o máximo que fiz foi arrumá-lo e varrê-lo, mas nada tão profundo. Troquei de roupa e fui botar a mão na massa. Ou melhor, na poeira.

Começando pelo meu guarda-roupa, o lugar mais bagunçado do meu quarto e acredito que da maioria dos jovens, principalmente os que moram sozinhos, joguei tudo no chão e separei roupas que há muito não usava e que nem dava mais em mim, roupas que não combinavam mais comigo e roupas que estavam com cheiro de guardadas e precisavam ser lavadas novamente. Entre as minhas peças, estavam algumas roupas de Regina. Depois que terminamos, eu não voltei em sua casa para pegar as minhas coisas, assim como ela também não veio buscar as suas.

Sentei-me no chão, peguei uma de suas blusas e a cheirei. Meus olhos marejaram e não me importei em deixar as lágrimas de saudade escorrerem pelo meu rosto. Mesmo depois de tanto tempo guardada, a peça ainda tinha o cheiro do seu hidrante. O meu preferido.

Com muito esforço, depois de tanto cheirar a peça e esfrega-la em meu rosto, parei de me torturar e me levantei do chão, separei todas as suas roupas e coloquei em cima da cama. Peguei uma das mochilas que não usava mais, dei uma limpada com um produto que Ruby me ensinou a fazer para tirar o cheiro de guardado e coloquei todas as suas roupas dentro, exceto um blusão cinza com um grande Mickey na frente. Regina usava-o para dormir, e se tinha uma coisa que eu amava, era ver Regina naquela peça, muito maior que ela e que, apesar de ser infantil, deixava-a tão sexy.

Assim como fiz com a outra blusa pertencente a ela, eu a cheirei. Cheirei até roubar todo o seu cheiro e não ter mais o que aspirar. Aquele blusão seria definitivamente a minha nova roupa de dormir. Quando eu estive sozinha, é claro.

Após guardar tudo na mochila, deixei-a em cima da cama e voltei para as minhas roupas ainda no chão. Depois eu daria um jeito de devolvê-las a Regina e de pegar as minhas. Principalmente as fardas da escola.

Duas horas depois e todo o meu quarto já estava limpo, arrumado e cheiroso e agora, quem estava suja, bagunçada e fedendo era eu.

Olhei no relógio da mesa de cabeceira e faltavam, exatamente, cinquenta e três minutos para Graham chegar com o Josh. Eu tinha exatamente trinta e cinco minutos para me arrumar, descansar os olhos e a cabeça e pedir algo para comer. Com certeza pizza.

A primeira coisa que fiz foi pedir o nosso jantar. Liguei na pizzaria mais próxima de casa, eu nem curtia muito, mas não podia escolher a que gostava porque era mais longe e não daria tempo, pedi uma marguerita, era o melhor sabor que eles tinham, e fui correndo para o banheiro. Porém, antes de entrar, só para me atrapalhar, lembrei que não tinha pego uma toalha limpa e um novo sabonete e voltei correndo para o quarto.

Atrás de mim, vinha Ava. Além de sempre me seguir pela casa, fazendo-me companhia, provavelmente estava me pedindo atenção, já que desde que eu cheguei, fiquei enfurnada no meu quarto, arrumando-o, e não dei nem atenção e carinho e nem brinquei com ela, como sempre faço.

Com tudo em mãos, voltei correndo para o banheiro e entrei com tudo debaixo do chuveiro. Quando a água fria molhou o meu corpo cansado, eu quase gozei com a boa sensação.

Enquanto eu me ensaboava, lembrei de mais cedo, quando vi Regina toda linda do outro lado da quadra, observando-me atentamente e usando algo que mexeu profundamente comigo, posteriormente o nosso encontro no corredor, quando me viu com Josh no braço e depois, quando, com certeza, também viu Graham me beijando na bochecha. Senti uma ponta no peito e me obriguei a afastar essas lembranças. Eu precisava parar com isso. Precisava parar de ficar me torturando e sofrendo.

Após o banho tão relaxador quanto um dia inteiro de massagem em um SPA, hidrato minha pele e visto uma roupa, coloco a ração da minha pequena, talvez ela estivesse correndo atrás de mim por estar sentindo fome também, e finalmente deito no sofá para descansar meu corpo, minhas pernas, meus pés, minha cabeça, meu juízo, meus olhos e tudo que tenho direito. Todavia, não dura muito tempo. Escuto um barulho de carro parando em frente de casa e logo me levanto para ir atender meus convidados da noite, Graham e Josh.

― Boa noite, meu amor. — Cumprimenta-me com um tom gentil e beija meus lábios ternamente. — Boa noite, Emma. — Faz uma voz infantil e balança o pequeno em minha direção, como sempre faz, fingindo ser ele quem está falando. O garoto sorri e afoito do jeito que é, joga-se em minha direção, pedindo claramente que eu o pegue. É claro que eu não recuso o seu pedido.

― Boa noite, pequeno. — Beijo seus cabelos sempre tão cheirosos e ele segura em meu rosto com aquelas mãozinhas pequenininhas. — Boa noite. — Respondo finalmente a Graham. Abro passagem para que ele entre e Ava vem logo correndo para cumprimentá-lo. Minha pequena praticamente se joga em cima dele, como todas as vezes, e ele logo se ajoelha para poder abraçá-la e beijá-la como sempre faz. Coloca a garrafa de vinho que trouxe em cima da mesa de centro e retribui o ‘’abraço de Ava’’ com seus lambeijos.

― Tenho boas notícias. — Ele informa, ainda no chão, agarrado a Ava. — Enquanto esteve na escola, tratei de resolver logo o assunto do imóvel onde pretendemos abrir o Estúdio e... — Faz uma pausa dramática e eu lhe censuro com o olhar. Ele abre um sorriso travesso, solta-se de Ava e vem até mim. — Preparada? ― Ele segura em meus braços e a sensação que eu tenho é de que vou ouvir uma notícia ruim.

― Graham! ― Exclamo ansiosa e empurro-lhe com o ombro já que não posso fazer muita coisa por estar com Josh nos braços.

― Se antes íamos comemorar por ter arranjando um imóvel, agora nós vamos comemorar por ele já ser nosso. — Conta com animação e minha pele se arrepia de emoção.

― O que? — Sussurro chocada, a ficha ainda caindo, e meus olhos marejam no mesmo instante. — Isso é sério? — Ele balança a cabeça afirmativamente. — Ai meu Deus! Graham, que notícia boa. — Agarro-o em um abraço e Josh, mesmo sem entender o que estava acontecendo, abraço-o também, tornando um abraço triplo. — Boa não. Ótima. — Corrijo toda feliz, beijando seu rosto e sua boca várias vezes, animada. — Nossa, eu nem sei o que dizer, nem como te agradecer.

― Só em te ver feliz, já fico satisfeito. — Olha fundo em meus olhos e une nossos lábios mais uma vez. O beijo começa a esquentar e só paramos por que Josh coloca suas mãozinhas em nossos rostos. — Olha quem também está feliz pela notícia. — Olho para o pequeno e ele está sorrindo e mostrando seus poucos dentinhos para nós.

― Obrigada, Graham! Obrigada por me ajudar a tornar um de meus sonhos, realidade. Sou bastante grata a você por isso. — Beijo-o novamente e Josh começa a dar uns gritinhos. Separamo-nos entre risos. — ÊÊÊÊ. — Levanto as mãozinhas de Josh e começo a andar e pular pela sala, fazendo-o gritar e gargalhar. Ava começa a nos perseguir, latindo toda animada, como se soubesse o que está acontecendo, e Graham, para não deixa-la de fora da festa, pega-a no braço e começa a fazer o mesmo que eu estava fazendo com Josh.

Nossa pequena festa acaba quando a campanha toca e Graham vai receber a nossa janta. Quando ele abre a caixa da pizza e eu sinto o cheiro gostoso, meu estômago ronca, lembrando-me o quanto estou com fome.

Deixo meu namorado preparar a nossa mesa de jantar e sigo para a cozinha para preparar a janta de Josh, seu querido mingau, e também para Ava, que mesmo que já tenha comido, acredito que não tenha sido o suficiente por causa de sua felicidade exagerada enquanto me via pegando as coisas.

Inevitavelmente eu me lembro de Regina. Se ela estivesse aqui, com certeza não deixaria que Ava comesse outra vez.

Ao terminar a janta de Josh e a sobremesa de Ava, sigo para a sala de jantar e me surpreendo com a arrumação que Graham fez para comermos apenas pizza.

― Uau! — Murmuro, demonstrando minha presença. — Andou treinando? ― Pergunto bem-humorada e ele sorri.

― Ah, eu fiz um curso de algumas horas pelo youtube antes de vir, para poder te surpreender. — Retruca em um falso tom sério, entrando na brincadeira. ― Gostou? ― Pisca várias vezes, fazendo graça, e faz um movimento com as mãos, demonstrando sua obra de arte.

― Com certeza! Depois me diz o nome do canal que eu quero assistir e aprender também. ― Ele assente e eu balanço a cabeça negativamente, mas sorrindo.

Acomodo Josh em sua cadeirinha e lhe entrego a mamadeira. Em seguida, volto para a cozinha, pego o prato de Ava e coloco no chão, bem perto de mim. Então me sento a mesa e, já servida, nós começamos a comer e logo iniciamos uma conversa sobre fotografia. Graham era realmente uma ótima companhia e a cada dia eu tinha ainda mais certeza disso. Com ele não faltava assunto, os temas não eram chatos e o principal, por mais que nunca faltasse assunto, ele não era tagarela.

Quando terminamos a enorme pizza, Graham comeu 5 grandes pedaços e eu fiquei com 3 porque era o meu limite, eu retirei toda a mesa com a ajuda dele, mas não quis sua ajuda para lavar os pratos e guarda-los. Tinha pouca coisa e não havia necessidade de ajuda. A contragosto ele aceitou e foi para a sala, ficar com Josh e Ava.

Após terminar com as louças e guarda-las, apaguei a luz da cozinha e segui para a sala, encontrando apenas Graham e Ava brincando no chão. Josh não estava por ali. Provavelmente tinha adormecido, já estava na hora mesmo, e Graham o levou para um dos quartos.

Meu namorado e minha pequena estavam esparramados no chão. Enquanto ele fazia carinho em sua barriga, ela o agradecia lambendo seu rosto. Era uma cena fofa de se ver. Inevitavelmente eu abri um sorriso. Então, lembro-me de uma das vezes em que eu e Regina estávamos brincando com ela aqui na sala.

Ava estava deitada comigo no sofá. Enquanto eu fazia carinho em sua barriga, ela me lambia em agradecimento. Mas nosso momento só durou até Regina entrar na sala com sua bolinha em mãos e começar a brincar com ela. Na hora de devolver a bolinha jogada, ela ficou na dúvida se vinha pra mim ou para Regina. Nem tudo estava perdido para mim, afinal.

― Vem Ava... Vem pra mim. — Chamei-a com animação, sentando no sofá e batendo no assento ao meu lado para que ela viesse até mim.

― Não Ava, vem pra mim. Não vai pra ela. — Regina também a chama, sentada no chão, do outro lado da sala, batendo no chão para que ela fosse até ela.

Com a bolinha na boca, Ava olhava para nós duas, duas doidas fazendo barulho, mas não sabia para quem ir. Estava muito fofo e engraçado de se ver a sua indecisão.

― Vem meu amor... Deixa essa chata pra lá. Não dá atenção a ela. — Regina semicerra os olhos, ajoelha-se e engatinha predatoriamente em minha direção.

― Eu sou chata, é? — Empurra-me com violência no sofá e deita por cima de mim.

― Sim, você é... — Sussurro.

― Vou te mostrar quem é a chata aqui. — E então faz um ataque de cócegas em minha barriga. — Quem é a chata daqui? ― Ela grita, mas sem parar com seus dedos rápidos em minha cintura.

― Você... — Sussurrei com dificuldade e ela me deu uma mordida na barriga. — Aaah, isso dói. ― Fiz uma careta e ela sorriu. Tentei fugir, mas ela me prendeu entre as pernas.

― Vou perguntar de novo... — Avisa e eu assinto. ― Quem é a chata aqui?

― Ninguém... — Então ela sai de cima de mim. — Exceto você... — Acrescentei, levantando-me do sofá às pressas e correndo para longe dela. — Você não vai me pegar. — Gritei entre risos, entrando no banheiro e me trancando. Ava logo chegou e ficou pedindo para entrar também, arranhando a porta.

― Você não vai ficar aí a noite toda. — Gritou do lado de fora. Sorri vitoriosa.

Sentei-me no chão e durante um bom tempo, não faço ideia de quanto, eu fiquei trancada, só ouvindo Ava arranhando a porta para entrar. Um tempo depois, acreditando que Regina já tinha desistido, eu decidi sair. Quando eu abro a porta e coloco o primeiro pé para fora, ela me dá um susto, pegando-me por trás.

― Eu disse que você não ficaria aí dentro a noite toda. — Sussurrou em meu ouvido, fazendo-me ficar arrepiada.

― Pensei que tivesse desistido. — Tentei me soltar, mas ela estava com vantagem.

― Pensou errado. — Retruca, empurrando-me na parede. Sem entender o que acontecia, Ava latia para nós e balançava o rabo. — Agora você vai ver quem é chata. — Aperta-me mais na parede e ataca meus lábios com violência, em um beijo voraz e gostoso.

― Emma! — A voz de Graham me desperta e traz para o presente. — Está tudo bem? — Pergunta preocupado.

― Sim, está tudo bem. — Forcei um sorriso. — Onde está Josh? — Mudei de assunto para evitar que ele pergunte o motivo de eu ter ficado fora de órbita.

― Meu garotão pegou no sono e o levei para um dos quartos. — Decepcionando Ava, ele para com os carinhos e se levanta. — Não tem problema, certo?

― Você sabe que não.

― Certo... — Aproxima-se de mim abrindo um sorrisinho e eu já sei o que ele quer. — Que tal nós comemorarmos de outra maneira agora, hein? — Sugere com tom malicioso, beijando meu pescoço e me deixando arrepiada. Meu ponto fraco.

― Por que ainda estamos aqui? — Rebati com a voz fraca. Pegando-me de surpresa, Graham me agarra pela cintura e me levanta. Eu o agarro com as pernas e entre beijos, nós seguimos para o quarto.

― Sinto-me tão feliz por ter te encontrado... — Ele sussurra, acariciando meu rosto e olhando fundo em meus olhos. — Você me faz tão bem. — Devagar, ele nos deita na minha cama. ― Eu nunca tive sorte em relacionamentos. ― Conta em um tom amargurado. ― Ou não me queriam por causa do Josh ou só me queriam por dinheiro. ― Fala triste e meus olhos marejam. Ele estava desabafando. ― Você é diferente. Aceitou-me com o meu garoto e sem interesse algum. ― Ele abre um sorriso e eu o acompanho. ― Obrigado por fazer parte da minha vida.

― Obrigada por fazer parte da minha vida. — Sussurro de volta, também acariciando o seu rosto. ― Obrigada por me fazer feliz. — Ele abre um lindo sorriso e eu o puxo para um beijo.

•§•

Oi, Gina...Cumprimentei-a.

— Oi, Swan. — Sorriu. — Pensei que não viria falar comigo no primeiro dia de aula. — Cruzou os braços e encostou-se à parede.

— Desculpa não ter falado com você ainda, mas é que quando cheguei você já estava conversando com umas pessoas e eu não quis atrapalhar, e também depois teve as aulas.

— Ok, tudo bem... — Sorriu novamente e não sei se foi impressão minha, mas pude jurar que foi um sorriso nervoso. Mas por que ela estaria nervosa? — Mas, me diz, como você está? Como foram as férias?

— Estou bem e as férias foram boas na medida do possível.— Dei de ombros. As férias eram sempre a mesma coisa. Não havia muito de novo. — E você, está bem?

— Estou melhor agora. — Murmurei um "hum” de forma maliciosa, só não sei se ela percebeu. — Estava morrendo de saudades de você, sua chata.

— Também estava com saudades de você. E... ― Levantei um dedo. ― Chata é você, não eu. — Rebati, mostrando a língua em seguida e ela sorriu.

— Aham, sei... — Semicerrei os olhos, encarando-a. — Agora me dá um abraço, preciso ir embora, só vim aqui para te dar um oi, já que você não veio até mim para isso. — Balancei a cabeça negativamente por causa de seu exagero e então a abracei. Regina me apertou tão forte, que por um momento senti falta de ar. Afastamo-nos alguns segundos depois e ela sorriu para mim. — Tchau Swan, até depois.

Tchau Gina, até. E então ela chegou mais perto, me deu um beijo no canto da boca, que eu pensei que seria na bochecha, como sempre, bem demorado por sinal, e foi embora sem falar mais nada.

*

Eu estava sentada perto da ponta, em cima da laje, com a foto dos meus pais na mão, chorando um pouco, fazia cerca de uma hora, quando alguém chega por trás de mim, me abraçando e se sentando, colocando as pernas ao meu redor e me abraçando ainda mais.

Logo reconheço aqueles braços e o abraço que recebo. Olho para trás e dou de cara com Regina com um olhar triste também.

— Como sabia que eu estava aqui? — Volto a olhar para frente e Regina encosta sua cabeça de lado da minha, olhando para frente também.

— O Sr. Jones me disse quando fui perguntar por você. — Sussurra. Ela perguntou por mim?

— Por que veio?

— Porque sei que você precisa de mim neste momento, assim como precisou nos outros também. — Responde-me e dá um beijo em minha bochecha molhada de lágrimas.

Lembro-me então do '’beijo'’ daquele dia e resolvo criar coragem para perguntar. Não queria mais fugir deste assunto e esse me parecia um ótimo momento para isso.

— Aquele beijo no canto da minha boca, no primeiro dia de aula, foi proposital? — Viro-me para encará-la novamente.

Ela não responde. Respira fundo, olha para frente e depois torna seu olhar para mim, encarando meus olhos e começando a se aproximar lentamente. Comecei a ficar nervosa. Compreendi o que aconteceria a seguir, fechei os olhos e esperei acontecer.

Então, de forma leve e suave, seus lábios tocam os meus.

Ao sentir sua boca na minha, sinto o sangue gelar, minha pele se arrepiar, minha respiração acelerar e minhas mãos começarem a suar frio.

Eu esperei tanto por aquilo e não sabia disso até o momento.

Mas não foi apenas eu que fiquei nervosa. Quando nossos lábios se encostaram, eu senti que Regina também respirava de forma pesada. Ela também estava nervosa com a situação.

De repente, sinto sua mão tocando minha nuca e puxando-me para mais perto, começando então, a aprofundar o beijo. Começo a sentir sua língua encostando-se à minha e depois passando por toda a minha boca. Deixando o nervosismo de lado, começo a explorar aquela boca tão quente e de lábios macios.

O beijo era lento e cheio de carinho. Cada vez que nossas línguas se encontravam, um choque era sentido em minha barriga, que reverberava por todo o corpo.

Foi quando senti sua língua tocar a minha novamente, que a minha ficha caiu. Eu estava beijando Regina. Minha professora e amiga.

Finalmente consegui o que tanto queria desde o momento que ela me beijara no canto dos lábios, me deixando com um gosto de quero mais.

Agora sim estava sendo um beijo de verdade.

Eu estava adorando aquilo. Minha vontade era de morder aqueles lábios tão deliciosos. Nunca imaginei que fosse tão bom. Estava sendo muito melhor do que eu imaginei e sonhei.

Todavia, o que é bom dura pouco e o beijo teve que ser interrompido para que pudéssemos recuperar o fôlego.

Regina abre seus lindos olhos e me encara, sorrindo. Um sorriso lindo, por sinal.

— Acho que isso deve responder. — Sussurra, olhando-me intensamente. Era como se ela pudesse ver até a minha alma.

Sem conter o impulso, aproximo-me novamente e toco seus lábios de novo, agora de forma mais intensa. O momento estava muito bom e eu não queria parar. Queria passar o dia todo ali, nos braços dela, beijando-a.

De repente, um barulho oco e que fez um grande eco, chama a nossa atenção, fazendo encerrarmos o beijo. Regina me olha com uma expressão assustada e de dor. Abre a boca bem devagar como se fosse dizer algo, mas não fala nada.

Eu olho para os lados e não vejo nada que possa ter feito aquele barulho todo. O que será que foi isso?

Olho mais uma vez ao redor e depois para Regina, que continua a me olhar, estática. Uma expressão assustada. Olhos arregalados. Seu semblante demonstrava dor. Sua boca estava entreaberta e um pouco pálida.

— Regina? O que aconteceu? — Ela não me respondeu. Aos poucos senti seu braço se soltar de mim, então voltei a chamá-la: — Regina? — Toquei em seu braço. Sem dizer uma palavra, ela vai ao chão, fazendo suas costelas e cabeça, baterem com força no chão e desmaiando em seguida.

De forma desesperada, levanto-me e me ajoelho ao seu lado. Olho novamente ao redor para ver se encontro algo ou alguém, porém, assim como da outra vez, nada avistei. Volto a olhar para Regina e passo a mão em sua cabeça, começando a analisá-la para saber se a colisão contra o chão trouxe algum dano. Ao passar pela parte de trás sinto algo molhado e quente. Levanto sua cabeça rapidamente e percebo que está sangrando. Quando passo a mão em sua testa, percebo que está fria e sua pele está mais pálida ainda. Pela forma como estava, parecia estar perdendo muito sangue, mas não tinha como ser pela cabeça. Não tinha tanto assim.

— Regina... — Dou algumas tapinhas em seu rosto. — Não faz isso comigo, por favor. — Balanço um pouco seu corpo, mas é em vão. Nada acontece. Levo minha mão ao seu peito e percebo que o coração dela está muito fraco. Coloco dois dedos em seu nariz e quase não sinto sua respiração.

Retiro meu celular do bolso e tento digitar o número de emergência, porém estou tão nervosa que erro todos os números.

Depois de quatro tentativas eu consigo finalmente falar com a atendente. Ela me informa que em poucos minutos estariam chegando.

Sem saber o que fazer, me sento ao chão, puxo Regina para cima do meu colo e lhe agarro com bastante força, deitando minha cabeça na sua.

— Vai ficar tudo bem, Regina. — Sussurro. — Estou aqui com você... Aguente firme. Por mim... Por nós... — Peço. Meus olhos se enchem de lágrimas. — Só mais alguns minutos e eles já chegarão.

Enquanto estou abraçada a ela, percebo que sua cabeça continua sangrando. Sinto também, a minha mão suja de sangue. Então percebo que não é da sua cabeça, pois não tinha passado a mão no local do sangramento, só no cabelo, na parte mais em cima do machucado. O único lugar que tinha colocado a mão era em suas costas enquanto levantava-a. Logo me lembro do barulho que ouvi há pouco quando estava beijando-a. Minha mente, de forma rápida, raciocina e junta as coisas.

Para confirmar minha suspeita, levanto-a mais e passo a mão em suas costas, então sinto um buraco pequeno e algo duro.

Eu estava certa.

— Não! Não! Não! — Minha Regina havia levado um tiro nas costas, por isso sua expressão de dor depois que ouvimos o barulho.

Começo a chorar desesperadamente enquanto a mantenho em meu colo, abraçando-a o mais forte que posso, enquanto ela permanece imóvel em meus braços.

— Eu não posso e nem vou te perder. — Sussurrei e dei um beijo em sua testa, sentindo que estava ainda mais fria.

*

Abri os olhos e me vi deitada no jardim da casa de Regina, com as mãos para cima, presas por uma corda. Em minha frente, um pouco mais afastada, vi minha professora, que também estava amarrada, porém em pé, e Neal aparecendo ao seu lado logo em seguida.

Neal?

— Neal? ― Externei minha confusão. — O que é que está acontecendo? O que você faz aqui? — Ele dá um sorriso, olhando de mim e para Regina, que lhe direcionava um olhar assustado. — Você não morreu? — Dirigiu seus passos até mim e meu coração se acelerou rapidamente.

— Como você pode ver, com os olhos que Deus te deu, eu estou aqui. ― Seu tom é debochado. Eu não acredito que ele escapou não só da morte, mas dos policiais também. Alguma coisa não estava certa. ― E estou bem vivo. — Agacha-se até a minha altura e faz um breve carinho em meu rosto.

— O que você vai fazer com ela, Neal? ― Perguntei preocupada. Estávamos à mercê das suas vontades. Isso não era nada bom. ― Deixe-a em paz, por favor, é a mim que você quer. ― Imploro, querendo ao menos livrar Regina de suas mãos. Ela não deveria estar aqui. O problema era entre eu e ele e minha professora não tinha nada a ver com isso.

— Cala a boca, sua safada! — Dá uma tapa forte em meu rosto. Fecho os olhos por alguns segundos, sentindo a ardência. — Você é minha, entendeu? — Grita, cuspindo-me no processo. Em seguida, ajoelha-se entre minhas pernas e abaixa sua calça e a cueca, deixando à mostra o seu membro mole e nojento. Eu não queria nem pensar no que ele faria com aquilo. — Você nunca será dela. — Pega uma arma que eu não tinha visto onde estava até o presente momento e aponta para minha morena, que no desespero, tenta se soltar a todo custo.

— Neal, por favor, não faz isso. — Implorei, já chorando.

— Diga adeus a sua professorinha safada, Swan. — Destravou a arma e posicionou o dedo no gatilho.

— Emma, nunca se esqueça de que eu te a... — Então Neal dispara três vezes em seu peito. — amo... ― Sussurrou. Então, como em câmera lenta, vi o meu amor escorregar por sua macieira até o chegar ao chão.

— Não!

Abro os olhos e me vejo na escuridão do meu quarto. Estou suando frio e meu coração está para sair do peito. Mais uma vez eu sonhei, ou tive um pesadelo, com Neal e tudo pareceu real demais. Como sempre parecia. Se Cassidy não tivesse morrido em minha frente e eu tivesse certeza disso, eu não sei o que faria agora.

Provavelmente, antes de acordar eu deva ter gritado, pois Graham me olhava preocupado e Ava estava em cima da cama, olhando atentamente para mim.

― Emma, o que aconteceu? — Graham pergunta preocupado, abraçando-me forte. Eu estava tremendo. ― Está tudo bem? — Sua pergunta me faz ter vontade de chorar e eu não hesito em libera-las, agarrando-me ainda mais a ele. — Ei, não precisa mais ficar com medo. — Sussurrou, passando a mão pelos meus cabelos. — Calma, eu estou aqui. Foi um pesadelo e nada mais. ― Diz, tentando me acalmar.

Aos poucos eu fui me acalmando e me deitei novamente, agora com a cabeça no peito de nu de Graham, que continuou com seus carinhos calmantes em meus cabelos.

Ao fechar os olhos para tentar voltar a dormir, lembro-me de uma vez que tive um sonho ruim, que não foi com Neal, mas foi tão ruim quanto e eu acordei assustada, exatamente como agora, e felizmente a Regina estava comigo para me acalmar.

Acordei assustada e sentei na cama, com o coração quase saindo pela boca e suando frio. Regina se levanta assustada e logo me acolhe em seus braços.

― Ei, calma meu amor. — Abraçou-me o mais forte possível. — Calma, já passou. — Começa a acariciar o meu cabelo, tentando me acalmar, mas as cenas do sonho passavam em minha mente e eu chorava ainda mais. — Quer me dizer o que aconteceu? ― Pergunta e eu não penso duas vezes em querer contar. Dizem que quando contamos um sonho, ele não se realiza. Então eu estava contando com isso.

― Foi horrível. A gente estava em um passeio no Canadá, tínhamos ido visitar os meus pais no fim do ano e você levava um tiro nas costas.

― Foi apenas um pesadelo. Isso não vai acontecer. — Fala com a voz mansa. Sem conseguir evitar, passo a mão em suas costas para me certificar de que tudo estava bem. — Meu amor, eu estou bem. Foi um sonho ruim e nada mais. — Beija minha cabeça com carinho e me solta do abraço. — Vamos voltar a dormir? — Assinto e nós voltamos a deitar. Encosto minha cabeça em seu peito e entre seus carinhos logo volto a pegar no sono.

Sinto vontade de chorar com a lembrança, mas não deixo as lágrimas caírem. Com os carinhos de Graham em minhas costas e meus cabelos, sinto tranquilidade e me acalmo totalmente e logo sinto meus olhos pesarem.

Notas finais
Há uma novidade. Fiz uma playlist: https://open.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/6mIcDffvYXVbJTn6tm4Kf2?si=wERoAbmQS9-SiMOJZ9e0Tw Uma sugestão de música para o fim do capítulo: Só vejo você - Tania Mara (Tem na playlist) Spoiler: No próximo elas já voltam a se falar Um aviso: Com relação a amadurecimento, o que mais vocês têm comentado por aqui... bem, com relação a Regina não ficar mais se chateando atoa com os amigos da Emma e a Emma "não querendo" mudar com os amigos e tal, realmente vai haver, já está tendo, um amadurecimento quanto a isso. A Emma não vai mais agir como antes, além dela perceber que estava errada, a vovó dela deu um puxão de orelha. A Regina também não vai mais agir como antes, ela percebeu que, embora seja uma situação chata, não tem a necessidade de ficar chateada com a Emma o tempo todo e muito menos de ficar brigando por isso. Então, com relação a esses dois assuntos houve sim o tão aguardado amadurecimento das duas partes, principalmente da Emma, houve a mudança, a reflexão a respeito do assunto. Foi um acontecimento "offscreen" mas que saberemos dele porque não veremos mais esse tipo de coisa acontecendo, mas caso aconteça, não vai ter aquele drama de antes delas se separarem. Porém, ainda há mais para se amadurecer entre elas e lá na frente a gente vai ver um pouco mais disso. Então essa separação não vai ser o suficiente para o amadurecimento completo, como querem. É isto!