Next to Me
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Notas iniciais
― Então, você é profissional? — Pergunta, apontando para a minha câmera e dou uma risadinha. Bem que eu gostaria de já estar nesse nível da minha vida.
― Hm... Ainda não. ― Sorrio sem graça. Talvez, eu não sei, ele tenha me visto fotografando o seu filho sem a sua permissão e nem ao menos profissional eu sou.
― Ainda não? — Arqueia as sobrancelhas grossas. — O que está te impedindo de ser?
― Eu não terminei os estudos ainda. Estou no último ano. — Respondi com desânimo. Pela primeira vez, e eu sei bem o motivo, o ano escolar estava demorando bem mais que o normal. Olhei ao redor, procurando por algo legal para fotografar, eu não podia perder nada, estava ali para usar o meu presente e precisava fazer isso, e vi o olhar confuso do meu novo conhecido, Graham.
― Você está esperando ou procurando alguém? — Questiona, sentando-se na grama junto com o Joshua, encostando-se à árvore e colocando o pequeno entre suas pernas.
― Estou procurando algo para fotografar. — Ele assente e começa a mexer em uma pequena bolsa azul, provavelmente do bebê. — Aliás, eu tirei uma foto do seu bebê. — Aviso, caso ele não tenha visto, e me abaixo até a sua altura para mostrar. — Se quiser eu posso apagar. — Apresso-me em dizer para evitar que ele pense errado.
― Não precisa. — Retruca rapidamente, olhando atentamente a foto do seu pequeno, entretido na grama, exatamente como está agora. — Ficou muito boa. Mesmo sem ser profissional ainda, você é muito boa. Tem um grande potencial. — Elogia-me e eu desvio o olhar do seu e fixo- no chão, sentindo minhas bochechas queimarem.
― Obrigada! — É tudo o que digo, sentando-me ao seu lado e logo me deitando de barriga para baixo na grama fria. Quando encontro uma posição confortável, volto a procurar algo legal para captar com os meus olhos mecânicos.
― Então... — Ele murmura querendo chamar a minha atenção e eu viro-me para lhe olhar. — Pretende se profissionalizar quando terminar os estudos? — Assinto e volto a olhar pra frente, em busca de algo. — E depois?
― Eu... ― Interrompo minha fala ao perceber o que eu estava prestes a fazer. Eu deveria contar meus planos futuros à um estranho? Uma pessoa que eu acabei de conhecer? A última vez que eu dei papo para um desconhecido com rostinho bonito e conversa boa acabei sendo perseguida e quase fui parar no cemitério. De quebra, eu quase levei alguém completamente inocente comigo.
― Você...? ― Ele chama a minha atenção e eu volto a encará-lo, sentindo a língua coçar para perguntar uma besteira, mas se eu abrisse a boca e perguntasse o que eu queria, se ele era um louco que futuramente iria querer me matar, eu seria vista como uma louca e talvez tivesse que me explicar e contar o que aconteceu no passado para me justificar, e entre contar o que aconteceu no meu passado e dizer meus planos para o futuro, era muito melhor a segunda opção. ― Emma? Está tudo bem?
― Sim, eu só estava pensando em umas coisas. ― Sorrio sem graça. ― Bem, eu pretendo abrir um Estúdio para mim, se tudo der certo. — Volto a olhar ao redor e logo vejo algumas aves juntas e uma criança apontando para elas. Preparei a câmera e quando o menino fez exatamente o que eu queria, tirei a foto. Parecia aquelas fotos de calendário.
― Posso ver? — Estende a mão e eu assinto, confiando lhe entregar a câmera acreditando que ele não vai correr com o Joshua ou sem ele. Graham olha a tela atentamente e sorri e eu deduzo que tenha gostado. — Você tem talento, Emma. Ficou muito boa. — Devolve a câmera e eu volto para a posição anterior. A criança e as aves já não estavam mais no lugar. — Você tem algum sócio, parceiro, não sei, para esse Estúdio que pretende abrir?
― Na verdade, não tem nada certo ainda. Não há nada no papel e nem mesmo um planejamento. É apenas uma ideia que eu tenho. — Respondo sinceramente. Abrir um Estúdio é uma ideia antiga que eu venho cultivando desde quando comecei a me interessar pela arte de fotografar, mas até antes de ontem nem uma câmera eu tinha. Eu estava, de fato, começando a entrar nesse mundo agora. Não havia planejamentos ainda. Joshua faz um barulho engraçado com a boca, chamando a minha atenção e eu olho para ele, encontrando um ótimo cenário para uma foto. — Posso tirar uma foto de vocês dois? — Peço, já ficando de pé. Graham assente e se remexe no lugar. Fiquei esperando que ele fosse sorrir, mas ele apenas procurou uma posição confortável e ficou. Então tiro uma foto, mas finjo não ter feito. Queria que ele estivesse sorrindo para ficar melhor. — A cena está linda! — Comento sorrindo e ele me acompanha, então aproveito o momento e tiro a foto do jeito que eu queria. Em seguida, entrego-lhe a câmera para que ele possa ver. ― As duas ficaram ótimas, mas eu particularmente prefiro a que você está sorrindo.
― Acho que eu também. — Comenta entre sorrisos, entregando-me a câmera. — Então... Você tem interesse em ter alguém como sócio?
― Por quê? Você está se candidatando? — Pergunto em tom de brincadeira, mas ele assente, pegando-me de surpresa. — Sério? ― Ele assente novamente.
― Eu gostei de você. — Ele também se levanta. O pequeno em seus braços já demonstrava sinais de sono. — Acredito no seu potencial, Emma. — Seu tom firme me faz arrepiar. ― Você tem talento e ele não pode ser desperdiçado apenas com hobby
― Eu... Eu não sei o que dizer... A gente acabou de se conhecer, eu nem sei o seu sobrenome... E se você não for o que aparenta? Um cara legal com um bebê? E se você for, sei lá, um sequestrador ou talvez alguém metido a esperto? ― Embora eu estivesse com ar de riso, eu estava falando bem sério.
― Bem, meu sobrenome é Humbert, sei que as aparências enganam, mas eu realmente sou o que aparento, apenas um cara legal com um bebê e não sou nem sequestrador e nem metido a esperto. Pode confiar em mim. ― Responde bem-humorado e eu fico feliz que ele não tenha se chateado pelo o que eu disse.
― Ok, mas eu realmente não sei o que dizer... Eu não tenho planejamentos ainda, é só uma ideia para futuramente e... Ter um sócio? Minhas imaginações não chegaram nesse nível ainda. ― Ele sorri e eu me sinto envergonhada. Tenho certeza que estou parecendo uma idiota.
― Sim é a palavra que combina com o momento. — Ele dá uma piscadela acompanhada de um sorriso que mostra todos os seus dentes. — Se você aceitar a nossa parceria, eu pagarei todos os cursos profissionalizantes que é preciso ter.
― Eu posso até aceitar o seu convite, Graham, mas não precisará pagar nada, eu posso fazer isso. ― Deixo claro. Não quero outra pessoa além dos meus pais pagando coisas para mim. Sem falar que permitir que alguém pague as nossas coisas, ainda mais sendo do sexo oposto, principalmente homem, é um perigo. Para querer esfregar na nossa cara ou achar que é nosso dono por conta disso é rapidinho.
― Acredito que tenha condições de pagar, mas é que eu realmente quero fazer isso, quero investir em você. É isso que as pessoas fazem quando acreditam que algo irá dá certo. Elas investem. Eu quero investir em você e quero fazer sem medo de perder porque afinal de contas, eu sei que não irei perder. — Toca em meu ombro com a mão livre e o aperta de leve. É, ele estava conseguindo me convencer. Eu só espero não me arrepender depois. — E também porque eu conheço um lugar de ótima qualidade que fica aqui mesmo, perto do Central Park e o pessoal me conhece por eu já ter cursado com eles e ter me tornado amigo...
― Você é fotógrafo profissional? — Pergunto surpresa e ele assente. — Legal!
― Por isso o meu interesse. Eu vejo potencial em você. ― Aponta para a câmera. ― Como eu estava dizendo, eu sou amigo deles lá e por conta disso tenho alguns benefícios. — Sorri, arqueando a sobrancelha várias vezes.
― Tudo bem, eu aceito. ― Ele levanta o braço livre e festeja do jeito que pode para não acordar Joshua. — Mas tem um pequeno, talvez grande, problema. Eu não sou daqui. Sou do Oregon. De Portland.
― Uau! Você está bem longe de casa. — Concordo com maneio de cabeça. — Você veio a passeio?
E lá vai eu contar mais da minha vida.
― Minha avó mora aqui, ou melhor, em Boston. Quando estou de férias da escola e venho vê-la, eu dou uma passada por aqui. ― Explico e ele abre a boca e balança a cabeça em entendimento. ― Mas então, como vamos fazer?
― Bem, eu também não sou daqui, vim apenas resolver uns problemas. — De repente o pequeno em seus braços acorda e começa a chorar, todo manhoso. — Sou de Nevada e... — Desiste de continuar a falar porque o choro do garoto aumenta. Vejo o desespero tomar conta e resolvo interferir para ajudá-lo.
― Posso tentar? — Estendi a mão em direção ao pequeno. Graham assente rapidamente, não deve nem ter pensado, e coloca-o em meus braços. — Ei pequeno, calminha.
Começo a falar baixinho com ele, acariciando seu rostinho com a mão livre e mexendo em suas mãozinhas e procuro algo para distrai-lo. Vejo umas aves sobrevoando por perto e aponto para ela para mostrar para ele, que logo se entretém e para de chorar. — Prontinho! — Volto-me para o pai, que sorria feito bobo, e o devolvo.
― Nossa! — Exclama com elevada surpresa e eu sorrio. — Eu demoro horas para conseguir fazer com que ele pare de chorar. Como conseguiu tão rápido?
― É segredo. — Brinco e ele faz um bico.
― Bem, como eu estava dizendo, eu sou de Nevada, cidade vizinha a Oregon, mas ainda assim isso não é problema. Eu posso me mudar para lá.
― O que? Você acha que sua esposa ou sua família iria aprovar isso? — Pergunto preocupada. Eu estava gostando da ideia, mas não queria causar problemas para alguém que eu acabei de conhecer e estava sendo tão legal comigo e iria me ajudar tanto.
― Minha família é daqui e minha ex-esposa deve estar agora mesmo desembarcando na Itália. — Fala normalmente, dando de ombros. — Eu sou pai solteiro. — Conclui, dando um beijo na cabeça de Joshua, que estava todo animado ainda olhando as aves.
§•
Depois do dia em que conheci Graham Humbert no Central Park, passamos a nos encontrar todos os dias para resolvermos a nossa parceria no Estúdio. Ele me levou até o tal curso que disse que era bom e fez um acordo com os conhecidos para que quando eu voltasse para Portland, eles me transferissem para alguma filial lá. Pois é, eles tinham várias redes pelo país.
Devido à nossa aproximação nos tornamos bastante amigos, apresentei-o para os meus primos e para a minha avó e ela ficou encantada com ele e o Joshua.
Com o tempo, Graham me contou sua história de vida. Casou muito cedo e quando a esposa ficou grávida e teve o menino, resolveu se separar alegando que não o amava. Como ele também não a amava, aceitou rapidamente o divórcio. Contou que quando os avós por parte de pai, morreram, deixaram uma grande fortuna para ele, que é o mais velho dos irmãos e o queridinho dos avós, e o motivo da moça ter casado com ele, foi justamente esse. No fim, disse que o motivo de estar em Nova Iorque era para resolver a papelada da separação, pois seu advogado era de lá e não podia ir até Nevada para lhe atender.
Graham Humbert era um rapaz de 22 anos, que casou aos 20, foi pai aos 21 e agora é pai solteiro, tem um apartamento em Nova Iorque, Las Vegas, Los Angeles e mora fixamente em Elko, outra cidade de Nevada. É formado em administração e tem cursos de línguas estrangeiras e de fotografia, que é seu atual trabalho que está interrompido por causa do filho.
Com o tempo e nossa aproximação, a atração foi inevitável para nós dois, principalmente para ele.
Certa noite Graham me chamou para sair. Deixou seu pequeno com dona Eva e me levou para jantar. No fim da noite, nós no beijamos como eu já previa, mas ele fez mais. Graham se declarou para mim e me pediu em namoro.
Eu surtei.
Em vez de lhe responder, eu corri, não literalmente, e voltei para casa. Dona Eva estranhou a minha rápida e solitária chegada e me questionou o que tinha acontecido, mas eu não quis falar, apenas me tranquei no quarto e fiquei a pensar no quanto eu queria ter algo com ele, mas não queria nada sério. Além de ter rompido há pouco com Regina, eu não estava preparada para a grande responsabilidade de ser mãe do Josh. Eu não sei nem cuidar de mim direito, quanto mais de um ser tão pequeno e dependente. Eu não estava pronta para ter essa responsabilidade ainda.
Quando Graham apareceu algum tempo depois para pegar o Josh, escutei sua conversa com vovó contando brevemente o que aconteceu e pedindo para que ela me dissesse que sentia muito e que queria conversar comigo.
Após ficar sozinha, ela veio até mim para conversar. Depois de muito insistir, eu contei os meus anseios.
― Você não vai ser a mãe do menino, Emma. Você vai ser a namorada do pai dele. É claro que vai ajudá-lo a cuidar do pequeno, mas é só. ― Foi o que ela me disse em um tom de absurdo.
― E sobre Regina?
― Você não vai ficar esperando-a, vai? ― Desviei o olhar. Sim, eu queria ficar esperando-a. ― Emma, meu amor, siga em frente... ― Ela toca em minha perna e a aperta. ― Era isso que ela queria, não era? ― Assenti com dificuldade por causa do choro que já se aproximava. ― Se vocês tiverem que ser, será. O destino dará um jeito de uni-las novamente.
Quando minha avó saiu do quarto e me deixou sozinha, cai num choro compulsivo que me fazia doer a cabeça e dificultava até a minha respiração. Quando me acalmei, algumas horas depois, eu pensei a respeito de tudo que minha avó disse e tomei uma decisão. Então peguei o celular jogado na poltrona e mandei uma mensagem para Graham avisando que queria lhe ver no dia seguinte.
Eu aceitei o seu pedido.
Durante o tempo que estive longe de casa, não dei descanso para Ruby. Todos os dias eu ligava para ela em busca de notícias da minha pequena, para saber se ela estava cuidando bem do meu amor e para poder vê-la pelo Skype. Também entrei em contato com curso de Francês e pedi que suspendesse as aulas por algum tempo. Quando eu pudesse voltar, eu entrava em contato. E junto com vovó, liguei todos os dias para James e Ingrid para saber como eles estavam e conversar um pouco.
Quando meus dois meses livre da escola, acabaram, despedi-me dos meus amigos, primos e vovó e voltei para na companhia de Josh e Graham, que já havia resolvido todos os seus problemas e só permaneceu na cidade por minha causa.
§•
No primeiro dia de volta as aulas, Graças a Deus que já estávamos na metade do ano, eu acordei em cima da hora para ir para escola. Na noite anterior, eu saí com Graham e Josh e acabei indo dormir muito mais tarde que o normal. Quando me levantei da cama, meus olhos ainda estavam pesando de sono.
Apressada e já sem paciência para ter problemas com a diretora já no primeiro dia, preparei algo rápido para comer e praticamente engoli a comida, tomei um banho rapidamente, exatamente como eu odeio, arrumei minha bolsa, deixando-a completamente pesada por te esquecido quais eram as aulas do dia e por isso coloquei todos os livros dentro e liguei para Graham que ficou de me dar uma carona. Abençoada seria essa carona.
Enquanto ele não chegava, aproveitei para alimentar minha pequena, que agora já estava bem grandinha e com quatro, quase cinco, meses.
Quinze minutos depois, escutei a buzina em frente de casa e saí correndo. Pelo horário, eu já deveria estar, no mínimo, na entrada da escola e não saindo de casa ainda.
― Ei. — Entro com rapidez no carro, coloco o cinto de segurança e beijo seus lábios. — Aliás, boa tarde. ― Olho para trás e toco no pezinho de Josh, que estava distraído com um brinquedo.
― Ótima tarde! — Ele rebate, radiante de felicidade, dando partida. — Encontrei um lugar para abrirmos o nosso negócio. — Conta com entusiasmo.
― Não! Sério? — Questiono incrédulo e ele assente. Não fazia nem uma semana que ele estava procurando algo para alugar, comprar ou construir. ― Meu Deus! Que maravilha, Graham! — Abraço-o como posso e beijo seu rosto várias vezes. — Obrigada meu Deus, obrigada, obrigada! — Direciono minhas mãos para os céus e fechos os olhos.
― Já falei com o dono do imóvel e se tudo der certo, amanhã ele já é nosso. — Abro os olhos imediatamente e o olho incrédula.
― Já? — Ele assente. — Foi mais rápido do que eu imaginava.
Fomos conversando com entusiasmo sobre o nosso futuro negócio até chegarmos em Deering e para a minha sorte, não teve muito trânsito, então chegamos bem mais rápido do que eu esperava.
― Obrigada pela carona. — Retiro o cinto de segurança e abro a porta, porém não saio ainda.
― Não há de que, meu anjo. — Toca delicadamente em meu rosto e o traz até o seu. ― Acostume-se com isso. — Ele sussurra e me beija carinhosamente.
― Você virá todos os dias? ― Indago confusa.
― Sim, se você quiser.
― Eu não quero te atrapalhar, Graham. — É claro que eu gostaria de ter carona todos os dias, mas eu não queria fazê-lo vir da sua casa só para isso e muito menos atrapalha-lo em alguma coisa.
― Eu não ouvi isso. — Fecha os olhos e balança a cabeça negativamente. Acho graça de seu jeito e beijo-lhe mais uma vez. Em seguida, desço do carro. — Até mais tarde. — Soltei um beijo no ar e fechei a porta.
― Tchau Josh! ― Falo com a voz afetada e ele sorri para mim. Em seguida, Graham vai embora.
Já não havia mais aluno na frente da escola e o portão já estava fechado. Eu estava muito atrasada.
A cada passo que eu dava para perto da escola, ouvia a voz irritante da diretora no microfone. Ela estava dando as boas-vindas, como sempre. Por sorte tia Sil não estava no portão e eu pude passar tranquilamente. Segui direto para o banheiro, como eu sempre fazia, mas fui interceptada pela coordenadora, que apareceu de repente, e disse que era para eu estar na quadra junto com todos. Assenti e, contrariada, mudei meu caminho.
Assim que cheguei onde todos estavam, fui logo para perto do meu pessoal, nem me importando se estava chamando a atenção por chegar tarde, cumprimente os meus amigos rapidamente e resolvi prestar atenção no que a mulher falava lá na frente.
Ao passar com o olhar por toda a quadra e chegar nos professores, meu coração errou algumas batidas ao encontrar os castanhos de Regina olhando em minha direção.
Durante as férias, exceto quando Graham me pediu em namoro, eu consegui não pensar nela e em nós. Eu consegui não relembrar nossos momentos. Consegui tirar a tristeza que estava sentindo pelo nosso término. Também não tive uma notícia sua. Absolutamente nada. Não sabia o que estava fazendo, como estava, onde estava... Nada.
Ela estava mais linda do que eu me lembrava. Seus cabelos estavam abaixo dos ombros agora. Os óculos estavam em seu devido lugar no rosto e não pendurados na blusa e o batom vermelho também estava lá. Estava com um vestido vermelho e um casaco sobretudo preto por cima. Em seu pescoço, algo chamava a minha atenção. Era a corrente que eu lhe dei no dia em que a pedi em namoro.
Meu coração estava tão acelerado que era possível alguém escutar suas batidas violentas se estivesse perto o bastante de mim. Minhas estavam suando frio e eu sentia que a qualquer momento perderia as forças e cairia no chão. Vê-la ali, toda linda, encarando-me profundamente, usando o colar que eu lhe dei em um momento especial, estava sendo demais para mim. Eu não iria aguentar. Tentei por várias vezes desviar o olhar, mas meu consciente não deixava-me ficar sem lhe observar por muito tempo, ele forçava-me para ela. Se aquela reuniãozinha boba não acabasse logo eu iria acabar desmaiando de nervosismo.
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