Next to Me
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Olho mais uma vez ao redor e depois para Regina, que continua a me olhar, estática. Uma expressão assustada. Olhos arregalados. Seu semblante demonstrava dor. Sua boca estava entreaberta e um pouco pálida.
— Regina? O que aconteceu? — Ela não me respondeu. Aos poucos senti seu braço se soltar de mim, então voltei a chamá-la: — Regina? — Toquei em seu braço. Sem dizer uma palavra, ela vai ao chão, fazendo suas costelas e cabeça, baterem com força no chão e desmaiando em seguida.
De forma desesperada, levanto-me e me ajoelho ao seu lado. Olho novamente ao redor para ver se encontro algo ou alguém, porém, assim como da outra vez, nada avistei. Volto a olhar para Regina e passo a mão em sua cabeça, começando a analisá-la para saber se a colisão contra o chão trouxe algum dano. Ao passar pela parte de trás sinto algo molhado e quente. Levanto sua cabeça rapidamente e percebo que está sangrando. Quando passo a mão em sua testa, percebo que está fria e sua pele está mais pálida ainda. Pela forma como estava, parecia estar perdendo muito sangue, mas não tinha como ser pela cabeça. Não tinha tanto assim.
— Regina... — Dou algumas tapinhas em seu rosto. — Não faz isso comigo, por favor. — Balanço um pouco seu corpo, mas é em vão. Nada acontece. Levo minha mão ao seu peito e percebo que o coração dela está muito fraco. Coloco dois dedos em seu nariz e quase não sinto sua respiração.
Retiro meu celular do bolso e tento digitar o número de emergência, porém estou tão nervosa que erro todos os números.
Depois de quatro tentativas eu consigo finalmente falar com a atendente. Ela me informa que em poucos minutos estariam chegando.
Sem saber o que fazer, me sento ao chão, puxo Regina para cima do meu colo e lhe agarro com bastante força, deitando minha cabeça na sua.
— Vai ficar tudo bem, Regina. — Sussurro. — Estou aqui com você... Aguente firme. Por mim... Por nós... — Peço. Meus olhos se enchem de lágrimas. — Só mais alguns minutos e eles já chegarão.
Enquanto estou abraçada a ela, percebo que sua cabeça continua sangrando. Sinto também, a minha mão suja de sangue. Então percebo que não é da sua cabeça, pois não tinha passado a mão no local do sangramento, só no cabelo, na parte mais em cima do machucado. O único lugar que tinha colocado a mão era em suas costas enquanto levantava-a. Logo me lembro do barulho que ouvi há pouco quando estava beijando-a. Minha mente, de forma rápida, raciocina e junta as coisas.
Para confirmar minha suspeita, levanto-a mais e passo a mão em suas costas, então sinto um buraco pequeno e algo duro.
Eu estava certa.
— Não! Não! Não! — Minha Regina havia levado um tiro nas costas, por isso sua expressão de dor depois que ouvimos o barulho.
Começo a chorar desesperadamente enquanto a mantenho em meu colo, abraçando-a o mais forte que posso, enquanto ela permanece imóvel em meus braços.
— Eu não posso e nem vou te perder. — Sussurrei e dei um beijo em sua testa, sentindo que estava ainda mais fria.
Finalmente, depois de vinte tortuosos e demorados minutos, o socorro chegou para levá-la para o hospital.
Enquanto passávamos pela entrada da escola, os alunos cochichavam uns com os outros sobre mim, por estar toda suja de sangue e chorando muito. Eles achavam que eu não os escutava. Estavam bem enganados.
Killian e Ruby correram logo ao meu encontro.
— Você está bem, Emma? — Ruby foi a primeira perguntar, analisando-me dos pés à cabeça.
— Sim, eu estou. — Logo sua expressão se suavizou um pouco. — Mas a Regina não. — Respirei pesadamente, tentando segurar o choro.
— O que aconteceu, Swan? E a Regina? Ela estava com você, não é? — Abraçou-me forte. Um abraço de consolo, mesmo que ainda não soubesse o que aconteceu.
— Eu não sei direito. Foi tudo muito rápido. Em um momento estávamos nos... — Ao me lembrar do que estávamos fazendo, parei de falar. Eles não podiam saber de nada. Pelo menos, não agora. Não até tudo ser resolvido, explicado e entendido. Nós tínhamos apenas nos beijado. Havia muita conversa para se ter ainda. — Estávamos nos abraçando, e no outro, escutamos um barulho forte, como de um tiro, e aí ela caiu no chão.
— Vai ficar tudo bem... Regina vai ficar bem... — Ruby abraçou-me, não se importando se ficaria suja também, e deu um beijo em meus cabelos. Killian também se juntou ao abraço e ficamos assim por alguns segundos, até um homem se aproximar, chamando nossa atenção.
Um policial.
— Você é a Emma Swan? — Perguntou, olhando em minha direção.
— Sim, sou eu. — Olhei para os meninos que me olhavam confusos. Eu estava igual.
— Gostaria de pedir que a senhorita nos acompanhasse, por favor. — Deu-nos as costas e começou a andar para longe.
— Para onde? — Eu já estava nervosa.
— Preciso de seu depoimento para entender o que aconteceu. — Respondeu sem se virar. — E tem umas coisas que você precisa saber sobre uma pessoa. — Ao terminar de falar, apontou para um carro e entrou no mesmo.
Eu não queria e não podia ir para a delegacia. O único lugar que eu deveria ir agora, é para o hospital, saber como Regina está e ficar lá com ela, até tudo ficar bem. Mas, infelizmente eu não tinha como fugir dessa. Tinha que obedecer.
— Ruby, você pode ir comigo? — Não queria ir para um lugar daqueles, sozinha. Precisava de alguém comigo. Precisava de um dos meus amigos.
— Não precisa pedir duas vezes. — Respondeu prontamente.
— Obrigada. — Sorri em agradecimento. — Killian, não conte nada a ninguém. Só os deixem saberem o que viram.
— Fica tranquila. Vão pela sombra. — Soltou um beijo para nós e logo correu para dentro da escola.
Sai abraçada com Ruby e entrei no carro que o homem que veio me chamar, apontou e entrou.
Eu estava muito nervosa e com medo do que ouviria daqueles homens. Estava torcendo para não ser o que estou pensando que eles queriam me contar. Ainda bem que Ruby estava comigo naquele momento tão crítico.
Sorri sem humor ao pensar como realmente a gente não sabe o dia de amanhã, ou nesse caso, o próximo minuto.
Em um momento eu estava chorando pela saudade dos meus pais e sendo consolada pela Regina, e agora estou chorando por causa dela e sendo consolada por minha amiga Ruby.
Depois de quase trinta minutos, chegamos à delegacia. O policial que nos acompanhava, levou a mim e a Ruby, até uma sala, e disse para esperarmos um pouco, pois o delegado estava ocupado. Ele iria me interrogar e depois me informar sobre algo.
O que mais me preocupava era esse algo. A ansiedade já estava me comendo por dentro.
Assim que entramos na sala, um senhor de idade nos cumprimentou e ofereceu café. Eu até amo café, mas não estava com estomago para tomar nada. Recusei a oferta.
Alguns minutos de espera e finalmente o delegado entrou na sala, sentando-se em nossa frente. Apenas uma mesa de metal nos separava.
— Boa tarde, Srta. Swan. — Cumprimentou-me educadamente, estendendo a mão. Porém não apertei de volta e muito menos respondi. — Boa tarde, Senhorita. — Direcionou-se a Ruby que logo sorriu para o homem e estendeu a mão também.
— Desculpe-me a grosseria, seu delegado, mas gostaria que fosse logo ao assunto. — Pedi. — Ainda preciso ir ao hospital saber como a minha professora está.
— Certo... Então vamos ao que interessa. — Cruzou as mãos em cima da mesa e me encarou. — Conte-me exatamente o que aconteceu. — Pediu, sem rodeios.
Respirei fundo antes de começar.
— Quando eu tenho alguns problemas pessoais, eu costumo ir para um lugar onde posso ficar sozinha e pensar em tudo. — Fiz uma pausa e ele assentiu para que eu continuasse. — Hoje eu acordei com uns problemas. Quando fui para a escola, não consegui assistir à aula e resolvi ir para esse lugar. — Dei outra pausa para esperar o homem que digitava, escrever tudo. Não queria ter que repetir nada. — Eu tenho uma professora que é muito amiga minha, e ela sempre me ajuda com os problemas pessoais...
— Então, sua relação com essa professora é mais que aluno/professor? — Interrompeu-me. Fiquei nervosa com a pergunta, com medo de ele entender errado e dar problema para Regina.
— Sim. ― Respondi, tentando ao máximo demonstrar tranquilidade. ― Nós ficamos bem amigas com o passar do tempo.
— Certo... Continue... — Pediu em um tom extremamente calmo.
— Quando eu estava nesse local que costumo ir, ela chegou lá para conversar comigo e me fazer companhia. Durante esse tempo, ela se aproximou de mim e me... — Fiz uma pausa. Eu não podia dizer ao delegado o que estávamos exatamente fazendo no momento do ocorrido. Nem Ruby, que estava ao meu lado, poderia saber, quanto mais ele.
— Ela se aproximou de você e... — Incentivou-me a continuar.
— Nós nos abraçamos. Foi quando escutamos o barulho de algo, que eu só vim saber depois que era um tiro, e nos assustamos. Em seguida a Regina caiu no chão e só depois eu percebi o que havia acontecido.
— Você não viu de onde esse tiro partiu? ― Neguei. ― Não viu nada suspeito por perto? ― Neguei novamente. ― Tem algo mais que precisamos saber?
— Não. Só gostaria de saber o que vocês têm a me dizer, agora.
— Você tem ideia de quem poderia ter feito isso com sua professora? — Neguei rapidamente. Pelo que sei Regina não tem inimigos. — Certo... Bem... ― Ele se remexe na cadeira. ― Lembra-se de Neal Cassidy?
Ao escutar o nome, eu gelei. Ruby percebeu minha tensão e apertou minha mão.
É claro que eu me lembrava desse nome. Jamais esqueceria. Infelizmente.
Quando o policial me procurou lá na escola e me disse que tinham algo para me dizer. Neal veio à minha cabeça. Eu estava torcendo para que não fosse sobre ele, o tal assunto. Mas infelizmente era. O pior assunto da minha vida. Um assunto que não queria me lembrar mais nunca.
— É... — Eu não consegui responder. Tentei dizer algo mais, mas as palavras pareciam sumir da minha boca. Todavia, o homem me entendeu, pois balançou a cabeça de modo afirmativo.
— O que aconteceu mais cedo com a Srta. Mills, foi causado por ele. — O impacto daquelas palavras foi mais forte do que um soco em minha barriga. O mundo ao meu redor passou a girar e tudo que senti foi Ruby me apertando forte.
Neal tinha voltado para tentar atormentar a minha vida. Ele já estava conseguindo.
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