Next to Me
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Notas iniciais
— Não... — Olhei desnorteada para o homem à minha frente e depois para minha amiga que me olhava com uma grande interrogação em sua face. Minhas lágrimas começaram a cair e uma raiva pelo acontecido tomou conta de mim. Um medo horrível, também. Meu maior pesadelo estava se tornando realidade. Ele voltou para me pegar. Neal Cassidy, infelizmente me achou.
— Calma, Emma. Vai ficar tudo bem. Nada de ruim vai te acontecer. — Dizia Ruby para tentar me acalmar. Porém, no momento não tinha nada que me fizesse ficar calma.
— Como? — Perguntei para o homem à minha frente que me olhava com um semblante sério.
— Há exatamente uma semana o Sr. Cassidy fugiu... — Balancei a cabeça negativamente. — Estava sento transferido para outro presido fora de Portland quando o carro policial teve um problema com uma das rodas e ele, ao sair para tomar um ar, aproveitou o momento para fugir e esconder-se em meio às árvores que tinha no local. Os agentes penitenciários não conseguiram encontra-lo em lugar algum.
— Bando de incompetentes. — Sussurrei só para mim.
— Mais respeito, Srta. Swan... — Berrou de repente. Ele havia escutado o meu murmúrio. — Ou terei que prendê-la por desacato à autoridade. — Revirei os olhos e ele me lançou um olhar desaprovador.
— Como vocês se deixaram enganar por um homem daquele? — Eu estava visivelmente alterada, gritando com o homem à minha frente, que a essa altura havia esquecido que era um policial, e sem dar a mínima para o que ele tinha falado antes.
— Abaixe o tom de voz, senhorita... — Pediu novamente, levantando-se da cadeira. — Ou terei que prendê-la... — Encarou-me. — E não é isso que nem eu e nem você também, queremos. — Sem medo algum, encarei-o também.
— Calma, Emma... — Pediu Ruby, chamando minha atenção. — Não piora as coisas. — Sussurrou apertando minha mão com força.
— Calma? — Indaguei indignada. — Você está pedindo para eu ficar calma? — Repeti, levantando-me da cadeira, furiosa. — Ruby, minha vida está correndo um grande risco... A vida do meu... — Parei de falar ao me dar conta da forma como chamaria Regina. Não podia chamá-la de amor na frente de Ruby. Só em meus pensamentos. Nem quando estava com ela a tinha chamado assim, quanto mais na frente dos outros. — Da... Da Regina... Está também correndo um grande risco e você está me pedindo calma? — Sorri de forma irônica. Respirei fundo e coloquei os cabelos que estava me incomodando no rosto, para trás da orelha. — Já chega! Quero ir embora agora... Será que posso ir, senhor delegado? — Olhei para ele com ar de deboche.
— Fique à vontade... — Sorriu ironicamente e apontou para a saída. — Nós tornaremos a procurá-la para dar-lhe notícias do senhor Neal Cassidy. — Levantou-se da cadeira e se dirigiu à saída, porém antes de passar pela porta, ele parou os seus passos. — Tenham um bom dia, senhoritas. — Diz e então nos deixa a sós.
— Vamos embora daqui, Ruby. — Puxei sua mão para que se levantasse. — Preciso ir para o hospital saber como a Regina está.
Minha amiga se levantou e me puxou para um abraço apertado. Beijou minha testa e sussurrou: vai ficar tudo bem. Em seguida, em silêncio, saímos da sala acompanhada por uma policial, passamos pelo delegado e outros policiais e finalmente saímos daquele lugar.
•§•
Enquanto estávamos a caminho do hospital, Ruby puxou assunto, depois de longos minutos em silêncio.
— Quem é esse Neal Cassidy? — Cutucou-me, chamando minha atenção, já que eu não tinha lhe respondido anteriormente. Eu estava absorta em meus pensamentos olhando pela a janela do táxi.
— É uma longa história... — Respondi sem desviar o olhar da rua.
— Adoro histórias longas, loirinha. — Rebateu, virando meu rosto para o seu lado e dando um sorriso confortante.
Flashback on
Dois anos atrás...
Era outono em Nova Iorque. A estação que mais amo no ano. Após meus pais viajarem para fora do país e eu começar a morar sozinha, com a ajuda da minha avó, dona Eva, eu tinha conseguido alugar um apartamento na cidade e ia para lá em todas as minhas férias escolares, após passar uma semana em Brookline com minha velha.
Como de costume, eu estava no Central Park olhando aquela paisagem maravilhosa. As árvores e flores daquele local maravilhoso, alguns casais e crianças brincando com seus animais de estimação...
Enquanto eu observava o local, um rapaz se aproximou de mim, sentando-se no banco em que eu estava e passou a me encarar sem disfarçar em nenhum momento. Senti-me envergonhada e desconfortável com o olhar dele em mim. Pensei em levantar-me, porém desisti assim que o vi com um filhote de cachorro nas mãos.
Não contive a curiosidade e resolvi falar com ele.
— Oi... — Cumprimentei-o, abrindo um sorriso fraco.
— Olá... — Respondeu-me com um sorriso largo no rosto.
— Esse cachorrinho é seu? — Aproximei-me mais dele e levei minha mão até o cachorro, acariciando seu pelo macio.
— Não. Encontrei-o perdido aqui no parque. Você não viu ninguém por ai, com um cachorro parecido com esse?
— Não... — Fechei os olhos por um momento, tentando me lembrar se já tinha visto alguém com o cachorro, mas nenhuma imagem veio à mente. — Já olhou na coleira de identificação?
— Sim, Já... Só tem o nome dele e nada mais. — Respondeu de forma frustrada. — Você sabe onde eu poderia deixá-lo?
— Hum... — Pensei uns segundos e logo me lembrei de um lugar. — Há duas ruas daqui tem um canil. Você poderia deixá-lo lá.
— É... — Coçou o cabelo, olhou para os lados e depois se voltou para mim. — Eu não sei andar muito bem por aqui. — Falou de forma envergonhada. — Você poderia me levar até lá?
— Claro... — Peguei o cachorrinho de seus braços e me levantei. — É aqui perto.
— Obrigado... — Sorriu. — Aliás... Neal Cassidy. — Estendeu sua mão para mim.
— Emma Swan. — Aceitei o cumprimento e apertei sua mão.
E foi assim que conheci a pessoa que colocaria minha vida de cabeça para baixo.
Naquele mesmo dia levei Neal para o canil, porém já estava cheio e não queriam mais nenhum animal lá, então eu decidi que o cãozinho ficaria comigo mesmo, em meu apartamento. Eu já morava sozinha, então não teria problema algum. Quando eu voltasse para casa no fim das férias, era só o levar para a minha avó que ela cuidaria dele ou encontraria alguém.
Neal morava há dois prédios do meu. Tinha se mudado fazia uma semana. Eu fui a sua primeira conhecida na cidade. Neal tinha dois anos a mais do que eu, já havia terminado o ensino médio e não quis ir para uma faculdade e morava com o pai doente.
Passamos a sair todos os dias para eu mostrar as belezas da cidade para ele.
Um mês depois, já perto de minhas férias acabarem e eu voltar para Portland, nós começamos a namorar.
Nos primeiros dias de namoro ele era bastante carinhoso, atencioso e romântico. Mas isso só foi nos primeiros dias mesmo. Depois de me ver com um amigo, Neal teve uma crise de ciúmes e mudou completamente. Passou a me tratar mal e ser possessivo.
— Quem era aquele cara, Emma? — Empurrou-me com força na parede. Seus olhos e seu rosto estavam vermelhos.
— Um amigo meu. — Empurrei-o, afastando-o de mim. — Qual o problema? — Indaguei irritada.
— Qual o problema? — Repetiu irônico. — Você tem namorado, não é para estar com homem algum por aí. — Prensou-me na parede enquanto puxava meu cabelo com força. Eu já estava bastante assustada, mas não demonstraria. Não daria esse gostinho a ele.
— O que? Você quer me controlar e dizer com quem posso ou não ter amizade? — Juntei forças e consegui afastá-lo de mim, mas não por muito tempo, pois logo voltou a apertar o meu braço e me imprensar na parede.
— É isso mesmo... E se você não me obedecer... — Com uma expressão maníaca, ele começou a passar a mão por meu pescoço.
— O que você vai fazer? Bater em mim? — Encarei-o. — Ou melhor... Vai me matar? ― Perguntei ironicamente, olhando diretamente em seus olhos.
— É... — Mais uma vez passeou seus dedos por meu pescoço. — Faça alguma besteira e você não sairá viva deste relacionamento. ― Ameaça com naturalidade, surpreendendo-me.
— Você não faria isso.
— Será? — Arqueou a sobrancelha direita. — Não duvide de mim, meu amor... — Sussurrou em meu ouvido. — Você não sabe do que sou capaz. — Beijou meus lábios com força e me soltou finalmente, deixando-me pensativa e apreensiva com o que ele poderia fazer.
Depois desse problema com Neal, as coisas só pioraram. Até quando eu estava com amigas, ele sentia ciúmes, mesmo eu dizendo que não me interessava por mulheres. Uma das vezes chegou até me bater. Foi horrível, mas só fiquei com os braços marcados.
Depois disso, resolvi procurar um antigo amigo da família que era detetive. Jefferson. Pedi que descobrisse quem era realmente Neal Cassidy. Queria que ele me dissesse sua ficha e tudo que fez na antiga cidade que morava. Enquanto isso, eu estava rezando para o mês acabar logo e eu poder voltar para casa, para bem longe dele.
Infelizmente, antes mesmo que Jefferson me desse as informações, eu descobri da pior forma quem era esse homem.
Numa noite em que fui a seu apartamento, seu pai não estava em casa, Norman, um amigo meu, estava em sua sala, com as mãos amarradas para trás, a garganta com alguns cortes e sem alguns dedos dos pés e das mãos.
Neal naquela mesma noite me obrigou a vê-lo torturando um de meus amigos só porque vira ele me cumprimentado na rua um dia anterior.
Em certo momento, ele colocou uma arma em minha cabeça e me obrigou a cortar seus dedos das mãos (os que ainda tinham) enquanto dizia que era para ele nunca mais cumprimentar alguém comprometido.
Na hora fiquei sem saber o que fazer. Não queria fazer isso com ele e nem queria morrer, mas Norman deu um sorriso para mim e disse para eu ir em frente. Ele não ficaria com raiva ou triste, ou com qualquer outro sentimento ruim.
Eu fiquei horrorizada com as cenas de tortura feitas com Norman. Antes, eu só tinha visto tal show de horror em filmes.
Em um momento de distração de Neal, eu consegui correr para fora de seu apartamento. Mas quando eu estava na portaria, ele me alcançou e me agarrou por trás, sufocando-me tentando me arrastar para dentro de novo.
— Eu não terminei ainda... Você não pode ir agora que o show só começou.
Por sorte, no momento em que isso acontecia, um carro da polícia passava no local e presenciou toda a cena. Neal, ao notar o carro, soltou-se de mim e tentou fugir, mas os polícias foram mais rápidos e o pegaram.
— Eu vou voltar, Emma Swan... E você... Vai ser minha. Só minha e de mais ninguém. Guarde as minhas palavras. — Estremeci com suas palavras.
E assim Neal foi levado à delegacia e eu ao hospital, aliviada por tudo ter acabado.
Meu amigo Norman, graças a Deus, ficou bem também.
Flashback Off
— Caramba, Emma... — Murmurou com os olhos arregalados. — Você nem nos contou nada quando voltou de férias naquele ano... Nem percebemos nada também...
— Desculpa, meu amor... — Acariciei seu rosto e dei um sorriso fraco. — Eu só queria esquecer essas férias traumatizantes... Esquecer que um dia eu havia conhecido Neal e que tudo isso tinha acontecido... — Ruby balançou a cabeça afirmativamente, mostrando-me que havia me entendido. — Eu fui obrigada a engolir essa fatalidade e fingir que nada tinha acontecido...
— E você fez isso muito bem... — Apertou minha mão, um claro sinal de que estava me passando força, e começou a fazer um carinho de leve. ― Por isso nunca mais você foi passar suas férias em Nova Iorque, só na casa da sua avó, mesmo... ― Ela murmurou pensativa e eu assenti.
Ficamos alguns minutos em silêncio, apenas observando o movimento da rua pela janela.
— Ninguém sabe sobre isso. ― Murmuro, quebrando o silêncio. ― Você está sendo a primeira...
— Nem mesmo sua avó? — Balancei a cabeça negativamente.
— Nem dona Eva...
— Agora entendo o motivo pelo qual ficou tão alterada quando soube dele.
— Eu não sei o que fazer. Estou sentindo-me culpada por isso ter acontecido com Regina. — Murmurei triste.
— Ei... — Levantou minha cabeça em sua direção. — Você não tem culpa dele ser tão ciumento e possessivo e não saber distinguir relacionamento amoroso com amizade.
— Esse não é o problema. — Murmurei alto demais. Droga!
— E qual é o problema, então? — Quis saber, curiosa e confusa.
‘’O problema é que, desta vez ele agiu com motivos, diferente das outras vezes. ’’ Pensei em responder, mas não podia, então me limitei a dizer apenas: — Eu não sei... — Ela não podia saber o real motivo para ele ter feito o que fez. Tenho certeza de que Neal atirou em Regina por ciúmes, por vê-la me beijando. Apesar de que, até quando eu estava com amigas, ele também sentia ciúme.
Deitei minha cabeça no ombro de Ruby e fechei os olhos. Nesse momento eu só queria pensar em Regina e saber como ela está.
•§•
Alguns minutos depois, chegamos ao hospital em que minha professora estava. Despedi-me de Ruby que foi para casa e entrei no local.
Quando cheguei à sala de espera, apenas a cunhada dela, Tinker, nossa professora de Redação, irmã do nosso ex-professor de matemática, estava lá. Agradeci mentalmente por ele não estar, pois me sentiria mal em olhar para ele depois de ter beijado sua mulher. Sem falar que, ela estava ali por minha culpa.
— Alguma notícia? ― Pergunto assim que chego perto.
— Nenhuma. — Respondeu sem me olhar. Estava com os braços apoiados no joelho e a cabeça apoiada neles, olhando para o nada.
— Cadê o Robin?
— Está em Seattle, em algum evento estudantil. Só vem amanhã. — De forma discreta, dei um suspiro de alívio.
Ficamos em silêncio. Eu comecei a mexer no celular para me distrair e Tinker continuou na mesma posição de antes.
― O que aconteceu? ― Ela pergunta, quebrando o silêncio.
― Dois anos atrás eu namorei com uma pessoa que mais tarde eu descobri o quanto era possessivo, agressivo e ciumento. Eu consegui me livrar dele e colocá-lo na cadeia, mas ele fugiu e me achou, não sei como... ― Suspiro pesadamente. ― Esse tiro era para mim, não para Regina. ― Finalizo em tom de lamento.
Tinker assente e nós voltamos a ficar em silêncio.
•§•
Já fazia algumas horas que estávamos ali e ninguém tinha aparecido para dar alguma informação. Eu já estava começando a ficar nervosa a ponto de invadir a ala restrita do hospital para saber de algo.
— Eu vou comprar algo para comer. Você quer alguma coisa? — Minha professora pergunta, quebrando o silêncio.
— Não, obrigada. Estou sem fome.
— Qualquer coisa, vá me avisar. — Pede e eu assinto. Ela se levanta e sai pelo corredor que dava para a saída.
Voltei a olhar para a ala restrita do hospital. Nenhum movimento.
Cansada, resolvo descansar um pouco a cabeça, mas quando a encosto na parede, um homem já de idade, vestido com um jaleco e uma calça preta, vem em minha direção.
— Você é responsável pela paciente Regina Mills? — Indaga-me e rapidamente me levanto. Eu não era da família, apenas uma amiga e aluna, mas eu não iria dizer isso à ele.
— Sou uma das... — Meu coração se aperta com a possibilidade do homem dizer algo ruim. Para piorar, sua expressão estava muito séria.
— Eu tenho duas notícias para dar. Uma é boa e outra é ruim. — Informa e meu coração se aperta mais ainda. — Qual quer saber primeiro? ― Pergunta, igual fazem nos filmes.
— Diga-me a boa, primeiro. ― Respondi sem pensar duas vezes.
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