Next to Me
55 Next to me - 55
Notas iniciais
Ainda sem acreditar que o meu pai, James Nolan, estava me ligando depois de tanto tempo sem dá um sinal de vida, afasto o aparelho celular do meu ouvido e olho para a tela, lendo número por número para ter certeza de que estou vendo certo.
Sim, era o número que meus pais usavam para me ligar. Sim, era o meu pai que estava ligando. Não, eu não estava sonhando.
Todavia, ao mesmo tempo em que essa ligação me fez ficar feliz, também me fez ficar apreensiva.
E se tiver acontecido algo de ruim e seja por isso que ele esteja me ligando? Se bem que... Se eles passaram esse tempo todo sem entrar em contato e minha avó sem agia estranho quando eu lhe questionava sobre eles, é porque, com certeza algo aconteceu, e eu tenho certeza que não foi boa.
— Meu amor... ― Sussurra e o meu coração bate dolorido no peito. Como eu tinha sentido a sua falta. Como eu tinha sentido falta de escutá-lo me chamar de meu amor e de vários apelidos carinhosos e até caretas. Como eu tinha sentido falta de escutar sua voz. ― Você está bem? Nós estamos morrendo de saudade de você, sua avó e todo o pessoal por aí.
— Eu te amo, pai! ― Minha voz saiu entrecortada, mas eu segurei o choro, deixando apenas que algumas lágrimas saíssem. ― Também estou morrendo de saudade de vocês. ― Olho para o alto e respiro fundo, tentando manter a calma. ― Finalmente você me ligou, eu já não estava mais aguentando ficar sem saber nada sobre vocês ou saber como estão. ― Meu tom sai um pouco irritado. Eu estava com saudade deles, mas também estava irritada pelo sumiço e a falta de uma explicação. Eu não podia passar a mão em sua cabeça e esquecer isso só porque eu sentia a falta deles. ― O que aconteceu? Cadê a mamãe? Por que não me ligaram depois do ano novo?
— Ei, calma! Eu explicarei tudo. ― Pelo seu tom de voz, senti que estava nervoso. Algo de muito errado estava acontecendo.
— Pai, diga logo. Não enrole. ― Pedi, já nervosa e preocupada.
— Nós iríamos fazer uma surpresa a você logo depois da virada de ano. Iríamos passar alguns meses por aí, já que estávamos de férias...
— E por que não vieram? O que aconteceu para mudar os planos? ― Bombardeei-o de perguntas, já temendo a resposta, que eu sentia que não seria boa.
— Por que... ― Meu pai hesita, deixando-me nervosa. Levanto da cama e, como de costume, começo a andar de um lado para o outro no quarto. — Ok... Sua mãe não se sentiu bem quando estávamos no aeroporto. Levei-a para o hospital e ela ficou internada para fazerem exames e descobrir o que era. ― Diz de uma vez e bem rápido. ― Na verdade, está até hoje, embora tenha voltado para casa no dia seguinte. ― Conclui em um tom triste.
— Isso já faz uns três meses e você só me avisa agora? ― Esbravejei completamente irritada, não me importando se era com o meu pai que eu estava falando. Sei que eu estava errada em gritar com ele, mas a raiva por ter me escondido que minha mãe não estava bem, tinha tomado conta de mim.
― Ei! Calminha aí, deixa eu terminar de falar. ― Pede em um tom elevado. ― Como tinha sido apenas um enjoo e forte dor de cabeça, o médico que a atendeu, receitou alguns remédios e a liberou no dia seguinte. Então remarcamos a viagem para a semana seguinte, quando tivéssemos certeza de que ela estaria bem para viajar.
— E o que deu errado dessa vez? ― Perguntei curiosa, embora já tivesse uma ideia de qual seria a resposta.
― Infelizmente, essas idas ao hospital se tornaram frequente ao longo das semanas, até que, na semana passada Ingrid teve convulsão em frente ao médico e ele suspeitou de algo...
A linha fica em silêncio por alguns segundos e o meu nervosismo só aumenta. Do outro lado, eu podia ouvir vozes e mais vozes conversando sobre coisas que eu não conseguia entender.
― Ingrid me pediu para não te dizer nada, mas eu não estava aguentando a saudade, e você também precisava saber. — Volta a falar, quebrando o silêncio, em um tom aflito. — Então, depois de muito insistir, acabei conseguindo convencê-la de me deixar te contar tudo.
― Não deveria ter sido assim... ― Murmuro, tentando conter a minha raiva. ― Vocês deveriam ter me dito ao menos quando as idas ao hospital se tornaram frequentes...
— Filha... ― Meu pai solta um suspiro audível e eu conseguia visualiza-lo perfeitamente bem, em minha frente, esfregando o rosto, como se já estivesse cansado de dizer o que pretendia me dizer. Se meu pai não tivesse vindo ao mundo primeiro, eu diria que ele puxou essa mania de mim. ― Sei que erramos, mas... Sua mãe só não queria preocupar você até que estivesse bem.
— Independente disso, eu tinha esse direito. ― Rebato rapidamente, porém com mais calma do que raiva dentro de mim, afinal, embora não tenha gostado da atitude, eu entendia que não queriam me dá uma preocupação que poderia acabar sendo desnecessária.
— Emma, a sua mãe estava certa. Não queríamos te preocupar com nada e nem afetar sua vida nos estudos e no dia a dia. — Meu pai rebate e eu balanço a cabeça negativamente, não acreditando no que estava ouvindo.
― Então vocês dois acharam que evitando contato comigo não iria me preocupar? ― Santa incoerência! Inevitavelmente, solto uma risada debochada. Quando nós brigávamos, eu sempre deixava escapar e ele odiava.
― Ok! Fizemos a escolha errada, mas agora já era, não tem como voltar atrás. Nós só não queríamos te prejudicar e nem te preocupar com algo que nem nós mesmo sabíamos o que era. ― Seu tom deixa claro que não quer mais falar sobre os motivos pelo qual não me contaram nada antes e está encerrando o assunto, e eu acato o seu pedido mudo, abandonando a vontade de rebater mais alguma coisa.
Ficamos alguns minutos em silêncio e eu aproveitei para me acalmar totalmente. Encostei-me na parede e encostei a cabeça, fechando os olhos.
— Pai? ― Chamo-o e escuto seu murmúrio em resposta. ― O que ela tem? — O medo da resposta já tomava conta do meu ser. Minhas mãos ficaram frias de repente e eu senti uma pontada forte em meu coração.
— Após uma tomografia e uma biopsia, a suspeita do médico estava correta. Há um tumor em sua cabeça. ― Diz de modo tão sussurrado que eu tive que apertar o celular no ouvido. ― Mas é benigno. ― Acrescenta rapidamente. Minhas pernas fraquejaram e eu escorrego pela parede e caio no chão. — Emma, está tudo bem? Eu ouvi um barulho...
— Um tumor? Na cabeça? ― Perguntei incrédula, levantando-me devagar. Em seguida, peguei o notebook em cima da poltrona e sentei na cama. Joguei sobre tumor na cabeça no google e dei “enter” para pesquisar. Assim que terminasse a conversa eu iria ler sobre o assunto. ― Ela está bem agora? ― Minha voz sai falha por causa do nervosismo.
― Sim, sua mãe está sendo bem cuidada e está bem, os enjoos e as dores de cabeça estão sendo controlados e também não teve mais convulsão. ― Sua voz calma somada ao que me diz, traz-me um pouco só de alívio. ― O médico que está cuidando dela, está vendo a melhor forma de tratar. Provavelmente será com cirurgia.
Cirurgia?
— Eu quero ver a minha mãe. Eu quero ir até aí, pai, por favor. ― Implorei, tomada pelo desespero, já sentindo vontade de chorar novamente. Agora é que eu precisava mesmo vê-la, ouvir sua voz, sentir seu cheiro, receber seu carinho, ver o seu sorriso... Se eu não pudesse fazer todas essas coisas, ao menos vê-la eu precisava, nem que fosse de longe.
— Emma, sua mãe não queria nem que eu te contasse quantos mais que você a veja desse jeito.
Droga!
— Pai, eu quero ver a minha mãe e não me importa em como ela estará. Eu só quero vê-la. — Minha mãe poderia estar sem cabelo, sem um braço, sem uma perna, sem olho, ou qualquer outra coisa faltando, mas eu queria vê-la do mesmo jeito.
— Nada disso! Não permitiremos que você viaje no meio do ano letivo. ― Respondeu-me com a voz levemente irritada. — Nada de atrapalhar os seus estudos.
— Pai, por favor. — Supliquei mais uma vez, deixando as lágrimas caírem e se transformarem em um choro forte.
— Emma... ― Meu pai sussurra em um tom preocupado. ― Droga! ― Ao fundo, escuto um barulho abafado de algo batendo. ― Pare de chorar, por favor! Eu mandarei notícias por sua avó, não se preocupe.
— A vovó já sabe de tudo? — Pergunto pouco surpresa, apenas para confirmar 100%. Pelo jeito que ela agia sempre que eu perguntava sobre, estava na cara que sabia de tudo. Ou ao menos uma parte.
— Sim, ela já sabe de tudo. Eu contei para ela assim que tudo começou a acontecer, desde os nossos planos para ir ver vocês. — Confessa, deixando-me surpresa por saber que dona Eva sabia tanto.
— Eu sabia que ela sabia de algo.
— Eu pedi para que Eva não te contasse nada. ― Meu pai debate, defendendo minha avó. Ao fundo, escuto uma voz grossa conversar com o meu pai e ele pedir um minuto. — Filha, agora eu terei que desligar, infelizmente. Sua mãe precisa de mim. Mas assim que eu puder, ligo para ouvir sua voz mais um pouco.
— Tudo bem... Dê um beijo nela por mim e diga que eu a amo muito. — Levanto-me da cadeira e corro para a cama, apenas esperando o fim da ligação para poder me libertar agarrada ao travesseiro.
— Ela também te ama muito, meu amor, e eu também.
— Eu também, pai. ― Rebato baixinho, sentindo a garganta queimar. — Muito mesmo. — Então encerramos a ligação. Infelizmente.
Joguei-me na cama e me pus a chorar do jeito que eu estava querendo desde que soube o que aconteceu. Por mais que o meu pai tenha tentado me tranquilizar, não era fácil saber que a mulher que me colocou no mundo, me educou, me amou incondicionalmente, sempre foi um exemplo para mim, e que também, sempre teve uma ótima saúde e ia bastante ao médico e me dizia que o bem-estar tinha que vir em primeiro lugar, agora estava doente.
Por que um tumor? Por que na cabeça?
― Não podia ter sido menos grave? ― Questiono para Deus.
Lembrando-me da pesquisa que eu tinha feito ainda em ligação, levantei-me em um pulo, peguei o notebook e voltei para a cama, abri um site que parecia ser bastante confiável para pesquisa.
De acordo com o site que abri, exposição a toxinas ambientais, como poluição, radiação e fumo passivo, genética, dieta desequilibrada, pobre em frutas, verduras e legumes, estresse, trauma ou lesão local, inflamação ou infecção, obesidade, tabagismo, ingestão abusiva de bebidas alcoólicas, exposição excessiva ao sol eram as causas mais conhecidas para o aparecimento de um tumor. Dentre todos esses, eu tinha certeza que não tinha sido por tabagismo ou ingestão abusiva de bebidas alcoólicas. Minha mão não era muito chegada em nenhum dos dois.
Continuando a ler pelo site, eu vi que, em muitos casos, os tumores benignos não necessitam de tratamento. Os médicos podem simplesmente monitorar o tumor, para se certificar de que eles não causam problemas, mas o tratamento pode ser necessário se os sintomas são um problema. A cirurgia é um tipo comum de tratamento para os tumores benignos. O objetivo é remover o tumor sem danificar os tecidos circundantes. Como em todos os procedimentos cirúrgicos, a cirurgia do cérebro pode apresentar riscos e complicações potenciais, como sangramento, infecção ou reações à anestesia. Dependendo da localização do tumor, a cirurgia pode afetar a visão, audição, olfato, fala, equilíbrio, força e coordenação motora, pensamento e memória. Ou seja, tudo dependia apenas da localização dessa coisa, para se tornar uma cirurgia arriscada ou não, caso fosse mesmo ter.
Eu torcia para que fosse no lugar mais simples possível e que com uma rápida e tranquila cirurgia, essa coisa fosse removida sem causar algum dano.
Abandonando o notebook, volto a deitar na cama e cubro o meu rosto com o travesseiro.
When the days are cold ― Quando os dias estão frios
And the cards all fold ― E as cartas já foram lançadas
And the saints we see ― E os santos que vemos
Are all made of gold ― São todos feitos de ouro
Nesse momento, tudo que eu queria era um colo, um ombro para chorar, uma mão para fazer cafuné em meus cabelos até eu pegar no sono, queria alguém me confortando, dizendo que tudo ficaria bem e que eu não perderia minha mãe e junto com ela, o meu pai.
Sim. O meu pai também. Porque, com certeza, ele ficaria devastado e eu o perderia para uma possível depressão, para a tristeza, para a escuridão, para infelicidade. O amor dos meus pais é forte demais. São duas almas, mas há um só coração batendo. Um não conseguiria viver sem o outro.
When your dreams all fail ― Quando todos os sonhos fracassam
And the ones we hail ― E aqueles que aclamamos
Are the worst of all ― São os piores de todos
And the blood’s run stale ― E o sangue para de correr
Nesse momento, eu queria apenas uma pessoa ao meu lado, para me acalmar com seu abraço, seu carinho e suas palavras acolhedoras.
Eu queria aquela que esteve comigo desde a ida dos meus pais para longe de mim, aquela que durante esses anos que os meus pais tiveram que se mudar, me fez companhia diversas vezes, dando-me forças para superar a ausência deles, aquela que desde que me conheceu, passou a ficar ao meu lado em todos os momentos, desde os ruins aos bons, nunca me abandonou, sempre me ajudou a fazer as melhores escolhas e cuidou de mim. Eu queria aquela que me acolhia em seu colo e me fazia cafuné até pegar no sono depois de ter chorado horas por sentir falta dos meus pais e ter que me contentar falar com eles apenas por telefone.
I want to hide the truth ― Eu quero esconder a verdade
I want to shelter you ― Eu quero abrigar você
But with the beast inside ― Mas com a fera dentro
There’s nowhere we can hide ― Não há onde nos escondermos
Como eu queria que minha Regina estivesse aqui comigo, me ajudando mais uma vez a passar por essa barra. Seu discurso foi sempre tão esperançoso, assim como o da minha mãe, sempre foi tão otimista em qualquer situação, até mesmo aquelas que eram praticamente causas perdidas. Como eu queria que ela estivesse aqui para me amparar, para me abraçar apertado e me passar seu otimismo em relação ao problema da minha mãe.
No matter what we breed ― Não importa o que fazemos
We still are made of greed ― Ainda somos feitos de ganância
This is my kingdom come ― Este é o meu destino
This is my kingdom come ― Este é o meu destino
Nesse momento eu estava sozinha. Não só literalmente.
Minha avó estava longe de mim, há algumas horas e km de distância. Killian nunca foi bom para me ajudar nesses momentos, mesmo tendo tentado diversas vezes, Ariel e eu não éramos tão íntimas como sou com os outros dois e como ela mesmo é com eles, e Ruby, a única que poderia me ajudar apenas com sua presença, estava em um evento beneficente que sempre ia com a avó todo mês. Porém, se fosse para desabafar com um deles, eu não poderia contar tudo que estava me afligindo. Eu teria que ocultar o meu sofrimento pelo término com Regina, porque eles não podem saber de nada, e só poderia falar sobre o que estava acontecendo com a minha mãe. Ou seja, a única pessoa que eu poderia desabafar por completo e poderia me ajudar nesse momento estava há algumas horas e km de distância de mim, no caso minha avó.
Senti umas lambidas em minha perna e descobri o meu rosto, encontrando Ava me olhando, como se perguntasse o que estava acontecendo. Chamei-a para perto de mim e me agarrei ao seu corpo peludo, pequeno e fofo. Rolei para o lado, buscando uma posição mais confortável e fechei os olhos, tentando me acalmar um pouco. Ainda estava sem roupas, a madrugada estava fria, mas eu não importava com isso. Eu só queria que aqueles problemas que vieram todos de uma vez sumissem e nunca mais voltasse.
When you feel my heat ― Quando você sentir o meu calor
Look into my eyes ― Olhe nos meus olhos
It’s where my demons hide ― É onde os meus demônios se escondem
It’s where my demons hide ― É onde os meus demônios se escondem
Don’t get too close ― Não se aproxime muito
It’s dark inside ― É escuro aqui dentro
It’s where my demons hide ― É onde os meus demônios se escondem
It’s where my demons hide ― É onde os meus demônios se escondem
Fale com o autor