Next to Me

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Notas iniciais
Voltei, mores!

Segui meu caminho pela rua com os olhos embaçados de lágrimas e Ava me enchendo de lambidas na orelha, como se soubesse que eu precisava de carinho naquele momento.

De repente, esbarro com força em alguém, mas tudo que faço é segurar a minha pequena com mais força no braço. Estou triste demais para brigar com alguém que não anda prestando atenção.

― Emma? ― É a voz da minha professora de redação. Troco a Ava de braço e então a vejo, com uma expressão curiosa e confusa em minha direção. ― Tudo bem? ― Toca delicadamente em meu ombro. Abro a boca para responder, mas não consigo dizer uma palavra. Não há forças o suficiente para dizer um “a” — O que aconteceu, Emma? Você está me deixando preocupada. ― Sua voz soou aflita.

Era incrível o poder que uma simples pergunta tinha sobre o nosso sistema nervoso. Senti meu estômago revirar e a respiração falhou. Meus olhos derramaram as lágrimas presas e Rose me abraçou apertado.

— Você está tremendo, Swan. ― Afasta-se de mim e segura meu rosto. ― Diz alguma coisa. ― Implora.

Desvio o olhar do seu e respiro fundo, segurando a bile que já vinha na garganta.

— Eu e a Regina... ― Consigo balbuciar, enxugando as lágrimas e me recompondo.

— Você e Regina... ― Incentiva para que eu continue.

— Nós tivemos uma conversa agora e terminamos tudo. ― Disse de uma vez, mas com dificuldade. — Ela terminou tudo, na verdade. ― Corrijo, deixando claro de quem partiu a decisão.

— O que? ― Franziu o cenho, claramente confusa, e abriu a boca em surpresa. — Por que ela tomou essa decisão? ― Abaixei a cabeça e olhei para o chão, deixando claro que eu não queria responder. — Você quer que eu converse com ela?

— Eu só quero ir embora. ― Murmurei, sendo a mais sincera possível. Tudo que eu queria era chegar no aconchego da minha casa e botar para fora tudo que eu estava segurando. Eu estava precisando me esvaziar. Como não havia ninguém para desabafar, chorar até pegar no sono e desabafar comigo mesmo, era o que eu faria.

― Então é isso? ― Questiona com um tom que parece ser de decepção. Levanto a cabeça e olho em sua direção, tendo a certeza, pela sua expressão, que está decepcionada. ― Você não vai nem tentar...

— O que você quer que eu faça? ― Interrompi-a num tom elevado, um pouco irritada. — Além de tentar argumentar contra a sua decisão, eu não aceitei de primeira, é claro. ― Balancei a cabeça negativamente. ― Mas você, melhor do que ninguém, conhece a Regina e sabe como ela é uma cabeça-dura.

― Assim como você... ― Acrescenta e eu desvio meu olhar do seu novamente, um pouco envergonhada.

Não rebato o que diz e nós ficamos quietas, em silêncio.

— Emma, desculpe-me, mas não irei desistir tão fácil do meu casal preferido. ― Quebra o silêncio. Direciono-lhe um olhar incrédulo, mas ao mesmo tempo, curioso pelo que diz. Afinal, o que Tinker poderia fazer em relação a nós? — Mesmo que não adiante nada, eu irei sim, falar com ela, você querendo ou não. ― Diz decidida.

— Tudo bem, faça o que quiser. ― Dou de ombros. — Eu só quero que você faça uma coisa para mim, pode ser? ― Ela assente, atenta e curiosa. — Por favor, cuida bem dela por mim. ― Meus olhos se enchem de lágrimas novamente, mas eu me forço a segurá-las. Ao menos por enquanto. Não era o momento de explodir ainda. ― Ela está precisando de consolo. ― Digo, repassando a última cena que vi ao sair da sua casa em minha mente.

— Eu faria isso mesmo se você não me pedisse.

— Obrigada!

Despedimo-nos rapidamente e cada uma segue o seu destino. Sigo caminhando pela rua até encontrar um táxi disponível e logo estou dentro de um veículo, sentada desconfortavelmente por causa da bolsa nas costas e um pesinho no colo, que é a minha pequena dormindo.

Quando cheguei em casa, coloquei a Ava em minha cama, que logo se aconchegou no travesseiro do lado que Regina costumava deitar, e segui para o banheiro, deixando minhas roupas pelo caminho.

Ao sentir a água entrar em contato com a minha pele, explodi em um choro dolorido, daqueles que nos acomete quando perdemos um ente muitíssimo querido. Eu o estava segurando desde que ouvi Regina dizer que me ama, um pouco antes de acabar comigo e com a minha esperança de que tudo iria melhorar. Se eu tivesse o poder de prever o futuro e soubesse o resultado da nossa conversa, na qual eu estava tão ansiosa para ter e até estava otimista com o resultado, eu jamais teria ido até sua casa. Pergunto-me se não teria sido melhor ter deixado a nossa situação como estava, mesmo. Apesar de não estarmos nos falando normalmente e nem nos tocando direito, ainda assim conversávamos, mesmo que pouco, trocávamos alguns poucos carinhos e beijos e ao menos ainda estaríamos juntas. Além de que, eu não estaria no estado em que estou agora, e nem ela também estaria. Eu sei bem que está, julgando pelo que vi quando saí de sua casa.

O motivo pelo qual nós terminamos só me faz concordar ainda mais com a minha mãe quando me disse que eu nasci na época errada.

Quando vi que minhas juntas já estavam ficando roxas e engilhadas, desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha. Como um zumbi, andei até a minha cama, joguei-me do jeito que estava, aconcheguei-me em Ava e fechei os olhos.

•§•

Abri os olhos e me vi deitada no jardim da casa de Regina, com as mãos para cima, presas por uma corda. Em minha frente, um pouco mais afastada, vi minha professora, que também estava amarrada, porém em pé, e Neal aparecendo ao seu lado logo em seguida.

Neal?

— Neal? ― Externei minha confusão. — O que é que está acontecendo? O que você faz aqui? — Ele dá um sorriso, olhando de mim e para Regina, que lhe direcionava um olhar assustado. — Você não morreu? — Dirigiu seus passos até mim e meu coração se acelerou rapidamente.

— Como você pode ver, com os olhos que Deus te deu, eu estou aqui. ― Seu tom é debochado. Eu não acredito que ele escapou não só da morte, mas dos policiais também. Alguma coisa não estava certa. ― E estou bem vivo. — Agacha-se até a minha altura e faz um breve carinho em meu rosto.

— O que você vai fazer com ela, Neal? ― Perguntei preocupada. Estávamos à mercê das suas vontades. Isso não era nada bom. ― Deixe-a em paz, por favor, é a mim que você quer. ― Imploro, querendo ao menos livrar Regina de suas mãos. Ela não deveria estar aqui. O problema era entre eu e ele e minha professora não tinha nada a ver com isso.

— Cala a boca, sua safada! — Dá uma tapa forte em meu rosto. Fecho os olhos por alguns segundos, sentindo a ardência. — Você é minha, entendeu? — Grita, cuspindo-me no processo. Em seguida, ajoelha-se entre minhas pernas e abaixa sua calça e a cueca, deixando à mostra o seu membro mole e nojento. Eu não queria nem pensar no que ele faria com aquilo. — Você nunca será dela. — Pega uma arma que eu não tinha visto onde estava até o presente momento e aponta para minha morena, que no desespero, tenta se soltar a todo custo.

— Neal, por favor, não faz isso. — Implorei, já chorando.

— Diga adeus a sua professorinha safada, Swan. — Destravou a arma e posicionou o dedo no gatilho.

— Emma, nunca se esqueça de que eu te a... — Então Neal dispara três vezes em seu peito. — amo... ― Sussurrou. Então, como em câmera lenta, vi o meu amor escorregar por sua macieira até o chegar ao chão.

— Não!

Abri os olhos e me vi na escuridão do meu quarto. Meu rosto estava banhando por lágrimas, eu estava suada e respirava com dificuldade. Senti um vento frio e percebi que estava completamente nua. A toalha que me cobria mais cedo, já não estava mais em meu corpo. Ava, que já não dormia mais comigo, pula para cima da minha cama e vem para cima de mim, parecendo assustada. Talvez eu tenha gritado antes de acordar.

Eu tive um pesadelo com Neal. Há quanto tempo isso não acontecia?

Mesmo sabendo que não tinha sido real, olhei para o lado da cama em busca de Regina para me certificar que ela estava bem e vi o lugar vazio. Meu coração gelou e a realidade me bateu com força, me lembrando o que tinha acontecido mais cedo.

Joguei-me na cama novamente e agarrei o travesseiro que ela costumava usar e que ainda, por sorte, tinha o seu cheiro impregnado. Sempre que eu tinha pesadelos, meu amor acordava junto comigo e me ajudava a pegar no sono novamente, depois de me acalmar. Mas agora eu não a tinha ao meu lado para me ajudar. Tudo o que me restou foi o seu cheiro ainda impregnado na fronha do travesseiro, a lembrança dos momentos que tivemos, e a saudade que já começava a queimar sem dó.

"Eu tô carente desse teu abraço
Desse teu amor que me deixa leve
Eu tô carente desses olhos negros
Desse teu sorriso branco feito neve
Eu tô carente desse olhar que mata
Dessa boca quente revirando tudo
Tô com saudade dessa cara linda
Me pedindo "fica só mais um segundo"

Lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto, embaçando a minha visão, e como consequência, minha cabeça começa a doer, me alertando que eu deveria parar agora ou me foderia depois. Todavia, lembranças de alguns momentos aparecem em minha mente e eu não consigo evitar de chorar.

— Mais rápido e mais forte, Em... — Regina me pediu entre gemidos sussurrados em meu ouvido. Meu corpo se esquentou com o seu pedido, mas me mantive no mesmo ritmo, com medo de me deixar levar pela excitação e acabar lhe machucando.

— Eu não quero te machucar, meu amor. ― Externei minha hesitação sussurrando também. Beijei sua bochecha e desci para o seu pescoço. Sentindo que meu amor já estava chegando ao ápice, resolvi aumentar só mais um pouco a velocidade, porém, antes mesmo de começar, o meu celular tocou estrondosamente bem ao nosso lado e nós nos afastamos assustadas. Retirei meus dedos de sua intimidade e recebi um olhar irritado em troca.

— Você não vai atender, vai? — Perguntou incrédula.

Sem lhe responder, engatinhei por cima dela e alcancei o celular em cima da mesa de cabeceira. Fiquei de joelhos na cama e atendi a ligação.

— Alô... ― Minha voz saiu inevitavelmente ofegante, não só pelo que fazia minutos atrás, mas porque a minha vagina estava bem no rosto de Regina e embora me olhasse irritada, a visão estava me excitando muito.

— Ei Emma, sou eu, Nellie. Você pode conversar agora? ― Pergunta hesitante e eu me agonio.

Puta que pariu! Conversar agora? Eu adorava conversar com ela e lhe ajudar sempre que precisava de um ombro amigo, mas agora não era o melhor momento para isso. Se eu aceitasse o seu pedido, corria um sério risco de morrer. Se não de tesão interrompido, pela raiva de Regina por termos sido interrompidas. Conversar agora estava fora de cogitação.

— Ei Nellie... ― Respondi sem graça. Vi Regina fechar os olhos e balançar a cabeça negativamente. ― Você quer conversar agora? Aconteceu alguma coisa? — Minha professora me oferece um olhar enigmático e, pegando-me de surpresa, me puxa para baixo e me faz sentar em seu colo. Com um sorriso safado, ela começa a acariciar o meu clitóris e eu sinto vontade de gritar e pular, de tão sensível que estou.

— Eu só queria conversar um pouco. Você pode?

Regina me invade com os seus dedos e eu pressiono o celular na cama, soltando um gemido alto logo em seguida. Minha professora solta uma gargalhada.

— Regina! ― Repreendo. Ela estava jogando sujo para conseguir o que queria. Porém, eu não podia mentir, eu estava adorando a adrenalina que o momento estava me proporcionando. ― Eu estou no telefone, por favor.

— Então desligue agora e vamos voltar para o que fazíamos, senão, continuarei até ela saber o que você está fazendo nesse exato momento. ― Ameaça e eu não tenho dúvidas de que é capaz de fazer mesmo.

Regina parou o que fazia e eu levei o celular à orelha novamente, escutando Nellie me chamar.

— Está tudo bem?

— Olha, amanhã eu falo com você. Tchau. — Encerrei a ligação sem esperar por uma resposta e joguei o aparelho em cima da mesinha novamente. — Satisfeita?

— Agora sim. — Deu um sorriso vitorioso e me puxou para baixo, atacando os meus lábios em um beijo feroz.

Tô feito mato, desejando a chuva
Madrugada fria, esperando o sol
Tô tão carente feito um prisioneiro
Vivo um pesadelo, beijo sem paixão
Tô com vontade de enfrentar o mundo
Ser pra sempre o guia do seu coração
Sou a metade de um amor que vibra
Numa poesia em forma de canção.

Sorri tristemente com a lembrança, sentindo mais uma lágrima quente descer. Depois da ligação, Regina ficou muito possessiva naquela noite. Fora uma longa noite de amor.

— Por favor, só uma foto? — Pedi mais uma vez. Já estava até com o celular pronto para bater a foto.

— Emma, eu já disse que não! ― Responde em um tom cansado. ― Para que você quer uma foto minha estando nua? ― Coloca a mão na cintura.

— Eu quero colocar no papel de parede do meu celular. ― Fingi um tom sério. É claro que eu não faria isso. Se eu tivesse uma foto assim de Regina, eu a guardaria à sete chaves. ― Toda vez que eu for mexer nele, verei esse seu lindo corpinho estampado na tela. ― Regina arregala os olhos e dou uma piscadela e solto um beijinho.

— Você deve ter perdido o juízo. — Murmura em tom incrédulo e balança a cabeça negativamente. — Já pensou alguém pegando o seu celular e vendo a foto? O que dirá?

— Eu não deixarei ninguém pegar em meu celular. — E não seria difícil botar em prática, visto que meus amigos não tinham essa mania de querer vasculhar as minhas coisas. Não era atoa que nada tinha senha, tirando a tela de bloqueio que era obrigatório ter.

— Em algum momento eles conseguiriam pegar o celular de você. Sem falar na desconfiança que surgiria. — Rebate rapidamente. Regina sempre tinha a resposta na ponta da língua.

— Eles não têm esse costume de ficar mexendo no meu celular... ― Replico, vendo-a esfregar o rosto, agoniada. Não me aguentando, deixo escapar um riso, porém, ela não vê por ainda estar com as mãos no rosto.

― Eles não têm o costume de fazer sempre, mas ainda assim, fazem.

― Por favor, meu amor? ― Ajoelho-me em sua frente e junto as mãos.

— Não! — Disse decidida. ― Você pode me ver todos os dias ao vivo, não precisa de foto. ― Segurou meu braço e deu um puxão, fazendo-me cair por cima dela. Rimos juntas e nos beijamos.

— Agora eu não poderei mais. ― Agarrei-me mais ao travesseiro e fechei os olhos, sentindo a dor do que eu acabei de dizer.

Sem você, sou caçador sem caça
Sem você, a solidão me abraça
Sem você, sou menos que a metade
Sou incapacidade de viver por mim
Sem você, eu sem você.

De repente, escuto o meu celular tocar dentro da bolsa, que está jogada no chão desde a hora que eu cheguei, e me arrasto pelo colchão, com preguiça de me levantar. Ao chegar na ponta, me estico para agarra-la.

Quando o encontro na bagunça da bolsa e vejo piscar na tela o número que meus pais costumam se comunicar comigo, meu coração dá um pulo. Sem perda de tempo, deslizo o ícone verde para o lado direito e levo o aparelho ao meu ouvido.

— Emma? ― Escuto a voz do meu pai e as lágrimas dessem grossas e desenfreadas e o coração bate agitado.

— Pai! ― Murmuro com dificuldade por causa da emoção.

Notas finais
Tinker, maior swen dessa fanfic! Perdoem o sertanejo, mas eu não podia ignorar essa música que combina tanto com o momento. Paula Fernandes - Eu sem você: https://www.youtube.com/watch?v=-ypIzdy1Bkc Papai Swan deu as caras, finalmente. Até o próximo!