Next to Me
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Notas iniciais
Ficamos nos encarando e sua expressão de preocupada mudou para séria e a sensação que eu senti por um momento, de que tudo estava bem, foi embora. Coloco minha pequena no chão, que logo procura seu abrigo embaixo das pernas de Regina e se deita por ali, e me arrasto para mais perto da minha professora. Remexo-me no lugar, procurando uma posição mais confortável e fixo meu olhar no carpete, enchendo-me de coragem para iniciar o assunto.
― Eu não fui para a escola hoje porque fui para Boston. ― Comecei respondendo à sua pergunta, falando em um tom baixo. ― Desculpe-me ter deixado você tão preocupada. Não foi a minha intenção. ― Acrescento sinceramente.
― O que...
― Eu não estava mais aguentando... ― Falei por cima, interrompendo-a. O nervosismo já estava afetando a minha voz, que começava a ficar falha. ― Eu não sabia que precisava desabafar até ter feito com a minha avó. ― Confessei. ― O que aconteceu com nós? ― Finalmente olhei para ela e foi a sua vez de focar seus olhos no chão. Mas antes que o fizesse, pude ver que estavam marejados. ― Quase não conversamos mais, quase não nos beijamos, não trocamos carinhos... ― Continuo em um tom decepcionado, balançando a cabeça negativamente. ― Nem parece que estamos namorando... ― Acrescento em um tom triste. ― O que aconteceu? Eu fiz algo que não te agradou?
― Não! ― Vira-se para mim rapidamente e segura em meu braço. Estava com uma expressão sofrida.
― Então o que foi? ― Perguntei desesperada. Coloquei a minha mão por cima da dela e movimentei meus dedos, iniciando um carinho. ― Percebi que já não está mais chateada com as minhas conversas e intimidades com os meus amigos. Até porque, temos conseguido evitar bastante desde a última vez. ― Ela me olha surpresa. Com certeza, por causa da forma como falei. ― Eu percebi que você tem me ajudado a evitar. ― Esclareço, abrindo um mínimo sorriso em agradecimento.
Minha professora não diz nada e ficamos em silêncio. Ela volta a olhar para o chão e eu fico observando o seu rosto triste. Incapaz de controlar a minha vontade, a minha saudade, o meu desejo, levo minha mão que acariciava a sua até o seu rosto e arrasto os meus dedos por sua pele macia, fazendo-a olhar para mim em seguida. Olhamo-nos intensamente por alguns segundos até ela fechar os olhos e segurar a minha mão com a sua, forçando mais o contato. Arrepiei-me com o seu toque suave em minha pele. Então, como se eu estivesse enfeitiçada, inclinei-me lentamente em sua direção e tomei seus lábios em um beijo lento. Nossas bocas se tocaram devagar por alguns segundos, como se tivessem se conhecendo, tocando-se a primeira vez, e logo eu a trouxe mais para mim, aprofundando o contato, mostrando toda a minha saudade e paixão.
— Eu estava com tanta saudade disso. ― Externei num sussurro, esfregando nossos narizes carinhosamente, ao separar nossos lábios rapidamente, mas logo retornei a beijá-la. Dessa vez, mas intensamente que da primeira vez.
Regina correspondeu ao beijo de forma tão acalorada quanto eu, mas eu sentia algo diferente. Não parecia um beijo de saudade, como eu gostaria, mas sim, de despedida, como se nunca mais fossemos fazer aquilo.
De repente, senti um gosto salgado em seus sempre tão doces lábios, e ao abrir os olhos, assustada, vejo que seu rosto estava repleto de lágrimas. Comecei a enxugar algumas com beijos e outras com os dedos, mas segundos depois, elas voltaram a cair, dessa vez, ainda com mais força.
― O que...? ― Perguntei preocupada e temerosa. Até a Ava saiu de seu cantinho para ver o que estava acontecendo. Ela costumava sentir quando estávamos tristes.
― Eu sinto muito... ― Sussurra com a voz embargada, fazendo carinho na cabeça da minha pequena, que pedia colo.
Do que ela sente muito? Será que não me ama mais? Será que vai terminar tudo comigo e vai voltar para o Robin? É por isso que tem agido toda estranha nos últimos dias? Foi por isso que eu senti que o beijo parecia de despedida?
― Regina...? ― Afastei-me dela, dando-lhe seu espaço pessoal de volta e me sento um pouco mais afastada, esperando que me diga logo o que está acontecendo.
— Será o melhor para você, para nós... ― Diz e meu coração bate acelerado, tendo a certeza que é um dos motivos que eu pensei.
― Você vai voltar com o Robin, é isso? ― Pergunto hesitante, só para ter a certeza.
― O que? ― Franze o cenho. ― Não! ― Faz uma careta, deixando-me aliviada com sua resposta, porém, não menos temerosa. Se não é para voltar com o Robin, só pode ser por não me amar mais. ― Robin já morreu para mim, há muito tempo. ― Deixa claro.
― Então é porque você não sente mais nada por mim? ― Pensar na possibilidade já era ruim, mas dize-la em voz alta, era ainda pior. Eu podia sentir a bile em minha garganta.
― Eu amo você, Emma Swan! ― Declara, fazendo o meu coração palpitar com a certeza em sua voz. ― Eu te amo e quero te amar pelo resto da minha vida. Não tenho dúvidas quanto a isso. ― Acrescenta com um pequeno sorriso, tocando meu braço e fazendo um breve carinho. — É só que... ― Respira fundo e passa as mãos pelo rosto. Parecia estar agoniada, sufocada. ― Não estamos no mesmo tempo. Você é jovem ainda, tem muito para viver...
― Mas... ― Levanta a mão, pedindo a palavra e eu respeito o seu pedido, desistindo de continuar a falar o que pretendia.
— Eu não quero te privar de nada, não quero te afastar dos amigos, não quero que você deixe de sair com eles para ficar comigo, não quero te forçar a amadurecer e muito menos acelerar esse processo, não quero te impedir de viver, de se divertir, não quero que você deixe de agir de tal forma com eles, por causa do meu ciúme bobo...
Então era isso que ela estava pensando? Que estava me forçando a ser quem eu não sou? Que estava me impedindo de viver a minha vida?
― É por isso que você não quer... ― Interrompi-me, incapaz de terminar aquela pergunta e ela assentiu, quebrando o meu coração e derrubando as minhas estruturas, que desde o começo da conversa, já estavam frágeis.
— Eu já tenho a minha vida feita e você ainda está começando a formar a sua, sabe? Eu não quero te atrapalhar nessa formação, apesar de desejar muito estar ao seu lado. ― Dá um sorriso triste. — Eu não quero que você perca a sua essência, quem você realmente é, por minha causa. ― A cada palavra que saia de sua boca, uma lágrima, que eu não fazia questão de evitar, caia de meus olhos. Estava sendo dolorido ouvir tudo. ― Eu não sou a pessoa certa para você, Emma. ― Sussurra. — Olha a nossa diferença de idade, eu não me encaixo no seu mundo...
― Você sabe que eu não me importo com a nossa diferença de idade. Eu deixei isso bem claro quando te pedi em namoro. ― Rebato, provavelmente inutilmente, por causa de sua expressão de negação enquanto me escuta. Enxugo as lágrimas e respiro fundo, tentando me acalmar. ― Eu sabia onde estava me metendo quando me apaixonei por você e tive a decisão de querer ser mais que sua amiga. ― Acrescento, falando com firmeza, não querendo dar brechas para pensamentos errados, e Regina fecha os olhos por alguns segundos, respirando fundo.
― Emma, eu não quero te forçar a ser quem você não é. ― Diz em um tom sofrido. A conversa estava sendo tão difícil para ela quanto para mim. Agora está explicado a sensação estranha de despedida que eu senti quando estávamos nos beijando. ― Meu Deus! Eu fiquei com ciúme por causa de algumas conversas que ouvi você ter com os seus amigos. ― Fala em um tom incrédulo e sorri sem humor. ― Eu não quero sentir mais isso, Emma. É vergonhoso para mim, além de horrível. Uma mulher tão velha como eu, ficar sentindo esse ciúme bobo, ficar insegura desse jeito... ― Balança a cabeça negativamente. Eu a entendo bem, afinal, eu também passei por essa situação de ciúme. E se para mim foi ruim, imagina para ela. ― Estamos em fases diferentes da nossa vida e eu não quero te atrapalhar, não quero te prender, não quero te privar do que você tem que viver. ― Repete, e agora é a minha vez de negar e não aceitar o que estou ouvindo. Regina não estava me atrapalhando, não estava me prendendo e nem privando de qualquer coisa. ― Eu tenho pensado muito nisso, nos últimos dias. É por isso que tenho estado tão afastada. Eu não estava conseguindo ficar tranquila, sabendo que estava te fazendo tão mal.
― Você não estava e muito menos está me fazendo mal, Regina! ― Meu tom deixa claro o quanto eu estava achando absurdo aquele pensamento dela.
― É claro que eu estava. ― Rebate rapidamente, nervosa. Sua veia da testa estava bem saltada, deixando claro o seu estado. ― Ou você se esqueceu do que me disse no banheiro? ― Automaticamente, lembro-me de quando entramos no banheiro da escola logo após o banho de café que eu tomei e soltei que me sentia pisando em ovos com a nossa situação. Eu não menti quando disse aquilo. Eu realmente estava me sentindo assim, mas isso não quer dizer que ela estava me fazendo mal. ― Você não sabe o quanto foi dolorido ouvir aquilo e perceber o mal que eu estava te causando.
― Não... ― Sussurro, negando o que eu estou ouvindo.
― Cada vez que eu sento na roda dos seus amigos para conversar, eu percebo que ali não é o meu lugar. ― Sorri sem humor.
― Também não é assim. ― Retruco, indignada. ― É claro que você vai se sentir desse jeito. Nós só conversamos besteiras para passar o tempo. ― Argumento em tom óbvio. ― Até eu fico um pouco deslocada as vezes.
― Quando você está com eles, fica tão natural, tão você mesmo. Sem medo do que vai dizer, sem medo de como vai agir, sem precisar se mostrar tão adulta... ― Continua. E pelo jeito que fala, parecer ter ignorado o que eu disse. ― É isso que eu não quero tirar de você, entende? ― Mesmo não querendo, eu concordo, pois tudo que ela tinha falado, era a mais pura verdade. Com os meus amigos eu era outra Emma Swan, sem tanta preocupação, agindo tranquilamente. Talvez ela esteja certa em dizer que não estamos no mesmo tempo. Talvez eu seja mesmo, muito imatura para ela e até não seja suficiente. Sei que não deve existir ninguém sério o tempo todo e em algum momento tenha seu momento de descontração com amigos, mas não era esse o meu caso. Talvez, quando eu chegue em um nível que não precise agir diferente com ela e com os meus amigos, que eu seja a mesma Emma Swan para os dois lados, seja a hora certa para termos algo. Porém, ainda assim, não queria aceitar que por isso, nós teríamos que terminar. ― Enquanto você está na idade de aproveitar a vida, eu estou naquela que pensa em ter filho e formar família. ― Continua e mais uma vez eu concordo, porém dessa vez, só internamente. Embora ame crianças, não gostaria de ser mãe de uma agora. No máximo tia, já estava bom. — Você só tem 18 anos de idade, não tem que pensar nisso agora. ― Acrescenta como se tivesse lido os meus pensamentos. ― Tem mais é que viver sua vida e aproveitá-la bastante, em vez de se prender em alguém com 14 anos de diferença de você. ― Aperta minha mão com força e eu torno a chorar. Não podia acreditar no que estava ouvindo, principalmente acontecendo. — Eu não quero estragar sua vida... Quem sabe no futuro, quando você acabar o ensino médio e estiver na faculdade e for mais velha? ― Apesar da pergunta ser retórica eu balancei a cabeça negativamente. ― Por favor, Emma, não torna as coisas mais difíceis. Estou fazendo isso para o teu bem, por amar você. ― Leva a mão ao meu rosto e faz um carinho e eu fechos os olhos, aproveitando o contato. Regina está decidida no que quer. Ou seja, é provavelmente a última vez que terei carinhos assim. ― Eu não deveria ter aceito namorar com você. Eu sabia onde estava me metendo, mas mesmo assim, insisti. Mesmo sabendo que não era o certo. ― Parece dizer mais para si do que para mim. Encerra o carinho em mim, passa as mãos pelo rosto novamente e enfia seus dedos no cabelo. ― Quando eu percebi tudo que estava te causando, eu me senti a pior pessoa do mundo. ― Sua confissão dói no meu coração. Era horrível saber que ela pensava daquele jeito e não tinha nada que a fizesse pensar diferente.
Não era só um talvez, Regina realmente tinha razão em tudo que me disse desde o começo, com exceção de algumas coisas, como me fazer mal, me atrapalhar e privar de fazer as coisas. Como ela disse, nossas idades eram diferentes demais. Nosso tempo não estava batendo. No fim, eu entendia o seu lado de se sentir excluída, sentir que estava me prendendo, forçando-me a ser uma pessoa que eu não sou, mas eu não queria aceitar a sua decisão. Não queria ter que terminar o nosso namoro, mesmo sabendo que ela estava certa e com motivos para isso. Sei que estava sendo egoísta por só pensar em mim e não pensar em seu lado também, mas eu não conseguia evitar.
― Então é isso? Vamos fugir na primeira dificuldade? ― Indago num fio de voz. A vontade de vomitar, do começo da conversa, estava vindo novamente e minha voz estava falhando outra vez por causa do nervosismo. Se eu continuasse, corria o risco de botar tudo que comi na casa da minha avó, para fora, sentiria faltar de ar e perderia a voz.
― Não é dificuldade, Emma. É a nossa realidade. ― Levanta a cabeça e olha fundo em meus olhos. ― Eu sou sua professora, sou muito mais velha que você, não podemos namorar livremente, eu não me encaixo em seu mundo, os momentos de nossas vidas são diferentes, além de todo o resto que eu já citei.
— A Ava sentirá sua falta. ― Rebato em uma última tentativa. Sim, eu estava apelando. Eu não queria aceitar o nosso fim. — Você vai deixá-la?
— Emma... ― Seus olhos se enchem de lágrimas novamente e os meus os acompanham.
— Olha, eu entendo você. Eu realmente entendo. — Enxugo as lágrimas e dou uma fungada, acordando minha pequena que dormia no meio de nós duas, tão inocente, sem saber o que se passava ao seu redor. ― Você tem toda razão em sentir e achar tudo isso, mas não concordo com a sua decisão. — Deixo claro e ela abre a boca para argumentar, porém, assim como fez mais cedo, levanto a mão pedindo a palavra. ― Mas se é isso o que você quer, eu não vou insistir. ― Finalizo, com o resto de coragem que ainda me restava.
Levanto-me para ir embora, mas minha professora, meu amor, minha Regina, me puxa para um abraço, fazendo-me sentar de novo. Ficamos assim por algum tempo e eu sinto que chegou a minha hora de ir embora. Não havia mais nada para fazer ali e eu precisava ficar sozinha para processar toda essa conversa e poder explodir como eu gostaria.
Regina beija o meu pescoço e eu me afasto um pouco, beijo sua testa e selo os seus lábios demoradamente, levanto-me de novo e pego Ava, que estava bastante pesada por estar sonolenta. Regina também se levanta, beija a Ava na cabeça, faz carinho em sua barriga, recebendo lambidas em resposta e a cena faz os meus olhos queimarem e o meu coração doer. Definitivamente, não era só eu que iria sentir falta de Regina. Eu não estava mentindo quando disse que Ava sentirá saudades.
Pego minha bolsa que estava jogada no chão e abro a porta. Quando me afasto um pouco, paro de andar, olho para trás e me arrependo no segundo seguinte, por ver o meu amor se desfazendo em lágrimas, encostada na parede. A sensação que eu tive, é que estávamos em um filme de romance. Eu tinha certeza que jamais esqueceria aquela cena.
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