Next to Me

52 Next to me - 52


Notas iniciais
Voltei, mores!

As próximas horas seguintes foram um inferno para mim. Devido à pequena colisão que tive mais cedo com minha morena, acabei ficando com uma forte dor de cabeça, e o barulho da sala de aula só fez piorar tudo. Eu fiquei bem chata por conta disso.

― Emma? ― Ruby me balançou. Eu estava de cabeça baixa, tentando, inutilmente, diminuir a minha dor.

― Humm... ― Murmurei, com preguiça de me levantar e até mesmo de falar.

― Tem atividade, Emma! ― Diz em tom de repreensão. ― Desde que o Sr. Gold entrou na sala que você está assim... ― Mesmo de olhos fechados, eu os reviro.

― Não estou com saco para fazer. ― Respondi, ainda sem levantar a cabeça. Na verdade, eu nem pretendia levantar.

― Vale ponto! ― Rebateu, me empurrando de leve.

― Vamos tirar 10 na prova e não vamos precisar desse ponto. ― Rebati, pouco interessada. ― Agora, só estou aqui pela presença mesmo. ― Remexi-me na cadeira, procurando posição mais confortável e enfiei ainda mais a minha cabeça por entre os braços.

Nas horas seguintes, Ruby não me importunou mais.

Quando larguei, mudei o caminho que eu seguia, o da casa de Regina, e fui para a minha, pois, no dia seguinte eu teria curso de Francês logo cedo, e além de meus materiais estarem lá, eu preferia sair da minha casa mesmo.

Assim que abri a porta de casa, senti falta de ser recebida com milhares de lambidas e carinhos de Ava, mas logo lembrei que ela ainda estava na casa da minha professora e eu estava sozinha na casa. Ao fechar a porta, soltei a bolsa no chão e caminhei apressada até o meu quarto. A dor de cabeça estava tão forte que eu me sentia enjoada, mal conseguia manter os olhos abertos e ficar em pé. Parei em frente a cama, que me parecia tão convidativa, tirei as botas e me joguei. Dormir seria o melhor remédio.

Acordei horas depois, sobressaltada, suada e com o coração acelerado. Eu tinha tido um pesadelo, mas não me lembrava como foi. Apenas sei que foi um sonho ruim por causa da sensação ruim que senti assim que despertei. Sentei-me na cama e me espreguicei. O quarto estava completamente escuro e eu me forcei a não deixar minha mente trabalhar e ver o que não devia. Minha cabeça não doía mais e eu já não sentia mais vontade de vomitar. Levantei-me devagar, acendi a lâmpada do quarto. Procurei o meu celular para ver as horas, mas lembrei que ele estava na bolsa, jogada na sala. Olhei para o despertador na mesa de cabeceira e me assustei ao ver que já passava das 10 horas da noite. Eu tinha dormido muito. Era para ter sido apenas um cochilo, o suficiente para aliviar minha dor de cabeça, mas acabei passando direto.

Saí dos meus aposentos, deixando a lâmpada acesa para iluminar um pouco aquela casa que parecia mal-assombrada, e fui até a sala. Peguei minha bolsa do chão e busquei o meu celular, que se encontrava descarregado. Deixei-o carregando e fui para a cozinha. Eu estava com tanta fome que a minha barriga, além de estar falando comigo, pedindo-me para ser alimentada, estava doendo. A última vez que eu tinha comido algo foi no intervalo. Já fazia bastante tempo.

Sem vontade para fazer uma senhora refeição quase 11 horas da noite, preparei três pãezinhos com queijo e geleia de morango, eles eram pequenos demais e eu estava com fome demais, para comer um só, e fiz um copão de leite para acompanhar. Aprendi com minha morena, que tomar leite antes de ir dormir e também quando acorda, faz muito bem. Desde então, tenho tomado bastante. Se meus ossos pudessem falar, eles estariam agradecendo por estarem sendo tão bem cuidados.

De barriga cheia, graças a Deus, lentamente, arrumei a bagunça que fiz na cozinha e fui direto para o banheiro. Eu estava precisando de um banho urgente. Estava pegajosa por causa do suor em excesso devido ao pesadelo.

Já limpinha e cheirosa, minutos depois, caí na cama novamente e deixei que o sono me dominasse.

•§•

Devido ao cochilo, não tão cochilo assim, que dei quando cheguei da escola no dia anterior, acabei acordando cedo demais no dia seguinte. Sem pressa alguma, escolhi algumas peças de roupas no meu guarda-roupa, peguei meus materiais do curso de Francês e enfiei tudo na bolsa, que ficou um peso. Com certeza, mais tarde eu teria dores nas costas e nos ombros. Tomei um banho rápido, a água estava bastante fria e eu não quis demorar debaixo dela, e fui para a cozinha procurar algo para comer.

Antes de sair de casa, mandei uma mensagem para Regina, mesmo sendo muito cedo, explicando o motivo de não ter aparecido na noite anterior após a escola e por que não iria para sua casa agora de manhã, e então saí.

Fui andando pela rua em busca de um táxi e meia hora depois eu estava no centro de Portland. O trânsito estava lento e eu não estava com paciência para ficar dentro do carro, deixando o tempo passar e o valor aumentar, então pedi que o motorista encostasse na calçada e desci. Eu já estava no início da Avenida do prédio mesmo, dava para ir andando tranquilamente.

Quando cheguei em meu destino, vi a minha professora saindo de um carro bastante caro, cheia de pastas e uma bolsa que eu reconhecia muito bem ser da marca Prada. Minha mãe já teve uma daquela. Papai tinha lhe dado em um aniversário. Marian, se me lembro bem do nome, estava ao telefone e parecia bastante empolgada, tagarelando com a pessoa do outro lado. Ela seguiu para dentro do prédio e eu apressei os passos, entrando logo em seguida.

Ao chegar na sala, fingi que não a vi e passei direto para o fundo. Escolhi a cadeira mais escondida que tinha e abri meu caderno. Embora não gostasse dela, eu precisava passar por cima disso e me focar em aprender, senão eu estaria ali, apenas perdendo meu tempo e dinheiro.

Durante a aula, notei que a mulher mexia muito em seu celular e dava vários sorrisos enquanto olhava para a tela. Curiosa como sou, fiquei me coçando para saber com quem tanto ela falava mesmo tendo uma ideia, apesar da probabilidade ser pouca agora, já que ele tinha ido atrás de Regina para reatar o casamento. Evitei olhar diretamente para o seu rosto, evitando o contato visual durante as explicações e anotei tudo que dizia, principalmente as dicas. Eu tinha que admitir: ela era uma boa professora, muito atenciosa e inteligente.

Surpreendentemente, a manhã e consequentemente a aula, passou num piscar de olhos e nós fomos liberados. Ao sair do prédio, presenciei Marian seguir por um caminho diferente ao que tinha deixado o seu carro, e por curiosidade, segui disfarçadamente em sua direção. Ela parou perto de um carro preto que eu conhecia muito bem de quem era, e logo a porta do motorista foi aberta, revelando o meu ex professor de matemática, que saiu do veículo e logo a beijou na boca.

Ao ver aquele agarrado todo entre os dois cheguei em duas conclusões: ou ele queria ficar com as duas novamente, ou ele trata a Marian como segunda opção. Nas duas opções, independentemente dela estar ciente, eu só sinto pena dela.

Fiz meu caminho de volta para a frente do prédio e logo peguei um táxi. No caminho de volta para a minha casa, ao olhar as horas no celular e ver a minha foto de papel de parede, pedi que o motorista desse a volta e me levasse até Boston. Eu iria para a casa da minha avó. Eu estava com saudades da minha velha. Não estava afim de ir para a escola hoje, mesmo sabendo que era o último dia de revisão e seria imprudente faltar, e ter que encarar Regina e sua distância mais um dia, embora seu olhar gritasse saudade, além de presenciar mais um dia do meu melhor amigo dando em cima dela. Aproveitaria a tarde ao lado de dona Eva e meus primos, para relaxar um pouco e esquecer os problemas e as irritações, receber seus maravilhosos carinhos e encher minha barriga de suas gostosas comidas.

Coloquei meu fone de ouvido, abri o aplicativo do spotify e deixei a playlist que Ruby fez com tanto carinho para mim, tocar no aleatório. Fechei os meus olhos e encostei a minha cabeça na janela, escutando os primeiros acordes de “Do I wanna know” de Arctic Monkeys.

Duas horas depois, eu estava na porta da casa da minha avó, esperando ela abrir.

― Meu amor! O que você está fazendo aqui? ― Dona Eva me aperta tão forte em seus braços, que parecia querer me quebrar.

― Eu estava com saudades, vovó. ― Minha voz saiu abafada e ela riu, apertando-me ainda mais. ― Vovó! ― Reclamei e minha velha riu ainda mais.

Após alguns minutos abraçadas, minha velha me solta e eu posso respirar normalmente de novo.

― Emma Swan, hoje é sexta-feira, ainda tem aula para você. ― Fala em um tom sério e arqueia a sobrancelha, claramente tentando me intimidar ― Não deveria estar aqui, mocinha. ― Coloca as mãos na cintura e seu o olhar que me dirige é de censura.

― Eu tom com fome, vovó. ― Mudo de assunto e ela semicerra os olhos. ― Não almocei ainda. ― Faço uma careta e minha avó rir, balançando a cabeça negativamente.

― Vem, entra! ― Abraça-me de lado e beija minha cabeça. Juntas, nós entramos em sua casa.

As horas seguintes foram as melhores possíveis. Meus primos estavam todos em casa e por um momento parecia que tínhamos voltado no tempo, na época em que éramos todos crianças e morávamos com a nossa avó. Fizemos bagunças, demos prejuízo na geladeira e no armário, brigamos, brincamos, brigamos de novo, fizemos mais bagunça, irritamos nossa avó diversas vezes... Foi realmente como voltar no tempo. Contudo, mesmo com toda essa distração, eu não me livrei de pensar em Regina e em nossa situação. Quando meus primos foram embora, pouco antes da hora de eu ir também, vovó me chamou para conversar e eu acabei contando tudo para ela.

― Você precisa tomar a iniciativa, Emma. ― Minha avó disse. Seus dedos brincavam com os meus cabelos. Eu estava deitada em seu colo. Fazia tempo que eu não recebia um carinho daqueles. ― O que não pode, é vocês namorarem e continuarem desse jeito, quase sem se tocarem, quase sem conversarem, quase sem trocarem mais que dez palavras... ― Seu tom deixava claro o que ela pensava da nossa situação e eu concordava. Inadmissível. ― Diálogo é a base de um relacionamento.

Após nossa conversa, acompanhei a minha velha na janta e depois fui embora. Peguei um táxi, coloquei meu fone de ouvido, escolhi a playlist de Ruby novamente, e do jeito que fui para Boston, eu voltei para Portland, porém, processando a minha conversa com dona Eva.

A volta foi mais rápida que a ida. Em menos de duas horas, eu já estava em frente à casa da minha professora, pronta para pôr um fim naquela nossa situação. Fazia duas semanas que estávamos assim e eu não queria ir para a terceira. Como minha avó disse, não era só a Regina no relacionamento, para eu ter que sempre ficar esperando por ela para ter uma conversa. Eu também fazia parte desse relacionamento e tinha tanto direito como dever, de ir atrás também, de falar, de chamar para conversar. Não era só obrigação dela, mas minha também. Eu precisava ter atitude também.

Quando abri a porta, vi Regina deitada no sofá, dormindo com o celular em mãos e a TV ligada. Ava veio correndo fazer festa para mim e nossa euforia no chão acabou por acordar a minha professora, que se levantou de um sobressalto, veio em minha direção com a nítida expressão de preocupação e me abraçou forte.

― Onde você esteve, Emma?

Devolvi o contato, aproveitando-o bastante, e me afastei. Fechei a porta, soltei a bolsa no chão e me encaminhei para o sofá com Ava em meu encalço. Quando me sentei, ela pulou em meu colo e eu a agarrei. Regina se sentou ao meu lado, olhando-me atenta, esperando uma resposta, e por um momento, a sensação que eu tive, é que parecia que estávamos bem e que estávamos ali para contarmos sobre o dia de cada uma para a outra. Naquele momento, não havia resquício de que, antes de eu chegar, estivemos distantes uma da outra por duas semanas.

― Nós precisamos conversar sobre nós. ― Disse, munida de coragem, ignorando a sua pergunta.

Notas finais
Aviso que o motivo da Regina estar assim, afastada de Emma, nada tem a ver com traição, confusão de sentimento ou algo a ver com sexualidade. Nó próximo entenderemos bem, que há alguns dias deixou de ser por causa de conversas inadequadas e intimidade de Emma e seus amigos, para outra coisa. *Do I wanna know: https://www.youtube.com/watch?v=bpOSxM0rNPM Até o próximo!