Next to Me

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Notas iniciais
Esse capítulo é tipo uma continuação do anterior e juntando os dois, eles são capítulos de transição.

Uma nova semana começou, a última antes da semana de provas, e as coisas não mudaram muito. Regina estava me evitando tanto, mesmo estando em sua casa e mesmo com alguns poucos momentos de conversa e uma vez ou outra de intimidade maior, como alguns beijos rápidos de cumprimento ou despedida, que eu comecei a dizer para mim mesma, que estava de castigo.

Em duas noites que fui para a minha casa, para lavar as roupas e trocar os livros da escola, quando eu voltei para a casa da minha professora, fiquei por pelo menos meia hora presa do lado de fora. Eu sentia que era proposital e ela queria tirar onda com a minha cara, mas a desculpa é que do quarto não me ouvia chamar, o que de fato é verdade, de lá não dá para ouvir muitas coisas mesmo, e que, além de não saber que eu estava indo para lá, as duas vezes ela estava longe do celular e não me via ligando. Como eu não queria mais problema para nós duas, eu deixei para lá e aceitei as suas explicações.

Tentei seduzi-la por diversas vezes, como andar de um lado para o outro apenas de calcinha e sutiã, mas tudo que ela fazia, era perguntar por que eu estava andando daquele jeito. Eu lhe dizia que estava com muito calor, quando na verdade até os cabelos do meu nariz estavam congelando. Algumas vezes, até saí de toalha do banheiro e fiquei completamente nua em sua frente, enxugando-me para colocar a roupa, mas ela tinha um autocontrole de dar inveja e nem se mexia. Por várias vezes rebolei mais que o normal em sua frente, para chamar a sua atenção, mas nem parecia que eu existia.

Regina Mills estava me ignorando mesmo, e eu já estava ficando louca. Se o caso não fosse tão sério, eu riria de todas as minhas tentativas frustradas de tentar seduzi-la e diria que estava claramente em um filme de comédia romântica.

Certa vez, quando eu cheguei em sua casa depois da escola, Regina estava, como sempre, em as todas as vezes que chegava primeiro que eu, fazendo o nosso jantar. Ao encontrá-la na cozinha, ousei agarrei-lhe por trás e enchi seu pescoço e ombro de beijos. Apesar de ter se arrepiado e até ter soltado uns gemidos, o que me fez ter esperança, minha morena me afastou delicadamente, dizendo que estava ocupada e que estava naqueles dias e não poderia fazer nada.

Depois dessas tentativas frustradas, eu simplesmente desisti de qualquer coisa, qualquer aproximação maior, e resolvi esperar que ela sentisse minha falta e voltasse ao normal comigo. Uma hora isso teria que acontecer.

Minha morena estava muito estranha nos últimos dias e eu tinha certeza que esse afastamento todo já não provinha apenas de seus desconfortos com minhas conversas e intimidades com os meus amigos. Tinha alguma coisa mais.

Na escola, como tenho feito desde a primeira vez, eu procurava verificar todos os lugares possíveis quando percebia que uma conversa inadequada para os ouvidos de qualquer um, iria começar. Às vezes, até eu ficava constrangida com os meus amigos. Não demorou muito e eu consegui, finalmente, evitar que ela ouvisse qualquer coisa. Sempre que entravamos em assuntos mais picantes, ou eu conseguia mudar a conversa, ou conseguia distrai-los por tempo necessário para que ela se afastasse, ou então saia de perto, inventando desculpas.

O bom disso, é que até evitar suspensão ou coisa pior, eu consegui.

Certa vez, Killian chegou todo animado perto de mim e Ruby, mostrando um vídeo que gravou, enquanto transava com uma garota de outra turma. Após falamos um monte para ele, nossa curiosidade nos traiu e nós assistimos tudo. Depois que terminamos de ver a gravação, eu continuei mexendo em seu celular e acabei encontrando conteúdos que me fizeram rir de sua cara.

— Killian, você tem vídeo Hentai aqui? ― Tive que perguntar porque simplesmente não acreditei no que meus olhos estavam vendo.

— Amor, não precisa gritar para toda a sala ouvir. ― Falou todo envergonhado e tentou tomar o celular de minha mão, porém eu não deixei. Chamei Ruby para perto de novo e voltamos a violar a privacidade de Jones.

Em certo ponto, ficamos tão empolgadas, tirando onda com a cara do Killian, gritando e rindo, que nem percebemos quando Regina entrou na sala. Nossa sorte foi que, com a chegada de Ariel ao nosso lado, tiramos os vídeos e guardamos o celular antes que ela pudesse nos ver. E foi nesse momento que nos livramos da suspensão, pois, foi ao guardar o celular no bolso, que a coordenadora entrou na sala, com sua atenção exatamente em nós.

Nesse dia, o meu mundo foi salvo duas vezes por Ariel, e os de Ruby e Killian, uma vez. Já pensou se a coordenadora soubesse que estávamos vendo pornô na sala? Não daria muito bom.

E quanto à eu e Regina, eu não sabia se meu amor era contra essa coisa de ver pornô ou se não se importava, mas eu me lembro bem que quando eu lhe disse uma vez, tudo que fazia e que via esses tipos de conteúdo na internet, ela ficou horrorizada. De qualquer forma, é melhor prevenir do que pagar para ver. Principalmente nesse caso, que por pouco, a coordenadora nos pegou.

Todavia, apesar de ter conseguido evitar 100% uma das coisas que lhe incomodava, eu não conseguia a outra, embora tivesse diminuído bastante, e até ela tenha me ajudado a evitar também, não ficando muito perto de nós, evitando nosso caminho sempre que podia, ficando mais afastada, me deixando estrategicamente fora de seu ponto de vista em algumas ocasiões... Eu sabia que ela estava me ajudando a evitar porque eu conhecia todos os passos e movimentos de Regina dentro daquela escola, e principalmente suas ações com relação a mim.

Minha professora nunca foi de se sentar em algum lugar que eu ficasse fora de suas vistas, nunca foi de se sentar longe de mim, pelo contrário, minha morena sempre fez questão de me colocar ao seu lado ou ficar ao meu. Sempre que podia, estava perto de mim e de meus amigos e todos os dias fazia os mesmos caminhos por dentro daqueles corredores. Por isso eu sabia que ela também estava ajudando a evitar. Eu agradecia muito por isso.

Contudo, quando não é o diabo que atiça, ele manda o secretário vir no seu lugar.

Além de não conseguir evitar completamente, ficar de muita intimidade com os meus amigos e até com Mary Margareth, quem ela morria de ciúmes e eu desconfiava que era também por causa de nossa amizade, tinha a coordenadora que gostava demais de mim e eu dela, e sempre que nos víamos, rolava um amor que muitas vezes causava um revirar de olhos em minha morena, além de deixa-la enciumada, mesmo que não me dissesse nada. Eu reconhecia os sinais de desconforto em sua expressão, além do revirar de olhos.

Uma vez, estávamos conversando sobre Orlando e mudamos o assunto para parque de divisões. Em certo momento Killian disse que outrora Regina dissera que adoraria ir à roda gigante com ele. Ela participava da conversa, então quando eu ouvi aquilo, procurei seus olhos não escondendo a surpresa pela informação. Por que tinha que ser logo com o Killian, quem vivia dando em cima dela, e logo nesse brinquedo considerado tão romântico? Confesso que eu nem fiquei com ciúme, só triste mesmo, por ela ter escolhido ele em vez de mim. Sei que nosso namoro não é assumido para os outros, mas nós éramos amigas acima de tudo. Por que ele e não a mim? Será que ela estava querendo se vingar do ciúme que tem passado?

Saí da sala por algum tempo, alegando estar apertada para ir ao banheiro e quando eu voltei, ainda estavam no mesmo assunto. Killian, como sempre, todo galanteador dando em cima dela, dizendo o que poderia ser feito enquanto estivessem lá em cima, e Ruby e, por incrível que pareça, Ariel, maliciando cada palavra dita dele.

O sorriso que Regina dava enquanto olhava de um para outro, parecia acanhado e eu fiquei curiosa quanto o motivo. Estaria ela, incomodada com aquilo tudo?

Lembro-me da vez em que conversamos sobre assédio na sala de aula e como ela se sentia com o Killian, a Ruby e outros alunos, dando em cima dela descaradamente.

“― É desconfortante e muitas vezes dá vergonha, raiva e até medo.” Foi a resposta que me deu após falarmos um pouco sobre o assunto.

Voltei a prestar atenção na conversa, eu estava quieta e calada desde que o assunto tinha começado, e meu amigo me surpreendeu quando disse que outro dia tinha escutado a coordenadora dizer que adoraria ir comigo em todos os brinquedos porque eu adorava aventura e ela adorava isso em mim, e ainda acrescentou em tom malicioso que ela adoraria ir na roda gigante comigo porque era um brinquedo bastante alto e ela tem medo de altura, porém se tivesse com alguém como eu, ela não teria medo.

― “Emma, vamos comigo na roda gigante, eu tenho medo de altura.” ― Ariel soltou, imitando a voz dela. Os três riram, eu nem me atrevi a olhar para Regina, embora soubesse que ela não poderia ficar com raiva de mim por uma coisa que eu não tenho culpa, e deram high five em trio.

O que Killian contou foi o suficiente para ativar ainda mais as mentes perversas tanto dele, como de Ruby e Ariel, para me zoarem com a coordenadora.

― Quando ela começar a se tremer a Emma vai ser a salvadora dela. Vai ficar segurando a mãozinha dela até o medo passar. ― Ruby deu continuidade à brincadeira e os três riram mais uma vez, agora mais alto. Eu revirei os olhos.

― “Ai, Emma, me abraça, eu estou com medo. Só os seus braços me trarão segurança.” ― Killian fala, fazendo uma imitação ridícula da voz dela e até do seu jeito de se movimentar enquanto fala.

Os três olharam para mim, esperando alguma resposta.

― Vão se foder! ― Soltei devagar, com a expressão mais fechada possível, tentando demonstrar o quanto eu não tinha gostado daquilo, que aliás, nem foi por Regina, foi por não ter gostado mesmo, mas tudo que eles fizeram, foi gargalhar. Escondi o rosto em minhas mãos, balançando a cabeça negativamente.

O sinal tocou, finalizando a aula e a conversa, e eu não poderia estar mais agradecida. Descobri o meu rosto novamente e me vi sozinha. Todos já tinham se levantado e Regina já estava em sua mesa, recolhendo o seu material. Levantei-me também, pensando em ir atrás dela, que já saia da sala, mas desisti no segundo seguinte ao perceber que seria perda de tempo, porque provavelmente eu seria ignorada e mandada de volta para a aula e porque eu não tinha nada para falar. E mesmo se tivesse, a escola não era o lugar mais adequado para conversar, a menos que fosse para conversar besteira.

No dia seguinte, eu cometi uma grande gafe com Regina e até pensei, novamente, que em consequência disso, as coisas iriam melhorar.

No fim da aula de Gramática, Killian, Ruby e eu, inventamos de brincar de pula mula no corredor do banheiro por ser o maior, o mais perto de nossa sala e consequentemente dar tempo corremos para lá, caso a diretora nos visse pela câmera e viesse dar bronca.

Ruby era a mula e estava de quatro no chão, eu estava na entrada do banheiro, pronta para correr, e no fim do corredor estava Killian, que me seguraria no braço depois que eu pulasse Ruby. Preparei-me e corri o mais rápido que pude, dando de cara com Ariel, que apareceu sabe-se lá de onde, que me impediu de pular, jogando-se em mim e me empurrando em cima de Ruby. Nós três caímos no chão e Killian ainda se jogou por cima de nós, gritando ‘’montinho’’. Rimos muito e voltamos para as posições iniciais. Esquecendo-me de como sou desastrada, inventei de voltar correndo de costas para a entrada do banheiro e colidi com força em alguém. Nós só não caímos por causa da parede que nos amparou.

Quando me virei, torcendo para que não fosse a diretora ou alguma aluna que eu nem falasse direito, dei de cara com Regina de olhos fechados e com uma mão na cabeça, esfregando-a. Apesar do impacto forte, suas coisas, que machucaram minhas costas, não chegaram a cair ao chão.

Sentindo meu rosto esquentar pela vergonha que passei, abracei minha morena e afaguei com carinho o lugar onde ela estava com a mão. No fundo, apesar da vergonha, eu agradeci por ter sido ela em vez das outras opções que eu pensei.

— Desculpa, meu amor, eu não sabia que você estava aqui. ― Sussurrei em seu ouvido.

Ao fundo, eu escutava os meus amigos rindo da desgraça alheia.

― Tudo bem! ― Ela sussurrou de volta, segurando a minha mão que lhe afagava, por alguns segundos, e a apertando. Aquele simples ato fez o meu coração se aquecer.

Naquele momento, eu tive certeza absoluta que o nosso afastamento já não era mais por causa de conversas inadequadas ou muita intimidade com os meus amigos, embora tivessem sido os motivos do começo. Tinha algo mais. Definitivamente, tinha algo mais e eu precisava saber o que era.

Beijei o seu rosto, eu dava graças a Deus por sermos tão amigas que um ato como esse era normal entre nós e não causava estranheza e pensamentos errôneos em quem visse, e a soltei do abraço. Regina abriu os olhos, que estavam um pouco marejados, e deu um sorriso. Um sorriso fraco, mas sincero, que mais uma vez aqueceu o meu coração, e foi embora.

Quando passou por Ruby, que ainda estava de quatro, falou entre gargalhadas. ‘’Cuidado com essa posição a quarta, Lucas’’ No mesmo instante, minha amiga se levantou sem graça e foi a minha vez de gargalhar.

Voltamos para as posições iniciais para continuar a brincadeira, mas a coordenadora apareceu dando bronca em todo mundo, dizendo que o Sr. Gold já estava em sala, passando sua revisão e nos relembrando que na semana seguinte começariam as provas.

Enquanto eu olhava Regina ir embora, já no fim do corredor, só torcia para que nossa crise passasse e nós voltássemos ao normal. Eu estava com saudades e sei que ela também estava.

Notas finais
Até o próximo, mores! Lembrem-se: no fim, tudo vai dar certinho. :D