Next to Me
5 Next to me - 5
Notas iniciais
No dia seguinte, eu chego atrasada na escola e por isso, vou correndo para a sala em vez de ir ao banheiro. Por sorte, a primeira aula era de matemática, e como David era o professor, era tranquilo. Com ele não tinha essa bronca de chegar atrasado e receber repreensão, então não teria problemas por chegar depois do horário.
Assim que entro na sala, dou de cara com ele em pé, escrevendo algo no quadro. Rapidamente as lembranças do meu sonho vieram à mente. Fiquei parada, na porta, olhando para ele indiscretamente, tentando imaginar se era realmente como no sonho.
Fui despertada do meu transe, pelo próprio chamando minha atenção. Eu já estava encarando onde não devia.
— Swan? — Chamou-me, balançando a mão de um lado para o outro em minha frente. — Algum problema? — Escutei perguntar e o vi dando aquele sorriso charmoso, tocando-me o braço para tentar novamente, obter a minha atenção. Eu conseguia ouvi-lo e vê-lo, mas tudo que vinha na minha mente era sua imagem de cueca boxer e outras coisas mais. — Emma? — Chamou-me novamente. Balancei a cabeça rapidamente para esquecer as imagens do sonho e fixei meu olhar no seu.
— É... — Pigarreei e sorri sem graça. — Oi? — Ele arqueou a sobrancelha, curioso. — É... Não... Não tem nenhum problema. ― Consegui dizer. ― Eu só estava tentando lembrar se tinha algo importante seu, para hoje. — Dei a primeira desculpa que veio na mente.
— Hum... ― Murmurou, parecendo acreditar. ― Bem, não tem para essa, mas tem para a próxima.
— Ah, sim! Esse eu não estou esquecida. — Ele sorriu para mim e apontou para o quadro. Logo entendi seu recado e fui para o meu lugar, perto de Killian, Ruby e Ariel.
Quando me acomodei melhor na cadeira, olhei para os meus amigos, que conversavam baixinho, e me lembrei do sonho que tive.
Será que eles também tiveram sonhos com a Regina?
Será que foi real o que aconteceu no meu sonho? Que Regina, depois de mim, ainda ia para os sonhos de Killian, Ruby e Ariel? Ou será que era apenas paranoia minha?
Não... Claro que não é real... Não tem como ser. Isso foi apenas um sonho. Nada mais. Definitivamente foi minha imaginação fértil.
Tentei esquecer esse assunto, mas meu consciente, curioso do jeito que é, ficou me incomodando para querer saber sobre os sonhos dos outros. Ele só me deixaria em paz se eu fizesse a pergunta, só para ter a certeza que o que aconteceu no meu sonho, não teria como acontecer de verdade e que foi só isso. Um sonho. E não fazia sentindo algum, ser real, a Regina indo no meu sonho e dizer que tinha outros para ir. Isso é vida real, não Bob Esponja.
Como eu não conseguiria me livrar dessa agonia, respirei fundo, pensando na melhor forma de conseguir o que quero, e decidi começar pelo Killian.
— E aí, Killian, teve mais algum sonho no estilo Xvídeos com alguém? — Tento soar indiferente para ele não desconfiar de nada. A ideia era parecer apenas uma pergunta casual.
— Tive, mas dessa vez não foi Xvideos e sim um Redtube. — Meu coração acelerou, mas me segurei o bastante que pude para não demonstrar nenhum abalo.
— Redtube é melhor que Xvideos? — Indaguei, realmente curiosa. Para mim era tudo a mesma coisa. Plataformas cheias de vídeos bons e ruins de sexo.
— Eu acho. ― Ele respondeu. ― A qualidade de imagem é maravilhosa.
— Certo, e com quem foi? — De forma disfarçada, escondi minha mão direita atrás de mim e cruzei os dedos.
Que não seja Regina. Que não seja Regina.
— Uma loira linda, gostosa, de olhos verdes como esmeraldas, e que tem peitos e coxas maravilhosas. — Sorriu malicioso e eu suspirei aliviada por não ter sido a Regina.
— E essa loira é...? ― Eu quis saber, realmente curiosa.
— Você, ué... — Soltou um beijo para mim. Eu? Arregalei os olhos surpresa. O Killian sonhou comigo? Eu estive tão preocupada em saber que não tinha sido a Regina, que nem percebi que ele tinha, do jeito dele, me descrevido. — Por acaso tem outra loira assim que eu conheço? ― Volta a falar, chamando a minha atenção.
— Vai saber... ― Dei de ombros, mas só para irritá-lo. ― Não conheço todas as suas amigas. — Ele fez um biquinho adorável.
— Você é bem gostosa, hein... — Deu uma piscadela. — Nunca imaginei que fosse isso tudo. Apesar de naquela vez ter sido muito bom... — Dei um murro em sua perna. — Ai... Estou brincando... Não sonhei com você, mas não seria ruim se isso acontecesse. — Mostrei meu dedo do meio para ele. — Agora respondendo a sua pergunta de verdade, eu tive uns três sonhos essa noite, porém não foram pervertidos. — Juntou as mãos como se fosse fazer uma oração e completou: — Fui um santo esta noite.
Respiro aliviada. Jones realmente não sonhou com ela. Menos um. Agora faltam Ruby e Ariel.
— Ei Ariel... — Chamei sua atenção. — Você é sempre tão calada, tão santinha... — Provoco. — Você nunca tem sonhos pervertidos?
— Eu não sou quietinha e muito menos santa. — Rebate, irritada. — Eu tenho sim, sonhos pervertidos. — Arqueei a sobrancelha e abri um sorrisinho. Era isso mesmo que eu queria ouvir. — Só não conto para vocês. — Olhou de mim para Killian, que sorria, e Ruby, que já para provocar, colocou uma mão em sua coxa e começou a acariciar. — Essa noite eu nem lembro se sonhei, senão eu contaria caso fosse safado, só para calar a boca de vocês três. — Concluiu, fazendo um bico de irritação e dando uma tapa na mão de Ruby, que subia cada vez mais.
Pronto! De modo disfarçado, eu acho, consegui saber mais um. Ariel e Killian já foram. Só falta agora, a Ruby. Talvez ela seja mais fácil. Ou não.
— E você Ruby? — Dou uma tapa em seu braço.
— Ai, loira, isso doeu. — Reclama e começa a passar a mão no local da tapa. Reviro os olhos. Nem foi tão forte assim. — Eu tive um sonho essa noite, bastante pervertido, e foi com alguém daqui da escola. — Conta com um sorriso malicioso. Meu sangue gela e meu coração acelera consideravelmente.
Será que foi com Regina? Será que tem ligação com o meu, mesmo não fazendo sentindo e sendo impossível? Sei lá, nunca se sabe. Mas espero que não.
— E com quem foi?
— Com o gostoso do David. — Dou mais um suspiro aliviado naquela tarde. — Ele é uma maravilha na cama. — Balanço a cabeça negativamente enquanto sorrio. — Ao menos no meu sonho é. — E então passa a encarar o nosso professor que está sentando em sua mesa, escrevendo algo em seu caderno de classe.
Então, pelo jeito, apenas eu sonhei com a Regina essa noite. Ainda bem! Mesmo que seja só em sonho, eu não gostaria de saber que eles tiveram algum sonho erótico com ela.
— E você, Emma, não vai nos contar se tem sonhos assim e com quem é...? — Indagou Killian, tirando-me de meus devaneios.
— Ter, eu tenho, mas vocês não saberão com quem é... Desculpem-me. — Dei um sorrisinho. Eu até poderia falar sobre David, mas isso poderia acabar me levando a falar de Regina, e eles não poderiam saber que a pessoa com quem tive o sonho, é a Regina. Não mesmo.
— Ah Swan, qual é? — Reclamou Killian, dando-me um empurrão. — Que injustiça.
Quando resolvemos copiar o que David colocara no quadro, o sinal toca, indicando o fim da aula. Olho no livro e vejo que a próxima aula será a de Regina. Resolvo trocar de lugar e sentar em uma cadeira que eu fique de frente para ela e de frente para os meninos.
Alguns minutos depois, ela adentra a sala. Sem olhar para os lados, coloca suas coisas em cima da mesa e senta-se em sua cadeira. Abre sua bolsa de trabalho, sim ela tem duas, e tira de dentro, algumas folhas. Em seguida, pede para abrirmos o livro e resolvermos algumas questões.
Minutos depois, assim que termino de responder, passo a resposta para Killian, Ruby e Ariel. Quando também terminaram, resolvemos conversar de forma baixa para não atrapalhar os outros que ainda estavam respondendo a atividade.
Entre vários assuntos que conversávamos, Ruby trouxe o sexo. Era sempre ela quem começava.
— Ei Swan, se você tivesse transando com alguém, deixaria fazer sexo oral? — Killian quem me perguntou.
— Dependendo da pessoa e do momento, eu deixaria sim sem nenhum problema. — Ao olhar para Regina vejo que ela já me observava e que seu olhar era surpreso. Entendi então, que ela estava o tempo todo prestando atenção na nossa conversa, mesmo sem olhar.
— Sexo oral é bom demais, e bem feito é melhor ainda. — Ele afirma e eu concordo. — Dizem que eu sou uma maravilha fazendo. — Gaba-se, arqueando a sobrancelha e sorrindo. — Se quiser comprovar... — Faz uma reverência.
— Eu sei bem que é bom e que você também é bom no que faz. — E mais uma vez Regina me olha, dessa vez com uma expressão fechada, como se tivesse ficado com raiva.
― Eu iria completar com “mais uma vez.” ― Ele reclama.
― Quem sabe um dia eu deixo você provar novamente. — E Regina direciona mais uma vez a sua atenção para mim, agora com a expressão muito mais fechada que antes... Com certeza não deve ter gostado de ouvir isso. Eu só me pergunto o porquê, se não temos nada. Mas só assim para ela me olhar.
— E você prefere depilado ou tipo a Mata Atlântica? — Ao fim da pergunta, solta uma gargalhada.
— Que nojo, Killian. — Faço uma cara de nojo. ― Com um pouco de cabelo não tem problema, mas eu prefiro tudo depilado, é claro.
— E o seu é?
— Mas é claro que é... ― Respondo em tom de obviedade. ― Não tem um pelozinho sequer. — Olhei novamente para Regina, realmente procurando o seu olhar, já que eu sabia que estava escutando tudo, e vi um sorrisinho se formando em seus lábios. Sentindo-me envergonhada, abaixo a cabeça e volto a olhar para os meninos.
Conversamos mais algumas bobagens até o término da aula. Assim que tocou o sinal e Regina saiu da sala, levantei-me rápido, antes que Gold chegasse, e fui atrás dela, que tinha entrado na sala dos professores.
Entrei silenciosamente na sala e Regina só me percebeu ali quando eu tranquei a porta e me encostei à mesma para impedi-la, caso queira fugir.
Meu coração estava acelerado.
— Ei... O que está fazendo aqui? Gold já deve estar indo para sua sala. Vai perder a aula de Física? — Sua voz saia em um tom baixo e calmo, mas pude perceber que também estava nervosa.
— Eu vim aqui para falar um pouco com você. Gold não chegou na sala ainda e eu não me importaria de perder alguns minutos da aula de Física. — Dei de ombros. — É muito chata! — Dei um sorriso fraco e ela me acompanhou. — Por que esses dias você não falou comigo? Está com raiva de algo? — Não era isso que eu queria perguntar, mas resolvi ir com calma. Não queria que ela pensasse besteira de mim caso o que houve tenha sido um acidente ou qualquer outra coisa.
— Desculpa não ter falado com você esses dias. Estou muito ocupada. — Virou-se para uma estante de livro que tinha atrás de si e pegou um. — Aliás, preciso ir, tenho aula em outra sala e já estou atrasada.
— Gina, eu quero conversar com você, eu estou com saudades. — A contragosto, saio da frente da porta para que ela destranque e possa passar. Infelizmente, eu não poderia segurá-la ali.
— Ei sei, Em, mas agora não dá. Desculpa! Depois conversamos. — Pega a bolsa que estava em uma cadeira ao lado da porta e segue em direção à saída. — Agora eu tenho que ir. Tchau! — E então se vai, sem nem ao menos me dar um beijo como sempre fazia. Sem falar que ela estava bastante estranha.
Sem ter mais o que fazer, saí da sala dos professores, dei uma passeada na escola, fui ao banheiro e no bebedouro e depois segui para a sala de aula, para tentar assistir a aula chata de Física.
•§•
Mais um dia termina e eu volto para casa sem conseguir conversar com Regina.
E o resto da semana se seguiu da mesma forma.
Sempre que eu tentava uma aproximação como a da sala dos professores, ela conseguia escapar dando algumas desculpas. Estava sempre fugindo de mim. Sempre que eu chegava perto e pensava que iria conseguir, ela sumia.
•§•
Mais uma semana se inicia.
Hoje faz três anos que meus pais viajaram para o Canadá e me deixaram morando sozinha, aqui em Portland. Desde então, nosso contato tem sido apenas por ligações e Skype.
Como eu aprendi a me cuidar muito cedo, não houve problema entre nós, para eles me deixarem com 15 anos, morando sozinha. Porém, claro que por aí, pela rua, ninguém sabia. Era algo irresponsável. Se soubesse, seria problema na certa. Como meus pais, quando ainda moravam comigo, saiam cedo para trabalhar e voltavam apenas quando estava escuro, os vizinhos não os viam com frequência, então, nunca perceberam que eles já não moravam mais comigo.
Eles sempre mandavam alguém da família vir me olhar, quase sempre era a minha avó Eva, que já nem esperava mais pelos pedidos deles e vinha quando queria, na verdade, apenas três vezes quem veio em seu lugar foi um dos meus primos, o mais velho, e me mandavam dinheiro todo mês enquanto eu não começasse a trabalhar.
Diferente do ano passado, esse está ainda mais triste, pois no ano passado, quando chegou essa data, Regina passou a noite inteira comigo, distraindo-me para eu não ficar muito para baixo. No ano anterior, o primeiro ano que passei sem eles, minha avó veio ficar comigo, e só não veio no ano seguinte porque Regina estaria comigo.
Mas desta vez ela não estaria comigo.
Quando cheguei na escola, fui ao encontro de Killian e o avisei que não estava com vontade de assistir as primeiras aulas e iria para um lugar que eu costumo ir quando estou muito triste. Uma laje inacabada que tem nos fundos do colégio, perto das caixas d’águas. Um lugar que ninguém costuma ir e poucos sabem da existência. Ele perguntou o motivo e eu disse apenas que queria ficar um pouco só.
•§•
Eu estava sentada perto da ponta, em cima da laje, com a foto dos meus pais na mão, chorando um pouco, fazia cerca de uma hora, quando alguém chega por trás de mim, me abraçando e se sentando, colocando as pernas ao meu redor e me abraçando ainda mais.
Logo reconheço aqueles braços e o abraço que recebo. Olho para trás e dou de cara com Regina com um olhar triste também.
— Como sabia que eu estava aqui? — Volto a olhar para frente e Regina encosta sua cabeça de lado da minha, olhando para frente também.
— O Sr. Jones me disse quando fui perguntar por você. — Sussurra. Ela perguntou por mim?
— Por que veio?
— Porque sei que você precisa de mim neste momento, assim como precisou nos outros também. — Responde-me e dá um beijo em minha bochecha molhada de lágrimas.
Lembro-me então do '’beijo'’ daquele dia e resolvo criar coragem para perguntar. Não queria mais fugir deste assunto e esse me parecia um ótimo momento para isso.
— Aquele beijo no canto da minha boca, no primeiro dia de aula, foi proposital? — Viro-me para encará-la novamente.
Ela não responde. Respira fundo, olha para frente e depois torna seu olhar para mim, encarando meus olhos e começando a se aproximar lentamente. Comecei a ficar nervosa. Compreendi o que aconteceria a seguir, fechei os olhos e esperei acontecer.
Então, de forma leve e suave, seus lábios tocam os meus.
Ao sentir sua boca na minha, sinto o sangue gelar, minha pele se arrepiar, minha respiração acelerar e minhas mãos começarem a suar frio.
Eu esperei tanto por aquilo e não sabia disso até o momento.
Mas não foi apenas eu que fiquei nervosa. Quando nossos lábios se encostaram, eu senti que Regina também respirava de forma pesada. Ela também estava nervosa com a situação.
De repente, sinto sua mão tocando minha nuca e puxando-me para mais perto, começando então, a aprofundar o beijo. Começo a sentir sua língua encostando-se à minha e depois passando por toda a minha boca. Deixando o nervosismo de lado, começo a explorar aquela boca tão quente e de lábios macios.
O beijo era lento e cheio de carinho. Cada vez que nossas línguas se encontravam, um choque era sentido em minha barriga, que reverberava por todo o corpo.
Foi quando senti sua língua tocar a minha novamente, que a minha ficha caiu. Eu estava beijando Regina. Minha professora e amiga.
Finalmente consegui o que tanto queria desde o momento que ela me beijara no canto dos lábios, me deixando com um gosto de quero mais.
Agora sim estava sendo um beijo de verdade.
Eu estava adorando aquilo. Minha vontade era de morder aqueles lábios tão deliciosos. Nunca imaginei que fosse tão bom. Estava sendo muito melhor do que eu imaginei e sonhei.
Todavia, o que é bom dura pouco e o beijo teve que ser interrompido para que pudéssemos recuperar o fôlego.
Regina abre seus lindos olhos e me encara, sorrindo. Um sorriso lindo, por sinal.
— Acho que isso deve responder. — Sussurra, olhando-me intensamente. Era como se ela pudesse ver até a minha alma.
Sem conter o impulso, aproximo-me novamente e toco seus lábios de novo, agora de forma mais intensa. O momento estava muito bom e eu não queria parar. Queria passar o dia todo ali, nos braços dela, beijando-a.
De repente, um barulho oco e que fez um grande eco, chama a nossa atenção, fazendo encerrarmos o beijo. Regina me olha com uma expressão assustada e de dor. Abre a boca bem devagar como se fosse dizer algo, mas não fala nada.
Eu olho para os lados e não vejo nada que possa ter feito aquele barulho todo. O que será que foi isso?
Fale com o autor