Next to Me
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Notas iniciais
Voltei para a sala como se nada tivesse acontecido, escondendo os pequenos arranhões em minha mão, e fiquei conversando com os meus amigos até o professor da próxima aula entrar.
Eu tentava esquecer que teria problemas quando chegasse em casa, mas cada vez que eu olhava para o quadro ou para a mesa do professor, eu me lembrava de Regina e de sua expressão dura. O nervosismo estava me consumindo.
Ainda tivemos aula de David, de Gold de novo e duas de MM.
Na penúltima aula, Regina apareceu na porta da sala, pediu licença para Mary, chamou-me do lado de fora e me avisou que estava indo para a casa dela, porque tinha passado muitos dias fora e precisava fazer algumas coisas por lá.
Quando enfim fomos liberados, meus amigos me arrastaram para uma lanchonete e me fizeram comer dois hamburguês e um milk-shake. Apesar de ter sido obrigada, não reclamei. Meia hora depois, despedimo-nos e seguimos nosso caminho.
Segui para a minha casa e quando entrei, quase tive um troço por não ver Ava em lugar algum. Todavia, fiquei tranquila quando, ao pegar o celular para ligar para Regina e perguntar da minha morena, vi sua mensagem dizendo que Ava estava com ela.
Tomei um banho rápido, soltando uns gritinhos pelo contato da água com os arranhões em minha mão, e logo já estava na rua de novo, dessa vez, seguindo para a casa da minha professora.
Enquanto estive com meus amigos, até que esqueci o que me esperava quando chegasse, fiquei tranquila, me distrai e me diverti. Mas agora, todo o nervosismo, a ansiedade e o medo, estavam presente novamente. Se acontecesse alguma coisa que me impedisse de ir para lá hoje, eu não reclamaria.
Quando cheguei, as luzes da casa, exceto as da cozinha, estavam apagadas. A portava estava destrancada, então entrei. Na penumbra, enxerguei minha morena, que não perdeu tempo em pular em mim e me pedir colo. Mas em vez de pegá-la, abaixei-me até sua altura e a agarrei como se fosse um ser humano.
— Meu amorzinho... ― Minha voz saiu completamente infantil. Em resposta, minha pequena começou a lamber o meu rosto. Era a sua forma de dizer que estava com saudade. Enchi-a de beijos e me deitei no chão com ela, me sentindo outro cachorro. Quando a festa da minha pequena acabou, ela correu para a cozinha e eu a segui.
Minhas mãos suavam frias, estava até cheia de pelos, e meu coração só faltava sair pela boca.
— Rê... ― Sussurrei assim que a vi apoiada no balcão, cortando carne. Ao seu lado, uma pequena caixa de som reproduzia um jazz suave, trazendo tranquilidade para o lugar. Ela me olhou, abriu um sorriso que não parecia falso, e desligou o aparelho.
― Você demorou... ― Parou o que fazia e se encostou de lado, me observando. ― Pensei que tivesse se perdido no caminho. ― Vem até mim rapidamente e eu contenho a vontade de literalmente correr, apenas escondo a minha mão arranhada atrás de meu corpo para ela não ver. Estava tudo sendo muito estranho. Eu sabia que ela estava irritada comigo, no entanto, estava agindo normalmente, sorrindo para mim, e ainda estava com uma faca enorme na mão, como se não tivesse acontecido nada. Claro que eu sabia que Regina não faria nada comigo. Ela não é e nunca foi violenta, também nunca agiu com violência comigo, com Robin ou qualquer outra pessoa, também nunca fez nada do tipo comigo, com ele ou qualquer um, nunca nem me tratou mal, mas eu estou nervosa, tomei um susto com sua aproximação repentina. Meu amor beija meus lábios e volta para a posição de antes.
― Você poderia, primeiro, soltar esse objeto cortante? Ele é muito perigoso. ― Pedi, apontando para o facão, que parecia muito bem afiado, fazendo graça para esconder um pouco o meu nervosismo. Mais uma vez, é claro que ela não iria me machucar, ainda mais com uma faca, ou me fazer qualquer outro mal, mas acidentes acontecem. Já pensou se tudo esquenta entre nós? Seja do jeito bom ou do jeito ruim? O diabo gosta muito de atentar e aproveitar as oportunidades, minha avó sempre me disse. É melhor prevenir.
― Besta! ― Diz, claramente levando na esportiva. Minha professora balançou a cabeça negativamente, sorrindo, e soltou o objeto em cima do balcão.
― Obrigada! ― Agradeci verdadeiramente. Vendo que tudo estava mais seguro, tive coragem para me aproximar mais, mas ainda mantendo uma distância segura. Era ridículo eu estar agindo como se Regina fosse uma mulher louca e agressora, que fosse me bater ou me matar a qualquer momento, mas o medo fazia coisas incríveis comigo. ― Bem, sei que você não perguntou, mas, eu demorei porque Killian, Ruby e Ariel me arrastaram para uma lanchonete e depois de lá eu ainda fui em casa.
― Então você não vai jantar? ― Seu tom parecia realmente decepcionado. ― Que pena! ― Exclamou, fazendo um pequeno bico. ― Eu fiz comida para nós duas. ― Apontou para a mesa e só então eu percebi que já tinha algumas coisas prontas.
― Não se preocupe, não vai se perder. ― Olhei com desejo para a bonita salada, bem colorida, que só esperava ser comida. Eu quase podia vê-la pedindo por isso. ― Eu estou com fome novamente.
Ficamos alguns minutos em silêncio, que eu achei muito incômodo, olhando uma para a outra.
― Regina, por que você está agindo assim? ― Soltei. Regina estava fazendo um jogo comigo e eu estava cansada daquele fingimento de que tudo estava bem entre nós. Eu sei que não estava. Ela também sabia disso.
― Assim como, Emma? ― Franze o cenho e eu arqueio a sobrancelha e semicerro os olhos. Não acredito que Regina estava fingindo-se de besta.
― Você sabe bem do que eu estou falando. ― Cruzo os braços.
Ela me observa por alguns segundos mais e começa andar de um lado para o outro na cozinha.
— Você e o Jones já transaram? ― Pergunta de repente e eu sinto meu sangue gelar. A conversa que eu estava com medo e que ela parecia estar adiando, tinha acabado de começar.
Suspirei pesadamente, tomando coragem para responder. Eu não esperava por aquela pergunta. Não esperava por aquele assunto. — Nós... ― Desvio o olhar do seu. ― Já... ― Falo baixinho. — Mas já faz muito tempo e só foi uma vez. ― Expliquei antes que ela falasse algo mais ou chegasse a conclusões erradas.
Volto a lhe observar e Regina balança a cabeça, assentindo, mas não diz nada. Volta a mexer na carne, mas logo para novamente.
― Você vai para a tal festa que a Srta. Lucas chamou?
― Eu não estou com interesse em ir. ― Dei de ombros. Eu realmente não estava com vontade de ir. ― Mas se tiver outra, não há problema em eu ir, não é? ― Perguntei hesitante. A última coisa que eu queria era brigar com Regina para poder ir em uma festa. Já tínhamos problemas demais para ter mais essa divergência. Sem falar que não seria nada legal para ela e para nós, ser esse tipo de namorada, que fica proibindo de ir para os lugares.
― Se me prometer não voltar como da outra vez, pode ir para quantas festas quiser. Eu só não quero que você deixe de ir para a escola no dia seguinte. ― Suspirei aliviada com sua resposta, feliz por ela não ser esse tipo de pessoa, em minha opinião, controladora, desconfiada e abusiva.
― Tudo bem! A situação fugiu do controle naquele dia. Foi algo atípico. Só aconteceu porque nós tínhamos brigado e eu não sabia como lidar com isso. ― Eu ainda tinha vergonha do que aconteceu. Acho que teria para sempre. ― Mas geralmente, eu só costumo ir para essas festas para comer e beber de graça. ― Ela ri e eu a acompanho, aliviada pela conversa estar ficando mais leve e tranquila. O medo que eu estava sentindo antes, já não existia mais. ― Antes eu fazia mais algumas coisas, você sabe... ― Digo em um tom mais baixo e vejo sua sobrancelha arquear-se. ― Mas agora...
― Só para deixar claro: você não precisa ter a minha permissão para ir para qualquer lugar, Emma. Eu só agradeceria se você me avisasse antes.
― Claro!
Ficamos em silêncio e eu acredito que nossa conversa acabou e que tudo está bem de novo. Regina dá continuidade ao que fazia e eu vou até a geladeira, encho um copo com a água gelada e tomo tudo de uma vez. Quando coloco o copo na pia e olho para ela, que estava um pouco sorridente, provavelmente se lembrando de algo, lembro-me de mais cedo, mais necessariamente do momento que Killian chegou na sala.
― Eu não gostei de te ver toda sorridente para o Killian hoje enquanto ele dava em cima de você. ― Quebrei o silêncio. Minha morena para por alguns instantes, mas não me olha. ― Ele é meu amigo e eu também sei que você não permitiria que nada acontecesse entre vocês, mas eu fiquei com ciúme. ― Confessei.
― Eu posso dizer o mesmo sobre vocês dois... ― Ela me olha de canto. ― Aliás, não foi só do agarrado de vocês que eu não gostei. Aquelas suas conversas com os seus amigos... ― Balança a cabeça negativamente e fecha os olhos por breves segundos. ― Eu sei que foram eles que puxaram o assunto, mas você não tentou mudar, você entrou na onda e surfou para o fundo junto com eles... ― Seu tom parecia decepcionado e eu me senti mal com isso. ― Não é legal você ficar ouvindo sua namorada conversar pornografias com os amigos, sabe? Ainda mais quando ficam dizendo que ela adora um pênis grande e grosso. ― Senti minhas bochechas queimarem e arregalei os olhos, envergonhada. Filha da mãe, Ruby!
― Você escutava as conversas de antes também? Eu sempre quis saber. ― Questionei, realmente curiosa. Ela nunca falou algo a respeito antes, mas eu sempre suspeitei que sim.
― Eu sempre ouvi tudo. ― Responde, confirmando minhas suspeitas e me deixando ainda mais envergonhada. — Seria pedir muito, você não ter mais esses tipos de conversa com eles? ― Vira-se para mim. ― Seria pedir muito, você parar de ficar de agarrado, principalmente com o Sr. Jones?
Regina estava com ciúme de nós? Por mais que role muita sacanagem entre mim, ele e Ruby, principalmente com conversas, há bastante tempo não existe mais a possibilidade de eu ter qualquer coisa com eles dois, ainda mais agora que eu estou com ela.
― Você está com ciúmes de mim e do Killian? ― Externei meus pensamentos, um pouco confusa. ― Ele é só meu amigo e nada mais que isso. ― Deixo claro.
― Amigo que você já transou! ― Rebate rapidamente. ― Além do mais, ele é muito mulherengo, bonito e sedutor. É claro que eu estou. ― Acrescenta em tom de obviedade.
― Você não confia em mim? ― Indaguei, por um momento me sentindo realmente ofendida. Eu não podia acreditar que estávamos tendo aquela conversa.
― Não é isso, Emma... É só...
— Você sabe que eu não seria capaz de te trair, não é? ― Voltei a perguntar, bastante preocupada, interrompendo-a e ela assente, tranquilizando-me.
― É apenas desconfortante ver a sua namorada agarrada com outra pessoa que nem sabe que é comprometida e ainda já foi para cama com ela. ― Murmura, parecendo mais falar para si do que para mim. ― Eu não estou te pedindo muito, sabe? Só quero que pense no meu lado também.
— Você não vai esquecer isso mesmo, não é? ― Ela nega e eu dou um sorrisinho, mesmo a conversa sendo tensa. Regina nunca esquecia as coisas. — Antes você não tinha ciúme dos meus agarrados com eles. ― Comento, arqueando a sobrancelha e cruzando os braços. Aquela informação era nova para mim.
— Na verdade, eu sempre tive, só não contava. ― Confessa baixinho, em um tom envergonhado.
― Sério? ― Questiono, pasma e ela assente. Se eu já estava surpresa por saber que ela tinha atualmente, fiquei ainda mais por saber que ela já tinha há bem mais tempo e eu nunca soube e nem mesmo percebi. ― Bem, como você me pediu, não é difícil parar com as conversas, mas diminuir essa nossa intimidade, é bem mais complicado.
― Por que? ― Franze o cenho.
— Rê, se eu mudasse a forma de agir com eles agora, eles iriam estranhar e eu não iria nem poder dizer o motivo.
Ela fica em silêncio por alguns segundos, com certeza julgando se eu tenho razão ou não.
― Eu entendo... ― Murmura. Seu tom parecia cansado. ― Mas você poderia pelo menos diminuir... ― Suspira pesadamente.
— Isso só acontece quando estou brigada com eles, que não é o caso. ― Minha morena fecha os olhos e balança a cabeça negativamente. — Não depende só de mim, mas eu posso tentar não fazer isso na sua frente. ― Sugiro, tocando em sua mão apoiada em cima do balcão, não com a minha mão arranhada para ela não ver, e sua expressão me diz que ela não gostou muito da ideia. Eu a entendo bem. Em seu lugar, eu também não gostaria. Mas as coisas não são tão simples assim. Do jeito que meus amigos são e do jeito que eu sou com eles, qualquer coisa que eu fizesse diferente, seria duramente questionada e poderia até dar em briga, assim como é o contrário, quando eles fazem algo e eu ajo do mesmo jeito. ― Eu entendo o seu lado, mas tente entender o meu também, eu não posso simplesmente parar de ser assim com eles, sabe? Vai levantar muitas suspeitas e vai ser um problema muito grande... ― Minha professora me olha firme por alguns segundos. Seu olhar é triste e aquilo me parte coração, primeiro por ele estar assim e segundo por eu ser a culpada. Nós deveríamos ter tido esse tipo de conversa antes dela voltar para a escola e não agora, depois do que já aconteceu. Evitaria muita coisa, inclusive esse momento agora.
― Nós deveríamos ter falado sobre isso antes... ― Diz, como se tivesse lido meus pensamentos, e eu concordo. ― Mas eu passei tanto tempo afastada da escola e sem ver vocês juntos 5/7, que acabei esquecendo. ― Acrescenta em tom de lamento. ― Nossa situação é muito complicada. Se quisermos que isso entre nós dê certo, precisamos nos ajudar.
― Vai dar certo! ― Digo com convicção e um pouco nervosa, puxando-a para um abraço. Só de imaginar perder Regina por causa dessas coisas, um frio percorre a minha espinha, arrepiando-me por completo, e o medo me domina, fazendo-me abraça-la ainda mais forte.
Ficamos agarradas por algum tempo até ela beijar o meu ombro delicadamente e se afastar um pouco.
― Olha, só evita, tá bom? ― Assinto rapidamente. ― Não precisa mudar com eles, só evita fazer algo em minha frente.
— Sim, senhora! ― Bati continência, fazendo graça e ela sorriu. ― Rê, desculpa por hoje, de verdade. ― Murmurei, voltando a ficar séria. ― Eu sei o quanto fui errada. ― Tento soar a mais sincera possível. ― Eu realmente entendo o seu lado. Em seu lugar, eu estaria do mesmo jeito. ― Confesso. ― Só quero que saiba que em nenhum momento eu tive a intenção de te causar desconforto, ciúme ou qualquer outra coisa.
― Desculpa também... Nós duas erramos hoje... ― Ela toca em meu rosto e eu fecho os olhos, sentindo seu carinho. Sinto seus lábios tocarem os meus delicadamente, mas logo o contato se aprofunda e fica mais voraz. Gemidos baixos se misturam com as nossas respirações ofegantes e só paramos quando precisamos respirar. — Acho melhor você continuar o jantar. ― Sussurro com a voz entrecortada. Meu amor sorri e eu a acompanho. Beijo seus lábios mais uma vez e me afasto.
― Emma? ― Chama-me antes de eu sair do cômodo. ― Se você quiser, eu posso te ajudar a se depilar. ― Diz em um tom sério. Em seguida, levanta o facão e o balança no ar. Claramente estava tirando onda por causa do que Ruby falou.
― Não! Muito obrigada pela ajuda, mas eu consigo dar conta. ― Respondi igualmente séria e ela caiu na gargalhada. Acabei acompanhando-a.
Regina liga a pequena caixa de som novamente, logo se distraindo com o jazz que toca e eu sigo para a sala, ligo a TV na netflix e escolho um filme de terror original da plataforma para assistir.
Meia hora depois o jantar estava pronto. Saio da netflix e deixo em um jornal local, que sei que minha professora gosta de assistir.
Enquanto Ava comia sua porção de ração, a sua janta, bem ao nosso lado, mas no chão, eu e Regina assistíamos ao noticiário com nossos pratos de macarronada com frango e salada, apoiados em cima de nossas pernas.
Depois que terminamos tudo, colocamos Ava para dormir na caminha dela lá no quarto de Regina e depois fomos arrumar a cozinha. Quando deixamos tudo brilhando e organizado, eu voltei para a sala e Regina foi tomar um banho, alegando estar com muito calor. Aproveitando que fiquei sozinha, abri minha bolsa, peguei meus livros e umas folhas de ofício e comecei a pesquisar em meu celular o trabalho que minha morena tinha passado porque estava com raiva de mim. Quer dizer, eu acho que foi por isso...
Quando Regina saiu do banheiro, me viu ainda no sofá.
— Não vem para o quarto agora, Em?
— Aguente mais um pouco sem mim, Srta. Mills. Daqui a pouco eu chego aí. ― Soltei um beijo no ar e ela o agarrou, levando-o a boca. Em seguida, entrou no corredor, sumindo de minhas vistas, e eu voltei para o meu trabalho, agradecendo por tudo ter acabado bem e de forma tranquila, o momento, a nossa conversa, ter sido o contrário do que eu achava que seria e no fim, termos ficado bem de novo.
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