Next to Me

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Notas iniciais
E a paz do nosso casalzinho está para acabar :/// É o ditado: tudo que é bom dura pouco!

— Regina! Finalmente você voltou. — Escuto a voz de Ruby e levanto a cabeça, vendo-a perto da mesa de Regina, muito bem apoiada com a bunda empinada. Outro aluno que se senta bem na frente, um nerd, está hipnotizado com a visão. — Já não estávamos mais aguentando a outra. — Minha morena se levanta e toca nas costas de Ruby, fala algo em seu ouvido e a morena se endireita, olhando de lado para o aluno. Provavelmente ela percebeu e avisou a Ruby. — Você está bem?

— Estou ótima e pronta para passar um monte de atividade de novo. — Responde em um falso tom sério. Depois de ter passado tanto tempo ao seu lado, deu para reconhecer bem quando está falando sério de verdade ou quando só quer brincar.

— Ai, você acabou de chegar, descansa um pouco, mulher. — Minha amiga responde toda dramática e Regina sorri. Sorrio junto, não pelo que Lucas falou, mas por vê-la sorrir tão lindamente.

— Eu já descansei demais. — Bate em suas costas, indicando gentilmente que ela venha se sentar e vai para a porta.

— Por que você está lendo isso? — Ariel aparece em minha frente, apontando para o livro que estou lendo e assustando-me no processo. Eu estava tão concentrada em Regina que nem percebi quando se aproximou. — Ai meu Deus, vai ter alguma prova e eu não estou sabendo? — Agonia-se, sentando rapidamente na cadeira e já puxando seu livro da bolsa.

— Calma, Ariel... — Seguro em sua mão. — Não tem prova nenhuma... — Bocejo de repente.

— Hm... Parece que alguém passou a noite em claro... — Ruby comenta, chegando perto de nós.

— Gostaria de dizer que foi isso mesmo que você está pensando, Ruby, acredite... — Dou um sorrisinho. Seria realmente maravilhoso estar com sono agora porque passei a noite em claro com certa professora.

— Estava assistindo um filmezinho? — Perguntou sugestiva. Levou sua mão até a sua intimidade e a esfregou por ali. Arregalei os olhos com a pornografia e gargalhei. Gargalhei muito alto. Ariel me acompanhou. Chamamos a atenção de Regina, que em algum momento começou a escrever no quadro, e pela sua expressão eu sei que ela ouviu o que Ruby falou. Ela sempre ouvia. Eu sempre suspeitei disso.

— Você sabe que eu não sou disso. — Defendi-me, tentando ficar séria. Nem eu aguentava minha própria mentira.

— E eu sou virgem. — Rebate toda irônica e eu sorrio.

— Talvez seja mesmo. — Dou de ombros e recebo umas tapas no braço. — Ai, Ruby Lucas! — Reclamo, passando a mão no local.

— Não me ofende! — Reclama, fazendo um bico. — Eu sei que você só faz isso quando está em companhia. — Piscou um olho e abriu o seu sorriso mais safado.

— Onde está Killian? — Pergunto, sentindo a sua falta. Ele sempre chega com as meninas quando não já está na sala.

— Gostosa Mills... — Escutamos sua voz e nós nos viramos, vendo-o parando na porta, com aquele sorriso de conquistador que só ele tem. Apesar de adorar, reviro os olhos e respiro fundo, procurando calma. É nessas horas que eu queria que ele soubesse de tudo entre nós. Só assim não aconteceria essas coisas e eu não sentiria ciúmes.

— Aí está sua resposta... — Ruby murmura.

— Meu primeiro dia e você chega atrasado, Jones? — Nossa professora cruza os braços e balança a cabeça negativamente. Só faltou bater o pé no chão.

— Eu não sabia, desculpa. — Faz um bico. — Isso não se repetirá. — Pegou a mão da minha morena e deu um beijo. Desviei o olhar, desconfortável com aquilo tudo. — Seja bem-vinda de volta. — Escuto-o dizer. Quando volto minha atenção para os dois, Regina está toda sorridente. Às vezes sinto falta de quando os alunos não gostavam dela, apenas eu. Não querendo mais prestar atenção naquela interação, pego o meu livro e tento uma leitura, mas ainda escuto: — Eu ainda estou disponível. — Ele se senta atrás de mim.

— Mas eu ainda não estou. — Respondeu-lhe rapidamente e eu levantei minha cabeça a tempo de vê-la olhando para mim. Dá-me um olhar significativo e volta a escrever no quadro. Meu corpo se arrepia dos pés à cabeça.

De repente, Killian se joga em meu colo, acordando-me da minha atmosfera de ciúme e me enche de beijo na bochecha, testa e nariz.

— Swan, Swan... — Murmura todo misterioso.

— Você está muito feliz, o que aconteceu? — Questiono, claramente desconfiada.

— Como assim, o que aconteceu? — Franze o cenho e eu também. — Não posso mais te abraçar e te beijar? — Apesar do seu tom sério, eu sei que estava brincando. Realmente não era incomum Killian agir dessa forma com nós, no caso eu, Ruby e Ariel, mas estava claro que tinha acontecido alguma coisa e ele só não estava querendo contar.

— Claro que pode, meu amor. — Digo, decidindo deixar para lá. Se ele não queria nos contar, eu iria respeitar sua vontade. Até porque, não é só ele que tem segredos por aqui. — Só não pode ser assim com outras... Você sabe, nós somos ciumentas, não é garotas? — As meninas concordam.

— Não se preocupe, eu sou todo de vocês. — Beija minha bochecha mais uma vez e se joga no colo de Ruby.

Regina bate palmas, chamando nossa atenção e inicia sua aula, apontando algumas coisas no quadro. Killian sai de cima de Ruby e se senta em sua cadeira.

Procuro o olhar de Regina, mas ela está focada demais olhando para os alunos, enquanto explica o assunto. Sua expressão dura me diz que ela não ficou muito contente com os carinhos que troquei com Killian.

Ótimo! Estávamos no empate.

•§•

A primeira aula passou se arrastando. Regina nos encheu de atividades, assuntos novos e dois trabalhos, alegando que descansamos demais durante o seu tempo fora e precisávamos nos aquecer e voltar ao ritmo. Eu desconfiava se era isso mesmo ou se sua chateação comigo tinha alguma coisa a ver. Ao menos tudo valia ponto extra para nos ajudar nas provas e as atividades foram em grupo.

Já na segunda aula, eu e meus amigos tínhamos terminado tudo. Hoje estávamos bem dispostos para estudar.

— Quem está a fim de ir beber de graça amanhã? — Ruby pergunta toda animada, puxando conversa.

— Aonde é essa benção? — Jones questionou, já se animando também. — Passa logo o endereço que eu já quero estar lá.

— Vai ter uma festa no centro. — Ruby lhe responde. — O pessoal vai estar todo lá.

— Não sei. A última vez que inventei de beber no meio da semana não deu muito certo. — Se tinha uma coisa que eu não queria, essa coisa era passar por tudo aquilo novamente. Ouvir sermões, passar vergonha, não lembrar o que fez...

— Se você for, vá bem preparada... — Deu uma piscadela. Fez o sinal da tesoura e apontou para sua vagina. Uma tosse desesperada chamou nossa atenção. Era nossa professora, que estava muito vermelha, abanando-se com a mão no peito. Seus olhos arregalados me diziam que ela tinha escutado o que Lucas falou. Eu queria me enfiar em um buraco e me esconder por tempo indeterminado. Obrigada, Ruby. Obrigada por sujar o meu filme. Agora já não estamos mais quites. Agora está 2x1 e não é para mim.

— Está se sentindo bem, Regina? — Ariel perguntou preocupada. Uma menina se aproximou dela, também preocupada com seu engasgo, que eu só não dizia que foi repentino porque tinha uma ideia de qual foi a causa.

— Foi só a água que entrou pelo lugar errado. — Respondeu sem graça. Todos as atenções estavam voltadas para ela. Minha morena dispensou a menina, agradecendo a preocupação e se sentou em sua mesa. Seu olhar não cruzou com o meu. Agradeci. Eu ainda estava com vergonha para encara-la.

— Ei, Emma... — Jones me chamou e eu direcionei minha atenção para ele. — Sabe aqueles sonhos que eu falei que tinha? — Neguei franzindo o cenho. Que sonhos? — Ai, Swan... — Ele revira os olhos, pouco paciente. — Aqueles bem pornográficos...

— Algo como RedTube, Xvideo e afins? — Ele assentiu, animado. — Sim, agora eu lembrei. Prossiga, por favor.

— Eu tive um daqueles de novo, mas dessa vez, fazíamos uma orgia.

— E quem fazia parte? — Lucas perguntou, toda interessada. É claro que estaria.

— Eu, você, a Nellie, a Emma a Ariel e alguns daqueles meninos da festa passada. — Fala em um tom baixo e sensual. — Aliás, quando repetiremos aquela noite? — Passou a mão na perna de Ruby e a apertou com força. Ruby forçou um gemido baixo.

Que ninguém tenha escutado. Que ninguém tenha escutado. Que ninguém tenha escutado.

— Que tal amanhã? — Sorriu sugestiva, apertando a mão dele e subindo-a pela perna. Meu Deus! Alguém precisa parar esses dois. — Você, Emma, que adora tudo muito bem depilado, grande e grosso, vai adorar o Jack. — Diz, toda empolgada. — Ele é tudo isso e mais um pouco. — Conta em um tom sensual e dá uma piscadela. — Quando você vê-lo vai se arrepender de ter saído naquele dia. — Ariel concorda e eu forço um sorriso e uma expressão de empolgação, fingindo que gostei do que ouvi. Em outros tempos, pode ser que eu realmente gostasse.

De repente, a aproximação de Regina com uma expressão fechada, obriga-nos a se calar. Seu olhar frio causou arrepios em minha pele. Não duvido que eu tenha alguma coisa a ver com essa cara de poucos amigos.

— A conversa está boa, mas agora é hora de estudar! — Fala em um tom calmo, contrastando com sua expressão, que claramente poderia nos dizer que, no mínimo, gritaria com nós.

— Não é só a gente que está conversando, Regina... — Ruby protesta, fazendo um bico. Admiro sua coragem.

— Eu sei e não vou reclamar só com vocês. Só decidi vir aqui primeiro. — Seu tom frio não lhe fazia parecer em nada com a Regina animada do começo da aula. Se meus amigos sofressem alguma punição hoje, a culpa seria totalmente minha.

Ela se afastou de nós, e como nos disse, chamou a atenção dos outros alunos também. Em seguida, deu continuidade à sua aula.

•§•

Finalmente a aula de Gramática terminou e eu nem podia acreditar que agradeci por isso. Logo Gold adentrou a sala logo em seguida e eu já estava rezando para que a sua acabasse também. A diferença era que o motivo era por ser aula de física e não porque estávamos com problemas um com o outro e estava desconfortável estar no mesmo ambiente.

No intervalo, eu fui procurar por Regina, mas no meio do caminho até a mesa dos professores, fui parada pela coordenadora, que disse sentir saudade de conversar comigo, e me puxou até a sala dela.

Quando entramos, quase pulei de susto quando vi Regina e Fiona. Meu coração gelou e meu coração quase parou de bater, só para voltar a bater muito mais forte e rápido.

O que raios elas duas estavam fazendo ali dentro, ainda mais sozinhas?

Regina estava assinando algo em um canto e Fiona fazia o mesmo do outro.

Apesar do meu choque em vê-las ali, sozinhas, eu me esforcei para não demonstrar nada. Não estávamos sozinhas e não precisávamos de mais um problema.

Quando Fiona me viu, abriu um sorriso tímido e eu fui obrigada a responder por causa da coordenadora. Eu não sei o que tinha acontecido com ela, mas Fiona estava muito diferente. Parecia realmente ser uma pessoa gentil e doce.

Sentei-me no sofá e cruzei as pernas, esperando as madames saírem para eu bater o meu papo com a coordenadora, algo que nem estava em meus planos.

Regina me viu assim que afundei no assento. Mas diferente de Fiona, ela me lançou um olhar indecifrável e voltou sua atenção para o que fazia. Se a coordenadora tivesse visto, ainda bem que ela tomava um cafezinho, bem distraída, ela estranharia essa atitude.

Fiona foi a primeira a terminar o que fazia, ela entregou o papel para a coordenadora e toda gentil, deu-lhe um abraço. Despediu-se de Regina com um acenar de cabeça, que foi respondido com um sorriso forçado e parou perto de mim.

Voltei a ficar nervosa e vi Regina ficar tensa também. Apenas a coordenadora que estava tranquila, alheia a tudo.

Que ela não faça e nem fale besteira. Que ela não faça e nem fale besteira. Que ela não faça e nem fale besteira.

— Tchau, Emma! Até a próxima. — Fala baixinho e se retira da sala.

Troquei um olhar com minha morena e ela estava tão confusa quanto eu.

Minutos depois, minha professora entregou o papel para a coordenadora e saiu da sala, deixando-nos a sós. Sentadas em seu sofá de couro, conversamos besteiras até o intervalo acabar.

Quando eu estava voltando para a sala, vi Regina entrando no banheiro. Andei depressa até lá e entrei também. Verifiquei que não tinha ninguém por perto e encostei a porta. Como era um banheiro, não tinha problema em estamos sozinhas com a porta fechada, contanto que não fosse de chave.

Minha morena estava se olhando no espelho, retocando o seu batom. Ela me viu pelo espelho quando eu dei um passo para frente, mas agiu como se eu não estivesse ali.

— Regina...

Ela se virou para mim e olhou para as cabines. Entendendo o que quis me dizer, verifiquei uma por uma. Podíamos ficar tranquilas. Não havia ninguém além de nós.

— Se você quiser, nós podemos conversar alguma coisa em casa. Aqui não é o lugar mais adequado. — Virou-se para o espelho novamente deu continuidade ao que fazia.

— Eu não fui a única aqui que fiz algo errado, Regina. Eu tenho tanto direito quanto você, de estar irritada. — Comecei, já tentando me defender.

— Aqui não, Emma. — Olha-me pelo espelho, mas logo se vira. — Vá para a aula. — Ordena e sai do banheiro feito um furacão.

— Droga! — Bati com força na parede. Nossa época de paz e romance perfeito tinha acabado de acabar. Se eu soubesse que a sua volta para a escola tiraria nossa tranquilidade eu teria desejado que ela ficasse um pouco mais em casa, mesmo sabendo que isso significaria ter que aguentar Fiona mais um pouco. Realmente estão certos quando dizem que tudo que é bom dura pouco.

Tia Sil, a zeladora, entrou no banheiro e me olhou preocupada.

— Tudo bem, Emma? — Apontou para a minha mão, que só agora eu percebi que estava levemente machucada.

— Sim, foi só uns arranhões de leve. — Mergulhei a minha mão na água e tirei os pequenos rastros de sangue que tinha por ali. Não tinha sido nada demais, apenas as peles que tinham sido arrancadas em alguns pontos. Nada que uma pomada não resolvesse em dois dias.

Despedi-me de tia Sil e voltei para a aula.

Notas finais
É, parece que Fiona foi embora realmente. Menos um problema. Espero que tenham curtido o capítulo de hoje e até o próximo! :D