Next to Me

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— Regina... — Sussurrei, sentindo a cabeça latejar ainda mais. — Ela vai chamar Regina. — Senti o desespero se apossar do meu corpo. Meu coração já estava pronto para se candidatar à uma vaga de baterista, de tão forte e bem que ele batia. — Você não pode chamar a Regina, Ruby! — Levantei-me de uma vez da cama, vendo tudo rodar e ficar embaçado, e sentindo um frio percorrer o meu corpo, seguido de uma fraqueza nas pernas e nos braços.

Corri até o topo das escadas e vi minha amiga discando um número no seu celular, mas eu estava com muita dor de cabeça, para conseguir focar em quais eram os números.

— Ruby, por favor! — Ela me olhou, mas deu as costas.

No desespero, tentei descer as escadas pulando de dois em dois degraus, acreditando que chegaria a tempo de conseguir tirar o aparelho telefônico da mão de Ruby antes dela falar com Regina, mas falhei miseravelmente e acabei tropeçando, tendo como resultado, eu me embolando na escada e me estabanando no chão.

— EMMA! — Escutei um coro chamar por meu nome e depois tudo escureceu, como se as luzes tivessem sido apagadas.

•§•

Senti um vento frio e abri meus olhos. Eu estava no meu quarto. Tudo estava escuro, e apenas a janela estava aberta, permitindo que uma fraca luz entrasse juntamente com o vento gelado.

Onde ela está? — Escutei a voz de Regina e meu coração se acelerou. Ruby realmente a chamou e agora ela está aqui, provavelmente para me dar sermão e ficar ainda mais brava comigo.

Agora está dormindo, mas não tomou banho, não tomou remédio e nem comeu algo. — Escuto minha amiga lhe responder em um tom cansado.

Vai amanhecer péssima. — Ariel acrescenta.

O que aconteceu? Não era você quem costumava me ligar pedindo ajuda...

E era agora que eu iria me ferrar.

Não sei o que aconteceu... A Emma bebeu demais e passou dos limites. — Disse simplesmente, para o meu espanto. Ruby sempre foi detalhista. Pensei que ela contaria tudo o que aconteceu em vez de só contar por cima. Talvez ela tenha decidido deixar a bomba toda comigo como forma de castigo.

— Podem ficar tranquilos, eu irei cuidar dela. Vocês vão dormir por aqui?

Não escuto as respostas que dão e tudo fica em silêncio. Segundos depois, escuto os passos de alguém subindo as escadas. Provavelmente é a Regina. É agora que eu finjo que estou dormindo ainda, para evitar, por agora, o inevitável, as consequências. Deitei-me de barriga para baixo e coloquei o travesseiro em cima da minha cabeça, cobrindo-a. Segundos depois, a porta se abriu.

Sinto uma presença se aproximar e pelo cheiro sei que se trata de Regina.

De repente, ela retira o travesseiro do meu rosto e eu agradeço muitas vezes por estar de olhos fechados. Sinto suas mãos levantar a minha cabeça bem devagar e me esforço para manter a respiração regular e não denunciar nada. Após colocar o travesseiro no lugar comum, sinto suas mãos retirando minhas botas, e depois desabotoando a minha calça, logo tirando-a de corpo. Sinto o edredom sendo colocado por cima do meu corpo e não consegui evitar de me aconchegar e permitir que o cansaço me vença.

•§•

Acordo sentindo uma forte dor de cabeça e meu corpo todo dolorido, como se eu tivesse ido à academia pela primeira vez. Não me lembrava do que tinha se passado depois que fumei com os garotos que eu nem conhecia. Não me lembrava de como sai da festa, como cheguei em casa, como fui parar na cama, e por que eu estava sem a calça. Eu não acreditava muito nessa história de amnesia pós bebedeira, mas agora estava acontecendo exatamente comigo, com certeza para me provar que era real sim. Muito real.

Sentindo as consequências da minha irresponsabilidade na noite passada, levanto-me da cama e acabo caindo no chão, com o susto que tive ao ver Regina dormindo na poltrona. Com a queda, acabei por bater com a cabeça na mesa de cabeceira.

O que ela estava fazendo aqui?

Eu não me lembrava de tê-la visto na noite passada.

— Droga! — Afaguei na parte que havia machucado.

— Swan? — Ouvi Regina me chamar. Não sei exatamente o motivo, mas corri para debaixo da cama. Isso me fez lembrar de quando eu quebrei a planta da minha mãe, quando ainda era uma garotinha, e corri para debaixo da cama para me esconder dela. Como se isso foi evitar que eu apanhasse... — Emma! — Chamou-me de novo. Com o susto, bati a cabeça na cama.

— Droga! De novo... — Sussurrei, passando a mão pelo novo local machucado. — Oi? — Respondi baixinho, ainda fazendo careta pela dor. Acompanhei seus passos se aproximando da cama, até que, ao ficar bastante próxima, ela se abaixou para me olhar.

— O que está fazendo aí? — Questionou-me de cenho franzido.

— Nada. — Balancei a cabeça negativamente, virando para o outro lado e planejando sair. Segundos depois, eu já estava com o corpo quase todo fora, quando senti o bolo subir por minha garganta. Então, corri para o banheiro, tranquei a porta e me desfiz no vaso sanitário. Regina tentou abrir a porta ao me ouvir botar tudo para fora, mas eu havia passado a chave. Estava segura da vergonha que eu passaria se ela me visse daquele jeito.

— Abre a porta, Emma. — Gritou o pedido, batendo na madeira.

— Depois... — Respondi com dificuldade, e me voltei para o vaso, continuando o que fazia. Meus olhos lacrimejavam e eu só queria gritar e chorar de raiva. Meu estômago doía e eu já não tinha mais forças para forçar algo a sair. Eu odeio vomitar.

Mais alguns minutos na mesma, sentada no chão, com a cabeça enfiada no sanitário, tentando botar algo para fora, finalmente a vontade de vomitar passou e só sobrou a dor de cabeça.

Completamente sem forças, levanto-me bem devagar, lavo meu rosto, principalmente minha boca, amarro o meu cabelo, escovo os dentes, dou descarga, pego um roupão, e me deito no chão, fazendo o pano fofo de travesseiro. Estou criando coragem para enfrentar Regina, seus sermões e sabe-se lá o que mais.

Minutos depois, quando já me sentia um pouco melhor do mal estar e pronta para ouvir qualquer coisa da minha professora, saí do banheiro, encontrando-a sentada na minha cama, olhando para o chão.

— Estamos sozinhas? — Perguntei, sentando-me ao seu lado no colchão.

— Seus amigos estão dormindo na sala. Não acordarão tão cedo.

Ficamos em silêncio novamente. Eu tinha muita coisa para dizer, algumas delas que não foram ditas ontem, mas eu não sabia por onde começar.

— Será que você poderia me explicar por que fez o que fez? — Questionou, incrivelmente calma.

— Eles te contaram tudo? — Ela assentiu. — Tudo mesmo? — Assentiu novamente.

— Tudo, Emma! — Reafirma, e eu não tenho dúvidas de que foi tudo mesmo. — Sobre o exagero na bebida, sobre a maconha... — Especifica, contando nos dedos. — Eu estou bem desapontada. — Olha para mim e eu consigo visualizar em seus castanhos, o que me diz. — Eu pensei que você fosse diferente. — Sussurra, fazendo o meu coração acelerar. Eu sabia bem do que ela estava falando. — Pensei que fosse diferente dos outros da sua idade. Pensei que fosse mais madura... — Acrescenta, balançando a cabeça negativamente. — Depois daquela resposta que você me deu no outro dia, eu realmente não deveria ter aceitado o pedido...

— Você está arrependida? — Perguntei, segurando a vontade de chorar e de fazer alguma besteira e comprovar ainda mais o que ela acabara de dizer. Seu olhar dizia tudo. Regina estava arrependida de ter aceito namorar comigo e a culpa era toda minha. Eu não podia suportar aquilo. — Regina...

— Por quê? — Questiona com a voz embargada, interrompendo-me.

— Eu não estava bem depois da conversa que tivemos, e só queria esquecer tudo por um momento. — Fui sincera. Sei que, provavelmente, isso pioraria as coisas, mas não havia outra resposta. E apesar de tudo, a verdade é sempre a melhor opção.

— Você passou dos limites. — Seu tom decepcionado estava acabando comigo. Partindo meu coração ainda mais. Se é que era possível. — Será que em todas as nossas brigas você irá agir assim? Irresponsavelmente?

— Não! — Apressei-me em deixar claro, para evitar dúvidas. Eu não pretendia agir assim novamente. Na hora foi bom, mas eu me arrependo, de verdade, pelo mal que me causei. — Regina... — Suspirei pesadamente. — Você me conhece, sabe que eu não costumo agir assim.

— Eu estou me sentindo culpada, de verdade. — Murmura, olhando para o chão. — Talvez se eu não...

— Não ouse terminar. Por favor! — Interrompi-a antes que terminasse aquela dolorosa frase. Eu já estava me sentindo mal demais, para aguentar mais uma lapada dessa, mais uma vez na mesma conversa. — Você não tem culpa pelos erros que cometi noite passada, ok? — Levantei-me da cama e comecei a andar pelo quarto. Estava nervosa com o rumo daquela conversa. Estava certa de que tudo não acabaria bem para nós. — EU, por vontade própria, fui naquela festa, bebi todas as garrafas de vinho que via pela frente, bebi a ponto de não me lembrar onde estava e não ter sequer condições de voltar para casa sozinha, e fui atrás de algo para fumar, mesmo sem nunca tendo feito isso antes. — Procurei seus olhos, mas estes estavam presos em algum ponto no chão. Ela parecia segurar a vontade de chorar, exatamente como eu, nesse exato momento. — EU, apenas eu, sou culpada. — Aproximo-me dela e ajoelho em sua frente, conseguindo sua atenção. — Você não tem culpa pela forma irresponsável que agi. — Conclui, com a voz embargada, vendo seus olhos marejarem.

Ficamos em silêncio por um momento, cada uma com seus pensamentos, encarando-se.

— Os meninos me falaram que em algum momento você delirou. — Murmurou, quebrando nossa troca de olhares e o silêncio. — Com o que foi?

— Eu devo ter passado uma vergonha terrível. — Falo, passando a mão no rosto, escondendo-o por breves segundos. — Graças a Deus, eu não me lembro dos detalhes... — Confesso, com vergonha.

— Deus! — Balançou a cabeça negativamente. — Não é assim que se lida com os problemas. Nem quando se é adulto, e muito menos quando se é jovem. Em nenhuma fase da vida devemos extrapolar com bebida em busca de alívio dos problemas. Você poderia ter parado no hospital, seja pelo tanto de bebida, seja pela queda que levou na escada. — Segura minhas mãos que estavam em seu joelho e as aperta. — Ou, algo pior poderia ter acontecido. — Acrescenta em um tom mais baixo.

— Eu sei, tá bom? — Levanto-me e volto a andar pelo quarto. — Eu realmente passei dos limites ontem à noite. Envergonho-me e me arrependo disso, e não pretendo voltar a fazer. — Garanto. — Eu só estava... — Faço uma breve pausa e respiro fundo. — Eu só estava desesperada com o que tinha acontecido entre nós e não sabia o que fazer. — Viro-me de costas para ela e me apoio na janela, vendo a linda e feliz manhã que está lá fora, contrastando com o meu interior.

— Sobre isso... — Escuto seus passos se aproximando e olho de lado, confirmando que ela está se aproximando. — Eu sinto muito. — Sinto sua mão tocar em meu ombro e apertá-lo. — Eu fui muito dura com você... — “Foi mesmo” Murmuro mentalmente. — Eu só estava com raiva, com ciúme, e com mais raiva... — Respira fundo. — Quando eu vi vocês duas, do jeito que estavam... Eu não consegui pensar direito.

— Apesar de tudo, eu entendo. — Digo, virando-me e vendo seu olhar de surpresa. — Não deve ter sido fácil para você, ter me visto daquele jeito com ela. — Pego sua mão, que ainda se mantinha em meu ombro, e a aperto também.

— Sim e...

— E... — Interrompo-a, pretendendo continuar o que dizia. Havia algumas coisas sobre ontem, que ela precisava saber. Algumas coisas muito importantes. — Eu só quero dizer, que eu tenho como provar que eu não queria, e nem mesmo gostava, de tê-la me rondando daquele jeito.

— Emma, eu...

— Se você acredita em mim... — Interrompi-a novamente, arqueando a sobrancelha, deixando claro que eu gostaria de falar tudo, antes dela comentar qualquer coisa. — Não é a mim que ela quer. — Revelo, contando exatamente o que Fiona me dissera ontem à tarde.

— O que? — Franze cenho. Seu tom era de surpresa e confusão.

— Quando estávamos conversando, um pouco depois que você foi embora, ela me disse... — Desvio de seu corpo e volto para a cama, que aliás, estava uma bagunça. — Eu sou apenas uma peça de algum jogo doentio dela. Não é a mim que ela quer. — A pausa que eu fiz até poderia ser cômica, se o assunto não fosse tão sério. — É você!

— Não...

— Ela me confessou tudo, logo que você se foi. — Pego o meu lençol, quase caído no chão, e começo a dobra-lo, enquanto vejo minha professora com o olhar perdido em algum ponto na parede atrás de mim. — Ela sabe do nosso envolvimento, Regina... — Acrescento e vejo-a despertar, voltando sua atenção para mim. — Não foi à toa que ela foi substituir você.

— Ela está aqui, atrás de mim? — Indaga-se e vejo seu semblante, ainda de culpa, mudar para medo. — Emma... E se ela contar para todos sobre nós? — Pergunta, desesperando-se. — E se ela tentar algo sério contra você? E se ela tentar algo sério contra mim? E se...

— Ei, ei, ei, calma, ok? — Solto o lençol no chão e corro até ela, abraçando-a forte. — Não vamos pensar tão negativo. Nada de ruim vai nos acontecer. Ela não pode tocar em nós sem sair impune. — Afasto-a um pouco até ver o seu rosto repleto de lágrimas. — As coisas mudaram. Não é mais a faculdade. Não há apenas você e ela, ok? — Ela balança a cabeça afirmativamente, e fecha os olhos quando sente meus dedos limpando suas lágrimas. — Eu estou com você, e juntas, vamos vencer qualquer coisa que essa mulher esteja planejando para nós. — Sussurro e beijo os seus lábios delicadamente. — Você ainda está arrependida por ter aceito o meu...

— Não... Claro que não. — Responde com a voz embargada antes que eu pudesse terminar a pergunta. — Me perdoa por tudo o que eu fiz e disse ontem... — Sussurra, encostando a testa na minha e fazendo carinho em meu rosto com seus dedos suaves.

— Só se você também me perdoar pelas besteiras que eu andei fazendo... — Sussurro de volta. Em resposta, ela torna a me beijar, dessa vez com um pouco mais de urgência, e menos delicadeza.

Notas finais
Obrigada por todos os comentários deixados no capítulo passado, e até o próximo.