Next to Me
4 Next to me - 4
Notas iniciais
Ao chegar em casa, joguei minha bolsa em qualquer lugar no chão, e me encaminhei para o banheiro. Precisava relaxar um pouco. Talvez muito. Porém, antes mesmo que eu começasse a me despir, meu celular começou a tocar.
Voltei rapidamente para a sala e peguei a bolsa jogada ao chão, coloquei-a em cima do sofá e comecei a procurar o aparelho. Estava debaixo dos livros. Espero que não tenha arranhado e nem nada.
Olhei no visor e vi que era o Killian.
— Oi, Killian. — Sentei-me no sofá e comecei a tirar minhas botas.
— Que tal uma festa na casa da Mulan? — Pelo barulho que eu estava ouvindo, Killian, com certeza, não estava em casa.
— Quando? — Agora, eu estava lutando para tirar a minha calça sem que o meu celular caísse no chão.
— Hoje. Daqui a pouco para ser mais exato. Eu e Ruby estamos dando uma aquecida já, aqui no bar perto da escola. — Balancei a cabeça negativamente. Bem como eu imaginei.
— Killian, hoje é terça-feira. Festa só presta no fim de semana. — Levantei-me do sofá, peguei minha bolsa e as botas e fui caminhando para o meu quarto.
— Qual é, Swan? Não acredito que vai perder essa. — Revirei os olhos. Ele sempre falava assim para me persuadir. — Você sabe como são as festas na casa da Mulan. — Argumentou, tentando me convencer. Balancei a cabeça negativamente, me joguei na cama e fiquei olhando para o teto. Ele não iria conseguir o que quer. Eu já estava decidida e nada me faria mudar de ideia.
— Sim, eu sei bem como são. — As festas que rolam na casa da Mulan, uma colega nossa de classe, são uma das melhores, se não a melhor. Rolava de tudo que se podia imaginar e mais um pouco. A última vez que teve e eu fui, saí de lá tão louca, algo muito raro de acontecer, que errei a minha casa e quase invadi a casa da vizinha. Até hoje não acredito que fiz isso. Quase fiquei nua no meio da rua, achando que estava no meu banheiro, dá para acreditar? Inclusive, até hoje não entendo como eu confundi a rua com um banheiro, uma coisa tão diferente da outra. Só acredito que essas coisas aconteceram por causa de Ruby, que não sei que milagre foi esse, estava bem mais sóbria que eu, estava comigo e não me deixou fazer nada. Por último, subi na mesa da cozinha daqui de casa, ainda bem que foi em casa, e tentei fazer um strip-tease para o Killian e a Ruby, que não me deixaram terminar, é claro. Meus amigos sabiam muito bem que se tivessem deixado, eu mataria os dois depois. Quando Regina soube desse meu pequeno show, passei o intervalo inteiro só a ouvindo falar.
Sorri com as lembranças, depois a gente sempre rir das desgraças, e continuei: — Estou muito cansada, amor. Por que não chama a Ariel? — Sugeri.
— Ariel? Sério? — Ele gargalhou. Tive que afastar o celular da minha orelha por alguns segundos. — Você sabe que ela é muito quieta. Não vai ter graça sair com alguém como ela.
— É, eu sei... Mas é sério, Killian... Eu estou cansada e com muito sono. Preciso ir dormir para repor minhas energias. Por favor? ― Implorei mesmo, para que ele sentisse pena de mim.
— É né, fazer o que? — Pude ouvi-lo suspirar pesadamente. — Bom soninho, Swan. — Disse com uma voz de criancinha e gargalhou.
— Nossa, que engraçado, Jones. — Murmurei sarcástica. — Até amanhã! — Encerrei a chamada antes que ele respondesse algo.
Joguei o celular ao lado do meu travesseiro e com muito esforço me levantei da cama e fiquei olhando ao redor.
— Então... Onde eu estava mesmo? — Murmurei pensativa, tentando me lembrar o que eu faria. Às vezes eu tinha esse problema de esquecimento. Ao olhar para a porta do banheiro, lembrei-me. — Ah é, preciso de um banho para relaxar. — Fui caminhando até o banheiro, deixando o restante da roupa pelo caminho.
•§•
Duas horas depois eu estava deitada em minha cama, escutando uma de minhas cantoras favoritas, Emeli Sandé, e pensando em Regina.
Sim, pensando em Regina. Parecia mentira.
Desde o dia anterior, Regina era a pessoa que mais estava habitando meus pensamentos. Já deveria ter feito moradia lá.
Mesmo que eu tentasse colocar outros pensamentos no lugar, de alguma forma, ela aparecia na minha mente ou algum pensamento acabava chegando até ela. Parecia que estava colado em alguma parte do meu cérebro que é responsável pelos pensamentos. Talvez você isso mesmo. E todas as vezes que eu pensava nela, vinha a dúvida, da qual eu não tinha resposta: Por que será que ela fez isso? Por que passar o dia todo me encarando, analisando, sem nem ao menos disfarçar, depois me abraçar daquela forma que só fazia quando eu estava triste com algo ou ela estava triste com algo, e ainda me dá um “beijo” e depois, simplesmente, no dia seguinte, me ignorar? Porque era o que parecia, que ela estava me ignorando, ou no mínimo, fugindo. Não me cumprimentava em nenhum momento e nem ao menos olhava para mim. Quando o fazia, poucas vezes, rapidamente procurava mudar a direção do olhar, como se eu fosse algo proibido de se ver. Além disso, não apareceu nos intervalos, sumiu na hora de ir para casa... Por que tudo isso? Se aquele beijo foi proposital, por que arriscar tanto, principalmente a carreira dela, mesmo que não tivesse ninguém na sala, por um beijo pela metade? Não poderia ao menos ter sido um completo?
Não que eu ache que um beijo vale uma demissão, longe disso. Mas já que não fez completo, por que não esperou saímos da escola, então? Ou ao menos fez completo?
Meus pensamentos foram interrompidos por meu celular anunciando que a bateria estava fraca. Aproveitei para olhar a hora e vi que já passava da meia noite. Precisava ir dormir urgente.
Levantei-me da cama, com preguiça, mas levantei, coloquei meu celular para carregar, troquei minha roupa por um pijama bem confortável e me deitei novamente.
Os pensamentos da vez, ainda eram sobre Regina, mas não do acontecido e sim do sonho erótico que Killian teve com ela. As imagens logo se formavam na minha mente, fazendo-me ficar inquieta na cama.
Com o passar dos minutos, fui ficando sonolenta e abrindo a boca várias vezes. Eu estava dando lugar ao sono, finalmente.
Abri meus olhos e me vi numa passarela de vidro onde os turistas apreciam a melhor vista do Grand Canyon.
Espera aí... Grand Canyon?
Eu estava no Grand Canyon? Que loucura é essa agora?
Olhei ao redor sentindo-me perdida e sem saber o que fazer.
De repente, o professor David aparece em minha frente de cueca boxe preta. A minha cor preferida para esse tipo de cueca. Mas, espera aí novamente... O David? O meu professor gato e gostoso? De cueca boxe? O que raios ele estava fazendo aqui e só de cueca?
Que porra estava acontecendo?
Isso está indo de mal a pior. Ou não.
David passou a me encarar e logo deu um sorrisinho daqueles bem cafajestes e começou a andar em minha direção, de forma sensual, querendo, provavelmente, me seduzir. Seu olhar dizia algo como “eu quero te comer” Fiquei chocada.
Quando se aproximou completamente de mim, envolveu-me em seus braços fortes e começou a se esfregar lentamente em meu corpo, enquanto beijava o meu pescoço. Arrepiei-me dos pés à cabeça. Ele estava completamente excitado e eu podia senti-lo sem muito esforço. Aliás, tenho que dizer... Mary Margareth ou qualquer outra mulher, é ou será, bastante abençoada, e se forem apertadas, tomará legal, no cu, porque... Meu pai... A arma de guerra do David é bastante grande e... Larga, se assim posso dizer.
De repente ele se afasta de mim e simplesmente some como se fosse mágica. Olho ao redor procurando por alguém e então ela aparece, com a mesma roupa que foi descrita por Killian em seu sonho, Regina aparece bem na minha frente. Em suas mãos, ela tinha uma prancheta e sorria de forma maliciosa.
Meu Jesus amado! Que loucura é essa? O que estava acontecendo?
Meus olhos passam a analisar seu corpo, mas antes que complete a análise, param em seus seios.
Grande Deus! O Killian não exagerou quando disse que com o espartilho, eles ficam bem maiores. Do tamanho da Terra, de acordo com ele.
De forma sensual, ela morde os lábios e começa a caminhar lentamente em minha direção. Meu coração acelera a cada passo dado.
— Swan, não sabia que você é tão ousada assim. — Comenta em um tom sensual. Seus olhos viajam por meu corpo, que estava coberto pelo meu pijama confortável do Harry Potter.
— Ousada? — Franzi o cenho sem entender. — Do que está falando, Regina? — Ela arqueou a sobrancelha. — E o que você está fazendo aqui? Por que está vestida assim?
— Sim... Ousada! — Reforçou. — E muito pervertida de querer fazer sexo aqui. — Concluiu, olhando ao redor. — Mas confesso que gostei da ideia. — Sorriu. — Gostei do seu fetiche... Você não pode falar do Killian por me querer em um balão. — Arregalei os olhos e ela sorriu.
Como raios ela sabia disso?
— O que? Como você sabe sobre o sonho do Killian? — Será que ela ouviu nossa conversa?
— Aí você já quer saber demais, meu amor... — Olhou a prancheta que segurava e lentamente começou a caminhar em minha direção. — Bem... Vamos logo acabar com isso que ainda essa noite, eu preciso ir para outros sonhos.
— Oi? Outros sonhos? Como assim? De quem?
Mas que merda é essa?
— É, Swan, outros sonhos — Afirmou com desdém. — Muitas pessoas querem sonhar comigo e eu preciso comparecer a todos. Não posso decepcioná-los. — Olha novamente para a prancheta e depois torna os castanhos para mim. — Esta noite, eu ainda tenho o Killian que adora sonhar comigo. Todo dia é uma coisa nova. — Sorriu. — Avião, deserto, piscina, campo, floresta, em cima de um piano e por aí vai. Ele tem a imaginação muito fértil.
— O Killian sonha com você toda noite? — Essa era nova para mim e eu estava bastante surpresa com os lugares. Sem falar que não gostei nada, nada de saber que toda noite o Jones tem sonhos eróticos com Regina. Por que essas informações sempre me deixavam tão desconfortáveis? O que estava acontecendo comigo?
— Sim. — Balança a cabeça, confirmando. — Então, continuando... Ainda tenho a Ruby, que a propósito, hoje é a primeira noite dela.
— Até a Ruby está nessa?
— Ela mesma. — Afirmou enquanto dava mais alguns passos em minha direção. — Tenho também a Ariel. — Continuou. — Essa me surpreendeu. Parece ser tão quietinha, mas de santa não tem nada. — Abri a boca, surpresa demais. Estava sendo muito para mim.
— Até a Ariel? — Não credito nisso.
Sério, cara... Até ela?
— Pois é... Depois de mim, ela pretende pegar quatro garotos da sala de vocês de uma só vez. Um grande surubão. ― Sussurra, como se fosse um segredo. ― E depois cada um em um lugar diferente.
— Que safada! ― Eu não sabia nem que Ariel curtia garotas também.
— Agora chega de papo e vamos ao que interessa? — Solta a prancheta no chão e fecha a distância entre nós duas.
Quando me agarra pela cintura e vai me beijar, tudo fica preto.
Sento-me na cama assustada, suando frio e sentindo um calor terrível. Olho para o relógio e vejo que passa das três da madrugada. Tiro toda a minha roupa e vou correndo para o banheiro tomar um banho. Frio de preferência.
— Caramba... Que merda foi essa? Que sonho foi esse? — Pergunto-me atordoada enquanto vários flashes do sonho passam em minha mente.
Em tão pouco tempo, por causa de um simples “beijo” que recebo de minha professora e de relatos de um sonho louco de meu amigo, começo a sentir e pensar coisas que nunca pensei e senti antes. Começo a desejar mulher. Ou melhor, desejar uma mulher. Eu começo a desejar a Regina e somente a Regina, porque só consigo me imaginar fazendo algo com ela. Com qualquer outra mulher eu não consigo e nem sinto nada. Tive um sonho bastante excitante, que daria em transa se eu não tivesse acordado e estou simplesmente enlouquecendo com isso.
— Regina, Regina... No Grand Canyon? Eu e você? Que louco... — Sorri, balançando a cabeça negativamente. — Por essa eu não esperava. — Termino o meu banho frio e relaxante e volto correndo para a minha cama, sentindo-me o Killian por ter tido um sonho assim.
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