Next to Me
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Notas iniciais
Ficamos um tempo abraçadas, quietinhas, sem falar nada, apenas aproveitando a presença uma da outra. Eu sabia o que ela queria conversar, só estava tentando evitar que esse momento chegasse.
— Em... ― Chamou-me, afastando minha cabeça de seu pescoço, e deu um beijo carinhoso em minha testa. Não lhe respondi. Continuei de olhos fechados, fingido estar dormindo. Apesar de ter realmente ficado com sono, não consegui pegar no sono. — Eu sei que você não está dormindo. ― Seu tom é sério e me arrepia um pouco. — Estou escutando seus pensamentos daqui. ― Sussurrou, e eu não me aguentei. Acabei me entregando, rindo do que ela disse, mas, apesar disso, não levantei a cabeça, não queria encara-la. Pelo menos não agora. — Precisamos conversar.
— Tudo bem. ― Suspirei. — Pode começar. ― Sussurrei, voltando a encaixar minha cabeça em seu pescoço quentinho.
— Você já deve imaginar do que se trata. ― Balanço a cabeça confirmando, e sinto seus braços me apertando mais. ― Eu não queria que fosse assim. ― Começou em tom baixo. — Mas infelizmente terá que ser.
— Eu sei. ― Beijei seu pescoço, ignorando a agonia por dentro que eu estava sentindo com aquela conversa. — Só preciso saber quanto tempo.
— Só até as aulas acabarem. ― Disse animada, e eu senti sua animação passando para mim. — Depois seremos totalmente livres para assumir tudo para todos. ― Apesar de não ver o seu rosto, sabia que estava sorrindo.
— Tudo bem. ― Tirei meu rosto da curva de seu pescoço, e finalmente a olhei nos olhos. — Só me explica por que tem que ser assim. ― Pedi. Eu sabia bem, por que tinha que ser assim, mas ouvi-la dizer os motivos, fazia parecer mais fácil de aceitar, o que eu sabia que era o certo a se fazer.
— Porque eu sou sua professora, e isso pode atrapalhar você, e a mim, na escola, além de ser antiético. ― Começou a acariciar o meu rosto, contornando cada traço. — Você sabe como é complicado. ― Acrescentou em um tom cansado, como se já tivéssemos tido aquela conversa mais de uma vez, e ela já estivesse cansada de repetir aquilo para mim.
— Sim, eu sei. ― Suspirei pesadamente, desviando meu olhar do seu, e desistindo de insistir em questionar os motivos, e tentar resistir a eles, para não a irritar. — Só não queria que fosse assim. ― Beijei sua mão, que acariciava a minha bochecha. — Namorar escondido é até legal. ― Sorri. — Porém, só quando se é adolescente e papai e mamãe não pode descobrir. ― Agora foi sua vez de sorrir. — Tudo que é escondido é mais gostoso. ― Disse com malícia e ela arqueou a sobrancelha, estreitando os olhos e mordendo os lábios, atiçando-me. — Mas quando já está na idade que estamos, é completamente diferente, namorar as escondidas e não dizer até aos amigos mais íntimos. ― Ela abraçou-me novamente, e eu me calei por alguns minutos, apenas aproveitando o contato e escutando o som de nossas respirações. — Queria tanto, mostrar para todos que estou com você. ― Sussurrei e minha voz saiu abafada por causa de seu abraço tão acolhedor.
— É só até o final do ano. ― Sussurrou em meu ouvido, arrepiando-me toda. — Esse será o seu último ano mesmo. ― Soltou-me de seu aperto, e beijou-me a testa. — Já estamos quase na metade. ― Pegou em minhas mãos, apertou-as, e depositou um beijo em cada uma. — Daqui a pouco é final de ano, e quando você menos esperar, vamos estar andando por aí na frente de todos, livres. ― Beijou meus lábios e quando tentei aprofundar, ela se afastou. — Sem problema algum. ― Acrescentou, beijando-me novamente, e dessa vez, permitindo que eu aprofundasse por breves segundos.
— Assim eu espero. ― Sussurro de volta, pouco esperançosa, e ela ataca meus lábios novamente, torturando-me, afastando-se sempre que eu tento tocar seus lábios.
— Ninguém pode saber de nós, tudo bem? ― Questionou, acabando com a tortura, e eu assenti rapidamente. — Nem mesmo a Srta. Lucas e o Jones. ― Completou. Assenti rapidamente e, pegando-a de surpresa, empurrei-a para trás, para que se deitasse, e subi em seu corpo, atacando seu pescoço com pequenas mordidas.
Quando as coisas estavam começando a esquentar, o celular dela toca, dando-me um susto e me fazendo sair de cima de si em um pulo de susto.
Quem estava contatando-a era Tinker. Queria saber aonde Regina estava. E ao saber que estava comigo, em minha casa, chama-nos para sair à noite, mas sem dizer para onde. Marcam um horário e ponto de encontro, e encerram a ligação.
Sabendo como Regina costumava demorar para se arrumar, e considerando que nós duas iriamos sair, e precisaríamos de mais tempo para ficarmos prontas, mesmo faltando duas horas para o horário marcado, começamos a nos arrumar.
Enquanto Regina tomava seu demorado banho, arrumei o meu quarto, que estava um ninho, e escolhi a roupa que usaria, depois segui até a cozinha e peguei uma banana para comer, para não sair de estomago vazio. Quando voltei para a sala, Regina já havia saído do banheiro. Então dei meia volta, peguei minha roupa, e fui tomar meu banho, igualmente demorado.
Às oito horas da noite, saímos de casa, pegamos um táxi, e o nosso destino foi o centro da cidade. Minha professora de redação nos aguardava lá.
Assim que descemos do veículo, vimos Tinker sentada em uma mesa ao ar livre, de um restaurante.
— Olá loira de farmácia. ― Foi a primeira coisa que ela disse assim que sentamos nas cadeiras vazias a sua frente.
— Meu loiro é tão verdadeiro quanto o seu, toco de amarrar jegue. ― Regina, que já estava tomando um gole de Coca-Cola, pertencente à minha professora de redação, botou o líquido todo para fora e tossiu engasgada.
Eu e Tinker sempre fomos amigas também. Nada como eu e Mary Margaret antes de eu me envolver romanticamente com Regina, ou como eu e a própria Regina, ou como eu e a coordenadora da escola. Mas depois do acontecido com Regina, ficamos mais próximas, e depois de nos unirmos para pegar Robin no flagra, unimo-nos ainda mais, tornando a nossa relação mais divertida e amigável. Então, desde esses acontecidos, sempre que nos esbarramos, em algum momento de conversa, seja no começo, meio ou fim, tratamo-nos como duas crianças quando descobre o mundo do insulto. Mas nunca nos ofendíamos com o que a outra dizia. Era apenas diversão.
— Gina, eu estava morrendo de saudade de você. ― Abraçou minha morena, que ainda estava se recuperava do engasgo. — Depois daquele dia, passamos a nos ver menos, e eu não tenho gostado nada disso. ― Falou em um claro falso tom de irritação.
— Eu também estava com saudade de você e também não tenho gostado de te ver menos. Mas bem, aqui estamos para matarmos a saudade.
Começamos a conversar, na verdade, Regina e Tinker, a última principalmente, quem mais falavam, sendo sempre servidas por uma garçonete, que as vezes nos trazia água, refrigerante, ou alguns aperitivos. Regina não podia beber nada alcoólico, e eu e Tinker decidimos acompanha-la.
Ficamos por horas ali, bebendo, comendo e conversando. Até mesmo depois de ter pagado a conta. Quando as meninas perceberam que já estava tarde, desocupamos a mesa, e continuamos a conversar, andando pelas ruas, até chegar em outro ponto de táxi.
Enquanto conversávamos, já paradas no ponto de táxi, abracei minha morena por trás e apoiei minha cabeça em seu ombro, ora beijando sua bochecha, ora beijando o ombro.
A princípio, Tinker não teve reação alguma, continuou conversando normalmente. Provavelmente achou tudo normal. Também pudera, desde que nos tornamos amigas, eu e Regina éramos sempre assim, uma agarrada na outra, porém era sempre abraços de lado. Só ocorriam os abraços por trás quando uma de nós estava conversando com alguém, que fosse muito amigo nosso, e como forma de cumprimento, chegávamos junto e fazíamos isso. No fim das contas, era um gesto simples de carinho para quem conhecia nossa amizade.
Mas foi quando, totalmente empolgada com o jeito carinhoso que Regina acariciava minhas mãos, eu comecei a beijar e fungar o pescoço da minha professora, que vimos a expressão tranquila de Tinker, mudar para totalmente para confusão e susto. Rapidamente nos separando, dando-se conta do que estávamos fazendo, e onde estávamos, mas já era tarde demais. Muitas vezes, Tinker é lerda e demente, mas não é cega. Estava estampado em seu rosto, que ela entendera tudo que se passava entre nós. Eu e Regina esquecemos completamente que Tinker não sabia sobre nós.
— Isso é o que eu estou pensando ou...? ― Perguntou logo que nos separamos, apontando para nós duas.
Ficamos caladas. Não sabíamos bem o que dizer.
— Vocês podem me responder? ― Pediu impaciente, batendo o pé no chão e cruzando os braços.
— Rose... ― Regina tentou, porém logo desistiu.
Com uma coragem que eu não sei de onde veio eu resolvi falar por nós e explicar tudo.
— Anão de jardim. ― Comecei com graça, tentando aliviar a tensão e diminuir o nervosismo que já se apoderava de mim. Regina sorriu, e por breves segundos, vi os lábios da loira se moverem em um sorriso também. — Eu e a Rê estamos... ― Uni minhas mãos, tentando explicar com gestos, mas ela nem deu sinal de que entendeu. Uni meus dedos, tentando mais uma vez, mas, ou ela não entendeu mesmo, ou esperava que uma de nós disséssemos as palavras. Revirando os olhos, abracei Regina de lado, e suspirei, desistindo da brincadeira de mimica. — É, nós estamos juntas. É isso. ― Disse finalmente.
— Vocês estão se pegando? ― Seu tom parecia acusatório, mas sua expressão dizia o oposto, e por isso, assentimos tranquilas. — Sério? ― Assentimos novamente. — Regina, você está dormindo com uma aluna sua? ― Arregalou os olhos, apontando para a morena ao meu lado, que ao escutar a pergunta, olhou para mim com uma expressão preocupada, e se afastou.
― Tinker, não...
― Desde quando? ― Interrompeu-a, e eu pude ver minha professora suspirar aliviada. Tenho certeza que ela imaginou que Tinker fosse dar algum sermão, provavelmente falar da tal ética, e coisas desse tipo.
— Desde o dia em que descobrimos sobre o Robin. ― Respondi por ela, que agora se mantinha calada, olhando para algo além da loira.
— Isso é...
— Você vê algum problema nisso, Rose? ― Interrompi-a, destacando seu verdadeiro nome. Ela arregalou os olhos, parecendo assustada, talvez. Tinker sabia bem que quando eu a chamava pelo nome, é porque a situação era séria, e eu não estava para brincadeira. — Tem algo contra? ― Reformulei a pergunta e ergui uma sobrancelha, encarando-a de mais perto. — Algum preconceito? ― Acrescentei.
Tinker era um apelido que Rose ganhou na época da escola, de acordo com Regina, por sempre ir nas festas de Halloween, fantasiada como a pequena fada de Peter Pan. Segundo ela, era mais fácil de se fantasiar. Eu não sabia disso até ela começar a dar aulas para a nossa turma e, por ser uma pessoa muito detalhista quando não tem nada de interessante para fazer, ver os carimbos em nossas provas, com outro nome. Ela sempre se apresentou como Tinker, e apenas os mais atentos viam seu nome verdadeiro nos carimbos das provas. Se não vissem, morriam sem saber que ela se chamava Rose. Então, desde que eu descobrira seu real nome, passei a usá-lo em assuntos sérios, como esse agora.
— N-não. ― Respondeu rapidamente, deixando claro o seu nervosismo. — Não tenho problema algum com isso. Nada contra em ser uma aluna, nem nada contra ser uma mulher. ― Esclareceu, trazendo alívio para mim, e sei que para Regina também. — Eu só iria brigar porque vocês não me falaram nada antes. ― Explicou, e eu me permiti sorrir. — A verdade é que eu estou feliz por vocês estarem juntas. ― Confessou, e eu senti o impacto daquela confissão diretamente em meu coração, que começou a fazer uma festa comemorativa. — Depois que eu fui na sua casa, quando voltei de Nova Iorque, eu desconfiei de algo mesmo. ― Contou com um sorrisinho. — Eu gostei de saber que vocês estão juntas. ― Aproximou-se de nós duas e nos abraçou. — Vocês se combinam. ― Sussurrou entre nós duas. — Fazem um lindo casal. ― Acrescentou bem-humorada, apertando-nos mais em seus braços.
— Então, se gostou mesmo de nos ver juntas e quer continuar vendo, tem que prometer não falar para ninguém. ― Falei em um tom sério. — Ninguém pode saber de nós, certo? ― Tinker juntou as mãos na frente do peito, e balançou a cabeça afirmativamente. — Principalmente o seu irmão.
― Se depender de mim, ele será o último a saber... Se for para saber... ― Levantei a mão e demos um high five.
— Regina, você está bem? ― Perguntei preocupada. Desde que começamos essa conversa, ela não falou nada. Apenas nos ouvia, ou não, enquanto olhava para além da outra, parecendo perdida em pensamentos.
— Sim, eu estou. ― Respondeu, parecendo estar no automático. Seu olhar ainda estava vago. — Só estou assimilando tudo que acabou de acontecer. ― Abracei-a de lado e beijei-lhe a testa. — Você realmente nos aceita, Tinker? ― Dirigiu-se à loira, que nos olhava com um grande sorriso nos lábios.
— Sim, eu aceito e apoio vocês duas. ― Pega em suas mãos e as apertas. ― Pode ficar tranquila, meu amor. Não precisa se preocupar com nada. ― Garante, acariciando seu rosto e recebendo um lindo sorriso emocionado de volta.
— Fica tranquila, Rê. ― Sussurrei em seu ouvido, finalizando com um beijo em sua bochecha. — Será que podemos ir agora? Já está tarde. ― Olho para o relógio, confirmando o que dissera.
Despedimo-nos rapidamente, prometendo marcar outra saída, e logo pegamos um táxi, dando o endereço da casa de Regina ao motorista. Além de ser a mais próxima, fazia tempo que não íamos lá.
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