Next to Me

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Notas iniciais
Obrigada pelos comentários do capítulo passado, e pelos novos favoritos. ;)

No pôr do sol, para a nossa tristeza, vovó decidiu ir embora. Já estava escurecendo e ela não gosta de andar à noite pelas ruas. Sem falar que, meus primos estavam a esperando para o jantar.

Antes de leva-la ao ponto de taxi, pediu-me que, quando eu ficasse de férias, levasse Regina para conhecer o lugar que passei uma parte da minha infância e fiz minhas bobagens, e avisou que próximo mês viria mais tarde por conta de uns problemas com os meninos.

Logo que vovó Eva se foi, Rê pegou no sono, e está até agora dormindo feito pedra.

Uma bela e fofa, visão. Toda esparramada no sofá, com os cabelos espalhados pelo rosto, todo bagunçado. Uma mão na altura da boca, que está entreaberta, e a outra para fora do sofá.

Aproximei-me com cuidado para não a acordar, e me sentei no chão, iniciando um carinho em seus cabelos negros e macios.

Passei alguns minutos apenas observando seu rosto sereno e um pouco babado, movendo preguiçosamente os meus dedos por entre os fios negros, até criar coragem para me levantar e ir preparar o nosso jantar.

Quando me levantei para ir à cozinha, senti meu braço sendo puxado. Virei-me rapidamente e a vi sorrindo para mim, ainda deitada no sofá.

— Fica aqui comigo. ― Pediu manhosa e eu não tive como recusar o pedido. Deitei-me ao seu lado no sofá, ficando de costas para ela, e segundos depois, senti-a me enlaçar pela cintura. — Para onde você ia? ― Beija minha nuca.

— Preparar o nosso jantar. ― Respondi num sussurro. Seus beijos estavam me arrepiando e excitando.

— Hum... ― Ronronou em meu ouvido. — Precisamos conversar sobre uma coisa. ― Parou com os beijos e, delicadamente, virou meu rosto para ela.

— Sobre? ― Indaguei, virando-me totalmente, já tendo uma ideia do que poderia ser. Para Regina esquecer as coisas, só se for amnésia. Se não for assim, pode ter certeza, não importa o que você fez há três anos, ela irá lembrar.

— Sobre você ter me dito que viu ao vivo o que fizemos ontem. ― Respondeu séria, deixando-me nervosa. — Quero saber dessa história. ― Arqueou a sobrancelha, e se pudesse, ainda batia o pé no chão.

― Por que temos que falar sobre isso? ― Fiz uma careta, já imaginando a beleza que seria, contar tudo.

― Você sabe o quanto eu sou curiosa. ― Diz, e eu afirmo exageradamente, recebendo uma tapinha. ― Se não me disser agora, vou ficar te enchendo até você me contar. ― Balanço a cabeça negativamente, mas sorrio. ― E, porque eu gostaria de saber mais sobre você. Mais do que eu já sei.

— Uh, ok! Já me convenceu. ― Sorri, mas por dentro estava nervosa. ― Bem... ― Pigarreei, tomando a coragem necessária para falar. ― Sobre eu ter visto ao vivo... ― Ela assentiu, incentivando-me a continuar. Eu estava numa saia justa. Justa demais. Não queria contar que já participei de tais coisas, ou que já vi Killian e Ruby fazendo. Mas também não queria mentir, ou enganá-la. Sem falar que, Regina me conhece bem, saberá que eu mentirei, se eu tentar. — É que eu já vi vários vídeos na internet. ― Respondi envergonhada. Se tem uma coisa que sempre me deixa assim, é dizer que vejo pornô na internet, ainda mais quando não é verdade. Eu falo de tudo sobre sexo, sem vergonha alguma, exceto isso.

— Emma Swan! ― Quando Regina fala meu nome e sobrenome, já sei que está irritada, e isso não é bom. — Isso não é ao vivo. ― Reclama, mas tudo em que eu consigo focar, é em sua respiração pesada e sua boca tão próxima a minha. ― Emma! ― Volta a dizer meu nome, trazendo-me de volta.

— Certo! ― Fechei os olhos por alguns segundos, desconectando-me da nossa proximidade. ― Não precisa falar meu nome e sobrenome, ou me chamar mais uma vez. ― Abri os olhos, olhando apenas para cima, e respirei fundo. — Eu falei que vi ao vivo, porque eu já vi e... ― Parei de falar, e ela arqueou a sobrancelha, reprovando meu ato.

― E...?

― E fiz parte de coisas assim. ― Conclui já fechando os olhos para não ter que encará-la.

— Explique melhor, querida. ― Exigiu.

— Bacanal, orgia, ménage, suruba, grupal... Essas coisas. ― Rebati rapidamente, aproveitando a coragem que veio, mas ainda de olhos fechados. — Essas coisas. ― Suspirei. — Nunca fiz com garotas, apenas só garotos. Quando eu não participava, eu ficava só assistindo todos. Garotas com garotas, e garotas com garotos. — Finalizei, abrindo os olhos e encontrando os castanhos me observando atentamente. ― É isso. ― Suspirei aliviada ao terminar. Principalmente por não ter precisado citar o nome de Killian e Ruby.

— Não sabia que você fazia parte dessas coisas, e nem mesmo era disso. ― Comentou, seu tom demonstrando a surpresa.

— Não acontecia sempre. Só em alguns finais de semanas, e em festas. ― Esclareci antes que ela pudesse pensar ainda pior de mim.

— E você ia sozinha? ― Pelo seu olhar, eu sabia que uma mentira não colaria. Ela já sabia minha resposta.

— Killian e Ruby sempre estão comigo. ― Respondi baixinho, desviando o olhar. — E às vezes participávamos de maratonas também. Mas, mais eles do que eu. ― Falei sem graça. Incrível como a graça das coisas que contamos mudam de acordo com o ouvinte.

— O que? ― Arregalou os olhos. — Maratonas de sexo? ― Eu assenti rapidamente, ainda sem lhe encarar. ― Você não tem mesmo, jeito de quem curte e participa dessas coisas todas que me contou. ― Murmura. ― Não se julga um livro pela capa mesmo.

— Se não for muito, poderíamos mudar de assunto? ― Supliquei, e ela assentiu, aceitando o meu pedido. ― Ótimo! ― Aproximei-me para beija-la, porém ela recuou. — Qual o problema? ― Indaguei confusa.

— Quando foi a última vez que você fez parte dessas coisas? ― Perguntou-me e se afastou mais. Logo entendi o que se passava.

— Não acredito que você está com nojo de mim. ― Tentei me levantar, mas ela me empurrou de volta. ― Primeiro de tudo. ― Levantei um dedo e cheguei bem perto. — Eu escovo os dentes todos os dias, três vezes ao dia, e lavo a boca com enxaguante bucal em todas as vezes. ― Meu tom sério deixava margem para dúvidas sobre o que eu dizia. — Segundo. ― Levantei outro dedo. ― A última vez que eu participei dessas coisas, foi antes das aulas começarem e você me roubar um beijo no corredor perto da sala. ― Ela corou, e se não fosse uma conversa séria, eu sorriria e comentaria só para vê-la ainda mais envergonhada. — E mesmo que essa não tenha sido a última vez, eu já estou com você tem um mês, então, ainda assim, já faria um mês desde a última vez. ― Fiz uma breve pausa. ― E por último, mas não menos importante. ― Suspirei pesadamente, deixando claro a minha chateação. — Aqui... ― Apontei para a minha boca. — Só tem saliva sua, e outras coisas, suas também. ― Beijei-lhe a boca rápido, pegando-a de surpresa. — Somente sua. ― Acrescentei.

— Emma... ― Segura em meu rosto, e une seus castanhos aos meus verdes. ― Desculpe-me por tudo isso. ― Pediu sem graça, ainda corada de vergonha.― Eu não estava com nojo de você. Isso nem passou pela minha cabeça. Eu só agi por impulso, quando escutei tudo que me disse. ― Seu tom realmente demonstrava o arrependimento pela forma como agira. ― Você pode me perdoar? ― Assenti rapidamente. Minha professora se aproximou de mim para me beijar, e agora foi a minha vez de revidar sua atitude. Mas não pelo motivo que ela disse não ter sido, mas sim para não perder a oportunidade me dada, de revidar, e para coletar algumas informações também. — O que foi agora? ― Perguntou, franzindo o cenho.

— Quando foi a última vez que você e o Robin... ― Freei as palavras, sem saber como dizer. — Você sabe... ― Fiz um movimento com a mão em direção a boca, e ela arregalou os olhos, dando-me uma tapa na mão.

— Emma Swan! ― Ela estava pior que um tomate. — Não acredito nisso. ― Balançou a cabeça negativamente e eu sorri de sua vergonha.

— Desculpe-me, eu não podia perder essa. ― Disse, não contendo meu sorriso. — Porém, você poderia aproveitar e me tirar essa dúvida. ― Parei de rir para passar um ar mais sério, porém, quanto mais eu a via envergonhada, mais vontade de rir, dava.

— Foi alguns dias antes de... ― Pausou e respirou fundo. — Antes de eu te ‘’roubar’’... ― Fez aspas com as mãos. — Aquele beijo no corredor da escola. — Desviou o olhar rapidamente, e eu tive vontade de lhe morder, por estar tão fofa, apenas por estar com vergonha. ― Depois desse dia, eu passei a inventar desculpas para não ter que fazer algo com ele, até que aconteceu o acidente e piorou tudo para o lado dele. — Sorriu brevemente. ― Talvez tenha sido esse o motivo dele ter me traído. ― Murmurou mais para si, em tom pensativo.

— Aquele idiota. ― Deixei escapar, sentindo a raiva se apossar de mim. — Com certeza ele começou a te trair depois do acidente, e com certeza porque você estava impossibilitada de fazer sexo. ― Eu estava com vontade de dar umas belas tapas na cara daquele homem, por conta disso. Já tinha antes, só por causa de seu preconceito e machismo. Mas agora, a vontade estava em alta. — Onde já se viu trair a mulher porque ela estava impossibilitada de satisfazer os desejos dele? Se fosse pelas suas desculpas para não transar com ele, seria uma coisa. ― Se eu fosse um desenho animado, tenho certeza que estaria saindo fumaça por minhas narinas. — Mas te trair por indisponibilidade? Isso é inadmissível.

— Ei, calma... ― Tocou o meu rosto suavemente com suas mãos de anjo. — Pelo menos agora estamos juntas. ― Sorriu. — Apesar de que, mesmo que ele não tivesse me traído, quando eu me lembrasse de tudo, iria deixa-lo para ficar com você mesmo. ― Beijou minha bochecha. — Se você quisesse, é claro. ― Acrescentou e eu revirei os olhos, mas sorri também.

— É claro que eu iria querer. ― Beijei sua boca. — Eu me apaixonei por você desde o dia do nosso primeiro beijo. ― Acariciei o seu rosto. — Lá no corredor da escola. ― Conclui mordendo seus lábios e iniciando um beijo lento e gostoso.

— Em, precisamos conversar sobre outras coisas também. ― Murmurou com dificuldade, quando abandonei sua boca e desci para o pescoço.

— Agora não, Rê. ― Sussurrei em seu ouvido. — Vamos apenas curtir o momento. ― Abracei-a bem forte e deitei minha cabeça na curva de seu pescoço, respirando seu aroma doce de maçã, sentindo seus carinhos em meu cabelo bagunçado, e a paz que o momento trazia.

Notas finais
Até o próximo!