Next to Me

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Notas iniciais
Mais uma vez, obrigada pelo carinho de todos vocês, pela interação nos comentários, e pelos favoritos. Vocês são ótimos!

Ao saímos do Bubba's, fomos para a minha casa.

Eu preferia ir para lá. Sentia-me mais confortável, e Regina também gostava. Sem falar que, não teríamos nada para lembrar-se de Robin, ou mesmo de Neal. Durante a semana, eu a tinha acompanhado até sua casa, para pegar alguns pertences e roupas. Eu sentia como se ela estivesse se mudando para a minha casa. E eu não estava achando essa sensação ruim.

Assim que chegamos, Regina foi tomar um banho, e eu fui preparar nossa cama para dormir. Não conseguia tirar o sorriso dos lábios, a cada vez que o seu, “mas eu aceito”, passava por minha mente. E eu, que um dia pensei que nunca mais iria beija-la, no entanto, olha como estamos agora...

Realmente, ‘’nunca’’ é uma palavra muito forte para se usar. Não sabemos o que vai acontecer no dia de amanhã. E por não saber, não devemos usa-la para algo futuro. Vai que...

Talvez, nesse momento, eu fosse a pessoa mais feliz de Portland.

Sou tirada de minha conversa particular, por Regina me abraçando por trás e me beijando na nuca, do jeito que eu gosto. Arrepio-me dos pés à cabeça com o seu carinho.

— Adorei essa noite, Em. ― Sussurra em meu ouvido, beijando meu pescoço, e me fazendo arrepiar novamente.

— Podemos repetir quando você quiser. ― Viro-me lentamente para ela, vendo seu lindo sorriso dedicado para mim, e me aproximo devagar para lhe beijar. Todavia, sou interrompida por meu celular tocando. Porém, apenas escutava seu toque. Ele não estava comigo e eu não sabia bem onde poderia estar. Começamos a procura-lo pelo quarto mesmo e Regina o encontrou embaixo do travesseiro.

Ao olhar para a tela, vejo que se trata de uma ligação de Ruby. Ou ela está ligando para me chamar para alguma festa ou aconteceu algo.

Atendo a ligação antes que caia e coloco no alto falante, já torcendo para que ela não fale nenhuma besteira.

Killian se meteu em confusão e eu preciso da sua ajuda. ― Dispara de uma vez, sem esperar nem eu falar um oi.

— Calma Ruby. ― Peço, sentindo o desespero em sua voz. ― Aonde vocês estão? ― Questiono preocupada. Olho rapidamente para Regina, que também aparenta preocupação com o que ouviu, e volto a olhar para o aparelho.

Na casa da Nellie, a sua nova amiga. ― Responde-me em um tom mais baixo e noto ciúmes em sua voz. Sinto vontade de rir, porém o momento é sério, então me seguro.

— A garota que conheci na festa da amiga do Killian? ― Pergunto só para ter certeza, apesar de não precisar, uma vez que eu a conheci nessa festa e nos tornamos amiga desde então.
E se Ruby está falando seu nome, dizendo que é minha nova amiga, e está cheia dos ciúmes, só pode ser ela mesmo.

Não Swan, é a minha avó. ― Rebate sarcástica e eu reviro os olhos. Eu e minha mania de fazer perguntas idiotas.

Você mereceu. ― Regina sussurra rindo e eu lanço-lhe um olhar sério, fazendo-a parar no mesmo instante.

— Sem gracinhas. ― Digo levemente irritada. — Em alguns minutos eu chego aí. ― E então encerro a chamada.

Jogo o celular em cima da cama e vou para a sala, sendo seguida por minha professora. Procuro minha jaqueta preta, pois está fazendo muito frio lá fora, calço minhas botas novamente, meus pés até choram, e vou até Regina, sentada no sofá, apenas me observando.

— Desculpa por isso. ― Digo sem graça, ajoelhando-me em sua frente. — Aqueles idiotas precisam de mim. ― Pego em suas mãos e aperto.

— Tudo bem, Em. Eles são seus amigos e precisam de você. ― Beija minhas mãos num ato carinhoso. — Você vai trazê-los até aqui? ― Confirmo que sim com a cabeça. — Então não vamos dormir juntas essa noite. ― Conclui em tom triste. — Vai logo antes que eles façam mais bobagens. ― Beija meus lábios rapidamente e se levanta, puxando-me consigo.

— Se eles perguntarem por que você está aqui, diz que não queria ficar sozinha em casa. ― Ela me olha confusa e eu já imagino o porquê. — Sim, eles sabem que você se separou. Só não sabem o motivo. ― Explico e ela faz uma expressão de assustada. — Só eles sabem e só sabem disso e nada mais. ― Garanto, tranquilizando-a. ― E eu confio neles. ― Acrescento, aproximando-me novamente e dando-lhe um beijo, dessa vez mais demorado.

— Tome cuidado. ― Pede assim que me afasto, já seguindo para a porta.

•§•

Como a casa de Nellie é perto da minha, decido ir andando. Ou melhor, correndo. A cada segundo que eles passam lá, pode ser um problema a mais para ser resolvido.

Quinze minutos de corrida, e eu chego em frente à casa da minha nova amiga, que está lotada de pessoas bêbadas, drogadas, machucadas, provavelmente por conta de alguma briga, e algumas garotas e garotos, metidos a donos do pedaço.

Logo avisto Killian sentado no chão, encostado numa árvore, com o rosto ensanguentando, e aparentemente bêbado, pelo jeito. Em seguida vejo Ruby, no meio dele e de um garoto que eu não conheço, ou não reconheço por conta da distância.

Volto a correr até os dois para saber o que está acontecendo, e para tirar Jones dali o mais rápido possível.

— O que aconteceu aqui? ― Aproximo-me de um Killian bêbado e fedendo a rum.

— Dor de corno. ― Grita a plenos pulmões, sorrindo sacana para mim. Sua voz está embolada, denotando a embriaguez.

— Eu vou acabar com você, seu imbecil. ― Gritou o outro garoto, que agora estava sendo segurado por Ruby. O que foi em vão, uma vez que, ao ouvir a resposta de Killian, ele deu um empurrão nela, que foi facilmente ao chão, acredito também, que por causa da bebida. Aquilo atiçou a minha raiva.

— Então, além de corno é covarde... ― Alfineto, levantando-me e encarando o garoto metido a valentão, que me parece não estar totalmente sóbrio também. Segundos depois, sinto apenas sua mão fechada se chocando contra o meu rosto. Logo as pessoas da festa fazem uma rodinha em torno de nós.

Irritada por conta da agressão, não penso duas vezes em devolver o soco com bem mais força, derrubando-o no chão. Sento-me em sua barriga, coloco meus dedos ao redor de seu pescoço, e o encaro irada.

— Isso... ― Apontei para minha boca que estava sangrando. — Fez cócegas. ― Claro que não fez, mas ninguém precisa saber da verdade. Principalmente ele. As pessoas ao nosso redor, sorriram com o meu comentário.

Não esperei ele responder, simplesmente dei um soco em cada lado do seu rosto, com força medida pela raiva que estava sentindo por Killian, Ruby, e por mim.

— Isso é para você aprender a não bater em mulheres. ― Dei mais outro soco, sujando meus dedos de sangue, e o pessoal ao redor fez levante. — E esse é para aprender a não bater em alguém que está bêbado e não pode se defender sozinho. ― Olhei para Killian, que parecia bem animado com o que assistia, e dei outro murro.

Mesmo sabendo que não é com violência que se resolve as coisas, mesmo sabendo que eu tinha perdido minha razão, e acabara de ganhar um inimigo, a minha vontade era de bater mais, até toda a raiva ir embora, todavia Ruby me puxou de cima dele antes mesmo que eu desse o próximo, e estragasse seu rosto. Pelo menos ele estava sendo zoado pela rodinha que havia se formado, e estava se sentindo envergonhado.

Peguei um dos braços de Jones e o coloquei ao redor do meu pescoço. Ruby fez o mesmo logo em seguida. Pegamos impulso depois do “três”, e nos levantamos para ir embora.

― Emma, lembre-me de nunca ser um inimigo seu. ― Killian murmura rindo.

Já na saída, a dona da casa e da festa, minha nova amiga Nellie, vem ao nosso encontro.

— Emma, que bom te ver. ― Chega perto de mim e tenta dar um beijo em minha bochecha, porém a mão de Killian a atrapalha, e eu a corto também.

— Desculpe Nellie, porém agora não é o momento. ― Sorri fracamente, vendo-a se afastar de nós. — Depois nos falamos. ― E então segui caminho com Ruby e Killian, que a cada minuto pesava mais.

•§•

No meio da nossa caminhada, que eu tive que insistir muito para que fossemos assim para casa, pois nada mais justo irmos do meu jeito, por terem me tirado de casa, por fazerem besteira, depois de Ruby zoar do jeito que Nellie veio falar comigo, e afirmar com todas as palavras, que não estava com ciúmes, e estava agindo desse jeito porque não gostava da garota, ela resolveu me contar o que aconteceu.

— Você sabe que o Killian pega todas que vê pela frente, né? ― Questiona retoricamente, em tom zombeteiro. Killian bufa irritado.

— Mentira. ― Rebate, tentando se defender. — Eu faço uma seleção. ― Diz, com muito esforço, tentando ser sério, e nós rimos.

— Nós acreditamos. ― Recebi um empurrão do bêbado, agora irritado. — Continua a história, Ruby.

— Então... ― Deu uma olhada para Killian, que andava de cabeça baixa, quase se pendurando em nós, e pigarreou, chamando sua atenção para si. — Ele estava no quarto da Nellie... ― Falou o nome da garota com desdém, e eu não pude deixar de rir. — Quase sem roupa, com a ex-namorada daquele imbecil do Chris.

― Ah, então era o Chris? ― Lucas confirmou. ― Eu não reconheci ele, sem aquelas roupas de falso rapper, e os chapéus, alguns ridículos demais.

— Ele estava com dor de corno. ― Killian grita novamente. Era quase impossível não rir da forma como estava falando.

•§•

Andamos por mais alguns minutos, todos em silêncio, e finalmente chegamos em casa. Quando abri a porta, vi que Regina ainda estava acordada, provavelmente nos esperando para ver a situação. Assim que viu minha boca cortada, e o rosto de Killian coberto de sangue e baba, desesperou-se.

— O que aconteceu com vocês? ― Questionou preocupadíssima, enquanto eu e Ruby colocávamos Killian sentado no sofá.

— Gostosa Mills... ― Sorriu para Regina. Um sorriso de bêbado com sono. — Você está aqui. ― Endireitou-se no sofá. — Veio cuidar de mim? ― Piscou para ela e eu revirei os olhos, balançando a cabeça negativamente. De canto de olho, vi Regina segurar o riso. Até mesmo bêbado, e quase caindo de sono, mesmo estando machucado e com o rosto feio, Killian não perde a oportunidade.

— Regina, você está bem? ― Ruby perguntou, indo abraça-la.

— Estou me recuperando.

— Quando você vai voltar? ― Sentou-se no sofá ao lado de Killian. — Não aguento a sua substituta. ― Fez uma cara de nojo e eu e Regina nos olhamos ao mesmo tempo.

— Tenho mais um mês e alguns dias em casa. ― Respondeu, tentando disfarçar o nervosismo pela menção a Fiona, que só foi percebido por mim.

— Ruby, por favor, vai lá em meu quarto e pega o kit de primeiros socorros. ― Ruby assentiu, levantando-se do sofá, e foi até o quarto, deixando-me sozinha com nossa professora, e um Killian babando em meu sofá.

— Metendo-se em briga, Swan? ― Indaga em tom sério, arqueando a sobrancelha.

— Só estava me defendendo e defendo esses dois. ― Dei-lhe um beijo na bochecha, segurando a vontade de ser na boca, já que Killian estava ali e, por mais que estivesse bêbado e pudesse não lembrar o que viu, ainda assim, seria arriscado.

Minutos depois, Ruby voltou com o que pedi, sentou-se ao lado de Jones novamente, e começou a limpar seu rosto, que gritava a cada dois segundos, por causa da mão pesada dela.

Não aguentando o sofrimento do bêbado, Regina pediu para cuidar de Killian, e eu pedi para Ruby ir arrumar o quarto em que ele passaria a noite, e depois, procurasse uma de minhas camisetas, lembranças de meu pai, para ele usar depois de tomar um bom banho.

— Mills! ― Exclamou Killian, de repente. — Você tem mãos de anjo. ― Pega uma das mãos de Regina e dá um beijo. Ela me encara envergonhada e eu abro um sorriso, mostrando que está tudo bem. Afinal, Killian está bêbado, e além de ser meu amigo, nem sabe de nada sobre nós.

— Agora é a sua vez, ‘’salvadora’’. ― Faz aspas com os dedos na última palavra, levanta-se do sofá, pedindo para que eu me sente.

Rapidamente obedeço sua ordem e me sento ao lado de Jones, que está quase dormindo de novo, com a boca aberta, babando tudo.

E então, com todo o cuidado possível, ela começa a cuidar de mim também.

— Realmente, você tem mãos de anjo. ― Acaricio sua face enquanto ela termina o curativo em meus lábios.

— Não fale Swan. Vai atrapalhar aqui. ― Pede autoritária e eu logo obedeço, fazendo uma nota mental de ficar calada até ela terminar. — Pronto. ― Diz em seguida, e eu reviro os olhos por seu pedido há pouco. Afasta-se de mim, guardando o resto do algodão e esparadrapo dentro da caixa do kit.

— Eu não mereço algo por não reclamar desse remédio que arde? ― Faço uma expressão manhosa, sentindo-me uma criança.

— Merecia ficar de castigo por estar se metendo em brigas. ― Rebate, cortando-me. Ela realmente está chateada.

— Não fale assim comigo, Rê. ― Levanto-me e me aproximo dela, agarrando sua cintura, tentando lhe seduzir, e persuadir com o meu olhar. — Só estava sendo uma boa amiga. ― Beijo-lhe o pescoço e vejo-a se arrepiar.

Infelizmente, o momento é quebrado por Ruby gritando do quarto de cima, pedindo para que eu subisse com Killian, para darmos um bom banho nele.

•§•

Depois de, com muita dificuldade, darmos um banho no bêbado, o colocamos na cama do quarto de hospede, que ele dividirá com a própria Ruby, e sigo para tomar um banho também.

Quando saio do banheiro, encontro Regina na sala, conversando com Ruby, que estava esperando eu sair do banheiro para poder tomar o seu banho, pois ela não gostava muito do banheiro que tinha na parte de baixo da casa e preferia tomar no meu.

Quando ela sai da sala, deixando-nos a sós, aproximo-me mais de minha morena.

— Eu não queria dormir longe de você esta noite. ― Fala manhosa enfiando o rosto na curva do meu pescoço.

— Eu também não queria... ― Aperto-a em meus braços e dou um beijo em sua testa. — Mas é só por hoje. ― Beijo seus lábios e, instigada pelo momento, aprofundo mais o contato, enfiando minhas mãos por seus cabelos, puxando sua cabeça mais para mim, pegando sua boca com vontade, chupando sua língua e seus lábios, mordendo-os no final. Paramos por alguns segundos, e nos encaramos em silêncio, fazendo carinho na bochecha uma da outra, enquanto trocávamos sorrisos. Então voltamos a nos beijar novamente. Deito-me no sofá e meu amor fica por cima, sem pararmos o beijo, que a cada segundo ficava mais intenso de novo. Todavia, escuto um barulho, e lembro-me que não estamos sozinhas. Então, afasto-me de seus lábios, sentindo-os em minha bochecha, já descendo para o meu pescoço. — Acho melhor parar antes que a Ruby nos pegue no flagra. ― Sussurro com a voz entrecortada, pelo fôlego abalado. Ela beija meus lábios mais uma vez, e se levanta, puxando-me junto.

Assim que nos ajeitamos no sofá, Ruby desce as escadas, perguntando-me onde vai dormir. Informo que dormirá com Killian no quarto de hóspedes, e Regina dormirá no quarto dos meus pais.

Sempre que os dois iam para a minha casa, dormiam comigo, em meu quarto. Porém, para evitar problemas com Regina, que antes de tudo, é minha amiga, e também sente ciúme de minhas amizades, igual adolescente com melhor amigo, aleguei que estava cansada e queria a cama só para mim. Ruby não protestou.

•§•

Dia seguinte, assim que abro os olhos vejo Regina sentada em minha cama, observando-me com um lindo sorriso. Parecia ter acordado muito animada. Procuro o celular embaixo do travesseiro e vejo que são cinco horas da manhã. Meu amor gosta de madrugar.

— Bom dia, Em. ― Aproxima-se mais e começa a mexer em meus cabelos. Respondo-lhe com um beijo e volto a deitar, cobrindo-me com o lençol. — Levanta Swan... ― Pede manhosa, puxando meu lençol.

— Ainda é madrugada, Rê. ― Alego, cobrindo-me novamente. — Você gosta de acordar cedo, mas eu não. ― Acrescento, cobrindo meu rosto com o lençol. ― Sem falar que, fica difícil querer levantar, com esses carinhos que estou recebendo.

Regina fica em silêncio e eu estranho. Quando penso em me descobrir para olha-la, sinto-a pulando em cima de mim e me apertando. — Meu Deus, estou sendo esmagada. ― Grito entre gargalhadas, e ela sai de cima de mim.

— Chamou-me de gorda, Swan? ― Encara-me com falsa irritação, semicerrando os olhos. Neguei rapidamente, fingindo ter ficado com medo. — Foi o que pensei.

Ficamos alguns minutos conversando e brincando, até que Ruby e Killian acordaram.

Tomamos café na maior algazarra, e depois de ouvirmos um sermão gigantesco de Regina, eles voltaram para casa, e eu finalmente fiquei a sós com o meu amor. Porém, não por muito tempo, pois, Tinker ligou para Regina, perguntando onde estava, dizendo que queria vê-la. Após Regina lhe dizer que estava aqui em casa, Tinker não perdeu tempo e veio para cá.

— Gina, eu estava morrendo de saudades de você. ― A loira fala, já entrando em casa assim que eu abro a porta. Abraça Regina por alguns segundos e depois se sentam no sofá. — Como você está? ― Olhou para mim. — Como vocês estão?

— Estamos bem. ― Regina responde por nós duas. Fechei a porta e me juntei a elas no sofá. — Onde você esteve todo esse tempo? ― Indagou em tom de repreensão.

— Depois daquela noite, conversei com a diretora, e viajei para Nova Iorque, para fazer uma entrevista de emprego, e aproveitei para ficar mais alguns dias lá. ― Explica-nos, mexendo na bolsa que trouxe consigo. — Eu trouxe isso aqui para vocês. ― Mostra-nos um chaveiro com as inicias “NYC” dentro de uma circunferência que fazia as letras rodarem. — Não é um presente grande e bom, é só uma lembrança da cidade. ― Diz envergonhada.

— O que vale é a intenção, Tinker. ― Pego o chaveiro, observando seus detalhes em vermelho e preto. ― Obrigada. ― Levanto-me e lhe abraço rapidamente. Quando volto para me sentar, vejo que ela percebeu meu machucado na boca, e minha mão com a cicatriz recente da queimadura.

— O que aconteceu com sua boca e sua mão? ― Indaga com uma expressão preocupada, apontando para os locais.

— Isso. ― Apontei para a boca. — Foi em um problema que eu tive com o Chris e o Killian. ― Ela balançou a cabeça em entendimento. Já conhecia todos e entendia o que eu quis dizer com problema. — E isso... ― Apontei para a mão queimada. — Foi... ― Parei, pensando no que responder. O que eu diria? Que estava beijando sua ex-cunhada quando me queimei?

— Eu estava cozinhando e essa curiosa veio ver o que era, e quando me virou para dar um abraço, apenas como desculpa, só para conseguir provar a comida, acabou queimando a mão na panela. ― Regina explicou em meu lugar, livrando-me de uma possível mentira mal contada.

— Hum... ― Tinker pareceu não aceitar bem a desculpa, porém não questionou nada sobre o assunto.

Ficamos conversando até dá a hora de eu e Tinker irmos para a escola. Após almoçarmos, a loira se despede de Regina e vai para o carro. Ela me daria uma carona até lá.

— Em, fique longe daquela mulher, ouviu bem? ― Minha morena me pede, colocando algumas mechas do meu cabelo atrás da orelha.

— Vou fazer o possível. ― Dou-lhe um beijo na testa. — Pode ficar tranquila. ― Beijo-lhe na boca como despedida, e finalmente saio de casa, indo ao encontro da outra, que me esperava no carro.

•§•

Durante o caminho, vou conversando amenidades com Tinker, ao mesmo tempo que pensando em como vou fazer para ficar longe daquela mulher, enquanto Regina não voltar.

Isso será um grande problema para mim.

Assim que cheguei na escola, fui correndo, literalmente, para a sala de aula para não correr o risco de esbarrar com Fiona pelos corredores.

Alguns minutos depois, o sinal tocou, indicando o início das aulas. Para minha falta de sorte, a primeira seria dela. E ao entrar na sala, não perdeu a chance de brigar comigo, ficar o tempo todo na minha cola, e me encarar descaradamente.

Na hora do intervalo, ela veio em minha direção, provavelmente para falar comigo, porém por sorte, o meu celular tocou e eu tive que me afastar para atender. E quando eu terminei, Ruby e Killian se juntaram a mim na quadra, impossibilitando sua aproximação. Todavia, eu não consegui fugir por muito tempo. A última aula seria dela novamente, e durante a mesma, ela informou que alguns alunos estavam em pendência na matéria, e eu era uma dentre os alunos envolvidos. Depois de conversar com alguns, chamou-me até a sua mesa e sem dar chance para eu protestar, disse-me que queria conversar comigo pós-horário de aula, o que me deixou bastante apreensiva.

Quando a aula acabou, todos os alunos saíram da sala, Ruby e Killian também saíram para me esperarem lá fora, e eu fiquei a sós com ela.

Fiona andou até a porta e a trancou. Meu nervosismo só aumentou. Eu já estava pensando em pular pela janela se ela viesse para cima de mim e tentasse me beijar a força, ou me machucar para forçar a algo. Não sei, mas eu já estava preparada.

— Emma... ― Aproximou-se de mim devagar e parou a poucos centímetros. — Não precisa ficar com medo. ― Tocou o meu rosto e eu o virei no mesmo momento, tentando afastar o toque. — O que ela falou para você? — Indagou com leve irritação na voz.

— Sobre? ― Fingi desentendimento. Acreditando que ela não faria nada, baixei a guarda, encostando-me a mesa.

— Você sabe do que eu estou falando. ― Diz com frieza e irritação.

— Tudo bem. ― Dou um suspiro. — Ela me disse o que você fez com ela no passado.

— Emma, eu mudei. ― Abaixou até a minha altura e colocou as duas mãos apoiadas na mesa, deixando-me encurralada, cercando-me com os braços. — Acredite em mim, não sou mais daquele jeito. ― Aproxima-se lentamente do meu rosto, e tenta me beijar, mas eu prevejo o seu movimento, e afasto o rosto rapidamente, fazendo-a me beijar na bochecha. — Dei-me uma chance para mostrar que eu sou uma boa pessoa. Esqueça o meu passado. ― Suplicou. Coloquei minhas mãos em seus ombros, e a empurrei, porém ela colocou mais força, e quase não saiu do lugar. — Eu te prometo fazer feliz. ― Sussurrou em meu ouvido. — Eu não farei nada do que fiz no passado com a Mills.

Antes que eu pudesse responder algo, o meu telefone tocou, fazendo-a se afastar de mim rapidamente. Agradeci a Deus pela interferência. Olhei no visor e vi o nome de Regina. Mas antes que eu chegasse a atender, a ligação encerra. Ela vai me matar por eu não ter atendido.

— Fiona, eu não quero nada com você. Eu nem mesmo te conheço, em primeiro lugar. ― Ela abaixou o olhar, mas tornou a aproximar-se de mim. Persistente. É até admirável, porém tem limites, e ela parece não conhecer essa palavra.

— Eu vou estar aqui quando você quiser. ― Beija-me no rosto e se afasta, indo até suas coisas em cima da mesa e guardando-as. — Traga um trabalho de gramática para mim, sobre o assunto atual até amanhã. ― Fala em tom frio e vai até a porta, destranca-a e volta para a mesa. — Até amanhã, senhorita Swan.

Saio rapidamente da sala e dou de cara com Regina, que aparentemente estava muito nervosa.

— O que estava fazendo trancada com aquela mulher? ― Indaga sem nem ao menos me cumprimentar. Ela estava bem nervosa.

— Calma Rê. ― Toquei em seu braço. — Ela não fez nada comigo, nem vai fazer. ― Arqueia a sobrancelha e semicerra os olhos. — Eu conversei com ela e a mesma não fará nada comigo. ― Expliquei, tentando lhe acalmar. ― E não aconteceu nada lá dentro. — Esclareço. ― Exceto, dois beijos na bochecha. ― Concluo hesitante.

— O que? ― Arregala os olhos. — Eu peço para você ficar longe dela, e além de você ficar trancada, diz que ela te beijou? ― Questiona em tom incrédulo, e começa a bater o pé no chão, numa atitude furiosa. Mas eu queria sorrir, vendo seu pesinho bater no chão. ― Você que procurou ficar presa com aquela mulher, Emma Swan? — Colocou a mão na cintura.

― O que? Ficou maluca, Regina? ― Agora é minha vez de encará-la incrédula. ― Eu tenho juízo, ok? Eu não tenho culpa se aquela mulher não tem limite.

— Tudo bem. ― Suspirou pesadamente e fechou os olhos por um instante. — Desculpa. Agora foi minha vez de passar dos limites. ― Murmura. ― Será que você poderia me dizer o que estava conversando com ela? ― Pergunta-me mais calma.

— Primeiro eu quero saber como soube que eu estava lá com ela, e o que está fazendo aqui. ― Peço com falso autoritarismo, e a puxo pela mão, para sairmos dali logo, e irmos para casa.

— Seus amigos me disseram. ― Responde minha curiosidade. — E eu vim aqui para conversar com a diretora sobre quando eu volto. ― Abraça-me de lado enquanto saiamos da escola. — Agora eu quero saber o que vocês conversavam.

— Curiosa. ― Digo bem humorada, e recebo um empurrão em seguida. — Ei. ― Reclamo e ela sorri, apertando-me mais em seu abraço de lado. Também coloco o meu braço em seu pescoço, beijo-lhe a cabeça e eu resolvo contar nos mínimos detalhes do que conversei com Fiona.

Pegamos um táxi e vamos para casa, aproveitar o resto da noite, juntas.

Notas finais
Até o próximo capítulo, galera.