Next to Me
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Entramos na boate, que estava bastante lotada, para a minha surpresa, de muitos jovens como eu, e bem animada ao som de Irene Cara, cantando “What a feeling”, e fomos procurar um lugar para ficar.
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— Você bebe? — Regina me pergunta de repente, assim que assentamos nossos bumbuns no acolchoado assento de couro vermelho do banco.
— Tudo e mais um pouco.
— Ok, mas não hoje, tudo bem? — Questiona-me em um tom sério. — Não comigo! — Balança o dedo negativamente em minha direção. — Você não tem nem 20 anos ainda. Não irei me sentir bem, sabendo que uma menor de idade, bebe em minha presença, e eu me passo por negligente.
— Regina! — Faço um enorme bico, sentindo-me como uma criança fazendo manha para a mãe, por estar sendo impedida de comer doce. — Não acredito que você vai bancar a... — Coloca um dedo em meus lábios, impedindo-me de continuar o que dizia. Respiro fundo, fechando os olhos e buscando calma, e decido deixar para lá. Além de ela estar certa, eu não sou movida a álcool mesmo. Posso passar uma noite sem beber. Não vou morrer por isso. O que eu não posso fazer, é estragar algo que tem tudo para ser bom, por causa de uma besteira dessa. — Ok! — Disse por fim. — Você tem razão. — Murmurei, desviando minha vista para a pista de dança, capturando as pessoas dançarem. Rapidamente, meus ouvidos captaram “Night fever” e eu me animei. — Vamos dançar? — Chamei-a, sem nem mesmo olhar para ela. Estava empolgada demais olhando as pessoas dançarem sincronizadamente, igual nos filmes de época. — Eu amo essa música!
— Você sabe dançar?
— Meus pais me ensinaram por muito tempo. — Levantei-me, e estendi minha mão, que rapidamente foi aceita, sendo segurada com força e animação.
•§•
Bem animadas, dançamos duas músicas em meio as pessoas, imitando-as, até a segunda acabar. Quando a seguinte começou, ainda do mesmo artista, pedi uma pausa para Regina, para ir ao banheiro, e ela decidiu que também pararia, pois estava cansada, e pegaria bebidas para matar quem estava nos matando.
Quando eu voltei para onde estávamos sentadas, Regina ainda não tinha voltado. Enquanto eu a esperava, uma garota começou a me encarar, e a primeira coisa que eu lembrei, foi da inconveniência de Fiona. Um arrepio percorreu o corpo, ao me lembrar de suas encaradas intensas e perturbadoras. Agradeci a Deus por Regina não ter me feito ir para a escola durante a semana que passou. Não queria ter que esbarrar com ela, nos corredores, banheiros, ou em sala de aula. Apesar de que, uma hora eu terei que ir e encara-la. Ao menos enquanto minha morena não estiver apta para voltar.
O segundo pensamento que veio à mente, consequência do primeiro, por envolver Regina, foi o colar que eu estou escondendo no bolso, para oferecer a ela no fim da nossa noite. Mais precisamente, em sua resposta ao meu pedido, se será positiva ou negativa.
Meus pensamentos são interrompidos pelo susto que tomei por causa da garota que me encarava segundos atrás. Agora, ela estava sentada em minha frente, no lugar de Regina, com as mãos na mesa, encarando-me bem de perto.
— Olá, tudo bem? — Saúda-me em um tom sedutor, abrindo um sorriso igualmente. Sei exatamente o que ela quer, e preciso confessar que é bonita, mas não me chama a atenção para qualquer coisa, primeiro por só sentir atração por uma única mulher, Regina, e segundo, por não ter interesse algum em pessoas da minha idade.
Antes que eu respondesse à garota, Regina chega com as nossas bebidas, e uma expressão irritada em seu lindo rosto esculpido pelo maior artista que eu conheço, com certeza por causa da outra.
Eu só espero que isso não acabe com a nossa noite.
— Atrapalho algo? — Pergunta em um tom cínico, dividindo sua atenção comigo e a garota, que agora lhe olha tão encantada quanto fez comigo momentos antes.
— Não... — Respondi rapidamente, fazendo a garota me olhar rapidamente, e se afastar. Tive vontade de sorrir do seu olhar sem graça.
— Desculpe... — Sorri sem graça. — Tenha uma boa noite! — E então vai embora, deixando-nos sozinha novamente.
— O que acabou de acontecer aqui? — Fingi inocência
— Aquela garota estava dando em cima de você. E olha que aqui nem é uma balada LGBT. — Joga-se em seu lugar, e me oferece o guaraná que trouxera, ficando com um drink que eu não me lembro de já ter visto antes.
— Ei... Calma, tá? — Tentei segurar sua mão, mas ela a puxou para longe. Eu estava encrencada sem nem ter feito algo.
— Calma? — Repetiu irritada. — Aquela garota estava dando em cima de você, e ainda está pedindo para eu ficar tranquila? — Bebeu um generoso gole de seu drink tão vermelho e bonito. — Você nem fez nada... — Disse um pouco mais calma.
— E eu deveria? — Eu queria ver até aonde ela iria com esse ciúme, e se assumiria. Estava me segurando para não gargalhar. Regina me olhou incrédula, e mais uma vez eu me segurei para me manter sério. — Eu sou solteira. — Dei de ombros, desviando minha atenção para o meu guaraná, que parecia tão gelado, e no ponto certo para matar a sede. Tomei um susto quando vi Regina se levantar depressa com seu copo em mãos, e sumir pela multidão. Arrependi-me no mesmo instante pelo que havia dito, que apesar de ser a verdade na teoria, não era na prática. Pois, apesar de não ter tido um pedido formal, estávamos tendo um relacionamento, com os mesmos comportamentos de um namoro. Só não tinha um pedido.
— Puta que pariu, Emma! — Bati na mesa, irritada comigo mesmo.
Se eu não tinha feito nada antes e já estava encrencada. Agora que eu fiz, eu estou mais ainda.
Sem fazer ideia de por onde começar a procurar, eu só me levantei e me enfiei na multidão também.
•§•
Encontrar Regina Mills não foi fácil. Foi mais difícil que encontrar o ovo de ouro, na páscoa.
Isso não estava nos meus planos.
Eu só queria sair, divertir-me muito, pedi-la em namoro, e passar o resto da noite que teríamos, agarradinha a ela, aqui ou em casa mesmo, ou nos dois lugares. Eu só queria receber e dar carinho à mulher por quem estou apaixonada.
Alguns minutos rodando feito uma barata tonta, um belo de um castigo pela minha língua grande, usada de forma errada, consegui encontrar ela dançando sozinha com dois drinks vermelhos na mão.
Era melhor eu fazer o pedido logo, antes que ela fique bêbada.
— Ei, vamos nos sentar... — Chamei-a, puxando devagar pela mão.
Em silêncio, atravessamos a multidão, e voltamos para o nosso lugar.
— Você pode me perdoar pela besteira que eu disse? — Perguntei em meu melhor tom sério.
— Não foi besteira, foi a verdade.
— Não tente me fazer de certa... — Ela me encarou, mas não fez menção de que falaria. — Na teoria não estamos namorando. Não teve um pedido formal. Mas na prática sim. Agimos como um casal de namoradas... — Toquei em sua mão, e dessa vez ela não puxou para longe. — Eu não falei aquilo com intenção de te deixar triste. Na verdade, eu só estava brincando. Percebi o seu ciúme e queria saber se você assumiria. Contudo as coisas seguiram por outro caminho... — Vi seus lábios se abrirem num sorriso, e me permiti fazer o mesmo.
— Tudo bem... Vamos esquecer isso. Eu também errei com meu ciúme exagerado. Isso não é bom... — Disse, e eu assenti, concordando. Soltou suas mãos da minha, e bebeu o restante de um dos drinks que segurava quando eu a encontrei. — Como a música sugere... Vamos dançar? Gosto muito dessa.
Demos nossas mãos novamente, e juntas seguimos para a pista, para balançarmos em sincronia com os demais, ao som de “You should be dancing” também de Bee Gees.
•§•
Após alguns minutos dançando, toda a raiva que Regina poderia estar sentindo, já havia dado lugar a calma, aos sorrisos, e a alegria. Aproveitaria o seu bom humor e sobriedade, para fazer o que eu estava planejando desde que chegamos aqui.
— O que você faria se eu te pedisse em namoro? — Sussurrei em seu ouvido. Devido a lenta música que tocava no momento, era possível ficarmos abraçadas em quanto dançávamos.
— O que você faria se eu respondesse que não? — Rebateu com outra pergunta, o que me fez sorrir e ao mesmo tempo ficar apreensiva com a possibilidade de isso acontecer.
— Não se responde uma pergunta com outra. Eu perguntei primeiro.
— E eu perguntei por segundo. — Rebateu rapidamente, claramente querendo dizer que eu não obteria uma resposta, se eu não a respondesse primeiro.
— Argh! — Revirei os olhos. — Ok. Uh... Eu ficaria muito triste, choraria bastante, ficaria antissocial por um tempo, só sairia de casa para ir ao curso e a escola, e para tentar esquecer do não recebido, eu beberia até não lembrar aonde moro.
— Muito maduro da sua parte, Emma Swan. — Mesmo com a pouca iluminação, vi seus olhos semicerrados. — Quer dizer que se eu disser sim, mas por eventualidades, acontecer algo e tivermos que romper, é assim que agirá?
— E como eu deveria agir? Um fim de um relacionamento, ou escutar um não de alguém que você gosta, não é fácil. Não dá para continuar bem depois disso.
— Eu sei disso. Contudo, eu não me referia ao humor, mas sim, a última parte. — Esclarece, fazendo-me revirar os olhos e balançar a cabeça negativamente. — Eu não sei como você deveria agir, talvez ficar triste, chorar um pouco, e procurar algo para se distrair e ajudar a seguir em frente... — Sugeriu dando de ombros. — Mas uma coisa é certa. — Levantou seu cedo, passando-o pelos meus lábios. — Escutando uma resposta dessas eu seria obrigada a ter que responder que sim, só para não me sentir culpada em saber que uma jovem entrou em coma alcoólico por minha culpa.
— OK! Eu tiro a parte da bebida. Você está certa. — Levanto a mão em sinal de rendimento. — Mas, está querendo dizer que minha resposta foi tendenciosa? — Ela assentiu muitas vezes. — Desculpa, mas foi você quem quis fazer a pergunta por cima da minha, e me pediu para responder primeiro. — Vejo-a semicerrar os olhos, e arqueio a sobrancelha. — E tem mais... Acho que eu iria atrás daquela garota que veio falar comigo. — Disse em claro tom de brincadeira, e sorri quando senti que ela me apertou mais forte em seus braços.
— Certo. Agora vamos reverter a pergunta... — Passa a mão carinhosamente por meus cabelos, colocando uma mecha por trás da minha orelha. — E o que você faria se a resposta fosse sim?
— Eu te beijaria como se não houvesse amanhã, pularia de alegria, se possível, acrescentaria no meu calendário como um dos dias mais felizes da minha vida, e depois te daria um presente para comemorar. — Respondi-lhe, extremante nervosa. Meu coração estava batendo acelerado e eu tenho certeza que ela estava sentindo, por causa de nossa proximidade. — Então, qual será a sua resposta? — Sussurrei em seu ouvido, e me afastei para encara-la. Eu estava suando frio.
— Você tem 18 anos e eu 32. — Respondeu séria. Meu coração doeu. Seria um não?
— E daí? São apenas 12 anos de diferença. O que há de errado nisso? — Respondi triste, já sentindo meus olhos arderem.
— São 14 anos de diferença, Em. — Corrigiu-me, e eu pude perceber que também estava triste.
— Desculpe-me, eu sou de humanas. — Abriu um sorriso, mas este não chegou aos olhos.
— Eu tenho idade para ser...
— Não fala isso, por favor... — Pedi baixinho, e encostei a cabeça em seu ombro. Pelo jeito a resposta seria não. E aparentemente, apenas por causa da idade.
— Eu sou sua professora...
— Eu não ligo.
— É antiético. Eu posso perder meu trabalho por isso... — Ela puxou-me, para que eu pudesse lhe olhar. — Não poderíamos sair tranquilas na rua... Alguém poderia nos ver por aí...
— OK! Eu já entendi. — Disse, cansada de ouvir tanto empecilho.
— Sinto muito. — E então me puxou para um abraço apertado.
Ficamos alguns minutos abraçadas em silêncio, até o fim de mais uma música.
— Mas eu aceito. — Sussurrou de repente, surpreendendo-me. Levantei a cabeça para encara-la e ter a certeza do que ouvia. Eu já estava certe que ela havia me dado o não como resposta, apenas por tudo que me disse. — E a resposta seria sim desde quando você perguntou. Eu só queria te testar. Queria saber se você realmente queria isso, mesmo com tanta dificuldade que provavelmente enfrentaremos. — Explicou. — Ter feito isso também me serviu para eu repensar minha resposta, e ter certeza do que queria. — Confessou-me, beijando minha bochecha.
— Eu quero muito te beijar agora. — Confessei, apertando-a mais em meus braços.
— Ninguém está te impedindo. — Então ataquei a sua boca, num beijo lento, e cheio de amor. Não me importei se as pessoas ao redor estariam nos olhando. A final de contas, eu não devo nada a ninguém mesmo.
Após nos separarmos do beijo, puxei-a para a nossa mesa de novo.
— Eu quero te dar uma coisa, porém eu não sei se você vai gostar. — Sentei ao seu lado e a abracei pela cintura. Onde estávamos sentadas, era um local escuro e reservado. Poderíamos fazer qualquer coisa. Ninguém, nem que passasse, nem que estivesse próximo, veriam nitidamente.
— O que você me der eu vou gostar. — Beijou meus lábios com carinho. — O que vale é a intenção.
Tirei o celular do bolso e o coloquei em cima da mesa. Em seguida, tirei uma caixinha preta, contendo o colar, peguei a sua mão, dei um beijo em seus dedos, e depositei o colar a caixa em sua palma. Em segundos ela abriu a caixa.
— É lindo, Em. — Abriu um enorme sorriso, dando-me a certeza de que eu havia acertado na escolha. — Eu adorei. — Beijou-me novamente, um pouco mais demorado dessa vez. — Coloca em mim. — Pediu já me entregando a joia e se virando de costas. O colar era um cisne de ouro branco, cheio de pedrinhas azuis pelas asas. — Não o tirarei mais daqui. — Disse após eu atacar a corrente. — Obrigada. — Passou a mão pelo pingente.
— É apenas um símbolo, para você se lembrar sempre de mim. — Digo, referindo-me ao cisne.
— Como se eu precisasse de algo para te ter o tempo todo em minha mente. — Confessa, fazendo meu coração ficar acelerado.
Peguei o celular que estava em cima da mesa, e tirei uma foto sua com o colar. Em seguida, marquei nos lembretes, juntamente com a foto, a data do dia, para nunca mais esquecer um dos dias mais felizes da minha vida. Apesar de que, uma noite como essa, eu jamais esqueceria.
— Ficou lindo. — Mostrei a foto para ela que rapidamente concordou, ainda com o seu encantador sorriso nos lábios. — Vamos embora? — Olhei a hora no celular, e já passava da meia noite. Regina assentiu, já se levantando e estendendo a mão para mim, que agarrei rapidamente, e a segui para fora.
A noite havia saído melhor do que eu imaginei.
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