Next to Me

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Notas iniciais
E aí gente, voltei rápido dessa vez, né? Gostaria de agradecer a quem vem me acompanhando, favoritando, comentando, interagindo, e recomendando esta fanfic. Isso tudo é muito importante para mim, e eu não tenho palavras para explicar o quanto sou grata, de verdade.

Durante a madrugada, eu acordo algumas vezes por conta da dor que estou sentindo em minha queimadura. Mas Regina não vê em nenhuma das vezes, e eu agradeço por isso, pois não queria atrapalhar seu sono com coisas minhas.

Quando eu vejo que finalmente amanheceu, levanto-me da cama com cuidado para não a acordar, e saio do quarto. Procuro pela sala e pela cozinha, o tal líquido azul que foi usado para aliviar minha dor na hora do incidente, mas não o encontro. Então, sigo para o jardim e me sento em baixo da macieira. Fecho os olhos e aproveito a brisa fria da manhã, batendo em meu rosto. O momento é tão bom, que por uns segundos, esqueço minha dor na mão.

Ainda de olhos fechados, e aproveitando o momento, sinto uma presença se aproximando. Sorrio, ainda de olhos fechados, e sinto um suave beijo em meus lábios.

— Bom dia! — Abro os olhos ao ouvir sua saudação, vendo-a ajoelhada em minha frente.

— Bom dia! — Sorrio-lhe, recebendo outro como resposta. Bato no chão ao meu lado, pedindo para que me acompanhe no momento relaxador que eu estava tendo.

— Caiu da cama? — Indaga-me bem-humorada, atendendo ao meu pedido e se sentando ao meu lado, mas sem se encostar a árvore, devido a cirurgia. — É tão cedo ainda...

— Perdi o sono... — Fiz uma careta, levantando minha mão machucada na altura de suas vistas, para entender o motivo. — Aproveitei para ver o Sol se fazendo presente na manhã...

— Você deveria ter me acordado para te ajudar com essas dores. — Diz séria, e eu sinto como se tivesse recebendo uma reclamação.

— Eu não queria atrapalhar teu sono com uma besteira dessas. — Respondo em tom baixo, desviando o meu olhar para o chão a minha frente.

— Isso não é uma besteira, Swan. — Toca em meu braço, tentando trazer minha atenção para si. Mas eu só olho para a sua mão apertando o meu braço de leve. — Eu não me importaria de me acordar na madrugada para cuidar de você... — Encarei-a finalmente, sentindo o meu coração bater acelerado com sua afirmação. — Você me ajudou muito quando eu precisei. Agora é minha vez de retribuir. — Diz em tom baixo. — O que está sentindo agora? — Pega minha mão machucada, com cuidado, e analisa.

— Está tudo queimando... — Faço uma cara de dor enquanto ela acaricia ao redor do machucado, trazendo-me medo e alívio ao mesmo tempo.

— Já está bom de trocar esse curativo. — Levanta-se e me puxa pela mão, indo em direção a casa.

•§•

Assim que entramos, sento-me no sofá enquanto ela vai para o corredor dos quartos, voltando em seguida, com o tal líquido azul em mãos, que tanto procurei assim que me levantei.

— Onde estava? — Pergunto assim que ela se senta ao meu lado no sofá, e começa a desenrolar a gaze da minha mão.

— Em cima da mesa de cabeceira. — Diz simplesmente, sem tirar sua atenção do que fazia. Reviro os olhos comigo mesmo. Incrível como eu não consigo achar as coisas que eu quero.

Durante todo o processo, ela me pergunta se está doendo, e eu nego. Na verdade, eu só estava com medo de sentir a dor, com tantos dedos e unhas, passando perto do local. Mas não explanei isso para ela. Depois que minha professora derrama o líquido em cima do local, vai até o quarto novamente, e traz em uma pomada, que depois de ser colocada na região, é novamente coberta por uma nova gaze.

— Onde aprendeu a fazer isso? — Indago surpresa por sua habilidade e tranquilidade enquanto fez o novo curativo.

— Em casa, na faculdade, na escola e no hospital. — Dá de ombros.

— Legal... — Digo feito uma abobalhada, e ela sorri-me. Vejo-a enrola o resto da gaze, pegar a pomada e o líquido e ir na direção do quarto, voltando alguns minutos depois, com uma toalha em mãos.

— Você vai mesmo comigo ao hospital? — Quis saber, aproximando-se do sofá, e se encostando ao mesmo.

— Sim, eu vou. — Ainda sentada, procuro a minha bolsa pela sala. Mas como sempre, sem sucesso. — Onde está minha bolsa? — Volto a encara-la, semicerrando os olhos. Tenho certeza que tem dedo dela no meio, no sumiço repentino da bolsa.

— Está no meu quarto, em cima da poltrona, onde tem que ficar. — Responde-me com sarcasmo. Reviro os olhos. Às vezes, Regina parecia minha mãe. — E não ali... — Aponta para o chão, onde eu lembrava que a tinha deixado. — Estou indo me arrumar para sairmos. — E então sai rebolando, seguindo em direção ao banheiro.

•§•

Depois de tomarmos banho e tomarmos café, nós seguimos para o hospital.

Assim que chagamos ao Legacy, o enfermeiro que me atendeu noite passada, veio me perguntar como a mão estava, e depois de conversarmos um pouco, ele me deu uma sacola com mais gaze e remédios, para eu tomar e passar no local do ferimento, quando eu tivesse sentindo dor. Agradeci ao senhor e voltei para ficar junto de Regina, que logo foi atendida pelo mesmo enfermeiro que me atendeu e estava conversando comigo.

Enquanto ele retirava os pontos das costas dela, outra enfermeira foi buscar o Raio-X, feito assim que ela chegou no hospital, no dia do acidente.

Após uma hora e meia, o processo de retirada dos pontos foi concluído. Regina estava toda dolorida, e o rosto banhado de lágrimas, pois alguns pontos foram difíceis de ser retirados, e mesmo com todo o cuidado do senhor que fazia o trabalho, era impossível não sentir dor. O enfermeiro passou uma pomada de leve, pela cirurgia, e depois fez um curativo simples por cima. Mandou novamente ter cuidado e repouso, para que não sangrasse mais, já que durante o processo de retirada, tudo sangrou, e pediu para que não fizesse esforço durante dois dias.

Quando saímos do hospital, Regina não podia dirigir. Então, mesmo com a mão machucada, eu era a mais apta para a condução.

Após muita insistência de sua parte, fomos direto para a minha casa. Enquanto eu me arrumava para ir para a escola, ela preparava algo para comermos.

•§•

Depois do almoço, como ainda estava cedo para mim, voltamos para a sua casa. Guardei o carro na garagem, e escondi a chave dentro da minha bolsa, para Regina não inventar de sair de casa durante a tarde, de carro.

Uma vez dentro de casa, jogada no sofá, esperando dar a hora de sair, insisti bastante para não ir ao colégio. Do jeito que minha mão estava, não daria para eu escrever. E se eu fosse só ouvir, acabaria dormindo em todas as aulas. Mas Regina, cabeça dura como é, não me deixou faltar, pois eu já tinha faltado demais e poderia acabar reprovando só por isso. O que eu sei que não aconteceria. Mas, sabendo que tinha perdido a batalha, não quis contestar mais, e desisti dos meus argumentos.

— Em... — Chamou-me assim que passamos pela porta da casa. Estávamos indo esperar um táxi para mim. — Não quero você perto da Fiona. — Abraçou-me pela cintura, e deitou a cabeça em meu ombro. Apesar da forma como disse a frase, entendi que não estava mandando, mas sim, pedindo.

— Você poderia me dizer por que ela não é uma pessoa boa, e não gosta dela? — Pedi, curiosa demais com esse assunto das duas. — E por que não me quer perto dela? — Acrescento antes que ela comece a responder.

— Nossos tempos na faculdade não foram os melhores. — Dá um longo suspiro, deixando-me ainda mais curiosa que antes. — Ela me fez muito mal. — Continua, após uns segundos em silêncio.

— Se você não quiser falar, eu vou entender. — Apresso-me em dizer. Não quero força-la a falar de um assunto ruim.

— Eu quero falar... — Paramos de andar, e ela se solta de mim. — Você precisa saber quem é aquela mulher que passou todo o tempo que pode, observando-te descaradamente. — Diz, fazendo uma careta, que eu só não rio porque o momento é sério.

— Tudo bem então... — Balanço a cabeça positivamente. — O momento é todo seu. — Faço uma reverência e ela sorri.

— Aquela mulher, além de me difamar, aprontou muito comigo... — Seus olhos se focaram além de mim. Parecia estar se lembrando de algo. — Fez-me perder amigos... — Sussurra. — Ela me caluniou bastante. Tudo por causa de um não. — Balançou a cabeça em negação e deu um sorriso que não chegou aos seus olhos. — Um simples não que me trouxe tantos problemas. — Olhou para baixo e pude ver uma lágrima escorrendo de seus olhos. Ela respirou fundo. — Não foi exatamente a palavra não. Mas foi por aí que tudo começou. — Levo minha mão ao seu rosto, e enxugo a lágrima solitária que desceu. — Acho melhor eu te contar depois, quando estiver mais preparada. — Pega o celular no bolso da calça e olha para a tela. – Sem falar que já estar na hora de você ir estudar. — Pega em minhas mãos e deixa um beijo em cada uma. — E, por favor, não chega tão perto daquela mulher. — Suplica. Trago-a para mim, e beijo-lhe o lábio, esquecendo-me que ela tem vizinhos, que tem olhos, e podem nos ver.

— Tudo bem, farei o máximo para não chegar perto dela. — Sussurro, após beijar sua cabeça também. — Eu fiquei com medo dela, quando a vi pela primeira vez. — Digo com um sorriso, fazendo-a sorrir também, abandonando a expressão triste. — Quando você estiver preparada, eu vou estar aqui para ouvir tudo. — Beijo sua testa novamente, depois seus olhos, suas bochechas, o queixo, e por último, a boca mais uma vez. — Até mais tarde. — A contragosto, afasto-me dela, e sigo meu caminho, em busca de um táxi.

•§•

Assim que chego em frente à escola, percebo que não tinha nenhum aluno pelo pátio. Achei estranho, pois eu não estou atrasada, nem adiantada, estava no horário certo dessa vez.

Entro na escola, e sigo pelo corredor, vendo que todos já estão em suas salas de aula.

— Por que já estão tendo aula? — Questiono-me de cenho franzido.

Rapidamente, aproximo meus passos até minha sala, mas paro assim que ouço um pigarreio atrás de mim, que obviamente foi feito para chamar minha atenção.

Puta merda! Não acredito que a diretora está aqui...

— Srta. Swan? — Quando olho para trás, dou de cara com a última pessoa que eu queria encontrar naquele momento. Fiona. A professora substituta. Aquela que eu deveria fazer de tudo para ficar longe.

Notas finais
Espero vocês nos comentários ;)