Next to Me
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Notas iniciais
Cheguei ao pátio alheia a tudo e todos, só pensando no acontecido e olhando para o nada. Eu nem tinha percebido que tinha chegado até ali, tudo que se passava em minha mente e minha visão, eram os minutos atrás, quando eu estava conversando com Regina e ela me beijou no canto da boca, proposital ou não.
De repente, Killian e Ruby começaram a rir. Eu estava tão “fora do ar” que não fazia ideia do motivo.
— Swan? — Killian chamou-me, tirando-me de vez do meu mundo particular. Encarei-o mais nada respondi. — No que está pensando, hum? — Indagou curioso e olhou ao redor, como se estivesse procurando algo. — Para onde está olhando? — Agora me empurrava freneticamente de um lado para o outro.
— Hum? — Foquei bem minha visão nele. — Oi? O que é? — Respondi um pouco grossa, tirando suas mãos de mim.
— Está “voando” demais, hein... — Sorriu. — Está pensando em que, para ficar tão assim? — Arqueou a sobrancelha, encarando-me de forma maliciosa. Claramente estava pensando besteira. Só não sei que tipo. Mas eu podia imaginar qual. — E para onde está olhando assim? — Mais uma vez olhou ao redor. Acho que estava procurando o que eu poderia estar olhando antes de encará-lo.
Olhei rapidamente para além de Ruby que estava ao meu lado, e ao ver David, encontrei minha resposta.
— Eu... Eu estava apenas olhando para o lindo do professor David. — Acho que minha mentira serviu, pois Killian olhou para a direção em que eu estava olhando agora e revirou os olhos. Só para irritá-lo mais, decidi continuar: — Aquela bunda grande e gostosa. — Fiz um gesto com as mãos como se estivesse apertando algo. Na minha imaginação, era claramente a bunda de Nolan. — Aquelas coxas também... Hum... Uma delícia. — A verdade é que só era mentira mesmo, o fato de eu estar pensando sobre isso no momento, pois o resto era tudo verdade. Sempre achei o David bem lindo e gostoso. Ah, se ele não fosse professor e apaixonado pela MM.
— Já está bom, Swan. Não precisa continuar mais. — Falou irritado, impedindo-me de continuar. — Já entendi bem. — Sorri junto com Ariel e Ruby.
— Mas me digam, do que estão falando? Ou melhor... Fofocando... — Eles me encararam estranhos. — O que foi agora? — Indaguei, realmente sem entender qual o motivo da vez. — Qual o problema de vocês? Querem uma foto minha? — Brinquei.
— É que sua boca está suja de batom vermelho. — Killian quem responde, apontando para a boca dele, mostrando o local, e me lançando uma expressão desconfiada.
Não acredito...
— O que? Batom? Como assim? É sério? — Fingi inocência e surpresa e fiquei preocupada, principalmente com a expressão desconfiada de Killian. Nesse momento eu estava odiando o Killian ser tão observador.
Que droga! Ela ainda me marcou.
— É, Swan... Batom... Vermelho... — Disse palavra por palavra, como se eu não tivesse entendido o que falou. — Como conseguiu isso? — Indagou curioso. — Que eu saiba você não gosta muito dessas coisas. — Meu sangue gelou. O que eu responderia? Puta que pariu!
Killian continuava me olhando com uma expressão desconfiada e uma sobrancelha levantada.
Mas que merda! Como é que eu vou sair dessa?
Bem que alguém poderia morrer agora, ou sei lá, abrir uma cratera aqui no chão, só para eu não precisar responder essas perguntas.
— É... — Peguei meu celular no bolso e fingi estar vendo algo, só para ter uma ideia rápida do que responder. Forcei a mente e tive uma. — Primeiro... — Levantei o dedo. — Eu gosto de maquiagem. ― Mentira! Nunca fui fã, na verdade. ― Só não vivo usando para ir a qualquer lugar. — Isso era verdade. Ele murmurou um “hum” e eu prossegui: — Segundo... Eu não sou doida, sei bem o que é batom vermelho. A pergunta que eu fiz sobre o batom e a cor, era retórica. E terceiro e último... — Passei a mão rapidamente pela boca, para ver se, quem sabe, saísse, e caso ele resolvesse olhar mais de perto, não teria mais. — Você deve estar vendo coisas. — Conclui. E antes que ele pudesse responder algo mais, alguém o chamou e o puxou para longe de mim. Para melhorar, o sinal tocou, indicando o término do intervalo.
•§•
Antes de voltar para a sala, fui ao banheiro ver e limpar a arte que a Srtª. Batom vermelho fez em mim. Quando me olhei no espelho, vi que realmente, quase metade da minha boca estava suja de vermelho. Claramente a minha tentativa de limpar, não serviu e espalhou ainda mais o negócio.
Quando comecei a passar o papel para limpar o local, a lembrança do momento tomou conta da minha mente mais uma vez e eu pude jurar que senti novamente o beijo dela. Arrepiei-me toda.
Olhei para o espelho de cenho franzido. O que raios estava acontecendo comigo? Por que isso aconteceu? Por que senti isso?
Assim que terminei de limpar a bagunça da Srtª. Batom vermelho, saí do banheiro e fui para os bebedouros. Queria demorar o máximo para entrar na aula.
Quando já estava voltando para a sala, vi Regina passar rapidamente no corredor da diretoria. Apressei meus passos para alcançá-la e quando cheguei lá, o professor me viu e eu tive que entrar.
•§•
O resto da tarde e começo de noite não nos vimos mais. Depois do intervalo, Regina ainda tinha algumas aulas na minha sala, mas se eu entendi bem, um professor faltou e ela foi cobrir as aulas dele em outra sala, fazendo outro professor ficar em seu lugar na nossa sala.
Quando as aulas acabaram, fui para casa pensando nela e no ocorrido. No seu sumiço repentino, sempre nos víamos depois das aulas ou na saída ou no estacionamento, e dessa vez isso não aconteceu, depois do “beijo” que me dera. Poderia ser coisa da minha cabeça, mas ela parecia estar fugindo.
Cada vez que esse assunto vinha na minha mente, eu tentava desviar. Procurava várias outras coisas para fazer ou pensar, mas nada dava certo e me fazia esquecer. Nada funcionava.
•§•
Dia seguinte, a primeira aula é claro que era dela. Tinha que ser.
Assim que tocou o sinal, Regina entrou disparada na sala, colocou suas coisas rapidamente em cima da mesa e logo já estava escrevendo no quadro.
Dessa vez não olhou nem para mim e nem para ninguém. Estranhei mais essa atitude.
Killian era o único que ainda não tinha chegado e já estava até atrasado. Inclusive, Regina não gosta muito de atrasos. Mas quando Killian chegou, ela nem deu atenção para ele. Nem se quer o olhou de forma repreensiva. Ele, aproveitando que estava livre, apressou logo os passos até a cadeira e se sentou.
— Preciso contar a vocês, um sonho bem estilo Xvideos que eu tive essa noite. — Falou enquanto olhava para Regina, que ainda escrevia no quadro. Depois desse olhar, já até estou imaginando a merda que vai vir.
— Estilo Xvideos? — Eu e Ruby perguntamos ao mesmo tempo.
— Pornô, meninas. — Revirei os olhos, negando com a cabeça. — Não sabia que vocês eram tão ingênuas assim. — Riu de nós duas.
— Com quem, Killian? — Indagou Ruby, curiosa, ignorando seu comentário.
— Com a gostosa da Mills, é claro. — Respondeu baixinho, olhando agora, em direção a bunda dela, que estava apoiada na mesa, enquanto olhava algo em um livro.
Meu Deus, que bunda a Regina tem!
Balancei a cabeça rapidamente, algumas vezes, para esquecer o pensamento.
— Conta logo, Jones! — Pedi apressada, para que ele voltasse logo a atenção para nós e deixasse de olhar para o monumento dela.
O que está acontecendo comigo? Nunca chamei a bunda de Regina de monumento ou qualquer outra coisa, antes. Sempre a achei linda e gostosa, mas só isso, nada mais.
— Calma apressadinha. — Voltou sua atenção para nós. — Então... Eu sempre tive um fetiche por fazer sexo num balão e...
— Num balão? — Interrompeu Ruby, rindo.
— É... Sempre tive vontade de fazer sexo ao ar livre, sempre gostei de aventuras e de preferência que fosse às alturas, ou melhor, em um balão, no ar, é claro. ― Explicou, como se fosse a coisa mais simples.
— Interessante. — Foi tudo que eu consegui responder. O Killian é louco, só pode. Apesar de que a ideia é até interessante.
Ok! Eu estou pegando a loucura dele, só pode.
Balancei a cabeça negativamente mais uma vez, para espantar os pensamentos.
— Então, continuando... Eu sempre tive esse fetiche e sempre sonhei em pegar a gata da nossa professora de Gramática e Literatura, vocês sabem... — Fez uma pausa e nós duas assentimos. Ariel não prestava atenção, estava olhando para o quadro, provavelmente escrevendo o que Regina tinha colocado lá. Muitas vezes, ela era nossa salvação. — E essa noite, as duas coisas se juntaram no meu sonho. — Abriu um largo sorriso. — Eu estava num balão, usando uma roupa de couro preta, e ela com um espartilho preto muito sexy, deixando os peitos dela do tamanho da terra... — Sorriu, fazendo gestos com as mãos. Exagerado! — E uma calcinha que parecia mais um fio dental e bem transparente. Ela se ajoelhou na minha frente e...
— Está bom, Killian. — Interrompi-o antes que ele falasse demais. — Não precisa continuar contando como você fez sexo com a “Rainha das maçãs.” — Senti-me desconfortável com o relato. Não gostei muito de saber que ele sonhara com ela, ainda mais assim, e usei o antigo apelido que dei, apenas para disfarçar um pouco o meu desconforto.
— No meu sonho ela era Rainha é de outra coisa, isso sim. — Falou num tom malicioso, olhando para mim e depois para ela.
— Eu iria adorar ter esse sonho também. — Murmura Ruby, mordendo o lábio e olhando fixamente para Regina também. Apenas os encarei e revirei os olhos. Será possível que todos iriam ficar com essa palhaçada de ficar maliciando com ela o tempo todo?
Depois dessa nossa conversa sobre o sonho, finalmente Regina chama a atenção de todos os alunos e inicia sua aula. Em nenhum momento ela me encarou como no dia anterior. Em nenhum momento me dirigiu a palavra. Não fez nada. Dessa vez, eu quem fiquei o tempo todo a encarando, esperando apenas que me olhasse também.
O pior, ou não, não sei, sei lá, é que a cada movimentação dela, na sala, eu a imaginava com o figurino do sonho de Killian. Eu estava desejando vê-la vestida daquele jeito. Era estranho. Isso nunca aconteceu comigo antes. Esse tipo de pensamento nunca me ocorrera antes.
Eu nunca desejei mulher alguma, muito menos ela, mas depois daquele “beijo” que me deu ontem, tudo estava mudando. Já estava desejando sentir os seus lábios vermelhos em mim de novo, só que desta vez, eu queria um beijo na boca toda para poder corresponder.
Sim, de uma hora para outra, ou não, eu estava começando a desejar Regina Mills, uma mulher, minha amiga e professora. Eu estava querendo corresponder e muito, um beijo dela. Só de imaginar acontecendo, sinto até um frio na barriga.
Fiquei uns minutos divagando, alheia a tudo e todos, imaginando muito mais coisas que só um beijo, e minha mente só voltou ao mundo dos vivos quando a aula acabou. Finalmente. Já não estava mais aguentando olhar para Regina e vê-la apenas de calcinha e espartilho no lugar de suas roupas.
Esse sonho de sexo no balão de Killian estava me levando à loucura.
Ao vê-la saindo da sala, levantei-me rapidamente e tentei falar com ela, mas o professor seguinte entrou e não me deixou sair.
•§•
O restante do dia, novamente, não a encontrei nem mesmo no intervalo, quando fui à mesa dos professores.
Não sei se ainda era impressão minha, mas, mais uma vez, eu estava começando a pensar que ela estava fugindo de mim depois do que fez.
— Que bonito, Srtª. Batom vermelho... — Murmurei comigo. — Bota lenha na fogueira e corre. — Balancei a cabeça negativamente. — Isso não será por muito tempo. Eu vou conseguir te encontrar. Você não vai fugir por muito tempo.
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