Next to Me
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Notas iniciais
Desperto-me na manhã seguinte, sentindo Regina completamente agarrada em mim. Abro os olhos e sorrio ao ver uma de suas pernas, em cima da minha, um dos braços, abraçando-me pela cintura, deixando-a bem colada ao meu corpo, e sua cabeça em meu peito.
A sensação de ter Regina assim, tão perto de mim, em meus braços, é tão boa, que me faz sentir-me como se eu estivesse no paraíso.
Se eu pudesse, jamais sairia dele.
Devagar, começo a mexer em seus cabelos negros e macios, enquanto observo cada belo traço de seu rosto, desenhado pelo melhor artista que eu já conheci.
De repente, Regina começa a se mexer, dando sinais de que está despertando. E então, em segundos, a calma e paz que eu sentia, tornou-se um reboliço dentro de mim.
O que aconteceria agora? Como teríamos que agir, após o beijo de ontem à noite? O que eu deveria dizer, assim que ela abrisse os olhos e me visse ao seu lado? Como vamos ficar depois disso? Será que ela vai se arrepender do que fez? Ontem não parecia arrependida. O que devo fazer? Será que devo fingir que nada aconteceu? E se ela quiser se afastar de mim depois disso?
Fechos os olhos, tentando afastar o nervosismo e acalmar a loucura de questões que se formou em minha mente, e quando torno a abri-los, Regina já está com os seus abertos, encarando-me com um sorriso nos lábios.
— Bom dia, Em... — Saúda em um tom doce, rouco e manhoso, por causa do sono, e mais uma vez move seus lábios em um sorriso, deixando-me bastante aliviada por vê-lo. Ao menos uma de minhas preocupações, não era mais uma preocupação.
— Bom dia, Rê! — Devolvo mais animada, sentindo-me mais tranquila. Talvez o acontecido da noite passada, não seria o assunto do nosso café da manhã. Essa constatação me fazia feliz e triste ao mesmo tempo. — Dormiu bem? — Sento-me na cama, e encoste-me ao espelho.
— Maravilhosamente bem. — Responde feliz, também se sentando e ficando de frente para mim, que estava um pouco inclinada em sua direção. — Sempre que eu durmo com você, durmo bem. — Confessa, pegando-me de surpresa e me deixando sem graça. Sinto que minhas bochechas estão vermelhas nesse exato momento.
— É... — Tento disfarçar com um sorriso, mas falho miseravelmente, e ela percebe. — Que bom. — Digo por fim, sem saber o que de fato dizer.
Ficamos nos olhando por alguns segundos, até ela sorrir novamente, e se aproximar de mim.
— Você fica uma graça, com vergonha... — Coloca uma mecha do meu cabelo, atrás de minha orelha, fazendo carinho no caminho de volta, parando em meu ombro. — Eu gostei disso... Gostei desse seu novo lado... — De repente, pegando-me de surpresa mais uma vez no dia, coloca uma perna em cada lado do meu corpo e senta em cima de mim. Seguro em sua cintura, numa ideia falha, de tentar afastá-la. — Rê... — Ela coloca o dedo indicador em meus lábios, fazendo-me calar, e faz um biquinho, que me da vontade de morder e beijar, de tão fofo que é.
— Você não quer isso? — Indaga hesitante, olhando para a nossa situação. Seu dedo ainda estava sobre meus lábios.
Dou um beijo no dedo, e o retiro de onde está. — Eu quero... — Digo extremamente envergonhada por confessar. — Mas é que... — E mais uma vez sinto seu dedo sobre o meu lábio, impedindo-me de falar.
Ela me sorrir, olhando em meus olhos, e se aproxima do meu ouvido.
— Então não fala nada... — Sussurra, deixando-me arrepiada no processo.
Em seguida, volta à posição anterior, de frente para mim, olhando em meus olhos, retira seu dedo de minha boca, e começa a cariciar minha face. Até que se aproxima novamente, e me beija.
Eu pensei que o beijo, na verdade, fosse apenas um selinho, tipo de bom dia, até sentir a sua boca se mover sobre a minha, e a sua língua passar algumas vezes pelos meus lábios, pedindo passagem. Rapidamente abro a minha, e dou início a um beijo lento e recheado de paixão, sentindo cada gostinho que aquela boca macia e doce tem a me oferecer.
Agarro-lhe com mais força em sua cintura, puxo-a para mais perto de mim, e levo minha mão direita até a sua nuca, aprofundando ainda mais o contato dos nossos lábios.
E a cada segundo que o beijo ficava mais profundo e gostoso, mais eu sentia falta de ar, e dificuldade para mantê-lo. Aparentemente, eu estava enferrujada em dar beijos longos. Os últimos que eu havia dado tinham sido no ano passado, com o meu ultimo namorado. Se eu quisesse passar mais tempo sentindo os lábios da minha morena, cobrindo os meus, sentindo seu gosto em minha boca, eu teria que treinar um pouco. Cinco minutos embaixo da água, prendendo a respiração, durante o banho, todos os dias, e esse problema seria resolvido rapidinho.
Depois de alguns segundos, tentando prolongar ao máximo o contato, não aguentei a falta de ar, e encerrei, a contragosto, o beijo. Eu na tinha muitas escolhas. Ou parava, ou teria problemas mais tarde.
Assim que nos separamos, respirei fundo várias vezes, tentando recuperar o fôlego, enquanto a via agir e respirar normalmente, como se tivéssemos apenas trocado beijos rápidos.
É... Eu estava mesmo ruim.
— Cansou, Em? — Pergunta com uma expressão maliciosa, mas em um tom zombeteiro. Sei que estava louca para rir de mim.
— Talvez... — Faço uma careta e ela sorrir. — Talvez eu esteja um pouquinho... — Confesso, fazendo um gesto de mínimo com as mãos. — Mas nada como um bom treino para esse pequeno problema ser resolvido.
— Então trate de treinar muito, pois quero passar muito mais tempo, beijando essa boca. — Sela nossos lábios em um beijo rápido. — Vou preparar algo para comermos. — Beija minha bochecha, e com um pouco de dificuldade, levanta-se da cama, e vai andando devagar até a porta, logo saindo e me deixando sozinha.
E então minha mente começa a processar tudo que aconteceu desde o momento em que eu despertei.
Um sorriso se forma em meus lábios, com as lembranças de minutos atrás, passando em câmera lenta, em minha mente.
Há alguns minutos, antes de Regina acordar, para ser mais específica, eu estava morrendo de medo do que aconteceria, quando ela despertasse, e de como nos comportaríamos em relação ao acontecido na noite passada. E agora, estou mega feliz, sem preocupação alguma, passando os dedos em meus lábios, ainda sentindo o gosto de Regina, e feliz, por saber que tudo está bem, e que meus medos de poucos minutos atrás, não irão acontecer. Pelo menos não agora. Mas espero que nunca, também.
Após repassar cada detalhe dos momentos vividos há pouco, resolvo me levantar e ir atrás dela. Lembrei que até semana passada, ela não saia nem da cama sozinha, e agora está andando sozinha por aí, com certa dificuldade, mas está. Então é bom ficar por perto.
Ao sair do quarto, escuto uns barulhos vindos da cozinha. Provavelmente deve estar fazendo o café da manhã. Quando entro na cozinha, segundos depois, vejo-a de costas para mim, mexendo em uma xícara que está em cima da pia.
Aproximo-me devagar para não entregar minha presença, e a abraço por trás, beijando-lhe o rosto, e lhe apertando no abraço. Ela solta a colher, agora visível para mim, que mexia no conteúdo da xícara, e começa a acariciar meus braços, que ainda estão rodeando sua cintura.
Ficamos alguns minutos, apenas nos acariciando, ainda abraçadas, até ela se virar para mim, beijar-me com vontade, e finalizar o contato com uma mordida em meu lábio inferior.
— E eu que pensei que nunca mais beijaria essa boca... — Confesso em um sussurro, um dos meus medos, e logo me dou conta da merda que fiz. Regina não se lembra do que havia acontecido entre nós, antes de Neal aparecer. Ela me encara com uma expressão curiosa, porém antes que pense em questionar algo, penso em uma desculpa, para explicar o que eu disse. — Eu pensei que você fosse se afastar de mim depois de ontem. — Disse, não mentindo completamente. O medo era real. A frase que eu soltei é que não se referia a noite anterior.
— Eu nunca me afastaria de você, Em. — Rebate, acariciando o meu rosto. Automaticamente fecho os olhos, aproveitando o momento. — Nem mesmo quando você não me contou sobre o Robin... — Abro os olhos rapidamente quando a escuto falar sobre o fato, porém antes que eu diga algo, ela me beija novamente. — Não precisa mais se preocupar com isso, Emma... Já está tudo bem... — Beija minha testa, e esfrega o nariz no meu. — Agora, vamos comer algo, pois eu estou com fome. Muita fome. — E então, vira-se novamente para o balcão, voltando a mexer em sua xícara. Beijo o seu ombro, e me afasto, sentando em uma cadeira próxima à mesa, começando a lhe observar se movimentar pela cozinha.
•§•
Inacreditavelmente, passei a manhã toda, agarrada em Regina, deitada no sofá da sala, em meio a carinhos e beijos ora roubados, ora por vontades, assistindo desenhos animados, e comendo muita besteira. Eu nem acreditei. Regina Mills não é de comer porcarias. Mas naquela manhã, ela abriu uma exceção.
Mas infelizmente, como tudo que é bom, dura pouco, quando se aproximou das primeiras horas da tarde, nós, a contragosto, principalmente de minha parte, tivemos que encerrar nosso gostoso momento no sofá, pois eu precisava ir para casa, para me arrumar e ir para a escola. Infelizmente eu não tinha vindo preparada na noite passada. Não imaginei que a noite terminaria como terminou. Se fosse por mim, eu não iria à escola. Não faria mal, faltar um dia. Eu não costumava fazer isso, então não seria um problema. Mas Regina estava me obrigando a ir, alegando não querer ser a causa do meu reprovamento no final do ano.
— Eu não vou reprovar. — Faço um bico, cruzando os braços, sentindo-me muito, como uma criança, para ver se a comove e me deixa ficar.
— Sim, mas ainda sim, você precisa estudar. — Rebate firme. Já havia me dito aquilo umas duas vezes. — À noite você volta, e se quiser dorme aqui comigo. — Estávamos abraçadas, encostadas à porta, com ela acariciando o meu rosto enquanto falava.
— Parece que alguém está adorando dormir com a minha pessoa... — Comento em tom fingido de ingenuidade, apertando-a mais em meus braços.
— Sim, eu estou adorando dormir em seus braços... — Sussurra em um tom rouco, causando-me arrepios.
Começamos a nos beijar novamente, mas quando o conato está para se aprofundar, minha morena encerra o contato, e se afasta de mim. — Agora vai e deixa de me enrolar. — Dá uma tapinha em meu ombro. — Estarei te espero à noite. — E se solta dos meus braços.
— Vou ficar contando as horas. — Beijo-a rapidamente, e abro a porta. Regina me segue para fora.
— E eu estarei contando os minutos, querida. — Pisca um olho, liberando um sorriso logo em seguida.
E então eu me viro para ir embora, realmente contando as horas, para que chegue logo de noite, e eu volte para os braços do meu amor. Coisa que eu jamais pensei que fosse acontecer, depois de tudo.
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