Next to Me
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Notas iniciais
Com um sorriso bobo nos lábios, saio literalmente correndo da casa de minha professora, e vou direto para a minha, para tomar um banho, e ir para a escola. Talvez, se eu chegar mais cedo na escola, consiga, de alguma forma, sair mais cedo também, e poderei voltar logo para a casa de Regina.
Ao abrir a porta da minha casa, solto a bolsa no chão, ainda na sala, e nem me dou o trabalho de trancar com chave, a porta. Apenas a empurro para que se feche, e sigo direto para o quarto. Pego algumas roupas e o meu uniforme, e vou para o banheiro.
Depois de sair do banheiro, pego a roupa que escolhi e jogo dentro da bolsa. Troco os livros do dia, e sigo para o segundo melhor lugar da casa: a cozinha. Pego uma goiaba e uma pera dentro da geladeira, e saio às pressas de casa.
Apanho um táxi, depois de alguns minutos andando de um lado para o outro, inquieta com a demora, e durante o caminho, como minhas frutas.
Assim que pago a corrida e bato a porta do carro, sigo correndo para a sala, pois no meio do caminho, eu lembrei que tinha algumas tarefas de casa para serem feitas e entregues no dia de hoje, de algumas matérias. E por ter passado a ultima noite, ocupada, e a manhã também, eu não tive tempo para fazê-las.
Como sempre, minha querida amiga Ariel, como uma boa aluna exemplar que é, fez tudo. Pegando de outros alunos, que são bem estudiosos e tem uma pequena, talvez grande, queda por ela, mas ainda sim, fez. Então, sem delongas, puxo seus livros e cadernos, e começo a copiar o que posso, até o professor chegar à sala.
•§•
Enquanto eu terminava de copiar a atividade, o sinal tocou e, segundos depois, uma mulher estranha, entrou na sala. Parei o que estava fazendo, e fiquei olhando para ela, curiosa para saber quem era.
— Boa tarde, pessoal... — Vejo seus olhos percorrer cada rosto que há na sala, até chegar em mim e sorrir. Um sorriso frio e falso, que logo me fez me arrepiar de medo. — Meu nome é Fiona... — Apresenta-se e se senta na cadeira que há atrás da mesa do professor. — Serei professora de Gramática e Literatura Inglesa de vocês, enquanto a senhora Mills estiver de atestado. — Explica ao notar a cara de confusão de todos, inclusive a minha.
Elegantemente, senta-se em sua cadeira, e começa a mexer em sua bolsa. Aproveitando sua distração, volto a copiar as atividades, para não precisar ficar presa na hora do intervalo, ou não perder alguma explicação da matéria. Todavia, escrevo apenas três palavras, pois sinto uma presença perto de mim, e paro para ver de quem se tratava.
— Agora a aula é de Gramática, senhorita. — Delicadamente, fecha o caderno e o livro que estão em cima da minha mesa, e no colo. — Deixe para filar Física e qualquer outra matéria, depois, fora da minha aula, de preferência. — Encara-me nos olhos, friamente, e sai sem falar mais nada.
A contra gosto, devolvo as coisas para Ariel e abaixo a cabeça, descansando-a na minha mesa, pois não quero mais prestar atenção na aula dessa mulher. Preferia quando Tinker estava no lugar dela. Porém, não passo muito tempo assim, pois, novamente alguém se aproxima de mim, e por entre os meus braços pude ver que era ela de novo.
— Deixe para dormir no intervalo, ou saia da sala, todavia sabendo que receberá uma advertência. — Pega em um dos meus braços e o puxa para cima, fazendo-me levantar e encara-la. — Agora, preste atenção a minha aula. — Mais uma vez me encara friamente, e se afasta, sem dar qualquer outra palavra.
Qual a porra do problema dela, comigo?
Suspiro, irritada com essa mulher mandona e chata, que quer mandar em tudo, até mesmo quando podemos respirar, se for preciso, e decido ficar que nem um robô. Talvez assim ela me esqueça um pouco, e foque em outro aluno. E agradeço a Deus por Ruby e Killian não terem vindo à escola hoje, ou pelo menos não terem chegado ainda, senão seria difícil não perturbar na aula desse ser chato, que acabou de chegar, mas eu já não gosto.
•§•
Como se o dia estivesse adivinhando, as horas das duas primeiras aulas passaram-se se arrastando. E com a nova professora sempre pegando no meu pé, e me encarando intensamente, como se tivesse se perdido em mim, sempre que podia, e que muitas vezes me passava medo, quando eu percebia, foi pior ainda. O tempo parecia ter parado.
Se Fiona queria me intimidar, estava fazendo um ótimo trabalho. Merecia até um prêmio.
Killian e Ruby só chegaram depois que as aulas dela, acabaram. Não sei como conseguiram, mas a diretora permitiu que entrassem bem depois do horário, sem nem mesmo levarem uma advertência.
— Onde vocês estavam? — Perguntei, assim que o sinal para o intervalo tocou, e nós saímos para o pátio.
— Uh... — A expressão de Killian era travessa. Cara de quem estava aprontando. — Digamos que... — Coçou a barba. — Estávamos em uma maratona... — Responde finalmente, com um tom malicioso. Em seguida, olha para Ruby e os dois sorriem cúmplices. Até imagino o que possa ser essa maratona. Vindo desses dois, nada mais me surpreende. — Isso mesmo que você está pensando. — Diz, confirmando minhas ideias. — De sexo. — Sussurra mais próximo de mim. — O tempo todo, sem parar. Subindo e descendo. Entrando e saindo... — Faz movimentos com as mãos, para dar ênfase ao que diz. Aproxima-se mais de mim e diz em meu ouvido. — Você deveria participar conosco, Swan. — Ruby me abraça, como um incentivo para aceitar o convite. — Você sabe que sexo faz bem para a saúde. — Afasta-se de mim, cruzando os braços, fazendo uma pose de metido a gostoso, que ele sempre faz quando o assunto é sexo. — E pelo que sei, fazem... — Faz uma cara de pensativo e começa a contar nos dedos. — Um mês e uma semana que você não faz um bom sexo. — Vejo Ruby confirmar ao meu lado e reviro os olhos. — Sua preciosa deve está com enormes teias de aranha. — Faz gestos com as mãos, acredito, que imitando as teias. — A não ser que sua mão esteja trabalhando por esses dias. — Conclui, soltando uma gargalhada, sendo acompanhado por Ruby.
— Concordo com o Killian, loirinha. Você está precisando mesmo, pois sei que você não gosta de usar muito suas mãos para isso. — Posiciona em minha frente, ao lado de Killian. — Prefere de verdade...
— A proposta é tentadora, mas... — Faço uma careta. — Outro dia eu participo da maratona, tudo bem? — Os dois assentem com largos sorrisos, dando um high five em comemoração. Eu costumava participar dessas maratonas, quando eu não encontrava algo mais interessante para fazer, e nem estava comprometida, muitas vezes só olhando mesmo, e outras vezes, de fato, participando. Porém preferia mais ficar olhando. Era mais legal. — Agora, vamos mudar de assunto...
Enquanto eu conversava com os meninos de um lado do pátio, pude ver com minha visão periférica, que a tal Fiona, a substituta, não parava de me encarar. E mais uma vez, ela estava conseguindo me intimidar. E eu não estava gostando nada daquilo. Mas também não tinha coragem para chegar nela e perguntar o motivo disso. E o pior de toda essa situação, é que ela nem disfarçava o que fazia. Nem se importava se outros alunos estavam ou não, percebendo. Eu realmente queria muito saber qual era a dela. Contudo, coragem para perguntar, infelizmente, eu ainda não tinha.
Para a felicidade geral da nação, ou só a minha mesmo, em poucos minutos o intervalo acabou, e aquela tortura de olhares sobre mim, foi junto. Mas minha felicidade não duraria tanto, pois eu ainda teria mais duas aulas dela, durante o resto da tarde.
•§•
Quando ela voltou a nossa sala, tentei ao máximo não me intimidar, e nem me incomodar, mas havia momentos que era difícil fingir, quando ela, por motivos inexistentes, em vários momentos, ficou chamando a minha atenção, e me repreendendo por algo. Eu estava me sentindo violada. Vigiada o tempo todo.
Ruby logo percebeu suas encaradas, e contou a Killian. E os dois, em vez de me ajudarem, passaram o resto do dia tirando onda comigo.
Ao fim das aulas, sai às pressas da escola e fui para a minha casa. Queria ir logo me encontrar com Regina. Agora que estamos tendo algo, no qual eu não sei o que é, mas sei que temos, eu não quero mais perder tempo.
O tempo é precioso demais, e quanto mais eu tiver, melhor.
•§•
Quando chego em minha casa, tomo um banho rápido e troco os livros de hoje para os do dia seguinte. Durante o caminho, decidi que amanhã não voltaria para casa para trocar de roupa e ir para a escola, iria de lá mesmo. Dessa fora, eu ganharia mais tempo com a minha Regina. Então, pensando em minhas ideias, pego um uniforme limpo e coloco junto com a outra roupa que peguei de manhã cedo.
Quando já estou preste a sair de casa, alguém bate na porta. Vou correndo abrir e sorrio surpresa quando vejo minha avó parada do lado de fora, com um enorme sorriso, e os braços abertos para mim.
— Vó, que saudades da senhora. — Abraço minha velha, e beijo-lhe todo o seu rosto.
Sempre fui apaixonada por minha avó por parte de mãe, e sempre fui muito apegada a ela. Dona Eva sempre passou a mão em minha cabeça quando eu fazia algo errado e minha mãe vinha reclamar. Foi graças a ela que comecei a comer tanto. Pois sempre que vinha a nossa casa, ou eu ia até a sua, ela me fazia um banquete. E eu sempre adorei isso.
— Minha pequena, eu estava morrendo de saudades de você. — Beija-me todo o rosto também, e me abraça forte, quase me tirando do chão. — Como você está, meu amor? — Pergunta-me, soltando-me de seus braços donos de abraços reconfortantes, macios e quentes.
— Entra... — Dou passagem para que ela passe e fecho a porta, seguindo-a logo para o sofá. — Eu estou bem, e a senhora? — Sento-me do seu lado e pego em suas mãos. Agradeço mentalmente por estar com uma blusa de manga mais longa e a pequena cicatriz que Neal deixou em meu braço está bem escondida para evitar questionamentos. Eu não queria contar à dona Eva o que me aconteceu e aconteceu a Regina, embora devesse contar.
— Com certeza eu estou melhor agora que estou vendo minha preciosidade bem. — Abre seu lindo sorriso para mim, e começa a fazer carinhos em meus cabelos. Sempre adorei os carinhos de Dona Eva. Era o melhor remédio para dormir.
Durante a conversa com minha avó, ofereço algo para beber ou comer e ela não aceita nada, alegando falta de fome por ter comido besteiras no caminho até a minha casa. Pergunto quanto tempo ela pretendia ficar e sua resposta me deixou triste, pois pretendia ir embora logo. Só tinha vindo até Portland para saber como eu estava, como sempre faz ou manda alguém fazer, o que já não faz há muito tempo, durante os meses e pronto.
Durante toda a conversa com minha avó, eu não parava de olhar para a hora em meu celular. Minha velha acabou percebendo.
— Você vai para algum lugar, meu amor? —Eu estava deitada em seu colo, recebendo carinhos e mais carinhos.
— Vou sim. — Confesso, pois não iria adiantar eu mentir dizendo que não. Minha avó, assim como Regina, me conhece o suficiente para saber quando minto. Sem falar que eu não gosto de mentir para ela. — Assim que a senhora for, eu vou também.
— É algum namorado que vai encontrar? — Pergunta-me maliciosa, e eu sinto meu rosto esquentar. — Ou será namorada? — Sorri e pisca para mim, enquanto eu coro ainda mais.
Jesus!
— Vovó! — Tapo meu rosto, e escuto sua risada. Fui pega de surpresa, por ela ter perguntado de repente, se era uma garota.
Eu sempre soube que minha avó era bem radical, porém fiquei bem envergonhada com isso. Eu nunca gostei de garotas antes, e minha avó sempre soube disso. Só agora que estou me envolvendo com Regina. E mesmo assim, ninguém sabe disso. Para todos os efeitos, eu sou apenas hetero, apesar de ter assistido vários filmes lésbicos com Ruby e Killian, e ter adorado. Porém só eles sabiam disso.
Após passar o momento constrangedor, respondo-a dizendo que não, e ela completa com o famoso “ainda”. Porém não me pergunta mais, se é uma garota ou garoto, para o meu alívio. Eu não iria querer mentir para ela, se a mesma perguntasse. Ela conhece Regina. Sabe que ela é minha professora, e que é legalmente casada.
— Tem falado com seus pais, querida? — Pergunta meio hesitante. Sabe que eu sinto muita falta deles, e por isso não sou fã de falar sobre o assunto.
— Faz alguns meses que não tenho notícias dos dois. Espero que esteja bem. — Sorrio fraco. Minha avó percebe o tom triste que uso e resolve mudar o assunto.
Conversamos por algumas horas, coisas em relação aos meus primos e a escola, e depois me despeço de Dona Eva, deixando-a em um táxi.
Volto para casa, pego minha bolsa, tranco tudo, e vou correndo pegar um táxi também, para ir para a casa do meu amor.
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