Next to Me
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Notas iniciais
Assim que o sinal da escola toca, indicando o fim das aulas, eu saio que nem um furacão, derrubando tudo por onde passo, em direção à sala dos professores, ao encontro de Tinker. Assim que sua aula acabou, antes de sair da sala, ela havia me pedido para ir ao seu encontro.
Para melhor tudo, assim que eu cheguei, encontrei-a pronta para partir, e melhor, estava sozinha. Não iria dar carona a ninguém.
Ou seja, nada estava atrapalhando até agora.
— Vamos? — Indaga-me ao se virar e me ver parada à porta, esperando-a. Tinker fecha a porta da sala dos professores, e saímos logo em seguida, às pressas, para o carro.
Quando chegamos ao estacionamento reservado aos professores, entramos rapidamente em seu carro, e sem perda de tempo, Tinker acelerou. Mas eu não sabia para onde iríamos.
•§•
Minutos depois que saímos da escola, a loira me contou que estávamos indo até a casa de Regina.
Durante o trajeto, ela me contara o seu plano. Teremos que ir até lá, para mostrar a Robin que ficaremos cuidando de Regina, e aí, quando ele sair, nós daremos um dos seus remédios com reação de sono, para que ela durma, enquanto estivermos fora, seguindo Robin, para ver se conseguimos algo.
A ideia é até boa. Resta apenas saber se dará certo.
Eu estava torcendo por dentro e por fora, para que desse.
•§•
Assim que chegamos à casa de Regina, eu pedi para ficar esperando no carro. Não estava pronta para enfrentar Regina ainda, e nem queria dar de cara com Robin. Tinker entendeu os meus motivos e atendeu ao meu pedido.
— Quando tudo estiver certo, eu te mando uma mensagem avisando. — Disse-me num sussurro, e então saiu correndo, literalmente, do carro e entrou na casa. Assim como eu, Tinker estava apressada para acabar com isso tudo.
•§•
A cada minuto que se passava, mais apreensiva eu ficava. Estava demorando muito para Tinker me mandar um sinal de que tudo estava indo certo.
Será que tinha dado algo errado? Será que ele não iria mais sair e todo o plano tinha ido por água abaixo?
Comecei a bater os pés no chão do carro, e os dedos na porta, demonstrando nervosismo e impaciência com a falta de notícia.
— Droga, Rose! Eu disse para não demorar a me dar notícias.
Eu já estava prestes a abrir a porta do carro, sair dali, e andar um pouco para tentar me acalmar. Pois, quando estou muito nervosa, gosto de andar, e escutar minhas amadas músicas, para tentar me acalmar. Geralmente a junção dos dois funciona melhor e mais rápido que uma opção só.
•§•
Enquanto esperava algum sinal de vida de Tinker, e Robin sair ou não, de casa, liguei o som do carro e liguei o Bluetooth. Mexi em meu celular e dei play na minha última playlist tocada.
You won't find him drinking on the tables
Rolling dice and staying out til 3
You won't ever find him being unfaithful
You will find him, you'll find him next to me
(Você não vai encontrá-lo bebendo por aí
Jogando dados e ficando na rua até às 3 da manhã
Você nunca vai encontrá-lo sendo infiel
Você o encontrará, o encontrará ao meu lado).
Imediatamente a voz de Emeli, cantando minha música preferida dela, ecoa pelo carro, antes silencioso, e sucessivamente, eu começo a me acalmar, envolvendo-me com a música e cantando Next to Me junto à cantora.
You won't find him trying to chase the devil
For money, fame, for power, out of grief
You won't ever find him where the rest go
You will find him, you'll find him next to me
(Você não vai encontrá-lo tentando perseguir o diabo
Por dinheiro, fama, poder, ou luto
Você nunca vai encontrá-lo onde todo mundo vai
Você o encontrará, o encontrará ao meu lado)
Sem me importar com o lugar onde eu estava, tomei fôlego, e me preparei para aumentar a voz, para cantar a minha parte preferida. O refrão.
Next to me ooooh
Next to me ooooh
Next to me ooooh
You will find him, you'll find him next to me
(Ao meu lado ooooh
Ao meu lado ooooh
Ao meu lado ooooh
Você o encontrará, o encontrará ao meu lado)
De repente, o celular apitou e a música parou de tocar.
De primeiro, eu me frustrei bastante, pois era a melhor parte da música para mim, e eu queria muito ter continuado cantando, todavia ao ver o remetente da mensagem, logo desfiz minha cara de raiva, e praticamente dei um pulo em agradecimento.
De acordo com a mensagem que recebi, o plano estava dando certo. Robin já tinha saído em algum momento que eu não vi por estar muito empolgada com a música, e agora Tinker daria o remédio para a minha morena, e logo viria ao meu encontro.
Quando levanto o olhar na direção da saída da casa de minha professora, para esperar Tinker sair, vejo que, na verdade, Robin vinha saindo naquele exato momento, todo elegante, e vai para a garagem.
De repente, enquanto vejo-o abrir a porta da garagem, alguns pensamentos sem noção, diga-se de passagem, passam por minha mente.
Será que durante o sexo com ele, a mulher fala e geme em Frances?
Será que ele faz contas sexuais antes de enfiar-se nela, e calcula exatamente onde seria melhor, e onde não seria?
Gargalhei de mim mesma, com esses pensamentos, porém ao imaginar realmente a cena, fiz uma cara tremenda de nojo, e logo tratei de esquecer. Isso não é nada saudável para a minha mente.
Mas voltando ao meu presente momento, e deixando essas baboseiras de lado, assim que Robin sai da garagem com o seu carro, e se encaminha para a saída da rua, vejo Tinker sair correndo pela porta da frente, vindo em direção ao carro, logo entrando. Com rapidez, coloca o cinto de segurança e me encara. — A ação vai começar agora... — Liga o carro e mete o pé no acelerador. — É hoje que a gente pega ele, Emma... É hoje! — Estendeu sua mão em minha direção e fizemos um high five animado. — Aumenta esse som. — Pede animada.
E então fomos seguindo Robin pelas ruas do centro de Portland, até o seu destino.
Em alguns momentos tínhamos que nos enfiar em ruas estranhas e escuras para que ele não nos visse, e em outros, tínhamos que ir a baixa velocidade para ele não nos ver. Todavia, algumas vezes, tínhamos que ir tão rápido que Tinker vez ou outra buzinava para entrar na frente de algum outro carro, que ficava querendo fechar a pista para não passarmos.
Eu tenho que confessar que estava ficando com muito medo de morrer nessa perseguição maluca com Tinker.
Nunca imaginei que ela fosse desse jeito no volante.
Havia momentos que ela parecia ser um piloto de corrida. Meu coração chegava à boca e voltava. Mas os gritos que dava com os motoristas, era a pior parte. Eu cheguei a imaginar várias vezes, que íamos bater, e algum motorista maluco viria nos matar com uma faca, arma, ou qualquer coisa que pudesse tirar uma vida.
Quando chegamos ao local, dei graças a Deus por ter chegado bem e sem alguém nos perseguindo por alguma coisa que a motorista possa ter feito no caminho, e também, por Robin não ter nos percebido em nenhum momento, pois a pesar da loucura toda, conseguimos ficar distantes, invisíveis e discretas, nos momentos certos.
Assim que desci do carro, sem pensar duas vezes, ajoelhei-me no chão para orar em agradecimento.
— Por que está fazendo isso? — Indaga-me com uma expressão confusa, porém com ar de riso.
— Porque você quase nos matou. — Explico como se fosse o óbvio. Na minha mente era o óbvio.
— Não seja exagerada. — Diz indignada. — Levante-se daí e vamos logo fazer o que tem que fazer. Não podemos perder tempo. — Ela volta para o carro e abre a porta de trás, voltando minutos depois, com uma câmera profissional em mãos.
— Quando você pegou isso? — Apontei para a câmera em suas mãos, e a peguei, para ver de perto aquela maravilha. Apesar de não ter tido muito tempo desde o começo do ano, eu amo fotografar, principalmente a natureza e as belezas que há na cidade, e sempre quis ter uma Canon EOS.
— Às vezes eu gosto de sair fotografando por aí. Então, para onde eu vou, sempre que possível, levo-a comigo. — Explica-me toda sorridente. — Afinal, nunca se sabe quando aparecerá uma oportunidade para capturar momentos. — Conclui, arrancando a câmera da minha mão, dando-me um susto. — E eu tenho ciúmes. — Explica com um sorrisinho.
Assenti em entendimento ao seu ciúme, pois eu também teria se tivesse uma dessas, e me levantei da grama, seguindo-a para a tal festa.
•§•
Aproximamo-nos do local, tentando não chamar muita atenção. Ninguém ali poderia nos ver. Principalmente Tinker. Pois pelo que me dissera assim que viu algumas pessoas, ali era realmente uma festa de professores, diretores e coordenadores. Festa essa, que ela foi convidada a comparecer, porém por não gostar desse pessoal, por acha-los muito metidos, desistiu de ir.
E eu concluo que, a informação que Robin dera, realmente procedia. Nisso ele não havia mentido.
Ao longo do caminho, Tinker reconheceu várias pessoas, e uma delas fora Gold, que estava com uma mulher bastante bonita e jovem. Talvez fosse sua filha. Ou quem sabe, sua esposa mesmo.
O local estava realmente cheio. Estava difícil encontrar lugar para ficar sem ser vista, e o principal, encontrar Robin ou a sua amante.
Depois de andarmos bastante, fingindo ser um agente da Cia, porque era assim que nos sentíamos, encontramos uma árvore mais afastada e pouco frequentada, e resolvemos ficar ali para espionar o nosso alvo.
O lugar que escolhemos ficar permitia-nos ver as duas saídas da festa, e várias partes dentro do salão, além do jardim completo. Para nos ajudar, o local era completamente escuro, e só seria possível nos ver, se chegassem perto demais.
•§•
Ficamos ali por horas e nada de vermos Robin ou Marian. E isso já estava me deixando mais nervosa do que antes.
Eu já estava perdendo as esperanças.
Tinker não tirava os olhos da entrada e saída. Queria a todo custo pegar o irmão, e não queria perder essa oportunidade. Nem podia.
Cansada de ficar em pé, sentei-me no chão, e me encostei ao tronco.
Ao imaginar que Regina está em casa, sozinha, dormindo, debilitada, sendo enganada pelo marido, e que eu provavelmente perdi a oportunidade de acabar com tudo isso, uma lágrima desceu dos meus olhos. Então, olhei para o céu e pedi a Deus para que tudo aquilo acabasse. Pedi que Ele me mandasse um sinal de esperança. Esperança que tudo isso iria acabar.
Passando a mão pelo chão, num ato de nervosismo, já que eu não podia andar, e precisava mexer alguma coisa pra tentar me acalmar, senti algo macio por entre os dedos.
De primeiro, eu me assustei com o que poderia ser. Então recolhei minha mão. Mas em seguida, lembrei-me do meu celular no bolso, então o peguei para iluminar o local.
Ao clarear o lugar, bem devagar, com medo do que poderia ser, pude ver uma linda e pequena, pena branca, um pouco suja de terra. Sorri aliviada por não ser nenhum bicho, e peguei-a. Guardei meu celular, para não correr o risco de alguém perceber a iluminação, e no escuro mesmo, forcei minha visão para admira-la.
Lembrando-me do pedido que fiz a Deus, minutos atrás, olhei para o céu, questionando se aquele era o sinal, porque se sim, eu não havia entendido. Porém, logo após o meu questionamento, lembrei-me do significado que a pena tem, e então pude responder a minha própria questão.
Sim, aquele era o sinal que eu havia pedido. Sim, aquela pena me dizia que eu ainda podia ter esperança de que tudo iria dar certo.
Após guardar a pena em meu bolso, e agradecer a quem me deu esperança, tive uma ideia.
— Tinker. — Sussurrei. — Acho que não vamos conseguir nada se continuarmos aqui. Vamos para outro lugar. — Ela assentiu sem contestar, e juntas, saímos em busca de outro local estratégico.
Eu estava determinada. Só sairia dali quando conseguisse o que queria.
•§•
À espreita pelo jardim, procurei outro lugar estratégico, mas estava difícil encontrar. Todos que encontrávamos, havia algum problema, impedindo-nos de ficar.
Então, já cansada de procurar, decidi seguir uma ideia que tive desde o começo, mas descartei quando encontramos a árvore onde estávamos antes. Iríamos ficar escondidas próximas ao carro de Robin.
Qual o melhor lugar senão ali, onde ele iria ter que ir quando fosse embora?
Se ele estivesse com ela, iríamos ver quando saísse da festa e fosse até o carro.
E eu estava realmente certa. Pois minutos depois que fomos até ali, quando algumas pessoas começaram a sair, Robin também sai. E melhor tudo, ele estava acompanhando da minha professora de Frances.
Dou um sorriso vitorioso ao mesmo tempo em que aperto minhas mãos de raiva.
Minha mente estava uma confusão. Eu estava feliz e irritada ao mesmo tempo.
Assim que eles chegam ao carro, não entram. Procuram o lado menos visível para as pessoas que estão saindo da festa, e começam a trocar carinhos e beijos. Tinker logo se manifesta.
— Ah safado. — Murmura irritada. Pela forma como agira, é como se sua ficha só tivesse caído naquele momento. — Eu vou lá agora, acabar com essa safadeza. Levanta-se, pronta para ir até os dois.
— Você está louca, mulher? — Segurou seu braço com força, para impedi-la de sair de onde estamos. — Vai estragar tudo, se ir até lá. — Digo, sentindo o medo de ela acabar com nossa chance, correr pelo meu corpo. — Apenas tire uma foto. — Apontei para o casal. — O resto você faz em casa, tudo bem? — A contragosto ela assente e volta a se abaixar.
Tinker tira algumas fotos dos dois, que dê para vê-los abraçados, trocando carícias e beijos, e que dê bem para ver o rosto. E após analisar cada foto tirada, eu tive que admitir, ela é uma boa fotógrafa. Se ninguém a quisesse mais como professora, já poderia ser paparazzi.
Após conseguirmos as fotos, corremos para o carro. Tínhamos que chegar à casa de Regina, primeiro que Robin, pois Tinker queria confrontá-lo, e fazê-lo dizer a verdade sem que ele saiba das fotos, para depois não saímos como erradas, por ter seguido-o.
As fotos só seriam mostradas em ultimo caso.
•§•
Assim que chegamos na casa da minha morena, sentamos no sofá e ficamos assistindo TV como se nada tivesse acontecido.
Vinte minutos depois, Robin chega com a cara mais lavada do mundo, como se só tivesse ido à festa e nada mais.
Assim que ele fecha a porta e nos ver no sofá, Tinker resolve entrar em ação.
— Vou ser bem direta... — Diz, levantando-se e encarando o homem, que ao ouvir o que fora dito, fez uma expressão de desentendimento.
Eu estava adorando o show, porém não podia me meter. Então apenas desliguei a TV e voltei a fitá-los.
— Direta com...? — Senta-se no sofá onde, tirando os sapatos.
— Se você não se levantar daí agora... — Apontou na direção do cômodo. — E ir naquele quarto, contar o que está acontecendo para a sua esposa, eu irei, e não será nada bom o que farei com você depois. — Ameaça, bastante irritada, ainda apontando para o quarto. Seu rosto e pescoço estão bastante vermelhos. Parecia que iria explodir de raiva.
Robin a olha com o rosto transformado em medo, porém nem se mexe. Até eu estou com medo, e se fosse eu em seu lugar, já teria seguido pro quarto de Regina, mesmo se não soubesse do que se trata.
— Do que você está falando? — Reviro os olhos, segurando-me para não me meter e contar logo.
— Vai mesmo fingir desentendimento? — Cruza os braços, intimidando. — Você sabe bem o que aconteceu na ultima vez que fez isso. — Vejo o homem engolir a seco enquanto assente. — Pois bem... — Volta a apontar em direção ao quarto. — Vá lá naquele quarto agora e conte sobre o seu... — Tinker se cala de repente, e passa a observar algo atrás de mim. Quando me viro para saber o que tomou sua atenção, surpreendo-me ao ver Regina em pé, segurando-se na parede, com uma cara de sono, coçando um dos olhos enquanto abria a boca.
— Contar-me o que, Tinker? — Pergunta curiosa, mas sem aproximar. Ainda mantendo-se encostada à parede para se apoiar. — O que Robin tem que me contar? — Olha de Tinker para mim, e de mim para Robin. Porém ninguém se mexe para lhe responder. — Escutei uma gritaria e vim ver do que se tratava.
Tinker se aproxima do irmão, que ainda encara a esposa com ar de surpresa, e cola sua boca em seu ouvido.
— Vá agora falar sobre a sua amante metida a Francesa, ou eu mesma irei. — Diz em um tom baixo, mas que eu ouvi bem por está perto. Em seguida, torna sua atenção à minha morena, que ainda mantinha-se encostada à parede, esperando alguma resposta nossa. — Ele irá conversar com você Gina. — Diz-lhe, todavia encarando o irmão. — Volte para o quarto.
Robin se levanta do sofá, deixando seus sapatos e meias ali, e vai ao encontro de Regina, levando-a para o quarto consigo.
Assim que os dois desaparecem no corredor e entram no quarto, a tensão começa. A vontade de ir ouvir o que está sendo dito, está me corroendo pro dentro. Tinker, percebendo o meu nervosismo, tenta me distrair com conversas triviais.
•§•
Uma hora depois, Robin sai do quarto sozinho e de cabeça baixa. Passa por nós na sala, e para na porta.
— Depois eu venho buscar minhas coisas. — E então, abre a porta e se vai, sem nem mesmo pegar seus sapatos que ficaram próximo ao sofá. Eu e Tinker nos encaramos, mas nada dissemos.
Ao longe, escutamos o barulho do choro de Regina, e aquilo me parte o coração. A vontade de bater em Robin por estar fazendo-a sofrer toma conta de mim.
Ah se eu pudesse...
Tinker se levanta para ir ao seu encontro, provavelmente para acalma-la e consola-la, mas sou mais rápida e passo na sua frente.
— Deixa que eu vá. — Peço, e ela assente, voltando até o sofá e pegando suas coisas. — Você já vai?
— Eu preciso conversar Robin... Você pode ficar com a Regina por hoje?
— Claro...
— Obrigada. — Abraça-me rapidamente e corre para a porta, logo saindo.
Ando até a janela, a tempo de vê-la ir ao carro, e volto para trancar a porta. Em seguida, dou largos passos até o quarto e entro sem aviso algum. Encontro-a com a cabeça afundada no travesseiro e corro ao seu encontro, abraçando-a forte, sem dizer uma palavra. Ela se remexe embaixo de mim, abraçando-me também.
— Você sabia? — Indaga com a voz chorosa e o rosto afundado em meu pescoço, enquanto eu afagava seus cabelos negros e macios.
— Sim, eu sabia... —Respiro fundo, sentindo-me nervosa. — Desculpe-me por não ter contando antes.
Regina não me diz nada por alguns minutos, porém também não me solta. Pelo contrário, a cada minuto passado, eu a sentia me apertando contra si.
— Por que não me contou? — Indaga finalmente, afastando-se de mim e me encarando. Desvio o olhar, mas ela toca em meu queixo, obrigando-me a lhe encarar.
— Eu não tinha provas, e não queria me meter na vida de vocês. Não queria te trazer mais um problema... — Confesso.
— Foi por isso que passou esses dias sem me ver? — Balanço a cabeça assentindo, sentindo-me uma completa idiota por tê-la feito pensar que eu estava com raiva, e tê-la feito sofrer.
— Desculpe-me ter feito você pensar que tinha me feito algo errado. — Ela sorri, parecendo compreender-me. — Eu só não sabia como te encarar, sabendo de tudo...
— Tudo bem... Apesar do que me fez pensar e passar, eu entendo o seu lado. — Diz compreensiva, puxando-me novamente para um abraço. E então eu sinto como se tivesse tirado um peso das costas. Sinto-me aliviada por tudo ter acabado, e melhor de tudo, bem.
Ficamos alguns minutos em silêncio, abraçadas, até que eu, cansada da posição, resolvo me deitar na cama, e puxo-a para perto de mim, entrelaçando-nos novamente.
— Você o ama? — Indago em um momento único de coragem.
— Não. — Rebate firme e rapidamente, surpreendendo-me com a negativa, causando-me um sorriso, que logo cuidei para que ela não visse, apesar de estar com a cabeça em meu peito. — Apenas sinto, ou melhor, sentia um enorme carinho por ele, por estar sempre comigo, ajudando-me, cuidando muito bem de mim, tendo paciência e tudo mais. — Continua em um tom triste. — Mas não sei ao certo quando meu amor por Robin tornou-se apenas carinho. — Acrescenta. — Eu só chorei agora, quando ele me contou da traição, porque por mais que eu não o amasse, senti-me mal por saber que estava sendo traída. — De uma fungada. — Eu fui enganada pela pessoa que dizia me amar, quase todos os dias, e mesmo que eu não o ame, não foi legal saber da traição. Afinal, ninguém gosta de ser traído, mesmo que não ame mais o parceiro, ou a parceira. — Balanço a cabeça confirmando, mesmo que ela não esteja me vendo. — Mas, eu chorei mais por raiva e indignação do que qualquer outra coisa.
E de repente, ela levanta o rosto, pegando-me no flagra, sorrindo. Meu coração bate no chão e volta.
— Por que está sorrindo? — Franze o cenho, porém sorri também.
— Não é nada... — Responde-lhe sentindo-me envergonhada por ter sido pega.
Passamos a ficar nos encarando, sem nada dizer, até eu perceber que ela se aproximou mais de mim, e de forma nada disfarçada, alternou algumas vezes, o olhar entre meus olhos e minha boca.
Movida pelo momento, acabei fazendo o mesmo, e acho que ela percebeu.
Droga!
Desviei o olhar rapidamente, extremamente nervosa com a situação, sem saber o que fazer.
— Em... — Chama-me manhosa, e se aproxima mais de mim, fazendo-me ouvir sua respiração pesada. Meu coração começa a bater mais rápido devido a aproximação e suas olhadas nada discreta, e minha respiração fica mais ofegante.
— Uh? — Murmuro, prendendo a respiração.
— Eu quero fazer uma coisa. — Fita minha boca e depois volta para os meus olhos.
— O que? — Pergunto fingindo-me de desentendida. Todavia ela não me respondeu. Chegou perto o bastante e roçou o seu nariz no meu. Fechei os olhos com o contato, e esperei pelo que eu sabia que aconteceria, e que eu tanto ansiava desde a última vez que acontecera.
E então aconteceu.
Seus lábios macios e quentes, ainda molhados e salgados do choro, encostaram-se de forma lenta, como se estivessem se conhecendo. E estavam, na verdade. Pois já fazia muito tempo desde a primeira vez que tiveram um encontro.
Ao sentir seus lábios no meu, a sensação que eu tive, foi de estar em um sonho, no qual eu não queria acordar de jeito algum. Primeiro eles se roçaram de leve, tocando cada parte possível, e aos poucos eu pude senti-la vindo mais para cima de mim, aumentando o contato. Sentei-me melhor na cama, e levei minha mão direita ao seu rosto, tocando de leve com o polegar, fazendo uma carícia suave. Senti sua língua passar por meus lábios, pedindo passagem, e eu, sem pensar duas vezes, cedi ao pedido, tornando o beijo mais voraz e apaixonado. Em seguida, coloquei uma mão em sua cintura, trazendo-a de vez para cima de mim, e subi a outra para os seus cabelos macios.
O beijo foi se aprofundando a cada segundo que passava, e eu já estava ficando sem ar, porém não queria de forma alguma, encerra-lo, pois sabe se lá, quando eu voltaria a senti-la com a boca. Eu só queria aproveitar o momento, no qual poderia ser o último.
Seus lábios e língua tinham um gosto doce e delicioso. Era completamente viciante. Nossas bocas se devoravam com tamanha vontade e paixão, que tornava o contato ainda melhor.
Porém, como diz o ditado: tudo que é bom, dura pouco. Foi o que aconteceu com o nosso momento. Precisamos de ar, e por isso, tivemos que nos separar. Todavia, antes de nossas bocas se desgrudarem, pude sentir uma mordida de leve, no meu lábio inferior. Estremeci de prazer, da cabeça aos pés.
Abri meus olhos rapidamente, e dei-lhe um selinho demorado, antes que abrisse os seus.
— Boa noite, Em... — Desejou-me, oferecendo-me um sorriso e saindo de cima de mim, aconchegando-se em meus braços novamente.
— Boa noite, Rê... — E então fecho os olhos, sentindo o gosto dos lábios do meu amor, em minha boca.
Aparentemente, eu teria bons sonhos na noite de hoje.
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