Next to Me
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Notas iniciais
No dia seguinte, desperto já na hora de ir para a escola. Se eu tivesse acordado dez minutos depois, eu iria me atrasar. Eu já estou com problemas demais com a diretora. Não quero mais um para a coleção.
Levanto-me da cama de uma só vez, sem pausa para criar coragem, ou me espreguiçar, e corro direto para o banheiro, tomar meu banho e escovar os dentes.
Ao sair do banheiro e entrar no meu quarto novamente, vejo meu celular em cima da cama, tocando. Alguém estava me querendo, e de longe pude ver que era Ruby. Sua enorme foto aparecia na tela, e eu a via quando a mesma se acendia.
— Emma, querida, onde você está? — Indaga sem nem dizer um bom dia, boa tarde, ou um simples oi, assim que atendo a ligação.
— Bom dia pra você também, Ruby. — Escuto-a bufar do outro lado da linha e sorrio, balançando a cabeça, imaginando-a revirando os olhos também. — Estou em casa, arrumando-me para ir à escola. — Respondo a sua pergunta em tom desanimado. — E você? — Pelo barulho que ouço, ela não deve estar em casa.
— Eu não vou para a escola hoje. — Diz sussurrando. — Nem estou em casa, na verdade. — Sorri. — Ainda estou na festa de ontem, e estão apenas me esperando para começarem outra rodada do que você não quis participar ontem. — Diz em tom de malícia. — Eu só queria saber onde você estava, porque quando eu acordei logo cedo, não te vi em lugar algum. — Explica em um tom preocupado.
— Diferente de você, eu vou para a escola, e quando eu largar, passo aí de novo. — Escuto-a comemorar com gritinhos. — Vou desligar, senão chego atrasada.
— Tá bom, loira... Boa aula. — Deseja-me sorrindo. Safada!
— Se cuida. — E encerro a ligação, percebendo em seguida, que havia três novas mensagens.
Meu coração se aperta ao perceber quem era o remetente.
‘’Como você está Em? Já que você não vem aqui hoje por está ocupada, gostaria de falar um pouco por aqui.’’ Dizia a primeira.
‘’Devo está te atrapalhando, não é? Quando você puder me responder, avisa. ’’ Dizia a segunda.
‘’Em, estou um pouco cansada, irei dormir agora. Espero que não tenha te atrapalhado em nada e nem vá te acordar agora. Depois nos falamos. Beijos e durma bem. ’’ Dizia a ultima, enviada, ou ao menos recebida, de duas horas da manhã.
Droga!
Ela irá sentir minha falta, e não há nada que eu possa fazer no momento. Preciso de um tempo para pensar na melhor forma de contar. Não sou corajosa o suficiente para chegar agora e lhe dizer que vi seu marido com outra.
Não sem nem ter como provar o que estou dizendo. Não porque ela não acreditaria, mas sim para que não haja chance do Robin continuar mentindo.
•§•
E de forma arrastada, uma semana desde o dia que eu decidi me afastar um pouco, passou-se. Não houve um dia em que Regina não me mandou mensagens ou me ligou. Não atendi nenhuma ligação, sempre inventando desculpas, mas respondia todas as mensagens com gosto. Era o nosso único contato.
Foi difícil, porém consegui passar uma semana longe da pessoa que não saia dos meus pensamentos em nenhum segundo do meu dia e noite.
Algumas vezes até vi Robin na escola, inclusive, não fazia ideia do que ele poderia estar fazendo ali, mas não tive estômago para chegar perto e ir falar com ele. Apenas o olhava de longe e nada mais. Também não me dei o trabalho de perguntar a terceiros, o motivo de sua presença. Eu estava pouco me importando com aquele homem. Era capaz de eu fazer uma besteira se ele chegasse perto de mim.
Tinker, todas as vezes que eu a via, não perdia tempo e me escondia. Quando suas aulas eram na minha classe, eu fingia que estava dormindo, ou conversava o tempo todo, ou saia da sala e só voltava quando acabasse. Só para ter que evitar conversar com ela, e lhe ouvir fazer perguntas que eu não saberia responder.
A garota que conheci na festa da amiga de Killian mudou-se para a nossa escola, porém não ficou na mesma sala que eu e o pessoal, apesar de ser da mesma série. Ela ficou na sala C. Tornamos-nos realmente amigas, e em uma semana eu já sabia toda a sua vida, enquanto ela só sabia minha idade, meu sobrenome e onde eu morava e estudava. Todas as noites, sempre na mesma hora, ela me ligava para desabafar um pouco e contar como foi o dia, pois não nos víamos muito na escola e ela não tinha com quem o fazer.
Gold passou a semana toda pegando no meu pé porque eu tinha tirado nota máxima na prova dele. Ficava me julgando, dizendo que eu tinha filado de alguém, enquanto eu sempre usava o mesmo argumento, ‘’Eu estava na coordenação. Impossível filar de alguém lá.’’ Não sabia ele, que a própria coordenadora foi quem me ajudou bastante nas provas. Sempre que ele ouvia o meu argumento, acreditava, mas depois de alguns minutos vendo-me conversar demais em sua aula, voltava a me julgar novamente.
O novo curso de Frances era três vezes na semana. Porém, graças a Deus, eu só tive que aturar aquela mulher que parecia me parecia artificial demais, durante uma manhã inteira, já que, no primeiro dia eu não fiquei, e no segundo, eu acordei tarde demais. Para a minha sorte, ou azar, eu não a vi mais saindo com Robin, como no primeiro dia, o que me fez pensar por um momento, que eles não tinham mais nada. Todavia esse pensamento só durou até eu a ver saindo para atender uma ligação, e no meio da conversar falar ‘’ Meu amor e Robin ’’ numa mesma frase.
No início da semana seguinte, logo na segunda-feira, tinha aula de Tinker, e eu já estava preparada para fugir, quando, pegando-me de surpresa, ela me encurrala em uma parede, antes de chegar à sala.
— Fugindo, querida? — Indaga em tom irônico e eu estremeço de medo, dos pés a cabeça. Nunca vi essa mulher assim antes e tenho medo de como ela seja quando está irritada.
— Eu só ia ao banheiro, como sempre faço todos os dias. — Respondo, tentando manter a calma e ver se consigo fazê-la acreditar na minha meia verdade.
— Uh, sei... — Diz debochada. — Essa desculpa já está velha... — Faz uma careta. — Não funciona mais. — Encara-me séria e mais uma vez eu me arrepio de medo. — Quase todas as primeiras aulas você não está na sala. — Diz ainda mais irritada. — Está tendo aula de redação ou gramática no banheiro, agora? — Indaga retoricamente. Eu nego com a cabeça mesmo assim, mas permaneço calada. Não tenho uma boa desculpa agora. Não tive tempo de pensar em algo. — Vai... Me diz. — Exige, aproximando-se perigosamente. Se não fosse a situação, eu diria que ela quer me beijar. Permaneço calada e fingindo estar confusa. É o máximo que posso fazer para tentar me livrar. — Não se finja de besta, Emma. O que está acontecendo? — Pergunta mais alto e umas pessoas que vão passando na hora, encaram-nos.
— Nada. —Respondo alto também, e me desvencilho das suas mãos que estavam me apertando na parede. Todavia Tinker é insistente demais, e volta a me segurar com mais força, encarando-me pedindo respostas. Fico com medo, porém continuo calada. Não posso contar a ela, que seu querido irmão está traindo a mulher que eu amo.
— Não minta para mim, Emma. — Suspira pesadamente, demonstrando sua irritação. — Uma semana. — Levanta uma das mãos e aponta um dedo para mim. — Uma semana que Regina não dorme direito, porque não sente muito sono, não come direito, pois não sente muita fome, e não quer fazer mais nada. — Diz, pegando-me de surpresa. — Uma semana que ela fica chorando pelos cantos e anda com o celular até para fazer as necessidades. Sabe por quê? — Encara-me bem, com seus olhos frios e expressão irritada. — Esperando você ligar. Dá um sinal de vida. — Levanta novamente a mão e levanta um dedo. — Esperando uma mensagem sua. — Levanta outro. — Esperando você ir lá, visita-la. — Levanta outro. — Todos os dias eu tive que dá a desculpa que não te via direito para poder perguntar por que você não estava indo. — Sua expressão muda e ela me solta finalmente. — Ela está pensando que fez algo de errado com você e que por isso deve está com raiva. — Balança a cabeça negativamente. — Todos os dias ela se questiona o que fez de errado, para te afastar. — Ao terminar de falar, uma lágrima desce dos seus olhos, e as minhas acompanham.
— Ela não fez nada de errado. — Sussurro. — Eu não estou com raiva dela... — Limpo as lágrimas de meu rosto. Estavam atraindo olhares. — E nunca vou ficar. — Acrescento, sentindo-me mal por saber que meu amor deve está sofrendo bastante a minha ausência. — Droga! Não era para ela está assim. — Deixo escapar em um sussurro. Tinker me encara, esperando que eu fale alguma coisa, porém permaneço calada.
— Emma... — Chama-me com sua voz doce, limpando algumas lágrimas que ainda caem do meu rosto. — Diz o que está acontecendo. — Pede num sussurro, acariciando o meu braço, como se fosse para me dar forças.
— Seu irmão, Robin. — Respiro fundo. — Traição... — Encaro o teto. — Agora, junta as coisas. — Fito o chão enquanto ela assimila as informações.
— O que? — Indaga-se incrédula. — O meu irmão está traindo a Gina? — Pergunta-me como se não tivesse acreditando no que eu falei.
— Não acredita em mim? — Soo irritada.
— É claro que acredito em você, Emma. — Tenta me acalmar. — É só que... — Coloca a mão na boca, clara reação de surpresa. — Robin sempre foi o mais certinho dos irmãos. Eu não esperava isso dele. — Sussurra em tom decepcionado, e balança a cabeça negativamente. Como você descobriu?
— Vi marcas de batom em sua camisa, arranhões de sexo selvagem nas costas, e senti cheiro de perfume feminino nele. — Explico logo me lembrando de que sei quem é a mulher. — No dia seguinte, quando fui para um curso novo que estou fazendo, lá no centro, vejo-o saindo com a minha professora. — Concluo, sentindo a raiva me consumir, ao me lembrar do que vira naquele dia.
— Então você sabe quem é a mulher? — Afirmo com um balançar de cabeça. — Eu vou conversar com esse idiota, e ele vai confessar tudo para a Regina, senão eu mesmo contarei. — Murmura para si.
— Precisamos de provas, caso ele diga que é mentira. — Relembro já desanimada, pois fazia alguns dias que eu não o via indo atrás da Marian.
— Teremos uma prova. — Encarei-a- confusa. — Robin vai sair hoje à noite para uma festa. — Sorri, esfregando as mãos uma na outra. — Tudo que temos que fazer é segui-lo e ver o que ele irá fazer. — Explica-me o pequeno plano que teve.
— E se ela não for? — Questiono já pensando na possibilidade dela não ir a essa tal festa, e o plano ir por água abaixo.
— Seguiremos ela lá no seu curso, até conseguirmos algo. — Dá a ideia. — Agora, vamos para a aula? — Aponta para a entrada da sala e eu assinto, seguindo-a.
E após a conversa que tive com a loira, todas as aulas que se seguiram, foram as mesmas coisas. Os professores chamando minha atenção por estar em outro planeta, que não o Terra, e o pessoal zoando com a minha cara, por isso.
A verdade é que eu havia passado o dia todo sem prestar atenção em nada. Porque tudo que vinha a mente, era o plano de Tinker para a noite. Seria uma grande noite, aliás.
Eu estava imaginando se daria certo ou não.
E também estava sentindo um misto de felicidade e nervosismo, apenas torcendo para que chegasse logo a hora.
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