Next to Me

24 Next to me - 24


Notas iniciais
Hello there!

No momento em que confirmei minha suspeita, minha vontade era de se levantar de onde eu estava, e bater em Robin até ele tirar essa ideia da cabeça. Até perder a cor e da pele, até...

Até alguma coisa a mais... Argh!

Como ele pode fazer isso com a Regina?

Como ele pode fazer isso com a pessoa que, em cima de um altar, na casa de Deus, em frente ao Padre, amigos e familiares, prometeu amar, respeitar, e ser fiel, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza?

Sei que é um exagero, mas... Se eu fosse casada com Regina, não teria olhos para nenhuma outra mulher... Talvez não quisesse nem sair de casa... E não falo apenas por usa beleza exterior. Regina Mills vai muito além de um rosto bonito, e um corpo maravilhoso.

O que leva uma pessoa a trair a outra, depois de estarem tanto tempo vivendo juntos?

Teria acabado o amor? Teria acabado o desejo? Teria sido enjoo de dormir e acordar todos os dias ao lado da mesma pessoa? Estariam em crise?

Mas aí não seria melhor e mais fácil, encerrar com a pessoa, para poder começar algo com outra?

Seria apenas canalhice mesmo? Ou talvez, teria sido por sentir que algo estava faltando, e por isso, ter ido buscar fora?

Será que ele fez isso só porque Regina está debilitada?

Não...

Não acredito que ele foi procurar outra na rua, só porque Regina não estava podendo dar-lhe prazer.

Se esse foi o motivo, sentirei ainda mais nojo e raiva dele.

O que será que eu devo fazer? Apesar de eu ter visto as evidências, eu não posso chegar e acusa-lo sem nenhuma prova concreta. Seria errado da minha parte, fazer isso.

Minha cabeça está fervendo, as horas estão se passando, e eu só tenho certeza de uma coisa; eu preciso ir dormir. Preciso descansar bem, pois amanhã, logo cedo, preciso resolver umas coisas sobre um novo curso que decidi fazer dias atrás, quando estava no centro e recebi um panfleto de cursos de língua.

Esgotada mental e fisicamente, decido que o melhor no momento, é que eu feche meus olhos e tente descansar, e mais tarde, já de cabeça vazia, e completamente renovada, eu decido o que fazer com a nova informação obtida.

Aconchego-me bem na poltrona, e fecho os olhos.

Até amanhã, garota... — É a ultima coisa que eu escuto, vinda de Robin, em tom sussurrado, antes de desligar a mente e pegar no sono.

•§•

Às seis horas da manhã, levanto-me da poltrona, pego minha mochila, que estava jogada ao chão do quarto, aproximo-me lentamente da cama, dou um beijo na testa da minha amada, e saio do quarto o mais rápido possível. Não faço ideia de onde Robin está, e nem quero procurar saber. Não quero ver a sua cara nem pintada de ouro, e ainda ter que fingir que eu não sei de nada.

Saio da casa da Regina e sigo direto para a minha. Quando chego, tomo um banho, pego uma fruta na cozinha, para não perder muito tempo. Depois sigo até o meu quarto, troco os livros da minha bolsa e pego umas provas antigas que tenho, para me ajudar a fazer o restante das provas de hoje, que terá na escola, e quando arrumo toda a bolsa, saio de casa.

Pego um táxi e vou para o centro da cidade, procurar o endereço que me deram, do novo curso que farei, para aumentar meu currículo.

•§•

Durante o caminho, sinto meu celular vibrar. Ao retira-lo do bolso da calça, vejo que é Regina que está me ligando, provavelmente para saber onde estou, já que sai sem me despedir. No caso, sem ela se despedir, porque eu me despedi dela.

Fazendo o maior esforço possível, não atendo a sua ligação. Minha professora insiste mais uma vez e por fim, desiste.

Sabe quando descobrimos algo ruim que um amigo nosso, muito próximo, fez com outro amigo, muito próximo, nosso, e depois esse amigo enganado vem falar com a gente e nós temos que fingir que não sabemos de nada, e ainda tem que aceitar o traidor com o nosso amigo enganado, juntos, como se nada tivesse acontecido? Ou então, seu pai trai sua mãe e você descobre, e aí, sua mãe vem falar com você, com seu pai junto, e você não sabe como agir vendo os dois juntos, sabendo que sei pai está enganando sua mãe e você sabe e não pode fazer nada? Quando você tem a melhor relação possível com os pais, e eles dois também? Ou então o contrário? É uma situação muito complicada.

E é isso que está me atormentando no momento.

Não vou conseguir encarar Regina, sabendo da verdade e nem se quer poder contar para ela.

Não quero ser a causadora da separação dos dois. Não quero me meter na vida deles. Sem falar que eu não tenho provas para poder chegar acusando-o.

E é por sentir que estou traindo-a, enganando-a, e mentindo, por saber o que está acontecendo e não lhe contar logo, que não atendi a ligação, e nem atenderei, caso ela volte a ligar. É como se isso diminuísse um pouco a culpa.

§•

Ainda no meu trajeto até o centro de Portland, torno a lembrar da ultima coisa que ouvi Robin dizer, horas mais cedo.

Até amanhã garota... — Será que “garota” é a dona das marcas de batom?

Então ele irá novamente vê-la amanhã? Há quanto tempo será que isso está acontecendo?

Eu sei que o que eu e Regina fizemos foi errado também, porém não chegou nem no começo do que ele deve ter feito com essa outra mulher aí. Sem falar que só foi uma vez, e pelo que parece, Robin e essa garota, não foi a primeira vez. Porém, ainda assim, foi errado de nossa porta. Então eu não posso chegar e acusa-lo de algo, sem prova, e pior ainda, tendo feito o mesmo. Várias, ou poucas vezes, ainda assim, foi traição. Estamos todos errados.

Certas vezes, nas horas em que tiro para mim mesma, fico me perguntando o que aconteceria se Neal não tivesse aparecido e feito o que fez.

Será que Robin estaria traindo Regina? Será que ela teria me beijado e se arrependido? Será que terminaria com Robin e ficaria comigo?

Não... Ela não faria essa ultima opção. Que ilusão, a minha.

Ou será que faria?

Em fim... Eu só queria saber é se ela me faria de amante, e ficaria comigo e com ele, assim como Robin está fazendo agora, ou se não aconteceria mais nada entre nós, e o que aconteceu, teria sido visto como um erro.

Para aliviar um pouco a mente de toda essa confusão de pensamentos, coloco meu fone de ouvido, e escolho uma música não muito escutada por mim, de uma de minhas cantoras preferidas.

Em poucos segundos, “My Kind of Love” da Emeli, preenche meus ouvidos e minha mente.

I can't buy your love, don't even wanna try

Sometimes the truth won't make you happy

So I'm not gonna lie

But don't ever question that my heart beats only for you

It beats only for you

Música é o meu calmante favorito. Ela nunca falha.

I know I'm far from perfect

Nothing like your entourage

I can't grant you any wishes

I won't promise you the stars

But don't ever question that my heart beats only for you

It beats only for you

E dessa vez não foi diferente.

Após a música acabar, coloco-a no repetir, e vou escutando Emeli até chegar ao meu destino.

Ao descer do táxi, desligo o celular e o guardo num fundo falso que tem em minha bolsa. Quero esquecer que ele existe por agora, pois a cada ligação que eu ver de Regina, meu coração se apertará ainda mais, e a culpa aumentará ainda mais.

Após passar alguns minutos procurando o endereço que me foi dado, entro no prédio e vou direto para a recepção, falo com a recepcionista e logo ela me leva para uma sala, onde várias pessoas já estavam tendo aula.

Eu havia chegado atrasada.

A moça informou que eu só poderia começar no dia seguinte, pois a aula já tinha começado. Ela entrou na sala e chamou a professora para me apresentar, enquanto os alunos estavam fazendo algo no caderno.

— Bom dia para você que chegou atrasada. — Disse em tom irônico, ao se aproximar de mim, mas não parecia irritada com o meu atraso. Mas também, por que estaria? Quem estava perdendo era eu, afinal. — Meu nome é Marian, e eu serei sua professora de Francês. — Estende a mão para me cumprimentar.

— Emma. — Limito-me a dizer, apertando sua mão rapidamente. Não gostei muito dela, apesar de nem conhecê-la direito. Ela parecia ter a simpatia forçada. Assim como o “bom dia” pareceu obrigação. — Eu preciso ir agora, ainda tenho outras coisas para fazer. Desculpe-me o atraso. Tentarei não repeti-lo. — Digo rápido, já me afastando.

— Tente chegar mais cedo amanhã, para não perder nada. — Ouço-a dizer antes de dobrar o corredor e sair de sua vista.

Ao chegar à rua, resolvo andar pelo local para passar o tempo e dar a hora de ir para a escola, sem precisar voltar para casa.

Com alguns minutos de caminhada encontro uma praça bastante calma e repleta de árvores e bancos, e resolvo me sentar em um dos.

Aproveitando o meu tempo livre e o lugar calmo, resolvo estudar um pouco para as trezentas provas que farei hoje. Retiro da bolsa o livro e as provas que tinha pegado em casa, e começo a ler.

•§•

Horas mais tardes, observo no relógio, que já está na hora de ir para o colégio. Eu estava tão empolgada que nem percebi as horas passarem.

Rapidamente guardo tudo dentro da bolsa e volto pra frente do prédio do curso.

Enquanto estou esperando um táxi passar vazio, resolvo ligar meu celular.

Eu estava observando a logo da marca assumir da tela, quando em questão de segundos, o celular se liga por completo, e o nome de Regina aparece na tela.

Fico alguns segundos encarando a tela piscando com a ligação, e resolvo atender.

— Oi Rê... — Responde-me em seguida, em to aliviado, e eu sinto meu coração apertar. — Estou bem. — Afirmo após escuta-la dizer tudo que pensou quando me ligou e eu não atendi, e quando deu desligado. — Eu estava tendo aula em um novo curso, por isso não atendi. — Quando eu puder, irei aí novamente. — De repente, em meu campo de visão, avisto a tal da Marian sair do prédio e seguir direto em direção a um carro bastante conhecido. Quando foco bem a minha vista para o motorista, reconheço Robin, saindo do automóvel, logo após a sua chegada.

Meu coração começa a bater acelerado e sinto-me nervosa. Eles se abraçam e dão um beijo, sem qualquer preocupação.

Então ele realmente está traindo sua esposa.

Se eu tinha alguma dúvida quanto a isso, elas acabaram de sumir, ao vê-lo com a mulher que eu conhecera agora pouco.

Após alguns abraços e beijos, os dois entram no carro, e se vão. Só então escuto a voz de Regina, chamando-me ao telefone.

— Desculpe-me ficar sem responder Rê. — Peço sem graça. — É que... — Vejo um táxi vazio em minha frente e penso em usá-lo como desculpa. — É que eu estava prestando atenção em um táxi aqui, para saber se estava livre, e acabei me distraindo.

Alguns minutos após, despedimo-nos, e aliviada, por não aguentar mais tanta mentira, encerro a ligação.

— Isso não pode ficar assim. Precisa acabar... Eu preciso fazer alguma coisa... — Digo para mim mesma, sentindo a raiva tomar conta.

Depois de ficar mais alguns minutos esperando um táxi vazio, em fim consigo um. E após entrar e dizer o endereço da escola, começo a repassar tudo que eu acabei de ver e saber.

Desabafar com alguém, eu não posso. Contar a verdade, não sei se devo. Talvez a única coisa que deva fazer, é me isolar. Talvez seja melhor eu ficar afastada até um dia isso acabar, se acabar.

Eu espero que acabe, pois não quero ficar longe do meu amor, por causa da deslealdade de seu marido.

Notas finais
Espero vocês nos comentários.