Next to Me

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Após passar uma hora conversando com os policiais, finalmente somos liberadas para irmos para casa.

Divido um táxi com Ruby, e durante o trajeto, por um milagre, ela não abriu sua boca. Ruby gosta de falar e perguntar muito. Todavia, não dessa vez. Mas sei que uma hora ela fará as perguntas que tanto deseja fazer, sobre tudo o que aconteceu. No caso, os detalhes, pois a história, ela a ouviu quando eu estava conversando com os oficiais.

Quando chegamos à minha casa, Ruby paga ao taxista, ajuda-me a descer do veículo, apesar de não precisar, e só me solta quando entramos na casa. Leva-me em direção ao sofá, porém peço que me leve para o quarto, pois estou me sentindo muito cansada e com dores por quase todo o corpo. É como se uma pessoa muito acima do peso tivesse me feito de cama elástica e pulado horas em cima de mim. Ruby atende ao meu pedido e prontamente me leva até o quarto.

— Quantos dias eu passei no hospital? — Indago-a curiosa, pois na minha mente parece que tudo que aconteceu foi apenas horas atrás, porém tenho quase certeza que tudo não aconteceu hoje.

— Dois dias e... — Retira o celular do bolso e encara a tela. — Exatamente duas horas e vinte e cinco minutos. — Conclui, e guarda o celular no bolso novamente. Sou pega de surpresa com a informação, pois eu não acredito que dormi por dois dias inteiros e me acordei como se só tivesse dormido por horas. — Te sedaram bastante quando você chegou lá no hospital, por isso dormiu tanto. — Explica, como se tivesse lido os meus pensamentos. — E eu fiquei lá com você os dois dias. — Acrescenta. — Aliás, adorei faltar os dois dias de aula. — Sorri. — Foi por uma boa causa. — Conclui e vem em minha direção, abraçar-me.

— Obrigada por ficar lá comigo. — Devolvo o abraço do jeito que posso para não sentir muita dor. — Eu te amo, Lucas. — Declaro ainda no abraço, e sinto-a me apertando mais contra ela. Dessa vez não consigo evitar sentir algum desconforto, e acabo soltando um gemido fraco.

— Desculpa, foi a emoção. — Diz envergonhada. Acho graça, pois é difícil ver Ruby envergonhada. Só quando as coisas realmente são sérias.

— Preciso de uma massagem urgente. — Que tal? — Arqueio a sobrancelha várias vezes seguidas. Ruby me olha com uma cara de quem diz: ‘’Você está querendo demais, não acha?’’ Mas ignorando seu olhar, resolvo apelar. — Por favor. — Faço cara de cachorrinho pidão. Nunca falha.

— Tudo bem, você venceu. — Do meu jeito, levanto as mãos para o ar, em comemoração. — Agora deita aí. — Ordena e aponta para a cama. — Antes que eu desista. — Acrescenta ainda séria, mas acaba por sorrir, fazendo-me sorrir também.

Retiro minha blusa com certa dificuldade, sentindo um pouco de dor por conta dos movimentos, e mostro a Ruby onde tem um óleo para facilitar o processo. Deito-me na cama e fico esperando a minha massagista particular e de graça.

Que ela não saiba que eu estou falando assim...

Depois de alguns minutos, Ruby volta para o quarto e se senta em minhas costas, já derramando o óleo em minha pele.

— Você é pesada, vai acabar comigo. — Zombo dela e sinto-a me dá um apertão na cintura. — Ai... — Reclamo. — Você é uma péssima profissional, Ruby. — Finjo indignação tentando segurar o sorriso.

— Eu estou fazendo um favor para você, e ainda está reclamando? E me chamando de gorda?— Fala irritada, porém sei que deve está sorrindo. Conheço muito bem a minha amiga, para saber que posso brincar com ela de qualquer forma que ela não se sentirá ofendida. Mesmo que seja uma ofensa, tendo intenção ou não. Solto a gargalhada que estava prendendo, e escuto-a sorrindo também.

— Eu queria que outra pessoa estivesse fazendo essa massagem em mim. — Murmuro pensando em Regina, pois adoraria que ela quem estivesse em cima de mim me massageando. Quando sinto Ruby parando de massagear, percebo que pensei alto demais.

— Quem você queria que estivesse fazendo isso, hein Emma? — Pergunta em tom de malícia.

Respiro fundo já pensando na desculpa que darei.

— Eu falei no sentindo de que queria outra pessoa, porque você não sabe fazer. — Digo, após alguns segundos pensando na desculpara para cobrir meu erro. — E não no sentindo de que eu queria alguém específico, fazendo isso. — Concluo soltando uma respiração pesada, e um pouco nervosa, torcendo para que ela acredite.

— Você é tão cara de pau, Emma Swan. — Rebate indignada e eu respiro aliviada. Ela caiu na minha mentira. Eu odeio fazer isso com Ruby, porém dessa vez, foi necessário. Infelizmente.

•§•

Após alguns bons minutos de massagem, quando eu já estava quase sem consciência, e entrando no mundo maravilhoso dos sonhos, Ruby para seus movimentos maravilhosos em minhas costas e ombros, que estavam fazendo muito bem para as minhas dores.

— Estava tão boa essa massagem, minha massagista particular. — Digo fingindo inocência, e com voz manhosa para ver se consigo a fazer continuar.

— Para você né, linda? — Rebate irritada e eu me seguro para não rir. — Minhas mãos estão dormentes já. — Sai rapidamente de cima de mim, jogando o lençol por cima das minhas costas.

— Para de reclamar, eu sei que você adora fazer massagem. — Viro-me devagar para encara-la que está sentada ao meu lado na cama.

— Em outro lugar e em outras pessoas. — Diz maliciosa e começa a sorrir. — Agora eu preciso ir. — Anunciou, deixando-me triste. Não queria ficar sozinha depois de tudo que aconteceu. — Mas não faz essa carinha triste não, que mais tarde eu volto. — Levanta-se da cama e vai ao banheiro, provavelmente irá lavar as mãos cheias de óleo. Depois de alguns segundos, volta para junto de mim na cama. — Vou só dá uma olhadinha na dona Lucas. — Sorri docemente, delicadamente beija minha testa, seguido de uma tapa de leve em minha cabeça e se levanta da cama, saindo logo em seguida pela porta, assim então, sumindo da minha vista.

•§•

Alguns minutos depois que Ruby sai, levanto-me com dificuldade da cama e vou para o banheiro tentar tomar um banho.

— Espero que eu consiga tomar esse banho, sozinha... Não quero as mãos safadas da Ruby pelo meu corpo.

Como já estava sem blusa, eu só precisei tirar o sutiã, que por sorte se abre na frente. E depois tirei a calça e entrei no chuveiro. Liguei-o e fiquei em baixo aproveitando a água fria que descia pelo meu corpo. Fecho os olhos e instantaneamente e inevitavelmente, imagens do ocorrido com Neal me vem à cabeça. Abro os olhos rapidamente, olhando para todos os cantos do banheiro, só para me certificar que tudo está bem e eu estou sozinha, e tento afastar as imagens da mente. Todavia quanto mais penso, mais fortes elas vem.

Novamente torno a fechar os olhos para dar continuidade ao banho, mas segundos depois, abro-os novamente, olhando para cada cantinho do banheiro. A ideia que minha mente criou que o Neal poderia aparecer ali a qualquer momento, e poderia me pegar desprevenida, deixou-me desnorteada, nervosa, e com muito medo.

Começo a sentir uma dor forte na cabeça, e se eu não tomar algum remédio agora, sei que tudo piorará. Então, começo a me ensaboar o mais rápido que posso, ignorando algumas dores aqui e ali, algumas não tão fracas, e logo me enxáguo para tirar o sabão do corpo.

Pego a toalha pendurada perto do chuveiro, enxugo-me rapidamente e saio às pressas do banheiro. Escolho uma roupa folgada, no guarda roupa, me visto com certa dificuldade, volto para o banheiro, pego um comprimido para dor de cabeça, tomo-o com água da torneira mesmo, e volto para a cama, para esperar Ruby voltar e me fazer companhia.

•§•

Já deitada, lembro-me do meu celular, mas não faço ideia de onde ela possa estar, já que a ultima vez que o vi, foi antes de tudo acontecer.

Lembrando-me da bolsa que a Ruby levou para mim, com roupas limpas, e imaginando que possa estar nela, levanto-me devagar da cama, e vou atrás da tal bolsa, encontrando-a logo no sofá, na sala. Vasculho alguns minutos por ela, e finalmente o acho. Volto para o meu quarto e deito na cama novamente. Quando desbloqueio a tela do mesmo, percebo que tem uma mensagem. Meu coração acelera quando vejo quem é o remetente. Passo o dedo pela tela e abro a mensagem.

‘’Como você está, Em? Estou preocupada.’’

Sorrio ao ler a mensagem, e meu coração bate ainda mais forte. Olho a hora que a mensagem chegou e percebo que só fazem 10 minutos que ela enviou. Preciso responder logo.

‘’Estou melhor. Não precisa se preocupar, Rê. Suas palavras de conforto me serviram bastante.’’

Rapidamente envio, e fico esperando ansiosa por sua resposta. Logo após 2 minutos, a minha espera acaba.

‘’Fico feliz que esteja se sentindo melhor, e que, o que eu disse, serviu para te acalmar.’’

Leio sua resposta e sorrio mais uma vez. Gostaria de saber se ela estaria fazendo o mesmo agora.​

‘’Sim ♥. Mas e você, como está?’’

Mando a nova mensagem e sem demora chega uma resposta.

“Estou bem também, o Robin está cuidando de mim. Tinker voltou ao trabalho e ele passará essa semana sem trabalhar, para poder ficar comigo. Quando você virá me visitar? Já estou com saudades. :(’’

Assim que termino de ler, raiva e ciúmes tomam conta do meu ser, ao ler que Robin está cuidando dela, ao mesmo tempo em que o egoísmo bate com força. Afinal, ele é seu marido, eu gostando ou não. Tinker não pode cuidar, mas ela precisa da ajuda de alguém. Então tem que ser ele mesmo.​

‘’Ah, certo. Que bom que ele está te ajudando e que você está bem. O médico me disse que preciso ficar uma semana em casa, de repouso absoluto. Então assim que esses dias acabarem irei correndo até aí. :)''

Em poucos segundos sua resposta chega, e eu trato logo de ler. Não quero perder nenhum segundo.​

‘’Vai demorar muito :(. Quem estará cuidando de você nesses dias?’’

Minha vontade é de responder que eu adoraria que ela quem estivesse cuidando de mim no lugar de Ruby. Uma pena que querer não significa poder. Não em alguns casos, como esse agora.

‘’Que nada... Quando você menos esperar, eu estarei aí :). E quem estará aqui comigo esses dias é a Ruby. Mas ela não está aqui no exato momento. Foi dá uma olhadinha na avó dela. ’’

Suas respostas anteriores haviam chegado tão rápidas, que eu me acostumei a reler a conversa, e encontrar uma nova mensagem, ao fim da leitura.

Porém dessa vez não foi isso que aconteceu. Reli a conversa duas, três, quatro vezes, e uma nova mensagem não chegou.

Os minutos foram-se passando e nada. Talvez ela tenha se ocupado com algo, ou alguém ligou e ela precisou atender, ou talvez tenha dormido.

Devido a sua demora, resolvo colocar o celular em cima da cama e descansar a cabeça, enquanto sua resposta.

E então eu espero, e espero, viro-me na cama, e espero, encaro o celular completamente apagado, perto do travesseiro, e espero, e espero. Até que, quando estou desistindo e resolvo tentar dormir, ele vibra. Uma mensagem dela, finalmente.

‘’Desculpe-me a demora em responder... Então Ruby está com você? Hum, que bom... Bem, eu terei que dormir agora, depois nos falamos mais. Beijos e espero-te aqui semana que vem :)’’

Releio a mensagem em voz alta, totalmente incrédula. Sério que depois dessa demora toda, ela só pede desculpa? Poderia ao menos dizer o que fazia, ou que estava fazendo algo. Mas nem isso...

Sei que não sou especialista em distinguir o humor ou a forma como a pessoa fala, apenas lendo algo que a mesma escreveu, sem ver suas expressões, se é que isso existe. Mas claramente minha professora de gramática e literatura falou da minha amiga Ruby Lucas com desdém ou ironia.

Teria isso, sido ciúmes?

Até onde eu sei, ela não se lembra de nada que aconteceu entre nós.

Será que isso é apenas coisa da minha mente? Ou teria sido sim ciúmes, mas não de forma romântica, mas sim, de amizade?

Bem, ao menos na última parte da mensagem deu para sentir animação.

‘’Tudo bem Rê. Até semana que vem. Beijos. ’’

Diferente dela, respondo rápido e logo jogo o celular em cima da cama sem esperar uma resposta. Reviro-me na mesma e depois de alguns minutos pego no sono.

•§•

Acordo-me horas mais tarde com Ruby me chamando para comer alguma coisa. Olho no celular e já passava da meia-noite.

— Você não precisava ter me acordado essa hora, apenas para comer... Sua sorte é que eu amo fazer isso, então está tudo bem.

— E você reclama demais...

Depois que me alimento, deito novamente na cama, agora com Ruby, e dormimos logo em seguida.

•§•

Durante toda a semana que passei de repouso ‘’absoluto’’ sim, entre aspas, porque em alguns momentos eu fazia um esforço aqui e outro ali, quando Ruby não estava de olho em mim. Lucas ficou cuidando de mim.

Ia à escola, quando largava olhava a sua avó em casa e depois vinha ficar comigo.

Todas as suas refeições e banhos, eram realizadas aqui mesmo. Tinha uma mala sua, jogada em meu quarto. Ruby Lucas estava morando comigo.

Todos os dias ela saia comigo para andar um pouco, para esticar as pernas e arejar a mente, e no fim, sempre fazia sua deliciosa massagem em minhas costas, para eu relaxar ainda mais.

Durante esses dias, Regina e eu chegamos a conversar por ligação, mas nada mais que dez minutos, alguns deles, contados.

Na terça-feira meu atestado acabou, infelizmente, e eu voltei para a escola.

Como tinha perdido as provas, a querida diretora me fez fazer o restante das disciplinas de uma vez só, no mesmo dia, alegando que os professores precisavam logo fechar as notas para entregar os boletins e só faltava as minhas provas.

Para minha sorte, eu tinha um bom pacote de internet em meu celular, então em vários momentos de descuido da minha amadíssima diretora, eu pedi ajuda a Ariel e a Ruby, pois Killian é mais perdido do que todos os perdidos juntos. E para melhorar ainda mais a minha situação, as provas eram completamente fechadas. Ao recebê-las, eu tive vontade de gritar, mas me contive. Foi um grande alívio.

•§•

Assim que terminei as provas, voltei para a sala de aula, desejando que terminassem logo e eu pudesse ir para onde queria.

A casa de Regina.

Estava morrendo de saudades.

Precisava saber como ela estava. Ver com os meus próprios olhos que estava tudo bem, como ela havia me dito em todas as nossas conversas durante a semana.

•§•

O sinal tocou, e eu saí correndo da sala sem nem falar direito com Ruby, Killian e Ariel. Eu não queria perder tempo. Porém os três correram até mim, e pediram para ir comigo visitar a Regina, pois eles gostavam muito dela e estavam com saudades também.

Juntos, pegamos um táxi e fomos direto para a casa dela.

Quando desci do veículo, avistei Robin em frete da casa, varrendo o jardim. Paralisei na hora em que o vi. Meus pés simplesmente não queriam sair do chão. Meu corpo todo gelou quando percebi que ele vinha sorrindo em minha direção.

Os outros três estavam envergonhados com sua presença, então nem se manifestaram.

— Ei Emma, quanto tempo! — Sorri. — Como você está? — Aponta para o meu braço ainda com uma faixa enrolada.

— Estou bem, obrigada — Sorrio sem jeito. — E você, como está? — Pergunto por educação, pois, de verdade, não importo muito com o seu bem estar, quem me importa de verdade, está lá dentro, e para minha felicidade, sentindo minha falta também.

— Estou bem também. — Responde-me. — Olá pessoal! — Acena brevemente para os três que estão logo atrás de mim. — Entra... — Aponta para trás, indicando a porta. — Regina está morrendo de saudades. — Conta, fazendo meu coração explodir de alegria. — Não parava de falar em você. — Fala com animação, e eu não me contive em abrir um enorme sorriso ao saber que ela não parou de falar de mim.

Robin nos dá as costas e começa a andar em direção a casa. Finalmente consigo retirar os pés do chão e sigo-o, juntamente com Killian, Ruby e Ariel. Antes que alcancemos a porta, Robin para de andar e se vira para mim murmurando um “Ah” como quem se lembra de algo.

— Hoje eu vou precisar sair. — Fala um pouco mais baixo, como se estivesse com vergonha. — Você se importa de fazer companhia a ela? — Pergunta meio hesitante.

— Pode deixar, eu ficarei com ela... — “Com o maior prazer’’, pensei em acrescentar, todavia limito-me apenas a sorrir.

— Obrigado Emma. — Vira-se novamente e volta a andar. — Preciso ir a uma festa da escola que trabalho, então não terei hora de voltar. — Informa. — Algum problema? — Pergunta, interrompendo seus passos novamente, esperando por uma resposta.

— Não, pode ficar tranquilo. — Respondo com falsa tranquilidade. Minha vontade é de gritar de felicidade, por saber que dormirei aqui novamente, com ela. Robin sorri em resposta e agradecimento, e se vira novamente, finalmente entrando na casa.

Sem pedir licença, pois me sinto de casa, vou direto para o quarto, ao encontro de Regina, esquecendo-me completamente que estava acompanhada. Eu só queria logo ver a minha professora. Não aguentava mais esperar.

— Rê? — Chamo-a sem entrar no quarto. Ao longe, escuto a voz de Killian e Ruby conversando animadamente com Robin. Dou um sorriso e balanço a cabeça negativamente, pois agora pouco, estavam morrendo de vergonha, e agora já estão conversando normalmente. Em seguida volto a focar minha atenção na porta do quarto de Regina, que está entreaberta. — Estou entrando. — Aviso e logo entro sem esperar por respostas.

Vejo-a dormindo com um livro em cima da barriga seus óculos de grau, no rosto. Sorrio e me aproximo. Sento-me na cama e acaricio seus cabelos sedosos. Quando dou um beijo em sua testa, ela abre os olhos, assustando-me um pouco.

— Pensei que não viria. — Sussurra manhosa, deixando-me arrepiada.

— Mesmo não tendo feito uma promessa, eu jamais deixaria de cumprir o que falo, ainda mais se tratando de você. — Rebato com coragem, mas logo sentindo meu rosto esquentar de vergonha.

Antes que ela pudesse responder algo, Killian, Ruby e Ariel entram no quarto, acompanhados de Robin.

•§•

Após algumas horas de conversa entre todos nós, já de noite, meus amigos decidem ir embora.

Despedem-se de Regina com um aviso de que voltariam a visita-la antes que seus dias de repouso acabassem, e eu os levo até a saída, logo os colocando em um táxi.

Quando volto para dentro da casa, antes de chegar ao quarto, percebo que Robin estava no banho, provavelmente já estava se arrumando para ir a tal festa.

Espero que não demore em sair...

— Advinha quem vai dormir aqui hoje? — Pergunto com animação, e vejo-a abrir um largo sorriso. E para brincar, antes que ela responda, pergunto novamente: — Posso?

Regina coloca a mão no queixo e faz uma expressão pensativa. Após alguns segundos mais, abre a boca para me responder: — Acho que não, meu marido é muito ciumento... — Arqueio a sobrancelha, surpresa com sua resposta. O que ela quis dizer com isso? — É claro que pode. — Interrompe meus pensamentos. — Sempre que quiser, Em. — E pisca para mim.

Espera...

Ela pisca para mim? Mas como assim? Por que ela fez isso? Será que quer dizer alguma coisa com isso?

Primeiro a resposta de que o marido é ciumento, e agora isso?

Ok, algo de errado não está certo.

Finjo que não percebi nada e sento-se ao seu lado na cama, para assistir o que ela estava assistindo.

Alguns minutos depois, Robin sai do banheiro, termina de se arrumar por completo, despede-se de nos duas, sendo bastante carinhoso com Regina, o que me faz desviar a atenção do beijo que trocaram, e sai. Pelo que percebi, sem carro.

•§•

Ficamos horas assistindo vários episódios de CSI na TV até que Regina pega no sono. Observo as horas no celular, que mostram que já passava das duas horas da manhã, e então me preparo para me deitar junto a ela na cama, mas corro direto para a poltrona, ao ouvir o barulho da porta da sala, abrindo-se, indicando que alguém, ou melhor, Robin, havia chegado. Não queria que ele me visse dormindo ao lado dela, na cama. Vai saber se isso traria problemas para mim e para ela. E se tem uma coisa que eu não quero, essa coisa é: problemas.

Quando me acomodo na poltrona, que é muito confortável, e fecho os olhos, sinto sua presença invadindo o quarto. Abro os olhos minimamente e o observo passar direto pela cama e ir ao guarda roupa. Pega alguma peça de roupa, e logo entra no banheiro. Sai logo em seguida e tira os sapatos e o relógio do braço. Quando se aproxima de onde estou para botar o celular, o relógio e a carteira em cima de uma mesinha que tem próximo a mim, sinto um cheiro forte de perfume de mulher.

Não convivo com Robin, porém sei exatamente que esse perfume não é dele. Inclusive, não faz o seu estilo, usar perfume feminino. Também sei muito bem que esse perfume não é de Regina. Conheço os seus cheiros, e esse definitivamente não é seu. Sem falar que ela não é muito chegada em perfume Frances. E por último, mas não menos importante, eu senti o cheiro do perfume que ele estava usando, quando saiu mais cedo.

Em seguida, meu ex-professor fica de costas para onde estou, e retira a camisa. E então, é possível ver uma enorme marca vermelha em suas costas, que vai de cima, perto do pescoço, até em baixo, tipo na lombar. Abro mais os olhos, extremamente surpresa com a informação, mas logo os fechos novamente, fingindo estar dormindo, ao perceber que ele se virará.

Ele realmente se vira, deixa a camisa no chão, e entra no banheiro. Conto alguns minutos desde sua entrada, e resolvo investigar. Levanto-me silenciosamente da poltrona, e pego a camisa, constatando a quantidade de batom que tinha ali. Meio clichê e idiota essas marcas, mas bem reais. A quantidade era tanta, que eu acho que dava para fazer outro batom.

— E eu pensei que isso só acontecia em filmes. — Balancei a cabeça de forma negativa.

Escuto o barulho do chuveiro, desligar, e então solto a camisa no chão, deixando-a quase que no mesmo lugar onde estava, e volto para o meu lugar. Minutos depois, vejo-o saindo e pegando a camisa do chão. Analisa a peça por alguns segundos, faz uma cara estranha, e sai do quarto.

Então quer dizer que Robin de Locksley estava traindo sua esposa, Regina Mills?

Que imbecil, idiota, safado e nojento. Só não o chamo de filho da Puta, porque a mãe dele não tem nada a ver com isso.

E agora? O que eu faço? Conto ou não conto?

Estaria eu, numa palavra mais fraca, ferrada?