Next to Me
10 Next to me - 10
Notas iniciais
Assim que ouvi aquelas palavras, meu coração parou. Uma felicidade enorme invadiu meu ser com essa notícia. Eu estava sonhando com isso, estava ansiosa para ouvir estas palavras e agora estava finalmente acontecendo.
Comecei a sorrir muito, e alto, só de imaginar que veria um pouco mais aqueles olhos lindos e aquele sorriso maravilho de Regina.
O médico me olhou esquisito, acho que me achando uma louca por está rindo daquele jeito. Ele não imagina a felicidade que aquela notícia me trouxe.
Tinker e Robin se abraçaram felizes e pularam de felicidade. Entrei naquela folia também, me esquecendo completamente que estávamos em um hospital e isso não é permitido.
Por um momento me senti mal pelas outras pessoas que estavam ali sofrendo por alguém. Há alguns minutos, eu estava igual a eles.
Soltamos um do outro e Tinker começou a chorar, acredito eu, que de felicidade, e eu a acompanhei.
— Podemos vê-la? — Perguntei esperançosa. Estava louca para vê-la. Estava com saudade de ouvir sua voz, de abraça-la e tudo mais.
— Ela acabou de acordar. É melhor que fique mais um tempo em observação. — Limitou-se a dar um meio sorriso. — Depois a levaremos para um quarto, faremos uns exames rápidos, e aí vocês poderão entrar. — Seu olhar estava direcionado a mim.
— Certo... — Respondeu Robin, estendendo a mão para o homem. — Obrigado por nos avisar. — Sorriu, mas sem mostrar os dentes.
— É o meu trabalho, meu caro. — Agora é, não é? Mas dias atrás, estava querendo cortas nossas esperanças com aquele papo de desligar máquinas. — E, Srta. Swan... — Chamou minha atenção. — Isto tudo por causa de sua insistência. Parabéns. — Arqueei a sobrancelha. — Ela deve ser muito importante para você. — Sorriu de forma gentil. Corei na hora, sem saber o que fazer.
— Sim, ela é. — Foi o que eu disse, mas o que eu realmente queria dizer é: ela é importante para mim, não só porque é minha amiga, mas também porque de uma forma muito rápida, ela passou a ocupar meu coração e meus pensamentos de outra forma, além da amizade. Resumindo, queria dizer que não era porque era só minha amiga, mas também o meu amor. Mas com Robin e Tinker ali, nada disso poderia sair de meus pensamentos. — É uma amiga muito importante para mim. — Revelei meu “grau de parentesco” com ela, mas ele não pareceu se importar.
— Amigos como você, contamos nos dedos. — Tocou em meu ombro e o apertou de leve. Se ele não estivesse me elogiando, eu acharia estranho esses toques e sorrisos todos. — Alguns médicos do meu grupo viram seu sofrimento e tudo o que você fez e ficaram admirados. — Fez uma pausa e olhou para Tinker e Robin, que pela minha visão periférica, pude ver que estavam sorrindo. — Parabéns novamente. — Encerrou seu mini discurso e se afastou de mim para ir embora, porém antes de desaparecer, se virou para onde estávamos. — Ela tem sorte de ter você. — Arqueei a sobrancelha e dei um sorrisinho. Eu também tinha sorte de tê-la ao meu lado.
•§•
Depois da notícia, Tinker e Robin resolveram ficar esta noite, caso alguma coisa acontecesse. Tinham medo da situação com Regina mudasse de repente, e por isso queriam estar ali.
Enquanto eles conversavam com amigos e familiares deles e de Regina, saí para fazer um lanche, pois depois da boa notícia, a fome voltou, e voltou com tudo.
Decidi por ir, até a lanchonete do hospital, que ficava do lado de fora, para ver se tinha algo gostoso, pois a que tinha dentro do hospital, só tinha coisas saudáveis, e isso não fazia o meu estilo, e sim o de Regina. Todas as vezes que saíamos para lanchar em algum lugar ela me fazia comer coisas assim. Muitas vezes eu tinha que comer escondido dela, o que eu queria, e quando me pegava no flagra, só faltava me matar por isso.
Ao chegar à lanchonete que estava vazia, assim como toda a frente e a rua do hospital, fiz meu pedido ao rapaz e fui andar um pouco enquanto ele preparava meu delicioso hambúrguer – que eu estava com uma enorme saudade.
Enquanto andava pelos bancos e árvores que tinha por ali, senti algo estranho, como se alguém estivesse me vigiando. Arrepiei-me dos pés a cabeça, com o pensamento, e lentamente me virei de costas para ver se via algo.
Nada.
Não tinha nada, a não ser mato e mais árvore.
De repente começou a ventar forte, e as árvores começaram a fazer um barulho estranho. Assustada, comecei a andar rápido, de volta para a lanchonete.
Escutei barulho de passos me perseguindo e olhei para trás, mas não tinha ninguém. Voltei a andar rápido em direção à lanchonete, e escutei novamente o barulho de passos, mas dessa vez mais perto e mais rápido.
Sem pensar duas vezes comecei a correr desesperada sem olhar para trás. Quando já estava perto da lanchonete esbarrei em alguém que usava uma roupa preta. Olhei em direção ao seu rosto e estava escuro por causa da pouca iluminação.
Assustada, dei um grito logo caindo no chão.
A pessoa se aproximou de mim e estendeu a mão sem falar nada. Eu não peguei e me levantei sozinha, conseguindo finalmente enxergar o rosto da pessoa. Era um homem, branco, de cabelos claros e olhos azuis, muito bonitos. Pude perceber que ele era vigilante do hospital, devido a sua roupa.
— Desculpe-me pelo esbarrão. — Pedi sem graça. Estava nervosa e envergonhada.
— Está tudo bem com você, senhorita? — Olhava-me de cima a baixo como se procurasse algum machucado. — Machucou algo? — Perguntou num tom preocupado.
— Não me machuquei... Não precisa se preocupar. — Dei um meio sorriso.
— OK! Tenha uma boa noite, preciso voltar ao trabalho. — Assenti. — E desculpe-me também pelo esbarrão. — Virou-se e foi embora, desaparecendo naquela escuridão.
Voltei a olhar para trás, e agora estava tudo calmo de novo. Não estava mais sentindo como se tivesse sendo vigiada.
Voltei para a lanchonete, peguei o meu lanche, paguei o rapaz, e fui correndo para dentro do hospital.
Eu pretendia comer pelo menos, quatro hamburguês, e alguns pedaços de pizzas com milk-shake, porém o susto de agora pouco foi tão grande que perdi a fome novamente, e fiquei apenas com um mesmo.
Quando estava entrando no hospital, outro vigilante não permitiu minha entrada, por causa da comida. Se eu quisesse comer meu delicioso e aperitivo hambúrguer, teria que sair. Mas eu não queria voltar lá pra fora, então com jeitinho, pedi que me deixasse comer ali dentro, mas em sua companhia. Depois de pensar alguns minutos, ele acabou deixando, mas pediu-me que eu comesse rápido para que não corresse o risco de alguém da direção, ver.
Ao terminar de comer, minutos depois, voltei para a sala de espera, onde Tinker e Robin estavam.
Robin dormia em um sofá e Tinker estava sentada e também dormindo, em uma cadeira bem desconfortável, quase caindo ao chão.
Sentei-me ao lado de Tinker e a puxei para o meu colo. Rapidamente ela se aconchegou ali e fez das minhas pernas, um travesseiro.
•§•
Algumas horas, sentada na mesma posição, acabaram deixando minha bunda dolorida. Para a minha sorte, Tinker acordou e meu celular logo tocou. Levantei-me rapidamente, e tratei logo de esticar as pernas.
Atendi a ligação. Era Ruby. Queria saber como eu estava e como Regina estava.
Contei para ela toda a semana que tinha se passado e eles não puderam vir por causa da escola, a novidade, e depois nos despedimos.
— Emma? — Tinker me chamou. Seu tom era um pouco sonolento. Olhei para ela e me aproximei. — Obrigada, e desculpe-me. — Murmurou meio sem jeito.
— Por? — Perguntei confusa.
— Obrigada por ter insistido em não desligarem os aparelhos da Gina. —Balancei a cabeça, assentido. — Se não fosse você... — Olhou para baixo e respirou fundo. — Não estaríamos aqui agora, e sim preparando um enterro. — Seus olhos já estavam marejados.
Estremeci ai ouvir a ultima frase. Nem em pesadelo eu queria isso acontecendo. Não consigo nem imaginar como estaríamos agora, se isso tivesse acontecido.
— E desculpe-me por ter desistido dela e ter perdido as esperanças. — Acrescentou depois de uns minutos em silêncio.
— Não é para mim que você tem que dizer isso. — Ela assentiu. — Vamos fazer o seguinte... Vamos esquecer esse episodio triste? — Balançou a cabeça afirmativamente. — Vamos fingir que isso não aconteceu. Eu só quero que ela não saiba o que vocês pretendiam fazer. — Pedi.
— Desculpe-me, Emma, mas eu acho que a Regina merece saber o que você fez. — Neguei. Regina não precisava saber que sua família havia desistido dela.
— Rose, por favor... — Supliquei. — Ela não merece isso.
— Eu sei que não, mas quero que ela saiba disso. — Disse decidida e eu resolvi desistir.
•§•
No dia seguinte, assim que amanheceu, Robin e Tinker foram para casa, tomar um banho, trazer mais roupas para mim, e agora trazer roupas para a Regina.
E eu, bem... Eu continuei por lá, como sempre.
Enquanto eles não chegavam fui à lanchonete que há dentro do hospital mesmo, pegar apenas um café. Quando eu voltei para onde estava anteriormente, o médico que cuida da Gina estava na sala de espera, olhando para os lados como se procurasse algo, ou alguém. Assim que me viu, abriu um sorriso e veio falar comigo. Acho que ele procurava alguém responsável por ela.
— Estava procurando a senhorita mesmo.
— Alguma novidade? — Meu coração já palpitava de ansiedade.
— Sim, há uma novidade. — Deu um sorriso. — Irei fazer alguns exames na paciente agora, e em alguns minutos vocês poderão entrar para vê-la. — Agora foi minha vez de abrir um sorriso. — Agora se me der licença, preciso ir.
Sentei-me no sofá e pacientemente comecei a tomar meu café.
Alguns minutos depois o homem volta, porém não estava mais com o sorriso de antes. Pensamentos ruins invadiram a minha mente.
— Então...? — Indaguei hesitante.
— Fizemos os exames necessários e realmente ela não teve sequelas físicas. — Abri um sorriso. — Sua saúde também está boa, todavia... — Meu sangue gelou nas veias. — Acredito que devido ao tempo em que ela ficou desacordada, além da falta de oxigênio no cérebro quando tudo aconteceu, e também devido à colisão de seu crânio com o chão, ocorrido no dia do acidente, afetou a memória dela.
— O que? — Minhas pernas fraquejaram, mas procurei me manter firme. — Ela não se lembra de nada? — Minha respiração estava falha.
— Calma... — Pediu-me. — Ela se lembra, porém não é de tudo. — Eu já estava sentindo aquela vontade de botar tudo que comi, para fora.
— Co-como assim? — Indaguei com dificuldade.
— Ela perdeu a memória de aproximadamente os seus últimos cinco meses. — Respirei aliviada, mas só até me lembrar de que isso significava que ela havia esquecido muita coisa que nós fizemos. Inclusive o beijo. Novamente o desesperou tomou conta.
— Como o senhor sabe disso?
— Porque ao fazer algumas perguntas sobre o que ela se lembrava ou não, em uma de suas respostas acabou saindo o mês que ela achava que estávamos. — Explicou-me.
— E não tem como ela recuperar?
— Naturalmente... — Aliviei-me. Ao menos tinha chances dela se recuperar. — Aos poucos ela irá lembrar-se do que perdeu... Só não pode forçar nada. — Advertiu-me. — Quando a senhorita quiser entrar, já pode... — Assenti com um manear de cabeça, e ele foi embora.
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