Next to Me

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Assim que o doutor desapareceu no corredor, eu me desesperei. Fiquei sem saber para onde ir e o que fazer. Nem ao menos perguntei onde ficava o quarto.

Ir ao encontro dela agora ou não?

Para quem está de fora é fácil decidir, mas para mim não é nada fácil.

Por quê?

Porque quando eu finalmente entendo que estou amando uma mulher, que é a minha professora, que também é minha amiga, depois de nos beijarmos e acontecer um acidente desse, causado pelo meu querido passado, ela simplesmente se esquece de tudo.

“Simples” assim.

Isso é de partir o meu coração. Como eu vou olhar para ela e fingir que nada aconteceu, quando o que eu mais queria era beijá-la mais uma vez, mesmo sabendo que era errado?

Depois de algum tempo decidindo se iria ou não, acabei por decidir ir.

Andei por ali procurando uma enfermeira para me informar onde fica o quarto, pois nem o médico havia dito, nem eu perguntei.

— Oi... ― Abordei um pouco tímida, um enfermeiro que conversava com uma das recepcionistas do hospital. ― Com licença... — Toquei em seu ombro e ele se virou. — Você pode me dizer aonde é o quarto da paciente Regina Mills?

— É a moça que estava em coma? — Assinto com a cabeça. — Pode seguir em frente naquele corredor. — Apontou para o corredor no final da sala de recepção, o mesmo que o médico que me informou sobre a saúde dela, entrou. — O último quarto à esquerda.

— Obrigada! — Agradeci e sai correndo em direção ao corredor.

Assim que entrei no tal corredor, que tinha mais ou menos uns 10 metros, parei logo no começo, como uma estátua. O nervosismo tomou conta de mim e de meus movimentos. Os sintomas já estavam aparecendo. Suor frio, problemas na fala e respiração, vontade de vomitar...

Ir ou não ir até lá?

Bem... Eu preciso ir... Em algum momento eu terei que me encontrar com ela.

Respirei fundo e comecei a andar lentamente, passando por cada quarto, apreensiva e com o coração acelerado.

Quando finalmente cheguei a última porta, minhas pernas já estavam fracas. Eu queria correr dali e ao mesmo tempo, entrar e encarar aquele rosto lindo mais uma vez.

Aproximei-me lentamente da porta e engoli seco. Botei a mão na maçaneta e girei lentamente.

Meu nervosismo era tão grande, que deu vontade até de ir ao banheiro.

Empurrei a porta para dentro, bem devagar, e só o necessário para que desse para eu colocar a cabeça dentro do quarto.

Em seguida, meus olhos a capturaram, deitada na cama, com a bata de hospital, cheia de fios pelos braços e peito, uma faixa na cabeça, com certeza por causa da colisão com o chão, um dos motivos que casou o esquecimento, e olhando pela janela, distraída com algo.

De onde eu estava, era possível sentir um cheiro doce de maçã. Acho que vinha dela. Acredito que alguma enfermeira ao dar o tal do banho higiênico nela, por coincidência, o que deve ter usado, sabonete ou perfume, não sei, tinha cheiro de maçã.

Meus olhos lacrimejaram no momento que ela começou a virar a cabeça em minha direção. Mas antes mesmo que completasse a ação, eu fechei a porta e sai correndo pelo corredor, até dar de cara com Robin e Tinker que estavam com expressões de confusão, provavelmente me procurando na sala de espera.

— Emma, onde você estava? — Indaga Tinker, ao se aproximar de mim. — O que aconteceu? Por que está chorando? — Sua expressão agora, era de preocupação.

— Regina... — Não consegui terminar de falar. Apenas apontei para o corredor novamente. Como eu havia dito, na hora do nervosismo, minha voz costuma ter dificuldade para sair. E quando sai, parece que estou chorando.

— Você foi vê-la? — Perguntou Robin, se aproximando de nós duas. — Já podemos entrar? — Seu tom era esperançoso. Sem conseguir lhe responder, apenas assenti com a cabeça.

— Então vamos lá logo. — Disse animado. — Não aguento mais ficar sem ver minha esposa. — Soltou as bolsas que carregava, no chão, não se importando se elas ficariam ali e alguém poderia pegar, e caminhou rapidamente pelo corredor que dava para o quarto da Regina.

Tinker olhou-me sorrindo, entregou a bolsa que carregava, pediu-me para pegar as outras, e saiu rapidamente, seguindo pelo caminho que Robin fizera.

E eu... Eu fiquei sozinha, com a minha dor.

Ao ouvir a última frase que Robin dissera, antes de sair do recinto, meu coração se apertou tanto, que a vontade era de arrancá-lo, só para não ter que sentir mais dor.

Mais lágrimas caíram dos meus olhos enquanto eu pegava as bolsas no chão, e sua frase com termo de posse, passava em minha mente. “Minha esposa”.

Após pegar todas as bolsas e segurá-las de forma confortável, respirei fundo encarando o corredor, e criei coragem parar ir até Regina.

Novamente parei antes de chegar na porta, decidindo se iria ou não. Eu sabia bem que, provavelmente quando eu chegasse ao quarto, teria uma possibilidade enorme de ver o que o que não quero. O médico que viera falar comigo, agora conversavam com eles, explicando a situação da memória de Regina. Minutos depois, ele sai do quarto, cumprimentando-me rapidamente quando me vê.

Criando coragem novamente, dei passos largos até a porta. Como da outra vez, abri lentamente, porém sem cerimônias dessa vez, entrei de uma vez.

No momento em que entro, solto as bolsas no chão e levanto minha cabeça, encontrando Tinker de um lado da cama, segurando a mão esquerda da morena, e seu irmão, Robin, do outro lado, segurando sua mão direita, e com a outra mão livre, fazendo carinhos em seus cabelos, que por tantas vezes, também já fiz. A morena sorria lindamente para ele, que retribuía, e seu rosto estava banhado por lágrimas.

Nenhum deles tinha percebido minha presença. Apesar de ter entrado com tudo, procurei ser silenciosa.

Quando resolvo me aproximar para que todos notem a minha presença, Robin se inclina e delicadamente, beija os lábios de Regina. No momento que isso acontece, eu paro bruscamente de andar e começo a recuar, ainda de costas. Meu enjoo que tinha passado quando eu ainda estava na sala de espera, voltou com tudo, mas dessa vez mais forte. E minhas lágrimas que também tinha ido embora, voltaram a descer.

Quando sinto minhas costas baterem na porta, viro rapidamente e, do jeito que entrei, saí. De forma silenciosa e depressa, pois se ficasse ali mais um minuto, eu vomitaria o único alimento que ingeri nos últimos dias.

Alguns minutos depois, quando finalmente me acalmo e resolvo voltar para o quarto, apenas Tinker está lá com ela, conversando. Não faço ideia de onde Robin possa estar.

Regina está sentada na cama, e Tinker está sentada em uma poltrona que tem perto da cama.

Antes que as duas pudesse perceber minha presença, pude ouvir um pouco da conversa.

— Gina, você tem muita sorte de tê-la como amiga. — Estariam falando de mim? — Como eu disse a você, se não fosse por ela, você não estaria aqui agora. — Seu tom era envergonhado. Tinker aproxima-se da borda da cama e pega a mão de Regina, começando a fazer carinho.

— Em é uma menina de ouro. — Sorri e eu acabo sorrindo junto. — Eu a admiro muito. — Meus olhos se enchem de lágrimas. Meu coração que batia desesperado no peito, se acalmou de um jeito que eu não saberia explicar. — Às vezes, me pergunto o que seria de mim se não tivesse ela ao meu lado nas horas difíceis da minha vida. — Seu jeito de falar de mim, me deixa tão feliz, que se ela soubesse que estou ali e me pedisse para falar algo, eu não saberia o que dizer. Seu sorrio ainda permanece nos lábios e por algum motivo, ela vira a cabeça em minha direção, vendo-me finalmente, presente no quarto. — Hoje em dia é difícil encontrar pessoas assim. — Fala me encarando. Fico encarando-a também e pensando no quanto ela é linda até mesmo com aquela roupa horrível de hospital. Acho que Regina é a mulher mais linda que já vi. Talvez, nem minha mãe ganhe para ela. E olhe que Ingrid é linda.

Ao perceber que eu estou presente no quarto, Tinker se levanta e se aproxima da cama da cunhada.

— Bem, eu já vou. — Anuncia. Encara-me com um sorriso e depois volta seu olhar para a morena. — Depois eu volto aqui. — Abraça Regina como pode, tomando o cuidado para não machucá-la, e segue para a porta. Passa por mim, tocando em meu braço e apertando-o, e logo nos deixa sozinhas.

Em silêncio e com a cabeça baixa, caminho para perto da cama, mas paro em frente a poltrona que Tinker estava sentada, minutos atrás. Quando eu penso em me sentar, Regina me puxa pelo braço e me abraça.

Não aguentando a saudade que eu sentia dela, apertei-a mais em meus braços, como se isso a impedisse que se afastasse de mim novamente, ou que algo ruim pudesse acontecer a ela.

Meus olhos se enchem de lágrimas e eu desabo num choro compulsivo que estava segurando desde quando o médico falou de seu esquecimento.

Enquanto estamos abraçadas, sinto ela me apertar mais e escuto também o seu choro.

Passamos alguns minutos assim, abraçadas, chorando, e em silêncio.

Quando finalmente nos separamos, nos encaramos, e carinhosamente eu começo a limpar suas lágrimas, e ela rapidamente começa a fazer o mesmo comigo. Sorrimos uma para outra e nos abraçamos de novo.

Depois que nos separamos do abraço, eu sento finalmente na poltrona, e ela volta a se encostar-se à cama.

— Obrigada Em. — Seu tom é sincero. Procura minha mão em cima da cama e quando a encontra, começa a acariciar. — Sei tudo que fez por mim, e não sei o que posso fazer para te agradecer melhor.

— Não precisa fazer nada. — Aperto seus dedos entre os meus. — Eu fiquei com medo de te perder Gina. — Confessei. Minha voz já embargada.

— Ei... — Soltou minha mão e tocou em meu queixo. — Não chora, por favor. — Sua expressão é triste. — Parte-me o coração te ver assim. — Começou uma carícia leve em meu rosto. — Não chora. — Pede-me mais uma vez. — Você não me perdeu, e não vai me perder nem tão cedo. — Dá um sorrisinho e eu a acompanho. — Você precisa de mim, assim como eu preciso de você... Você não vai se livrar tão fácil assim de mim. Vaso ruim não se quebra fácil.

— E quem disse que você é um vaso ruim, hum? — Caímos na gargalhada. Como eu estava com saudades de ouvir essa risada gostosa. — Eu estava com saudades de você Gina.

— Eu também estava, Em. — Sem conseguir me controlar, comecei a encarar seus lábios. Eu queria tanto poder beijá-los mais uma vez.

Meu telefone começa a tocar, despertando-me do transe em que eu estava, enquanto encarava os lábios de Regina.

Na tela, vejo o nome de Ruby. Provavelmente quer saber como Regina está.

Levanto-me para ir atender a ligação fora do quarto, mas Regina segura em meu braço, e diz-me que se não for algo que ela não possa saber, não teria problema se eu atendesse ali mesmo. Porém antes mesmo que eu atendesse ou desse uma resposta para Regina, um enfermeiro entra no quarto dizendo que eu tinha que sair para a paciente poder descansar.

— Gina, eu vou ter que ir agora. — Disse triste. Não queria ter que ir embora.

— Eu não quero que você vá embora, Em. — Seu tom também é triste.

— Eu também não queria sair daqui, mas eu tenho que obedecer ao rapaz, e você precisa descansar. — Beijo sua testa. — Eu volto depois.

— Você promete? — Sorri feito uma criança. Acabei sorrindo também.

— Prometo... — Abraço-a mais uma vez.

Com muito custo, me despeço de Regina e saio do quarto com um sorriso no rosto.

Apesar dela não se lembrar do nosso beijo, lembra-se da forma carinhosa de me chamar, e lembra-se de nossa amizade. Ao menos ainda a tenho do meu lado, me amando, mesmo que não seja da forma como eu queria. Mas já é alguma coisa.

Notas finais
Agora é com vocês!