Next Love
2 Speechless
Depois de pegar a condução que os deixaria mais próximos de seu destino, e andar do ponto até a casa do moreno, finalmente tinham chegado. Aomine morava sozinho desde que se transferira para Touou, preferindo morar mais perto do colégio apenas para facilitar sua vida, mesmo que o caminho até lá não fosse tão curto, o que contava como ponto positivo, já que a caminhada fazia parte de sua rotina diária para fortalecimento das pernas. Não era a primeira vez que ela estava ali e nem seria a última, passava mais tempo com Aomine do que consigo mesma, se fosse comparar e mesmo com tantos conflitos, a amizade dos dois perdurava, permanecendo forte mesmo depois de tantos anos. E assim que adentraram o apartamento do homem, ele já ia se livrando das vestes molhadas, retirando a jaqueta preta com detalhes vermelhos de Touou e a camisa branca que usava por baixo – deixando seu físico completamente à mostra para ela. Momoi não se importou muito, estava acostumada a vê-lo sem camisa o tempo todo e isso não era nenhuma novidade para ela e nem para ninguém da equipe.
– Vá tomar um banho quente, Aomine-ku-..? – calou-se abruptamente, observando-o puxar os cordões da calça, prestes a tirá-la. Um certo rubor tomou as maçãs do rosto da jovem. – O que diabos você está fazendo?!
– Ahn, é mesmo, você está aí. – parou com o que fazia, deixando apenas o elástico negro da cueca que usava exposta.
Ergueu os olhos para ela, reparando que a roupa que ela usava não era a mesma que trajava quando saiu na chuva. Notou que parecia ser uma peça menor e que evidenciava os seios já chamativos da administradora.
– Oe, Satsuki. Que blusa é essa? E isso não tá apertando seus peitos não?
O rosto já corado tomou uma tonalidade mais forte de vermelho, e por reflexo, cruzou os braços sobre os seios, como se pudesse escondê-los do campo de visão do outro. Constrangida, desviou o olhar do dele.
– É d-da técnica de Seirin, ela me emprestou porque minhas roupas estavam molhadas... – respondeu, com a voz trêmula. – Tá mesmo apertado, mas não tenho nada pra usar, posso trocar só quando chegar em casa.
O apartamento de Aomine era pequeno, um conjugado – ou seja, não tinha muitas paredes – apenas o banheiro era um cômodo separado, o resto do lugar não tinha divisões como em casas normais. Isso era comum para jovens que viviam sozinhos e como ele não recebia muitas visitas, estava de bom tamanho. O homem caminhou até seu armário e o vasculhou em busca de algo e quando o encontrou, o lançou para Satsuki sem sequer se virar, atingindo-a na cara.
– Usa isso, é velho, mas vai ficar mais confortável.
Apenas quando tirou a peça do rosto que se deu conta de que era a camisa cavada de uniforme do time de basket da Touou; era igual ao que usavam agora, só que mais velho e nele prevalecia o cheiro amadeirado alheio.
– Vou me trocar. Não vire, hai?
– Não vou virar.
– Tô falando sério, não vire!
– Já disse que não vou virar, merda!
Ergueu com dificuldade a camisa emprestada por Riko, sendo cuidadosa o bastante para não rasgar o tecido que lhe prendia bem na altura dos seios. E quando a retirou notou que tinha relaxado e já podia pensar na treinadora de Seirin irada por estragar sua roupa. Jogou-a de lado e então trajou o uniforme com o nome e o número de Daiki, como também com o nome da escola por quem jogava. Quando estava tirando a saia – a camisa era grande o bastante para ser usada como vestido – o moreno se virou. Furiosa, ela lançou uma latinha de refrigerante vazia que estava próxima, mas ele foi rápido o bastante para apanhá-la antes que o acertasse.
– Eu disse pra você não virar! – proferiu, com raiva.
– Qual é, Satsuki. Eu já te vi assim um monte de vezes, deixa de frescura. – retorquiu, com um sorriso nostálgico.
– I-isso foi quando éramos crianças, seu idiota!
– Falando nisso, que calcinha é essa? A gente podia sair pra comprar umas novas, eu to querendo um tênis de basquete novo e-...
– Hentai!
Foi forçado a se calar quando outra latinha vazia veio em sua direção e o acertou na cabeça, fazendo uma veia saltar na testa do Ás de Touou.
– Maldita... Pare de arremessar coisas em mim.
– Você que começou, Aomine-kun. – proferiu, com as bochechas infladas e feições amarradas, fazendo beicinho. Ajeitou o uniforme no corpo, usando-o como se fosse um vestido por ser tão comprido.
– Você podia parar de me chamar assim. – comentou, andando até a geladeira e pegando duas latinhas de refrigerante, uma para si e outra para ela. Jogou uma para Momoi enquanto abriu a outra e sentou na borda da cama, tomando um longo gole da bebida. Observou-a pegar a lata com rapidez, suspirando também. – Isso é chato, sabia?
– Você não vai querer que eu te chame de Dai-chan na frente de outras pessoas, não é? – retrucou, bebericando um pouco do líquido gaseificado.
– Poderia me chamar ao menos pelo primeiro nome. Me chamar de Aomine o tempo todo, da a impressão que somos estranhos um para outro. – tomou outro gole longo do refrigerante, quase secando a lata.
– Você sabe que as pessoas-...
– Podem falar. – completou. – Sim, eu sei. Mas não me lembro de me importar com o que os outros pensam ou falam. De qualquer forma... – sussurrou, olhando para ela.
Naquele momento, Daiki a admirava por completo. Da cabeça aos pés, ele a admirava. Admirava as feições graciosas daquele rosto angelical de sua treinadora; a forma como o seu uniforme ficou lindo no corpo voluptuoso dela, cuja camisa escondia as curvas mais sinuosas. Seu olhar clínico sobre ela a devorava como um animal devorava sua presa antes de atacá-la. E Satsuki sentiu o rosto arder ao encarar aquele olhar que parecia lhe invadir o corpo e desnudar até mesmo sua alma. Sentiu uma sensação estranha, um arrepio que lhe percorreu todo o corpo e deixou sua pele eriçada. E o outro percebendo aquilo, não deixaria tal chance escapar.
Enquanto se aproximava, viu que ela tomara todo o refrigerante e deixou a latinha de lado no balcão americano que dividia a sala/quarto, quase paralisada como uma presa fica quando é hipnotizada por seu predador.
– Está com frio, Satsuki?
De frente para ela, o maior sorriu de canto, levando a destra até uma mecha de cabelo dela, ajeitando-a atrás da orelha – sentindo o corpo dela reagir com o toque gélido de sua mão. Tomou a cintura dela com a canhota e levou a mão livre até a nuca dela, abraçando-a repentinamente e forçando-a contra seu corpo musculoso.
– A-aomine-kun... O que você... está fazendo..? – disse, com a voz falhando pela dificuldade de articular uma frase e também pela firmeza com a qual era pressionada pelo corpo dele.
– Te aquecendo, oras. – respondeu, com aquele tom dominante e direto.
Sentiu uma palpitação estranha enquanto se manteve presa no abraço dele. O coração batia descompassado e sentiu sua respiração mais intensa, enquanto ele parecia estar tranqüilo, mesmo com aquela aproximação ousada. Voltou a se arrepiar, estremecendo levemente o corpo e o moreno estava atento aos sinais que o corpo dela dava.
– Hey, Satsuki... Você respirando e mexendo assim, vou entender outra coisa... – brincou, rindo baixo com sua voz rouca, fitando o constrangimento dela enquanto a provocava.
– N-não é nada disso, seu idiota! Eu amo o Tetsu-kun e-...
Aquela frase fez toda a sutileza com a qual Daiki a tratara até então sumir. Não gostava do tom que ela usava para falar de Tetsuya, não gostava da forma como ela o olhava e se derretia por ele. Não aprovava aquela paixão platônica dela desde o início e manteve isso em segredo por muito tempo, mas era muita audácia dela falar que amava Kuroko em sua casa e mesmo depois num momento íntimo como aquele. As feições do moreno tornaram-se mais sérias do que antes e deslizou a mão que estava na nuca dela até a cintura curvilínea da jovem, forçando-a caminhar para trás até alcançar uma parede, encurralando-a contra a mesma de forma rude, provocando um baque surdo do atrito das costas alheias.
– Como você pode ser tão idiota? – o tom dele também era sério, bem como revoltado. – Tetsu nunca vai amar você, Satsuki.
Momoi estava assustada com aquela conduta de Aomine. A forma com a qual era forçada contra a parede pelo corpo alheio a impedia de fugir, mas não de se debater.
– P-pare com isso, Aomine-kun! Claro que o Tetsu-kun me ama, nós somos namorad-
– Não, Satsuki! Nós sabemos que ele não te ama e nunca vai te amar. – usava apenas o corpo para mantê-la sua refém, as mãos estavam recostadas na parede, ambas ao lado da cabeça dela.
A confrontava com seus olhos selvagens e palavras duras, faria de tudo para fazê-la entender, ela era sua e estava cansado de vê-la se arrastando para lá e para cá atrás de Kuroko.
– Pare de se enganar, você sabe do que estou falando!
– N-não, por favor... – era difícil ouvir tais palavras. Mais do que ninguém, ela sabia que seu amor por Tetsuya não era recíproco.
E em todas vezes que tentou chamá-lo para sair ou seduzi-lo só obteve fracassos. Mas isso não a impedia de amá-lo, sua paixão a cegava para a verdade que o amigo de infância queria que ela admitisse.
– Me solta, Aomine-kun...
– O-oe, é sério que você não percebeu? – fora pego de surpresa, abrandando um pouco a forma como a forçava contra a parede.
Será que ela era tão idiota a esse ponto? Teve vontade de rir, mas se o fizesse, ela ficaria magoada novamente. Suspirou, pensando numa maneira mais sutil para contar para Momoi a razão de Kuroko não gostar dela.
– Satsuki... – olhou-a no fundo dos olhos. – O Tetsu é gay...
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